Coluna da Digi # 45 – A Patricinha Cultural – Parte 2

Na semana seguinte à coluna da “Patricinha Cultural”, publiquei uma crônica sobre o sadismo midiático e insaciável da imprensa em torno do caso Nardoni, dançando sobre o cadáver da menina Isabela. Julgo inadequado republicá-la agora, pois se trata de um assunto datado. Mas aí, no dia 10.11.2008, postei na Digi a coluna “A Patricinha Cultural – Parte 2”, abordando mais alguns aspectos inerentes a essa personagem tão popular de nossa cidade.

Jovens, com vocês, mais uma vez, a Patricinha Cultural!

***

A Patricinha Cultural – Parte 2

Já alertamos aqui a população masculina da cidade a respeito dessa ameaça de saias longas e estampadas que é a nefasta figura da patricinha cultural. É necessário, porém, fazer um novo alerta aos desatentos e indefesos homens natalenses, vulneráveis às ações venais dessas dissimuladas e cínicas mulheres, sempre de olho em vítimas potenciais. Como um vírus em constante mutação, as paty-cults já passaram a apresentar diversas variáveis e escudar-se delas se torna mais difícil a cada dia.

Uma outra categoria que tem despontado ultimamente é a da patricinha pseudo-interessante ou a “eclética”. Ela banca a alternativa para as amigas patricinhas, pois faz parte de sua persona cuidadosamente construída parecer uma típica “paty loquita”. É a forma que ela encontra de se destacar em meio a um mundo pasteurizado, medíocre e todo igualzinho, cheio de futilidades, consumismo e, aparentemente, culto. Para as amigas e amebas que freqüentam o seu círculo social, habituadas aos mesmos lugares da moda que ela, tem uma frase feita na ponta da língua: “Mulher, seja eclética!” É assim que ela justifica sua “estranha” mania em ouvir um som “muito louco”, como O Rappa ou Capital Inicial. Vez por outra, chegam com uma novidade: “Mulher, acabo de descobrir uma super novidade. É o Mundo Livre. É tudo na vida ponto com ponto bê erre!”

É nessa atuação meio canastrona que ela pode acabar enganando-o, meu amigo. Se você estiver distraído, acaba realmente acreditando que a moça parece ser paty, mas até que é interessante. Não se engane. Esse fingimento é a isca, e você, a presa.

O que você precisa saber é que ela apenas faz gênero. O que ela gosta mesmo é de freqüentar camarotes. Adoram a Ivete, o Biquíni, o Chiclete e amam camisetas VIPs e pulseirinhas de acesso a camarotes. Aliás, elas amam camarotes. Até em festivais de rock, elas vão a camarotes. Camisetas VIP e pulseirinhas exclusivas dão a elas uma sensação de poder e realização que nunca alcançarão por méritos próprios, pelo talento ou pela proeminência intelectual. Os camarotes exclusivos são o mais longe que elas podem chegar. São os limites de seu mundinho. Currais cheios de rostinhos conhecidos (sempre os mesmos), sorrisos falsos e roupas de marca. Freqüentar currais, aliás, é bem apropriado para aquela classe ruminante de status, guiada pela moda, feito gado. São tangidas rumo às “últimas tendências”. É o rebanho da mediocridade.

Agora andam numa de eletrônica. É rave em Parnamirim, rave em Macaíba, rave em Pipa. É bate-estaca até não poder mais. De vez em quando, arriscam uma idazinha à Nalva e se acham muito loucas por freqüentarem o Sargent Peppers, UHUUUU!!!

Elas não têm escrúpulos em dizer que gostam de tudo, de qualquer ritmo, do pop mais safado ao axé mais rasteiro, do eletrônico mais cosmopolita ao sertanejo mais interiorano. Mix é a palavra da vez entre elas. “Viva a diferença!”, repetem sem parar. Nesse momento, você até concorda e dá graças a Deus por ser diferente delas. Seja eclético, mas não medíocre.

Não ligue se você passar por mal-humorado. Você não é obrigado a se divertir numa festa que toca Tati-quebra-barraco e Asa de águia. Tudo bem se você acha o carnatal uma bosta e tem vontade de vomitar cada vez que ouve pagode romântico. Não há nada de errado com você se não gostar dessas bandas de forró que deixam um único empresário babaca milionário às custas do trabalho escravo dos músicos e operários. Está tudo bem. Eu conheço várias pessoas que são como você.

Ser eclético para as patricinhas culturais é justificar a falta de personalidade. Quem diz que gosta de tudo, na verdade, não gosta de nada. E a maior manifestação do nada em toda sua falta de elementos pode ser observada no oco de suas cabecinhas.

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Uma resposta to “Coluna da Digi # 45 – A Patricinha Cultural – Parte 2”

  1. gracinha Says:

    Oi, Carlos Fialho, acabei de ler a sua coluna e não resisti em escrever para parabenizá-lo; sou uma “coroa” vovó, inclusive, com espírito jovem, fui professora durante longo tempo, imagine de qual disciplina; História Contemporânea, portanto, claro, adoro acompanhar as mudanças que estão ocorrendo no mundo, neste novo século dito da informática, das intensas relações virtuais. Acredito que no futuro, seguindo, a lei do uso e desuso, desenvolvido por Lamarck, o homem vai deixar usar a fala, vivendo isolado, certamente sentado diante do computador, laptop, Ipad, Ipod, e outros que virão no futuro. O homem continuará produzindo e comunicando-se com a mente e usando apenas as mãos! A comunicação ao vivo entrará em desuso, o medo e a violência não permitirão que o homem deixe suas casas ou fortalezas medievais, com direito a fosso, muralhas e uso de armaduras para evitar balas perdidad. Já não escrevemos cartas, não enviamos cartões natalinos, convites escritos, não visitamos os amigos, usamos dinheiro que estão sendo substituídos por cartões, etc. etc. Com a chamada globalização, facilitada pela propagação dos benifícios que a Coca Cola faz ao ser humano, assim como o “BigMac” com fritas do MacDonald, o mundo tornou-se menor.Já nem precisamos ler jornais, o Jornal da Globo anuncia todas as catástrofes que ocorrem com o ser humano em todos os rincões do mundo. Enfim, imitar os Estados Unidos, os artistas de Holywood, Henry Potter, está em baixa no nosso patropi; chic mesmo é ser patricinha, dá mais status. Estamos vivendo a Era da Perplexidade ou a Era do Medo, como achar melhor, pois todo mundo é suspeito, até que prove o contrário.
    Mais uma vez, parabéns pela criatividade do título e o estilo do seu artigo; primando pela inteligência e humor.Adoro gente bem humorada (com ou sem travessão ? estou com dúvida), vivo contando piada e rindo da vida, mesmo quando devo ficar com cara de assombro.Interessante esse tipo que você descreve, o pior é que está crescendo e generalizando-se com a dita globalização; as pessoas cada vez mais estão querendo ter seus segundos de sucesso, aparecer, os jovens então, dão a vida para sair em colunas, subir em palanques VIPs com direito a pulseirinhas e FLASHs das colunas sociais ( melhor ainda se for na revista CARAS), como você observa.Superficialidade, como você bem define, é traduzido por “ecletismo”, para justificar a falta de personalidade e cultura. Que mal faz afirmar sua preferência musical? Como afirma Drummond, o ser humano é igual e diferente, eu tenho preferência por música clássica, mas nada impede de apreciar nosso Luiz Gonzaga, compositor semi-analfabeto, que escreveu uma bela e lírica poesia na composição “Asa Branca”, sua obra prima. Ao ouví-la, emociono-me da mesma maneira quando ouço “Noturno”, “Alla Turca”, “Pour Elise”, etc. Também digo sem pudor que não aprecio “aché”, tampouco as famosas duplas sertanejas, esguelando-se para cantar letras repetitivas em versos de extrema pobreza musical. Ouvir os versos de Cecília Meireles, Florbela Esopanta interpretado por Fagner me emociona. Mas…tudo na vida é relativo.Deixa que as “cabecinhas ocas” continuarem investindo na aparência; nada de literatura, cultura e arte, basta esnobar uma bela bolsa, sapatos e roupas de grife famosa e caríssima e elas estarão realizadas, felizes da vida. Se conseguirem saír em alguma coluna badalada da nossa old city, será a glória! Amém!

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