Archive for dezembro \24\UTC 2010

Feliz Natal 2010

dezembro 24, 2010

 

Se você curte uma white vibe. 

White Christmas

Se você curte uma black vibe.

Se você errou de festa.

Se você tem amigos legais.

Se você trabalha num lugar ducaralho.

Enfim, seja qual for a sua onda.

Um feliz Natal.

E que 2011 seja duca pra todo mundo!

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Coluna da Digi # 80 – Histórias de uma Natal Assombrada

dezembro 22, 2010

Texto do qual gosto muito publicado originalmente na Revista Papangu e depois, em o9.11.2009, na Diginet. Espero que gostem e não se assustem.

Feliz Natal.

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Histórias de uma Natal Assombrada

Dia desses, fui fazer uma pesquisa pelas ruínas da Biblioteca Câmara Cascudo, que se mantém decrépita por obra e graça da nossa querida Vilma de Faria, cuja aura está presente em cada recôndito do edifício por causa, paradoxalmente, da total ausência que o poder público estadual mantém em relação a essa e todas as outras bibliotecas sob sua responsabilidade. Em meio a montes de poeira que me fizeram espirrar 3 meses sem cessar, um calor de derreter o juízo dos poucos estudantes que têm coragem de frequentar o lugar e o barulho proveniente do intervalo do Atheneu (não é possível fechar as janelas porque não existem ar-condicionados funcionando), fui até as prateleiras que por muito pouco não desabaram quando me aproximei.

Na ocasião, manuseando livros ao acaso, me deparei com um em especial que me saltou aos olhos de súbito. Uma obra muito interessante que disserta sobre um capítulo da cultura popular de Natal que me era totalmente desconhecido. O autor é o jornalista e pesquisador Neto Pão com Ovo, filho do eminentíssimo intelectual do passado Júnior Pão com Ovo. O tema abordado na publicação é a grande incidência de fenômenos sobrenaturais na cidade do sol e se chamava “Histórias de uma Natal Assombrada”. Tão curioso fiquei diante de tão preciosa descoberta que levei comigo o compêndio sem mais demora até uma das mesas de estudos, não sem antes desviar das crateras que abundam no chão do prédio e tomando cuidado de me posicionar longe de uma das partes onde a pintura do teto está rachada e caindo sobre os visitantes.

O volume de elegante edição, capa dura, colada e costurada em couro, ricamente ilustrado e de vasto conteúdo catalogava algumas lendas urbanas surgidas em Natal em décadas recentes. Fui consumido pela leitura de imediato e separei aqui algumas das assombrações descritas no livro como exemplo para que eu possa dividir com vocês um pouco do fascínio que tive ao ter conhecimento destes formidáveis episódios que revelam uma riqueza folclórica interessantíssima. Uma peculiaridade das tais lendas natalenses ou, como o autor, jornalista Pão com Ovo, se refere: “Histórias de uma Natal Assombrada”, é que são todas histórias recentes, pois Natal, como declarou recentemente outro intelectual, Pablo Capistrano, é uma cidade em formação.

Vamos às lendas:

O FANTASMA DA AFONSO PENA

Em noites de lua cheia e lançamentos de coleções de outono/inverno, um espectro de aparência torpe e maltrapilha vaga pela rua que é sinônimo do luxo e da usura na capital potiguar. Ele sai repetindo seu mantra que é basicamente “um dinheirinho pra eu comer, um dinheirinho pra eu comer, um dinheirinho pra eu comer”, exigindo dos vivos uma pequena parcela da riqueza ostentada. Os especialistas dizem que uma pequena quantidade de dinheiro ofertada pode serenar seus ânimos temporariamente, mas para afastá-lo de vez só com técnicas  avançadíssimas chamadas justa distribuição de renda e melhores oportunidades de vida. O Fantasma, que é definido pelos místicos como uma entidade de pobreza, se refugia no morro de Mãe Luíza e provoca um leve incômodo nos mais abastados da cidade, frequentadores daquela avenida, porém estes e também os políticos natalenses preferem fingir que não o veem (apesar destes últimos acenderem muitas velas para o dito ser em época de eleições).

O LOBISOMEM DE PONTA NEGRA

Surgiu há alguns anos quando um turista italiano foi mordido por uma menina de 13 anos numa noite de entorpecida agitação na orla de Ponta Negra. Desde esse dia, ele assombra a beira-mar do tradicional bairro praiano natalense e a sua assustadora presença uivando ensandecido em noites de lua nova (porque ele prefere as novas) afugentou os moradores nativos. O “Lobisomem Italiano em Natal”, como foi batizado pelos doutores em Ciências Ocultas mais respeitados da capital, só se sente saciado perante a oferta de jovens garotas potiguares para que possa praticar sua cópula interespécies. Para evitar esse monstro de caráter maldito, é preciso nunca sair do caminho seguro, mantendo-se longe de seu território preferencial, a Avenida Beira-mar em Ponta Negra e a rua do antigo Sargent Peppers no alto Ponta Negra. Os habitantes humanos de Natal temem bastante o lobisomem, mas segundo se comenta a população, a Prefeita da cidade e os secretários de turismo também sentem indescritível pavor do bicho, sendo incapazes de fazer alguma coisa para combatê-lo.

A CAVEIRA DE BURRO DA CULTURA

Em 1903, quando se estava construindo o Teatro Alberto Maranhão, que na época seria chamado de Teatro Carlos Gomes, um dos operários de nome Ricardo Porpino Carvalho enterrou uma caveira de jumento embaixo de uma das colunas que alicerçam o prédio. Ao fazê-lo, decretou: “Nessa terra nenhuma manifestação cultural genuína tocará o coração do povo, nada germinará e frutificará, todo trabalho em prol do desenvolvimento da boa música, literatura, dramaturgia e artes plásticas será em vão. Apenas alguns poucos testemunharão o fracasso desta civilização que verá o tempo avançar sem nunca prosperar, que testemunhará a cidade crescer sem nunca encontrar uma real identidade. Nesta cidade ninguém nunca sentirá orgulho do que é, foi ou poderá vir a ser!” Após dizê-lo, deu uma risada sinistra e partiu para Salvador. A caveira de burro, porém, permaneceu entre nós, emanando seus poderes de atrofiamento cultural, cultivando nos espíritos o comodismo e semeando a má vontade em todas as camadas sociais. Certa vez, o jornalista, advogado e dublê de paleontólogo Marcus Vinícius (MV) tentou organizar uma escavação para encontrar e levá-la embora da cidade, mas foi impedido pela radiação nociva à livre iniciativa que emana do artefato ósseo diabólico.

O VAMPIRO DA ASSEMBLEIA

Este monstro sanguessuga extrai dos cidadãos pagadores de impostos a energia, o vigor e uns tantos mil Reais por mês que permitem sua sobrevivência e enfraquecem as pessoas de bem. Dizem que se refugia em gabinetes de deputados estaduais, mas também encontra uma variante na câmara de vereadores, e convive com diversos fantasmas, também funcionários do lugar. Mas sobre estes últimos, não há indícios suficientes de que existam de fato, uma vez que eles nunca aparecem na assembleia, apesar de ser atribuído a eles o desaparecimento de vultosas quantidades de recursos públicos. Um história de verdadeiro terror.

A MALDIÇÃO DO JÁ TEVE

Não se sabe ao certo quem foi o feiticeiro que, sabedor das artes do oculto, lançou sobre Natal esta terrível maldição. O que se sabe é que um dia, quando a cidade era pouco mais que uma fazenda iluminada, ele foi às margens do Potengi e praguejou: “Não deixarás de ser província!” Desde então passamos a exibir uma incompatível mania de grandeza. Exigimos do universo que fôssemos dele o centro absoluto e passamos a querer ser mais modernos, mais cosmopolitas, mais grandiosos, queríamos ter a maior ponte de todos! E assim tivemos de tudo que o nosso olho grande, nosso rei na barriga e nossa total e absoluta falta de “semancol” poderia prover. Como todas essas coisas eram produtos de um delírio coletivo de megalomania, logo os grandes projetos se encerravam. Um pai de santo, meu vizinho, disse que muito dessa maldição também é resultado da caveira de burro e do esforço uníssono de população, autoridades e mediocridade do além-vida em não deixar que nada prospere por muito tempo. Com isso, a cidade onde já se teve de tudo, caminha rumo ao nada sufocada por sua própria vaidade desmedida.

OS ZUMBIS DO SOL

Eles se deslocam em grupo, aparentemente a esmo, hipnotizados pelos meios de comunicação de massa que, pos sua vez, são controlados por manipuladores chamados de “formadores de opinião” já que introduzem nas mentes ociosas das criaturas suas próprias vontades, valores morais e normas de comportamento a serem seguidas e adotadas por todos eles. Quando um zumbi começa a frequentar um lugar, utilizar uma roupa ou adotar um padrão de comportamento qualquer “sugerido” pelos “formadores de opinião”, logo é imitado por seus semelhantes que procuram fazer tudo exatamente igual. O aparecimento destas hordas de mortos-vivos em nossa cidade pode ser atribuído ao excesso de exposição solar na moleira, fato altamente perigoso para os miolos que, sem a solidez da boa educação, raciocínio lógico e cultura geral, se revelam demasiado flácidos e vulneráveis à alta temperatura, derretendo docilmente e originando tais aberrações. As maiores concentrações destes débeis monstos caminhantes podem ser vistas em concertos de verão, boates de Petrópolis e Tirol, além de acorrerem sempre no início de dezembro em desvairada perseguição aos trios elétricos que chegam da Bahia para inebriá-los com um espetáculo de sons, luzes e cores. Foi daí que surgiu o ditado: “Atrás do trio elétrico só vai quem já morreu!”

Já era quase noite quando eu fechei o livro “Histórias de uma Natal Assombrada”. Os relatos que expus aqui são apenas alguns poucos retirados do extenso dicionário de lendas reunidas pelo pesquisador e organizador da obra. Fiquei muito impressionante com tantas fantasias populares natalenses surgidas nas ruas e praias da cidade. Será preciso, a partir de agora, tomar mais cuidado quando andarmos distraídos pelas veias do organismo urbano, pois além da violência crescente dos vivos que ameaça nos converter em mortos, existem também todas essas criaturas do breu a nos aterrorizar com suas artimanhas do além. Eu digo é VÔTS!

Enquanto isso no Comitê # 04 – Cãomitê

dezembro 21, 2010

 

Ajude a escolher um nome para o nosso mascote.

Amigo Secreto

dezembro 18, 2010

 

Enquanto isso no Comitê # 03 – Saia da Mesmice em 2011.

dezembro 14, 2010

Já está no ar a campanha de alta estação do Ma-Noa Park. Os comerciais e impressos convidam os amigos a saírem da mesmice neste verão de forma bem-humorada. Gostamos bastante do resultado e o cliente também.

As peças impressas foram fotografadas por Clodoaldo Damasceno e o tratamento digital do Camaleão.Art.photo de Fabrício Mossoró.

Os comerciais foram dirigidos por Joca Soares, produzidos pela RM Filmes e Touché Produções, com escalação de modelos e atores da Elencomosh.

Confiram os vídeos:

Coluna da Digi # 79 – Realizadores: Ânderson Foca.

dezembro 13, 2010

Mais uma crônica da série Realizadores (Leonardo Panço, Fábio de Silva, Revista Catorze e Válerio Augusto). Dessa vez, o personagem foi Ânderson Foca, o homem que entre uma bola e outra que equilibra no nariz, ainda movimenta a cena rock de Natal, formando um público roqueiro que certamente vai tirar a cidade da monocultura em que se encontra há décadas. Esta coluna foi publicada na Digi em 03 de novembro de 2009. Releiam e, se gostarem, divulguem.

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Realizadores: Ânderson Foca.

Ana Morena e Ânderson Foca - o casal Dosol

Conheci Ânderson Foca há muito tempo, através de dois amigos em comum, Caio Vitoriano e Leonardo Medeiros. Na época, estávamos numa mesa de lanchonete e descobrimos que torcíamos pelo mesmo time. Fanáticos por futebol que éramos, e somos até hoje, desenvolvemos uma animada conversação sobre as possibilidades de nossa equipe no ano que se anunciava (era um dezembro qualquer da década de 90). Aquele diálogo foi a centelha de uma amizade duradoura que revelou diversas afinidades, interesses comuns e nos enriqueceu com outros novos amigos apresentados de parte a parte.

Porém, deixando um pouco a amizade de lado, houve um momento em que eu passei da condição de simples amigo para fã confesso e entusiasmado admirador do trabalho de Foca. Na segunda metade dos anos 90, ele era um dos caras que proporcionaram com que se pudesse sair na cidade e ouvir algo além do ritmo preferido dos natalenses, o forró-pagode-axé. Naqueles anos, algumas válvulas de escape pops respondiam por “Banda Officina”, “Inácio Toca Trumpete” (de Karol Polsadski), a “Boca de Sino”, além dos ótimos “Mad Dogs” do ídolo Paulo Sarkis que, como vinho, ficam ainda melhores com o tempo. Em meio a uma cidade monocultora por convicção, Foca e seus colegas de banda conseguiam viver de Pop-Rock com bons vencimentos a cada mês. Isso mostrava um lado empreendedor bastante apurado e uma firmeza de propósitos de quem realmente quer atingir seus objetivos. Entretando, apesar de gostar do trabalho, não foi aí que virei fã do Foca.

Foi com a iniciativa e o trabalho árduo à frente do Dosol (selo musical, estúdio de gravação, rock-bar, centro cultural e festival) que ele me convenceu, ganhando pontos e estrelas no boletim hipotético no qual emitimos notas mentais e julgamos todas as pessoas que conhecemos em nosso inconsciente.  Com a abnegação, sacrifícios e conquistas obtidas, Foca deixou de ser simplesmente um amigo e passou a ser uma pessoa daquelas que a gente tem orgulho de conhecer. Ele subiu o elevador no meu conceito e agora era alguém que fazia algo relevante para a coletividade, que tentava realizar um trabalho notável, colocando Natal entre as cidades onde acontecem coisas boas, que recebem bons concertos de cultura alternativa, por onde passam bandas legais que gostaríamos de ver ao vivo. E não só isso, mas também promovendo um fluxo de mão dupla, oferecendo aos jovens roqueiros potiguares a chance de levarem o seu trabalho pra fora, gravarem suas músicas, mostrarem suas performances para gente do meio que viesse para a cidade.

Todo mundo deve ter alguém com história semelhante. Um cara que se conhece há tempos e que prospera, vence, se destaca, faz e acontece, nos deixando orgulhosos, como se também fizéssemos parte, de alguma forma, das façanhas empreendidas. Em mim, dá uma sensação boa, pois fico feliz, de verdade, com o êxito dos amigos. Como fiquei em 2005, quando vi a última noite do Festival Dosol lotada por um público empolgado. Também em 2007, quando o festival perdeu o patrocínio devido às jogadas do Governo do Estado e da Fundação José Augusto para financiar projetos do próprio Governo através da Lei Câmara Cascudo para depois anunciar que a “verba tinha acabado”, e mesmo assim ele realizou o maior festival de Rock já ocorrido no RN até então com mais de 50 bandas, muitas tocando de graça, na brodagem, pra ajudar diante da situação difícil.

E agora chegamos a 2009. Mais uma edição do Festival Dosol se avizinha, a programação oficial saiu com 23 bandas potiguares, 17 do resto do Brasil e mais 3 gringas de expressão e relevância. Fico com um sorriso estampado no rosto ao saber dessas coisas. Em saber que um trabalho persistente, bem feito, mesmo diante das muitas adversidades que se impõem na província, alguém consiga colher frutos, dividi-los conosco e promover um bem maior para a cidade e sua cena cultural. O trabalho de Foca nem sempre encontra reconhecimento e o valor que merece, o que ele faz não repercute na Afonso Pena nem nas boates da Salgado Filho, mas é de boas ideias e disposição de colocá-las em prática como as dele que surgem grandes resultados. Todas as iniciativas do Dosol representam uma vitória contra o marasmo, a mesmice, a mediocridade e a estagnação. Por isso, confesso aos meus leitores que hoje, talvez mais do que amigo, sou fã do cara. O sucesso dele e de suas invenções é também um pouco meu.

Jovens Escribas – Eu visto essa camisa.

dezembro 10, 2010

Os Jovens Escribas estão lançando modelos de camisas para financiar o livro “É preciso ter sorte quando se está em guerra” de Pablo Capistrano. Muita gente boa, como artistas locais e personalidades estão aderindo a esta campanha. Aqui temos alguns dos jovens célebres que já vestiram essa ideia.

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Thiago Lajus - Diretor de planejamento da agência de publicidade Comitê Criativo.

 

Fernando Liberatto - percussionista da João Teimoso Rock Band.

 

Sávio Melo - um nome que já dispensa apresentações.

 

O Comitê Criativo veste essa camisa (registro feito em nossa sede social).

Vídeos Legais

dezembro 9, 2010

Indico aqui alguns vídeos legais que vi ultimamente. Aqui no Comitê Criativo nós rimos muito com a “Gaiola das Cabeçudas”, aulas 1 e 2, do gênio Marcelo Adnet. Também do Adnet, publico aqui o vídeo de um típico eleitor tucano. E a música “Um lugar do caralho” do Júpiter Maçã, uma das preferidas aqui da galera do Comitê porque é uma espécie de hino quase oficial da agência.

Vejam, riam e curtam.

Gaiola das Cabeçudas – Aula 1

Gaiola das Cabeçudas – Aula 2

Eleitor de Elite



Um lugar do caralho – Júpiter Maçã

Coluna da Digi # 78 – Realizadores: Ainda sobram Catorze.

dezembro 9, 2010

Dando continuidade à série realizadores iniciada com Valério Medeiros e depois com Leonardo Panço, cheguei a meu terceiro texto cheio de elogios. Dessa vez, os alvos foram os caras da Revista Catorze. Republico aqui o texto a respeito do único site de jornalismo cultural do RN que é maior que treze.

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Realizadores: Ainda sobram Catorze.

Ramon da Catorze entrevista Rafael Coutinho no lançamento de Cachalote.

Um amigo dos tempos de universidade chamado Jussiê Costa costumava dizer uma frase feita (por ele próprio, diga-se) que era a seguinte: “No mundo tem gente com gosto pra tudo e ainda sobram 14.” Eu gostava tanto dessa sentença que até hoje recorro a ela para justificar preferências aparentemente insanas com as quais nos deparamos nesse manicômio a céu (nem sempre) aberto que chamamos civilização. Dia desses recordei da frase de Jussiê ao tomar conhecimento de uma boa notícia e percebi que deveria escrever mais uma crônica da série Realizadores.

Como já tem sido uma praxe nesta sequência de textos temáticos em particular, trato aqui mais uma vez de uma pessoa que promove algum bem à coletividade como resultado de seus esforços e a um bom trabalho realizado, dessa vez vou fazer um elogio público a Fábio Farias. Público e merecido, gostaria de ressaltar, uma vez que, apesar de jovem, vem se destacando no cenário local como um profissional articulado, dedicado e muito envolvido com o seu ofício que, afinal de contas tem muito a contribuir com nosso Estado tão carente de iniciativas como as que este exemplo de boa conduta tem tido. Um homem de atitude e que já começa a exibir os primeiros frutos resultantes de boas ideias e empreendedorismo independente.

O Fábio de quem estou falando de maneira tão elogiosa é o Fábio Figuerôa de Farias, jovem estudante de jornalismo, que conheci na TVU há uns 3 anos, quando participei do programa Xeque-Mate. Na época, entre os estudantes presentes à gravação da entrevista, ele era de longe o mais preparado, havia pesquisado o assunto, lido a respeito e preparado com antecedência perguntas pertinentes ao tema. Tempos depois, encontrei novamente aquele estudante e ele me diz que está estagiando na área de cultura de um jornal impresso. Fiquei feliz com a notícia sabedor que sou da contribuição que um genuíno talento aliado a sincero interesse no bom cumprimento do ofício teria a dar ao jornalismo cultural da terrinha.

Porém, a alegria durou pouco, apenas o tempo de ele dizer com inevitável desiluzão como era o esquema do estágio. Cultura não era exatamente o principal foco do periódico e as pautas sugeridas por Fábio, nunca eram aceitas pela editora que sempre se preocupava mais em eventos carnatalescos e andava a procura de um substituto para o principal colunista social que havia saído da publicação. Na época me comprometi a falar com alguns amigos que trabalhavam em jornais melhores e ver se encaminhava o rapaz para um lugar melhor. De fato, o fiz, mas as conversas não avançaram muito. Uma pena.

Passou-se mais tempo e tive novas notícias de Fábio. Havia vencido um prêmio de jornalismo oferecido pelo Instituto Itaú Cultural. Agora vai!, pensei na época. Foi pra São Paulo receber a premiação e participar de um evento do Instituto sobre jornalismo e cultura. Motivou-se, aprendeu bastante, voltou pra Natal disposto a fazer algo diferente, a não esperar que as oportunidades caíssem do céu, a se revestir da ideologia do movimento punk, escrituras sagradas de uma geração anterior a sua que repetia um mantra essencial: “Faça você mesmo!”

 Com ideias diabólicas na cabeça, juntou-se com alguns amigos e decidiram botar no ar uma revista cultural na internet chamada Catorze (www.revistacatorze.com.br). Dessa forma, coloca em prática um jornalismo cultural de qualidade, alimentado pela empolgação de jovem e instigado profissional que é. Acessei a revista Catorze pela primeira vez e me tornei um dependente de seu conteúdo. Coberturas completas de eventos como a Flipa, matérias, bons textos, críticas, divulgação de uma Natal Cultural que fervilha de boas e animadoras opções. Recomendo que meus leitores (que talvez também sejam 14) acessem o sítio dos rapazes. É que nossa cidade tem muita gente que não está nem aí pra cultura, mas como dizia meu amigo Jussiê Costa, ainda sobram catorze!

Mais fotos do lançamento de “Cachalote”.

dezembro 8, 2010

Como vi que a turma gosta bastante de fotos e o lançamento de Cachalote rendeu ótimas imagens, publico mais algumas que ficaram de fora. Aproveitem, amigos:

Antes de lançar em Natal, os caras tinham passado por João Pessoa.

 

E também por Pipa.

 

Outros livros do Galera também estiveram a venda na noite.

 

Lançamento + Heineken = sucesso!

 

Louise e o menino de Vicente.

 

"Vem cá, Boy Bruce Cara de Galado é o seu nome de verdade? Posso te desenhar?"

 

Maurício Fontinele e o comandante Cobra.

 

Larissa "Mamãe quero ser Pinup" e Patrício Jr.

 

Nina, Renato, Caio e Boy Bruce.

 

Bárbara, Daniel Guanabara e Carol Carvalho.

 

Hugo Morais, Ramon e Fábio Faria

 

Registro ao lado dos caras. As camisas dos Jovens Escribas ficaram bem neles.

Coluna da Digi # 77 – Adoráveis Bastardos

dezembro 3, 2010

Um dos melhores filmes do ano passado pra mim, foi “Bastardos Inglórios”. A maestria de Tarantino me pegou de jeito. Fiquei encantado pela película e escrevi uma coluna a seu respeito. Hoje, republico a coluna da Digi postada em 19 de outubro de 2010. Espero que gostem tanto quanto eu curti o filme.

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Adoráveis Bastardos

Sabem o que eu mais gosto do estilo Tarantino de fazer cinema? Do prazer que ele sente ao trabalhar com isso. A satisfação do diretor em realizar suas obras é nítida em cada centímetro de celulose. No seu mais recente filme, “Inglorious Basterds” ele parece que escreveu uma história por pura e inconsequente diversão. Brincou de redigir o roteiro, acompanhar a préprodução, dirigir as cenas e montar. O resultado é uma divertida fábula que se utiliza a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo para contar a história dos arruaceiros judeus que tinham como missão matar o maior número de nazistas quanto pudessem em território europeu.

Ao assistir “Inglorious Basterds”, tive muitíssimas lembranças de outros filmes ou personagens do cinema ou da literatura, algo perfeitamente natural diante da grande quantidade de referências e homenagens que costuma fazer o diretor em seus trabalhos. De Sherlock Holmes a Cinderela, passando por filmes de Western e suspense, a história flui num ritmo bastante agradável repleta de pequenas mensagens subliminares, discretos acenos à plateia capazes de fazer os mais atentos ou bem informados darem um que outro sorriso a mais. E, claro, as longas e maravilhosas cenas de impagáveis diálogos, já uma marca registrada do diretor, não poderiam faltar, dando à história um equilíbrio essencial. Suas ideias parecem delírios juvenis, nascidas a partir de uma fértil imaginação adolescente e anabolizada por uma profusão de hormônios típica daquela idade.

Lembro de um conto que escrevi certa vez e que se chama “Anjos”. Tratava de 3 jovens de 20 e poucos anos que decidiam matar italianos e espanhóis que vinham fazer turismo sexual com menores em uma Natal dominada pela violência, um quadro bastante fiel à Natal de Vilma Maia e sua filhota bastarda (apesar de não reconhecida) Micarla de Sousa. A tensão da narrativa, os diálogos e a ação chamaram a atenção de Henrique Fontes, dramaturgo potiguar, dizendo que ele poderia tornar-se um curta. Levei o texto a Buca Dantas que se interessou e deverá transformá-lo em cinema muito em breve. Essa minha história, quando a escrevi, tem um pouco da empolgação adolescente presente nos roteiros tarantinescos.

É aquilo que todos nós temos vontade de fazer, mas como não podemos, mandamos nossos personagens fazerem por nós. Como nos velhos filmes de ação em que um dos mocinhos morre, mas ainda consegue, antes de exalar o último suspiro, dizer a um amigo: “Vá lá e pegue eles por mim!” É precisamente o que os meus 3 garotos fazem no conto “Anjos” o que os bastardos sem glória de Quentin fazem no novo filme. Enquanto meus personagens assassinam italianos maníacos como eu adoraria fazer, o pelotão comandado por Brad Pitt cumpre aquilo que o diretor teria o maior prazer em fazer se tivesse a oportunidade: matar nazistas.

A sede com que Tarantino busca fazer algo prazeroso, encontrar satisfação plena no seu ganha pão também é contagiante, não raro resultando em verdadeiras jóias do entretenimento, encontrando um cômodo lugar entre o cine de arte e o cinemão pipoca. “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction” já são objetos de culto merecido, “Jackie Brown” e “Death Proof” garantias de diversão, e os dois volumes de “Kill Bill” são uma colcha de retalhos de referências (inclusive a si mesmo) que renderam até uma ótima produção brasileira, o engraçadíssimo curtametragem “Tarantino’s Conection” protagonizado por Selton Mello e Seu Jorge.

Porém, a despeito de toda sua obra anterior, com a nova película, o cinesta parece ter ido além. Conforme têm apregoado em entrevistas pelos 4 cantos a fim de promover a produção: “Essa pode ser a minha obra prima!” Após assisti-lo, faço eco às declarações do diretor. Ele não está exagerando.

Lançamento de Cachalote – Natal (RN) – Novembro de 2010

dezembro 1, 2010

Li nos jornais: “Daniel Galera e Rafael Coutinho na programação oficial da Flipipa”. Imediatamente uma luzinha se acendeu sobre minha cabeça e resolvi convidar os rapazes, em nome dos Jovens Escribas, para lançar o livro em quadrinhos “Cachalote” em Natal.

Toparam, mas com uma condição: queriam um lançamento em clima mais informal, em um bar, por exemplo. Explicaram que estariam encerrando uma turnê de lançamentos que passaria por Rio de Janeiro, Ouro Preto, Olinda, João Pessoa, Pipa e, por fim, Natal. Por isso, não gostariam de encerrar o passeio dentro de um shopping center. Amém.

Os autores numa rara foto de divulgação que é puro charme.

Articulamos com os amigos Wesley e Wilson, proprietários do Gringo’s Bar, em Ponta Negra. Os caras abririam a casa numa segunda-feira, dia de recesso do bar. Pedimos para o jornalista Fábio Farias da Revista Catorze preparar um release e a Milena Azevedo da Garegem Hermética que nos ajudasse com a divulgação. Por fim, a Cia das Letras e a Potylivros cuidaram da vinda dos livros até Natal. E assim, viabilizamos o evento, da mesma forma em que fazemos tudo dos Jovens Escribas: coletivamente e com toda a ajuda possível dos amigos.

O convite virtual.

Fiquem agora com algumas imagens do lançamento de “Cachalote” no Gringo’s Bar, na segunda-feira, 22 de novembro de 2010.

Em Pipa, vendendo o peixe: os autores gravaram entrevista sobre o lançamento no RNTV.

 

A seus postos

 

Milena Azevedo, uma das maiores entusiastas dos quadrinhos natalenses posando pra foto.

 

Já Fábio da Revista Catorze, estranhamente não quis tirar foto com os caras. Tudo bem. Respeito.

Los Gringos Wilson e Wesley, donos do bar. Não, eles não são irmãos.

 

Patrício, Galera, eu e Coutinho. "Poxa, Fialho, muito obrigado por nos deixar usar a camiseta dos Jovens Escribas esta noite." De nada, senhores. Estamos sempre às ordens.

 

Esse era o clima.

 

Evento disputado. Muita gente veio prestigiar.

 

Gatations culturais: Nina, Bárbara e Louise.

Essa não foi a primeira vez de Daniel Galera em Natal. Ele esteve aqui em 2007 durante um mês, no qual participou da Feira do Livro de Mossoró, lançou os livros “Mãos de cavalo” e “Até o dia em que o cão morreu”, escreveu os capítulos finais do romance “Cordilheira”, curtiu lugares como Pirangi, Pipa, Galinhos e o Mercado da Redinha, fez amigos e quase não foi embora. Teve que ser praticamente enxotado. É desta época a fotografia abaixo:

Daniel, Caio, eu, Galera e Flávio.

3 anos depois, repetimos os personagens em mais um registro:

Caio, Flávio, Galera, eu e Daniel.

 

Audiência qualificada: Renatoo, Lucílio e Solino.

 

Nina e eu.

 

Rafael Coutinho troca ideias com Daniel "Boy Bruce".

 

Patrício comunica a Galera que já é tarde e precisa partir...

 

...e o Galera lamentou profundamente.

 

Mas conta pra gente, jovem autor, você gostou do evento?

É isso aí, amigos. Estas foram algumas fotos selecionadas. Ainda existem várias em arquivo. Se baixar o Bob Flash em mim de novo, postarei-as para que vocês as vejam. Valeu! FUIalho.