Coluna da Digi # 10 – Copa de 2014. A roubalheira vai começar.

Em 29 de outubro de 2007, escrevi a primeira crônica sobre a Copa 2014. Falava da farra de dinheiro público que seria fácil de supor a partir da escolha do Brasil como sede. Hoje, mais de 2 anos depois, infelizmente ficou provado que eu estava correto. Como se vê, no futebol, nem tudo é uma caixinha de surpresas. Algumas vezes é uma caixinha registradora mesmo.

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Copa 2014. A roubalheira vai começar!

Bem, amigos da Diginet! Estamos aqui para curtir ao vivo todas as emoções da Copa do Mundo do Brasil! Uma competição inédita! Cheia de jogadas inesquecíveis protagonizadas pelos nossos cartolas, chapéus inenarráveis dados nos torcedores (e contribuintes) brasileiros e dribles espetaculares nas leis de responsabilidade fiscal e na probidade administrativa.

Afinal de contas, antes de ser o país do futebol e a pátria de chuteiras, somos a nação da roubalheira. Os torcedores gostam de ver e de jogar bola, mas os dirigentes querem mesmo é levar umas boladas e não poupam esforços em armar suas jogadas nos bastidores. O futebol é mais um retrato fiel do brasileiro. Uma contradição ambulante e uniformizada. Somos o país do “Pelé eterno”, mas também do “Pelé de terno”. O jogador que encantou o mundo com seus lances geniais é o mesmo homem que se envolve em negociatas escusas, dando, na vida, as pisadas na bola que não deu em campo.

Como explicar que uma entidade como a CBF, que cobra até US$ 1 milhão por um amistoso da seleção, fatura alto em direitos de transmissão, fechou um contrato milionário com uma empresa suíça e vende produtos em todo o mundo, feche o balanço todos os anos com enormes prejuízos? E como essas contas absurdas e hediondas são aprovadas por unanimidade por todos os presidentes de federações? Como é que o presidente da entidade, o senhor Ricardo Texeira, a despeito de todos esses sucessivos prejuízos, multiplicou seu patrimônio desde que assumiu o cargo?

E, vejam vocês, não é que o senhor presidente quer construir estádios em quase todas as cidades sedes da Copa? Ora, ora, ora. Construir estádios? Voltemos no tempo, amigos. Sei que o brasileiro médio não tem memória, mas este colunista aqui se lembra muito bem do longínquo ano de 2007 depois de Cristo. Naquele ano, foi realizado um evento esportivo muito importante no Brasil e construído um estádio de futebol. Essa praça de esportes construída no Rio de Janeiro e que acabou custando muito mais do que o previsto. Aliás, o evento todo, que deveria sair por cerca de R$ 300 milhões, acabou custando a você e a mim, nada menos que R$ 3 bilhões! Sério, ainda estou pagando as prestações. Você não?

Imaginem vocês como vai ser se construírem estádios em todas as capitais que recebam jogos? Como não vai ser a farra com o dinheiro público, senhores? Serão bilhões embolsados em todo território nacional, sob o pretexto de terem sido investidos em concreto e com a justificativa da arte. Por isso que todo mundo quer jogos em suas cidades. Tem até um garboso deputado conterrâneo que recebeu o mandato de presente do papai levantando essa bandeira em prol do RN. Bem, no caso dele pode ser tanto uma saída pela total falta de discurso ou vontade de ficar com uma fatia do bolo também.

Natal sede de Copa do Mundo? É pra rir ou é pra chorar? Se os dirigentes papa-jerimuns não conseguem organizar nem uma fila de jogo de série A (perguntem a qualquer um que foi ver América x Flamengo), eles vão se sair bem num jogo de Copa? Fala sério! Aliás, por falar em cartolas potiguares, alguém aí sabe dizer se a federação local já explicou as acusações de corrupção feitas pelo Ministério Público e divulgadas nacionalmente pela ESPN? E a renda do jogo entre Vasco x Baraúnas? Apareceu?  

Outro péssimo indício desta Copa de 2014 é a presença de políticos. Alguém aí consegue imaginar o José Serra ou o Aécio Neves numa arquibancada de estádio com interesse sincero em acompanhar seus times? Que paixão avassaladora foi essa que despertou nos corações de ambos pelo centenário esporte bretão? O Aécio a gente até sabe que gosta de umas peladas, mas ali é diferente. E o governador do Amazonas?! Teve a cara de pau de dizer que será bom para a preservação das florestas se Manaus for uma das sedes. Quase que eu saio correndo comprar um nariz de palhaço quando ouvi isso.

Ah, e tem o Paulo Coelho também. O bruxo, clone do Peter Gabriel, que foi ensinar a todos a mágica do desaparecimento das rendas. Aliás, será que foi isso? Pois desconfio que nossos cartolas já saibam essa mágica faz tempo.

Pois é isso, meus amigos! A confirmação de mais uma Copa do Mundo no Brasil foi feita. E com esse anúncio caiu por terra uma das máximas recentes do esporte: “Não tem mais bobo no futebol.” Na verdade, tem sim: o torcedor.

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