Archive for junho \29\UTC 2009

Mano Celo em Mossoró

junho 29, 2009

Mano-Celo-6-mossoro

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FUGERE URBEM – NOVA COLEÇÃO – Segunda-feira_29.06

junho 26, 2009

Amigos, eu gostaria de convidar a todos para conhecer a grife Fugere Urbem Camiseteria. Há algunos posts falei da Redbug. Pois bem, esta grife também segue o mesmo esquema de “uma ideia na cabeça e uma estampa no peito”.

O lançamento da nova coleção será no Dennis Sports Bar, que fica na Jaguarari, bem próximo da Alexandrino de Alencar.

Vamos lá todo mundo começar a semana encontrando os amigos pra um bom papo e conhecer umas camisetas legais no processo. 

fugere urbem

Circuito de lançamentos

junho 25, 2009

Lancei o Mano Celo no longíquo dia 07 de maio do ano da graça de 2009. O mais legal é que o evento marcou o início de uma temporada de lançamentos na cidade dos mais variados gêneros que vão das crônicas futebolísticas organizadas por Carlos Magno Araújo em “A Cabeça do Futebol” até a poesia erótica de Lívio Oliveira, passando pela belíssima revista Perigo Iminente de Adriano de Sousa e Flávia Assaf. E ainda teremos Nei Leandro de Castro, Patrício Jr., Nelson Patriota, Cassiano Arruda Câmara…

 

PERDEU, PLAYBOY!

Versus

O primeiro livro lançado após o Mano Celo foi saudado pela mídia com bastante estardalhaço. Tratava-se de “Gol de Placa” do Deputado Fábio Faria que foi vendido a R$ 10 e, segundo sua assessoria de imprensa, vendeu 360 exemplares. Em todo caso, fiquei feliz pelo livro do deputado micareteiro não ter superado o décimo lançamento dos Jovens Escribas.

 

ESTE RUBINHO CHEGOU NA FRENTE.

O homem óbvio

Porém, o rapper natalense não resistiu às crônicas de Rubens Lemos Filho editadas por Adriano de Sousa e “O homem óbvio”, lançado no Teatro da Cultura Popular teve 404 livros vendidos em seu lançamento.

 

LÍVIO OLIVEIRA TEM SEDA

A Siciliano do Midway foi o palco escolhido por Lívio Oliveira para o seu “Dança em seda nua” com poesia erótica de forte apelo sensual. A foto abaixo mostra bem como Lívio ilustrou a divulgação.

Dança em seda nua 

 

CUIDADO: PERIGO!

emaillanamentopi

Segunda-feira passada foi a vez da revista Perigo Iminente de Adriano de Sousa e Flávia Assaf, resgatando o “manifesto futurista” de Manoel Dantas, lançado em 1909, que dizia como Natal estaria dali a 50 anos. A revista da Flor do Sal repete o mesmo em 2009, convidando escritores, jornalistas, artistas visuais, toda ilustrada com as belíssimas imagens do fotógrafo Giovanni Sérgio.

 

GOL DE CABEÇA

A cabeça do futebol

Nesta sexta-feira, 26 de junho, às 19h, na Siciliano do Midway, é a vez de Carlos Magno Araújo e Gustavo de Castro, da Casa das Musas (que nome arretado!) lançarem uma reunião de crônicas sobre futebol. O livro “A Cabeça do Futebol” traz nomes como Moacy Cirne, Xico Sá, Juca Kfouri, além dos próprios organizadores. Uma seleção da porra! Vale à pena conferir!

 

MANO CELO EM MOSCOW

Semana que vem é a minha vez de lançar o Mano Celo em Mossoró. Dia 2 de julho, quinta-feira, às 19h na Livraria Siciliano do Mossoró West Shopping. Será uma agradável reunião de amigos mossoroenses ou radicados na capital junina do Estado.

 

A FORTALEZA DO NEI

No dia 8 de julho não tem pra ninguém. A Siciliano viverá o ponto alto de sua temporada de lançamentos com a chegada da “Fortaleza dos Vencidos”, novo romance de Nei Leandro de Castro lançado pela ARX Editora. O autor dispensa apresentações, portanto, quero ver todo mundo lá.

 

PATRÍCIO Jr. FALA DE AMOR

capa

“A Cega Natureza do Amor” traz 12 contos de Patrício Jr. Sobre o tema. É o 11º lançamento do selo Jovens Escribas, um marco para qualquer iniciativa independente nessa terra bonita e inculta. Confesso que estou curioso, pois gosto da prosa de Patrício com sua crueza característica (como ele próprio define: “um estilo cru, polêmico e indigiesto”) e, desses contos novos só conheço o “Diva”, publicado na revista Brouhaha. A festa de celebração de “A Cega Natureza do Amor” será no dia 16 de julho, a partir das 18h, na Siciliano do Midway.

 

NELSON PATRIOTA E KAFKA

O escritor Nelson Patriota lançará seu novo livro de contos “Colóquios com um leitor kafkiano”. O local e data ainda estão indefinidos, mas deverá ser no fim de julho ou início de agosto. Ah, sim! O livro também sai orgulhosamente pelo selo Jovens Escribas.

 É isso, galera. Quem gostar de uma boa leitura e quiser prestigiar os ótimos autores citados nessa lista, é só escolher a obra, encomendar nas livrarias, ou marcar as datas na agenda dos lançamentos que ainda vão ocorrer.

Mano Celo entre os mais vendidos! Deu no New York Times.

junho 24, 2009

Mano Celo entra na lista dos mais vendidos em Nova Iorque!

O publicitário Rogério Arruda Câmara esteve em Nova Iorque no início deste mês e, ao passear por uma famosa livraria local, se deparou com um fato dos mais animadores para este autor. Ele encontrou o meu mais recente livro, “Mano Celo – O Rapper Natalense” na prateleira dos mais vendidos.

 As imagens abaixo confirmam a notícia.

 

Mano Celo entre os "beste sellers" da Hudson Bookstore. Desde 2001 não ocorria nada tão impactante na cidade.

Mano Celo entre os "beste sellers" da Hudson Bookstore. Desde 2001 não ocorria nada tão impactante na cidade.

 

Rogério Arruda não se conteve e arrematou seu exemplar.

Rogério Arruda não se conteve e arrematou seu exemplar.

 

Olha só o jovem publicitário todo pimpão com o Mano Celo na mão. "Nunca me diverti tanto!", declarou à revista New Yorker.

Olha só o jovem publicitário todo pimpão com o Mano Celo na mão. "Nunca me diverti tanto!", declarou à revista New Yorker.

Aproveito a oportunidade para lançar o desafio: quem encontrar algum livro meu na prateleira dos mais vendidos das livrarias do mundo, envie as imagens comprobatórias para carlosfialho@digi.com.br . As fotos serão publicadas aqui no blogue e no meu Orkut.

 Enviem suas imagens. Ficarei no aguardo.

Mano Celo – Imagens – H I J K

junho 24, 2009
Isaac Leandro, uma mente brilhante.

Isaac Leandro, uma mente brilhante.

 

Grande Humberto e sua namorada, fotógrafo das multidões.
Grande Humberto e sua namorada, fotógrafo das multidões.

 

Jair, o Neguinho

Jair, o Neguinho

 

Jefferson, o baixista mais popular de Natal, driblando o assédio para ir ao lançamento.

Jefferson, o baixista mais popular de Natal, driblando o assédio para ir ao lançamento.

 

Karol Posadski, personalidade natalense.

Karol Posadski, personalidade natalense.

A Fortaleza dos Vencidos 1

junho 19, 2009

Convite-reduzido

Amigos redatores, quem tiver sugestões para títulos que promovam este lançamento, podem mandar pro meu e-mail. Os anúncios serão criados próxima semana.

Vingança contra o Telemarketing

junho 17, 2009

Iuri que trabalha comigo no Comitê, viu esse vídeo no Jacaré Banguela. É hilariante e divido com vocês. Deu vontade de receber uma ligação de telemarketing só pra fazer algo parecido.

Mano Celo – Imagens – G

junho 17, 2009
Gringo, o Wilson

Gringo, o Wilson

Garcia, o Professor que arrasa os corações das garotinhas de publicidade.
Garcia, o Professor que arrasa os corações das garotinhas de publicidade.

 

George Holanda, ator.

George Holanda, ator.

 

Gica

Gica

 

Gladis e Diana, comandando as entrevistas da noite.

Gladis e Diana, comandando as entrevistas da noite.

 

Glauco, o homem do lança-chamas

Glauco, o homem do lança-chamas

 

Gustavo, Ederval, Candice, Japa e Sarah.

Gustavo, Ederval, Candice, Japa e Sarah.

Dia dos Namorados por Márcio Nazianzeno

junho 12, 2009

O post de hoje resgata um texto antigo do jovem Márcio Nazianzeno, ex-proprietário da Limbo Livros Selecionados. Como hoje é dia dos Namorados, tem tudo a ver com a data. Leiam e divirtam-se.

"Não pega mal sermos fotografados num post sobre o dia dos Namorados?" "Cala a boca e esboça um sorriso, vai. Iiiisso."

"Não pega mal sermos fotografados num post sobre o dia dos Namorados?" "Cala a boca e esboça um sorriso, vai. Iiiisso."

Prova de amor
e outros clichês a dois

por márcio nazianzeno

FRIGORÍFICO
ele: casa comigo
ela: não
ele: porque?
ela: porque estamos presos nesse frigorífico
ele: a gente foge daqui
ela: pra se prender de novo? num mais gelado?
E foram encontrados numa civilização futura, congelados em cima de um sofá.

PROVA DE AMOR
ela: faça uma loucura por mim
ele: Diabos, e o que você quer que eu faça?
ela: ah, sei-lá-qualquer-coisa, inventa!
Ele arrisca um salto mortal e quebra o pescoço. Ela acha o gesto ‘bonitinho’.

VALIDADE
ela: tá sentindo?
ele: o que?
ela: esse mau cheiro
ele: não fui eu
ela: vem cá, é você… você tá azedo.
ele: coisa estranha.
E foi aí que eles perceberam, que o amor também tem prazo de validade.

MEU AMOR POR VOCÊ É ENORME, ESPERO QUE CAIBA
ele: não me entenda mal, eu só tenho um interesse puramente intelectual pelas suas tetas.
ela: você é um babaca.
ele: não fala isso, boneca. Eu sei que existe algo de muito profundo em você, bem aí, no meio das suas pernas.
E foram felizes para sempre (longes um do outro, é claro).

OLHOS
ela: gosto de me ver nos seus olhos
Muito tímido ele fecha os olhos, guardando uma lembrança pra toda a vida.

PIERCING
ela: curtchiu o meu piercing na língua?
ele: prefiro a língua.
Eis um manifesto: essa tal pós-modernidade está nos roubando boas partes da vida.

QSL. FOMOS DESCOBERTOS
ela: não estamos sós.
ele: hã? Pirou, mulher?
ela: ali, do outro lado do monitor… tem uns voyers.
ele: doentes.
E o escritor vai embora, com o rabo entre as pernas.

Márcio escreve às vezes, é adepto do pugilismo e atualiza seu blogue http://queridobunker.wordpress.com. Também trabalha com publicidade na função de redator.

Redbug – Penso, logo visto!

junho 10, 2009

 

Um dia o diretor de arte Juliano Caetano, experiente e valorizado profissional do mercado publicitário, com passagens pela 2A e pela atual agência de Rômulo Tavares, decidiu sair da zona de conforto do emprego certo e partiu para um novo desafio. Juliano acreditou que poderia usar seus traços para criar belas estampas de camisetas e transformar isso num grande negócio.

Nascia então a Redbug, uma marca de camisetas com estampas inteligentes, irreverentes e bem sacadas. Juliano transformou sua marca num sucesso virtual ao implantar no sítio da empresa um sistema de vendas online confiável e providenciar um bem armado esquema de logística.

Estou falando da Redbug hoje para divulgar o sítio aos leitores deste blogue, caso queiram comprar umas camisetas bacanas e divertidas por um bom preço.

Abaixo estão algumas estampas disponíveis no sítio.

Mamute

Geek Rat

Pulmões

Spock

Redbug

US Army

Homem

Quem gostar das estampas ou quiser ver outras opções, basta acessar www.redbug.com.br. Boas compras!

Mano Celo – Imagens – F

junho 9, 2009
Fábio Lima e Ricart

Fábio Lima e Ricart

 

Fábio Carvalho e Márcio Nazianzeno

Fábio Carvalho e Márcio Nazianzeno

 

Fabrício 2010 - O Deputado da Alegria

Fabrício 2010 - O Deputado da Alegria

 

Fernanda e Esaú

Fernanda e Esaú

 

Fernando Yamamoto

Fernando Yamamoto

 

Flavia Assaf

Flavia Assaf

 

Frederico - Advogado e escritor

Frederico - Advogado e escritor

Mano Celo – Vídeo do Lançamento

junho 8, 2009

Este é o vídeo do lançamento de “Mano Celo”. Produzido pelos amigos da Mais Vídeo, patrocinadores do evento. Gravado por Denílson, coordenado por Marcelo Medeiros, dirigido por Diana Petta, apresentado por Gladis Vivane e editado por Rafael Coutinho.

Espero que gostem!

http://www.megavideo.com/?v=AHX8D490

Arthur Dapieve – O Estrangeiro

junho 5, 2009

Arthur Dapieve é um escritor que admiro demais. Sou fã de primeira hora do cara. Sua erudição e diálogos com o POP. Por isso, hoje eu gostaria de dividir com vocês algum texto dele. Procurei alguns aqui nos arquivos e achei esse do qual gosto bastante. É a orelha do livro “O Estrangeiro” de Albert Camus, publicado pela editora Record. Divirtam-se:

***

O Estrangeiro, escrito em 1957, é o mais pop(ular) dos livros do francês nascido na Argélia Albert Camus. Tão pop que rendeu até música do grupo de rock inglês The Cure (“Killing na arab”). Tão popular porque, à parte ser a seca narrativa das desventuras de Mersault, condenado à morte por matar um árabe a troco de nada, é também a narrativa das desventuras de um homem do século XX. Uma espécie de autobiografia de todo mundo.

 Mersault leva uma vida banal; recebe indiferente a morte da mãe no primeiro parágrafo do romance (primeiro parágrafo antológico, diga-se de passagem); comete o crime; é preso; julgado; tudo gratuito, sem sentido, apenas mais um homem arrastado pela correnteza da vida e da história.

 Seu drama pode ser lido como drama de qualquer homem do seu século, o homem que se depara com o Absurdo, ponto central do pensamento camusiano.

 Este homem, chamemo-lo, como o autor, de Mersault, ao contrário de seus antepassados, não encontra mais nem consolo para o que acontece na sua vida. Tudo acontece à sua revelia e nada faz o menor sentido. Sua vida não é explicada por nenhuma fé, nenhuma religião, nenhuma ideologia, nem mesmo pela fé na ciência. Este homem não tem nada em que se amparar. O que pode ser visto como uma vantagem: este homem é livre, pode se fazer a si mesmo, sua vida está em aberto. Ele se depara e se angustia diante de sua própria Liberdade, outro ponto central não só do pensamento camusiano como de toda a filosofia existencialista, na qual Jean Paul Sartre é outro expoente, um comunista à direita do anarquista metafísico Camus.

 Compreende-se, portanto, que Absurdo e Liberdade são faces da mesma moeda. Quando Mersault descobre que um implica na outra, afinal encontra a paz. É a história dessa compreensão, desse encontro, que Camus nos propõe. Uma espécie um tanto perversa de livro de auto-ajuda.

 Arthur Dapieve

Mano Celo – Imagens – E

junho 4, 2009
Ewerton e Rodrigo Rosas

Ewerton e Rodrigo Rosas

Quem vigia os vigilantes 5 – Pablo Capistrano

junho 2, 2009

O quadrinho definitivo II

 Publicado no www.pablocapistrano.com.br

"Faça como eu: bote uma meia na cabeça e enfie a porrada na bandidagem."

"Faça como eu: bote uma meia na cabeça e enfie a porrada na bandidagem."

Imagine que você faz parte de um romance de H. G. Wells. Um romance sobre, por exemplo, uma máquina do tempo. Imagine também, seguindo essa brincadeira, que essa máquina do tempo te transporte (de um modo que só as máquinas do tempo conseguem fazer), para a cidade de… quem sabe… Braunau am Inn! na Áustria, às margens do rio Inn, já na fronteira com a Baviera alemã.

O ano é 1889, e o fim do mês de Outubro, em pleno Outono europeu, já anuncia a chegada do vento gelado de mais um inverno. Imagine que você, com seu alemão sofrível, parado na frente de uma loja de doces, vê uma senhora saindo com um carrinho de bebê. A senhora parece que lembrou de alguma coisa. Talvez uma bolsa? Algum pacote? Ela fala algo incompreensível em algum dialeto desses de fronteira e retorna para dentro da loja de doces deixando aquele adorável bebê de seis ou sete meses adormecido em seu carrinho de ferro e madeira, com aquele design de fim de século XIX.

Você, que provavelmente gosta de crianças, se aproxima sem querer acordar aquele pequeno anjo do Senhor e, mergulhando seu olhar pelos detalhes internos do carrinho percebe escrito em uma pulseirinha metálica presa no braço direito da adorável criaturinha o nome: “Adolf Hitler”.

Um arrepio sobe pela sua coluna e, como em uma explosão instantânea de imagens, você vê no seu hipocampo mental (aquela janela da microsoft que se abre na mente quando a gente tenta visualizar alguma coisa) um desfile com as mais aterradoras, mais terríveis, escatológicas e desumanas imagens do século XX. Subitamente você se questiona com toda sinceridade: “Parto ou não parto a traquéia do bebê?”.

Esse dilema ético é muito semelhante à questão que opõe os personagens Ozymandias e Roschach em Watchmen. Se você não sabe, Ozymandias é (na HQ de Moore) um dos sujeitos mais ricos do planeta, e também um dos mais inteligentes. Ele consegue inclusive, com uma mistura de inteligência e grana, enganar o Dr, Manhatan (aquele ser quântico da primeira parte desse artigo).

Rorschach, por sua vez, é um homem pobre e atormentado por uma infância cercada de violência e descaso familiar. Criado em bairros suburbanos miseráveis, filho de uma prostituta que atendia os clientes em casa e objeto freqüente de humilhação e espancamento, Rorschach faz jus ao teste psicológico, criado pelo doutor Hermann Rorschach e usado, inclusive, para identificar a presença de núcleos psicóticos.
Na obra de Moore, Ozymandias e Rorschach são duplos.

São aspectos de um mesmo princípio, pontos opostos de uma mesma idéia. Enquanto Ozymandias surge sempre no alto de grandes arranha-céus iluminados, olhando a selva metropolitana por cima, como se pairasse sobre a miséria do mundo e observasse a tragédia do destino humano a partir de uma visão “global”, Rorschach é uma criatura dos becos sombrios. Ele vive ao nível do asfalto, observando no detalhe a sordidez da maldade dos homens. A inteligência de Ozymandias, e sua posição privilegiada na escala social, permite que ele perceba em um horizonte mais amplo o futuro da espécie, e possa pensar em uma ação global para evitar uma catástrofe humana. A condição miserável de Rorschach não permite que ele tenha essa visão de fundo e seu esforço é em fazer justiça no detalhe, matando e prendendo criminosos pelos becos da metrópole.

Esses dois sujeitos orbitam em torno de uma mesma idéia de bem e de justiça. Eles encarnam a tradição de nossa moralidade ocidental, que construiu um conceito de ?bondade? em oposição a um de “maldade” e impôs uma idéia de justiça em contraste com um conceito de iniqüidade. Rorschach e Ozymandias são filhos desse mundo. Eles buscam o bem. Eles procuram a justiça, mas se diferenciam fundamentalmente porque estão em campos opostos do embate intelectual sobre a natureza da “ética”.

Boa parte da história da ética moderna gira em torno da disputa entre correntes deontológicas (de Deon ? dever) e teleológicas (de telos ? finalidade). Se você segue uma ética deontologica (como Kant) vai acreditar que uma ação é boa ou má em si mesma. Ou seja, nenhuma injustiça praticada se justifica pela obtenção de resultados positivos. Essa é a ética dos santos ocidentais, daqueles que buscam intransigentemente a verdade e a pureza. Essa é a ética de Rorschach que não admite nada mais a não ser o expurgo do mal (mesmo que de forma confusa, entrecortada, na HQ de Moore, pelo surto psicótico do personagem).

Pessoas como J. S. Mill ou Jeremy Benthan, por sua vez, seguem uma ética teleológica, utilitarista, baseada na idéia de que a ação correta não é correta em si mesma. Ou seja, uma ação que produz uma maior quantidade de mal para um maior número de pessoas não se justifica. Justo é aquilo que traz uma maior quantidade de bem, para um maior número de pessoas.

Essa é a tese de Ozymandias. A moral utilitarista e pragmática, que seduz inclusive o Dr. Manhatan, e que produz a mais abjeta revolta em Rorschach. Uma ética como a de Ozymandias permite, por exemplo, que milhões de pessoas morram para que bilhões sejam salvas porque um mal menor se justifica diante de um bem maior. Watchmen, como toda grande obra de arte, aponta para esses mundos, esses dilemas e essas ansiedades que movem a cultura ocidental por séculos. Ela é uma obra vigorosa porque é Pop sem perder a dimensão do clássico, moderna, sem esquecer a sombra arcaica do velho mundo sobe o qual nossa herança cultural foi fincada e por sobre o qual esse mesmo mundo ameaça desabar.

Sentiu o drama?
E aí, já deu tempo para pensar no seu dilema ético particular?
Já correram nessas linhas as rotas sombrias de seus desejos e o peso torto de suas próprias crenças e valores?
Ótimo.

Então me diga sinceramente, você quebra ou não quebra a traquéia do bebê?