Campeonato Brasileiro do Nordeste

22 - mapa_nordeste

Esta temporada não está sendo nada boa para o futebol do Nordeste em âmbito nacional. Um ano que começou com o Sport fazendo bonito na Libertadores e o Fortaleza avançando longe na Copa do Brasil acaba com um festival de equipes rebaixadas na região. Da série A para a B, caem dois dos três nordestinos que disputam o torneio. Da segundona para a Série C a situação é ainda pior, com possibilidades reais de que os quatro degolados sejam da terrinha.

Mesmo com o ASA de Alagoas e o Icasa do Ceará subindo da C para a B, ou com o Ceará cotadíssimo para voltar à elite em 2010, a diminuição no já inexistente protagonismo nordestino no futebol brasileiro é claríssima e progressiva. Os únicos campeonatos que podem ser vencidos pelas nossas equipes são os deficitários estaduais, cada vez mais esvaziados e deixados de lado pelo público. Esses torneios, inchados e desprestigiados, só dão despesas aos clubes com suas arquibancadas vazias e, a não ser nos clássicos, provocm algum interesse nos torcedores.

É que aquele axioma repetido exaustivamente de que “não existe mais bobo no futebol” pode ser aplicado ao torcedor moderno sem nehum retoque. O povo não é burro, diz a sabedoria popular. Ele sabe que a maioria dos jogos dos torneios domésticos não vale absolutamente nada, que os dirigentes enchem linguiça em disputas irrelevantes e que apenas as partidas entre as equipes mais fortes e tradicionais, salvo exceções, decidem alguma coisa. Daí, acaba se resguardando para as fases decisivas.

O sucesso no Brasil do campeonato dos pontos corridos é uma prova dessa inteligência da massa. Quando percebeu que a coisa era séria, organizada e que havia uma continuidade, o público respondeu, enchendo os estádios. Agora, todos os clubes da série A se mantém ativos até o final do torneio e a disputa se espalhou para várias partes da tábua de classificação. Tem briga lá embaixo para não cair, briga no meio para tentar ir à Sul-Americana e, claro, lá em cima para ver quem leva a taça. As pessoas sabem valorizar a emoção que o campeonato transmite, aprendeu com a continuidade e a criação de uma “cultura dos pontos corridos” que agora todos os jogos valem.

Um outro exemplo singelo é que hoje em dia não existem mais invasões de campo ou objetos jogados com a profusão que havia antes. Pelo simples fato de que, hoje, a torcida que jogar algo em campo é punida com a perda de mando de campo do seu time. Eu já presenciei nas arquibancadas, alguém tentar jogar uma garrafa de plástico no gramado e ser hostilizado por dezenas de torcedores em volta. Isso é o resultado de uma regra clara e sua aplicação prática. E também um exemplo de que a “massa ignara” não é tão desprovida de raciocínio como julgam alguns desinformados.

A verdade é que, na atual conjuntura do futebol brasileiro e diante da evolução gradativa e processo de organização por que passamos, os campeonatos estaduais não servem pra muita coisa a não ser para endividar os clubes e preencher as datas de um calendário que mantém as migalhas de poder nas mãos das federações estaduais, cujos presidentes não passam de meros fantoches da CBF. Os campeonatos dos estados poderiam muito bem ter um mês a menos que não faria nenhuma falta, além de podermos ter mais datas para o brasileirão, libertadores, copa do brasil e sul americana. Enfim, mais racionalidade no calendário.

Então, se a situação está tão ruim na região, por que não mudar? Mas uma mudança profunda, importante, no sentido de desenvolver os clubes, forçá-los a se organizarem, motivar seus torcedores e afirmar o nordeste como uma referência no futebol, pois o nosso povo também gosta de lotar os estádios. Uma alteração de rumo como essas, evidentemente, teria que descontentar alguns e romper com o sistema vigente, mas seria por uma boa causa. A ideia que lanço para discussão é a disputa de um “Campeonato Brasileiro do Nordeste”.

Seria assim: 16 clubes de todos os Estados na série A e mais 16 clubes na série B jogariam em turno e returno no sistema de pontos corridos. Para dar maior dinamismo e emoção, cairiam e subiriam quatro equipes, ou seja, 25% dos disputantes mudaria de série a cada ano. Paralelamente, havera a disputa da “Copa do Nordeste”, nos moldes da Copa do Brasil, com as 32 equipes das duas séries em disputas eliminatórias de ida e volta.

O período de realização poderia se iniciar no início do ano, onde continuaria ocorrendo os estaduais, mas disputados por equipes que não entrassem nas séries A e B. Já a duração poderia ser o ano inteiro, com jogos nos fins de semana pelo Campeonato do Nordeste e nos meios de semana para a Copa do Nordeste, num calendário racional, planejado e formado por jogos que valeriam sempre.

Campeonatos assim seriam emocionantes, com equipes tradicionais como Bahia, Sport, Ceará, América, Vitória, Náutico, Santa Cruz e por aí vai. Teríamos os estádios sempre cheios, os clubes seriam os donos da Liga e negociariam os direitos de televisionamento. Uma nova era de organização, equilíbrio nas finanças e prosperidade se anunciaria.

É claro que todos estariam sujeitos às sanções da CBF, que os clubes do Nordeste cairiam na ilegalidade, que não poderiam ceder jogadores à seleção, que haveria pressão política pesada por parte de Ricardo Texeira e os presidentes de federações desesperados com a perda do poder, que alguns clubes resistiriam a aderir num primeiro momento…, mas qual a mudança profunda que não cause alguns transtornos e muitos incômodos? Qual revolução não se faz com sacrifícios?

 A criação desta Liga do Nordeste e de dois campeonatos como o “Campeonato do Nordeste” e a “Copa do Nordeste” seriam benéficos para todo o país, uma vez que gerariam mais empregos para profissionais do futebol como técnicos e jogadores, por exemplo. É que as vagas deixadas pelos clubes do Nordeste no Campeonato Brasileiro seriam, naturalmente preenchidas por outros times e a organização dos novos torneios terminaria por gerar rceitas como a procura pelos produtos licenciados dos clubes, provocados por uma torcida motivada e feliz com o êxito da competição. Com campeonatos e clubes organizados, empresas se interessariam em patrocinar as equipes e seguramente as TVs cobririam os jogos.

É uma utopia essa ideia? É uma situação quase impossível de acontecer? Sim, talvez. Mas eu acho que seria uma grande (R)evolução para o futebol da região. Uma declaração de independência de nossos clubes. Sustento que a saída para o Nordeste está em si mesmo e não lá fora. Está lançada a discussão. O fato é que precisamos mudar de rumo. Essa queda em massa de nossos times e a ausência de luz no fim do túnel é que não é nem um pouco saudável.

Anúncios

Tags: , ,

2 Respostas to “Campeonato Brasileiro do Nordeste”

  1. Bacteria Says:

    Eu sou todo a favor de uma copa nordeste

  2. Renan Says:

    EU sou todo a favor do nordetão (2)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: