Archive for janeiro \30\+00:00 2010

FÉRIAS!!!

janeiro 30, 2010

Jovens, resolvi tirar uns diazinhos de folga até depois do carnaval. Farei apenas algumas incursões laborais para publicar as crônicas do Big Bróder Natown que já se aproxima do seu final lá no portal da Digi (www.diginet.com.br).

Um abraço a todos e voltem na quinta de cinzas, pois prometo novidades novas e cousas danadas de bouas!

Coluna da Digi # 25 – Meu pai e Cláudia Leitte

janeiro 23, 2010

Esta crônica foi publicada na Digi no dia 25 de fevereiro de 2008 e também na Revista Papangu, uma das melhores publicações culturais do Rio Grande do Norte. Foi uma alfinetada na câmara municipal de Natal que, na falta de uma lavagem de roupa gosta de propor essas maravilhas de alterar nomes de ruas tradicionais ou distribuir títulode cidadão natalense aos puxadores de blocos carnatalescos.

Relembrem e divirtam-se!

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Meu pai e Cláudia Leitte

“Vendo título de cidadão natalense em bom estado, com uns 8 anos de uso e único dono, preço a combinar.” Esse é o texto do anúncio que devo botar nos classificados nos próximos dias. Na verdade, o título não é meu. Eu realmente nasci em Natal. Quem foi agraciado com ele foi o meu pai, numa bonita e pomposa cerimônia em outubro de 2000. Na época, eu me lembro, ele ficou muito feliz. Vestiu-se elegantemente e foi à Câmara dos Vereadores receber o título com muito orgulho e uma boa dose de emoção. Fui junto, prestigiá-lo nesse momento tão importante cheio de significado, já que receberia uma bonita homenagem da cidade onde passou a maior parte de sua vida, onde trabalhou duro, cresceu profissionalmente e construiu boas relações e sólidas amizades.

Então, você deve estar se perguntando, por que o meu pai quer se desfazer do título de cidadão natalense se ele foi motivo de tanta alegria? É que, nos últimos anos, os ocupantes da câmara, aos quais me refiro carinhosamente como neo-concretistas (corta para os ícones da poesia concreta se revirando convulsivamente nos túmulos), têm desvalorizado de tal maneira a honraria que qualquer mariola de ontem ou pataca furada valem mais que o título.

A condecoração é oferecida pela Câmara Municipal a pessoas que prestaram relevantes serviços à cidade independente da área de atuação. Segundo o regimento interno da casa, basta haver uma maioria simples de votos dos vereadores para que o postulante seja agraciado como neo-natalense. E é esse o ponto de mutação da importância da comenda. De uns anos pra cá, porém, qualquer nãoseiquemzinho que aparece na mídia, qualquer puxador de trio elétrico, ex-big bróder, nutricionista da Fat Family ou dançarina do Caldeirão do Huck pode ser considerado apto a virar conterrâneo. Daqui a pouco vão apelidar o danado de resfriado, pois todo mundo pode ter a qualquer momento.

Se o título de cidadão natalense tivesse capital na bolsa, estaria valendo menos que a palavra dos senadores brasileiros e caindo de cotação. E a coisa piorou ainda mais depois que os vereadores concretistas começaram a agraciar todos os puxadores de blocos carnatalescos. A fórmula é simples: o político escolhe um artista ou personalidade com carisma junto ao público da cidade (e numa cidade em que o axé é adorado por boa parcela da população, qual seria a escolha mais óbvia? Ganha um título de cidadão natalense quem adivinhar.), propõe que o cara receba o título e fica bonito no retrato ao lado dele, se utilizando do carisma alheio, tentando transferir a simpatia do artista para si, associar sua imagem à dele.

Nessa leva de puxadores de bloco posso citar dois: Ricardo Chaves e Cláudia Leitte. O primeiro, pobrezinho, deve ter recebido o título como um asilo musical, uma acolhida calorosa, porque lá em Salvador, meu rei, ninguém quer mais saber do homem não. Inclusive, fontes confiáveis de águas termais me garantiram que ele se encontra morando em Natal, nos fundos do antigo bar do buraco ou no sub-solo do terreno onde ficava o Recanto do Garcia, que funcionam como um retiros de artistas decadentes, acolhendo, além do próprio cantor, o lambadeiro Beto Barbosa e algumas bandas de Rock como o Biquíni Cavadão e Capital Inicial.

Já a vocalista da banda Babado Novo, que eu saiba, nunca prestou nenhum serviço de relevância para nossa cidade. Além de vir a trabalho todos os anos, cantando no corredor da folia, não sei o que ela faz pela terrinha. O fato é que sua recente premiação foi comercialmente ruim para as pretensões do meu pai. Acredito que ninguém vai querer comprar o título dele. Mas do jeito que a coisa vai, é capaz de ele aceitar uma permuta. Eu, por exemplo, estou quase recebendo um título de persona non grata por causa de alguns textos que tenho publicado na Digi. Vou oferecer a ele para poder ficar com o título. Será que ele topa essa troca?

Nos Blogues dos Caras – Bortolotto e Sérgio Vilar

janeiro 21, 2010

Esta semana quero fazer a indicação de 2 blogues que tiveram postagens muito legais esta semana. O primeiro deles foi o “Atire no Dramaturgo” do Mário Bortolotto. Na postagem “O Jornalismo Mauricinho“, de 16 de janeiro, ele conta como a Folha de São Paulo tenta manchar sua imagem por ele não ter concedido uma entrevista exclusiva. O texto é sensacional e carregado de emoção, de raiva, de sentimento de injustiça do artista ante o poder do veículo que tenta demoralizá-lo. Vale conferir.

Antes que alguém pense que o título do blogue é alguma brincadeira autodepreciativa de humor negro, apresso em dizer que o espaço sempre teve este nome. Numa postagem anterior, “Esclarecendo“, publicada em 5 de janeiro, Bortolotto explica a casualidade.

A outra dica que dou aos senhores é “O Diário do Tempo“, ótimo blogue de jornalismo cultural mantido por Sérgio Vilar. Na postagem de ontem, o talentoso repórter publicou um texto primoroso e bastante tocante sobre o rabequeiro Zé André que faleceu no último sábado.

Os atalhos de acesso seguem logo abaixo:

Atire no Dramaturgo – Mário Bortolotto

Diário do Tempo – Sérgio Vilar

E a partir de agora, estes dois blogues estarão entre os indicados ali do lado direito.

Orelha de “O Dia das Moscas”

janeiro 21, 2010

Esta postagem é uma continuação da anterior. Dessa vez, divido com vocês o texto que estampa a orelha da segunda edição de “O Dia das Moscas”. Meses depois de ter escrito a crônica “E o Ojuara, hein?”, quando já estávamos pré-produzindo a nova edição do livro de Nei Leandro, recebi um convite que me deixou muito feliz. Nei queria que eu próprio escrevesse a orelha da obra. Uma honra da qual inicialmente declinei, mas ele insistiu e acabei cedendo. (Na verdade, nem precisou insistir tanto não.).

O resultado é o texto “Uma Grande Família” que publico logo abaixo.

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Uma Grande Família 

Senhoras e senhores, meninos e donzelas (todas as 6), sejam todos muito bem vindos à nação dos Potiguares, que começa “aquém, muito aquém daquela serra que não dá pra ver daqui”. Foi lá que o caçador de socós Cançado avistou a índia Hosana. Tesão à primeira vista e sem muito enfado. Naquele dia mesmo começaram a produção em série de uma enorme prole. “…corpo fértil que só a carta de Caminha, nunca se viu igual.”, conforme conta Nei Leandro de Castro, com seu jeito único de envolver o leitor, nos fazendo sentir como membros daquela família, personagens da saga, testemunhas oculares de todos os causos criados.

E do generoso ventre de Hosana, veio ao mundo Anunciada, que cresceu e se engraçou pelo tabelião Honório, homem metódico de fala difícil que fez com ela tantos filhos quanto as letras do alfabeto. Aquela turba de mestiços, de sangue indígena e luso, encheu a casa da família de alegria e confusão, cada um a sua maneira, cada um com suas doidices e mungangas, cada um com suas angústias, todos encenando a mesma história.

Em “O Dia das Moscas”, o autor narra magistralmente a divertida trajetória da formação do povo brasileiro, a história do surgimento de uma nação, um romance de maus costumes. Uma narrativa já contada e recontada, mas nunca dessa forma, não com essa inventividade. Aqui, Iracema não exibe seus cabelos negros como as asas da graúna, nem sacia nossos anseios voyerísticos com seus lábios de mel. Mas temos uma índia gorda e parideira de peitos caídos que de virgem não tem nada. Em “O Dia das Moscas”, Peri não beija Ceci, mas Hosana é champrada por Cançado ali mesmo, às margens do rio.

E assim, como quem não quer nada, divertindo mais e mais a cada página, Nei Leandro expõe os galhos de nossa árvore genealógica. Apresenta-nos uma infinidade de parentes, neo-macunaímas aos montes, heróis sem nenhum caráter, figuras ímpares e aos pares, sempre pensando numa nova artimanha, tentando ser mais espertos, cheios de malícia e safadeza, libidinosos e presepeiros.

Por isso, deixo aqui um aviso. Não estranhem se os personagens lhe parecerem familiares demais. Nei Leandro não nos fez sentir membros da família a toa. Na verdade, somos nós mesmos os personagens deste livro. E agora, vamos ao que interessa! Tenham todos uma ótima leitura e divirtam-se!

Carlos Fialho

Natal, julho de 2008.

Coluna da Digi # 24 – E o Ojuara, hein?

janeiro 21, 2010

O autor clicado pelas mãos divinas de Giovanni Sérgio.

No dia 18 de fevereiro de 2008, prestei uma homenagem a Nei Leandro de Castro, com quem acabava de fechar um acordo de publicar pelo selo Jovens Escribas. O título republicado seria o seu primeiro romance, “O Dia das Moscas”. Para nós, um motivo de orgulho, para ele um sinal claro de rejuvenescimento, uma vez que publicaria uma obra pelo nosso jovem (no nome e nas ações) selo literário. E entrevistas na época do lançamento, ele chegou a declarar: “Publico pelos Jovens Escribas porque também sou jovem. Pode publicar aí que estou com 27 anos”.

No meu caso particular, qualquer homenagem que eu faça a Nei é pouca, uma vez que foi ele quem me incentivou a publicar meu primeiro livro, comprometendo-se inclusive a escrever a orelha. Na época, ele escreveu que o livro (Verão Veraneio, crônicas, 2004) era muito bom e merecia publicação. Levando-se em consideração a origem do elogio, essa cônica/homenagem postada na Digi foi muito pouco.

Boa leitura.

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E o Ojuara, hein?

Nei Leandro de Castro é um sedutor. Seduz inescrupulosamente em prosa e verso. Escandaliza a sociedade potiguar, conservadora, católica, puritana, ao cativar menininhas e fazê-las se apaixonarem por seus personagens, suas tramas envolventes, cheias de imaginação e criatividade ímpar. A sensualidade também está presente e faz as jovens moçoilas flutuarem sem sair do chão, sonhando com aqueles personagens fortes e cheios de atitude, fazendo seus corpos juvenis revelarem reações até então desconhecidas para elas, como novos odores de mulher e algumas partes de suas anatomias implorando por um contato mais demorado, um toque mais carinhoso.

Pesquisador e excelente autor de poesias eróticas, o escritor faz as garotas morderem maliciosamente os lábios carnudos à simples menção do amor na poesia. Ele nos convida a todos para passear por zonas fascinantes e erógenas. E as meninas da cidade, pasmem senhoras e senhores de alta estirpe, aceitam o convite. Partem em sua companhia para ouvirem histórias de ninar que parecem cochichos lascivos nos dóceis e virgens ouvidos onde nunca penetrou um verso erótico, um soneto luxurioso, um falo de poema. Elas param e se abrem todas para ouvir que Era Uma Vez Eros.

Por ser tão sedutor, é natural que seus filhos também o sejam. E quando me refiro a filhos, falo figurativamente dos personagens que atraem cada dia mais fãs e amarram os corações das menininhas. Sejam os adeptos da Intentona Comunista de 35, heróis em sua tentativa de converter nossas claras e brilhantes dunas em aclives rubros de sangue e luta. Ou ainda os inúmeros protagonistas anônimos de um diário íntimo que contempla a palavra e a beleza em versos fascinantes.

Mas o mais ilustre deles continua sendo Ojuara, um nativo de Jardim dos Pirancós, bom de briga, de cachaça e doido por um cabaré. Caboclo que andou pelo sertão e, depois de sua passagem, o sertão nunca mais foi o mesmo. A história de Ojuara foi lida, cultuada e contada por milhares de potiguares. Ano passado o nosso herói sertanejo, que desafiou perigos, feras perigosas, encantou-se com os versos de poetas populares e chafurdou nos braços das belas moças de vida fácil e sofrida do interior, ganhou ainda o Brasil nas telas do cinema e numa novíssima edição do livro que nos seduziu a todos.

O filme e a nova edição das Pelejas foram um importante episódio para a literatura potiguar. Marcaram a partida de Ojuara que saiu para conquistar o país todinho com a mesma competência de quem já mandava soltar e prender nas terras de Cascudo, Luís Carlos Guimarães, Chico Doido de Caicó e, é claro, Nei Leandro de Castro. Mas tenham cuidado com Ojuara. É um cabra valente, mas danado pra mexer com as cabeças das meninas. Sabe como é, né? Tal pai, tal filho.

Palumbo 1 – Nossa amarga docilidade.

janeiro 18, 2010

No meio de 2009, o professor Tarcísio Gurgel me escreveu um e-mail falando de seu novo livro e, no meio, dizia: “…inclusive tenho um assunto pra tratar com você. É a respeito de um projeto no qual estou metido agora que saí da universidade.” Eu não sabia que projeto era esse e esqueci de perguntar, até que soube da Revista Palumbo e imaginei que receberia um convite para colaborar. Fiquei ansioso, pois pelo que li no blogue de Sérgio Vilar, a editoria teria Osair Vasconcelos, Dácio Galvão e Albimar Furtado, além do próprio Tarcísio. Só fera.

Um dia, chegou um e-mail/convite. Osair Vasconcelos me encomendou uma visão de Natal desde fora, feita sob o ângulo de quem há 6 meses saiu da cidade. E assim surgiu minha primeira colaboração com a Revista Palumbo. Agora, que um novo número (o terceiro já) está sendo produzido, divido com vocês o texto impresso na publicação.

Espero que gostem.

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Nossa amarga docilidade.

O Forte dos Reis Magos, símbolo de uma Natal que um dia resistiu e um natalense em sua posição preferida e habitual.

Em 2007, a caminho da Feira do Livro de Mossoró, o escritor carioca João Paulo Cuenca passou uns dias em Natal. Na ocasião, ele falou sobre uma viagem que havia feito recentemente ao Japão. Perguntado sobre o que aprendeu a respeito do país do Godzila, ele surpreendeu na resposta. “Na verdade, aprendi muito mais sobre o Brasil, estando lá. Foi um aprendizado por oposição.”, disse, para depois completar: “Por exemplo: vendo o mar de Natal eu me dei conta de como o mar do Rio é escuro. Porque a água de vocês é muito clarinha.”

Essas palavras entraram em minha cabeça e lá permaneceram como valiosa lição. Sempre que viajo por um período, curto que seja, procuro pensar em Natal, enxergar a cidade onde eu nasci e cresci sob a perspectiva aumentada da distância. É incrível a quantidade de atitudes simples e cotidianas que resultariam num lugar melhor para viver.

Para começar, vou repetir uma máxima que ouço desde os primeiros passos, no bairro do Alecrim. “Natal é a melhor cidade do mundo para se morar.” De fato. Temos praias belíssimas e centenas de quilômetros de litoral de norte a sul, um clima de verão permanente e uma característica imprescindível para que nos tornássemos uma potência turística: a docilidade de nossa gente.

No entanto, essa qualidade que possivelmente faz de nós a capital brasileira que melhor acolhe os visitantes é justamente a que também nos permite deitar eternamente no berço esplêndido do axioma inesgotável, repetido de geração em geração como um mantra: “é a melhor cidade do mundo… é a melhor cidade do mundo…”. Uma lavagem cerebral que nos subtrai qualquer traço de combatividade e, certos de que nunca deixaremos de ser os melhores, permitimos que os nossos gestores arranquem, serrem e derrubem quase todas as árvores da cidade e desenvolvam projetos de emissários submarinos para torpedear nossas praias com bombas de coliformes fecais.

Aqui em Madri, onde passo uma temporada de estudos e trabalho literário, percebo uma capital que, mesmo que quisesse, jamais conseguiria ser como a nossa. A eles não foi dado o clima, a natureza e o litoral. Mas verdade seja dita, compensam essas ausências com um esforço coletivo e institucional em criar um ambiente melhor para os seus moradores. Isso resulta em uma cidade extremamente arborizada, que recicla quase a totalidade do lixo que produz, que se gaba de ter um dos melhores transportes públicos do mundo e onde os serviços essenciais como educação, saúde e segurança pública são motivos de grande orgulho.

O que eu me perguntei quando cheguei foi: “Por que a minha cidade não pode ser assim?” Será que a defasagem no nível de desenvolvimento, a falta de educação do povo e a desumana distribuição de renda explicam tudo? Com o tempo, descobri que não. Há um fator muito mais decisivo para tudo isso. E ele não está no que somos, mas no que fazemos.

Aqui na Espanha não há ato de corrupção sem manifestação de repúdio e, em cada uma delas, acorrem milhares de cidadãos. Não há lei polêmica a ser votada sem que multidões deixem claro se são contra ou a favor. Nem mesmo um circo que aporte por aqui está livre de protestos contra a presença de animais selvagens. Diante de uma postura como essa fica fácil entender porque certas coisas que aqui vão muito bem e que poderiam também estar bem em Natal, simplesmente não funcionam.

De vez em quando surge uma pequena centelha, um fio de esperança que nos anima diante da possibilidade de fazermos uma cidade melhor. Um desses episódios ocorreu certa vez, quando um amigo meu passava pelas proximidades de um circo instalado vizinho ao Machadão. Havia um grupo de adolescentes ativistas dos direitos dos animais que protestava no local. Curioso com o fato inusitado numa terra tão letárgica, aproximou-se e uniu-se aos garotos na defesa de seus argumentos. Os funcionários do circo, fulos da vida, chamaram a polícia e o PM que atendeu à chamada foi bastante correto. “Eles não estão fazendo nada de errado. Estão protestando pacificamente e o circo está em local público.” Indignado e impotente, um dos tratadores de elefantes gritou para o meu amigo: “Vá embora seu maconheiro vagabundo!”, ao que ele respondeu: “Opa! Olha o respeito! Vagabundo não que eu trabalho!”

Infelizmente, poucas vezes nós temos a atitude que aqueles garotos tiveram diante do circo ou a iniciativa do meu amigo em juntar-se a eles. Sendo assim, seguimos com nossa docilidade, tão amena, agradável e autodestrutiva, nessa sociedade carnatalesca que, em sua absoluta imobilidade, trabalha para transformar a suposta “melhor cidade do mundo para morar” num medíocre lugar comum.

Quase Famosos

janeiro 16, 2010

Esta semana revi um dos filmes mais legais dos últimos 10 anos, “Almost Famous” de 2001. Uma história que se pode resumir como a saga de um garoto fanático por música e muito sortudo que participa de uma turnê com seus ídolos. Um ótimo roteiro e direção impecável pelas mãos do cuidadoso Cameron Crowe (Jerry Mguire, Elizabethtown…).

O filme é uma sucessão de cenas marcantes e também uma reunião de causos roqueiros contados durante décadas. Brigas de camarins, acidentes de palco, as famosas groupies (aqui com uma bela homenagem à canção Penny Lane dos Beatles) e o principal, os bons sentimentos que o Rock desperta em cada um de nós.

Se você ainda não viu, vá correndo assistir. Se você já viu faz tempo (como havia acontecido comigo) reveja. Vale muito a pena.

Deixo vocês com um trecho do filme que é a minha parte preferida. Depois de uma briga no camarim, na noite anterior, o guitarrista caiu na farra, tomou todas, se drogou e, no dia seguinte, com uma ressaca moral dos diabos, caiu na estrada com seus colegas. O que fazer para remediar a situação? O que poderia arrefecer os ânimos e restabelecer os sorrisos roqueiros? Se você respondeu “música”, parabéns.

Todo mundo cantando “Tiny Dancer” do Elton John é realmente contagiante. Dá vontade de cantar junto. Se isso acontece também com você, clique de novo no vídeo e cante junto. A letra está logo abaixo. Mas preste atenção que a moçada do ônibus pula um trecho para chegar logo no refrão.

Tiny Dancer (Elton John e Bernie Taupin)

Blue jean baby, L.A. lady, seamstress for the band
Pretty eyed, pirate smile, you’ll marry a music man
Ballerina, you must have seen her dancing in the sand
And now she’s in me, always with me, tiny dancer in my hand

Jesus freaks out in the street
Handing tickets out for God
Turning back she just laughs
The boulevard is not that bad

Piano man he makes his stand
In the auditorium
Looking on she sings the songs
The words she knows, the tune she hums

But oh how it feels so real
Lying here with no one near
Only you and you can hear me
When I say softly, slowly

Hold me closer tiny dancer
Count the headlights on the highway
Lay me down in sheets of linen
you had a busy day today

E aqui abaixo está a versão original do Elton John.

Coluna da Digi # 23 – Eu vi o amor.

janeiro 15, 2010

Essa foi uma das minhas crônicas que mais agradou a muitas pessoas. Fiquei feliz, pois trata de um tema mais sensível e intimista que acertou em cheio a uma categoria de leitores mais qualificada que muitos dos histéricos que acompanham as coluna da Digi ávidos por uma nova polêmica para fazer o circo pegar fogo. Gostei também porque me senti bem em ter escrito algo que indica uma certa versatilidade criativa. Esta crônica foi publicada no dia 11 de fevereiro de 2008, dias depois de eu ter presenciado de verdade a cena descrita. Ela também acabou entrando no livro “Mano Celo – O Rapper Natalense”.

Espero que gostem!

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Eu vi o amor.

Eu vi o amor. Aliás, tenho visto o amor todas as manhãs. Não reconheci de início, é verdade. já faz meses que cruzo com ele, mas só um dia desses me dei conta. É que o amor é assim mesmo: dissimulado. Anda por aí sempre fingindo não ser, disfarçando-se, misturando-se à multidão. Aí, quando você se dá conta, eles está lá, bem diante de seus olhos.

Encontrei o amor por acaso e no lugar mais inusitado possível. Estava pedalando na Rota do Sol. Sim, sim, tenho essa mania estranha de acordar de madrugada e sair por aí avançando uma perna após a outra em movimentos circulares, até considerar já ter vertido suficiente sudorese a ponto de me considerar um atleta amador médio de desempenho minimamente aceitável. Pedalando e suando e seguindo a canção vou me deparando com outros ciclistas e corredores da alvorada. E foi em meio a estes tipos madrugadores e umedecidos por glândulas sudoríparas em plena atividade que encontrei o amor. Por essa eu não esperava. Mas o amor é assim mesmo: surpreendente. Se você espera, ele não vem.

O amor que vi se apresentou na forma de um casal por volta dos 40. Ele, sempre correndo. Ela, sempre ao seu lado, pedalando numa bicicleta com cestinha. Todos os dias, eles cumprem a mesma rotina esportiva. Ele corre num bom ritmo e a regularidade com que o faz deve render uma dose extra de saúde e disposição para encarar o dia-a-dia. Talvez o faça por recomendação médica, ou por amor ao esporte, dependência de endorfina, ou por qualquer outra razão. Mas, apesar de seu trote ininterrupto, mostra-se sempre preocupado com sua consorte, para que ela esteja sempre protegida de veículos e desviando de outros ciclistas. Ela pedala devagar, muito lentamente mesmo. Para poder acompanhar uma pessoa a pé, o ciclista precisa moderar o ritmo a um nível quase inercial. Em suma, ela não se exercita de fato. Seu passeio diário tem o mesmo efeito sobre seu corpo que teria ficar dormindo por mais uma hora. Fica claro que o que a faz levantar mais cedo todas as manhãs é ele.

Porém, não foi essa demonstração diária de afeto mútuo que me fez ver o amor naquele casal. Um dia, quando eu pedalava, estava nublado e já nos últimos quilômetros o céu resolveu que não tinha nada melhor para fazer naquele momento que não fosse cair em nossas cabeças e assim o fez. Em meio ao caos, encharcado por um dilúvio que faria Noé botar as barbas de molho e tremer na arca, apressei o ritmo para chegar logo em casa, quando vi, do outro lado da pista, o casal, caminhando lentamente de mãos dadas. Ele conduzia a bicicleta com uma das mãos, enquanto segurava a dela com a outra. Ela, já no chão, o acompanhava sorridente rumo ao ponto final de seu trajeto. O amor é assim: adora andar de mãos dadas na chuva.

Naquele momento compreendi o que minha percepção capenga havia negligenciado por todos os meses passados. Ao ver os dois caminhando calmamente no aguaceiro que caía, de mãos dadas, sem se abalar, transmitindo uma sensação boa de calor no coração, contrastando com a frieza da chuva.

Amanhã cedo eles vão estar lá de novo. Ele, desprendendo-se de alguns ml de suor em troca de um suprimento extra de saúde e vigor físico, dispensando a ela toda a atenção. Ela, sempre ali, apoiando com sua companhia, numa pedalada inócua. Porque o amor é assim: rotineiro, sem nunca ser chato. Faça chuva ou faça sol.

Coluna da Digi # 22 – Big Bomba Brasil

janeiro 14, 2010

Jovens, olha só a coincidência. A coluna da Digi publicada no dia 29 de janeiro de 2008 fazia uma breve sátira do programa líder em audiência, mesmo sendo algo tão idiota.

A coincidência se dá porque exatamente hoje teve início o primeiro Big Broder Natown (a grafia foi mudando desde que surgiu a ideia) e vocês podem acompanhar tudo o que rolou no primeiro dia aqui. A chegada dos participantes, as entrevistas de cada um deles e as expectativas para mais essa disputa que vai dar o que falar (mal).

Enquanto vocês não clicam no atalho do BBN aí em cima, podem ler o texto abaixo e relembrar esta crônica, a 22ª que publiquei na Digi.

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Big Bomba Brasil

Tenho uma sugestão pra televisão. Que tal se a gente escolher um punhado de gente bem idiota, mas bem idiota mesmo, e isolar essas pessoas numa casa vigiada 24 horas por dia? aí, a cada semana, a gente vai vendo quem são os mais estúpidos entre os estúpidos e eliminamos um por um. Teremos que analisar diversos aspectos como exibicionismo irrefreável, futilidade latente, personalidades rasas, egoísmo evidente e, após levarmos em conta todas as variáveis, votamos e escolhemos qual dos babacas vai primeiro pro paredão.

Aposto que você está com a sensação de que este programa já existe, mas calma que tem mais. O paredão em questão seria um autêntico muro de fuzilamento. O participante escolhido para a eliminação a cada semana seria, de fato, mandado embora da convivência, não só dos seus colegas de casa, mas como também de todos nós, seus colegas de mundo, contribuindo com um planeta melhor, livre de tanta imbecilidade.

Ao longo das 12 semanas de duração, os Big Bostas seriam submetidos a toda sorte de humilhações e torturas para nosso deleite e usufruto. E, ao vencedor, uma despedida apoteótica digna do feito recém conquistado. Ele seria dinamitado, explodido, completamente despedaçado diante dos vorazes olhos de milhões de telespectadores brasileiros. E todos voltaríamos a nossas programações normais, livres de 12 pesos pesos-mortos e inúteis a atrapalhar o bom andamento da vida.

O programa se chamaria Big Bomba Brasil e nos aliviaria de certos flagelos que temos sido obrigados a conhecer nos últimos anos como os fabulosos Kleber Bambam, Alemão, Jean e Dômini que continuam por aí, ganhando a vida como “ex-big brothers”. Isso sem falar na Sabrina Sato que, a despeito de ser gostosa, ganhou notoriedade mesmo por sua burrice proeminente, tornando-se a jeguinha do Brasil.

O Big Brother é um programa tão medíocre, tão idiotizante, tão bronco, que os altos índices de audiência servem de alerta sobre os rumos seguidos por nossa sociedade. O entretenimento vazio que alcança o seu auge no programa, faz com que se queime boas horas de vida, anestesia milhões de neurônios e tira qualquer possibilidade de se fazer algo de produtivo em benefício próprio. É uma autodepreciação sem tamanho e continuará contribuindo cada vez mais com um país desigual, mal educado, mal instruído, nivelado por baixo e dotado de um abismo social tão profundo que faz o mirante de Tabatinga parecer um buraquinho feito a mão.

Antes de encerrar, se faz necessário um esclarecimento importante. Quando eu falei em fuzilamento e explosão de bombas, estava brincando, beleza? Digo isso, porque num país em que o BBB é líder de audiência e magnetiza todas as atenções, as pessoas já nem lembram direito o que é ironia. Convido, no entanto, todos a mandarem o programa pelos ares com uma arma que está em suas mãos: o controle remoto. E o BBB que se exploda!

Nos blogues dos caras – André Laurentino

janeiro 13, 2010

André Laurentino

Hoje eu gostaria de indicar para vocês um blogue de um cronista que eu curto muito, muitíssimo mesmo. Seu nome é André Laurentino, olindense radicado em São Paulo e que escreve quinzenalmente para o Guia do Estadão. André é romancista, autor do premiado livro “A paixão de Amâncio Amaro” (2006, editora Agir) e um dos publicitários mais brilhantes e premiados do Brasil. É criação dele, por exemplo, uma campanha da Nokia que considero simplesmente genial e da qual vocês podem clicar logo abixo e assistir um dos comerciais.

Em todo caso, esta postagem serve para divulgar o sítio onde o Laurentino, que na juventude pernambucana teve como colegas a escritora Adriana Falcão, o diretor e roteirista João Falcão e como chefe o ilustríssimo Jairo Lima do Papo Furado. Chama-se “Cadernos de Vidro” e é constantemente atualizado com suas maravilhosas crônicas. Lembrei dele porque esta semana acessei o endereço e simplesmente não consegui parar de ler um texto após o outro por um bom tempo. As últimas 5 postagens (a saber: “Conversa pequena”, “Paciente”, “Futebol (sic)”, “Metas” e “Vai dar certo”) são antológicas e versam sobre temas dos mais diversos como os 10 anos do Bug do milênio e os dissabores de ser um torcedor do Náutico Capibaribe.

O endereço segue aqui ao lado —> http://andrelaurentino.blogspot.com/ e também estará indicado lá do lado direito, junto com outros blogues que acesso com frequência.

Coluna da Digi # 21 – Uma xícara de açúcar

janeiro 13, 2010

Esta crônica publicada na Diginet no dia 21 de janeiro de 2008 foi mais uma bem divertida (pelo menos para mim) que publiquei naquele fértil período do fim de 2007 e início de 2008. Ela se baseou em relatos de diversos amigos que moram em coletivos condominiais e também em minha própria experiência, uma vez que, desde os 9 anos de idade, eu moro em condomínios. Se você também vive num lugar assim, é rir para não chorar.

Divirtam-se!

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Uma xícara de açúcar.

O ambiente é mal iluminado. De repente você se vê rodeado de pessoas estranhas, gente de olhar vazio, inexpressivo, alguns parecem não ter rosto. Começam a falar, todos ao mesmo tempo, freneticamente, palavras que fogem à sua compreensão, frases atropeladas e sem o menor sentido. Um deles, o líder, fala e, ao fazê-lo, todos os outros se calam. Ele diz que você será prejudicado. Suas finanças sofrerão com os rumos fantasmagóricos dos sinistros acontecimentos que se seguem naquele fétido e apertado ambiente. Você quer falar alguma coisa, mas não consegue. Abre a boca, mas não emite som. As demais pessoas, ao contrário, continuam falando cada vez mais alto e agridem seus tímpanos com impropérios e absurdos que lhe causam náuseas poderosíssimas. Isso lhe parece um pesadelo? Calma. É apenas uma reunião de condomínio.

Você acaba de chegar ao prédio novo. “Que beleza!”, você pensa. Mais uma oportunidade que a vida lhe dá para fazer novos amigos, trocar gentilezas e exercitar toda a cordialidade do bom brasileiro com seus vizinhos. Cheio de boa vontade, você comparece à primeira reunião de condomínio na nova morada. Ansioso por saber quem são as pessoas que vão dividir áreas comuns e paredes com você. Imbuído de um infinito espírito fraterno, você acredita que estranhos são aqueles amigos que ainda não conhece. Tudo é muito lindo, o sol brilha, que maravilha. Você está a um passo de quebrar a cara. Bem vindo ao lar, Dorothy.

Uma reunião de condomínio é um lugar no espaço/tempo em que ninguém se entende. Seria como reunir o Pato Donald, o goleiro reserva do Corínthians, um soldado Talibã e uma secretária de consultório odontológico para falar sobre “o correto cultivo de hortaliças em quintais pouco espaçosos”. Enquanto um morador quer utilizar a verba extra do condomínio para comprar azulejos roxos para a piscina, outro quer contratar profissionais para educar as crianças do prédio a não se jogarem do oitavo andar, pois diferentemente do que eles vêem nos filmes de super-heróis, o homem não pode voar.

O síndico tenta apaziguar os ânimos, mas só consegue mais caos e desordem ao propor uma taxa extra para conseguir atender às reivindicações dos condôminos. Alguns protestam e são informados de que terão que pagar uma multa por protesto em reunião além da taxa extra já estabelecida anteriormente. Um dos presentes fica indignado e brada furiosamente contra o síndico, mas logo se contém ao saber da multa de indignação ainda mais cara que a de protesto.

Em um dado momento da reunião, os presentes concluem que o síndico é um só e, como tal, insuficiente para servir de único alvo de seus protestos e discordâncias. A partir de então se tem início intensos embates envolvendo os moradores. Tais duelos verbais começam em tom sereno e cordato, mas vão crescendo em intensidade até que um dos envolvidos caia morto de exaustão ou humilhação. Ao vencedor, cabe ter seu pedido atendido ou simplesmente recebe amigáveis tapinhas de congratulações em suas costas. Houve uma vez uma discussão que durou mais de 17 horas a respeito de uma vaga de garagem, uma câmera de vigilância, uma boneca inflável de bigode e um desentupidor de pia. Ao vencedor, coube a honra da vitória e muitas explicações a dar.

Envolvido pelo ambiente de ativa participação de todos os presentes, você comete um erro fatal e irremediável: levanta o dedo, pedindo a palavra. Nesse momento, todos que esperneavam e emitiam sons semelhantes ao de um pterodáctilo no momento da cópula silenciam e olham pra você com um misto de interesse e desprezo. Consciente de que agora já não dá para voltar atrás, mas inadvertido quanto à dimensão da asneira que está prestes a cometer, você prossegue e faz um questionamento aparentemente simples e sem maiores conseqüências: “Como se dá a utilização da quadra de esportes do condomínio?”

Mas o que ninguém lhe avisou foi que síndicos odeiam quadras de esportes. Aliás, síndicos odeiam esportes ou qualquer outra atividade que os façam suar e se esforçar em demasia, a não ser, claro, reuniões de condomínio. Os síndicos foram, sem exceção, na infância, aqueles garotos gordinhos e desajeitados que nunca eram escolhidos para o time de futsal nem se fossem donos da bola.

Com uma voz pausada e tom sereno ele lhe informa que qualquer morador pode fazer uso das áreas de lazer do condomínio, bem como do complexo esportivo do prédio, desde que cumpra algumas regras básicas de conduta e utilização. Ou seja, basta requerer por escrito em 8 vias, com antecedência mínima de 3 meses, podendo utilizar o espaço por no máximo meia hora, apresentando atestado médico de todos os atletas que farão parte da atividade e mostrando diante de uma comissão de condôminos ilustres e ex-condôminos beneméritos que é capaz de fazer malabarismo com facas afiadas e de se teletransportar no tempo e no espaço. Cumprindo tais normas, pode-se jogar futebol, basquete, bocha ou biriba numa boa. Síndicos também odeiam que outras pessoas suem praticando esportes.

Todo mundo, quer more em remotas chácaras do interior de Mato Grosso ou em sofisticadas coberturas da Barra da Tijuca, tem sempre aqueles dias em que quer sossegar, dormir cedo, ver um filme, ler um livro ou a reprise daquela imperdível partida de sinuca (regra européia que é mais flexível que a americana). Pois bem, são justamente nesses dias que o seu vizinho do 402 resolve fazer uso do salão de festas para uma, digamos, confraternização com os amigos. Até aí, nada demais. O problema é que o gosto musical do seu vizinho, bem como dos seus pares, tem a beleza e singeleza de uma operação para extrair o apêndice e o volume do som (novo, importado e megapotente) o faz sentir inveja dos surdos que não são obrigados a passar por uma situação como essas ou dos mortos que não precisam conviver com nenhum vizinho idiota e fanfarrão. Aliás, do jeito que a tal festa vai, é bem provável que você se junte a uma das duas categorias. Pelo volume do som, deve se tornar um deficiente auditivo até o amanhecer e, levando-se em conta a forma como a potência sonora abala as estruturas do prédio, um desabamento fatal não está inteiramente descartado.

É claro que nesses fins de semana em que ocorrem essas celebrações ao incômodo extremo, o síndico nunca está lá para tomar providências e a polícia, se acionada, chega já perto do fim da, digamos, festa, quando seu sono e descanso já estão irremediavelmente prejudicados.

Outro aspecto inerente à vida em condomínios é a convivência com o corpo funcional. Tem sempre o porteiro que acha que é dono do prédio ou o zelador que resolve lavar o seu hall bem na hora de você ir trabalhar, esperançoso de que o assoalho molhado possa render um divertido tombo com, talvez, uma conseqüente fratura da espinha.

Mas os funcionários são apenas um ínfimo detalhe se levarmos em conta o festeiro do 402, o síndico que odeia esportes e todos os outros moradores que podem ser assassinos em série, zoófilos ninfomaníacos, lobisomens ou militantes do PSOL. Por isso, o conselho que eu dou é: fique longe! Se, ao abrir o elevador, se deparar com alguém dentro, feche a porta sem a menor cerimônia. Ao ser convocado a uma reunião de condomínio, peça perdão pela ausência, alegando ter que comparecer a uma apresentação teatral da escolinha do seu filho (mesmo que você seja solteiro e não tenha filhos). E, nunca, jamais, em hipótese alguma, peça ou ceda uma xícara de açúcar. Você não sabe onde estará se metendo. Lembre-se: a vida em um edifício é cheia de altos e baixos, especialmente se você morar no oitavo andar.

BBN 2010 – Os 12 Eleitos

janeiro 10, 2010

Definidos os últimos participantes do BBN 2010, o maior Reality-Fake-Show da internet potiguar. Os resultados das votações foram os que seguem:

Batendo perna 19 – Fabão 2 – Solón Silvestre 4

Clênio 15 – Diogo guanabara 8 – Diogo das Virgens 3

Tricor 17 – Lane Cardoso 3 – Khrystal 3

Lucas 14 – Kokinho 12

Fernanda tavares 3 – Michele Rincón 7 – Miss 14

Micarla 18 – Virna 3 – Fátima Bezerra 3

Com isso, os 12 participantes serão:

1 – Luiz Almir

2 – Ânderson Foca

3 – Marcelus Bob

4 – Jota Oliveira

5 – Fábio Faria

6 – Thaysa Galvão

7 – Os meninos do Batendo Perna

8 – Clênio Maciel

9 – As meninas do Tricor

10 – Larissa Costa, a Miss Brasil

11 – Monsenhor Lucas

12 – Micarla de Sousa

Os 12 Participantes não escondem a empolgação.

Coluna da Digi # 20 – O Maconheiro Militante

janeiro 10, 2010

Mais uma crônica que teve enorme êxito nos acessos e acabou entrando no livro do “Mano Celo”. “O Maconheiro Militante” foi publicada no dia 14 de janeiro de 2008 e até hoje recebe eventuais comentários de leitores´que tomam conhecimento de sua existência.

***

O Maconheiro Militante

Ele chega pra você e diz: “Você sabia que existem medicamentos cicatrizantes feitos de cânhamo?” Inocentemente, você responde que não e mostra-se levemente curioso a respeito do assunto. Pronto. Já basta. Você acaba de cair nas garras de um maconheiro militante e ele passará as próximas horas tentando convencê-lo que o THC é a substância redentora da humanidade, que fumar maconha é a coisa mais legal que alguém pode fazer sobre a face da Terra e que os rumos do planeta estão intimamente ligados à folhinha de cinco pontas.

Se você der corda, ele se sairá com um discurso tão panfletário quanto possível, dizendo mais ou menos o seguinte: “A canabis apresenta propriedades anestésicas e regenerativas bastante atuantes. Os medicamentos cicatrizantes de cânhamo foram desenvolvidos no Egito antigo onde, aliás, a erva era utilizada para produzir de tudo, de papiros a bandagens para múmias. Os cremes e bálsamos feitos da erva foram muito usados por Antônio Conselheiro durante a Guerra de Canudos para tratar dos ferimentos de seus homens. Inclusive, há registros de que o próprio conselheiro era usuário de marijuana. Isso talvez explique o grande senso de justiça do homem. Você sabia?”

Para essas pessoas a erva é a razão principal de sua existência. Tudo o que eles fazem é baseado (com ironia, faz favor.) nesta singela plantinha. Para eles, maconha é religião, é o clube de coração, o partido político, a banda favorita, a tábua de salvação. Só a fumaça salva! Não são da Herbalife, mas se dedicam à Ervalife com o mesmo fervor messiânico. Gostam de reggae, de surfe e do verde que te quero fumo.

Os maconheiros militantes são verdadeiros advogados da marofa. Nunca perdem uma oportunidade de apresentar argumentos comprobatórios definitivos que ilustram a superioridade do THC sobre todos os elementos, constantes ou não na tabela periódica. Sua retórica encontra sustentação em três alicerces básicos:

1)      O Bombril Natural;

2)      Importância História;

3)      As legítimas que se fumam.

A teoria do Bombril Natural defende que a maconha tem mil e uma utilidades, sendo a erva mais versátil que jogador coringa, daqueles que batem escanteio e correm pra cabecear. Segundo os partidários, a versatilidade canábica é ilimitada, servindo para produzir roupas, calçados, papel, alimentos, tinturas, medicamentos, biocombustível, brinquedos, material de construção, condutores energéticos, maçanetas de porta, guarda-chuvas, baterias para celular, absorventes íntimos, escafandros e lancheiras do Bob Esponja. O aproveitamento da planta é total. Das sementes se faz tempero, das folhas se produz um delicioso chá para os nervos, do caule se confecciona móveis artesanais muito maneiros, bicho. Sacou? Só! Pode crer!

Não é raro, um militante chegar para afirmar toda a sorte de produtos derivados da erva. São verdadeiros catálogos mentais. E olhe que a memória deles já não é lá essas coisas. “Você sabia que existe sorvete de maconha? Você sabia que existe gravata feita de fibras de canabis? Você sabia que existe papel higiênico de cânhamo? Você sabia que nos países desenvolvidos (para dar um maior peso a sua argumentação e provar que só mesmo num país de terceiro mundo como este para que a droga seja proibida) são receitados baseados no tratamento do glaucoma/câncer/aids/gripe/insônia/falta de apetite?” Procure um maconheiro militante próximo de sua casa e ouça hoje mesmo a sua pergunta clichê “você sabia”.

Outro argumento que ganha força entre os militantes verdes é o da importância histórica da erva. Os fiéis do cânhamo estão convictos da inquestionável participação da maconha em todos os grandes momentos protagonizados pelos homens. Eles afirmam categoricamente que na Grécia, não eram galhos de arruda que ornamentavam as cabeças dos atletas vencedores dos jogos olímpicos. Eram, na verdade, galhos de canabis. A guerra de Secessão estadosunidense não teve nada a ver com algodão. Era tudo por causa das plantações de maconha dos estados do sul.

Eles defendem ainda que as cruzadas medievais também não eram bem como se diz nos nossos livros de história. Os cavaleiros partiram sim em busca do Santo Graal, mas o que todos ignoram é que tal termo era sinônimo para “Camarão Sagrado” numa clara referência à erva bendita. Amém! E aquela fumacinha que sai do Vaticano sempre que a igreja escolhe um novo Papa? Como é que vocês acham que aqueles cardeais todos mantêm a paz de espírito? A Segunda Guerra também não podia ficar de fora. Dizem que ela só terminou depois que alguns pracinhas brasileiros originais de Cabrobró, Pernambuco, levaram certos cigarros misteriosos que impregnaram a Europa com uma repentina cortina de fumaça e uma irrefreável sensação de bem-estar, além de um sono danado. Daí, todos acharam melhor promover a paz de uma vez por todas, pois guerrear dava um trabalho danado.

Ou seja, para os maconheiros militantes, o papel da erva na história humana é muito maior do que se pensa e sua relevância deveria ser mais destacada nos livros escolares. Principalmente se a página for impressa naquele papel fininho, quase um guardanapo de lanchonete que tem muito mais a ver com o contexto. O resto é estória.

O terceiro grande sustentáculo dos discursos politizados proclamados pelos maconheiros militantes é o das “legítimas que se fumam”. É que eles acham que a maconha é como as sandálias Havaianas: todo mundo usa! Basta algum nome ilustre surgir na pauta de alguma conversa para eles afirmarem cheios de orgulho que o referido era um “zé fumaça” de marca maior. Não escapa ninguém. De Shakespearre a Machado de Assis, passando por todos os líderes políticos mundiais, estadistas históricos, figuras religiosas, cosmonautas russos, grandes atores, atrizes, músicos e que tais.

“Bill Clinton? Fumou e aposto que tragou! Marylin Monroe? Comia com farinha! Gandhi? De onde você acha que ele tirou essa história de resistência pacífica? O Salsicha do Scooby Doo? Fala sério! Já fumei um com ele!” Segundo a teoria das “Legítimas que se fumam”, todo mundo que alcançou algum grau de projeção ou que apareceu na mídia de forma positiva é usuário de maconha. É exatamente como o slogan das Havaianas. E a maconha, assim como as sandálias, também não estica nem solta as tiras. Já quanto à questão do cheiro, eles não podem se gabar muito.

Os maconheiros militantes são dedicados, engajados e incansáveis em sua luta por um maior reconhecimento da erva pela sociedade careta e conservadora, dominada por pensamentos retrógrados e arcaicos. “Uma sociedade chapada é possível.”, dizem os ideólogos do movimento, sonhando com um mundo melhor onde todos se amem, se respeitem e não fiquem segurando o chara tempo demais nas rodinhas de baseado. Mas não é a sociedade a maior opositora política dos partidários da canabis. Essa até que tem engolido alguns metros cúbicos de fumaça com menos relutância ultimamente. O problema é a ferrenha oposição do chamado Comando Delta, um inimigo invisível, uma mega-corporação formado por políticos, exército, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Municipal, Polícia dos condomínios, seguranças de shopping, as mães dos usuários, a máfia chinesa e a Igreja Universal que se utiliza de todas as forças disponíveis para impedir o triunfo dos heróis da erva.

Mas nada os impedirá de prosseguir em sua pregação, seus discursos inflamados, sua paixão indomável, sua militância maconheira. Suas idéias se espalharão como fumaça e nenhuma estratégia nefasta da oposição, nenhuma manobra covarde e traiçoeira será capaz de arrefecer o ímpeto dos apaixonados militantes. Ninguém será capaz de cortar esse barato. Caso tentem, serão surpreendidos por uma bem articulada retórica, além de um discurso muitíssimas vezes ensaiado. Essa é a tônica. Esse é o sentimento. E eles vão à luta!

Mas só amanhã, porque hoje vai rolar uma “sessão” do bom lá no comitê do partido.

Coluna da Digi # 19 – O Chato

janeiro 7, 2010

A primeira crônica que posto aqui esta semana se chama “O Chato” e foi publicada na Diginet há exatos 2 anos, em 07.01.2008. Textinho leve e divertido do jeito que os leitores da Digi gostam.

***

O chato

Você conhece o chato. Na verdade, você é íntimo dele. Ele lhe acompanhou em todos os momentos de sua vida, desde a mais tenra infância até a mais decrépita idade. Foi ele que deu aquela idéia idiota de se inscrever na quadrilha do jardim 2 mesmo sem que vocês soubessem dançar. Aí você foi, passou aquela vergonha na frente de todo o colégio, dos seus familiares, das meninas do jardim da infância (mesmo que naquela época você não ligasse pra elas) e depois ainda tentou minimizar o caso dizendo “Veja bem…” O chato sempre começa suas explicações com um “Veja bem”. E como demoram as explicações do chato.

Aliás, se você deixar o chato começar a falar, é melhor sair correndo imediatamente. Quando ele começa, não pára nunca mais. Além de tratar de assuntos totalmente irrelevantes para qualquer ser humano com cérebro maior que o de um calango, eles costumam ser muito abertos ao monólogo. Se eles começam a falar da nova temporada da série mais idiota da TV ou do último vídeo game que acabou de sair, despeça-se do seu bom-humor por aquela noite. E mesmo que você tente dar sinais de que não é muito adepto daquele assunto ou não está pouco à vontade com aquele papo, ele vai continuar exibindo todo o seu conhecimento sobre a musicografia da Madona. E nem adianta olhar no relógio a cada 5 segundos. O chato não entende indiretas. Ele é tapado, burro como uma porta e extremamente inconveniente.

Inconveniente ao extremo, aliás. Ele chega sempre na hora errada. Sabe naqueles domingos em que você quer ficar em casa sem ver uma viv’alma? Aqueles feriados em que você só pretende descansar e se preparar para o seu próximo encontro com os demais seres humanos? Pois é. É nesse dia em que ele aparece para te fazer uma visita surpresa e, pior, cheio de novidades pra contar! Quando você está com sua namorada ou amigos ou mãe, e ele surge do nada, como um ninja em meio à fumaça, num restaurante, ou barzinho, ou supermercado, diz coisas constrangedoras a seu respeito, revela um apelido oculto, estraga o seu dia como só o chato sabe e é capaz de fazer.

A inconveniência do chato está ligada à ausência de desconfiômetro de que ele sofre. O chato não se liga, não se toca, não toma semancol. Ele fala de assuntos desagradáveis que você não quer ouvir, como a eliminação do seu time ou lembra o quanto você está gorda. Aliás, ele não só cita esses assuntos, como insiste no tema. Discorre longamente sobre sua calvície ou de como você precisa de uma plástica no nariz urgentemente.

O chato discorda de você em todos os assuntos. Ele tem opiniões fortes sobre tudo e, claro, são todas estúpidas, absurdas, inconcebíveis. Mas não adianta tentar discutir com ele. É inútil. O chato de verdade não lhe deixa completar seus raciocínios, exibir seus argumentos. Aliás, é impossível sequer conversar com ele. O chato é lhe interrompe sempre que você tenta falar de algum assunto.

O chato sempre tenta se passar por sério, brinca de ser importante, insiste em ser adulto, mesmo que só tenha 11 anos de idade. Ele é aquele que lhe encontra nos lugares e, sempre que há testemunhas, lhe diz: “Cara, precisamos conversar!” Se um dia você o pressionar e tentar saber dele o que tanto ele tem pra conversar com você, não vai descobrir nada. Ou então ele vai passar a destilar uma teoria tão difusa e tangente, desprovida tanto de sentido como de pertinência que você se arrependerá de ter perguntado por 8 gerações.

Quando um chato DDD (que vem de outro Estado ou cidade) se hospeda em sua casa, tenha a certeza de que vai viver os piores dias da sua vida. Dia desses recebi um deles. Disse que iria ficar 2 dias, mas até que não foi tanto. Foram apenas 36 horas, 12 minutos e 23 segundos. Mas não foram 36 horas, 12 minutos e 23 segundos comuns, mas sim as 36 horas, 12 minutos e 23 segundos mais longas de toda a história da humanidade. É que o meu amigo chato tinha o poder de transformar instantes em intermináveis sucessões de constrangimentos.

Pra começar, ele usava o banheiro 4 vezes por dia para fazer na privada aquela outra necessidade fisiológica que não é o xixi. E deixava o banheiro completamente empestado a cada nova utilização de uma forma que o Potengi ia parecer perfume francês. Pra alqguém que mora só num apartamento pequeno com apenas 1 banheiro, isso é um problema. Grave. Sério. Esse chato que ficou lá em casa era fã da Hilda Hist e fazia questão de dividir sua devoção com o mundo, declamando de cor textos inteiros, por mais longos que fossem. Mas essa não era uma exclusividade de Hilda Hist não. Esquetes da TV Pirata, aulas do programa Vestibulando sobre índices pluviométricos, músicas do Rolling Stones. Tudo, ele sabia de memória e citava sempre que podia. E não adiantava dizer um trecho só não. Tinha que ser todo!

E mesmo com tanto conhecimento profundo a respeito de tudo isso, o chato é incapaz de executar as tarefas mais simples como ligar o computador da sua casa ou abrir a mala do carro. E é para ajudá-lo com elas que ele decide lhe acordar às 6 da manhã de um domingo, sem fazer a menor idéia de que está incomodando.

O chato não come verdura, mas só lhe avisa depois que você, cheio de boa vontade e ótimas intenções, serviu o seu prato. Ele olha contrariado para aqueles pedaços de tomate, cebola e pimentão, com um suplicante olhar de vítima e diz condescendente: “Não tem nada não. Pode deixar que eu tiro as verduras”, fazendo você se sentir culpado como se fosse mais terrível que Hitler, o maníaco do parque e Paulo Queixada juntos! Então ele retira as verduras e mastiga ruidosamente de boca aberta. Durante a refeição ele faz questão de conversar sobre os seus problemas de furúnculos, a cirurgia de redução de estômago de sua namorada e um conto do Rubem Fonseca chamado “compromancia”.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o chato não é um cara antipático. Ele é animado e alegre até demais. Ri alto e de qualquer besteira. E ri das próprias piadas também, muito, mesmo que elas não tenham a menor graça e nem façam nenhum sentido. E é exatamente assim que elas sempre são. A simpatia do chato é irritante. Faz você querer esganá-lo ou beber veneno, o que estiver mais ao alcance para o momento.

No entanto, você não pode matar o chato. Na verdade, você não consegue sequer ser grosseiro com ele. É que você é refém dele. O chato é, apesar de tudo, o cara mais prestativo do mundo e você deve, no mínimo, um grande favor a ele. Foi o chato que passou 2 dias na fila, tomando chuva, sereno e sol na moleira para comprar os 2 últimos ingressos do show da sua banda preferida. E é nesse episódio de um passado remoto que você pensa antes de partir a cabeça dele com um machado. É no ingresso, no sacrifício, no favor que você pensa sempre que vai empurrá-lo de uma sacada alta ou mandá-lo calar a boca. É aquele favor que ninguém mais no mundo quis fazer por você que lhe mantém irremediavelmente ligado ao chato e que o faz ter certeza de que ele vai lhe acompanhar até a idade mais decrépita. É duro admitir, mas essa é a verdade. por mais chato que isso seja pra você. 

Atualizações

janeiro 7, 2010

Como passei muitos dias sem atualizar, vou descontar esta semana e postar mais 3 colunas da Digi na sequência. Aproveito esta breve atualização para indicar um sítio de internet muito bom, chamado “Rio Grande Melhor em Tudo”  (http://riograndemelhoremtudo.com/) no qual um gaúcho muito bem humorado fala com ironia da tendência ao ufanismo de seus conterrâneos. Vale a pena acessar. Outros endereços que trazem novidade nesta volta de feriado são os espaços virtuais de Pablo Capistrano, com duas excelentes crônicas: www.pablocapistrano.com.br e http://colunas.digi.com.br/pablo/a-invencao-da-africa/.

Recomendo fortemente!