Coluna do Novo Jornal – 034 – #GasolinaMaisBarataJá #Será? – 16.04.2011

Em meio à luta pelo fim do cartel dos combustíveis, uma agressão física a um cyberativista me motivou a redigir esta coluna. Continuo a republicação das colunas do Novo Jornal com ela.

Aproveito para ilustrar a postagem com uma bela charge do sensacional Ivan Cabral que também estampa as páginas do @NovoJornalRN.

Boa leitura.

***

 #GasolinaMaisBarataJá #Será?

Se tem uma coisa que eu não tolero é injustiça. Por isso, na coluna de hoje, levantarei minha voz em defesa de uma parcela da população que vem sendo muitíssimo prejudicada. São eles, os proprietários de postos de gasolina, pessoas da melhor qualidade, que geram empregos, pagam impostos e movimentam a economia (literalmente, inclusive).

Outro dia encontrei um amigo dono de posto desconsolado, chorando copiosamente, aos prantos em virtude de uma campanha difamatória que surgira na Internet, acusando sua classe de cobrar preços indevidos e até mesmo de formação de um cartel que determinaria quanto deveria custar o litro de gasolina, de forma a eliminar a concorrência. Meu amigo estava tão deprimido pela etiqueta #GasolinaMaisBarataJá surgida num sítio de relacionamentos, que pensava em abandonar de vez o negócio, no qual atua a mais de 20 anos com o único intuito de oferecer à população os meios para que ela se locomova de um lugar a outro, cobrando um valor necessário para a mera subsistência da empresa e obtendo um lucro mínimo, suficiente apenas para as despesas básicas de suas famílias que, após anos de trabalho duro, acumula pouquíssimas posses e cultiva hábitos tão simples que fariam os mais modestos monges se apiedarem da situação.

Contou-me em seu desabafo: “Como é que as pessoas cometem uma crueldade dessas comigo? Logo eu que sempre fiz questão de ajudar a todos. O preço do litro de gasolina no meu posto me garante um irrisório lucro de 90%, uma ninharia. Veja você que mal dá pra manter minhas residências de verão: a de Pirangi, a de Muriu e a da Lagoa do Bomfim. Sem falar nos almoços em bons restaurantes e jantares sofisticados que sou obrigado a frequentar. Você já viu quanto está o preço dos pratos nos restaurantes elitizados da cidade? Cadê que ninguém levanta a bandeira #LagostaMaisBarataJá?! Claro que não. Escolheram os empresários de combustíveis, os motores da  economia, para serem malhados! E vocês acham que eu não gostaria de baixar os preços? Gostaria sim. Eu próprio sofro na pele e no meu já maltratado bolso. Preciso dar de beber à minha frota de carros importados também. E, infelizmente, graças aos altos impostos e à lei de mercado, sou obrigado aplicar tal valor na tabela de preços. Acredite: dói mais em mim do que nos consumidores.”

Eu já me encontrava profundamente comovido com sua história e, admito, revoltado com a campanha orquestrada contra ele e seus comparsas, digo colegas. Como pode?  Um homem tão bom, sensível e de sobrenome importante. Após um momento de pausa para se recompor, enxugou as lágrimas e prosseguiu: “Eu tenho duas famílias. Almoço com uma e durmo com outra. Mantenho as duas com o dinheiro honesto que ganho da rede de postos. Como é que vou pagar as joias de ambas as mulheres, as despesas cada vez mais altas das crianças, as constantes viagens para o exterior se não puder cobrar um valor condizente dos motoristas da cidade? O meu mais novo faz equitação. Tive que comprar 2 cavalos pra ele praticar. Se vocês soubessem quanto custa manter os dois puro sangues não reclamariam de míseros R$ 3,00 pra abastecer veículos que, em alguns casos, têm potência de mais de 200 cavalos. E a minha frota pessoal? Como é que eu posso manter uma Mercedes, um Volvo, um Land Rover, uma Hilux e um Mitsubish se tiver que baixar o preço da gasolina? Não dá. Não fecha a conta. Vou ter que fazer voto de pobreza, vender um dos meus carros, desfazendo esta linda coleção em 4 rodas simplesmente porque uma dúzia de muquiranas resolveu exigir que eu não possa cobrar quanto eu bem entender pelo produto que vendo. Veja a distorção. Eles deixam de pagar uns centavinhos de nada, mas eu perco uma fortuna. Talvez, mais de um milhão!”

No momento em que fez menção à possibilidade de “perder um milhão”, meu amigo caiu num choro convulsivo. Tentei animá-lo, dizendo que essa campanha não vai dar em nada. Basta se juntar com os colegas, molhar algumas mãos, anunciar nos veículos de mídia certos e procurar os líderes do movimento para uma “conversinha” que tudo estaria resolvido. Ninguém mais falaria em preço de combustível, cartel de donos de postos nem nada disso. Deu certo. Esboçou um sorriso, respirou fundo e me deu uma missão. Na verdade, um emprego: eu seria o responsável por dissuadir os articuladores da campanha a pararem de importunar. Eu apelaria para a humanidade dessas pessoas, pois o que elas estavam fazendo doía no coração dos empresários conterrâneos, todos da mais inquestionável e inabalável idoneidade, incapazes de ferir a ética, praticar cartel ou de cobrar um centavo que seja a mais do que determina o bom senso.

Aceitei de bom grado a confiança em mim depositada. Vou lá atrás desses baderneiros, agitadores da paz alheia, irresponsáveis e inconsequentes. Farei com que eles paguem tudo o que não querem pagar nas bombas de gasolina. Já contactei uns amigos fortes e destemidos para levarmos uns argumentos bastante contundentes. Também irei munido de números que convencerão os líderes do movimento que eles estão redondamente enganados. Os números são: 38, 22 e até mesmo uma 12 que é para o caso de nada mais persuadi-los. Meu benfeitor também me entregou uma maleta de dinheiro para agradar alguns blogueiros “formadores de opinião” e mais uns trocados para convencer alguns vereadores de que os donos de postos não estão fazendo nada de errado. Fico feliz por poder ajudar a resolver esta tão incômoda situação. É que a gente vê tanta coisa errada acontecer em Natal, né? É bom saber que estamos do lado do bem. Eu falei isso pro meu amigo e, agora patrão. Ao que ele respondeu “Amém.” Gostei dessa resposta, pois sei que ele é um homem religioso. E batizado. Assim como a gasolina que vende.

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