Coluna da Digi # 111 – Não basta ser bichinha. Tem que ser Society!

Escrevi esse texto no início de 2010. Não o considero como um dos meus melhores, por isso mesmo ele ficou muito tempo guardado esperando por uma publicação. Até que no dia 20 de dezembro do ano passado, após um período prolongado sem atualização, resolvi publicá-lo por falta de material inédito, uma vez que todos os meus textos novos têm ido para o Novo Jornal e publicações como Lado [R] ou Revista do Versailles. Mas aí, mudei o título para associar a crônica a um texto antigo meu que havia feito muio sucesso no passado e, ops!, temos mais um líder de acessos.

Jovens e jovens, divirtam-se com “Não basta ser bichinha. Tem que ser Society!”

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Não basta ser bichinha. Tem que ser Society!

Menina, você tá se achando assim meio por fora, demodê, um tanto out do style que anda virando a cabeça da society? Pois bem, queridinha, sorte sua que euzinha, Glácia Vivane, a Vivi, chiquérrima, maravilhosa, primeira e única, vou lhe dar umas dicas essenciais pra você se ajeitar, viu, minha bichinha? Qualquer coisa, passa lá na minha loja, na Afonso Pena, que só tem peças exclusivas da minha grife e de alguns dos melhores estilistas brasileiros, tá bom? Mas, olhe só, só vá lá se tiver dinheiro, senão vai ter que deixar um rim se quiser levar um vestido. Ai, ai, ai. Como dá trabalho, doutrinar a plebe.

Vamos lá, vou dar umas dicas de comportamento aqui hoje. Porque antes de saber se vestir, você precisa saber se portar nos lugares. Não adianta vestir uma capivara com roupinha de balé, chuchu. Ela vai continuar sendo uma capivara. Então, preste atenção que a Vivizinha aqui só vai falar uma vez pra não cansar minha beleza, tá?

Primeiro de tudo, saiba sempre que a roupa faz o homem e, sobretudo, a mulher, que é importante estar sempre vestida com a melhor marca e da maneira mais elegante. Mesmo que você seja uma jararaca da pior espécie, dessas bem peçonhentas e que a última boa ação se deu na época em que o Forte dos Reis Magos era só um projeto longínquo, se você se notabilizar sempre pela fina estampa, queridinha, as pessoas não lhe julgarão mal. Uma boa roupa redime qualquer falha de caráter. Principalmente se você for a um lugar novo, porque na nossa cidade, a máxima “a primeira impressão é a que fica” é a maior das verdades. Ninguém tem tempo nem tutano pra ficar revendo conceitos, pensando melhor e mudando de opinião. Por isso, se você for vista como uma brega sem solução, conforme-se, dear. Ou então se mate, o que achar mais cômodo.

E tem o cabelo também, jovem. Se quiser causar uma boa impressão, é melhor cuidar dele. Nada de sair toda pichete por aí, viu? Para que as pessoas não saiam falando mal de você até a terceira geração, desenvolva uma verdadeira obsessão pelo cabelo. Nem cogite sair na rua sem uma escova, uma chapinha ou umas duas horas de secador. Alise essa juba, Rei Leão, senão vai ser pior pra você. Depois não diga que a Vivi não lhe avisou.

Agora vou falar das coisas do coração. Arrume um namorado que frequente bons lugares, restaurantes chiques, que se vista bem e receba convites para os eventos mais exclusivos. Não se importe se ele lhe trata mal. O importante é estar com ele. Melhor do que com um rapaz que lhe trate bem, mas não transmita o mesmo status, não tenha a mesma classe ao se vestir e vá a lugares como a Ribeira, bares com churrasquinhos no espeto ou (ui!) rodas de samba nas Quintas. Outra coisa: evite negros, mulher. Pele escura, a não ser por um bronzeadinho no verão, é sinônimo de pobreza. E pobreza é uma coisa que a gente deve ficar longe. Pelo amor de Deus. É mais contagiososa que gripe, se transmite pelo ar. Portanto, não goste de pobres, não goste de negros. Pode inclusive assumir isso publicamente que na sociedade natalense é normal. Todo mundo vai aceitar numa boa e, inclusive concordar.

Quando estiver socializando com a turma de amigos selecionados que você deve formar, em alguma praia distante do litoral norte, tente demonstrar uma imagem desprendida e levemente rebelde. Uma bebidinha destilada, uma lança perfume, uma cocazinha, mas maconha nunca, que isso é droga de pobre. É o Derby dos entorpecentes ilegais. Afe!

Nas rodinhas de conversa, você pode até ousar um pouquinho de vez em quando, dizendo que se sente levemente contrariada com as suas amigas, que elas se importam em demasiado com a vida dos outros, especialmente os problemas e que só ligam pra aparência. Porém, contudo, entretanto e todavia, nem pense em ser diferente! Incomodar-se com a vida dos outros é o que há e viver de aparência, seguir a moda, ser glamourosa, linda e modern é essencial. O importante, sua linda, é seguir as regras da cartilha. Afinal, é como eu sempre digo: “Imagem é tudo!”

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