Coluna da Digi # 90 – Cinema Top 5 2009

Todos os anos, desde 2008, eu fazia uma breve lista de melhores do ano. Em 2010, falhei, é verdade. Foi um ano corrido e, confesso, vi poucos filmes.😦 Porém, 2009 não foi assim. Naquele ano, havia frequentado muitas salas escuras e pude fazer uma boa lista. Republico aqui a coluna da Digi publicada em 28 de dezembro de 2009.

Bom texto pra vocês e ótimos filmes, caso ainda não os tenha visto.

***

Top 5 2009 – Cinema

Este 2009 foi animador em se tratando de bons filmes assistidos. Mesmo com todos os problemas, embargos, crise econômica, queda de arrecadações, pirataria e tudo mais, foi difícil fazer a lista de 5 mais, não pela escassez, mas pela profusão de boas opções a indicar. Sem mais milongas, vamos à lista:

Os eleitos

05 – Na natureza selvagem

Este filme de Sean Penn é um sensível manifesto à vida simples, ao respeito à individualidade, ao idealismo, ao idealismo e à heróica atitude de negar-se a ter mais do que precisa ter. É um libelo contra as pressões sociais que nos impõem valores como o consumismo, a aparência, o sucesso e os posiciona acima das pessoas, da amizade, da natureza e da beleza das pequenas coisas. O filme é também uma bonita homenagem à solidão voluntária, à opção pelo silêncio, pelo sossego, pelo autoconhecimento. A trilha sonora a cargo do Eddie Vedder do Pearl Jam também é primorosa e se integra perfeitamente à história. Destaque para a excelente canção “Society” que traz o trecho “Sociedade, espero que você não se sinta sozinha sem mim”. O filme, que é baseado em uma história real, é de 2007, mas como eu só vi esse ano, acabou entrando na lista.

04 – Se a coisa funciona

Uma vez o Saramago disse numa entrevista que iria escrever o máximo de livros que pudesse dali pra frente, pois sabia que estava perto de morrer e publicar seus livros seria o seu legado. Bem, acredito que Woody Allen chegou à mesma conclusão e entrou nesse ritmo meio Roberto Carlos de um lançamento por calendário. Tem gente que torce o nariz, que acusa a queda de qualidade, que transborda de saudosismo em declarações como “eu preferia os filmes de antigamente” ou “já não é o mesmo”. Bobagem. “Match Point”, “Scoop” e “Vicky Cristina Barcelona” são sim bons filmes. E ainda por cima nos trazem Scarlett Johanson no papel principal. Porém, dessa vez, ele nos brindou com um roteiro de rara competência com diálogos divertidíssimos e uma divertida visão da America contemporânea e todas as suas ideologias falidas, sentimentos reptimidos e hipocrisias extremistas. Se a coisa funciona? Pra mim, funcionou às maravilhas.

03 – UP

A Pixar é um estúdio de animação que elevou suas produções ao mais alto grau de perfeição. Não se pode definir o trabalho da empresa sem utilizar superlativos ou elogios grandiloquentes. Sou fã de primeira hora e colecionador dos DVDs. Acredito que eles são os que melhor sabem combinar os conceitos de arte e entretenimento no mundo. Para 2010, já estou ansioso para ver “Toy Story 3”, ler o livro “A Magia da Pixar” e o documentário que conta a história da empresa. Quanto ao filme, “UP”, é sensacional. Uma ótima história, muitíssimo bem escrita e produzida com o esmero já característico do estúdio. Imperdível!

02 – Bastardos Inglorios

Estava ansioso para ver o novo Tarantino. A história parecia divertidíssima e as primeiras críticas que chegavam me enchiam de boas expectativas. Fosse pelo equilíbrio perfeito entre uma boa história e entretenimento, fosse pelos diálogos tarantinescos, ou ainda pelas atuações inspiradas dos atores, especialmente o austríaco Cristoph Waltz que acumulou prêmios de melhor ator. Vi o filme e não me decepcionei. É o melhor Tarantino. Superou, para mim, os já clássicos “Cães de Aluguel” e “Pulp Ficction”. É muitíssimo melhor que os bonzinhos “Jackie Brown” e “Death Proof” (gostei mais da metade do Robert Rodriguez da “Grindhouse”). E, por fim, não vou nem falar dos “Kill Bill”, pois eu detestei aquilo lá. “Bastardos Inglórios” é, talvez, e como defeiniu o próprio Tarantino, sua obra prima.

Na ocasião em que assisti ao filme, publiquei uma crônica aqui na Digi. Leiam aqui.

01 – The Watchmen

É difícil adaptar um objeto de culto. Por isso, Zack Snyder foi extremamente corajoso ao embarcar na produção de “The Watchmen”, que levaria ao cinema uma obra que figura em 9 de cada 10 listas de melhor história em quadrinhos de todos os tempos. Estava brincando com fogo e continuou caminhando na corda bamba ao peitar os executivos e insistir em fazer um filme o mais fiel possível ao original. Resultado: críticas dos não-iniciados, os ignorantes da história de Alan Moore e bilheterias muito aquém do que poder-se-ia projetar. O diretor conseguiu desagradar a muitos expectadores mundo afora, mas conseguiu algo muito mais importante: o respeito dos fãs e um lugar no céu da posteridade como um homem de colhões que enfrentou dificuldades hercúleas e fez uma entrega decente. O filme “The Watchmen” tem um destino certo e bem traçado. Foi combatido num primeiro momento, não obteve o êxito de arrecadação esperado, mas certamente será visto e admirado por gerações, convertendo-se num “cult”, assim como ocorreu com o Blade Runner do Ridley Scott há quase 30 anos. será justo, pois Alan Moore está à altura do K. Dick. Pela minha adoração à história em papel e pela satisfação em ver tudo passado para a telona sem traumas ou sacrilégios, este é o meu primeiro lugar no pódio.

Menção honrosa

Quem quer ser um milionário?

Valsa com Bashir (este tambémnão é uma produção lançada em 2009, mas como eu só vi este ano, tá valendo).

O pior

Transformers 2

Não vejam este filme por nada nesse mundo! Nem se lhe oferecerem o cachê do Padr Fábio! E tenho dito.

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