Coluna da Digi # 39 – Querido Bunker

É muito bom ver um escritor jovem surgir com força e fôlego criativo. A empolgação e falta de compromisso contagiam e me dão vontade de escrever coisas tão interessantes e divertidas quanto aquele neófito das letras que arrebatou minha atenção com suas palavras tão bem postas uma apos a outra. É claro que o cara não é neófito nem nada, pois todo bom escritor traz consigo, independente da idade, uma bagagem de referências literárias, culturais e cotidianas, além de muitas leituras que logo aderem aos seus textos. Esses sentimentos revigorantes, tenho tido ultimamente ao acessar o blog do jovem e cínico rapaz, virgem de publicações, Márcio Nazianzeno de Freitas (http://queridobunker.wordpress.com).

Em sua página, Márcio nos brinda com seu humor fácil, suas análises nada sóbrias e ficções que flertam com o absurdo e a completa falta de noção. Foi ele que me apresentou às namoradas robôs, a um insólito festival de filmes pornôs e deu dicas preciosas e impossíveis de sobreviver à lei seca sem precisar parar de beber. Campos de Carvalho, Douglas Adams e todos os Monty Phythons continuam vivos nos posts dos rapaz. Woody Allen também costuma dar o ar da graça como notável influência.

Os posts do Bunker são, por vezes, uma perfeita simbiose entre a reflexão e o humor, fazendo sorrir e pensar em igual medida. Já em algumas ocasiões, eles são livres, praticando um humor absolutamente non-sense, essa modalidade artística (literária, televisiva, cinematográfica…) inventada pelos ingleses. O non-sense pra mim é como um parnasianismo humorístico. A arte pela arte vira o riso pelo riso com os escritores adeptos do estilo, não medindo esforços para levar o seu humor sem amarras a todos os lares. Provocativos, eles causam efeitos colaterais que vão das dores abdominais, lágrimas copiosas, contração dos músculos da face e outras reações que só as gargalhadas incessantes e incontroláveis podem conseguir. Mas têm também os assuntos sérios abordados pelo jovem Nazianzeno, como a revelação da carreira militar de Hemingway e as 122 mortes cometidas pelo escritor. Ou ainda a elucidativa atualização sobre a disputa entre Rússia e Geórgia pela Ossétia do Sul.

Alguns posts de Márcio são impagáveis, verdadeiras crônicas e contos de humor. Tenho certeza que muito do que está ali vai aparecer em páginas impressas num futuro próximo. “O liseu como estado de espírito” e “Leiteja” por exemplo, figurariam em qualquer livro do Antonio Prata sem fazer vergonha. As indicações de escritores, as publicações de textos interessantes e as dicas de músicas e shows (como o dOs Bonnies no DoSol) também revelam um pouco mais do escritor que está por vir, pois um escritor não é só o que ele escreve, mas tudo o que lê, ouve e vê. Em seu blogue, que funciona como uma espécie de caderno de anotações aberto ao público, Márcio se despe um pouco para nós a cada dia, revelando-se sem nenhum pudor. Descarado!

Para mim, esse ilustre representante da blogosfera que nos envolve se tornou uma fonte da juventude criativa onde tenho ido beber. É sangue novo e bom. Acessem. Divirtam-se!

http://queridobunker.wordpress.com

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