Coluna da Digi #56 – Será que elas sabem?

No dia 08 de março de 2009, dia internacional da mulher, resolvi prestar uma homenagem a todas elas. Um louvor, uma ode, um elogio a la Xico Sá, só que mais simplório do que o mestre do Crato. O resultado foi a crônica “Será que elas sabem?”, publicada na coluna da Digi.

Espero que gostem.

***

Será que elas sabem?

Senhores leitores, encontro-me seriamente preocupado com o descontrolado, e aparentemente irreversível, avanço da ciência. Alguém precisa fazer alguma coisa para frear o ímpeto desses estudiosos irresponsáveis, pesquisadores inconsequentes e, com o perdão da redundância, cientistas malucos. Pára! Pára tudo! Desacelerem os aceleradores de partículas, interrompam a prática da teoria da evolução, revoguem a lei da gravidade, misturem as letrinhas da química orgânica e, pelo amor de Deus, acabem com esse negócio de genética!

Sabe o que é? Tudo bem que só faltam 4 meses para eu completar 30 anos, minha calvície já salta aos olhos, os primeiros fios de cabelos brancos despontam serelepes em minhas têmporas, mas a despeito de tudo isso, ainda me sinto um agente ativo da sociedade. Enfim, sou jovem demais para me tornar obsoleto. E acho que você, homem, que está lendo esta coluna neste preciso instante também se sente assim: cheio de vida e vigor, disposto a representar o seu papel no mundo. Estou certo?

Pois é. Mas eis onde reside o problema. As mulheres estão prestes a perceber que não precisam mais de nós. E aí, não representaremos mais papel nenhum na dramaturgia da vida. Não conseguiremos nem um bico de figurantes. Logo nós, os machos, que sempre nos julgamos protagonistas quando não passávamos de péssimos coadjuvantes tentando roubar a cena forçadamente com uma atuação canastrona.

A gente começou argumentando que o papel do homem era tomar conta de tudo enquanto elas criavam os filhos e arrumavam a casa. Nós éramos a fonte da semente da vida e elas recebiam as sementes para nos dar filhos. Até que elas nos fizeram perceber que carregar a criança em seu ventre por 9 meses era uma tarefa muito mais árdua e significativa que sair espalhando sementes por aí. Foi mais ou menos nessa época que inventaram a inseminação artificial e a camisinha mostrou que elas poderiam nos usar quando quisessem, não apenas para gerar filhos.

Ainda estávamos tranquilos. Sabíamos que não éramos os protagonistas, mas pelo menos representávamos um papel importante. Afinal, as sementes ainda eram nossas e elas teriam que vir buscar, nem que fosse via banco de esperma. Nem nos abalamos muito quando começaram com aquelas palavras de ordem todas, demanda por direitos iguais e queima de sutiãs.

Mas aí inventaram a clonagem e a reprodução assexuada, utilizando células não reprodutoras. Pronto. A verdade se tornou insuportável para nós. Nós, homens, finalmente somos inúteis.

Governar cidades, estados, países? Elas fazem. Comandar empresas? Sim e com uma sensibilidade maior que a nossa. Futebol? Em uma palavra: Marta. Sexo? Já se viram sozinhas ou em dupla. Amor, carinho, atenção, companheirismo? Fala sério! Elas são muito melhores do que nós em tudo isso.

Ainda tentamos diminuir seus méritos espalhando boatos por aí. “Elas não sabem dirigir.” “Gastam muito no cartão de crédito”. Mas que nada! A estatística foi mais uma ciência a dpor contra nós, desmascarando mais essas farsas.

Em resumo, agora que elas já alcançaram a independência completa e absoluta, só nos restou uma única função: abrir potes de conserva. É pouco perto de tudo que costumávamos fazer. Por isso, aproveito o dia mundial da mulher para lançar um alerta e um apelo para evitar, ou pelo menos adiar, a extinção do ser masculino. Vamos procurar maneiras de nos fazermos úteis, seja através da excelência em massagens nas costas, resolver problemas hidráulicos ou cozinhar magistralmente. Porque já vimos que essa história de mandar, de comandar, não é bem o nosso forte. A evolução da ciência favoreceu as mulheres. O mundo agora é delas. Mas antes que elas percebam, vamos combinar uma coisa: a gente não conta pra ninguém. Falou? 

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