Coluna da Digi # 89 – Zumbis 5 – Dicas do além túmulo

E a sequência continua. Esta crônica foi publicada em 26 de dezembro de 2009. E parecia ser o fim definitivo da saga… parecia.

Valeu!

***

Zumbis 5 – Dicas do além túmulo

"Planeta Terror" de Robert Rodriguez (2007)

Esta é a quinta e última crônica de minha saga particular sobre o universo dos zumbis, a não ser que o assunto ressuscite em uma crônica futura, o que aliás é bem possível. Ainda deve pintar um conto (talvez dois) com base nos mortos vivos mais populares do cinema. A razão de toda essa instiga com o tema se deveu à leitura do livro “Zombie Evolution – El libro de los muertos vivientes en el cine”, conforme já externei anteriormente, mas nunca é demais reforçar, caso você não tenha lido os 4 capítulos primeiros desta série. A publicação é um compêndio elucidativo a respeito do tema que há muito me interessava, mas nunca havia podido encontrar palavras adequadas para expressar com o mínimo de respeito a tão distintos monstros.

Este derradeiro texto tratando do assunto traz uma seleção de dicas genéricas presentes no livro ou não para os que quiserem conhecer alguns artigos literários, cinematográficos e musicais alusivos aos zumbis.

No início do livro, o autor, José Manuel Serrano Cueto explica a origem do mito. Os zumbis surgiram no Haiti, quando pessoas supostamente mortas eram revividas pelos  feiticeiros locais (bokors) em rituais vudu. O assunto chegou a ser capa da revista “Time” no início dos anos 80. Ele também expõe duas possíveis explicações para o nome “zumbi” (ou zombie em inglês e zombi em espanhol). Poder-se-ia ser uma referência a uma serpente divina norteafricana ou seria uma derivação de “jumbie” (fantasma) ou “nzambi” (algo como o espírito de um morto em um idioma falado em regiões do Congo. Em todo caso, o próprio autor reconhece que é muito difícil descobrir a origem correta do termo uma vez que são muitas as teorias a esse respeito.

Depois de fazer essa contextualização histórica, o livro discorre sobre a presença de zumbis em todas as manifestações artísticas. Partindo do princípio que o primeiro zumbi que aparece em livros é Lázaro (Bíblia), faz uma retrospectiva de todos os quadros onde aparece o personagem ressuscitado por Jesus Cristo. Na literatura, o autor expõe uma extensa bibliografia sobre o assunto que vai do “Frankenstein” de Mary Shelley (1818), representando a volta à vida de, não um, mas de vários seres humanos que tiveram suas partes unidas no surgimento de um novo ser, passa pelos universos de Edgard Alan Poe e H.P. Lovecraft e pelo “Cemitério Maldito” (1983) de Stepehen King.  Algumas publicações  indicadas são os livros do autor estadosunidense Max Brooks (curiosamente, filho do cineasta Mel Brooks) “The zombie survival guide” (2003) e “World War Z: an oral history of zombie war” (2006). Por fim, ele faz uma exaltação ao “Monster island, a zombie novel” (2006) que, na sua opinião é o melhor romance sobre o tema e acabará se tornando filme.

O autor destaca também a presença de zumbis na música em bandas como “The White Zombie” ou “The Zombies”, o revolucionário clipe “Thriller” de Michael Jackson (outro que foi ao mundo dos mortos para voltar e nos atormentar) e a canção “Pet Semetary” dos Ramones.  São ainda muito frequentes aparições desses bizarros seres nos quadrinhos (com destaque para a história “Marvel Zombies” em que descobrem uma dimensão paralela onde os heróis Marvel se converteram em… adivinhem!), nos videogames (“Resident Evil” comanda a turma), animação (“A noiva Cadáver” de Tim Burton) e televisão, demonstrando a todos como esse monstro cinematográfico se tornou uma das criaturas mais pops de nossos tempos.

Outros filmes de zumbis que não foram falados anteriormente nesta série, uma vez que me limitei a abordar as películas de George A. Romero, e que são destacadas pelo jornalista Serrano Cueto são  “Re-animator”, “Pet semetary 1 e 2”, “Braindead” (este de humor negro, dirigido por Peter Jackson que já me havia sido apresentado pelo professor Gustavo Bitencourt), “Resident Evil”, a ótima sátira inglesa “Todo mundo quase morto” e o filme francês “Les revenants” que traz uma ótica diferente sobre o assunto, com os mortos levantando-se, mas causando outro tipo de problema, como rombo na previdência, suas antigas casas sem espaço para acomodá-los, seus cônjugues casados com outras pessoas. O enredo se assemelha aos livros de Saramago, especialmente o “Intermitências da Morte”. Não poderia faltar também a série “A volta dos mortos vivos”, aquela em que os zumbis saem clamando por miolos e que foi uma irmã enviesada da saga de Romero.

Um espaço considerável também é dedicado aos zumbis apócrifos, como os presentes em “REC” (filme espanhol de grande sucesso que rendeu a continuação “REC.2”), “Planet Terror” (metade que coube a Robert Rodriguez da Grindhouse feita com tarantino) e a série “Extermínio” que deverá ter uma terceira produção em breve.

O mesmo autor do livro é pai de uma tirinha que pode ser facilmente encontrada na inetrnet que tem como protagonista um zumbi chamado “Johny Putrido”. Além de todas essas dicas dadas por ele no livro, eu gostaria de incluir umas poucas por minha conta e risco. O livro “Sangue e Areia” do jovem escritor gaúcho Antonio Xerxenesky (que pode ser adquirido no sítio www.naoeditora.com.br) e a insana versão “Orgulho e Preconceito e Zumbis” que deverá, inclusive, virar filme em breve. Cito ainda as bandas brasileiras “Zumbis do espaço” e “Zumbi do mato”.

Por fim, algo que tem no livro e que eu reforço também fora: as “passeatas zumbis” (Zombie Walks”) que ocorrem em todo o mundo e que já teve até uma edição (ou mais de uma?) na sempre quente e festiva Caicó. Como se vê, os zumbis estão mais perto do que se pensa, presentes em muitas manifestações culturais e seguem vivos, vivos demais até.

Com essa crônica, encerro o ciclo. Nos vemos além.

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