Coluna da Digi # 24 – E o Ojuara, hein?

O autor clicado pelas mãos divinas de Giovanni Sérgio.

No dia 18 de fevereiro de 2008, prestei uma homenagem a Nei Leandro de Castro, com quem acabava de fechar um acordo de publicar pelo selo Jovens Escribas. O título republicado seria o seu primeiro romance, “O Dia das Moscas”. Para nós, um motivo de orgulho, para ele um sinal claro de rejuvenescimento, uma vez que publicaria uma obra pelo nosso jovem (no nome e nas ações) selo literário. E entrevistas na época do lançamento, ele chegou a declarar: “Publico pelos Jovens Escribas porque também sou jovem. Pode publicar aí que estou com 27 anos”.

No meu caso particular, qualquer homenagem que eu faça a Nei é pouca, uma vez que foi ele quem me incentivou a publicar meu primeiro livro, comprometendo-se inclusive a escrever a orelha. Na época, ele escreveu que o livro (Verão Veraneio, crônicas, 2004) era muito bom e merecia publicação. Levando-se em consideração a origem do elogio, essa cônica/homenagem postada na Digi foi muito pouco.

Boa leitura.

***

E o Ojuara, hein?

Nei Leandro de Castro é um sedutor. Seduz inescrupulosamente em prosa e verso. Escandaliza a sociedade potiguar, conservadora, católica, puritana, ao cativar menininhas e fazê-las se apaixonarem por seus personagens, suas tramas envolventes, cheias de imaginação e criatividade ímpar. A sensualidade também está presente e faz as jovens moçoilas flutuarem sem sair do chão, sonhando com aqueles personagens fortes e cheios de atitude, fazendo seus corpos juvenis revelarem reações até então desconhecidas para elas, como novos odores de mulher e algumas partes de suas anatomias implorando por um contato mais demorado, um toque mais carinhoso.

Pesquisador e excelente autor de poesias eróticas, o escritor faz as garotas morderem maliciosamente os lábios carnudos à simples menção do amor na poesia. Ele nos convida a todos para passear por zonas fascinantes e erógenas. E as meninas da cidade, pasmem senhoras e senhores de alta estirpe, aceitam o convite. Partem em sua companhia para ouvirem histórias de ninar que parecem cochichos lascivos nos dóceis e virgens ouvidos onde nunca penetrou um verso erótico, um soneto luxurioso, um falo de poema. Elas param e se abrem todas para ouvir que Era Uma Vez Eros.

Por ser tão sedutor, é natural que seus filhos também o sejam. E quando me refiro a filhos, falo figurativamente dos personagens que atraem cada dia mais fãs e amarram os corações das menininhas. Sejam os adeptos da Intentona Comunista de 35, heróis em sua tentativa de converter nossas claras e brilhantes dunas em aclives rubros de sangue e luta. Ou ainda os inúmeros protagonistas anônimos de um diário íntimo que contempla a palavra e a beleza em versos fascinantes.

Mas o mais ilustre deles continua sendo Ojuara, um nativo de Jardim dos Pirancós, bom de briga, de cachaça e doido por um cabaré. Caboclo que andou pelo sertão e, depois de sua passagem, o sertão nunca mais foi o mesmo. A história de Ojuara foi lida, cultuada e contada por milhares de potiguares. Ano passado o nosso herói sertanejo, que desafiou perigos, feras perigosas, encantou-se com os versos de poetas populares e chafurdou nos braços das belas moças de vida fácil e sofrida do interior, ganhou ainda o Brasil nas telas do cinema e numa novíssima edição do livro que nos seduziu a todos.

O filme e a nova edição das Pelejas foram um importante episódio para a literatura potiguar. Marcaram a partida de Ojuara que saiu para conquistar o país todinho com a mesma competência de quem já mandava soltar e prender nas terras de Cascudo, Luís Carlos Guimarães, Chico Doido de Caicó e, é claro, Nei Leandro de Castro. Mas tenham cuidado com Ojuara. É um cabra valente, mas danado pra mexer com as cabeças das meninas. Sabe como é, né? Tal pai, tal filho.

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