Arquivo da categoria ‘Mano Celo’

Lançamento de “Uns contos de Natal”

dezembro 7, 2011

3 Fialhos incomodam muito mais.

 

 

 

Olá, eu por aqui?

novembro 27, 2011

Faz tempo que não atualizo o blogue, né? Desculpem por isso. É que esse fim de ano tem sido bem corrido pra mim. Em outubro, realizamos a Ação Potiguar de Incentivo à Leitura e a coisa foi tão sensacional e intensa que, ao final, eu estava exausto e num nível de realização tão grande que precisava de um tempo para respirar e retomar as atividades blogueiras. Mas aí, veio a maratona de fim de ano do Comitê Criativo. Mil campanhas para ir ao ar e um volume imenso de trabalho na agência me mantiveram beeeeem ocupado nesses últimos 40 dias que, aliás, passaram voando.

Por isso, já retorno aqui com mais uma novidade: LANÇO LIVROS NOVOS NO DIA 08 DE DEZEMBRO E QUEM NÃO FOR PRO LANÇAMENTO É MULHER DO PADRE!

Serão os livros “Uns contos de Natal” e “Mano Celo de Bolso” (com histórias inéditas). Ambos serão vendidos juntos por apenas R$ 30. Super em conta, hein? 2 LIVROS POR 30 PILAS. Feitos especialmente para serem presenteados nas festinhas de fim de ano e nos amigos secretos mil.

As capas dos danados são essas aí embaixo:

 

A reunião de amigos será no Solar Bela Vista e todos os livros dos Jovens Escribas estarão em promoção especial. Todos por R$ 20. E ainda haverá descontos ainda maiores para quem comprar vários.

A partir desta segunda-feira, voltarei aqui constantemente para falar do lançamento dos livros.

***

Também recomeça essa semana a publicação das crônicas do Novo Jornal. Nesta segunda, publico a coluna de número 34, “#GasolinaMaisBarataJá #Será?”

Depois, de terça até sexta tem mais. E será assim até o fim deste ano. De segunda a sexta haverá uma nova crônica publicada no Novo Jornal para a leitura de vocês, seus lindos!

***

Aliás, preciso muito agradecer todos vocês, pois enquanto estive ausente, o Blogue alcançou a marca de 100.000 acessos. Muito bom! Mas isso merece uma postagem de agradecimento exclusiva. Ou seja, voltarei ao assunto.

FUI!

FUIALHO!

 

Coluna da Digi # 64 – Mano Celo Prefeito

setembro 17, 2010

Em 17 de junho de 2009, eu havia lançado o livro “Mano Celo – O rapper natalense” havia menos de 1 mês. Por isso, resolvi publicar parte do conteúdo na coluna da Digi. Dessa forma, poderia promover o livro, despertando a curiosidade dos leitores da Digi. Acho que deu certo. O livro praticamente esgotou. :-) No texto, eu brinco com a história dos filhos de políticos concorrerem a cargos públicos para sucederem seus pais.

Divirtam-se!

***

Mano Celo Prefeito

O pleito daquele ano foi muito bom para alguns amigos pessoais do Sr. Maurício Dutton. Políticos experientes e tarimbados, velhos caciques, como diz o povo, ou representantes das antigas oligarquias, para os analistas, conseguiram eleger seus filhos deputados. Meninos de ouro, educados no sudeste, empresários de sucesso precoce, incompetentes, é bem verdade, mas paradoxalmente de sucesso. Por mais que seus conhecimentos de contabilidade não chegassem à tabuada de 7 e a noção de gestão não sirva nem pra administrar as mesadas recebidas dos painhos (gordas, polpudas e estribadas, diga-se de passagem, ao contrário dos desnutridos, pobres e famintos que os elegeram), as empresas que eles herdaram ou ganharam de presente, prosperavam exponencialmente conforme seus nobres genitores se mantinham na crista da onda, ou seja, no poder.

Logo, cogitou-se então, no embalo do sucesso dos meninos, um novo prefeito para Natal, alguém de pouca idade, que passasse para os eleitores a imagem da renovação, o viço da juventude e a disposição para o trabalho que ele cosmética-publicitaria-marqueteira-espertamente pareceria ter. Os garotos prodígios recém-eleitos deputados não se animaram muito com a idéia. Deixar de ficar em Brasília, propondo um projetinho aqui, outro acolá, participando de uma votaçãozinha de vez em quando, negociando uma ou outra benesse, vantagem, favorecimento, lendo uns discursozinhos redigidos por algum assessor letrado e, nas horas vagas (que seriam muitas), poderiam torrar a verba de gabinete em festas nababescas, cheias de mulheres, bofes, banquetes e o que mais se pudesse consumir, ingerir, beber ou cheirar, enfim, não parecia lá uma grande idéia ter que voltar a Natal pra trabalhar.

Então a solução seria radicalizar de vez. Propor um nome realmente novo no cenário político. Alguém que embarcasse na onda da renovação rumo à vitória nas próximas eleições municipais. Um candidato que respondesse aos anseios da população por mudanças.

Porém, a radicalização não poderia fugir ao controle dos líderes políticos. Seria uma passagem de bastão supervisionada, promovida, financiada, endossada e patrocinada pelos velhos nomes do tabuleiro do poder local. Em resumo, o novo nome não passaria disso: um nome. Novo, mas só um nome. O real comando da cidade ficaria a cargo dos velhos protagonistas, atores de enredos arcaicos e sem finais felizes, a não ser para eles.

Nesse ambiente favorável de efervescência eleitoral, logo surgiu o nome da família Dutton. O Sr. Maurício, empresário bem sucedido nos ramos de exportação e importação, educação e construção civil, figurinha fácil das colunas sociais, com bom trânsito nos diversos setores da sociedade, cunhado de um ilustre investidor do setor hoteleiro, irmão de um deputado estadual bem-avaliado, que quase nunca se envolvia em escândalos. E, como que por encomenda, o Sr. Maurício tinha um primogênito em idade perfeita para assumir o papel que seria conveniente a todos. Um paladino da mudança, baluarte da renovação, agente da transformação, herói dos novos tempos, príncipe de uma nova era: Marcelo Maurício Rodrigo De Paula Gadelha Dutton, o Mano Celo, irmão dos desvalidos, irmão dos humilhados, irmão dos oprimidos e irmão da Marcinha, aquela puta!

***

-          Marcelo, eu já disse mais de mil vezes que esse negócio de rap não tem futuro, rapaz!

-          Isso é arte, pai. E justiça social, tá ligado? É futuro sim. Futuro e opção pra muita gente carente.

-          Ah, quer dizer que você está engajado em projeto de assistência a comunidades carentes? Isso é bom, Marcelo. Pode render muitos votos e…

-          Votos?! Que é que há, Sr. Maurício? Que história de votos é essa?

-          A oposição quer que você seja o candidato a Prefeito de Natal.

-          Eu? Político? Sai fora, mano!

O pai tentou explicar que a cidade precisava de um novo nome para comandar seus destinos. Alguém jovem e cheio de energia. Um candidato cujos ideais pudessem trazer valores positivos para a gestão municipal e que significasse um sopro de novidade e dignidade para o povo. Sr. Maurício disse estar convencido de que esse nome era o de Marcelo. Desconfiado, o Mano Celo perguntou quem mais achava isso. E os nomes de políticos tradicionais, amigos de seu pai, não agradaram nada. Ficou claro para ele que não é nem um pouco bobo, que uma vez vitorioso, ele passaria a ser apenas um testa de ferro de grupos tradicionais.

Em todo caso, ficou de pensar e foi dormir.

***

-          Acorda. Acorda Dr. Marcelo.

-          O que houve? Mano Fuinha?! O que você tá fazendo todo alinhado? E que lugar é esse?

-          Eu sou seu chefe de gabinete. Não lembra? O senhor é o Prefeito da cidade.

-          Prefeito?

-          É. Prefeito. Acho que o senhor adormeceu na sua mesa e acordou meio desorientado. Tem um grupo de vereadores aí fora. Eles têm hora marcada com o senhor. É sobre um projeto imobiliário.

Entram os vereadores. Eles vêm tratar de um projeto que será votado no dia seguinte na câmara a respeito de uma área de preservação ambiental, na região conhecida por “Lagoazinha”, que será liberada para construção de edifícios residenciais. Já estava tudo certo para a aprovação. Até os vereadores “verdes”, antes radicalmente contrários à iniciativa, de repente mudaram de posição após reuniões com os donos das construtoras em hotéis de luxo no litoral, que duraram fins de semana inteiros. Para o Mano Prefeito, até que aquilo não pareceu tão incoerente. Eles continuavam amando o verde, mas o verde das notas de Real que receberam pra apoiar o projeto. Os vereadores falaram da necessidade de o Prefeito sancionar a lei, assim que aprovada, pois dessa forma seria “melhor pra todo mundo”. Quando o Mano ia contra-argumentar e enxotar de lá os vereadores desonestos, sua voz não saía e ele não conseguia. O principal representante dos vereadores entendeu o silêncio do prefeito como uma concordância. Piscou um olho, apertou sua mão e saiu.

Mal eles saíram e Mano Fuinha anunciou:

-          Dr. Marcelo. Os donos das empresas de ônibus que operam na cidade estão à espera.

Os donos das empresas queriam uma autorização para aumentar os preços das passagens e precisavam da autorização da Prefeitura para tal. A margem de lucro já não era a mesma de antes um aumento naquele momento poderia trazer um resto de ano muito mais gordo para todos eles, “inclusive o senhor, prefeito”, fez questão de ressaltar um deles e após essa afirmação caíram todos na risada. O Mano Celo já se preparava para declamar rimando todos os desaforos conhecidos e desconhecidos, quando percebeu que não conseguia emitir nenhum som. Os empresários saíram da reunião bastante agradecidos e disseram que iriam reajustar as passagens imediatamente.

-          Dr. Marcelo – entrou novamente na sala o Mano Fuinha, ou melhor,  Sr. Abelardo, chefe de gabinete – o vice-prefeito está aí.

E entrou o vice-prefeito, um conhecido e veterano ex-deputado federal. Ele vinha acompanhado do secretário de finanças para falar das contas irregulares da Prefeitura. O secretário conseguiu uma forma de camuflar os gastos excessivos e conseguir notas frias de shows supostamente realizados no carnaval anterior. O dinheiro teria ido para promover o lazer e a folia da população. Ninguém jamais descobriria nada. Um trabalho de gênio. Mas para que eles fizessem isso, precisavam do aval do prefeito. O que ele tinha a dizer? Nada. O prefeito não disse nada. “Ótimo! Pode mandar bala, Aristides.”, disparou o vice-prefeito para o secretário que saiu como um raio para pôr em prática o plano desonesto.

O vice olhou para o Mano Celo com sincera admiração. Afirmou que chegou mesmo a desconfiar de sua capacidade de administrar “corretamente” uma cidade como Natal e que, agora enxergava nele um brilhante futuro como político, uma verdadeira liderança, um homem público por excelência. E arrematou: “Parabéns, Prefeito!” ouviu-se novamente a voz de Fuinha: “Prefeito!”

E a voz do seu pai: “Prefeito!” E a da sua mãe “Prefeito!” E a da sua irmã, que agora não precisava sair dando para os políticos jovens da cidade, pois o irmão dela era um dos mais importantes. Ela agora escolhia modelos a quem dar a boceta: “Prefeito!” E novamente seu pai: “Prefeito!” E repetidas vezes: “Prefeito! Prefeito! Prefeito!”

Quando despertou do susto estava todo suado em sua cama. Ouvia ainda os gritos do pai lá embaixo. “Fulaninho vai ser o prefeito! Não! Ele prefeito não!” Um dos deputados-mirins havia aceitado o desafio e disputaria o cargo de prefeito de Natal. Com isso acabavam-se as esperanças do Sr. Maurício. Mano Celo chegara mesmo a pensar em ser um bom administrador. Fazer um bom trabalho junto às comunidades carentes, prover educação, saúde, cultura e melhores oportunidades para quem precisa. Pura ilusão! Nada como um sonho pra fazer a gente cair na real. 

 

Mano Celo e a marcha da maconha.

agosto 4, 2010

O fuzuê começou no Twitter. Parecia ser apenas viagem da rapaziada com uma ponta de subversão, mas o assunto foi ganhando força devagar, fazendo a cabeça da juventude e se espalhando feito fumaça no ar. Natal seria sede da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e os apreciadores da cannabis sativa articularam uma movimentação pacífica pela descriminalização da erva que faz os mais carolas tremer nas bases. O evento, uma passeata dentro do campus da UFRN, seria a primeira “marcha da maconha” realizada no Rio Grande do Norte, na esteira do que já vinha ocorrendo em várias cidades brasileiras. Uma manifestação democrática de reivindicação por parte de uma parcela da população que almeja um ajuste nas leis brasileiras, uma evolução da sociedade em direção à tolerância de opiniões dissonantes e à aceitação do diferente.

Episódio promissor para contar com a participação da maior expressão do Rap de Tirol, Petrópolis e região. Mano Celo, o rapper mais contestado e contestador do Plano Palumbo ficou eufórico. Ele, que é o terror das patricinhas, odiado pela juventude carnatalesca, barrado na Academia Cosmética, perseguido pela nata da high-society, queria tomar parte do acontecimento, plantando sementes de sabedoria nas mentes mais fechadas e reacionárias. Logo ele, que não fuma nem traga (“para não atrapalhar o permanente estado de consciência social”), que não bebe álcool (“pra não confundir as ideias”) e que não toma nem remédio sem receita, iria participar do movimento como um autêntico militante da causa “natural”?

Claro que sim. Apesar de não gostar do termo “marcha”, militar demais pro seu gosto, colocou-se a disposição da luta alheia. Pois, em que pese sua caretice assumida e a pouquíssima intimidade com psicotrópicos de qualquer natureza, o jovem artista é um incorrigível batalhador em defesa das minorias, sempre dando voz aos protestos que exijam mudanças e avanços civilizatórios em benefício de grupos sociais discriminados. E como o Mano sempre sustentou, era preciso uma reação enérgica contra o preconceito, ainda que os alvos estejam um pouco chapados pra reagir com essa energia toda.

No entanto, era preciso planejar a melhor maneira de contribuir com a causa verde coordenada pelos jovens universitários. E nenhuma ajuda seria mais valiosa que a sua arte. Mano Celo iria compor algumas rimas e entoá-las no microfone do carro de som que acompanharia a procissão dos universitários malhados. Ligou pro Mano Fuinha pra saber se ele poderia acompanhá-lo na marcha pra fazer a capela. “Marchar pela maconha, mano? Numa sexta-feira às 4 da tarde? Pô, eu vou trabalhando nessa hora.”, respondeu o amigo, explicando que era sujeira faltar ao trampo, alegando uma desculpa qualquer, para ir a um evento coberto pela imprensa. Era muita bandeira.

Mas o primogênito da família Dutton não iria cair nessa morgação. Ele iria de todo jeito. Seria mais uma voz a se levantar ante a repressão conservadora que recai sobre essa gente lombrada de olhos vermelhos e pontas dos dedos amarelos. Prepararia rimas que alertassem para suas propriedades medicinais e recreativas, que denunciassem as elites dominantes movidas por interesses escusos e serviçais do capital financeiro internacional.

A certeza de que causaria um grande e positivo impacto sobre as centenas de participantes da marcha, convencendo também as muitas pessoas que estivessem nas proximidades do percurso a aderirem à causa maconheira, graças aos argumentos racionais contidos nas estrofes bem construídas, deixava o Mano Celo exultante. Por isso, ele produziu diversas rimas com muito esmero e dedicação. Não restava dúvida: sua participação seria fundamental, imprescindível, prioritária.

Ensaiou durante vários dias. Cuidou da métrica, reparou na sonoridade das frases e escolheu meticulosamente cada palavra com atenção para significantes e significados, profundidade e impacto. Ao concluir a música, estava convicto de ter criado uma obra prima. Aquele poderia ser a representação do seu trabalho e a sua performance diante do público universitário tinha tudo para ser épica, uma consagração artística como Natal jamais haveria testemunhado.

Na data marcada, antes de ir ao evento, decidiu sair mais cedo e passar na casa de uns amigos simpatizantes da causa, na verdade, entusiastas e adeptos de toda a filosofia hemp que cultuavam com fervor religiosa. Inclusive acendendo muitas velas em virtude de tal devoção. Quando chegou ao apartamento da turma, eles estavam dispostos em círculo no chão da sala, compenetrados numa típica sessão de consumo da planta de 5 folhas. “Aê, Mano Celo. Você devia fumar unzinho com a gente pra entrar no clima, tá ligado? Só não vai segurar demais a parada. Nada de superbonder no dedo. Essa parada que a gente arrumou é massa da boa.” Julgando procedentes os argumentos do amigo, decidiu dar uma ou duas tragadas pra relaxar um pouco. Até porque estava nervoso diante da expectativa de se apresentar para um público tão qualificado, tão politizado. Acabou se empolgando um pouco e fumou um baseado inteiro daquela erva que, segundo seus amigos explicaram, se chamava “Jota Quest” (pois era quase um Skank).

Às 4 da tarde, centenas de pessoas atenderam à convocação. Alguns seguravam cartazes com dizeres como “O pior cego é o que não quer verde.” ou “Tá nervoso? Vá fumar ”. Algumas palavras de ordem também foram entusiasticamente gritadas pelos participantes: “Do solto ou do prensado. Seja um cidadão chapado”, “1, 2, 3, 4, 5 mil. Queremos o D2 presidente do Brasil” ou ainda “Libera os camarão. No Estado é tradição”.

No carro de som que guiava a marcha, o Mano Celo, meio cambaleante, pediu o microfone. O líder do movimento, um rapaz barbudo com camisa do Che Guevara e um boné do New York Yankees, olhou desconfiado para o rapper, mas acabou cedendo o instrumento, tão íntimo do artista, para que ele manifestasse seu apoio. Afinal, outras celebridades locais, como os integrantes da banda Dusolto e o segundo guitarrista dos Bugs já haviam falado para a multidão.

Aproveitando a oportunidade e tentando organizar os pensamentos, o Mano Celo começou:

É uma erva natural / Rica por sua história / Só não conto pra geral / Porque me falha a memória

 Os governos são caretas / E também a sociedade / Para resolver a treta / Precisamos da verdade

 Erva não é violência / Pois acalma de montão / É preciso consciência / E um espaço no colchão

 Fume que não faz mal / Depois a fome é o que fica / Porque o efeito colateral / É a danada da larica

A verdade é que toda a letra declamada pelo Mano Celo foi improvisada na hora, pois as estrofes elaboradas com antecedência, que esbanjavam criatividade, se perderam em meio às baforadas de algumas horas antes. A reação do público foi o clássico e constrangedor silêncio a que já estava habituado o artista, esse gênio incompreendido. Talvez tão incompreendido quanto os usuários de cannabis Sativa. Aliás, por falar nos usuários, os líderes do movimento não querem ver o Mano Celo de jeito nenhum, nem enrolado em papel de seda. É que depois do evento, ele acabou meio queimado.

Coluna da Digi # 45 – A Patricinha Cultural – Parte 2

julho 1, 2010

Na semana seguinte à coluna da “Patricinha Cultural”, publiquei uma crônica sobre o sadismo midiático e insaciável da imprensa em torno do caso Nardoni, dançando sobre o cadáver da menina Isabela. Julgo inadequado republicá-la agora, pois se trata de um assunto datado. Mas aí, no dia 10.11.2008, postei na Digi a coluna “A Patricinha Cultural – Parte 2″, abordando mais alguns aspectos inerentes a essa personagem tão popular de nossa cidade.

Jovens, com vocês, mais uma vez, a Patricinha Cultural!

***

A Patricinha Cultural – Parte 2

Já alertamos aqui a população masculina da cidade a respeito dessa ameaça de saias longas e estampadas que é a nefasta figura da patricinha cultural. É necessário, porém, fazer um novo alerta aos desatentos e indefesos homens natalenses, vulneráveis às ações venais dessas dissimuladas e cínicas mulheres, sempre de olho em vítimas potenciais. Como um vírus em constante mutação, as paty-cults já passaram a apresentar diversas variáveis e escudar-se delas se torna mais difícil a cada dia.

Uma outra categoria que tem despontado ultimamente é a da patricinha pseudo-interessante ou a “eclética”. Ela banca a alternativa para as amigas patricinhas, pois faz parte de sua persona cuidadosamente construída parecer uma típica “paty loquita”. É a forma que ela encontra de se destacar em meio a um mundo pasteurizado, medíocre e todo igualzinho, cheio de futilidades, consumismo e, aparentemente, culto. Para as amigas e amebas que freqüentam o seu círculo social, habituadas aos mesmos lugares da moda que ela, tem uma frase feita na ponta da língua: “Mulher, seja eclética!” É assim que ela justifica sua “estranha” mania em ouvir um som “muito louco”, como O Rappa ou Capital Inicial. Vez por outra, chegam com uma novidade: “Mulher, acabo de descobrir uma super novidade. É o Mundo Livre. É tudo na vida ponto com ponto bê erre!”

É nessa atuação meio canastrona que ela pode acabar enganando-o, meu amigo. Se você estiver distraído, acaba realmente acreditando que a moça parece ser paty, mas até que é interessante. Não se engane. Esse fingimento é a isca, e você, a presa.

O que você precisa saber é que ela apenas faz gênero. O que ela gosta mesmo é de freqüentar camarotes. Adoram a Ivete, o Biquíni, o Chiclete e amam camisetas VIPs e pulseirinhas de acesso a camarotes. Aliás, elas amam camarotes. Até em festivais de rock, elas vão a camarotes. Camisetas VIP e pulseirinhas exclusivas dão a elas uma sensação de poder e realização que nunca alcançarão por méritos próprios, pelo talento ou pela proeminência intelectual. Os camarotes exclusivos são o mais longe que elas podem chegar. São os limites de seu mundinho. Currais cheios de rostinhos conhecidos (sempre os mesmos), sorrisos falsos e roupas de marca. Freqüentar currais, aliás, é bem apropriado para aquela classe ruminante de status, guiada pela moda, feito gado. São tangidas rumo às “últimas tendências”. É o rebanho da mediocridade.

Agora andam numa de eletrônica. É rave em Parnamirim, rave em Macaíba, rave em Pipa. É bate-estaca até não poder mais. De vez em quando, arriscam uma idazinha à Nalva e se acham muito loucas por freqüentarem o Sargent Peppers, UHUUUU!!!

Elas não têm escrúpulos em dizer que gostam de tudo, de qualquer ritmo, do pop mais safado ao axé mais rasteiro, do eletrônico mais cosmopolita ao sertanejo mais interiorano. Mix é a palavra da vez entre elas. “Viva a diferença!”, repetem sem parar. Nesse momento, você até concorda e dá graças a Deus por ser diferente delas. Seja eclético, mas não medíocre.

Não ligue se você passar por mal-humorado. Você não é obrigado a se divertir numa festa que toca Tati-quebra-barraco e Asa de águia. Tudo bem se você acha o carnatal uma bosta e tem vontade de vomitar cada vez que ouve pagode romântico. Não há nada de errado com você se não gostar dessas bandas de forró que deixam um único empresário babaca milionário às custas do trabalho escravo dos músicos e operários. Está tudo bem. Eu conheço várias pessoas que são como você.

Ser eclético para as patricinhas culturais é justificar a falta de personalidade. Quem diz que gosta de tudo, na verdade, não gosta de nada. E a maior manifestação do nada em toda sua falta de elementos pode ser observada no oco de suas cabecinhas.

Coluna da Digi # 43 – A Patricinha Cultural

junho 29, 2010

Hoje, tenho a honra de republicar uma das minhas crônicas de maior repercussão. “A Patricinha Cultural” foi apresentada ao público em 28 de outubro de 2008. Teve centenas de comentários na coluna da Digi, foi repassada pra incontáveis destinatários por e-mail e, por fim, entrou no livro de crônicas “Mano Celo”. Aliás, é um dos contos favoritos dos leitores do livro.

Divirtam-se, pois eu mesmo ri bastante ao reler o texto.

***

Patricinha Cultural

Ela tenta enganar. Faz pose de alternativa, mostra certo interesse por determinada área da cultura que pode ser cinema ou as músicas do Eddie. Mas não se engane, bravo guerreiro, mesmo esse interesse cultural é superficial. Aliás, tudo nela é superficial. Por trás de suas roupas cuidadosamente despojadas, de sua beleza (sim, ela é bonita.), de seu corpo escultural (é verdade: gostosa também.) e de sua sobrancelha levemente arqueada que lhe confere a expressão de pseudo-inteligência pretendida, se esconde… o vazio! Não há nada ali a não ser a quase que total ausência de elementos em toda a sua plenitude, a comovente solidão dos poucos neurônios habitantes de seu monástico cérebro.

Ela é uma típica Patricinha Cultural, espécime cada vez mais comum nesses tempos “mudernos”. À primeira vista, pode não parecer, mas elas são piores que as patricinhas originais. Chegam conversando com autoridade, sobre a obra de Caio Fernando Abreu ou sobre os CDs do Cordel do Fogo Encantado ( esta é a segunda banda pernambucana citada no texto. É que as patricinhas culturais, pelo menos as de Natal, são chegadas a uma pernambucanidade. Ah, e às vezes, sem perceber, elas dizem “Cordel do Fogo Encarnado.”), mas não demora mais do que 30 minutos para cair a máscara, descascar o verniz e você perceber a quantidade de asneiras que ela solta para todos os lados feito metralhadora descontrolada. Logo o deserto de sua medíocre existência se revela e você percebe que, apesar da beleza e formosura, estará em apuros ou ficará muito irritado se não cair fora imediatamente.

O fato mais interessante da vida de uma Patricinha Cultural é fumar maconha. Para ela, fumar e contar os episódios em que esteve aspirando a erva funciona como uma afirmação de rebeldia, um brado de inconformismo contra o sistema, uma demonstração de, tipo assim, atitude mesmo, saca? Muito foda, cara! Portanto se você estiver disposto a enfrentar mais de meia hora de conversa com uma Patricinha Cultural, prepare-se para ouvir coisas do tipo: “Eu estava indo ao cinema, para ver um filme francês, fumando um.”, ou “Eu estava ouvindo as músicas do Mundo Livre, viajando na erva, saca?”. E essa pequena ação norteia todas as outras. São incapazes, e a palavra aqui é mais que adequada, de ir tomar um copo d’água ou escovar os dentes sem levar um baseado a tira-colo, como se já não fossem débeis o suficiente para precisarem ficar se chapando por aí.

Por essas e outras, prefiro as patricinhas originais, legítimas, autênticas, verdadeiras. Elas, que não tentam disfarçar nem enganar ninguém, que não se esforçam em ser quem não são, que usam maquiagem em seus rostos e não em suas personalidades. Elas que assumem com orgulho e altivez toda a futilidade inerente a seu jeito de ser. Elas que são burras feito tricerátops, mas assumem a estupidez como uma bandeira, um símbolo de sua classe. Quer dizer, pensando melhor, fuja delas também!

Mano Celo – Imagens – R S T V W

agosto 10, 2009
Regina e Cordélia

Regina e Cordélia

 

Doutora Renatinha no centro das atenções. :-)

Doutora Renatinha no centro das atenções. :-)

 

Rodrigo Rossiter: ilustre, amigo e sempre presente.

Rodrigo Rossiter: ilustre, amigo e sempre presente.

Paulo Sarkis, o grande ídolo da juventude e Nalva, que faz a cabeça da rapaziada há 15 anos.

Paulo Sarkis, o grande ídolo da juventude e Nalva, que faz a cabeça da rapaziada há 15 anos.

Sérgio (primo) e Zé Augusto (tio e padrinho)

Sérgio (primo) e Zé Augusto (tio e padrinho)

Sérgio, Zé Augusto, Ana Cláudia (prima), Robinson (primo) e José Arruda (meu pai).

Sérgio, Zé Augusto, Ana Cláudia (prima), Robinson (primo) e José Arruda (meu pai).

Sílvia Louise, minha irmã.

Sílvia Louise, minha irmã.

Sílvio, o Haole dos haoles!

Sílvio, o Haole dos haoles!

Sr. Wilson, o pai do Gringo!

Sr. Wilson, o pai do Gringo!

Thaisinha, Sílvio, Élton e Lorena.

Thaisinha, Sílvio, Élton e Lorena.

Thales e Dr. Audi

Thales e Dr. Audi

Thiago Lago

Thiago Lago

Tia Josy e Tio Salim

Tia Josy e Tio Salim

Tia Marlene

Tia Marlene

Tia Ítala e o primo Flávio

Tia Ítala e o primo Flávio

Vivis, essencial em todo o lançamento.

Vivis, essencial em todo o lançamento.

Wesley

Wesley

Will Souto

Will Souto

Mano Celo entre os mais vendidos! Em Lisboa!

agosto 3, 2009

 

Notícias chegam de Lisboa, dando conta de que o “Mano Celo” está entre os destaques da FNAC de Portugal! A foto abaixo prova isso. Gostaria também de dizer aos que afirmam que algum amigo meu levou o livro para a livraria e o pôs na prateleira só pra tirar a foto, que esse é uma hipótese apenas remota.

Em todo caso, o importante é dizer que o meu livro foi fotografado na prateleira de “Destaques” da FNAC de Lisboa, que é tipo uma Siciliano, só que os vendedores são menos simpáticos.

Mano Celo em Lisboa_reduzida

Mano Celo – Imagens – Letra P

agosto 3, 2009
Meu Pai e minhas irmãs Sílvia Louise e Ana Cristina

Meu Pai e minhas irmãs Sílvia Louise e Ana Cristina

 

Patrícia e Cleyton

Patrícia e Cleyton

 

Patrício, Kayonara e Professora Tânia Mendes

Patrício, Kayonara e Professora Tânia Mendes

 

Paulinha, Thiago e Iuri. O Comitê marcando presença.

Paulinha, Thiago e Iuri. O Comitê marcando presença.

 

Primo César, o primeirão na fila.

Primo César, o primeirão na fila.

 

Professoras Célia, Ana Santana e Conceição.

Professoras Célia, Ana Santana e Conceição.

Mano Celo – Imagens – N O

julho 29, 2009
Nei Leandro de Castro e Patrício Jr.

Nei Leandro de Castro e Patrício Jr.

 

O escritor Nelson Patriota

O escritor Nelson Patriota

 

Nicolle Barbalho compenetrada na leitura

Nicolle Barbalho compenetrada na leitura

 

Nílbertt e a galera da Digisound marcando presença.

Nílbertt e a galera da Digisound marcando presença.

 

Os Incríveis - Pelo menos é isso que está escrito acima de Diogo e Danilo Guanabara.

Os Incríveis - Pelo menos é isso que está escrito acima de Diogo e Danilo Guanabara.

 

Kydalmir, um estudioso dos livros e do cançaço. E padrasto de Daniel Sour, o homem, o ídolo.

Kydalmir, um estudioso dos livros e do cançaço. E padrasto de Daniel Sour, o homem, o ídolo.

Mano Celo em Mossoró 2

julho 1, 2009

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Mano Celo – Imagens – L M

julho 1, 2009
Leonardo

Leonardo

 

Lívio Oliveira

Lívio Oliveira

 

Marco França Estupefacto

Marco França Estupefacto

 

Maria Cecília e Sílvio Augusto

Maria Cecília e Sílvio Augusto

 

Mark Wynkler e Fravinha

Mark Wynkler e Fravinha

 

Milena Azevedo

Milena Azevedo

 

Mineiro - o homem da Lei do Livro.

Mineiro - o homem da Lei do Livro.

 

Muniki

Muniki

Mano Celo em Mossoró

junho 29, 2009

Mano-Celo-6-mossoro

Mano Celo – Imagens – H I J K

junho 24, 2009
Isaac Leandro, uma mente brilhante.

Isaac Leandro, uma mente brilhante.

 

Grande Humberto e sua namorada, fotógrafo das multidões.
Grande Humberto e sua namorada, fotógrafo das multidões.

 

Jair, o Neguinho

Jair, o Neguinho

 

Jefferson, o baixista mais popular de Natal, driblando o assédio para ir ao lançamento.

Jefferson, o baixista mais popular de Natal, driblando o assédio para ir ao lançamento.

 

Karol Posadski, personalidade natalense.

Karol Posadski, personalidade natalense.

Mano Celo – Imagens – G

junho 17, 2009
Gringo, o Wilson

Gringo, o Wilson

Garcia, o Professor que arrasa os corações das garotinhas de publicidade.
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George Holanda, ator.

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Gica

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Gladis e Diana, comandando as entrevistas da noite.

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Glauco, o homem do lança-chamas

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Gustavo, Ederval, Candice, Japa e Sarah.

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