Coluna da Digi # 86 – Zumbis 2 – A volta dos que se foram.

A coluna da Digi número 85 está meio datada. Por isso decidi pular. Passo para a sequência de crônicas sobre o universo dos zumbis. Esta foi publicada em 03.12.2009. Amanhã postarei a outra.

Valeu!

***

Zumbis 2 – A volta dos que se foram.

Em 10 de setembro de 2007, escrevi uma coluna aqui na Digi sobre minha admiração pelos filmes de zumbis. Era um texto leve e bastante simples que visava um público geral, não necessariamente fãs deste gênero cinematográfico. A crônica, que mantinha uma verve bem humorada em toda a sua extensão, começava citando uma conversa que tive com um amigo na qual ele ficou surpreso com o fato de eu, um rapaz tão bem educado, gostar desse tipo de produções. Na verdade, meu amigo foi além ao demonstrar total desconhecimento sobre a existência desta categoria de películas de terror.

O conteúdo genérico da coluna falava muito rapidamente de George A. Romero, maior ícone dos mortos vivos na tela grande, limitando-se praticamente a citar sua filmografia. Também falava de alguns outros trabalhos como a homenagem a Romero dirigida por Zack Snyder em 2004, a paródia inglesa “Todo mundo quase morto” e o parente próximo “Extermínio” da dupla britânica Alex Garland e Dany Boyle.

Como todo assunto que desperta paixões, logo surgiram reações contrárias, revelando a controvérsia gerada pelo tema. Sobre o texto, um leitor mais atento e detalhista chamado César denuciou a pouca profundidade do que escrevi: “Extermínio não é filme de zumbi. vc nao captou a mensagem dos filmes do romero e falou deles com uma interpretação aborrecente e superficial. o buraco é mais embaixo. outra coisa, filme de zumbi em que se explica o porque dos mortos estarem andando, não é filme de zumbi.

O leitor estava correto ao acusar-me de superficial. O texto não se atreveu a ir mais fundo pelo simples fato de que eu não queria falar com falso conhecimento de causa sobre um assunto que não dominava plenamente. Porém, mesmo cercando-me de precauções, em certa altura, cometi um pecado grave. Afirmei de maneira um tanto irresponsável o que segue: “A premissa é simples. Os mortos voltam a viver e atormentam a vida dos vivos. Nada de muita elaboração ou de roteiros rebuscados. Geralmente eles vêm tentar comer ou morder os vivos para também transformá-los em zumbis.” Esse trecho deu razão parcial ao comentário do leitor. Esta era, com certeza, uma interpretação “superficial e aborrecente” dos filmes de zumbis. Por isso, essas linhas que teclo agora são uma tentativa tardia de tréplica. 

Daí do outro lado da tela, vocês devem estar se perguntando “mas por que só responde agora, mais de 2 anos após o ocorrido?” Respondo: é que um dia desses encontrei um livro que é uma verdadeira enciclopédia sobre o assunto: “Zombie Evolution – El libro de los muertos vivientes en el cine” (autor José Manuel Serrano Cueto, T&B Editora, Espanha). Percebi na publicação uma oportunidade de aprender mais a respeito e adentrar de vez no universo pútrido dos cadáveres famintos e caminhantes. O escritor é um jornalista espanhol nerd, aficcionado por ficção científica e terror, que realizou uma extensa pesquisa e nos presenteou a todos com um belíssimo livro elucidador de dúvidas. Por isso, finalmente, me sinto devidamente apto a argumentar em defesa de meus escritos frente ao comentário de César.

Por exemplo, quando ele afirma irredutível que “extermínio não é filme de zumbi” e que “filme de zumbi em que se explica o porque dos mortos estarem andando, não é filme de zumbi.”, cabem argumentos em contrário e respeitosas discordâncias. Na crônica de 2007 eu não dizia que “Extermínio” era um filme de zumbi, mas sim uma produção semelhante a eles, sendo contudo, perfeitamente plausível nesses tempos de epidemias globais. E para meu regozijo, tenho prazer de revelar que o escritor especialista no assunto José Manuel Serrano Cueto corrobora minhas palavras ao afirmar que “Dois dos mais badalados filmes de zumbis dos últimos anos não são, a rigor, filmes de zumbis. Extermínio” (“28 days later”, 2002) e “REC” (2004) são histórias sobre seres humanos infectados por vírus, mas ainda vivos, e apesar de apresentarem similitudes físicas e de comportamento com os mortos vivos, não podem ser definidos como tal pelo fato de que os personagens ainda não morreram.” Mais na frente, o autor disse que essas duas produções mudaram o perfil das produções a partir de então. Os montsros de movimentos lentos e arrastados deram lugar a ameaças ágeis, fortes e mais ameaçadoras. Na lista de “zumbis apócrifos” do livro entram ainda os monstros de “Planeta Terror” (2007) de Robert Rodriguez, em que mais uma vez um estranho vírus converte as pessoas em monstros canibais, mas não as mata.

 A segunda colocação sobre a revelação ou não da razão porque os mortos retornaram pode ser classificada como uma opinião pessoal de um evidente seguidor “romeriano”. Em tal condição, sinto-me a vontade de me posicionar em contrário sem que minha opinião tenha que prevalecer sobre a dele. É certo que os filmes de Romero não revelam a origem da epidemia ou a causa das ressucitações e que 99% dos fãs preferem assim. Também é verdade que o cinesta de Pittsburgh é o autor de uma obra seminal que ditou diversas regras para esse gênero de produção. Um exemplo de filmes de zumbis em que é revelada a origem dos mesmos é o da saga “Return of living dead” (1985), bastante popular entre admiradores do sub-gênero e que uma substância radioativa provoca a ressurreição dos mortos. Sou da corrente que é um equívoso desconsiderar todas os longas que quebrem uma ou outra das regras elaboradas por Romero. Acredito que este seja um caminho por demais reducionista que prefiro não trilhar.

 Em todo caso, falarei de George A. Romero e seus filmes mais detidamente, com o devido respeito e culto que o diretor merece na próxima coluna. Até lá.

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