Archive for maio \29\UTC 2009

Bar ruim é lindo, bicho. – Antonio Prata

maio 29, 2009

Este texto é um clássico da internet. Do escritor paulista Antonio Prata. Divirtam-se com a leitura e tenham um ótimo fim de semana, mas bebam com moderação.

CF

Bar ruim é lindo, bicho.

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um
novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do
jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Antonio Prata

Pablo e Marlos estreiam na Digi

maio 28, 2009

Semana passada Pablo Capistrano iniciou na Diginet como Colunista. Sua crônica de estreia, “Have a Nietzche day” é, como de costume, excelente. Essa semana ele já postou mais uma “Em mil pedacinhos” que fala sobre a reação desigual da mídia com as regiões brasileiras, da pluralidade que cosntituiu nossa formação etnica e das falácias que nos enfiavam goela abaixo nos livros escolares. Recomendo fortemente.

Pablo Capistrano na Digi - Filosofia e cultura pop.

Pablo Capistrano na Digi - Filosofia e cultura pop.

Outra ótima novidade na Digi é o jornalista Marlos Apyus, um dos melhores argumentadores que conheço. Desafio todos a se tornarem leitores do Apyus. Mesmo que não concordem com ele, aposto que terão que reconhecer o poder de seus pontos de vista. Sua coluna de estreia se chama “A favor das privatizações“.

Marlos Apyus - Jornalista, músico e webdesigner.

Marlos Apyus - Jornalista, músico e webdesigner.

Mano Celo – Imagens – C

maio 27, 2009
Camirewns, a arquiteta das estrelas.

Camirewns, a arquiteta das estrelas.

 

Carlos Magno, cronista, jornalista e escritor. Deve lançar livro nos próximos dias.

Carlos Magno, cronista, jornalista e escritor. Deve lançar livro nos próximos dias.

 

Carol, Leila e Ana Cláudia.

Carol, Leila e Ana Cláudia.

 

O ator César Ferrário.

O ator César Ferrário.

 

Chris, George Wilde, Lucílio Barbosa, Marcelo e Gabi Moreira. Turma boa!

Chris, George Wilde, Lucílio Barbosa, Marcelo e Gabi Moreira. Turma boa!

 

Cleyton e, em segundo plano, a mamãe Luciana Lima.

Cleyton e, em segundo plano, a mamãe Luciana Lima.

 

Clóvis Filho, Rodra e Daninha.

Clóvis Filho, Rodra e Daninha.

 

Comitê de Soluções Criativas

Comitê de Soluções Criativas

 

Cris e Ana Clara

Cris e Ana Clara

A Febre Mano Celo

maio 21, 2009

Uma nova febre contagiou a cidade. Está na boca do povo mais do que as músicas do Grafith e o anúncio de Natal como cidade sede da Copa. É a febre MANO CELO. Por toda parte, as pessoas só falam sobre o personagem, se vestem como ele, imitam seus trejeitos e até as lojas de roupas chiques como a “Danadona” vendem o seu estilo para o grande público.

Como resultado, o livro quase sumiu das prateleiras e está muito próximo de se esgotar. Por isso, se você ainda não adquiriu o seu exemplar, corra até a Siciliano ou Potylivros que eles ainda devem ter alguns.

Pessoas comuns andam pelas ruas imitando o protagonista do livro do ano.

Pessoas comuns andam pelas ruas imitando o protagonista do livro do ano.

A moda logo percebeu o filão que o Mano Celo representa e tratou de tentar levar alguma grana.

A moda logo percebeu o filão que o Mano Celo representa e tratou de tentar levar alguma grana.

Mano Celo – Imagens – B

maio 20, 2009
Boy Bruce e Bárbara: "Aquele ali é que é o tal do Fialho?"

Boy Bruce e Bárbara: "Aquele ali é que é o tal do Fialho?"

 

Bertônico

Bertônico

 

Sr. Bira

Sr. Bira

 

Bosteiro

Bosteiro

Quem vigia os vigilantes? 4 – Alex de Souza

maio 20, 2009

Coluna Bazar – www.nominuto.com.br

"Bogus? Não. Eu sou o Dr. Manhattan."

"Bogus? Não. Eu sou o Dr. Manhattan."

Se você tem carteirinha de nerd, deve estar ligado no falatório em torno do lançamento de Watchmen – o Filme, que esta semana completa mais ou menos um mês em cartaz. O burburinho foi tão grande que abafou a chegada às telas grandes de outra polêmica adaptação de um clássico dos quadrinhos – o assassinato do Spirit, de Eisner, cometido pelo falastrão do Frank Miller.

Não vou engrossar o coro dos contentes que aclamaram o longa-metragem como a última coca-cola do deserto, nem pretendo pichar o filme por considerá-lo inferior à série em quadrinhos na qual se baseou. Primeiro, porque, como filme, é pra lá de mediano. Segundo, porque é um disparate qualquer tipo de comparação entre mídias tão distintas, como literatura, quadrinhos ou cinema.

Se for para comparar Watchmen – O Filme com alguma coisa, que seja então com outras adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos. E aí, meu amigo, me vêm à mente dois ótimos filmes lançados no ano passado. O primeiro deles é a obra-prima Cavaleiro das Trevas; o outro, o empolgante Homem de Ferro.

Frente a esses dois títulos, Watchmen pode até ser uma aventura interessante, mas fica difícil de amarrar-lhes a chuteira.

Para quem viveu numa bolha de plástico por mais tempo que John Travolta e nunca ouviu falar em Watchmen, a história é a seguinte: num mundo em que super-heróis realmente surgiram, por volta da década de 40, a história mundial sofreu algumas mudanças significativas.

Em 1985, a Guerra Fria ainda está no auge, Nixon coleciona o quinto mandato presidencial e a tensão nuclear entre EUA e URSS (um doce pra quem ainda lembrar o que significa a sigla) atinge o ponto máximo com a iminente invasão soviética ao Afeganistão.

Neste cenário, o Comediante, um herói que trabalha clandestinamente para o governo, é assassinado, dando início a uma trama que envolve os antigos mascarados, a maioria deles já aposentados, e que pode culminar, literalmente, com o fim do mundo.

A série redefiniu, junto com Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, o estilo de contar histórias nos comics norte-americanos. É considerada por muitos a melhor história em quadrinhos já escrita. Pode ser exagero, mas dentro do gênero super-heróis é difícil algum material que possa superá-la. O mesmo não pode ser dito da adaptação para a telona: além de não ser ‘o maior filme de todos os tempos’, tampouco é ‘o melhor filme de super-heróis de todos os tempos’.

Um mérito da adaptação é não trair em demasia os fãs (exceto os mais xiitas) – por sinal, a sequência de abertura, no qual a história americana é recontextualizada a partir da presença dos supers é, digamos, antológica. No mais, é apenas divertido.

Agora, se vale como consolo, outro ponto positivo, ao menos para mim, foi que o filme me despertou a vontade de reler Watchmen (acho que pela 12ª vez, numa estimativa modesta). E aí, folheando novamente a primeira reimpressão brasileira, lançada em 12 volumes pela Abril, em 1999, é possível perceber porque Alan Moore e David Gibbons conseguiram ser cultuados por meio mundo. Além de uma história muito bem tramada, a maxissérie é um exagero formal nos aspectos linguístico e metalinguístico.

Estruturada de forma a conter sempre nove quadros por página, divididas em três fileiras de três quadros verticais, a narrativa ‘acostuma’ o leitor à estrutura fixa, que é quebrada apenas em momentos-chave que, apenas quando se chega ao final da história, é possível se entender o significado.

Além disso, os quadros são minuciosamente construídos com elementos nem um pouco aleatórios. Nada que aparece nas imagens, nos diálogos e nas narrativas em off é gratuito – são peças de um megapuzzle que apenas reiteradas leituras ou olhares bastante atentos podem se dar conta de montar.

Outro recurso (inclusive apontado por Milena Azevedo na resenha publicada no e-zine Asfixia) é alternância de cores quentes e frias nos quadros, sinalizando mudanças de tempo, de tom narrativo e mesmo de personalidade entre os personagens.

Sem falar na presença de uma segunda história dentro da história, um exercício metalinguístico no qual um garoto lê uma história de quadrinhos sobre piratas que passa a se integrar à narrativa, dialogando com a trama central e mesmo oferecendo mais pistas.

Além disso, há referência pop no quilo: os heróis de Watchmen são todos decalcados da finada Charlton Comics, editora de segunda linha que foi comprada pela DC Comics (de cabeça podemos citar: Rorscharch/Questão; Dr. Manhattan/Capitão Átomo; Coruja/Besouro Azul; Comediante/Pacificador); os quadrinhos de pirata, típicos dos anos 50, são homenageados de maneira belíssima, assim como a chamada Era de Ouro dos supers; a imprensa marrom recebe um retrato ácido e bem-humorado; Cole Porter, Sinatra, Dylan e todos os standards da música americana também são lembrados, e por aí vai…

Como se não bastasse, Moore, um místico inveterado, constrói uma crítica ao cientificismo que dominou o século 20 – como bem apontou o pesquisador Gian Danton, em Watchmen e a Teoria do Caos (Editora Marca de Fantasia, 84 páginas, R$ 12). Ou seja, é pano pra manga que não se acaba mais. E você, que leitura faria?

Alex de Souza

Mano Celo – Imagens – A

maio 19, 2009

Hoje, divido com vocês algumas fotos de amigos com a letra A.

Alex Garcia

Alex Garcia

 

Amanda Pessoa

Amanda Pessoa

 

Anna Maria Cascudo

Anna Maria Cascudo

 

Antônio Marcos, Ricart e João Daniel

Antônio Marcos, Ricart e João Daniel

 

Arnaldo Araújo

Arnaldo Araújo

 

Arturo Arruda Câmara

Arturo Arruda Câmara

Breve Manual do escritor editor iniciante.

maio 18, 2009
Muitos comentários de amigos e leitores chegaram acerca do “Mano Celo”, livro que lancei no início do mês. Festança e tanto, cheia de gente boa, ótimos papos, alegria, em meio a livros e regada a uma birita de leve. O que pouca gente sabe é a trabalheira que dá enfrentar as etapas desde a concepção até o momento do lançamento, a famigerada noite de autógrafos.

 

Multidão reunida para saber como é que se edita e lança um livro independente.

Multidão reunida para saber como é que se edita e lança um livro.

Muitos acham que o trabalho maior é escrever o livro. Não é. Na verdade, dá trabalho sim. Ocupa muitas horas de digitação, silêncio, concentração, pesquisa, retrabalho, seleção criteriosa e muita leitura. Mas o que demanda mais articulação e um sem número de tarefas é o que vem a seguir. Pensar e produzir o objeto livro que vai nascer a partir da história ou da reunião de textos elaborados pelo autor.

 

Depois de digitar o derradeiro ponto final, é preciso escolher o nome para elaborar o prefácio. Geralmente é bom destacar alguém que tenha relação com o tema abordado no livro. Por exemplo, se o seu livro for sobre o movimento punk, não convém escolher um pesquisador da obra de Ariano Suassuna. Já se o seu livro for sobre futebol, ele fatalmente terá o prefácio escrito pelo Juca Kfouri. Para o prefácio de “Mano Celo”, escolhi o cáustico e gente fina Marcus Vinícius (MV) que escrevia para a Revista Foco. Quem me conhece sabe que sou fã de MV há tempos e gosto do seu jeito sarcástico de falar de assuntos parecidos com os que eu abordo nas colunas da Digi. Achei que um texto dele abrindo o livro daria um bom abre-alas para os leitores. Relendo o prefácio depois de impresso, constatei que foi uma escolha acertadíssima.

 

Terminado o prefácio, enviamos o texto para um revisor de português. A revisora que trabalha para os Jovens Escribas é a roteirista e escritora mineira Pilar Fazito. Ela recebe os textos e devolve tudo certinho, corrigindo eventuais erros de digitação e deslizes do autor.

 

Patrício, Thiago, eu e Minchoni, ao lado da grande Pilar, a revisora.

Patrício, Thiago, eu e Minchoni, ao lado da grande Pilar, a revisora.

Recebido o texto definitivo e corrigido, é a vez de entrar em cena os homens da imagem: o ilustrador (ou fotógrafo) e o diagramador. No caso de “Mano Celo”, a ilustração de capa ficou a cargo do paraibano Shiko e a diagramação foi feita por Danilo Medeiros.

 

Concluída a diagramação, ficamos sabendo quantas páginas vai ter o livro, aí é vez de pegar um orçamento com as gráficas. São selecionados o tipo de papel (pólen bold 90g), o formato do livro (14x21cm), as especificações da capa (papel supremo 250g, laminação fosca e aplicação de verniz localizada) e mais algum detalhe qualquer. Tudo isso influi no preço. Aprovado o orçamento, o arquivo finalizado segue para a impressão com miolo e capa.

 

Nesse ponto também é preciso tirar o registro do livro (ISBN) junto à Biblioteca Nacional. Custa alguns Reais, mas não é muito difícil. No sítio da entidade www.bn.br/portal eles explicam passo-a-passo. Se você não tiver editora, é preciso também fazer um registro de editor independente.

 

Enquanto a gráfica imprime o livro, a editora e o autor trabalham pesado para realizar um bom evento de lançamento. O “Mano Celo” foi lançado na Livraria Siciliano. Também é preciso fazer uma divulgação do livro e da noite de autógrafos. A campanha foi encomendada à agência Comitê de Soluções Criativas, que elaborou uma estratégia virtual bastante agressiva e contou com a ajuda do Camaleão Photo Art Video, Mais Video, Diginet, Marlos Apyus e o diretor Joca Soares. Ações nos blogues importantes da cidade, vídeos no Youtube, divulgação no Orkut e também no Twitter. Os caras pensaram em tudo. Com a ajuda de alguns patrocinadores (a saber: Art&C, Bora, Comitê, Camaleão, Diginet, CALL, Oficina da Notícia, Revista do Versailles, Alive, Dosol, Digisound, Mais Vídeo, Profilmes, JET, Siciliano e Dr. PC) imprimi cartazes, convites e panfletos.

 

Meus amigos professores e coordenadores de escolas e cursos superiores (Letras, Comunicação e Direito) distribuíram os panfletos entre os alunos e colaram os cartazes em lugares de grande circulação de estudantes. Os convites impressos foram para pessoas importantes da cidade como Professor Tarcísio Gurgel, Francisco Paulo de Araújo e Nei Leandro de Castro.

 

Este à esquerda da foto é o professor Leonardo, um dos que me ajudou a divulgar o livro entre os universitários.

Este à esquerda da foto é o professor Leonardo, um dos que me ajudou a divulgar o livro entre os universitários.

Os anúncios virtuais divertidos e pertinentes ao livro, criados pela agência de propaganda, seguem via e-mail para centenas de contatos que espalham na net, publicam em blogues e comentam os anúncios. Sítios de internet como o Plog, Apyus.com e vários blogues da cidade também ajudam a criar a corrente do bem em torno do livro, do autor e do evento.

 

Uma assessoria de imprensa bem feita também é fundamental. Um release elaborado por um assessor de imprensa e enviado para as editorias de cultura dos jornais impressos, virtuais, rádios e TVs levam o evento e o lançamento à mídia de massa, caso haja fatos jornalísticos que gerem notícias interessantes. No caso de “Mano Celo” era o décimo lançamento do selo editorial Jovens Escribas, uma iniciativa independente. Também marcaria o aniversário de 5 anos dos Jovens Escribas e o autor (no caso, eu) estava prestes a alcançar a marca de 1000 exemplares vendidos só em Natal. Esses argumentos, ditos no release ajuda ao jornalista perceber que tem um bom material para noticiar em mãos.

 

Depois de pagar a gráfica, é hora de contratar uma transportadora. O “Mano Celo”, que foi impresso pela Interage do Rio de Janeiro, viajou a Natal pela Lentidão Cometa, que quase não entrega a tempo do lançamento. O preço deles, pelo menos, é imbatível e, no fim, eles entregaram a carga por aqui a tempo de eu deixar na livraria.

 

Na semana de lançamento é hora de arregaçar as mangas, ir aos veículos que se interessaram em noticiar o evento e vender o peixe na TV ou nos jornais. Também é importante cuidar dos últimos detalhes como alguma ação no evento que sirva de contrapartida para os patrocinadores. No lançamento de “Mano Celo” distribuí marcadores de página com as logomarcas e havia um display divulgando os patrocínios.

 

Se o autor oferece comida e bebida aos convidados é bom contratar um buffet ou comprar tudo e pagar aos garçons. É bom providenciar que a comida, a bebida e os garçons estejam no lugar do lançamento uma meia hora antes do que foi marcado.

 

Outras três coisas que fiz foram:

1 – Levar dinheiro trocado para o caixa da livraria, principalmente notas de R$ 5, já que meu livro custa R$ 25;

2 – Pegar emprestada uma mesa e cadeira alta do Sargent Peppers, pois prefiro ficar na altura dos amigos e leitores. Evita dor de coluna;

3 – Forrar o bucho com algo sólido (um sanduba de leve, por exemplo) e mandar ver num açaí na tigela, dopping natural para quem vai passar as próxima 4 horas escrevendo dedicatórias.

 

Fila para a mesa com os salgadinhos. A da bebida era ainda maior.

Fila para a mesa com os salgadinhos. A da bebida era ainda maior.

Por fim, é hora de receber os convidados, amigos, colegas, familiares e leitores. Assinar os livros e se divertir o máximo que puder. Muitos autores mais ranzinzas que eu não gostam de noites de autógrafos, acham desagradável, se dizem tímidos, mas não passam de uns chatos. Eu gosto. Considero um momento para curtir junto com os amigos, a celebração de meses de trabalho minucioso que culminou com a chegada dos exemplares nas mãos do autor.

 

Depois da noite de autógrafos, vem o epílogo do lançamento: beber para comemorar no seu bar preferido em caso de sucesso ou afogar as mágoas em caso de fracasso total.

 

Resumindo todas as etapas, temos:

1 – Escrever o livro;

2 – Enviar originais para autor do prefácio;

3 – Enviar originais e prefácio para revisora;

4 – Ilustração ou foto da capa;

5 – Diagramação;

6 – ISBN;

7 – Orçamento gráfico;

8 – Impressão;

9 – Publicidade;

10 – Assessoria de imprensa;

11 – Transportadora para os livros (se necessário);

12 – Buffet e garçons;

13 – Livros na livraria (importante);

14 – Comer antes da festa;

15 – Mandar ver nas dedicatórias;

16 – Beber pra comemorar.

 

UFA! O autor toma um ar antes de escrever mais uma dedicatória engraçadinha.

UFA! O autor toma um ar antes de escrever mais uma das suas muitas dedicatórias engraçadinhas.

Aí, quando estiver escrevendo um próximo livro, capriche, pois para ter todo esse trabalho de novo, é bom que o compêndio valha a pena.

Clotilde Tavares com saudade de Natal

maio 15, 2009

A postagem de hoje foi retirada da coluna da Diginet de Clotilde Tavares. Um belíssimo texto de saudade. Gostei muito.

Encontro na capital paraibana em 2007

Encontro na capital paraibana em 2007

Saudade de Natal!

Abro a minha caixa de e-mails e começo a ver nos blogs e nas listas as novidades dessa cidade impossível, dessa cidade querida, dessa cidade onde vivi trinta e cinco anos da minha vida, criei filhos e onde estão sendo criados os meus netos.

Da última vez que estive aí, em fevereiro, Cassiano Lamartine me levou para almoçar no Mazzano. Quando descemos do carro, que eu olhei o Morro do Careca e o mar azul de Ponta Negra bem ali, fiquei feito uma besta, chorando de saudade.

Flávio Freitas me manda por e-mail sua última tela, e eu sinto saudades.

Carlos Fialho lança seu novo livro, numa festa de arromba, e eu fico sabendo das notícias, mas não, eu não estava lá. E me dá saudade.

Saudade de Natal, onde os amigos me beijam e onde eu beijo com carinho a careca de Leo Sodré, e sinto que todos continuam morando no meu coração parahybano, mesmo eu estando tão longe.

Abro um site e vejo uma foto de Nei Leandro de Castro, meu Ojuara querido, num sarau da Aliança Francesa, tão sério que me dá vontade de virar de novo Clotilde Alicate e ir fazer umas graças somente pra ele tirar aquela máscara de intelectual e dar umas boas gaitadas.

E por falar em Aliança Francesa lembro da minha amiga Elvirinha, mais que amiga, minha irmã, blessed be.

Ai, que saudade de ir lá no Dr. Scholl da Engenheiro Roberto Freire e fazer meu pé com Paulo, com suas mãos de ébano, deixando meu pé novinho em folha, como no dia em que eu nasci.

Saudade de comer spaghetti alla vodca no Pizza Pazza e escutar as conversas de Valter, que me fala da sua Itália Natal, de Udine, das cidades estreladas, star-shaped cities, lindas de se olhar de cima.

Saudade de Henrique Fontes e das nossas conversas sobre todas as impossibilidades teatrais que nos cercam, e das nossas lutas frustradas em busca do sindicato da categoria que não vingou porque uma andorinha só não faz verão, mesmo que essa andorinha se chame Clotilde Tavares, acompanhada pelo andorinhão Henrique Fontes.

Saudade também do meu eterno partner Marcos Bulhões, sempre atrasado ou ausente nos encontros, sempre em tumulto, sempre metido em algum fight com alguém ou algo.

Saudade da minha família, tanto a família de sangue como a família de afinidade: dos meus meninos Rômulo e Ana Morena, do meu genro Anderson Foca, dos meus netos Isabela e Marcelo, do meu afilhado Vinicius, das minhas noras Viviane e Telma, de Lucidete e Freitas, de Luciana e Thiago, de Ricardo e Andrezza, Evandro e Paulinha, e meus bichos, Tupiara, Irlanda e Teobaldo.

Saudade de zanzar pelos shoppings, olhando as vitrines, comendo besteira, remexendo horas nas estantes das livrarias, saudade de Ronaldo & Rose, e também de Cícero & Aldair, que deixaram os livros mas continuam sendo uma das referências literárias do meu coração.

Saudade de pegar o carro num domingo à tarde e rever todos aqueles lugares que gosto, num passeio preguiçoso pelas ruas calmas, numa hora em que todo mundo está na praia ou sei lá onde, de ver meus lugares prediletos antes que a marreta do progresso os ponha abaixo, como já fez com tantos.

Cada esquina uma história: aqui eu fiz isso, ali me aconteceu aquilo, acolá eu morei e fui feliz, adiante foi horrível, lembra? Clotilde. Lembro, lembro de tudo de tudinho, de cada momento, bom ou ruim, de cada alegria, de cada bobeira, de cada pessoa, do sabor de cada boca, do perfume de cada noite enluarada.

Saudade, saudade, saudade.

Ô cidade impossível, que me faz ficar troncha de saudade, com as pestanas salgadas e úmidas.

Será que um dia vou voltar?

 

Clotilde Tavares
João Pessoa – PB
Umas & Outras – http://clotildetavares.wordpress.com
Twitter –
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Colunas do Correio da Paraíba
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Colunas no Portal Diginethttp://colunas.digi.com.br/author/clotilde/
O Clã Santa Cruzhttp://www.clotildetavares.com.br/genealogia

No Blogue dos caras: Leonardo Sodré

maio 14, 2009

Leonardo Sodré é jornalista e atualiza o blogue becopress. Esta semana, ele escreveu uma bela crônica sobre o lançamento do Mano Celo. Massa. 🙂

Suando com Mano Celo/Leonardo Sodré

Na última quinta-feira, 07, fui ao lançamento do livro de Carlos Fialho, Mano Celo, na livraria Siciliano do shopping Midway. Detesto shoppings, mas não queria perder o lançamento do livro e lá fomos nós – eu e Mércia – enfrentar o já conhecido engarrafamento das 19h, dos estacionamentos daquele ajuntamento de lojas.

A livraria estava completamente lotada. Pegamos uma fila e compramos o livro, para depois entrar na outra fila, dos autógrafos. Essa é que estava grande! Ficamos lá e já perto de pegar o oferecimento histórico do autor, percebi que o livro estava com alguns defeitos de impressão. Corri de volta para o balcão onde o compramos. No caminho passei por um garçom com a bandeja lotada de uísque. Do outro lado, no balcão, Zé Arruda Fialho, pai do autor, Castilho, da Redinha e Nei Leandro de Castro. Todos devidamente abastecidos. Aí Castilho levantou o copo e disse:

– Aceita um uísque ou algo mais?

Fiquei sem saber se ia trocar o livro ou ficava por ali mesmo. A tentação era forte, mas o livro precisava ser autografado e Mércia já estava começando a chegar perto do autor de Mano Celo. Cheguei ao balcão tenso.

– O que o senhor deseja? Perguntou a moça, cansada de vender livro de Fialho.

– Quero trocar esse exemplar que está com defeito. Respondi, enquanto olhava para trás e via o papo animado dos amigos. Minha boca ficou seca.

– A troca é daquele lado… E apontou com o nariz.

Fiz carreira e cheguei ao balcão cheio de gente, apelando:

– Meu caso é rápido, é somente para trocar esse livro. E eu disse, enquanto de longe Castilho levantava uma dose de uísque e um salgadinho, como me oferecendo. Engoli em seco.

– Não é aqui não moço, é ali naquele outro balcão. Justamente o que eu estava. Voltei olimpicamente e fazendo uma força danada para ficar calmo.

– Moça, a funcionário do outro lado disse que era aqui mesmo que trocava o livro… Roguei desesperado. Nesse ponto os três, Castilho, Arruda Fialho e Nei Leandro olhavam para mim balançando suas pedras de gelo dentro do copo. “Esses caras querem me matar”, pensei.

– Pois não é não, ela disse já meio aborrecida. Volte para onde veio, porque é lá mesmo que troca o livro.

Voltei e fui instado a voltar novamente para onde tudo começou. Aí a moça, que não era mais a mesma, me perguntou:

– O que o senhor deseja?

– Uma dose de uísque e um salgadinho, por favor.

Ressaca do Lançamento

maio 13, 2009
Todo mundo torcendo pra ninguém soltar um pum.

Todo mundo torcendo pra ninguém soltar um pum.

O lançamento de “Mano Celo – O Rapper Natalense” superou todas as expectativas. Foram vendidos mais de 381 livros na noite de autógrafos. Para ser mais preciso, foram vendidos exatos 382 exemplares, muito mais do que a meta esperada para a noite que era de 4.
Com isso, eu cheguei a marca de mais de 1.000 livros vendidos, os Jovens Escribas iniciaram os eventos de comemoração dos seus 5 anos e lançamos o décimo livro do selo em grande estilo.
Nos próximos dias, vou contar todos os detalhes, postar fotos, publicar opiniões de amigos e falar do que deverá ocorrer daqui pra frente. Por hora, estou curando a ressaca do evento que foi cansativo e bem sucedido, graças a todo um trabalho de divulgação bem feito elaborado pelo Comitê de Soluções Criativas. Esses caras de lá são foda mesmo!

Mano Celo – Diário de um Lançamento 14 – comercial

maio 5, 2009

Dirigido e animado por Joca Soares, sonorizado por Danina Fromer da Digisound e veiculado na JET, este é o comercial do lançamento de Mano Celo. Apreciem com moderação.

Mano Celo – Diário de um Lançamento 13 – Anúncios

maio 4, 2009

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