Archive for novembro \30\+00:00 2009

Carlão de Souza e o prazer de ler

novembro 30, 2009

Jovens, navegando outro dia pelo Substantivo Plural do Tácito Costa, cliquei na coluna de Carlos de Souza, conhecido pelos amigos como Carlão. Lendo algumas de suas postagens me deparei com um belíssimo texto sobre o prazer e, sobretudo, a importância da leitura. Fiquei tão encantado que pedi permissão a Tácito e ao próprio Carlão para reproduzi-lo na íntegra aqui nO Fiasco, citando obviamente a fonte e dando-lhes todo o crédito. Permissão concedida, divido o texto com vocês.

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Por Carlos de Souza

20 de outubro de 2009

Depois que li o texto de Vargas LLosa, enviado por Tácito, sobre a importância do romance, fiquei pensando. Outro dia fui convidado a sentar numa mesa de jovens recém-contratados por uma grande empresa. Eles festejavam a vitória recente e queriam que eu compartilhasse com eles. Ocorre que, passados mais ou menos uns trinta minutos, eles continuavam falando no ambiente de trabalho e apenas nisso. Deixei o tempo passar e esperei que o assunto descambasse para algum filme recentemente assistido, algum romance recentemente lido, alguma obra de arte recentemente apreciada. Mas nada. Ficaram ali se deliciando com os acontecimentos do cotidiano corporativo como se extraíssem daquilo um grande prazer. Pedi licença e fui para outra mesa.

Depois disso tenho notado que somente nas mesas em que convivem pessoas que gostam de ler é possível se estabelecer uma boa conversa com rico repertório. Fora disso, é uma aridez acabrunhante. Pessoas que não lêem são incapazes de sustentar uma boa conversa. Quando chegam às raias do desespero, lançam mão de uma enxurrada de piadas que mais constrangem que diverte quem é obrigado a ouvir e polidamente sorrir. Vargas LLosa tem razão ao dizer que o mundo sem o romance cai direto na barbárie. Não tenho a menor dúvida disso.

Arrisco até a dizer que quem fica viciado em leitura dificilmente a substitui por alguma droga fuleira como a cocaína ou o crack. Acho que os problemas das drogas poderiam ser resolvidos com um simples livro. Quem lê muito não abre mão deste prazer por paraísos artificiais por muito tempo. Ler é sempre melhor. O melhor ópio que existe. Melhor que religião. Melhor que álcool. Um pouco menos que sexo. Um pouco menos que música.

No dia em que fui convidado para falar de literatura no programa Grandes Temas, da TV Universitária, eu disse que escrever era inútil, mas ler não. Meus parceiros arregalaram os olhos e disseram, mas como? Eu queria dizer que não é necessário escrever mais nada. Basta ler os clássicos. Mas era só uma provocação.  Claro que uma estória sempre pode ser recontada de outra maneira, ad infinitum. Não, o romance não morreu. A cada dia descubro novos e novos autores que justificam o fato de eu continuar vivendo e gostando muito dessa loucura toda.

Então, já que gosto tanto de ler, eu mesmo me arrisco a escrever livros irrelevantes que ninguém quer ler. Mas continuo fazendo deste ofício o motivo de minha existência. Porque escrever é como amar e “ninguém pode viver sem amar”, como diz aquele mexicano no filme À Sombra do Vulcão, de John Huston, baseado no livro de Malcom Lowry. Livro que foi reescrito até a exaustão, porque Lowry não suportava a idéia de estar plagiando alguém. Como se fosse possível ser original depois dos gregos.

Li na coluna de Ailton Medeiros o texto de uma pessoa que não encontrava mais prazer em ler. Fiquei triste por ela. Queria que essa pessoa redescobrisse o prazer de ler alguns clássicos da literatura, Cervantes, Kafka, Dostoievski… Shakespeare. Talvez assim ela redescobrisse o caminho dos novos autores que estão fazendo releituras magníficas destes mesmos clássicos. Moacy Scliar recontando a estória de Tamar ou Saramago recontando a estória de Caim. Essa pessoa pode até mesmo ler a Bíblia, não para procurar conforto espiritual, mas para buscar textos literário de altíssima qualidade como esses citados acima.

Para finalizar, gostaria de recomendar o filme O Leitor, de Stepehn Daldry. A cena em que ela pede ao menino, “leia Guerra e Paz, kid” é a síntese de tudo que eu queria dizer aqui.

Ler é a grande aventura da humanidade.

Coluna da Digi # 8 – Romances Gráficos

novembro 29, 2009

No dia 08 de outubro de 2007 publiquei minha 8ª coluna na Diginet. Era um texto falando de histórias em quadrinhos e de o quanto essa modalidade de leitura (chamada pelos aficcionados de 9ª arte) vem ganhando em importância nos últimos anos. Pode ser que alguns dados do texto estejam desatualizados, uma vez que ele foi escrito há mais de 2 anos, porém, vale como registro.

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Romances gráficos – A vingança dos nerds.

Sou de uma geração que aprendeu a ler com os quadrinhos. Não que sejamos todos uma turma de superdotados, autodidatas das letras que aprendemos sozinhos o bê-a-bá. A ler mesmo (e escrever) aprendemos na escola. Quando digo que aprendemos com os quadrinhos, me refiro ao ato de ler por prazer, de pegar uma história e não largar mais até que encontremos o lamentável nomezinho FIM no canto da página. Essa relação com a leitura nos veio primeiro com as HQs e, naquela altura da vida, nenhum Machado de Assis seria capaz de nos provocar tamanho impacto, envolvimento, sedução.

Gostávamos mesmo de ler os belos quadradinhos, coloridos ou não, que comprávamos avidamente nas bancas da cidade ou nos sebos do Alecrim. Acreditávamos que nossa realidade estava mais próxima de um homem com poderes de aranha ou de um pato que se vestia de marinheiro do que de qualquer Simão Bacamarte ou Brás Cubas que nos aborreceriam com suas loucuras e obsessões se nos fossem apresentados antes do tempo.

Eu e os meus contemporâneos temos uma visão das histórias em quadrinhos mais evoluída do que os nossos pais. Para eles (os pais) aquelas revistinhas não passam disso: revistinhas. São, portanto, coisas de criança. Já nós, temos pelos quadrinhos o respeito que os eleva à categoria de literatura séria, uma arte digna de ser apreciada também na maturidade. É uma visão mais próxima da americana do que da brasileira tradicional. Nos Estados Unidos, para se ter uma idéia de o quanto eles são valorizados por lá, as HQs são chamadas de romances gráficos, definindo claramente já na nomenclatura que quadrinhos por lá é coisa de gente grande também.

Na França, todas as livrarias têm espaços enormes para as revistas, pois para os franceses, as HQs são uma vertente respeitadíssima da literatura. Nessas seções pode-se encontrar os gauleses Asterix e Obelix, o belga Tintin, os mangas japoneses, adaptações do cinema para os quadrinhos, os tradicionais Garfield e Snoopy, os imortais Alan Moore e Frank Miller, além de uma infinidade de histórias de todos os tipos, para todas as idades, inclusive clássicos da literatura como “O Médico e o monstro” ou “A metamorfose” desenhadas em edições de luxo.

Em julho passado, em São Paulo, houve um evento que acena para uma mudança de mentalidade dos brasileiros ou para um claro sinal de vitória cultural de nossa geração. O Fest Comix reuniu milhares de pessoas no Colégio São Luís, na avenida Paulista. Eram mais de 290 mil títulos em oferta de todas as editoras, de todos os tipos, nacionais e importados. Durante os 3 dias, palestras e debates sobre o tema ocorriam em auditórios lotados de adultos. Marmanjos de várias idades desfilavam com camisas temáticas que traziam emblemas de super-heróis ou personagens como o Cebolinha ou o Tio Patinhas. Fui conhecer o evento na companhia do jornalista potiguar Roberto Sadovsky, o maior fanático por HQs que conheço, que por sua vez trajava uma camisa do Quarteto Fantástico.

Mal adentramos no local e Sadovsky fez uma compra de uma coleção inteira dos X-Men. “Essa coleção é raridade.”, falou para justificar as centenas de Reais que desembolsara pelas revistas. “Minha mãe ficava louca com a quantidade de revistas que eu tinha em casa, mas eu nunca me desfiz delas. Quando mudei de Natal pra São Paulo foi o que deu mais trabalho de trazer, mas está tudo aqui comigo.”

Sadovsky, ou Boinha como é conhecido pelos amigos natalenses, é há mais de 10 anos Editor-chefe da Revista Set, uma das mais respeitadas publicações de cinema do mundo inteiro. Ele disse que só chegou aonde chegou graças às HQs que consome com avidez de um fanático desde a infância. “Uma vez eu disse: tá vendo, mãe? Se não fossem os quadrinhos, não teria acontecido nada disso.” Boinha também comemora o fato de as principais produções recentes do cinema mundial serem adaptações de romances gráficos. Cinema e HQs juntos são com certeza a melhor mistura sobre a qual ele gosta de escrever.

Como eu não sou bobo nem nada, também aproveitei os preços mais em conta para fazer algumas compras, itens essenciais em qualquer cesta básica (Aliás, era exatamente isso que recebíamos à entrada: uma cesta para fazer compras.) de um amante de HQs. Comprei Homem-aranha e Elektra de Frank Miller, toda a série Watchmen de Alan Moore, o clássico Crise nas infinitas Terras e uma outra que não me lembro qual foi, mas que Boinha disse: “Compre isso. Não me pergunte nada. Confie em mim!” Achei melhor não duvidar.

Recentemente na Bienal de Natal, foi dado um espaço para os quadrinhos, inclusive com uma oficina de produção. Iniciativas como essas devem ocorrer cada vez mais em eventos literários. Na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), ocorrida semana passada, falava-se que na edição de 2008, os romances gráficos terão seu espaço. Nas livrarias de Natal já é possível encontrar grandes obras da literatura convencional como “O Chalaça” e até “O Alienista” de Machado de Assis, aquele que só pudemos ler com propriedade e plena compreensão após termos passado pelo necessário estágio da literatura em quadrinhos. Ou seja, se até Machado aderiu, é porque os quadrinhos venceram a batalha, superaram barreiras, derrubaram preconceitos.

E todos nós, nerds, nascidos nos anos 70 e 80, estamos deliciosamente vingados. Longa vida aos romances gráficos porque imagem também pode ser literatura. 

BBN 2010 – Thaísa Galvão

novembro 29, 2009

A jornalista e blogueira Thaísa Galvão

Agora já são 6 os participantes confirmados no BIG BRÓDER NATAL 2010. Durante essa semana continuaremos as votações. Obrigado a todos que vêm participando.

Coluna da Digi # 7 – Turismo Sexual

novembro 26, 2009

Minha sétima coluna da Digi foi publicada no dia 1º de outubro de 2007. Tratava de um tema muito discutido pelos natalenses e que as autoridades locais, sabe-se lá porque, não têm o menor interesse em coibir. Propus em meu texto, de forma escrachada mesmo, uma nova visão do tema que tanto nos revolta. Quantas vezes eu não ouvi meninas dizendo que não frequentam o meu bairro, Ponta Negra, porque têm receio de serem confundidas com putas pelos gringos? É triste, é degradante, mas essa é a Natal de Dona Vilma e Micarla.

A foto abaixo foi tirada por mim mesmo. Mostra um gringo no aeroporto Augusto Severo vendo uma pornografiazinha despreocupado. Nada contra a pornografia na internet, afinal essa é uma das funções desta rede mundial. O que incomoda na imagem é o fato de o visitante estar em pose tão relaxada, mostrando segurança de quem está fazendo a coisa certa e no lugar adequado. Algo como “estou em Natal, então viva a putaria!” Bem que o slogan turístico de Natal poderia ser algo como “Estrangeiro, te esperamos de pernas abertas.”

A imagem foi registrada por este blogueiro. Considero um símbolo da situação turística de Natal. Uma cidade de putaria.

 

Turismo Sexual – Uma nova proposta.

Vamos tentar abordar esse assunto sem hipocrisia, tá bom? Nem vou me referir a ele como um problema, mas sim como algo que acontece por essas bandas bem debaixo dos nossos narizes. Muita gente tenta negar a situação ainda mais depois dos mais recentes acontecimentos lá pelas bandas de Ponta Negra: a inauguração de um verdadeiro aquário da libidinagem travestido de bar e o fato de terem encontrado mais resíduos de esperma de gringos em nosso litoral do que coliformes fecais na última análise.

Bem, o turismo sexual existe e fica cada vez mais difícil de coibir. Virou indústria, atração turística e comenta-se que na Europa já conhecem o Morro do Careca ou as Dunas de Genipabu como atrativos localizados nos arredores dos motéis da cidade. Nossa frágil sociedade não resistiu a um punhado de Euros despejados para comprar apartamentos, terrenos, restaurantes, hotéis e o que restava de nossa dignidade. Abriram as pernas e fecharam os olhos, inclusive literalmente em muitos casos. Italianos e espanhóis comandam a pouca-vergonha, a safadeza. Até aí, nada contra. Mas sacanagem mesmo foi não ter convidado a gente pra festa!

É claro que outros aspectos me incomodam, como por exemplo, alguns desses senhores terem sérios distúrbios a ponto de preferirem meninas de 13 anos a mulheres adultas. Mas o problema é maior e bem mais sério do que se pensa. Não adianta só combater com rigor esses pedófilos do além-mar, mas é preciso distribuir renda para, a longo prazo, essas garotas não precisem recorrer a tais expedientes para ganhar a vida.

Então, já que não dá pra acabar com essa realidade, vamos fazer com que renda dividendos para nossa sociedade, inovando para desenvolver ainda mais o turismo do RN. Que tal promovermos o turismo sexual feminino? Por que as mulheres européias não podem desfrutar de toda a sensualidade do homem natalense? Seria uma maravilha. Chega desse machismo sem sentido. Os Giuseppes e Juans juntam uma graninha no velho continente desentupindo pias e vem dar aqui (com duplo sentido, faz favor) para desentupir outros encanamentos, mas as pobres alemoas e bélgicas não podem vir e usufruir de serviços semelhantes? E o que dizer das suecas que já nos brindaram com tantos filmes oscarizados em nossas imaginações, assistidos em noites de solidão e introspecção, com admiração sincera e muito papel higiênico do lado? É claro que elas merecem vir a Natal nem que seja receber nossos agradecimentos por tantas madrugadas emocionantes que deixaram nossos olhos úmidos e nossas cuecas viscosas.

Então, está proposta a instituição do Turismo Sexual Feminino na cidade do Natal! Que comecem a organizar excursões de belas européias e também grupos de solícitos anfitriões para dar cabo das senhoritas do outro lado do aquário. Podemos até propor um benefício para implantar o projeto de maneira mais eficaz. Seria algo como uma “isenção de taxa de serviço”. No caso, não cobraríamos pelo nosso trabalho nos primeiros anos até que essa boa idéia estivesse consolidada, firme e, acima de tudo, ereta. Na minha humilde opinião, isso não seria muito difícil, pois com a ajuda da clientela, o negócio vai crescer rapidamente.

Muitas vezes já ouvi falar dos catálogos de mulheres a que os europeus têm acesso antes de virem para Natal. Dizem que eles escolhem a dedo suas companheiras antes mesmo de embarcarem no avião. É claro que podemos oferecer a mesma facilidade para as galegas. Sem problema. Só que, em vez de escolherem a dedo, terão que escolher a palmo. Normal. Trata-se de uma adequação ao público.

E quando disse ali em cima que “não cobraríamos pelo NOSSO trabalho” quero afirmar convictamente que eu também serei um voluntário dessa campanha pelo bem da cidade. Amo Natal e para desenvolvê-la cada vez mais vou varar noites e outras coisas em benefício desta bela capital. É um sacrifício, eu sei, mas farei isso por cada um de vocês. E que venham as européicas!

BBN 2010 – FF e nova disputa.

novembro 26, 2009

Antes de mais nada, anuncio a vitória do Deputado micareteiro e baladeiro, Fábio Faria, namorador de celebridades que jura ter trazido a copa do mundo para o Brasil. Sua assessoria não repercutiu ainda o fato de o político ter sido vencedor de mais essa disputa, pois deve andar ocupada demais tentando vender o camarote da Athletica ou desmentindo algum suposto o boato de que o FF esteja tendo um caso amoroso com a, digamos, “artista” Preta Gil.

"Fábio, a coisa tá Preta pra vc, meu filho."

Parabéns ao Deputado e vamos pra frente.

Muito bem, leitores. As 3 candidatas de hoje fazem parte da nossa “society”. É uma gente chique e bem vestida que desfila pela Afonso Pena e o jet set com elegância e desenvoltura.

Talvez alguma delas tenha envolvimento com políticos e receba uma graninha por um que outro trabalhinho. Talvez não.

Talvez uma delas seja uma baranga bem arrumada. Talvez não.

Talvez uma delas seja embaixadora do luxo e bom gosto na capital potiguar. Talvez não. 

Pela primeira vez, desde que comecei essa brincadeira aqui com vocês, vou tomar partido. Minha favorita aqui é a empresária Tereza Tinôco. Afinal, é preciso entrar um pouco de classe naquela casa e é uma bela mulher de nossa cidade. As outras duas, er, huuuum, tipo assim, não são.

 Está aberto o pleito.

 BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 6 de 12:

Tereza Tinoco x Thaysa Galvão x Nathalia Faria

BBN 2010 – Jota Oliveira e Votação pra bombar

novembro 25, 2009

Jota Oliveira e Chrystian de Saboya protagonizaram o primeiro empate desta escolha prévia do BBN 2010. Por isso, eu tive que dar o voto de minerva e ele foi para o simpático e sorridente Jota, pois é um colunista conhecido por seus constantes barracos e escândalos públicos. Como a casa vai precisar de um tempero bem apimentado, nada melhor do que o festeiro e extravagante Oliveira, o 4º participante escolhido para a casa. 

Jota Oliveira

E agora vamos à 5ª votação.

Uma votação Bombástica é o que nos espera dessa vez. Já temos músicos para animar a festa, artista plástico pra fazer os discursos e colunista social pra deixar todo mundo bem informado. Dessa vez chegou a hora da eleição mais fácil até agora. Vamos escolher entre o Deputado celebridade por excelência Fábio Faria, o homem que quer fazer todo mundo acreditar que trouxe a Copa pra Natal, o DJ Shato, o mais conhecido e elogiado das pistas natalenses, e o jogador do América, Souza.

Tá fácil decidir dessa vez, hein, gente. Vamo-que-vamo!

Vocês já sabem em quem votar.

 

BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 5 de 12:

Fábio Faria x DJ Shato x Souza

Cantos das Cidades 10 – Aquela Mulher (PB)

novembro 25, 2009

João Pessoa

João Pessoa é a capital mais próxima de Natal, não só na geografia, mas também na maneira de ser das pessoas e em suas características gerais. Por isso queria escrever um conto especial para a cidade. Quando decidia se o melhor seria homenagear Zé Ramalho ou a banda “Pau de dá em doido” (in memorian), me deparei com um problema bom de resolver: O “Raimundos”, um grupo de Rock moleque que marcou minha adolescência estava prestes a ficar de fora da coletânea e isso não poderia acontecer.

Esse fato imperdoável ocorreria porque os contos passados em Brasília, cidade de origem da banda, já haviam sido escritos baseados em canções do “Bois de Gerião”, “Legião Urbana” e “Móveis Coloniais de Acaju”. Brasília e Natal serão as únicas cidades do livro que serão homenageadas com 3 contos cada, mas isso eu explico outro dia.

Bem, voltando a JP, eu decidi escolher uma música dos “Raimundos”, aproveitando-me de sua ascendência paraibana e situar em João Pessoa. A eleita foi “Cintura Fina”, canção, digamos assim, romântica do primeiro trabalho da banda (na época se chamava CD) e que narra a história de uma cara que se apaixona por uma mulher muito feia, mas que é uma especialista na arte do amor (boa de cama pra c******). Os versos “Aquela mulher/ que tem a cintura fina/ quero me casar com ela” estarão sempre na memória de qualquer roqueiro brazuca que tenha vivido bem os anos 90.

Raimundos, feios de cara, bons sujeitos no fundo.

O conto fala de Rodolfo (Ooooh!) um paraibano de nascimento que é jornalista em Brasília e vai passar o período junino na terra natal. Lá, ele conhece Genoveva e o resto do conto (epistolar internético) só vocês lendo.

Já posto um trechinho aqui pra sentirem o clima:

“…Como pode num mesmo mundo existir a Aline Morais e a Genoveva? Ah, esqueci de dizer, o nome dela é Genoveva. Mas disse que eu posso chamá-la simplesmente de Gê. Ainda bem!

Marcamos de nos encontrar no Jacaré uma hora antes do pôr do sol e, quando ela chegou, percebi que não poderia ter escolhido melhor o horário, pois logo iria escurecer e ela não ficava nada bem à luz do dia. Decidi que, naquela noite subiria de patamar: nada de cerveja, tinha que beber alguma cachaça artesanal de Areia.

Felizmente ela tentou disfarçar sua feiúra por meio de artifícios aplicados com a desenvoltura que só anos e anos de escassa formosura e uma longa experiência como catrevagem profissional poderiam conferir-lhe. Seu vestido, por exemplo, estava mais para uma aberração da baixa costura, de tal forma chamativo que só se levei o primeiro susto ante o vislumbre de seu rosto uns bons 5 minutos depois de sua chegada. Seu rosto, aliás, estava coberto por uns bons 10 centímetros de pesada maquiagem, uma massa de blush que muito me fez lembrar os palhaços do Circo Garcia. Ah, mas pra compensar, ela tinha um belo sorriso do ponto de vista odontológico residual. Quero dizer: os 4 dentes que heroicamente resistem em sua boca parecem estar em perfeita ordem e livres de caríes ou demais enfermidades bucais…”

Pôr do sol em JP, foto do blogueiro Fred Matos

 

Quem me ajudou a dar ao conto uma autenticidade paraibana foi meu amigo de longa data natalense honorário, pois morou aqui muitos anos, Jeder Morais, que hoje trabalha como assessor de imprensa num escitório que eu não sei o nome. Vou ficar devendo uma foto do meu amigo, mas acho que pro bem de vocês, queridos leitores. É que o Jeder é mais feio que a doidinha do conto.

“Aquela Mulher” é o 9º conto concluído para o livro “Cantos das Cidades”. Minha peregrinação continua, dessa vez rumo a Maceió e, em seguida, Fortaleza. Vem mais histórias divertidas por aí.

BBN 2010 – Jota x Chrystian x Toinho

novembro 23, 2009

Mais uma rodada de votação para escolher um participante do BIG BRÓDER NATAL 2010.

Dessa vez o eleito será um colunista social, representante dessa turma festeira que escreve metade dos conteúdos (?) de nossos jornais impressos.

 Entre os 36 finalistas concorrendo a uma vaga na casa, estão 3 colunistas sociais: Jota Oliveira, Chrystian de Saboya e Toinho Silveira. Cada qual com seus encantos, cada qual com sua virtudes.

 Votem comentando nesta postagem ou por e-mail ou no twitter ou no Orkut e quarta de manhã já divulgo o resultado com mais 3 candidatos postulantes a entrar nas crônicas.

 BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 4 de 12:

Jota Oliveira x Chrystian de Saboya x Toinho Silveira

A Arte de Caio Vitoriano

novembro 23, 2009

Tenho a sorte, o privilégio e a felicidade de ser amigo de Caio Vitoriano, um cara do bem, especial, sempre feliz que irradia boas energias por onde passa. Além disso é um cara supertalentoso que tem estampado sua arte (travestida de cartazes de divulgação) nas paredes natalenses e em webleases de eventos culturais. Esta postagem serve para divulgar aqui um pouco do seu trabalho, mas já adianto que vocês podem ver muito mais de suas criações no seu Flirck —> http://www.flickr.com/photos/caiovitoriano/  <—-

O artista Caio, filho do também artista Vicente Vitoriano.

 

Marcelus Bob no BBN

novembro 20, 2009

Marcelus Bob é a terceira celebridade natalense escolhida para entrar nas crônicas do BIG BRÓDER NATAL. Acredito que ele não saiba ainda, mas tudo indica que ao tomar conhecimento do seu ingresso, ele prepare um discurso de agradecimento nesse naipe:

Os fãs do artista plástico devem estar felizes. Semana que vem, logo na segunda-feira, abriremos mais uma votação. Já temos Luiz Almir, Ânderson Foca e Marcelus Bob. A 4ª escolha deverá contemplar um colunista social natalense para emprestar um pouco de glamour à casa mais vigiada da Diginet.

Valeu Marcelus Bob! Oh yeah!

"Quem é bonito é bonito. Quem é feio que Zidane!"

 

Cus de Judas – Trechos

novembro 19, 2009

Esta semana concluí a leitura de um excelente romance, “Os cus de Judas”  do português Antonio Lobo Antunes, um excelente relato sobre a guerra de independência de Angola. Fiquei encantado com o livro, a sensibilidade do autor, e o estilo com que usa a linguagem figurada. Pude desfrutar desta leitura graças ao amigo Paulo Araújo, alma boa e generosa que passou um período de trabalho por plagas africanas e me presenteou com a publicação.

A obra é repleta de trechos primorosos e, grifador compulsivo que sou, separei alguns para postar aqui no blogue e, quem sabe, aguçar a curiosidade de um que outro leitor.

Fiquem agora com os trechos que extraí:

“Quem me enfiou sem aviso nesse cu de judas de pó vermelho e areia, a jogar as damas com um capitão idoso, quem me decifra o absurdo disto, as cartas que recebo e falam de um mundo que a lonjura tornou estranjeiro e irreal, os calendários que risco de cruzes a contar os dias que me separam do regresso e apenas achando à minha frente um túnel infindável de meses onde me precipito mugindo…”

“Configurava-se um cenário triste como a chuva num recreio de colégio.”

“Jantaram na messe ao lado do comandante reluzente de orgulho, cuja timidez se embrulhava nos sorrisos de um adolescente em falta.”

“Os batuques dos luchazes eram concertos de corações pânicos, taquicárdicos, retidos pelas trevas de galoparem sem controlo na direção da própria angústia.”

“Transformar a minha vida numa sucessão sem nexo de cambalhotas desastrosas. Planos grandiloquentes em que Freud, Goeth e São Francisco convergiam e se combinavam, começaram a grelar-me na cabeça arrependida, milagres de algibeira para Lavosiers mongolóides… Jurava eu a mim mesmo num fervor de peregrino de Compostela, afadigar-me-ia a construir, a partir do meu nada confuso, a digna estátua de bronze do marido e do filho ideais, …”

“Descobri-me personagem de Becket aguardando a granada de morteiro de um Godot redentor.”

“A minha filha acaba de nascer. Acaba de nascer e a essa hora as senhoas do Movimento Nacional Feminino devem estar pensando em nós sob os capacetes marcianos dos secadores dos cabeleireiros, os patriotas da União Nacional pensam em nós comprando roupa interior preta, transparente, para as secretárias, a mocidade portuguesa pensa em nós preparando carinhosamente heróis que nos substituam, os homens de negócios pensam em nós, fabricando material de guerra a preço módico, o Governo pensa em nós atribuindo pensões de misérias às mulheres dos soldados, e nós, mal agradecidos, alvos de tanto amor, saímos do arame em que apodrecemos para morrer por perversidade de mina ou emboscada, ou deixamos negligentemente filhos sem pais a quem ensima a apontar com o dedo o nosso retrato ao lado da televisão, em salas de estar onde tão pouco estivemos.”

“Um sol alegre como o riso de um polícia toca xilofone nas persianas.”

“Há onze meses que só vejo morte e angústia e sofrimento e coragem e medo, há onze me masturbo todas as noites, há onze meses que não sei o que é um corpo ao pé do meu corpo,  e o sossego de poder dormir sem ansiedade, tenho uma filha que não conheço, uma mulher que é grito de amor sufocando em um aerograma, amigos cujas feições começo inevitavelmente a esquecer, uma casa mobiliada sem dinheiro que não visitei nunca, tenho vinte e tal anos, estou a meio da minha vida e tudo me parece suspenso à minha volta como as criaturas de gestos congelados que posavam para os retratos antigos.”

“O meu pai costumava contar que o Rei Felipe exclamara certa vez para o arquiteto do Escurial: “Façamos qualquer coisa que o mundo diga de nós que somos loucos.” Pois bem, nesse caso a ordem recebida pelo gorducho de capacete: “Façamos qualquer coisa que o mundo diga de nós que somos mongolóides”.”

“Os generais no ar-condicionado de Luanda inventavam a guerra de que nós morríamos e eles viviam.”

“Um labirinto de angústia que o uísque ilumina de viés da sua claridade turva, segurando os copos vazios na mão como os peregrinos de Fátima as suas velas apagadas.”

“Viu por acaso como nos assustamos Se alguém, genuinamente, sem segundos pensamentos, se nos entrega, como não suportamos um afeto sincero, incondicional, sem exigências de troca? A esses, os Camilos Torres, os Guevaras, os Allendes, apressamo-nos a matá-los porque o seu combativo amor nos incomoda, procuranmo-los, de bazuca ao ombro, raivosos, nas florestas da Bolívia, bombardeamos-lhes os palácios, colocamos no seu lugar sujeitos cruéis e viscosos, mais parecidos conosco.”

“Ah, as refeições frente a frente, em silêncio, cheias de um rancor que se palpa no ar como a água de colônia das viúvas.”

“Estou mudado. Afasto-me dos retratos do ano passado como um barco do cais.”

Colunas da Digi #5 e #6 – Quem você quer ser?

novembro 19, 2009

A minha 5ª coluna na Diginet, publicada em 17 de setembro de 2007, foi uma crônica chamada 4 elementos e falava das manobras em torno da votação do plano diretor da cidade que os vereadores queriam aprovar segundo os interesses das construtoras em troca de suborno que recebiam dos empresários. A Polícia Federal depois desbaratou o esquema através da “Operação Impacto”. Como essa crônica se relaciona estritamente com fatos da época, não a republicarei aqui. Publicarei então o texto “Quem você quer ser?”, uma história leve e sobre crianças jogando futebol que foi a sexta coluna publicada no dia 24 de setembro de 2007.

***

Quem você quer ser?

Uma pelada no campinho do bairro. Tava todo mundo lá. O Lero-lero, o Brasilgás, o Múcio e todos os outros que não vou dizer o nome, pois a única função deles nessa história é fazer figuração e deixar claro que tínhamos dois times formados, incluindo dois bons goleiros.

A gente só tem 9 anos. Quer dizer, menos o Lero-lero que é um ano mais velho e já está na quarta série. Como ele tem mais experiência que a gente, joga melhor. Já não corre tanto quanto nós, mas por ter muito mais idade, conhece os atalhos do campo e mostra toda a categoria adquirida em não-sei-nem-dizer-quanto-tempo de pelada.

E começamos tirando os times e botando a bola no meio e já íamos começar quando o Brasilgás gritou lá do gol: “Eu sou o Rogério!” Nossa, como é que eu ia esquecendo disso? Antes de cada pelada, a gente tem que deixar bem claro quem quer ser. O Brasilgás é o nosso goleiro oficial. No início, ele foi pro gol porque é gordinho e não tinha disposição pra jogar em outras posições. Mas com o tempo, ele tomou gosto pelo gol e acabou virando muito bom debaixo dos paus. E o ídolo dele era Rogério. Claro que era Rogério, era o goleiro da moda naquele verão.

Eu, que estava com o pé direito em cima da bola pronto para dar a saída, também levantei pro alto meu dedo e disse, antes que outro jogador fizesse, com a pose de dono da bola, conseqüentemente, chefe da pelada: “Eu sou Romário!” E só podia ser Romário mesmo. Sou baixinho, abusado, fico lá na frente esperando a bola e quem achar ruim mando embora da pelada na maior. Tá pensando o quê? Moro nesse bairro desde que nasci!

O Lero-lero também disse logo quem ele queria ser. Era o Zidane, camisa 10. Tem tudo a ver com ele. Um cara experiente, organizador de jogadas e que dá olé nos mais moços. E depois dele, todos os outros começaram a dizer que queriam ser o Kaká, o Ronaldinho Gaúcho, o Cristiano Ronaldo, o Nesta, o Gamarra. Mas faltava um. O Múcio não disse quem ele queria ser. Múcio gostava de jogar no meio, chegando na frente. Se bem que no nosso jogo isso não fazia muita diferença, pois todo mundo vai atrás da bola onde quer que ela vá. Até o seu Damião, pipoqueiro do parque de diversões que há mais de 2 anos, ou seja, mais de uma década, está no bairro é atropelado às vezes. É que ele fica lá na beira do campinho, olhando e quando a bola vai pros lados dele não tem jeito. Sai todo mundo atrás. Quer dizer, todo mundo menos os goleiros e eu, né? Eu sou o Romário. Meu lugar é na área, mesmo que o nosso campinho não tenha área, nem grama, na verdade. Aliás, é difícil dizer quando a bola sai ou não.

Mas como eu ia dizendo, o Múcio não tinha falado nada ainda. Todo mundo olhou pra ele. Uns já meio bravos, pois só faltava ele se identificar pra gente começar a jogar. Eu vi que ele tava ficando nervoso, suando frio, não ia dizer e perguntei: “Como é, Múcio? Diz logo quem você quer ser!” Ele, todo encabulado, disse bem baixinho: “Marzzzzzt…”. “Fala alto, pô!”, gritou alguém. Eu, do alto de minha “otoridade”, respondi: “Cala boca! Quem manda aqui sou eu!” E disse pra ele: “Fala alto, pô!” O Lero-lero também já tava perdendo a paciência: “Quem você quer ser, Múcio?” E o Múcio finalmente falou: “A Marta.”

Silêncio.

Mas como assim, a Marta?! “Que Marta, Múcio?” “Marta! Marta! A jogadora Marta! Da seleção feminina. Eu quero ser a Marta e pronto!”

Impasse. Eu, mesmo sendo a maior “otoridade” presente não sabia o que fazer nessa situação. A gente começava a pelada ou não? Se o Múcio queria ser a Marta, a gente tinha que decidir se podiam jogar juntos meninos e meninas. Porque daí poderiam vir a minha irmã chata pra chuchu e exigir: “Se a Marta pode, eu também posso!” Já pensou como iam ficar nossos joguinhos. Já ia pedir ajuda ao Lero-lero, quando ele falou: “Eu sou a Roseli!” E lá de trás teve um zagueiro que gritou: “E eu sou a Tânia!” E cada um que dissesse um nome de jogadora diferente. Pela primeira vez, eu ia jogar com a Mya Ham, a Cristiane, a Yasmin… Até o Brasilgás escolheu uma: “Eu sou a Milene!” Mas aí todo mundo protestou: “A Milene não, Brasilgás!” “Ela nem pega no gol!” Ele encolheu os ombros e decretou: “É a ex-senhora fenômeno. Alguma coisa ela deve ter aprendido.”

“Pronto, já podemos começar.”, eu disse e já ia rolar a bola. “Ainda não. Tá faltando você.” “Faltando o que?” “Quem você quer ser?” “Eu já falei. Eu sou o Romário!” “Não. Fala a verdade pra gente. Quem VOCÊ QUER ser?” “Tá bom. Eu sou a Pretinha.” E então a pelada finalmente começou. Foi a melhor pelada que já jogamos. Todo mundo estava muito solto. Foi legal. O Múcio não tem jogado mais bola com a gente. Resolveu praticar um esporte na escola. Entrou pro balé, parece. Nem sei se ele ainda quer ser a Marta. Mas eu já decidi. Não quero ser mais a Pretinha, nem o Romário. Quero ser astronauta ou bombeiro. Um dos dois. 

BIG BRÓDER NATAL 2010 – Foca entra na casa e 3ª Votação

novembro 18, 2009

Ânderson Foca, o Jomardo Jomas brasileiro, o rei dos baixinhos do rock natalense, homem de visão e gordurinhas a mais, entrou na casa graças à adesão apaixonada dos seus inúmeros “amigos”(?) que prometem inclusive estar presentes com cartazes de apoio, caso nosso Mister Rocker vá para o paredão alguma vez.

 

Foca promete "tocar o terror!" na sua participação no BBN 2010.

O placar foi quase uma nomeação:

Foca —> 10 votos.

Alex Padang —> 01 voto.

Cláudio Porpino —> 01 voto.

Agora já são 2 membros garantidos nas crônicas do BIG BRÓDER NATAL 2010.

E quem quiser, já pode escolher o terceiro participante. As celebridades postulantes à terceira vaga são Tom do Cajueiro, Danusa de Salles e Marcelus Bob.

Escolha já o seu comentando nesta postagem e vamos pra frente!

BIG BRÓDER NATAL VOTAÇÃO 3 de 12:

Tom do Cajueiro X Danusa de Salles X Marcelus Bob

Cantos das Cidades 9 – Falta de sol (PE)

novembro 17, 2009

Vista de Olinda

Pernambuco é um dos Estados brasileiros mais férteis no que toca a criatividade. Ainda mais que eu já viajei muitas vezes a turismo ou a trabalho, tendo conhecido lugares e pessoas. Ali, fiz amigos que sempre proporcionam reencontros festivos em almoços lamentavelmente curtos ou noites ébrias e efusivamente longas. Porém, mesmo com tantos conhecidos na capital pernambucana ou recifenses residentes em Natal, tive extrema dificuldade em encontrar alguém disposto a me ajudar a escrever uma história que se passasse naquelas terras. Tentei com os companheiros Rafoso, depois com a redatora publicitária Juliana Lisboa, em seguida com o diretor de criação Cristiano de Souza e, por fim, com o analista de sistemas Gil Limpeza. Todos se dispuseram, num primeiro momento a ajudar-me, para depois ignorarem solenemente meus apelos.

Até que decidi quebrar uma regra que havia me auto-imposto na elaboração dos contos deste livro. Resolvi apelar para um amigo escritor, algo que eu, a princípio preferia não fazer, dando a oportunidade de que outras pessoas participassem da brincadeira. Foi aí que entrou em campo o romancista, publicitário e jornalista Paulo Costa, ou Costner para alguns amigos do tempo em que ele viveu em Natal. Mandei para ele os dois contos que havia escrito, passados em Pernambuco. O primeiro se baseia na música “Falta de Sol” do Eddie e se passa em Olinda. É  a história de Flor, uma mulher que decide se alimentar de luz. O segundo, se passa em Recife, mas não vou falar dele agora. Esta postagem serve para que eu dê a ótima notícia de que Paulo teve palavra e foi rápido na contribuição que fez nos contos, incluiu partes essenciais para as narrativas e melhorou (e muito) as histórias.

 

Paulo Costa, embaixador de Pernambuco no "Cantos das Cidades", co-autor de dois contos do livro.

Afirmo, feliz da vida, que “Falta de Sol” será um dos melhores contos do “Cantos das Cidades”.

 Confiram agora um aperitivo rápido:

 “…Flor queria encarar seu novo momento com seriedade, com profundidade. Passaria a habitar um plano acima dos demais, em paz consigo mesmo, com a vida e com os outros seres humanos que são, tipo assim, criaturas lindas de Deus, sabe?

 Já que ia mesmo se alimentar de luz, Flor deveria tomar cuidado para não exagerar na dose. O verão chegou com força em Olinda naquele ano e Flor não podia sair por aí a toda hora, subindo e descendo ladeira sob o risco de terminar a estação bastante rechonchudinha, vermelha como camarão de praia, aqueles cozidos na água e sal, que passam o fim de semana tomando sol no plástico dos ambulantes. Era preciso seguir uma dieta balanceada de complexos UVA e vitaminas UVB, além de raios de fim de tarde, que são bem menos gordurosos do que as lipídicas radiações a que nos submetemos entre as 10 da manhã e as 14 horas. Se quiser tomar um milk shake de colesterol solar, sugiro que saia da sombra ao meio dia. Seria um almoço nada nutritivo pra você. O mundo poderia ser mais feliz sem fome, com todo mundo irradiando luz, alimentando-se de sol…”

 Obrigado, Paulo, autor do livro “Balada para uma serpente” e responsável pelos seguintes endereços virtuais:

www.blogpaulocosta.blogspot.com
(Meu portfolio: vídeos, projetos de televisão, documentários, campanhas políticas e publicidade)

www.myspace.com/paulocosta62
(Criações para rádio)

www.comunicausos.blogspot.com
(Ideias e novidades da comunicação)

www.baladaserpente.blogspot.com
(Versão virtual do meu livro publicado pela Bagaço, em 2001. Policial noir ambientado na cena mangue)

E obrigado ao Eddie por ter composto essa música que gosto tanto.

Campeonato Brasileiro do Nordeste

novembro 16, 2009

22 - mapa_nordeste

Esta temporada não está sendo nada boa para o futebol do Nordeste em âmbito nacional. Um ano que começou com o Sport fazendo bonito na Libertadores e o Fortaleza avançando longe na Copa do Brasil acaba com um festival de equipes rebaixadas na região. Da série A para a B, caem dois dos três nordestinos que disputam o torneio. Da segundona para a Série C a situação é ainda pior, com possibilidades reais de que os quatro degolados sejam da terrinha.

Mesmo com o ASA de Alagoas e o Icasa do Ceará subindo da C para a B, ou com o Ceará cotadíssimo para voltar à elite em 2010, a diminuição no já inexistente protagonismo nordestino no futebol brasileiro é claríssima e progressiva. Os únicos campeonatos que podem ser vencidos pelas nossas equipes são os deficitários estaduais, cada vez mais esvaziados e deixados de lado pelo público. Esses torneios, inchados e desprestigiados, só dão despesas aos clubes com suas arquibancadas vazias e, a não ser nos clássicos, provocm algum interesse nos torcedores.

É que aquele axioma repetido exaustivamente de que “não existe mais bobo no futebol” pode ser aplicado ao torcedor moderno sem nehum retoque. O povo não é burro, diz a sabedoria popular. Ele sabe que a maioria dos jogos dos torneios domésticos não vale absolutamente nada, que os dirigentes enchem linguiça em disputas irrelevantes e que apenas as partidas entre as equipes mais fortes e tradicionais, salvo exceções, decidem alguma coisa. Daí, acaba se resguardando para as fases decisivas.

O sucesso no Brasil do campeonato dos pontos corridos é uma prova dessa inteligência da massa. Quando percebeu que a coisa era séria, organizada e que havia uma continuidade, o público respondeu, enchendo os estádios. Agora, todos os clubes da série A se mantém ativos até o final do torneio e a disputa se espalhou para várias partes da tábua de classificação. Tem briga lá embaixo para não cair, briga no meio para tentar ir à Sul-Americana e, claro, lá em cima para ver quem leva a taça. As pessoas sabem valorizar a emoção que o campeonato transmite, aprendeu com a continuidade e a criação de uma “cultura dos pontos corridos” que agora todos os jogos valem.

Um outro exemplo singelo é que hoje em dia não existem mais invasões de campo ou objetos jogados com a profusão que havia antes. Pelo simples fato de que, hoje, a torcida que jogar algo em campo é punida com a perda de mando de campo do seu time. Eu já presenciei nas arquibancadas, alguém tentar jogar uma garrafa de plástico no gramado e ser hostilizado por dezenas de torcedores em volta. Isso é o resultado de uma regra clara e sua aplicação prática. E também um exemplo de que a “massa ignara” não é tão desprovida de raciocínio como julgam alguns desinformados.

A verdade é que, na atual conjuntura do futebol brasileiro e diante da evolução gradativa e processo de organização por que passamos, os campeonatos estaduais não servem pra muita coisa a não ser para endividar os clubes e preencher as datas de um calendário que mantém as migalhas de poder nas mãos das federações estaduais, cujos presidentes não passam de meros fantoches da CBF. Os campeonatos dos estados poderiam muito bem ter um mês a menos que não faria nenhuma falta, além de podermos ter mais datas para o brasileirão, libertadores, copa do brasil e sul americana. Enfim, mais racionalidade no calendário.

Então, se a situação está tão ruim na região, por que não mudar? Mas uma mudança profunda, importante, no sentido de desenvolver os clubes, forçá-los a se organizarem, motivar seus torcedores e afirmar o nordeste como uma referência no futebol, pois o nosso povo também gosta de lotar os estádios. Uma alteração de rumo como essas, evidentemente, teria que descontentar alguns e romper com o sistema vigente, mas seria por uma boa causa. A ideia que lanço para discussão é a disputa de um “Campeonato Brasileiro do Nordeste”.

Seria assim: 16 clubes de todos os Estados na série A e mais 16 clubes na série B jogariam em turno e returno no sistema de pontos corridos. Para dar maior dinamismo e emoção, cairiam e subiriam quatro equipes, ou seja, 25% dos disputantes mudaria de série a cada ano. Paralelamente, havera a disputa da “Copa do Nordeste”, nos moldes da Copa do Brasil, com as 32 equipes das duas séries em disputas eliminatórias de ida e volta.

O período de realização poderia se iniciar no início do ano, onde continuaria ocorrendo os estaduais, mas disputados por equipes que não entrassem nas séries A e B. Já a duração poderia ser o ano inteiro, com jogos nos fins de semana pelo Campeonato do Nordeste e nos meios de semana para a Copa do Nordeste, num calendário racional, planejado e formado por jogos que valeriam sempre.

Campeonatos assim seriam emocionantes, com equipes tradicionais como Bahia, Sport, Ceará, América, Vitória, Náutico, Santa Cruz e por aí vai. Teríamos os estádios sempre cheios, os clubes seriam os donos da Liga e negociariam os direitos de televisionamento. Uma nova era de organização, equilíbrio nas finanças e prosperidade se anunciaria.

É claro que todos estariam sujeitos às sanções da CBF, que os clubes do Nordeste cairiam na ilegalidade, que não poderiam ceder jogadores à seleção, que haveria pressão política pesada por parte de Ricardo Texeira e os presidentes de federações desesperados com a perda do poder, que alguns clubes resistiriam a aderir num primeiro momento…, mas qual a mudança profunda que não cause alguns transtornos e muitos incômodos? Qual revolução não se faz com sacrifícios?

 A criação desta Liga do Nordeste e de dois campeonatos como o “Campeonato do Nordeste” e a “Copa do Nordeste” seriam benéficos para todo o país, uma vez que gerariam mais empregos para profissionais do futebol como técnicos e jogadores, por exemplo. É que as vagas deixadas pelos clubes do Nordeste no Campeonato Brasileiro seriam, naturalmente preenchidas por outros times e a organização dos novos torneios terminaria por gerar rceitas como a procura pelos produtos licenciados dos clubes, provocados por uma torcida motivada e feliz com o êxito da competição. Com campeonatos e clubes organizados, empresas se interessariam em patrocinar as equipes e seguramente as TVs cobririam os jogos.

É uma utopia essa ideia? É uma situação quase impossível de acontecer? Sim, talvez. Mas eu acho que seria uma grande (R)evolução para o futebol da região. Uma declaração de independência de nossos clubes. Sustento que a saída para o Nordeste está em si mesmo e não lá fora. Está lançada a discussão. O fato é que precisamos mudar de rumo. Essa queda em massa de nossos times e a ausência de luz no fim do túnel é que não é nem um pouco saudável.