A Cidade Morta – Parte 4

Quando entraram no carro do guia e intérprete, Alex revelou parcialmente o que lhe ocorrera. “Na correria lá de dentro, acabei me machucando. Acho que esbarrei em uma garrafa quebrada ou em uns pregos, sei lá.” “Deixa eu ver. Ah, não é nada, garoto. Foi só um cortezinho. Toca daqui logo, François que a gente tem que levar o parceiro pra fazer um curativo.”.

Os 3 soldados na enfermaria comentavam a aventura. “Caraca, maluco! Sinistro, aê!” O médico apenas passava um antisséptico no local da mordida e fazia um curativo bem simples. Perguntou pra ele quem lhe havia mordido. “Mordida? Você não disse que tinha cortado num vidro?” Alex argumentou que só sentiu a dor no meio do tumulto e nem teve tempo de ver o que tinha acontecido de verdade. Os colegas ficaram satisfeitos com a resposta. Ao chegar no alojamento, decidiu não dormir. Arrumaria suas coisas imediatamente e, no dia seguinte, tentaria embarcar no primeiro vôo que levasse militares de volta pro Brasil. Mesmo que seu horário já estivesse marcado para as 17h, tinha boas relações com um coronel que era seu conterrâneo e sabia que poderia conseguir uma vaga no avião das 6h da manhã.

Numa missão diplomática de urgência, conseguiu falar com o coronel que, pra sua sorte, só dormia depois da 1h da madrugada. Este preparou um ofício que o autorizava a embarcar na aeronave de logo mais. “Sempre sobram algumas vagas para casos como estes, de pedidos das autoridades. Leve este documento que ele garante sua viagem.” Alex ficou tão feliz que foi direto para o hangar de saída do avião. Já estava impecavelmente fardado e com sua bolsa a tiracolo. Não queria perder o vôo por nada neste mundo. Às 5h da madrugada, já havia entrado e se acomodado na aeronave e pontualmente às 6h, levantou vôo com o resto da tripulação que comemorou a partida como um gol do time do coração. O nervosismo, a tensão daquelas últimas horas, os sustos passados no ritual vudu, tudo aquilo parecia estar tendo um certo efeito sobre ele. Sentia-se febril e um pouco fraco até.

 ***

 A enfermeira tentava mais uma vez obter sucesso:

– Alô. Alô. Você pode me ouvir?

– Hã?! O que?

– Ele acordou! Doutor, o paciente acordou.

– …

– Oi, você tá entendendo o que eu digo?

Alex fez sinal de positivo.

– Você está dormindo há 2 dias. Desmaiou ainda no caminho para o Brasil e tem uma febre muito forte. Não conseguimos identificar o que é, mas seus sinais vitais estão oscilando muito. Você se sente bem?

– Hã? Sim…

– É um caso estranho o seu. Vamos ter que refazer os exames porque… Enfermeira! Venha cá! Os batimentos estão diminuindo de novo! Ele vai desmaiar.

 ***

Anúncios

Tags: , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: