Coluna da Digi # 9 – Troféus

 No dia 15 de outubro de 2007, publiquei minha 9ª coluna na Diginet. Uma crônica simplezinha que falava do carinho que tenho pelos livros que leio.

***

Troféus

Tenho uma relação muito especial com os livros para sair emprestando por aí. Quando compro um novo exemplar, entrego-me à leitura com voracidade. Cada livro é um novo desafio que o leitor e bibliófilo supera a cada página e, ao concluir a leitura, merecem ser expostos em local de destaque, como um troféu de competição esportiva ou um marlin azul pescado à unha, um leão abatido a tiros num safári por um fã de Hemmingway. Assim que eu leio um novo livro, ele ganha um lugar na estante e não gosto que saia de lá a não ser para reler ou consultar.

Dói no coração de qualquer amante das letras e dos códices que reúnem todas elas nas melhores combinações possíveis ver alguém que não tem o mesmo nível de envolvimento amassar, dobrar, maltratar um volume, qualquer que seja. Mesmo que de auto-ajuda, mesmo que de um acéfalo escritor de best-sellers. Livro é livro e merece respeito, consideração e carinho.

Um amigo rebateu certa vez essa posição. “Mas se você já leu o livro por que não emprestar? Por que não dar a outra pessoa a oportunidade de ler uma boa obra?” Ora, ora, ora… Porque um livro é um objeto quase místico. O que ele transmite vai além das letras e um bom livro gera afeição, cria elos, merece registro. E, como em tudo que envolve o amor e outros sentimentos nobres, sobre as obras literárias paira a sombra do ciúme. É uma relação de exclusividade, de monogamia, de nenhuma promiscuidade. Emprestar só em casos extremos. Para alguém que ame os livros tanto quanto você ou em situação de total má intenção, quando a beneficiária ou beneficiário do empréstimo for alguém muito especial.

Isso sem falar do caminho sem volta que as obras costumam trilhar. Se um livro vai, dificilmente retorna às suas mãos em pouco tempo. Isso quando retorna. E muitas vezes, até que volta, mas com marcas irreparáveis em suas maltratadas páginas. Emprestar livros é sempre um calvário e uma lição de que não se deve fazê-lo.

Por tudo isso: um pouco de capricho, um tanto de egoísmo e muito cuidado, não empresto mesmo. Nem adianta insistir. Prefiro acrescentar mais troféus a minha sala e celebrar cada vitória, cada triunfo que a leitura de mais um livro me deu.

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3 Respostas to “Coluna da Digi # 9 – Troféus”

  1. Mimi Says:

    E o que você faz com aqueles livros que você não gostou?????

  2. Carlos Fialho Says:

    Eu devolvo à seção de Mais Vendidos. 😛
    Se o livro for ruim mesmo (pelo menos para mim), procuro saber alguém que goste daquele estilo ou daquele autor e lhe presenteio com o o volume. OPA!

  3. Araceli Sobreira Says:

    Olá, Fialho,

    visitinha mensal para conferir as novidades. Breve comentário: chego a ponto de sentir falta daqueles raros livros que empresto! É uma sensação de poder ter. Parece besteira, mas isso acontece! Abraço.

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