Coluna do Novo Jornal – 027 – Pinto e Rêgo Advogados Associados – 26.02.2011

Nesta crônica, homenageio muitos amigos e não-amigos. Os amigos, posso citar nomes. Aliás, até o fiz, para deleite dos mais atentos. Os não-amigos ou apenas conhecidos, como de hábito, não o faço nem sob tortura ou porre bem dado. Quer dizer, com um porre bem dado, pode ser que eu libere a informação.

Boa leitura e divirtam-se!

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Pinto e Rêgo Advogados Associados

Giovanni de Sousa Pinto e Adriano Sérgio Rêgo são os orgulhosos sócios do escritório “Pinto&Rêgo Advogados Associados”. Para eles, não há causa perdida. Todos os casos são merecedores de empenho genuíno e da mais árdua dedicação. Desde muito cedo, e em ambos os casos, a inegável vocação para o exercício do Direito revelou-se na plenitude de suas personalidades inquietas e ávidas por justiça. Antes mesmo de chegarem à faculdade, ainda na escola, alguns claros sinais já se manifestavam nos garotos. O gosto pela leitura, a tendência a mediar conflitos e a postura altiva que transmitia certa superioridade ante seus pares eram algumas características que poderiam antecipar uma futura carreira jurídica. Porém, nenhuma qualidade deixava mais evidente a desenvoltura dos meninos com a ciência das Leis do que a linguagem adotada por eles.

Tanto um como outro costumava falar sem timidez, discorrendo sobre os mais diversos temas com naturalidade e segurança no semblante. Senhores de vasto vocabulário adquirido com o hábito da leitura, mania considerada estranha por seus colegas avessos a livros e a qualquer outro coletivo de letras impressas que lhes surgisse à frente, eram capazes de explicar a natureza das coisas, o porquê de o universo ser exatamente como é, além da razão por trás dos mistérios da vida, o infinito e tudo mais. As plateias privilegiadas por suas extensas preleções ficavam impressionadas com tamanha erudição e articulação de palavras para expressar pensamentos tão complexos e, ao mesmo tempo, aparentemente simples pela maneira como eram verbalizados por um dos futuros sócios. Em apresentações de trabalhos escolares, deixavam as tias e professoras com os olhos marejados de orgulho, sendo sempre premiados com notas máximas, elogios efusivos e empolgados aplausos dos coleguinhas.

No entanto, o fato de serem leitores contumazes, palestrantes desinibidos ou donos de um magnetismo natural para a admiração alheia não davam plenamente a certeza de que se tornariam profissionais das leis. Eles poderiam muito bem converter-se em líderes políticos destacados por seus dons de oratória, jornalistas premiados ou empresários capazes de excelentes negociações. O detalhe que determinava o veredicto definitivo a respeito de qual trabalho realizariam na idade adulta se encontrava no conteúdo do que eles falavam. Adriano Sérgio Rêgo e Giovanni de Sousa Pinto eram ases na arte de falar, falar e não dizer porra nenhuma! Para um observador mais atento, estava mais do que na cara que aqueles dois ali não poderiam dar para outra coisa que não fosse para advogados.

Porque os advogados mais destacados no meio são aqueles que não são compreendidos, mas falam bonito. E bonito, no Direito, quer dizer complicado. E complicado quer dizer incompreensível. Para ser bem sucinto (coisa, aliás, que um advogado nunca pode ser): em linguagem de gente não pode.

Os meninos tiravam 10 nos trabalhos, mas as tias não entendiam nada. Achavam uma gracinha e isso era o que importava. Os amiguinhos paravam para ouvi-los mesmo não fazendo a mais remota ideia do que eles diziam. “Data vênia? Que danado é isso?” Ninguém sabia, mas todo mundo achava aqueles discursos maravilhosos. Quando terminaram a escola, entraram na faculdade de Direito sem muito esforço, uma vez que metade da população universitária de Natal estuda exatamente o mesmo curso, refletindo na enorme demanda.

Nas salas de aula, a dupla encantou todo o corpo docente e logo se destacou entre os estudantes. Tarefa bastante facilitada pela grande maioria de analfabetos funcionais predominando no curso, alunos que fariam o Tiririca se sentir apto a pedir uma nomeação à ABL. Após a graduação e a aprovação no exame da OAB, os jovens e brilhantes profissionais seguiram o caminho natural, abrindo aquele que viria a se tornar o escritório referência em Natal.

O “Pinto&Rêgo Advogados Associados” atua em todas as áreas. Não há empresário, político ou figurão em toda a terra dos Magos bacharéis que não tenha se utilizado dos serviços dos mais proeminentes advogados locais. As grandes empresas potiguares também são assistidas pelos homens de ternos impecáveis e reputação inabalável. É verdade que nem sempre eles saem vencedores de suas causas. Costumam, inclusive, perder muitas delas. Recentemente, defenderam, sem sucesso, uma famosa operadora de telefonia móvel que andava meio em baixa no Estado. Também foram eles que tentaram fazer valer a inspeção veicular obrigatória para todos os automóveis e, como não poderiam deixar de ser, também tentam provar a inocência de alguns indiciados pelas operações Hygia, Foliaduto, Impacto e várias outras.

O escritório já foi contratado pelas autoridades para assegurar a realização da Copa em Natal. “Se não em 2014, que porventura possa-se imputar a louvável disputa ludopédica no subsequente ano, ou mesmo, por que não?, a competição mundial do centenário esporte bretão poder-se-ia realizar-se posteriormente, promovendo a prática mais racional de prazos condizentes com a realidade do espírito público brasileiro, democrático e republicano.” chegou a declarar impávido às páginas deste Novo Jornal o Dr. Giovanni de Sousa Pinto. Esta afirmativa nos revela dois hábitos da dupla: estar sempre presente na imprensa e usar incessantemente a mesóclise. É que os empresários das leis consideram que aparecer na mídia é mais importante que ganhar as causas, pois passar uma postura vitoriosa é, nesta profissão e na nossa cidade, bem melhor do que efetivamente ser um vencedor. Imagem é tudo. Disso, eles não têm dúvidas.

A fama dos parceiros Adriano Sérgio Rêgo e Giovanni de Sousa Pinto chegou até mesmo à esfera nacional na ocasião em que ambos foram chamados para defender políticos prejudicados pela Lei da Ficha Limpa. Não adiantou muito. A lei passou, mas a defesa estava tão irrepreensivelmente redigida que o reconhecimento da competência do escritório só cresceu com o episódio. Este, aliás, parece ser a real explicação para o magnetismo natural que os advogados têm junto aos natalenses: o charme e a arte da retórica, o convencimento das mentes incautas pela apresentação de argumentos eruditos e irresistíveis, mesmo que não compreendidos. Com isso, os sócios vão agariando mais e mais clientes na elite natalense, mesmo a despeito de acumularem derrotas e prejuízos em igual proporção. Insucessos estes que sempre são perfeitamente justificados com as escusas mais eloquentes. Mas, enfim, fazer o que? “Essa é Natal, ninguém se dá muito mal”. E, diria eu, alguns se dão muitíssimo bem. Sem mais, Meritíssimo.

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