Laranja Mecânica – Trechos

Semana passada expiei mais um pecado literário. Li o romance “Laranja Mecânica” do inglês Anthony Burgess e meu cérebro deu voltas em torno do seu eixo. Fui arrebatado não só pelo maravilhoso livro, mas também pela magistral tradução. Hoje devo escrever uma crônica abordando a obra, o autor, o tradutor (Professor Fábio Fernandes, Doutor pela USP) e a impressão que essa leitura me deixou. Já adianto que na lista dos 5 melhores livros lidos este ano, entra fácil, assim como “O Homem do Castelo Alto” de Philip K. Dick, coincidentemente publicado no Brasil pela mesma editora de “Laranja Mecânica”, Editora Aleph.

Por hoje, divido aqui alguns trechos do romance com vocês.

Aproveitem:

***

“Irmãos, esse negócio de ficar roendo as unhas dos pés sobre qual é a causa da maldade é que me torna um rapaz risonho. Eles não procuram saber qual é a causa da bondade, então por que ir à outra loja? Se os plebeus são bons é porque eles gostam, e eu jamais iria interferir em seus prazeres, e o mesmo vale para a outra loja. E eu frequento a outra loja. E mais: a maldade vem de dentro, do eu, de mim ou de você totalmente sozinhos, e esse eu é criado pelo velho Deus, e é seu grande orgulho. Mas o “não-eu” não pode ter o mau, quer dizer, eles lá do governo e os juízes e as escolas não conseguem permitir o mau porque não conseguem permitir o eu. E não é a nossa história moderna, meus irmãos, a história de alguns bravos eus combatendo essas grandes máquinas? Estou falando sério sobre isso com vocês, irmãos. Mas eu faço o que faço porque gosto.”

“O dia era muito diferente da noite. A noite pertencia a mim e aos meus amigos e a todo o resto dos jovens, e os burgueses velhos espreitavam dentro de suas casas, bebendo das transmissões mundiais idiotas, mas o dia era dos velhos e sempre parecia ter mais policiais durante o dia também.”

“A questão é se uma técnica dessas pode realmente fazer um homem bom. A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.”

“Você está passando agora para uma região que está além do alcance do poder da oração. Uma coisa terrível, terrível de se pensar. E mesmo assim, sob um certo ponto de vista, ao ser privado de fazer uma escolha ética, você, de certa forma, escolheu o bem. Eu gostaria de crer nisso.”

“É gozado como as cores do mundo real só parecem reais de verdade quando você as vê na tela.”

“ –Isso foi há dois anos. Já fui castigado desde então. Aprendi minha lição.

– Castigo? Gente da sua laia devia ser exterminada, assim como muitas pragas incômodas.”

“Você pecou, suponho, mas o seu castigo foi além de qualquer proporção. Eles transformaram você em alguma coisa que não é um ser humano. Você está comprometido com atos socialmente aceitáveis, uma maquininha capaz de fazer somente o bem. Música, sexo, literatura e arte, tudo agora dever ser fonte não de prazer, mas de dor.”

“Alguns de nós têm que lutar. Existem grandes tradições de liberdade a defender. Não sou homem de partidos políticos. Onde vejo a infâmia, busco erradicá-la. Os partidos políticos não significam nada. A tradição da liberdade significa tudo. As pessoas comuns deixarão isso passar. Elas venderão a liberdade por uma vida mais tranquila.”

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Uma resposta to “Laranja Mecânica – Trechos”

  1. osssmand Says:

    Ótimo livro, assisti o filme que também é uma obra prima. Recomendo.

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