Coluna da Digi # 57 – Como vencer na crise.

No dia 12 de abril de 2009, resolvi bancar o bom rapaz e escrever uma crônica de auto-ajuda para os meus leitores da Digi. Como vivíamos na época a contagiante crise mundial, pretendia que eles enxergassem uma luz a partir de bons exemplos que eu havia observado, ou, mais propriamente inventado. Foi aí que surgiu o texto “Como vencer na crise” com ensinamentos sempre atuais.

Espero que lhes seja instrutivo.

***

Como vencer na crise.

Em tempos de crise como a atual muita gente fica preocupada com o desemprego em alta e a possibilidade de perder ou de não conseguir arrumar um trabalho. Este temor é bastante pertinente, pois com a retração da economia mundial, as dificuldades em se colocar no mercado aumentam exponencialmente, provocando ondas de demissão e verdadeiras epopéias em busca  de um atividade, qualquer que seja, que pague as contas de cada mês.

Em todo caso, o objetivo da presente coluna é dar um sopro de otimismo nos esperançosos corações desempregados e mostrar que, com um pouquinho de imaginação e vontade de acertar, você pode transformar o limão em limonada, a escassez em fartura, um cenário desfavorável em um futuro promissor. Vou citar dois exemplos de profissionais que foram à luta, arregaçaram as mangas e venceram na crise.

A primeira delas é a minha colega blogueira Talita Pavão. Descobriu que uma ótima oportunidade de emprego na nossa cidade é montar um blogue jornalístico sobre política. Baseada no sucesso dos colunistas sociais que pululam nos jornais locais (quer dizer, o Diário de Natal parece que deu um basta na farra dos boys e por isso recebe os parabéns deste escriba), Talita Pavão pôs no ar sua página com informes políticos. É verdade que ela não entende nada do assunto, inclusive pensa que o Evo Morales é presidente do Paraguai e o Hugo Chavez da Colômbia. Mas nada disso foi obstáculo suficiente para Talita. Com seu blogue no ar, conseguiu viabilizar uma polpuda mesada das autoridades sempre dispostas a pagar bem para serem citadas e elogiadas nas atualizações da jornalista.

Talita não se preocupa em publicar verdades, essa não é a ideia do blogue. O importante é fazer com que pareçam verdades incontestes mesmo os mais clamorosos absurdos, desde que essas quase-verdades favoreçam os generosos mecenas que altruisticamente depositam belas quantias em sua conta bancária e ajudam esta abnegada profissional virtual a vencer a crise. Os principais clientes desta assessora de imprensa disfarçada são políticos em mandato ou postulantes a cargos públicos, mas ela atende também artistas com grana que fazem de tudo para serem bem faladas na imprensa. É a diversificação dos negócios de Talita Pavão, a blogueira do cifrão, sempre disposta a publicar a sua verdade, desde que você pague bem e faça prosperar essa auspiciosa carreira profi$$ional.

E digo aos meus queridos leitores que Talita Pavão não é o único exemplo de gente que faz bem feito nessa cidade. Observem o caso de Natasha Farinos. Esta jovem mulher, nascida em uma família tradicional e abastada, com vocação política e empresas bem sucedidas não queria ficar à sombra do pai e irmão já prósperos em suas atividades. Ela queria ser reconhecida pelo sua capacidade e empreendedorismo, o problema era que Natasha era uma moça muito simpática, mas desprovida de qualquer talento aproveitável. Fútil como a pauta da Revista Caras e sem nunca ter trabalhado na vida, ela não se deu por vencida e idealizou a carreira perfeita para ela: Natasha Farinos Personal Stylist.

Natasha frequenta camarotes VIPs de eventos e lojas de luxo na Afonso Pena. Sabe muito sobre moda e tendências do mundo da alta costura. Entende como ninguém a cabecinha vazia de suas coleguinhas VIPs e passou a aconselhar dondocas e autoridades a usarem vestimentas adequadas a cada situação. Ela levou ao pé da letra a expressão tão comum em Natal: “As pessoas aqui vivem de aparência.”, percebendo aí um nicho de mercado e resolveu ela própria viver da aparência das pessoas que vivem de aparência.

Natasha Farinos, que muitos consideravam de uma futilidade estéril, de uma mediocridade sem limites, hoje é consultora das principais lojas da Afonso Pena, a Oscar Freire papa-jerimum. Ela também recebe quantias mensais de políticas e esposas de políticos para determinar tudo o que elas vão usar no dia-a-dia e em viagens. Natasha cobra caro por seus serviços, mas é necessário que o faça, pois os custos que ela própria tem com a sua aparência são altíssimos. Ela precisa comprar calças de R$ 3.000,00 e outras peças de roupa ainda mais custosas para poder manter a pose e dar exemplo a suas potenciais clientes.

Natasha Farinos e Talita Pavão são exemplos inspirados e inspiradores de como agir em tempos difíceis como os que enfrentamos. O grande legado delas é nos ensinar que com um pouco de imaginação, disposição para trabalhar e um monte de otários pra pagar a conta, você pode ir muito longe.

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