Coluna da Digi # 78 – Realizadores: Ainda sobram Catorze.

Dando continuidade à série realizadores iniciada com Valério Medeiros e depois com Leonardo Panço, cheguei a meu terceiro texto cheio de elogios. Dessa vez, os alvos foram os caras da Revista Catorze. Republico aqui o texto a respeito do único site de jornalismo cultural do RN que é maior que treze.

***

Realizadores: Ainda sobram Catorze.

Ramon da Catorze entrevista Rafael Coutinho no lançamento de Cachalote.

Um amigo dos tempos de universidade chamado Jussiê Costa costumava dizer uma frase feita (por ele próprio, diga-se) que era a seguinte: “No mundo tem gente com gosto pra tudo e ainda sobram 14.” Eu gostava tanto dessa sentença que até hoje recorro a ela para justificar preferências aparentemente insanas com as quais nos deparamos nesse manicômio a céu (nem sempre) aberto que chamamos civilização. Dia desses recordei da frase de Jussiê ao tomar conhecimento de uma boa notícia e percebi que deveria escrever mais uma crônica da série Realizadores.

Como já tem sido uma praxe nesta sequência de textos temáticos em particular, trato aqui mais uma vez de uma pessoa que promove algum bem à coletividade como resultado de seus esforços e a um bom trabalho realizado, dessa vez vou fazer um elogio público a Fábio Farias. Público e merecido, gostaria de ressaltar, uma vez que, apesar de jovem, vem se destacando no cenário local como um profissional articulado, dedicado e muito envolvido com o seu ofício que, afinal de contas tem muito a contribuir com nosso Estado tão carente de iniciativas como as que este exemplo de boa conduta tem tido. Um homem de atitude e que já começa a exibir os primeiros frutos resultantes de boas ideias e empreendedorismo independente.

O Fábio de quem estou falando de maneira tão elogiosa é o Fábio Figuerôa de Farias, jovem estudante de jornalismo, que conheci na TVU há uns 3 anos, quando participei do programa Xeque-Mate. Na época, entre os estudantes presentes à gravação da entrevista, ele era de longe o mais preparado, havia pesquisado o assunto, lido a respeito e preparado com antecedência perguntas pertinentes ao tema. Tempos depois, encontrei novamente aquele estudante e ele me diz que está estagiando na área de cultura de um jornal impresso. Fiquei feliz com a notícia sabedor que sou da contribuição que um genuíno talento aliado a sincero interesse no bom cumprimento do ofício teria a dar ao jornalismo cultural da terrinha.

Porém, a alegria durou pouco, apenas o tempo de ele dizer com inevitável desiluzão como era o esquema do estágio. Cultura não era exatamente o principal foco do periódico e as pautas sugeridas por Fábio, nunca eram aceitas pela editora que sempre se preocupava mais em eventos carnatalescos e andava a procura de um substituto para o principal colunista social que havia saído da publicação. Na época me comprometi a falar com alguns amigos que trabalhavam em jornais melhores e ver se encaminhava o rapaz para um lugar melhor. De fato, o fiz, mas as conversas não avançaram muito. Uma pena.

Passou-se mais tempo e tive novas notícias de Fábio. Havia vencido um prêmio de jornalismo oferecido pelo Instituto Itaú Cultural. Agora vai!, pensei na época. Foi pra São Paulo receber a premiação e participar de um evento do Instituto sobre jornalismo e cultura. Motivou-se, aprendeu bastante, voltou pra Natal disposto a fazer algo diferente, a não esperar que as oportunidades caíssem do céu, a se revestir da ideologia do movimento punk, escrituras sagradas de uma geração anterior a sua que repetia um mantra essencial: “Faça você mesmo!”

 Com ideias diabólicas na cabeça, juntou-se com alguns amigos e decidiram botar no ar uma revista cultural na internet chamada Catorze (www.revistacatorze.com.br). Dessa forma, coloca em prática um jornalismo cultural de qualidade, alimentado pela empolgação de jovem e instigado profissional que é. Acessei a revista Catorze pela primeira vez e me tornei um dependente de seu conteúdo. Coberturas completas de eventos como a Flipa, matérias, bons textos, críticas, divulgação de uma Natal Cultural que fervilha de boas e animadoras opções. Recomendo que meus leitores (que talvez também sejam 14) acessem o sítio dos rapazes. É que nossa cidade tem muita gente que não está nem aí pra cultura, mas como dizia meu amigo Jussiê Costa, ainda sobram catorze!

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4 Respostas to “Coluna da Digi # 78 – Realizadores: Ainda sobram Catorze.”

  1. Beto Leite Says:

    Massa o texto! Só uma correção. Na foto não é Ramon que entrevista Coutinho, e sim Beto (eu) hehehehe

    abraços

  2. Ramon Ribeiro Says:

    Kkkkkk!
    Fialho é uma onda.

    Valeu pelo texto, cara.

    Abraço.

  3. paulo dantas. Says:

    Amigo, tenho 46 anos, quando criança escutava meu pai dizendo que meu avô falava muito “No mundo tem gente… pra tudo e ainda sobram 14”.

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