Coluna do Novo Jornal – 056 – Exemplos Grandiosos – 17.09.2011

Quando eu estava publicando a série “Trilogia do empreendedorismo”, fiz uma pequena pausa para assimilar se a reação histérica e desproporcional ao que eu escrevi era justa ou apenas choradeira escandalosa de quem não é acostumado a críticas. Enquanto eu não decidia, publiquei outras 3 colunas tratando de outros assuntos. Esta foi a primeira, destacando pessoas que trabalham pela literatura no RN.

Boa leitura e boas leituras.

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Exemplos Grandiosos

Esta semana, tive uma epifania. Estava prestes a enviar o terceiro episódio da trilogia do empreendedorismo, chamado de “O Publicitário Conterrâneo” quando me acometi de algo. A repercussão obtida pelas duas primeiras crônicas superaram toda e qualquer expectativa. Os leitores escreviam, tentando adivinhar de quem especificamente eu estava falando, ignorando o fato de que não me referia a ninguém em especial, mas sim a um tipo de comportamento bastante peculiar em certo círculo pré-determinado.

O público passou a apontar dedos acusadores a torto e a direito, identificando supostos alvos de minhas palavras. Foi aí que percebi que minhas palavras, à minha completa e absoluta revelia, estavam servindo para envenenar os corações de meus conterrâneos e leitores ocasionais. A maledicência, prática tão comum e usual em nossa metrópole de recente passado rural e cultura sertaneja arraigada, encontrou em minhas colunas um fértil terreno para atingir com suas implacáveis peçonhas numerosas vítimas inocentes. Um amigo querido me chamou para conversar e me alertou sobre certas consequências indesejáveis e efeitos maléficos que alguns dos meus textos têm causado. A velha e poderosa palavra, produzindo estragos com despudorada voracidade.

Por tudo isso, resolvi mudar de atitude imediatamente. A partir de agora, vou utilizar este espaço para promover o trabalho meritório de pessoas que em muito contribuem com o desenvolvimento de nossa cidade e com a construção de um RN melhor para todos. Gente admirável, cujo trabalho se pauta em fazer o bem aos demais, a uma coletividade, uma comunidade chamada povo potiguar. Dessa forma, espero eu, estarei expiando certos pecados cometidos recentemente, além de ajudando a semear bons sentimentos e anunciando o que de bom tem sido feito por gente como a gente, por pessoas bem próximas a nós. Quero aumentar o coro da torcida a favor, fechar a torneira das cáusticas insinuações e abordar apenas as certezas definitivas dos benfeitores conterrâneos. Creio que só assim poderei ajudar a cicatrizar certas feridas, abertas em peito alheio, dessas que demoram a sarar e que a experiência evita. Começarei esta série com 4 personalidades potiguares que atuam numa área que me é muito valiosa: a promoção da leitura.

A primeira delas é a professora Cláudia Santa Rosa. Uma educadora que trouxe para sua vida cotidiana uma importantíssima missão: transformar o Rio Grande do Norte num Estado de leitores. Cláudia coordena o IDE (Instituto de Desenvolvimento da Educação), criou o fórum potiguar de escolas leitoras e realiza anualmente o “Seminário Potiguar Prazer em Ler”, no qual o gosto pela leitura é multiplicado numa ampla rede social de professores. Todas essas ações são desempenhadas de forma abnegada e certamente já dão seus primeiros frutos, podendo gerar resultados incríveis no futuro.

O que Cláudia Santa Rosa realiza é louvável, admirável e imprescindível para que possamos vislumbrar um lugar melhor para criar nossos filhos. Acende em cada um de nós a chama da prosperidade possível, a esperança de que uma sociedade mais educada, culta e preparada para os desafios do mundo. A professora luta bravamente contra os baixíssimos índices de desempenho de nossas escolas públicas, vítimas de políticas predatórias de gestões passadas e anos de crônica estagnação. Vejo em toda parte cada vez mais frequentes demonstrações de reconhecimento ao seu trabalho, mas ainda acho pouco. Prevejo um dia, que não está distante, em que ela será justamente homenageada pelos serviços prestados à educação potiguar. Uma ovação muito merecida a esta professora que abraça uma das mais nobres causas que existem: o incentivo à leitura.

Para seguir com o tema leitura, parto agora para a publicação de livros. Na verdade, gostaria de escrever algumas poucas palavras direcionadas a um competente pesquisador que se dedica ao registro e publicação da literatura potiguar. Seu nome é Manoel Onofre Jr., desembargador que, após aposentar-se da magistratura, atendeu ao chamado das letras e passou a estudar, divulgar e promover publicações e autores conterrâneos. Seus livros são verdadeiras preciosidades, indispensáveis a qualquer leitor compulsivo, pesquisador acadêmico ou estudante de letras. O professor Onofre (ou Dr. Onofre, como gosto de chamá-lo, apesar de sua resistência calcada em sua característica modéstia) é, ao lado de Tarcísio Gurgel, uma das maiores referências em conhecimento de literatura potiguar e na generosidade com que divulgam esta literatura para o mundo. A eles, meu elogio e a torcida que alguém faça do Dr. Onofre um verbete ou definição tão magistral quanto os que ele próprio redige a respeito de outros escritores.

Outro jurista que assumiu uma árdua missão para com a literatura foi o Dr. Eduardo Gosson, brilhante presidente da seccional potiguar da UBE. Eduardo deu continuidade ao bom trabalho de outro homem da lei e das letras, Lívio Oliveira, e tem se notabilizado como excepcional realizador, homem de ações e resultados. O Encontro Potiguar de Escritores já vai a sua 4ª edição, cada vez mais prestigiado e representativo, o sítio da entidade, implantado em sua gestão, oferece importante conteúdo para pesquisa e o reforço do editor Francisco Alves, que comanda a editora oficial da entidade (“Nave da Palavra”), demonstra a disposição em produzir um trabalho memorável. Convido todos os que gostam de ler a conhecerem a UBE-RN por meio de sua página na Internet: http://www.ubern.org.br/

Por fim, mas não por último, minhas loas vão para Rilder Medeiros, este comunicador que saiu de Angicos para promover o livro e a leitura em todo o Estado. De Natal a Mossoró, passando por Macau e Caicó, Rilder e seu sócio, Osni Damásio, têm trazido ao nosso RN a possibilidade de intercâmbio com grandes autores deste país e levado a discussão em torno do livro para mais perto das pessoas, irradiando uma onda de conhecimento, iniciando uma reação em cadeia do bem, criando um círculo virtuoso especial. Dizer parabéns a eles talvez seja insuficiente, mas é tudo o que posso dizer neste penúltimo parágrafo da coluna.

A todos os citados acima, manifesto meus sinceros agradecimentos e espero homenagear muita gente boa aqui neste mesmo espaço nas colunas vindouras. E quero ver todos vocês comigo, na corrente pra frente, na torcida a favor. Sejamos grandes ante exemplos grandiosos. Amém.

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