Cantos das Cidades 4 – Teorias e Conspirações (BA)

Certa vez, durante a Copa do Mundo de 2002, eu explicava ao poeta Lucílio Barbosa, a teoria da pirâmide, que apontava o Brasil como o suposto campeão daquele certame. Tratava-se de uma lorota mística que afirmava peremptoriamente que havia uma lógica simétrica na sequência de seleções que venceriam a competição. Sem dar nenhum crédito ao que eu expunha e que, aliás, nem eu mesmo acreditava, apenas reproduzia o que havia lido na internet, Lucílio decretou: “Não acredito em teorias de conspirações. Para mim, são todas produtos de pessoas com muita imaginação e ainda mais tempo livre.”

 

O poeta Lucílio Barbosa

O poeta Lucílio Barbosa

Aquela frase de Lucílio martelou na minha cabeça por um tempo. Até que em 2004 surgiu a ideia de escrever o livro de contos “Cantos das Cidades”. Naquele ano escrevi os dois primeiros textos do volume que deverá ficar pronto até o fim do ano: “Pelejas” que se passa em Porto Alegre e é epigrafado pela frase “Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada.” dos Engenheiros, e escrevi também o conto “Teorias e Conspirações” inspirado nessa conversa que travei com o mestre Lucílio e epigrafada no verso “Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho, sou capaz.” de Raul Seixas. Como Raul é soteropolitano, a história é ambientada em Salvador e contou com a colaboração de alguns baianos amigos e ilustres: Murilo Souza e Rafaela Lopes, além de receber a revisão do professor Iésu Andrade.

 

Murilo Souza e Rafaela Lopes

Murilo Souza e Rafaela Lopes

Fiquem agora com um trecho do conto:

“…O pastor possuído pelo demônio que roubava os fiéis no majestoso templo da Universal em frente ao Iguatemi; o garoto que caiu num poço quando soltava pipa e sobreviveu 13 dias sem água nem comida; a mulher que se fez passar por homem e disputou o campeonato estadual de futebol pelo Camaçari e a incrível invasão de algas venenosas que tornariam o mar de Porto Seguro impróprio para banho, mas que na última hora, foram desviadas por correntes marítimas vindas do sul.

Todos os dias Murilo chegava em casa feliz e realizado. O Correio vivia um sucesso editorial jamais visto e ele sabia que era o principal responsável por isso. No ônibus, nas ruas, nas esquinas, nos bares, nas salas de estar, as pessoas comentavam sobre as últimas notícias do Correio. Ele era um sucesso! Imaginava o que todos esses leitores fariam se soubessem que as principais manchetes do jornal saíam não de fatos ocorridos, mas da imaginação de Murilo. Ele escrevia o que as pessoas tinham vontade de ler, que elas queriam que fosse verdade.

Murilo não lia jornais. Achava que todos mentiam…”

O nome do protagonista da história é Murilo em homenagem ao meu amigo de Salvador que colaborou com termos locais e nomes de lugares que poderiam encaixar melhor a trama na capital baiana. Inventei umas coisinhas no meio do conto como uma coluna de biologia marinha escrita pelo rapaz, para fazer uma discreta alusão a Lucílio Barbosa, poeta formado em biologia Marinha e que deu início a todo esse texto. Enfim, detalhes de uma historinha simples e uma das primeiras a serem escritas para este livro que escrevo e divido todos os passos aqui com vocês.

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