Coluna da Digi # 30 – O Candidato que diz a verdade.

A coluna que republico hoje foi postada originalmente no dia 22 de abril de 2008. É  de número 30 na Digi. Eu pulei a 29 porque tratava do filme “Cheiro do ralo”, baseado na obra do Lourenço Mutarelli e achei que estivesse por demais datada. Acredito, inclusive que a atual se encaixe mais ao espírito de sátira que paira sobre meus espaços virtuais desde a semana passada com mais um caso de texto viral que produzi com “Não basta ser playboy. Tem que ser DJ!” Boa leitura e ótimas risadas.

***

O Candidato que diz a Verdade.

Leitores da Digi e povo potiguar, eu gostaria de lançar oficialmente minha candidatura para Deputado Federal. Meu objetivo como parlamentar, ou minha plataforma de campanha, como dizem os políticos, será pegar o máximo de atrizes globais gatíssimas e celebridades gostosas que eu puder. E para conseguir tal feito, conto com a sua ajuda e, claro, o seu voto. Não pretendo legislar, apresentar projetos de lei, correr atrás de verbas que não sejam para mim mesmo nem participar de nenhuma CPI. Na verdade, vou passar mais tempo no Rio de Janeiro, gastando o dinheiro de vocês do que em Brasília trabalhando.
Serei visto toda semana com uma beldade diferente: na praia com a Piovanni, no restaurante com a Aline Morais, na quadra da escola de samba com a Juliana Paes, no rodízio de massas com a Preta Gil. Quando chegar a época do Carnatal, eu vou pegar todas as modelos de fora que aportem por aqui, mandar buscá-las no hotel com direito a escolta de batedores da PM e trazê-las direto para o meu camarote.

Ora, pelo menos seria uma campanha sincera e um mandato transparente. Meus eleitores vão poder acompanhar cada passo que eu der. Não pela Hora do Brasil ou Diário Oficial, mas pela Caras, pelos sites de fofoca, pela Contigo. Eu não vou ficar dando bobeira no plenário. Vou estar sempre numa balada, numa festa VIP, num camarote de cervejaria.
Também exibirei toda a minha paquidérmica burrice, descomunal futilidade e abjeta ignorância em entrevistas constrangedoras para veículos sérios, que o bom senso me recomendaria recusar, mas minha vaidade desmedida e deslumbre de novo-político não permitirá.

Não vou dar a mínima pelota pra secas, enchentes, fome ou miséria! Do povo, eu só quero duas coisas: voto e distância. É que a minha alma mesquinha, individualista, dominada por interesses vis e torpes, faz com que eu seja incapaz de fazer qualquer coisa que seja pelo bem de outras pessoas. A cada dia que passa, me preocupo menos com os outros, sobretudo nos que precisam de assistência. Não gosto de pessoas humildes, mas adoro mulheres bonitas, gostosas e famosas. Adoraria ser eleito Deputado Federal.

A verdade é que eu sou um nome mais que adequado para ocupar um cargo público de tal magnitude, preencho todos os requisitos necessários para ser um bom parlamentar do novo milênio e, chego a dizer, sou um protótipo perfeito de um político potiguar. Avaliem por si mesmos: sou egoísta, insensível, ganancioso e mulherengo. Quem, em sã consciência, não votaria em mim?

Encerro este texto, fazendo o último apelo. Na hora de escolher seu candidato a Deputado, vote naquele que não vai fazer porra nenhuma por você. Sendo mais específico, vote em mim. Pelo menos, você terá a certeza de que eu estou dizendo a verdade.

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