Quem vigia os Vigilantes? 2 – Patrício Jr

Watchmen – a resenha de quem leu a HQ.

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“Watchmen” é uma das revistas em quadrinhos mais celebradas entre os iniciados. A história se passa num mundo em que os super-heróis realmente existem. Mas não do jeito que conhecemos. Com excelentes atuações e efeitos especiais impressionantes, o filme tem o grande mérito de conseguir com que uma história de adultos em roupas de lycra soe plausível. E depois que você assiste a esse excelente filme, fica difícil engolir os padrões morais de Superman ou a aversão a armas de Batman.

 

A pergunta “o que vai ser dos filmes de super-heróis depois de ‘Watchmen’?” é totalmente pertinente. Dito isso, passemos aos comentários.

 

“Watchmen” é uma das revistas em quadrinhos mais celebradas entre os iniciados. Tem um enredo complexo, repleto de subtextos, histórias paralelas que se cruzam, dados complementares, personagens com vidas entrelaçados. Pra você ter idéia, o volume completo da história tem mais de 400 páginas. É muita coisa, principalmente quando se trata de uma trama de super-heróis. Escrita com Alan Moore na década de 80, carregou por anos a pecha de ser “infilmável”. Até 2009.

 

Zack Snyder, mesmo diretor da adaptação de “300”, fez mágica. Simplificou o enredo, cortou histórias paralelas, centrou-se nos personagens mais importantes da trama e fez um filmaço.

 

A história se passa num mundo em que os super-heróis realmente existem. Mas não do jeito que conhecemos. São, na verdade, pessoas comuns que passam a fantasiar-se com roupas coladas e coloridas para sair às ruas combatendo o crime. Em meio a este cenário, um assassino de heróis surge, matando de maneira engenhosa membros desse estranho grupo da sociedade. Paralelamente a isso, vemos a Guerra Fria entre EUA e URSS (fato histórico mais importante da década de 80) evoluir lentamente para um conflito nuclear que pode dizimar toda a humanidade. As duas tramas, apesar de díspares, podem estar diretamente relacionadas.

 

“Watchmen” (o filme) expõe para platéias mais amplas questionamentos que a HQ já vinha fazendo aos iniciados há algumas décadas. Já pensou se os super-heróis realmente existissem? Que usos os governos fariam desses combatentes altamente treinados? Que prejuízos morais causaria a interferência das empresas nesse mercado? Qual o impacto que essas figuras teriam sobre a cabeça das pessoas? Como a sociedade se comportaria diante de eventuais erros dos mascarados? Que participação a imprensa teria sobre a construção de ídolos e a subseqüente destruição da imagem deles? E o mais importante: sendo pessoas comuns, quem garantia que a moral deles seria completamente correta? Como se pergunta logo no início do filme: quem vigia os vigilantes?

 

Com excelentes atuações e efeitos especiais impressionantes, o filme tem o grande mérito de conseguir com que uma história de adultos em roupas de lycra tentando salvar o planeta soe plausível. Além disso, outro grande problema é solucionado com maestria: a ameaça de uma guerra nuclear entre URSS e EUA. Explico: a HQ foi publicada em plena Guerra Fria. Portanto, na época, a ameaça do conflito ideológico evoluir para uma guerra real era iminente. Hoje em dia, essa ameaça não existe mais. Mas o diretor tira proveito de tragédias reais para dar força ao seu conflito fictício. E faz isso de uma forma muito competente.

 

Outra boa notícia é que para os fãs ferrenhos, que leram a HQ, esperaram pela adaptação e sabem de cor cada uma das passagens do gibi, o filme não decepciona. Apesar dos cortes nas histórias paralelas, de certa forma todos os personagens estão ali. Claro, não vou estragar a surpresa. Mas pra quem leu a revistinha e ainda não viu o filme, um aviso: vale a pena, porque o final é diferente. Apesar de igual.

 

Por fim, só devo comentar que mordi minha língua quanto à classificação do filme. Cheguei a dizer que era um absurdo ser proibido para menores de 18. Errei. O diretor manteve todos os elementos do gibi (incluindo a violência explícita). Acertou. Pra quem lê gibi, dá nervoso ver que Wolverine, nas adaptações pro cinema de X-Men, quase nunca usa suas garras para matar os oponentes. Em “Watchmen”, nenhum dos heróis tem esse puritanismo. E tome sangue.

 

Depois que você assiste a esse excelente filme, fica difícil engolir os padrões morais de Superman ou a aversão a armas de Batman. “Watchmen” desglamouriza completamente o mundo dos super-heróis. Nada é heróico na história de Alan Moore. E a fidelidade com que foi adaptado à tela grande – com diversos diálogos diretamente transpostos da HQ pro roteiro de cinema – faz a gente pensar: e agora, super-heróis, como é que vocês vão conquistar nossa confiança depois de tudo que vimos? Ou, em outros termos: quem vigia os vigilantes?

Por Patrício Jr. – www.patriciojr.com.br

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Uma resposta to “Quem vigia os Vigilantes? 2 – Patrício Jr”

  1. gustavoguedesv Says:

    Legal é esse cara que tem a cara MALHADA igual uma vaca.
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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