Coluna do Novo Jornal – 079 – Pinto e Rêgo Advogados Associados – Grandes casos recentes – 25.02.2012

O melhor e mais aclamado escritório de advocacia da cidade nos contou a respeito dos seus mais recentes trabalhos.

Boa leitura.

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Pinto & Rêgo Advogados Associados – Grandes casos recentes.

Alguns leitores mais atentos devem se lembrar do escritório “Pinto&Rêgo Advogados Associados” do qual falei em crônica anteriormente. Trata-se da sede onde atuam os mais requisitados defensores da cidade, Giovanni de Sousa Pinto e Adriano Sérgio Rêgo. Pois bem, desde o ano passado o escritório de tão destacados homens da lei tem recebido diversos novos casos e clientes graças à postura atuante do Ministério Público, especialmente dos workaholics promotores do patrimônio.

Todo esse trabalho extra e os dividendos gerados levaram até mesmo a cogitar-se o envio de um cartão de “Boas Festas” aos promotores, parabenizando pela proatividade e profícuo trabalho, mas tal ideia foi logo abandonada para evitar equívocos de interpretação em relação às reais intenções dos advogados por parte dos promotores.

A razão porquê o renomado escritório “Pinto&Rêgo Advogados Associados” tem sido procurado por diversos novos clientes implicados em denúncias de corrupção é a reputação de bons oradores e excelentes redatores de peças jurídicas que a dupla construiu em anos de atuação na área, além do que, como bons adeptos da consagrada prática jurídica de “falar, falar e não dizer porra nenhuma”, eles levam vantagem sobre outros escritórios, uma vez que conseguem enrolar com pleno êxito juízes, imprensa e opinião pública.

Vejam o caso de um rapaz que os procurou, pobrezinho. Escorraçado de um órgão público por seus conceitos modernos e dinâmicos de administração, está agora sendo acusado de ter subtraído milhões de Reais do erário em benefício próprio, da mãe, irmão e até da namorada. O curioso é que o suposto esquema pareceu se revelar após o jovem ter sido visto lavando os pés com uísque a bordo de uma suntuosa lancha. Escrevi ao escritório para que os advogados pudessem esclarecer a situação de seu cliente. Segue a resposta:

Enquanto triunfarem as injustiças contra os nobres de espírito, haverá uma causa à qual abraçar para que a correta atitude da sociedade para com seus mais proeminentes agentes possa ser aplicada e, desta forma, sejam punidos os ímpios e semeadores de discórdia nestes férteis campos de maldade.

É público e notório que o nosso cliente apresenta largos serviços prestados em benfeitoria desta unidade federativa, seja como profissional respeitador da ordem ou como prestimoso gestor púbico que cedeu sua força de trabalho e bem sucedida experiência no setor privado à esfera pública, vem sofrendo com infundadas acusações embebidas no mortal veneno da inveja.

Acusam-no vulgarmente de usurpar o patrimônio público estadual. Ora, que falácia inclemente! O audacioso gestor nada mais fez do que evitar que a verba percorresse os perigosos e convencionais caminhos, tornando-a menos vulnerável às ações venais de criminosos sempre à espreita de grandes montantes. Ao manejar alguns milhões da conta do órgão que comandava, ele agiu de forma a protegê-los de eventuais pessoas mal intencionadas, transferindo-os para lugares seguros como sua própria conta-corrente, de seus parentes e namorada. Tomando tal medida, de muito boa fé, tencionou manter o dinheiro público longe das garras de gatunos astutos que sabidamente atuam nos órgãos governamentais, salvaguardando as reservas que devem prover o bem estar da população.

O investimento dos recursos em um supermercado, uma pizzaria e uma lancha apenas evidenciam o espírito bondoso de nosso cliente, bem como suas profundas preocupações sociais. O supermercado fornecia produtos alimentares a preços abaixo da tabela para a população carente graças aos subsídios conseguidos. A pizzaria atendia a outra camada da população, menos carente, mas que nem por isso, merecia sofrer discriminação. Já a lancha, ao ser equipada com um potente equipamento de som, pretendia irradiar entretenimento de qualidade a um sem número de conterrâneos dentro e fora d’água. Em nossa abalizada avaliação, se estes não são exemplos do uso justo e democrático do dinheiro público em prol de um numeroso extrato populacional, não sabemos mais que é.

Quanto às insinuações feitas de que o necessário hábito de lavar os pés com uísque mantido por nosso cliente denote um comportamento irresponsável e perdulário, temos o dever de informar que ele padece de um raro fungo que provoca um odor terrível nos seus artelhos inferiores. Para combatê-lo é preciso aplicar no local enzimas eficazes que são encontradas apenas nos mais puros maltes escoceses, promovendo assim uma justa equiparação entre os membros de seu corpo. Afinal, como nosso cliente sempre manteve as mãos limpas, é bom que faça o mesmo com os pés.

Giovanni de Sousa Pinto e Adriano Sérgio Rêgo “Pinto&Rêgo Advogados Associados

Os argumentos dos dois grandes juristas são mesmo de impressionar o mais indiferente dos cidadãos, tanto é que o réu já está solto, podendo novamente cuidar dos problemas higiênicos de seus pés que só o puro néctar das highlands escocesas pode resolver.

Outro caso recente que muito me comoveu foi a defesa que os mais requisitados advogado da cidade fizeram de um colega que se envolveu mais do que devia em causas ambientais. Vejam vocês que o rapaz sonhava ver o RN  livre da poluição causada pela crescente frota de automóveis. Questionei sobre o episódio e eles prontamente me

responderam:

Muito nos apraz poder defender uma causa tão justa quanto a proteção ao meio-ambiente, algo que faz muitíssimo bem a toda a população de nosso dadivoso Estado. As boas intenções deste nosso cliente são tão certas quanto o ar que respiramos e tão puras quanto uma infante donzela temente a nosso bom Deus misericordioso.

O sonho deste justo homem de ver nossa atmosfera livre de tantas impurezas vem ao encontro da filosofia defendida por este escritório de que uma sociedade mais justa, limpa e transparente é possível. Por isso, e não pelos generosos honorários oferecidos, aceitamos o caso para proteger o pobre rapaz do linchamento popular que vem sofrendo graças à atuação daqueles que preferem ver o meio-ambiente destruído a mexerem ,um pouco que seja ,em suas rotinas, privilégios ou comodidades econômicas.

Pois foram estas pessoas que trabalharam para incriminar nosso cliente e impedir seu tão cuidadosamente elaborado projeto de inspeção veicular, inventando as mais absurdas histórias sobre ele e os seus sócios, pessoas da mais alta estirpe e de absoluta confiança neles depositada pelo próprio povo, já havendo todos prestado grandes serviços ao nosso Estado.

Como amantes da justiça e militantes do verde que somos (verde da natureza e não das notas de 100, que fique claro) trabalhamos bastante para que nosso cliente seja declarado inocente.

Giovanni de Sousa Pinto e Adriano Sérgio Rêgo “Pinto&Rêgo Advogados Associados

Por fim, pedi ao prestigiado escritório que me ajudasse as razões de mais uma de suas clientes. O caso tem relação com precatórios e tribunais e o esbanjamento da corruptora foi tanto que, ao que parece, ela chegou a ser convidada para o programa “Mulheres Ricas” da Record.

Caríssimo, a senhora em questão tem sido vítima de uma síndrome perversa que costuma afligir as pessoas que percebem alguém próximo ascender socialmente. Este mal provoca desespero e gera acusações falsas como a que seus dois automóveis de 600 mil cada não poderiam ser adquiridos com seu salário de importante funcionária da justiça.

Aliás, toda a história que inventaram a seu respeito, tentando enredá-la numa trama de precatórios e desvio de verba pública é fruto da mais clamorosa calúnia. Estamos convictos de sua inocência e tão resolutos de que sairá ilesa deste pesadelo quanto a fortuna que foi depositada em nossa conta como pagamento de sua defesa.

Giovanni de Sousa Pinto e Adriano Sérgio Rêgo “Pinto&Rêgo Advogados Associados

Após a leitura das mensagens do escritório em resposta a minhas arguições, fica fácil compreender porque os doutores Giovanni e Adriano são os advogados mais procurados da cidade. Não que sejam propriamente os maiores conhecedores das leis, mas certamente são os mais aplicados em descobrir atalhos e artimanhas que livrem seus clientes de maiores complicações. Tanto charme e astúcia encanta os réus mais desesperados e, com certeza, alguns juízes também.

Data máxima vênia.

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