Archive for novembro \22\+00:00 2010

Lançamento de CACHALOTE. É daqui a pouco!

novembro 22, 2010

Apareçam, jovens!

Camisa Jovens Escribas – Modelo # 1

novembro 22, 2010

Estará a venda a partir de 10 de dezembro, a camisa dos Jovens Escribas. Custará R$ 30,00 e já estão sendo feitas as reservas.

Ainda dispomos dos seguintes tamanhos e quantidades:

1 GG

3 G

6 M

2 M – babylook

4 P – babylook

Quem quiser pode reservar agora mesmo na seção de comentários ou pelo meu e-mail: cruvinelcamisa9@gmail.com

Olha o Paulo Celestino aí, gente!

novembro 16, 2010

Paulo Celestino é um jornalista potiguar radicado em São Paulo e erradicado em Natal há 8 anos. Competente e questionador, dono de um estilo opinativo muitíssimo bem embasado, escreveu-me semana passada a fim de dividir comigo e os leitores deste blogue suas opiniões acerca do episódio envolvendo a estudante de direito paulistana que deu uma opinião preconceituosa por meio da internet. Senhoras e senhores, com vocês, Paulo Celestino:

Avisem à Petruso e ao Movimento República de São Paulo que tá tudo dominado! Só não se sabe quem domina quem.

Moro há oito anos em São Paulo. Nunca fui discriminado, a não ser naquilo mesmo que eu me discriminei. Claro que sempre encontrei opiniões, pre-conceitos abertos, sem a mínima preocupação em respeitar o outro. Muitas vezes essas conversas foram em mesas de bar, no papo “quente” gelado pela cerveja.

Sempre fui aberto ao diálogo, aprendi a conviver com isso, creio que as pessoas podem ter suas opiniões assim como eu tenho as minhas (um argumento que já ficou meio batido nesta história). E com o tempo notei que, quem fala mal do Nordeste, é porque nunca se deu ao trabalho (ou deleite) de entrar em um avião e por os pés em qualquer lugar dos 10 díspares estados que compõe a tal da região da discórdia.

Portanto, para mim, não é nenhuma surpresa pensamentos igual ao da estudante Mayara Petruso. Mas o episódio representa uma mudança de paradigma neste pensar-dizer-baixar a cabeça entre Sul-Norte, Sudeste-Nordeste. Uma coisa é soltar pensamentos em uma mesa de bar, onde uma andorinha só não faz verão (para ambos os lados). Mas a outra é deixar registrado. E desde o advento das redes sociais e Twitter, engana-se que pode vociferar ou ser verborrágico aos ventos.

Mayara e tantos outros esquecem-se que algo pode fazer coro, como alguém que grita “Olha o ladrão” em praça cheia. Do outro lado (de quem realmente se reconhece na ofensa ou é simpatizante ao ofendido, ou abomina qualquer ofensa do tipo e isso vale para os tais dois lados), a reação também não foi a habitual do “deixa passar”. Não é mesa de bar. Com os meios de publicação digital disponíveis e o famoso ‘Copiar e Colar’, uma revolução estava feita: era claro que não iam deixar passar sentimentos e opiniões daquelas.

O que eu vejo como muito interessante é que sempre encontrei muito gente elegendo o Nordeste (assim como muita gente elege São Paulo ou qualquer outro lugar). Elegendo aqui eu quero dizer é escolhendo por livre e própria iniciativa. E encontro muitos Paulistas que conhecem bastante o dito Nordeste, mais do que eu como Nordestino.

Essas pessoas desbravaram interiores, foram até os Picos do Piauí, ao (des)sertão baiano de Antonio Conselheiro, a Cabrobó do Ceará ou à mítica Caicó do Rio Grande do Norte. A Bahia é quase um território paulista com suas praias que conheço bem pelos contos de quem por lá passou: Itacaré, Morro de São Paulo, Ilhéus, Porto Seguro, Prado, Mucuri, Itaparica, Praia do Forte entre tantas outras. Faz também parte dessa “cultura” paulista, também se encher de São Paulo (ou de qualquer lugar) e o Nordeste ainda representa quase essa terra idílica, o retorno ao paraíso. Assim como as montanhas de Minas, do Rio ou do Vale do Paraíba. É questão de gosto e escolha. 

Sem falar na culinária, voto vencido, há a diversão. O Forró é praticamente hoje uma instituição cultural de São Paulo. Algo que originalmente veio do Nordeste, mas foi transformado Brasil afora, e ganhou o sufixo de Universitário. Casas de show como o Canto da Ema (e não é só ela) estão cheias quase todas as noites. Tenho certeza que as pessoas lá não estão por ordem da Comunidade Nordestina, algo arranjado pelo Centro de Tradições Nordestinas, com caravanas cheias de gente com a bandeira levantada da manutenção de uma nordestinidade. E não é coisa de pobre, se quiser usar isto como argumento. Tem até forrós vips, que só entram com nome na lista.

E isso não é privilégio de São Paulo. O Rio de Janeiro e Espírito Santo, Brasília (onde se pode reclamar a origem do universitário da história) e até a mais “tradicionalista” Curitiba têm também os seus grandes bailes de forró. Já é quase uma dança nacional, ouso dizer. E, olha, que tirando o ritmo, pouco me reconheço no seu bailado cheio de rodopios plásticos (e isso não quer dizer que é pior ou melhor, embora tenha precisado de um curso para poder dançá-lo).

É dessas pessoas que curtem viajar e viver por estes universos que encontramos uma prazerosa conversa, sabem ver a diferença, deixam de lado essa visão “chapada” do Nordeste como apenas uma terra desvalida, pobre e cheia de aproveitadores de uma tal riqueza sulista. Muitos são os problemas. Não negam (e não negamos), há muito o que mudar. Mas não reduzem tudo a algo monocromático de uma terra árida e rachada a ser abolida.

Ainda sobre o assunto, é emblemático que o tal Movimento República de São Paulo, que defende uma autonomia do estado paulista, admita que o Nordeste tenha uma cultura forte que se sobrepõe a “deles”. Mas pera lá: Não é sempre nós, Nordestinos, que nos achamos em pé de eterna desigualdade e desvalor, de pobre cultura? É meus caros, de todos os lados parece que os problemas são os mesmos quando se fala em identidade. O interessante é que, ao mesmo tempo, muitos nordestinos – principalmente de um outro perfil que vêm em busca de estudos e especialização, além da busca de trabalho-,  também saem de suas regiões pela busca dos marcos de uma cultura urbana que só São Paulo oferece.

Então, lanço uma reflexão: alguma ideia de quem sempre estar a ganhar mais? Quem sempre pensa em excluir ou quem sempre está a encontrar a diversidade na diferença, aproveitá-la e transformá-la?

Nesta conversa toda, pra finalizar, só tenho a sugerir para Mayara Petruso e Movimento de São Paulo que desencanem. Faça como muitos dos seus conterrâneos. Se já não tiverem ido, vão curtir o Nordeste no estilo Facebook da palavra, pegar o lado paradisíaco da coisa, relaxar, tomar um sol e sorver uma boa caipirinha com o pé molhado em qualquer de suas praias. Mas não se preocupem, se quiserem trabalhar, também tem muito sim senhores.

Todo mundo lá!

novembro 12, 2010

My Way – Yeah! Yeah!

novembro 11, 2010

Tá foda de atualizar. Muito trabalho, muitas tarefas e pouco tempo para navegar. Em todo caso, consegui dar uma escapadinha e aproveito para postar dois vídeos. O primeiro é uma antológica interpretação de My Way pelos Sex Pistols. O segundo é um demonstrativo do “Exercício do Yeah! Yeah!” que todo mundo pode fazer em casa. Amanhã, sexta, prometo atualizar duas vezes. Será que eu cumpro? Aguardemos. Valeu!

MY WAY – SEX PISTOLS

EXERCÍCIO DO YEAH! YEAH!

Coluna da Digi # 76 – Um Dia Verde

novembro 1, 2010

Textinho bem legal que escrevi ano passado. Curto muitíssimo. Boa leitura.

***

Um Dia Verde

Eu gosto do verde. Da cor verde. E não se trata de consciência ecológica ou simpatia gratuita. Minha predileção por essa cor tem duas razões bastante simples: sou consumidor e fã da cerveja holandesa Heineken e quando eu tinha 15 anos ouvi um certo som que fez muito bem aos meus ouvidos em meio à confusa e cheia de sobressaltos adolescência na medíocre classe média (e por que não dizer mediana?) natalense. Era um som, digamos assim, “verde”, contagiante e, como não poderia deixar de ser, punk. Naquele já longínquo 94 do século passado, ano de muita efervescência musical, tive a consciência que só o Punk salva. Amém!

O ano do tetra foi relembrado outro dia aqui mesmo na Digi na ótima crônica de Hugo Morais a respeito dos 15 anos do CD “Da Lama ao Caos” de Chico Sciensce e Nação Zumbi. O texto me fez voltar no tempo para aquele ano e foi como se eu vivesse tudo de novo. Além do CD da Nação, teve o acústico do Nirvana (e do tiro na cabeça do Kurt Cobain), o primeiro disco dos Raimundos, a explosão do Oasis (“Wonderwall”, “Don’t look back in anger”), o surpreendente “Usuário” do Planet e o “Smash” do Offspring, só pra citar alguns de memória. Gosto de todos, mas para mim talvez o mais divertido que foi prensado naquele ano tenha sido um com encarte bonito em que havia uma ilustração bem bacana de uma cidade e uma explosão, o “Dookie” do Green Day.

Som vibrante, alegre, moleque, urgente e pegajoso até que invadiu meu toca-CDs e segue tocando alto nos fones de ouvido até hoje. Faixa por faixa era um disco quase todo composto por hits e meio que me salvou de um caminho muito perigoso. Entre os 13 e 17 anos o adolescente vive aquele período de tomada de decisão, busca de uma identidade, formação de um caráter e de uma personalidade. As escolhas que a gente faz nessa fase da vida podem marcar para sempre nossa passagem por este mundo. Por isso eu me encontrava em um terreno bastante perigoso, pois o Colégio das Neves onde estudava era uma verdadeira incubadora de idiotas. O nível educaional era muito bom. Tínhamos bons professores e o conteúdo, tirando os dogmas medievais que nos eram repetidos como mantras, produziu alguns dos melhores e mais bem sucedidos adultos de minha geração. O problema era a mentalidade reinante entre os meus colegas, uma gente muito simpática, mas careta, preconceituosa e adepta de uma estupidez corrosiva e mais contagiante que vírus da gripe.

Num ambiente como esse, se você não reza segundo a cartilha reinante da coletividade, o que para um jovem aluno Neves significava ir a shows de Axé, saber dançar forró e frequentar os pagodes de fim de semana, pode estar condenado à uma rápida morte social ou, muito pior, ganhar reputação de excêntrico o que, aliás, dá no mesmo. Eu gostava de rock. Até me esforçava (não muito) para ser igual aos outros, mas não dava. Paguei um preço por minhas opções. Meus amigos achavam exótico, as meninas da GRD nem olhavam pra mim e os que não me conheciam tinham a sensação de que era melhor continuarem assim. Até que descobri em outras salas e séries, alguns como eu.  Minha solidão terminou quando percebi que havia um pequeno nicho roqueiro na escola. Fiz amigos como Fernando Filho, Thales Lago, Caio Vitoriano, Leonardo Medeiros, Diogo Salim, Vítor Duarte e juntos criamos nosso próprio gueto, protegido da intolerância e hostilidade dos demais.

O Green Day, Offspring e muitos outros conjuntos roqueiros gringos e também brasileiros proporcionaram minha catequese, pavimentano um caminho para que eu conhecesse outros sons, bandas mais pesadas, ritmos mais frenéticos. Estava salvo. Só havia um problema: possivelmente eu nunca teria a oportunidade de ver meus dois grupos californianos ao vivo. Numa cidade em que Durval é rei e todos os puxadores de bloco ganham títulos de cidadãos locais, deveria haver alguma lei que mantinha os shows internacionais a milhares de quilômetros. Felizmente, os anos mostraram que eu estava errado.

Em 2004, o Offspring tocou em Recife. Em 2009, foi a vez do Iron Maiden fazer o mesmo. Vez por outra também rola um concerto imperdível em São Paulo ou Rio e, com um pouco de economia e planejamento, dá pra marcar presença. Mas ainda faltava o Green Day. Faltava, pois por uma dessas jogadas do destino, acabei vindo passar um período de estudos fora de Natal e haveria um show dos californianos aqui onde estou morando.

Quando chegamos à fila do evento, gigantesca, dando voltas no quarteirão, a primeira coisa que vi foi a multidão de camisetas pretas que passavam uma mensagem clara: eu estava em casa. Depois percebi que a maioria era de adolescentes, ou pelo menos adultos bem jovens que eu. Senti-me o tiozão do Rock. Aquela gurizada conheceu o grupo certamente através do American Idiot. Ao percorrer a extensão da fila, comecei a perceber representantes de minha época, facilmente identificáveis pelas primeiras rugas, precoces pelos grisalhos ou proeminentes calvícies. Fiquei imaginando se a banda foi tão importante para eles, na formação de seus gostos musicais, quanto foi pra mim. durante a espera, muitos senhores e senhoras que passavam, paravam um pouco para nos perguntar o propósito de uma multidão de jovens como aquela disciplinadamente alinhados, ordenadamente a espera de algo certamente grande. “Vamos a um concerto de Rock”, eu respodia todo sorrisos.

Até que, finalmente, teve início o espetáculo: público ensandecido, devotado e de alma lavada. Inclusive eu, pois finalmente podia ver Billy Joe, Tré Cool e Mike Dirnt numa performance memorável. Quase 3 horas de clássicos (“Basket Case”, “She”, “When I come arround”), canções históricas (“Minority”, “American Idiot”, “Boulevard of broken dreams”) e baladas (“Good riddance”), além das novas do “21st Century  Breakdown”. Tudo bem orquestrado com uma produção alucinante, muita energia na plateia e ótima presença de palco.

A data de 29 de setembro de 2009 entrou para a história, pelo menos para a minha história. Foi um bom dia, colorido com contornos verdes, regado ao sabor amargo de muita cerveja e cada vez que lembro do concerto se anuncia um largo sorriso em meu rosto. O que aconteceu naquela terça-feira foi uma celebração aos 15 anos que se passaram desde que eu ouvi o Green Day pela primeira vez.  A alegria que eu exibia no show não era apenas de um fã que via ao vivo a performance de seus ídolos, mas de um adulto que se descobria muito feliz pelas escolhas que fez.