Coluna da Digi # 22 – Big Bomba Brasil

Jovens, olha só a coincidência. A coluna da Digi publicada no dia 29 de janeiro de 2008 fazia uma breve sátira do programa líder em audiência, mesmo sendo algo tão idiota.

A coincidência se dá porque exatamente hoje teve início o primeiro Big Broder Natown (a grafia foi mudando desde que surgiu a ideia) e vocês podem acompanhar tudo o que rolou no primeiro dia aqui. A chegada dos participantes, as entrevistas de cada um deles e as expectativas para mais essa disputa que vai dar o que falar (mal).

Enquanto vocês não clicam no atalho do BBN aí em cima, podem ler o texto abaixo e relembrar esta crônica, a 22ª que publiquei na Digi.

***

Big Bomba Brasil

Tenho uma sugestão pra televisão. Que tal se a gente escolher um punhado de gente bem idiota, mas bem idiota mesmo, e isolar essas pessoas numa casa vigiada 24 horas por dia? aí, a cada semana, a gente vai vendo quem são os mais estúpidos entre os estúpidos e eliminamos um por um. Teremos que analisar diversos aspectos como exibicionismo irrefreável, futilidade latente, personalidades rasas, egoísmo evidente e, após levarmos em conta todas as variáveis, votamos e escolhemos qual dos babacas vai primeiro pro paredão.

Aposto que você está com a sensação de que este programa já existe, mas calma que tem mais. O paredão em questão seria um autêntico muro de fuzilamento. O participante escolhido para a eliminação a cada semana seria, de fato, mandado embora da convivência, não só dos seus colegas de casa, mas como também de todos nós, seus colegas de mundo, contribuindo com um planeta melhor, livre de tanta imbecilidade.

Ao longo das 12 semanas de duração, os Big Bostas seriam submetidos a toda sorte de humilhações e torturas para nosso deleite e usufruto. E, ao vencedor, uma despedida apoteótica digna do feito recém conquistado. Ele seria dinamitado, explodido, completamente despedaçado diante dos vorazes olhos de milhões de telespectadores brasileiros. E todos voltaríamos a nossas programações normais, livres de 12 pesos pesos-mortos e inúteis a atrapalhar o bom andamento da vida.

O programa se chamaria Big Bomba Brasil e nos aliviaria de certos flagelos que temos sido obrigados a conhecer nos últimos anos como os fabulosos Kleber Bambam, Alemão, Jean e Dômini que continuam por aí, ganhando a vida como “ex-big brothers”. Isso sem falar na Sabrina Sato que, a despeito de ser gostosa, ganhou notoriedade mesmo por sua burrice proeminente, tornando-se a jeguinha do Brasil.

O Big Brother é um programa tão medíocre, tão idiotizante, tão bronco, que os altos índices de audiência servem de alerta sobre os rumos seguidos por nossa sociedade. O entretenimento vazio que alcança o seu auge no programa, faz com que se queime boas horas de vida, anestesia milhões de neurônios e tira qualquer possibilidade de se fazer algo de produtivo em benefício próprio. É uma autodepreciação sem tamanho e continuará contribuindo cada vez mais com um país desigual, mal educado, mal instruído, nivelado por baixo e dotado de um abismo social tão profundo que faz o mirante de Tabatinga parecer um buraquinho feito a mão.

Antes de encerrar, se faz necessário um esclarecimento importante. Quando eu falei em fuzilamento e explosão de bombas, estava brincando, beleza? Digo isso, porque num país em que o BBB é líder de audiência e magnetiza todas as atenções, as pessoas já nem lembram direito o que é ironia. Convido, no entanto, todos a mandarem o programa pelos ares com uma arma que está em suas mãos: o controle remoto. E o BBB que se exploda!

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2 Respostas to “Coluna da Digi # 22 – Big Bomba Brasil”

  1. Carlos Augusto Says:

    Concordo com você Fialho. E a bomba poderia ser detonada na Rede Globo também, o que acha?

  2. Lu Oliveira Says:

    Concordo também. Além de tudo isso o que preocupa é que a fama da mulher brasileira já não é boa no exterior, e com esse bbbosta só tem reforçado a idéia de que as mulheres aqui são vulgares. Achei o fim do mundo a propaganda da globo.com onde uma mulher aparece de biquini no colo de um cara como se fosse um produto da casa. (Ainda que brincadeira ou jogada de marketing da propaganda) uma brincadeira de muito mal gosto.

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