Archive for outubro \31\+00:00 2010

Festivais 2010

outubro 31, 2010

* Fontes do conteúdo: http://www.dosol.com.br/ e http://flipipa2010.blogspot.com/

Novembro se inicia cheio de expectativa. Os 2 melhores eventos culturais realizados atualmente no Estado preencherão os dias com uma rica programação.

No fim desta semana, Ândersons Foca dará início à realização de mais um Festival Dosol, na Rua Chile, Ribeira. Começa na Sexta (05) com o baile de abertura e agitará o bairro boêmio sábado e domingo (06 e 07).

Ândersons Foca e Ana Morena

A programação deste ano está uma das melhores que já vi, rivalizando com a célebre edição de 2007, na qual Foca e Ana Morena, sua sócia e esposa, trouxeram na raça, uma escalação de grupos inacreditável para quem acabara de perder o patrocínio da Lei Câmara Cascudo por uma destas humilhações que o governo que se acaba costuma impor a produtores culturais nestes 8 anos.

Mas voltando a falar da edição deste ano, quem for à Rua Chile conferir vai se deparar com atrações fodásticas como a Orquestra Contemporânea de Olinda, Móveis Coloniais de Acaju, Camarones Orquestra Guitarrística e o último Ramone vivo: Marky Ramone Blietzkrieg.

Os ingressos, senhas, bilhetes e casadinhas estão à venda na loja Levis do Midway Mall. Custam R$ 20,00 por dia e R$ 30,00 (sábado + domingo). Ah, só mais duas coisinhas: camarote e de cu é rola e frontstage é meu ovo, beleza?

Confira a ordem das bandas com as mãos levantadas fazendo chifrinhos:

FESTA DE ABERTURA (5/11)
CENTRO CULTURAL DOSOL
DISCOTECAGEM – FABRÍCIO NOBRE (GO)
24H – AMP (PE)
01H – LOVE BAZUKAS (GO/SP)

SÁBADO (6) – RUA CHILE, RIBEIRA
15h30 – HOSSEGOR (RN)
16H – DECRETO FINAL (RN)
16H30 – NEVILTON (PR)
17H – HUMANA (CHILE)
17H30 – MECHANICS (GO)
18H – SWEET FANNY ADAMS (PE)
18H30 – SEX ON THE BEACH (PB)
19H – SUPERGUIDIS (RS)
19H30 – VENICE UNDER WATER (RN)
20H – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
20H30 – AUTORAMAS (RJ)
21H – THE TORMENTOS (ARG)
21H30 – CALISTOGA (RN)
22H – BLACK DRAWING CHALKS (GO)
22H30 – VESPAS MANDARINAS + FÁBIO CASCADURA (SP/BA)
23H – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
24H – CABRUERA (PB)
0H30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)

DOMINGO (7) – RUA CHILE, RIBEIRA
15H30 – TODOS CONTRA UM (RN)
16H – BURN MY HEART AT SUNSET (RN)
16H30 – PUMPING ENGINES (RN)
17H – MAHATMA GANGUE (RN)
17H30 – KATAPHERO (RN)
18h – CONJUNTO MERDA (ES)
18H30 – AK-47 (RN)
19H – GARAGE FUZZ (SP)
19H40 – DESALMA (PE)
20H10 – CLAUSTROFOBIA (SP)
20H50 – FACADA (CE)
21H20 – MARKY RAMONES BLITZKRIEG (EUA)

FESTIVAL DOSOL – MÚSICA
CONTEMPORÂNEA 2010
CASA DA RIBEIRA

QUARTA, 10 DE NOVEMBRO
19h – ESSO ALENCAR (RN)
19h40 – CLARA E A NOITE (RN)
20h20 – MC PRIGUISSA (RN)

QUINTA, 11 DE NOVEMBRO
19h – JÚLIO LIMA (RN)
19h40 – PEDOBREU (RN)
20h20 – ANTÔNIO DE PÁDUA (RN)

SEXTA, 12 DE NOVEMBRO
19h – TRILOBIT (PR)
19H40 – DONA ZEFINHA (CE)
20H20 – WADO (AL)

SÁBADO, 13 DE NOVEMBRO
18h – AUTOMATICS (RN)
18h40 – PLANANT (RN)
19h20 – VIOLINS (GO)

DOMINGO, 14 DE NOVEMBRO
18h – TESLA ORQUESTRA (RN)
18h40 – FALSOS CONEJOS (ARGENTINA)
19h20 – FÓSSIL (CE)
20h – GIGANTE ANIMAL (SP)

FESTIVAL DOSOL 2010 (ETAPA PIUM)
CIRCO DA LUZ, PIUM/RN

DOMINGO, DIA 14 DE NOVEMBRO
17h – JULIO LIMA (RN)
17h40 – ORQUESTRA BOCA SECA (RN)
18h20 – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
19h – THE TORMENTOS (ARG)
19h40 – DONA ZEFINHA (CE)
20h20 – PEDOBREU (RN)
21h – CALISTOGA (RN)

SEGUNDA, DIA 15 DE NOVEMBRO
17h – TESLA ORQUESTRA (RN)
17h40 – FLUIDO NATURAL (RN)
18h20 – PLANANT (RN)
19h – FALSOS CONEJOS (ARGENTINA)
19h40 – A BANDA DE JOSEPH TOURTON (PE)
20h20 – PROJETO TRINCA (RN)
21h – VIOLINS (GO)
21h40 – VENICE UNDER WATER (RN)

Logo em seguida ao Festival Dosol, Ândersons e Ana Morena saem de cena para planejar 2011 e dão lugar a outro competente produtor, Dácio Galvão, o idealizador do saudoso ENE (Encontro Natalense de Escritores) que, após a sucessão municipal de 2008, teve que realizar um evento de igual importância a uns 100 Km da capital, na praia da Pipa.

A Flipipa começou em 2009 e acabei perdendo a primeira edição, pois estava morando fora. Mas não sei se eu iria, uma vez que as mesas estavam repletas de Danuzas Leões e Lobões, enfim, palestras com gente que eu não poderia deixar de perder.

 

No entanto, esta segunda edição, em 2010, está excelente! Marçal Aquino, João Gilberto Noll, João Ubaldo Ribeiro, Tarcísio Gurgel, Mia Couto, Rafael Coutinho e Daniel Galera vão transformar a Pipa no paraíso dos leitores potiguares (todos os 6). O festival só peca pelas mesmas razões de todos os encontros literários realizados em terras potiguares: algumas palestras ocorrem no meio da tarde e em dias úteis. Ou seja, quem trabalha fica impedido de conferir seus autores preferidos. Esse mesmo erro foi cometido no recente Encontro Potiguar de Escritores e também no Encontro Lusófono da Prefeitura de Natal. Mas a escalação de nomes está digna de uma folguinha no trabalho pra conferir de perto as mesas.

Abaixo a programação:

18/NOV (5ª feira)

18h — Tenda Literária 

Mesa 1: Novela Gráfica: A construção linguística e visual

COM: Daniel Galera (SP) e Rafael Coutinho (SP)

MEDIADOR: Alex de Souza (RN) 

19h30 — Tenda Literária

Solenidade de Abertura

20h — Tenda Literária
Mesa 2: O Brasil que existe em nós

COM: Mia Couto (Beira, Moçambique)

DEBATEDORA: Conceição Flores (Portugal/RN)

21h30 — Tenda Literária
 Mesa 3: 1822: Uma nova perspectiva da criação do Brasil
COM: Laurentino Gomes (PR)   DEBATEDOR: Raimundo Pereira Arrais (PE/RN)
 

19/NOV (6ª  feira)

17h30 – Tenda Literária

Mesa 4: O Sisudo e a Melindrosa: tradição e modernidade em Gizinha, de Polycarpo Feitosa

COM: Tarcísio Gurgel (RN)

MEDIADORA: Nivaldete Ferreira (PB/RN)

 

19h30 — Tenda Literária
Mesa 5: Do roteiro ao romance

COM: Marçal Aquino



21h — Tenda Literária

Mesa 6: Estrelas de Couro: A Estética do Cangaço

COM: Frederico Pernambucano de Mello (PE) e Sérgio Augusto Dantas (RN)

MEDIADORA: Clotilde Tavares (PB)

 20/NOV (Sábado)

17h30 — Tenda Literária

Mesa 7: Jornalismo e cultura nas redes sociais: experiências  

Com: Dirceu Simabucuru, Laurita Arruda, Yuno Silva e Carlos Cavalcante

 18h30 — Tenda Literária

Mesa 8: Luis da Câmara Cascudo: por uma fortuna crítica preservada
COM: Durval Muniz (PE),  Moacy Cirne (RN) e Vânia Gicco (RN)
Mediador: Carlos Magno Araújo

20h00 — Tenda Literária

Mesa 9 :A literatura de Noll em tempos de pós-modernidade

COM: João Gilberto Noll (RS) e Ilza Matias Sousa (RN)

MEDIADOR: Carlor Peixoto (RN)

21h30 — Tenda Literária

Mesa 10 : “Vida de escritor”
COM: João Ubaldo Ribeiro (BA) e Geraldo Carneiro (MG)

DEBATEDOR: Woden Madruga (RN)

Por fim, logo após a Flipipa, o lendário Gringo’s Bar abrirá excepcionalmente na segunda-feira, 22 de novembro, para o lançamento em Natal de “Cachalote”, o mais aclamado quadrinho lançado no Brasil em 2010. Sob o céu de Ponta Negra, esta praia habitada por putas e gringos, estaremos tomando umas cervejas com os autores Daniel Galera e Rafael Coutinho, recebendo amigos e vendendo exemplares de “Cachalote” e de livros anteriores do Galera.

Patrício Jr., Gregor Samsa e Daniel Galera.

Mas sobre isso, falarei mais ainda esta semana.

É isso aí: como já diziam os “Guns and roses” : “November’s rain (tradução: “Novembro é foda!”) 

Confirmado: Cachalote em Natal!

outubro 29, 2010

Prego batido, ponta virada. Daniel Galera e Rafael Coutinho incluíram Natal na turnê de lançamentos da tão esperada “Cachalote”. Aproveitando a ida a Pipa para participar da Flipipa, promovida por Dácio Galvão, eles resolveram dar uma esticadinha na capital e rever alguns amigos potiguares como Caio Vitoriano e Daniel Guanabara. Aí, caralho!, tinham que lançar o livro também, né?

Convite dos primeiros lançamentos em junho passado.

Será uma cortesia dos Jovens Escribas para a turma que curte quadrinhos e gosta dos livros do Daniel e do trabalho do Rafael. O jornalista Fábio Farias, Milena Azevedo e mais uma galera com quem não falei ainda (Alex de Souza, entre outros) nos ajudarão a espalhar a notícia. Espero que os nobre leitores deste espaço também façam sua parte.

Convite dos primeiros lançamentos em junho passado.

O evento terá que ser numa segunda-feira, pois é a única noite em que os caras estarão na cidade. Ocorrerá a partir das 20h do dia 22 de novembro, no Gringo’s Bar, em Ponta Negra. A partir da semana que vem, vamos começar a soltar as peças de divulgação e trabalhar a assessoria de imprensa do lançamento.

Convite dos primeiros lançamentos em junho passado.

Nas peças de divulgação, vamos informar os valores dos livros, pois além de “Cachalote”, haverá alguns exemplares de “Cordilheira”, “Mãos de cavalo” e “Até o dia em que o cão morreu” para quem quiser aproveitar a presença do Galera pra adquirir algum deles e já pegar a firma do hômi.

É isso, pessoal. Estou feliz com essa articulação bem sucedida. Agora é espalhar a boa nova.

Coluna da Digi # 75 – Tem piadas que duram 40 anos ou mais.

outubro 27, 2010

A piada mais engraçada do mundo foi tão hilária que muitos dos que souberam de seu conteúdo, morreram de rir fulminantemente. Ela foi contada pela primeira vez no dia 5 de outubro de 1969, quando a TV inglesa BBC levou ao ar o primeiro episódio de “Monty Python Flying Circus”, o programa televisivo que reinventou o humor como nós conhecemos, elevou a arte de fazer rir a um patamar de excelência e estabeleceu uma referência obrigatória para todas as produções do gênero no mundo a partir de então. O Circo Voador do Monty Python foi um divisor de águas, um registro do melhor que o homem pode fazer para arrancar gargalhadas de seus semelhantes, uma pós-graduação em Oxford ou Cambridge do riso, um tributo ao exagero. O legado deixado por eles é objeto de culto para milhões de fanáticos em todo o planeta, entre eles, este que vos tecla.

Quem me conhece sabe como eu tenho o riso frouxo. Sou o melhor público para piadas e rio com as mais incrivelmente simples besteiras. Muitas vezes, minha namorada, dominada por seu pragmatismo feminino, custa a acreditar em certas situações que me fazem rir. Gosto do absurdo, como a falta absoluta de noção (favor não confundir com mau gosto, escatologia ou demais distorções morais exibidas como se fossem humor na televisão hoje em dia) também conhecida pelo seu original em inglês, o nonsense. Pois bem, os ingleses são os mestres do nonsense. Além dos saltimbancos do Circo Voador, havia também ótimos escritores como Douglas Adams, o homem que escreveu “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, que Hollywood fez questão de estragar.

O Monty Python era composto por John Cleese, Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones e o americano Terry Gilliam, que depois virou um diretor muito bem sucedido. A primeira vez que tive contato com eles foi quando, ainda na infância, tive o prazer de assitir ao filme “Monty Python em busca do cálice sagrado” (1974), narrando uma improvável e fantástica aventura do Rei Arthur e seus cavaleiros. Umas duas décadas depois, concluo feliz que, até hoje, aquele foi o filme mais engraçado que já vi na vidae para muitos, a obra prima da trupe. O fato de não usarem cavalos, mas sim quengas de coco para simular o galopar, os confrontos contra o Cavaleiro Negro e os homens que dizem “NI”, a antológica cena de travessia da ponte, a cômica arrogância de Sir Robin, o bravo. Cenas que fazem parte do meu imaginário afetivo e as quais recorro sempre que sinto saudades de reviver momentos de alegria incontida.

Após o fim do programa na TV (que durou 5 temporadas, de 69 a 74), eles viajaram o mundo se apresentando em espetáculos de quadros escritos, protagonizados e dirigidos por eles próprios. Em meio à turnê escreveram mais um filme, “A vida de Brian”, sátira da vida de Jesus Cristo. Como nenhuma produtora quis patrocinar a sacrílega aventura, a aventura acabou sendo bancada pelo ex-Beatle George Harrison. O enorme êxito da película, repetindo o desempenho de “Em busca do cálice…” (que aliás também havia sido financiada por outros músicos, no caso, as bandas Led Zeppelin e Pink Floyd), rendeu um ótimo retorno para o espiritualizado rapaz de Liverpool e dezenas de sequências impagáveis, entre elas, o inesquecível final do filme, clímax do politicamente incorreto, em que condenados crucificados cantam a inesquecível “Always look to the bright side of life” (algo como, “Sempre veja o lado bom da vida ou olhe sempre para o lado bom das coisas”). Canção esta que foi cantada no episódio da morte de Graham Chapmam, o único integrante que já nos deixou, há exatos 20 anos, em 1989. Este episódio rendeu uma crônica em uma das minhas primeiras colunas da Digi: “O lado bom da morte”.

Hoje, com a relativa democratização dos meios eletrônicos, é possível encontrar o conteúdo humorístico do Monty Python muito mais facilmente. DVDs como “Ao vivo em Hollywood” de 1982 e o filosófico “O Sentido da vida”, pretensiosa produção de 1983, podem ser encontrados em boas locadoras como a Videolaser ou nos sítios de compra da internet. Todos os outros filmes lançados e também as 5 temporadas do “Flying Circus” estão disponíveis da mesma forma. E, como não poderia deixar de ser: abençoado seja o Youtube! O grupo foi um dos primeiros a ter um canal oficial no portal de vídeos número 1 do mundo. É possível assitir suas sketches originais em ótima qualidade. Se o internauta preferir ver legendado em português, tudo bem, graças a uns bons samaritanos que prestam esse importante serviço de utilidade pública virtual. 

Eu não me canso de rir de quadros como o “Ministério do andar idiota”, “O futebol filosófico disputado entre Alemanha e Grécia”, “O Papa fazendo alterações na Santa Ceia de Michelângelo” e oO serviço de discussão” e seu maravilhoso diálogo:

“Isso não é uma discussão!”

“ É sim!”

“Isso não é uma discussão!”

“É sim!”

“Isso não é uma discussão!”

“É sim!”

“…”

De lá para cá, todos os humoristas de TV que se prezem beberam desta fonte. Do Saturday Night Live, passando pelos globais TV Pirata e Casseta&Planeta, até os propositalmente toscos Hermes e Renato, ninguém está livre de sua influência,carregando em seu código genético o DNA dos loucos ingleses e seu estilo único, revolucionário, inconfundível.

No dia 5 de outubro de 1969, eles deram início a essa piada que não tem prazo de validade, pois nunca vai perder a graça. É, sem sombra de dúvida, a piada mais engraçada do mundo. Há 40 anos, o Monty Python implantou um programa de qualidade total em nosso senso de humor.

Apontamentos desconexos # 5.

outubro 26, 2010

 

De volta ao Comitê

José Marcelo, Leandro, Arnaldo, Fernando, Fialho, Júlia, Mychelinne, Flávio, Cleide, Dimetrius e Thiago (no detalhe).

Após um período de 4 meses trabalhando na campanha política e mais 15 dias de descanso, voltei ao batente publicitário junto aos meus colegas do Comitê Criativo. A agência passa por um processo de crescimento e mudança de sede e agora está recebendo diversos novos clientes, além de botando na rua umas campanhas bem legais que nos tem enchido de orgulho. A equipe também tem acompanhado o crescimento da agência e a cada mês tem chegado gente nova pra nos ajudar a atender cada vez melhor nossos clientes.

Curso de informática do IFRN

Semana passada, quinta-feira, tive um ótimo encontro com os alunos do curso de informática do IFRN de Natal. O professor de português Carlos Negreiros havia trabalhado uma de minhas crônicas em sala de aula e acabou formulando o convite para que eu fosse conversar com a turma sobre o exercício de escrever crônicas. Aproveito para agradecer pelo convite e a ótima receptividade que tive junto à turma.

Cachalote

Está quase tudo certo para o lançamento em Natal da história em quadrinhos “Cachalote” de Raffael Coutinho e Daniel Galera. Os caras estarão por aqui, participando da Flipipa e darão uma esticadinha de mais uns dois dias em Natal. Nós dos Jovens Escribas descolamos a hospedagem deles por aqui e já marcamos o lançamento para o Gringo´s Bar em Ponta Negra, na segunda-feira, 22 de novembro. Está faltando ainda a confirmação da Cia das Letras para o envio dos livros. Assim que estiver tudo certo, vamos preparar uma campanha de divulgação. Também pedi para a editora mandar alguns exemplares dos outros livros do Galera (“Mãos de cavalo”, “Até o dia em que o cão morreu” e “Cordilheira”).

 

Novo Jornal

Muitos já estão sabendo, mas não custa nada espalhar. Desde o início de setembro, sou colunista contratado do Novo Jornal. Escrevo uma crônica semanal na seção “Jornal de Carlos Fialho”. Fiquei muito feliz com o chamado de Carlos Magno e sinto-me honrado em ocupar o mesmo espaço que, às terças-feiras, é abrilhantado pela erudição e estilo inigualáveis de Adriano de Sousa que, aliás, é digno dessa puxada de saco suassuno-levínica.

Coluna da Digi

Aproveitando o assunto Novo Jornal, informo também que, atendendo a pedidos, voltei a publicar crônicas na coluna “Sei lá! Mil coisas.” no portal Diginet. Serão atualizações eventuais, sem o mesmo rigor de outros tempos, mas que servirão como alternativa aos que quiserem ler novidades na net, uma vez que a coluna do Novo Jornal só pode ser lida no próprio periódico.

Coluna da Digi # 74 – Baile dos coroas.

outubro 26, 2010

Esta republicação de hoje é bastante oportuna. Na verdade, trata-se de uma incrível coincidência que motivou, inclusive a mudança do nome de uma personagem citada pela protagonista. Ela foi publicada no dia 28 de setembro de 2009, quando eu estava passando uma temporada em Madrid, mas vem dando o que falar até hoje, mais de um ano depois.

Boa leitura.

*** 

Baile dos coroas

Pode uma única noite provocar tão lindo desabrochar em flores cujas pétalas permanecem 364 alvoreceres cerradas em si, aguardando (e guardando-se) para finalmente revelarem sua esplendorosa beleza durante uma curta caminhada do ponteiro mais largo? Sim, pode. E eu sou testemunha deste cortejo anual, quando todas as atenções se voltam para o que mulheres e homens estão dispostos a usar para chegarem mais próximos do Olimpo. Uma noite em que a justiça divina é ensaiada com rigor de purgatório, podendo ser condenados com olhares inquisitores os que fracassarem na missão de parecerem membros de um plano superior em visita oficial ao mundo dos mortais, garbosamente flutuando em nosso mundo, como se fossem nossos quase iguais.

Se a aparência angelical de uma Grace Kelly ou a elegância viril e inconteste de um Humprfey Bogart não forem suficientemente convincentes aos ávidos olhos alheios, os próprios réus seguirão dantescas jornadas ao mais baixo andar do inferno, pois nem o tormento de mil demônios e o calor sufocante de toda a lava do Vesúvio será capaz de aplacar a vergonha inerente a um deslize tão imperdoável quanto não fazer da grande noite uma ocasião perfeita, ferindo com a indisfarçável marca da inveja o semblante de todos os presentes.

E não há palavras que possam expressar a angústia, expectativa e ansiedade das horas que antecedem a grande noite, divisora de águas em biografias e reputações. Nem há ciência que possa medir o regozijo por saber-se absoluta, senhora de suas ações, capaz de atrair os mais rasgados elogios que, apesar de verdadeiros, contrariam sentimentos vis, oculto no mais profundo da alma feminina.

Precisamente hoje, vivo o porvir e antevejo a cada fechar de olhos mais demorado como será minha entrada triunfal que, de tão arrasadora, fará soar trombetas celestiais, a ponto de parecer que o próprio céu estará abrindo seus portais para minha passagem. Nas mentes atentas povoará pensamentos de que meu vestido poderia ter sido feito para ninguém menos que Santanna, encomendado para a mais hábil costureira, pela maior de todas as devotas.

Os calafrios que percorrem meu corpo produzem suores febris e me fazem padecer em vida, eriçando pelos, causando vertigens poderosas de tanta pressão. A relevância deste momento não poderia ter menor medida, uma vez que há exatos 12 meses, seus preparativos são tratados como prioridade absoluta de minha e de muitas outras famílias. E foi um caminho árduo o que trilhamos até aqui. No último ano passamos por terríveis provações e vimos os recursos escassearem ante os gastos cada vez mais vultosos. Nos vimos forçados a cortar certos luxos e benesses com as quais contávamos dada à bonança em que vivíamos antes.

Os meninos, mudamos de escola. Uma mais simplezinha, com mensalidade mais barata. O que, no fim das contas, nem fez tanta diferença, já que atrasamos o pagamento em 6 meses. Em casa, entramos todos em um regime inclemente, pois com o preço que anda a comida hoje, dá pra contratar um bom alfaiate e fazer um terno sob medida para o Marcelo, meu marido. O carro não pudemos vender ou trocar por outro mais barato ou econômico. Acontece que, além de estar financiado em muitíssimas prestações, desafiando a expectativa de vida de um ser humano saudável, não seria bom para nossa imagem um retrocesso automobilístico. Todo mundo sabe que um bom carro separa os vencedores dos fracassados. O jeito foi deixar de quitar alguns meses para sobrar uma laminha pro uísque 12 anos e o complemento do enxoval.

Um esforço hercúleo, 12 trabalhos e até mais, se você analisar direitinho, pois esta noite teremos a oportunidade de experimentar extremos absolutos e de encarar feras tão terríveis quanto Cérbero. Arrisco dizer que há mais dignidade nos vermes que se alimentam do cadáver de um rato que em certas víboras que destilam o produto de suas peçonhas pelo abarrotado salão de vítimas potenciais.

O brilho de um longo admirável e deslumbrante, bem como o corte irrepreensível de um terno perfeito não bastam em si. É necessária uma extenuante bateria de embelezamento. Para nós, mulheres: pés, mãos, maquiagem, cabelo, depilação. Tudo para que, por uma noite, sejamos alguém que desejamos ser, bem diferente de quem somos. E é preciso ser persuasivos para que as outras pessoas também acreditem ou admitam acreditar que sejamos pessoas mais belas e felizes, próximas da perfeição humana. Elas vão continuar nos odiando, claro, mas pelos motivos certos. Sentirão inveja, mas nunca indiferença.

E os outros, meu Jesus! Os outros e principalmente as outras! Que Deus tenha piedade de suas almas desgraçadas por cometerem o grave pecado de não saberem combinar razoavelmente as roupas ou exibirem maquiagens tão berrantes quanto suas vozes gasguitas. Algumas delas tem um olhar de fazer murchar todas as plantas do Seridó e a língua mais ferina que faca amolada. Pessoas assim, quando pousam os olhos sobre minha imaculada figura, fico baratinadinha. Tenho que me benzer 10 vezes e tomar um banho de sal grosso senão caio doente de cama e nem todo o lambedor do mundo vai me levantar. E são bregas, visse? Ali cabe mais cafonice que água no Itans. Gostam de usar umas roupas mais coloridas que penteadeira de rapariga. Mas, assim, se eu encontrar com uma cururu dessas no baile, pois além de tudo costumam estar tão gordas que devem estar almoçando e jantando queijo de manteiga com carne de sol, eu vou dizer pra assim: “Meniiiina, você está tão bem. Tá forte, saudável… muito bem. Um beijo, querida.” E saio logo de perto desse poço de falsidade, dando graças a Deus. Afe! Aquela ali nem Abbis e Arlete juntos dão jeito. Nasceu pra ser uma prejura e vai morrer uma prejura, bicha véia beradeira!

Ai, meu Deus! Já vai dar 4 da tarde! Tenho hora marcada no salão. Espero ficar tão bela a ponto de derramar lágrimas alheias ao simples vislumbre de minha entrada no salão do baile. Fiz minhas escolhas, espero corretas, para levantar-me acima da obscuridade comum. Serei ilustre ou estarei ao menos notável? Penso que sim. Tenho o instinto das elegâncias e um bom gosto inato. Tomara que tudo dê certo, que seja uma noite divina para mim e meu marido. Que se agrade Nossa Senhora de Santanna dos nossos atos para que amanhã não nos venha censurar com o arrependimento.

Enquanto isso no Comitê # 02

outubro 22, 2010

Essa semana pegamos a campanha política como mote para o novo comercial da Saci. O resultado foi essa peça de 15 segundos, que bota na mídia todo o humor que falta no pleito.

Esperamos que gostem:

Enquanto isso no Comitê # 01

outubro 21, 2010

Após trabalhar na campanha política, voltei a tarabalhar no Comitê de Soluções Criativas, agência de propaganda onde trabalho desde janeiro de 2008 (excetuando-se apenas o período em que estive na Espanha). Quando cheguei, a rapaziada havia acabado de botar na rua a nova campanha de vestibular da FARN, com o conceito “Pense Grande. Seja FARN”.

Aproveito esta postagem para dividir algumas peças da campanha com vocês. Espero que gostem. E se forem fazer vestibular esse ano, nada de pensar pequeno, beleza?

Outdoor.

 

Anúncio

 

Agenda para Outubro e Novembro de 2010

outubro 20, 2010

A razão de eu publicar essa postagem não é para aderir ao novo movimento do “estarei em tal lugar em tal data e a tal hora. por favor, me sequestre, se já não tiver marcado nada.” Na verdade, eu quero me programar para não esquecer de nenhum desses compromissos assumidos.

21.10.2010 (Quinta-feira) – 18h – Bate-papo com os alunos do IFRN de Natal.

26 a 28.10.2010 (terça, quarta e quinta-feira) – 19h – Assistir às mesas do 3º Encontro Potiguar de Escritores.

03.11.2010 (Quarta-feira) – 21h – Debate sobre blogues e mídias sociais – Curso de comunicação da UnP.

04.11.2010 (Quinta-feira) – 20h – Fórum de Leitura – Curso de Letras da UnP com a professora Ana Santanna.

Entre 18 e 21 de novembro (não está certo o dia ainda) – Participação na Flipaute – evento paralelo à Flipipa.

E vamo que vamo!

A editora que a Burrocracia não deixa ser.

outubro 20, 2010

Essa postagem poderia ser o registro de um momento histórico.

Mas não é.

Tudo porque vivemos num país cheio de regras e obstáculos para dificultar ao máximo aqueles que querem construir algo, produzir, trabalhar, montar uma empresa.

Nossa epopeia começou quando decidimos transformar o nosso singelo selo literário, o famigerado “Jovens Escribas”, em editora registrada na Biblioteca Nacional e empresa constituída junto aos órgãos competentes.

"Vamos abrir uma editora?" "Hômi! Dá pra tomar uma Kaiser antes?"

Fizemos tudo conforme as normas e leis vigentes. Contratamos uma contadora, reunimos os documentos necessários, elaboramos um contrato, assinamos e pagamos as taxas exigidas.

Demos entrada na junta e, por causa de um erro de digitação em um dos 237 documentos que havíamos providenciado (saiu um R intruso e acabamos grafando “Jovens EscribRas”), voltou tudo e exigiram que imprimíssemos novamente as 4 cópias e assinássemos.

Se a gente deixasse o nome da editora com um errinho de digitação, vocês acham que pegaria mal?

Lá fui eu imprimir a porra toda, ir atrás de Patrício e Minchoni para que eles assinassem. Dessa vez quisemos registrar o momento, uma vez que estávamos dando um passo muito importante para a trajetória desse nosso selo literário que tantas alegrias e amizades tem nos trazido de 2004 pra cá. As fotos da solenidade de assinatura do contrato são essas que seguem: 

"Minha outra caneta é uma Mont Blanc."

 

"A gente pode continuar se chamando Jovens Escribas depois dos 30?"

 

"Vou escrever uma posia marginal aqui nas margens deste contrato."

 

Depois de assinada a papelada, apresentamos os documentos novamente e pronto. Já podíamos tirar uma fotografia comemorativa.

O mais revoltante de tudo é que vestimos nossas melhores roupas para esta importantíssima ocasião.

 

Agora, era só esperar. Certo?

Errado.

Os órgãos competentes encontraram uma irregularidade na sala que havíamos arranjado e mobiliado a duras penas para ser a nossa sede.Um probleminha no “sequencial do imóvel” que é um número que consta no carnê do IPTU.

Além de ter que refazer o contrato, alterar as informações dos papéis, ainda tivemos que buscar uma outra sala que possa servir de sede para esta nossa nascente editora.

Encontramos um lugar que, talvez, quem sabe, esperemos, poderá servir. Nossa brava e incansável contadora, Josy, está averiguando junto aos órgãos competentes (sim, sim, é com ironia mesmo que tenho escrito isso desde o início do texto.) se o novo imóvel poderá abrigar nossos projetos editoriais.

Enquanto a resposta não chega, o novo livro de Pablo Capistrano aguarda e a série Escribas de Bolso também. Além de várias outras iniciativas que vamos viabilizar com a nossa editora constituída.

Em todo caso, publico aqui no blogue os momentos felizes (apesar de breves) em que pensamos ter finalmente legalizado nossa editora.

Não deu.

Os órgãos preferiram que nós continuemos na informalidade em vez de pagando impostos pelos produtos e serviços que já poderíamos estar oferecendo.

Espero que as fotos sirvam de bons presságios para que, muito em breve, eu noticie aqui a realização desta nossa antiga aspiração.

Torçam aí.

Coluna da Digi # 73 – A Entrevista

outubro 19, 2010

No dia 23 de setembro de 2009 publiquei na coluna da Digi esse relato fiel de um acontecimento verdadeiro que passei ao lado do nobre amigo Daniel Minchoni. Leiam e podem rir à vontade. Não chega a ser tão hilariante quanto o texto de Crystyan de Saboya contando a perda da virgindade de sua poodle Maria do Socorro, mas dá pra se divertir um pouquinho.

Boa leitura.

***

A Entrevista

Esta é uma história real, valendo-se evidentemente de algumas liberdades e ênfases necessárias em determinados pontos que poderiam ser interpretados como inverdades, porém defendo-me de tais acusações, afirmando peremptoriamente se tratarem de pequenos adornos narrativos a fim de dar ao texto uma dinâmica mais adequada ao bom proveito do leitor. Tais detalhes controvertidos também poderiam ser encarados como simples exageros do autor ou leves falhas de memória que fazem com que o acontecimento real seja dessa forma recordado. O fato é que, com ou sem precisão e sem demasiado apego aos mais ínfimos detalhes, tudo o que relato a seguir aconteceu realmente no verão do ano da graça de 2006.

Numa noite de sexta-feira, eu já a caminho da praia após uma exaustiva semana de trabalho, recebo um telefonema do poeta Daniel Minchoni. Ele diz que ligaram para ele de um canal de TV de Natal, querendo agendar para o dia seguinte, às 8 da manhã, uma entrevista ao vivo no programa d emaior audiência do canal, para falar do selo literário Jovens Escribas, que eu, junto com os autores Patrício Jr., Thiago de Góes e o próprio Daniel, criei em idos de 2004. Minchoni achava que era uma boa chance de divulgação do nosso trabalho, mas que ele não gostaria de ir sozinho, uma vez que um dos diferenciais dos JEs era a nantureza coletiva do projeto. Argumentei que estava a caminho do litoral sul e que falaria com Patrício para que ele acompanhasse Minchoni.

Tarde demais. Patrício já se encontrava no litoral norte, na casa de praia de sua família e, uma vez que Thiago de Góes mora em Fortaleza, eu próprio teria que ir à entrevista sob pena de perdermos a chance de divulgar os nossos livros que vínhamos lançando naqueles meses. Adiei minha ida à praia pra depois da entrevista e fui pegar Daniel bem cedo em sua casa. A caminho da emissora, combinamos como seria todo o nosso roteiro para não nos enrolarmos. Primeiro, antes de entrar no ar, conversaríamos com o apresentador do programa, para dizermos que eu começaria falando um pouco de como surgiu a ideia do selo, como começamos a publicar os livros, o que pretendíamos publicar ainda em 2006. Em seguida, Minchoni falaria um pouco dos livros (Verão Veraneio, Lítio, É Tudo Mentira!, Contos Bregas e Escolha o Título) que já havíamos publicado. Limpeza. Com tudo combinado previamente não teria erro, uma vez que, tanto eu, quanto ele, somos muito tímidos diante de microfones ligados, estúdios com ar-condicionado no máximo e câmeras de TV apontadas para nós.

Ao chegarmos na sede do canal de TV, fomos recebidos pelo produtor do programa e cumprimentados pelo apresentador. Ele reconheceu Minchoni como sendo publicitário, pois ele já o havia entrevistado anteriormente a respeito de um evento do Clube de Criação do RN, entidade da qual ele era diretor. Daniel respondeu algo como: “Sim, sou publicitário, faço parte do CCRN, mas hoje estamos aqui para falar só de literatura.” O apresentador soltou um “hum-rum” enquanto amarrava sua gravata e perguntou o que eu fazia da vida além de publicar livros. Falei que também era publicitário e trabalhava numa agência ao que ele também soltou um desinteressado “hum-rum”.

Fomos conduzidos a um estúdio refrigerado e posicionados em tamboretes altos com os microfones de lapela devidamente presos em nossas camisas. Conosco no estúdio, além do apresentador, havia uma garotinha de uns 8 anos de idade a frente de um microfone de pedestal. Meu frio na barriga crescia rapidamente e eu ficava cada vez mais nervoso (o programa era ao vivo). “Silêncio no estúdio!”, passa a vinheta de abertura e…

“Boooom dia! Bom dia! Este é mais um programa … da sua TV… e hoje nós temos aqui a Ádala Nataly, a cantora mirim de Macaíba. E temos também os publicitários Daniel Minchoni e Carlos Filho, que vão falar de publicidade e também de livros num papo muito interessante. Mas antes vamos ouvir um pouco de Ádala Nataly, a cantora evangélica mirim de Macaíba.

A garotinha começou então a cantar altíssimo com uma voz muito aguda em seu microfone: “DEEEEEEEUS, ME CAPACIIIIIITA EM SEU BEM QUEREEEEEER! POIS É PRA TI QUE EU QUERO VIVEEEEEEER!!!” Eu e Minchoni, assustados com aquela voz vigorosa e intimidados com a desenvoltura da menina com as câmeras, certamente inversamente proporcional à nossa, ficamos pensando em que contexto, nós falaríamos sobre os livros. Quando a garotinha terminou sua canção, o apresentador chegou ao nosso lado e disse novamente: “Daniel Minchoni e Carlos Filho vão conversar com a gente…” Eu já me preparava para dizer o que havia combinado previamente com Daniel, quando o homem completou “… mas não agora, porque temos uma participação ao vivo”.

Durante os seguintes 5 minutos, uma telespectadora falou o quanto ela estava tocada pela voz da pequenina Ádala Nataly, como aquela garotinha melodiosa era um instrumento de promoção do Senhor, como era possível sentir a presença do Altíssimo ao se deliciar com a suas canções maravilhosas e etc…  Logo, percebemos que 99% do público daquele programa era composto por protestantes ou católicos que realmente levavam sua religião muito a sério e não pudemos concluir com exatidão se aquilo era bom ou ruim.

O apresentador, influenciado pela vivaz empolgação da telespectadora do programa, pediu a Ádala Nataly que cantasse mais uma canção. Ele próprio, visivelmente comovido, olhava para nós, fora do foco das câmeras e comentava: “É um rouxinol! É um rouxinol!”Com isso, encerrou-se o primeiro bloco e a entrevista ficou para a segunda metade do programa.

Ao voltarmos do intervalo, cumprindo a promessa, o apresentador, logo após saldar o público de casa e anunciar que “estamos de volta com o programa …”, se dirigiu a nós e fez a primeira pergunta da entrevista: “Clube de Publicidade de Natal! Meu amigo, Carlos Filho, explique o que faz o Clube de Publicidade de Natal…” Eu, que não tinha nada a ver com o Clube de Criação do Rio Grande do Norte, fiquei sem saber o que fazer. Então, fiz o que talvez a maioria fizesse em meu lugar, tive uma crise de riso de quase um minuto. Quando voltei a mim, tive que responder alguma coisa uma vez que aquilo era televisão ao vivo. Falei então de todas as ações maravilhosas que o CCRN promovia (todas inventadas ali mesmo de improviso) e, pra não passar vergonha sozinho, citei um monte de nomes de colegas publicitários para poder dividir, pelo menos um pouco, todo aquele embaraço surreal.

Em seguida à minha resposta, o apresentador se voltou pra Minchoni e perguntou: “E como vai a agência …?”, referindo-se à agência de propaganda em que EU trabalhava. Daniel, acompanhando o que eu havia feito, também mentiu descaradamente, falando que era uma ótima empresa, repleta de pessoas formidáveis e que tinha muito orgulho de trabalhar lá. O apresentador, muito satisfeito com a entrevista, elogiou nossa postura de jovens profissionais, exemplos para os muitos garotos que assistiam ao programa e agradeceu a presença naquela manhã de sábado. Saímos de lá sem nem sequer mencionar os assuntos livros ou selo editorial, mas antes de irmos embora, fomos mais uma vez agraciados com a voz de rouxinol da cantora evangélica mirim de Macaíba, Ádala Nataly em sua derradeira canção da manhã.

Deixei Minchoni em casa em meio a risos incontidos de ambos e torcendo para que nenhum dos nossos amigos tenha assistido ao programa. Depois, finalmente fui pra praia com vontade de não voltar. Nunca mais.

Nos blogues dos caras – Rica Perrone e Émerson Gonçalves

outubro 18, 2010

Hoje, vou indicar dois blogues do Globo Esporte ponto com.

Ambos são originários da blogosfera e acabaram sendo convidados a se hospedarem no portal justamente pela excelente qualidade do conteúdo. Desde que os li pela primeira vez, virei freguês. Nunca deixei de dar uma passadinha nas bodegas de um e de outro para conferir se tem novidades. Se vocês gostam de futebol, informação de qualidade e uma boa leitura, sugiro que façam o mesmo. Vale a pena.

 Olhar Crônico Esportivo – http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/

 

Émerson Gonçalves é especialista em marketing esportivo, em particular no que se refere ao futebol. Em seu blogue, aborda o grande negócio que se tornou o mundo da bola nos dias de hoje, explicando estratégias adotadas por clubes, confederações e organizações e$portivas em geral. Divulga informações referentes a patrocínios, valores de marcas, investimentos e retornos obtidos, analisa balanços, apontando possíveis erros ou acertos, lucros e prejuízos. Fala de valores e dá nomes aos bois, não se preocupando em poupar empresa A ou B, dirigente X ou Y, na hora de revelar cagadas cometidas com o dinheiro alheio. Os ativos e passivos de nossos times de futebol, os contratos com as televisões e a inacreditável situação de atraso gerencial que assola 90% de nossas amadoras e corruptas instituições futebolísticas são temas recorrentes neste espaço virtual.

Isso sem falar que Émerson escreve muitíssimo bem, coisa rara nesse mundo do marketing. Eu nunca havia lido um especialista em negócios (seja de que área for) se expressar com tanta clareza, objetividade e, ao mesmo tempo, com vasto vocabulário, português correto e sem anglicismos. Enfim, com domínio total do assunto ao qual se refere.

Acessem e aprendam bastante, como eu já venho fazendo há mais de 2 anos.

Blog do Rica Perrone – http://www.ricaperrone.com.br/

 

Tive contato com os textos do Rica Perrone através do Urublog, do Arthur Muhlemberg, de quem sou leitor e fã confesso, já o tendo definido como dono de um dos melhores textos de humor do Brasil. O Rica é paulistano e produz o podcast do Urublog junto com o Arthur. Em seu sítio próprio, porém, o assunto não se restringe exclusivamente ao Flamengo, expandindo-se a temas menos importantes como outros clubes, seleção brasileira e futebol tupiniquim.

Suas análises, reflexões e visões do que ocorre no mundo da bola brasilis são de uma sensatez que é muito difícil de encontrar em meio à pressa, o sensacionalismo e a touperice do jornalismo esportivo brasileiro. É muito bom poder ler alguém capaz de tecer uma linha de raciocínio coerente, embasada em situações ocorridas no passado e que se utiliza de pesquisa e apuração de informações e não apenas em boatos e certas “fontes” que poderiam muito bem ser um blogue apócrifo de veracidade duvidosa. Rica Perrone se sobressai nessa geleia geral de dados desencontrados que é o mundo virtual. Seu sítio internético evidencia um jornalista sério, apaixonado pelo seu ofício e responsável nas postagens que publica ou nos podcasts que grava. De vez em quando, derrapa, expondo também alguma contradição, como a sua recusa crônica em não reconhecer os pontos corridos como a melhor fórmula de disputa para o Brasileirão. Mas, pô! Algum defeito o cara tinha que ter, né não?

Boa leitura e ótimos acessos.

Coluna da Digi # 72 – Texto Rápido

outubro 15, 2010

 

Hoje é sexta-feira. Sua tarde de trabalho deve estar corrida, eu sei. Pois então, a atualização de hoje é rápida para todos nós. Trata-se da republicação da crônica “Texto Rápido”, publicada em 14 de setembro de 2010, fechando a trilogia de “textos lúdicos” (“Texto Silencioso”, “Texto Lento” e “Texto Rápido”). Boa leitura!

***

Texto Rápido

Eu queria escrever um texto rápido, acelerado, frenético, num ritmo de hoje em dia, de qualquer dia, de dia-a-dia, cheio de correria. Um texto que tivesse stress e prazos a cumprir e um chefe bem chato, exigente, malcriado e insuportável, pressionando para que ficasse pronto, para que ficasse ótimo, para que você ficasse até mais tarde.

Eu queria escrever um texto pra ontem, logo, que avançasse ligeiro, como dos segundos o ponteiro, que inspirasse grande expectativa, que não admitisse uma segunda tentativa, que tivesse muito em jogo, que fosse de grande responsabilidade e lido em alta velocidade, como o avançar da idade, ao som de carros acelerados e ensadecidos buzinaços.

Eu queria escrever um texto com pressa, no sufoco, que a partir do momento em que começa já tivesse urgência de chegar ao final, como a fuga desesperada de um animal, correndo pra longe, escapando, sobrevivendo. Cada letra cairía veloz sobre linhas impacientes, pois o prazo apertado, atroz, chegaria brevemente.

Eu queria escrever um texto sem pensar, pá-pum!, dopado de cafeína, ideal para ler na esquina, em meio ao caos da cidade, indo de um lugar a outro, sem muita facilidade, no intervalo do almoço, na pausa do café, no meio de uma aula, para ler no caminho, na esteira da academia, no calçadão, correndo pela via.

Eu queria escrever um texto e fazer dele, símbolo de nossa intensa atividade, dos tempos atuais, e dessa tão falada modernidade. Um texto que fosse breve, que tivesse curta duração, como tudo o que é efêmero, prazeroso e vão. Que ele penetrasse em sua mente, preciso, implacável, num momento de distração e, antes que você pudesse concluir se gostou, se deparasse com o fato de que o texto acabou.

Coluna da Digi # 71 – Cortando cebola

outubro 8, 2010

Gosto dessa crônica. Foi publicada no dia 07 de setembro de 2009. Espero que gostem também.

***

Cortando cebola

Não resta dúvida, o mundo ocidental moderno atravessou nas últimas décadas uma degradante disputa de interesses entre valores individuais e coletivos. Hoje, com a derrocada do socialismo e as evidentes falhas que tem demonstrado o capitalismo a ponto de realçar o nosso lado mais individualista e, por que não dizer?, mais “humano”, tomamos partido de vez pelo farinha-pouca-meu-pirão-primeiro, atendendo aos nossos instintos mais primitivos (ou mais modernos).

A desigualdade provocada por essa tendência mundial nos traz ao estágio atual das coisas, em que o culto às celebridades já ultrapassou todos os limites do tolerável e as pessoas comuns sentem uma crescente angústia para serem alguém em detrimento a serem elas mesmas. Basta alguém se destacar por ser dotado de um talento fora do comum ou por saber aliar trabalho e com uma boa dose da aptidão necessária para virar estrela, ter hordas de fãs e seguidores, ávidos por saberem cada novo detalhe de sua vida particular e colecionar imagens do ídolo. Essa necessidade de pessoas célebres tem produzido fenômenos difíceis de explicar como os Ex-BBBs ou o Fábio Faria, o que no fim das contas é mais ou menos a mesma coisa. 

A música é um bom exemplo do prevalecimento do mérito individual sobre as realizações grupais. Para haver sucesso, uma banda inteira se esforça em ensaios mil, viagens desgastantes, shows exaustivos e muito trabalho de bastidores para que, por fim, o vocalista leve toda a fama.

No futebol, um esporte essencialmente coletivo, em que cada um dos homens em campo cumpre um importante papel em prol da equipe, ocorre o mesmo. Os craques, os centroavantes, os fazedores de gols são objetos de adoração mundial e modelos a serem seguidos, não só pelo que fazem em campo, mas também pelos valores frívolos, ostentação da riqueza e proezas sexuais. Mas e os cabeças de área? Os exímios ladrões de bola que dão início às jogadas? Os competentes defensores que conferem equilíbrio à equipe, impondo respeito, exercendo liderança e, claro, obtendo vitórias.

Para mim, esses valorosos e marginalizados profissionais são tão importantes quanto os definidores lá da frente. Na Copa de 94, por exemplo, jogadores com esse perfil foram imprescindíveis para a conquista. Para cada Romário existe um Mauro Silva e para cada Bebeto, um Dunga disciplinado e incansável, botando ordem na casa. São os carregadores de piano, operários da bola, que derramam rios de suor para que os dianteiros brilhem e façam gols. É por causa deles que meu número preferido às costas de minhas camisas de futebol é o 5. Enquanto todos os outros garotos disputavam para ter em suas costas o 10 ou o 9, eu me contentava com a meia dezena, feliz da vida.

Revivo essa história hoje porque recentemente decidi ingressar no misterioso e fascinante universo culinário. Obediente e disciplinado como um bom Daniel San diante dos ensinamentos do Senhor Miyagi, passei a cumprir obstinado a tarefa a mim conferida: cortar cebola. A cebola, segundo tenho aprendido na prática, é o mais importante ingrediente da milenar arte do preparo mais sofisticado dos alimentos. Um bom prato, desde a macarronada com molho vermelho, passando pelo frango com champignon, até o salmão com legumes, todos levam o nobre vegetal cheio de camadas. E notem que a cebola, assim como os cabeças de área, também vem sendo discriminada esses anos todos. Foi divulgada para gerações de jovens que este importante componente dos pratos mais elaborados era sinônimo de mau hálito, irritação nos olhos e cheiro desagradável nas mãos. Não obstante tudo isso seja verdade, não é toda a verdade.

O cortador de cebola, portanto é um marcador implacável que se sacrifica em prol do sabor resultante de seu esforço.  Ele é o carregador de piano que realiza o trabalho braçal para que um chef de cozinha internacional faça os gols, seja ovacionado por sua genialidade ao conceber as mais criativas receitas, tendo seus minutos de fama nesse mundo de culto ao talento individual e às personalidades.

O que pouca gente parece perceber é que apenas a inspiração sem transpiração não basta. Se fosse realmente o único fator decisivo, Portugal, Suécia e Argentina já estariam classificadas para a próxima Copa do Mundo em virtude dos superlativos Cristiano, Ibrahimovic e Messi. A conclusão que tiro disso tudo é que todas as equipes, seja de que natureza forem, precisam em igual medida de craques e médio-volantes, chefs talentosos e cortadores de cebola. Tanto na Copa como na cozinha.

Coluna da Digi # 70 – Dois anos de Coluna

outubro 7, 2010

No dia 20 de agosto de 2009 completei 2 anos de coluna na Diginet. Para registrar a data, relembrei alguns dos textos que havia publicado até então, destacando para a variedade de temas e de tons adotados durante esse tempo todo. Hoje, mais de um ano depois e já havendo emplacado mais alguns “hits” entre as crônicas publicadas, ainda vale relembrar junto comigo os textos publicados.

Abraços.

***

Dois anos de Coluna

Hoje, 20 de agosto, esta coluna faz aniversário. Faz dois anos que comecei a publicar minhas crônicas, contos curtos e pequenos textos aqui na Diginet. Tudo começou com um e-mail que passei para os amigos. Tratava-se de um texto satírico e bem-humorado chamado “Fabão e Maryeva” que Atalija Lima repassou para Humberto e Luís que trabalhavam na Digi (Humberto trabalha até hoje) e que os agradou bastante pela irreverência. Daí nos encontramos um dia na Festa de Santanna em Caicó e surgiu o convite para ser colunista da Diginet.

Resolvi então postar este texto fora de época, em plena quinta-feira, para comemorar. Os leitores mais atentos talvez já tenham notado que gosto de publicar nas segundas. Nada de elaborado, apenas fazer uma breve retrospectiva das cousas que dividi aqui com vocês nessas muitas semanas em que estivemos juntos.

Na maioria das vezes, por tentar atender a uma certa preferência dos leitores, por seguir um estilo leve e bem pessoal de escrita e também por Natal ser um paraíso para cronistas com o mínimo de verve cômica e um certo olhar dado a ironias, os temas adotados foram a sátira, o humor fácil, o chiste, enfim, uma tentativa de fazer os internautas rirem, sorrirem, ou até mesmo indignarem com o absurdo de certas situações inverossímeis, mas verdadeiras. Assim foi em crônicas como “Turismo Sexual – uma nova proposta”, “O Homem que não falava Carnatalês” e “Como vencer na crise”.

Outras vezes procurei mudar o tom e, trocando a leveza do humor por uma linguagem mais ácida, corrosiva e até um tanto raivosa. Dessa forma, surgiram as 5 crônicas sobre a Copa de 2014, “Os 4 elementos” (sobre a Operação Impacto) e “Vamos acabar com essa cidade” a respeito do descaso dos natalenses com o meio-ambiente. Nesta última citada eu sugeria, entre outras propostas absurdas, que acabassem com o Parque das Dunas para construir um grande estacionamento e o alargamento da Estrada de Ponta Negra. Pois não é que o editor do Jornal de Hoje, o professor de ética Marco Aurélio de Sá, me veio com uma ideia parecida meses depois?

Em algumas oportunidades falei sério de forma mais comedida para tratar de assuntos que me chamavam a atenção como na recente “Mundo Estranho”, “A Maldição do sol”, “Sádicos e vouyers” e “O EU opressor”. Também procurei falar de livros, filmes, quadrinhos e cultura em geral como nas crônicas “Campos de Carvalho”, “Zumbis”, “A história que mudou a história”, “Querido Bunker”, “Os irmãos”, entre várias outras. E louvei iniciativas admiráveis de amigos talentosos e empreendedores com a série “Realizadores” que mantenho em aberto.

O humor também esteve presente em algumas histórias fictícias como “Saúde é o que interessa!”, “Quem você quer ser?”, “Pelo amor dos meus filhinhos”, “A Fábula das duas Cantoras” e “Mano Celo Prefeito”.Mas nada me proporcionou maior prazer do que as que retratei personagens caricatos e cotidianos que tanto chamaram a atenção e causaram identificação nos leitores. “A Patricinha Cultural”, “O deputado que diz a verdade”, “O maconheiro militante”, “O Raqueiro”, “O Roqueiro”, “O chato” e ainda outros.

Por fim, destaco também os textos mais intimistas como “Eu vi o amor”, “A decadência é azul”, “O ano vai ser bom”, “Texto Lento”, “Texto silencioso” e “O lado bom da morte” que trouxeram a atona um lado que poucos leitores conhecem, mostrando reflexões simples e gerais sobre observações corriqueiras que muito me tocaram.

Enfim, são mais de 70 colunas atualizadas quase semanalmente e que espero ter agradado tanto a vocês que lêem quanto a mim quando as estou escrevendo. E o mais impressionante dessa história toda sabe o que é? É ver como tempo passa rápido. Minha nossa! Vejam vocês que já faz mais de dois anos que o Fabão pegou a Maryeva e eu ainda não sei se ele comeu ou não.

Obrigado pela leitura, jovens!

E até segunda.

Carlos Fialho

A arte de Caio Vitoriano 4 – Especial Jovens Escribas

outubro 6, 2010

Veja mais obras de Caio Vitoriano no www.flickr.com/caiovitoriano

Estas são algumas estampas de camisetas que serão lançadas em breve pela Editora Jovens Escribas a fim de arrecadar dinheiro para bancar o livro “É preciso sorte quando se está em guerra” de Pablo Capistrano. As camisas começarão a ser vendidas no início de 2011, mas já adianto aqui as artes criadas pelo artista Caio Vitoriano.

Além dos 3 modelos criados por Caio, também existem esse outros 2 mais antigos, leiautados pelo Diretor de Arte e fundador da confecção Podecrê, Marcão.

Em breve, as camisas estarão disponíveis para venda. Quem quiser, pode ir reservando as suas ou fazer suas encomendas.