A vitória do gerundismo

Quando Micarla de Sousa ainda não era Prefeita e nos pedia a honra de exercer tal cargo durante a campanha eleitoral, eu não estava em Natal. Passava um período de trabalho pesado em outras pradarias e, por essa razão, acabei acompanhando de longe a disputa eleitoral na capital. Os plágios da campanha ao clipe de Obama e à abertura do programa de Lula, porém não passaram despercebidos (Deu até no Kibeloco!). Bem como as maldosas insinuações semi-explícitas na declaração “Sou mãe, sou mulher.”, fazendo uso de artimanhas nada louváveis, questão essa já tão bem exposta pelo meu colega de coluna Pablo Capistrano em crônica para o Diário de Natal.

Depois veio a posse, o mandato começou e aquela que poderia ser uma grande gestora por, esperava-se,  trazer novas ideias, um pensamento diferente, estar concentrada em realizar um bom trabalho para consolidar seu nome como uma nova liderança na política local, mostrou que não sabe fazer depois de eleita nada muito diferente do que fazia antes: copiar o que os outros já fizeram.

Micarla que plagiou Obama durante a campanha, desceu o nível depois de eleita e agora copia o estilo Wilma de Faria de administrar. Obras de maquiagem, a cidade bonitinha, mas parece não ter a mínima noção de como vai resolver os problemas crônicos de saúde e educação da cidade. Nem mesmo o meio-ambiente, que vem a ser a principal bandeira do seu partido, está de fato sendo observado, conforme vem denunciando Marlos Apyus em seu blogue pessoal. A cidade perde cada vez mais árvores e a temperatura cada vez mais alta, bem como as inundações em épocas de chuva piores a cada ano não são simples coincidências.

Entretanto, a despeito de tudo isso, o que mais me incomoda em Micarla de Sousa é o gerundismo. É o fato de uma jornalista formada, que exercia a profissão dizer frases como “Eu vou estar me reunindo com a governadora.” ou “Nós vamos estar apresentando o projeto para a CBF na próxima semana.” Ela é a representante maior de toda uma categoria. Personifica a vingança de cada uma das atendentes de telemarketing que nos ligaram e não lograram êxito em nos vender seus produtos ou serviços. É a redenção dessa classe profissional que nunca para de trabalhar, pois sempre “vai estar gerando um número de protocolo”, “vai estar verificando os nossos dados”, “vai estar consultando o seu supervisor”.

É Natal mostrando mais uma vez que também pode crescer, evoluir, vencer preconceitos. Se temos um torneiro mecânico na presidência, por que não uma profissional de telemarketing na prefeitura? Não sei se é proposital, se ela quer passar uma imagem mais dinâmica, de que existe um importante trabalho sendo feito AGORA, neste exato momento e que não tem data nem hora pra acabar. Por isso ela vai “estar realizando” esse trabalho durante muito tempo. Talvez seja isso. Ou pode ser que ela tenha contraído esse abjeto vício de linguagem, mais contagioso que a Gripe A e a Dengue juntas. Se fosse há 10 anos quem sabe não estivesse falando “a nível de”?

Não sei a resposta. Mas sinto que vamos ouvir muitas vezes esta incômoda conjugação verbal pelos próximos anos. E o pior é que não será possível desligar o telefone.

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