Archive for março \26\UTC 2013

Boas leituras virtuais

março 26, 2013

Amigos, para celebrar a volta do blogue, resolvi compartilhar (este verbo tão em voga) com vocês uns links especiais para textos deles que são, na minha opinião, alguns dos melhores cronistas da atualidade. Fiz uma listinha de 7, de origens diversas. Todos podem ser encontrados fartamente na net e são ótimos para as leituras de fim de expediente, quando quer dar aquela relaxada no trabalho, antes de ir pra casa. Ou para ler em casa, no iPad, no smartphone, enfim, o importante é que vocês leiam.

 

ANA ELISA RIBEIRO (MG)

Ana Elisa por Adriana Gonçalves - Estúdio Imaginário 2Foto: Adriana Gonçalves

Comecemos pelas damas, como convém. A mineira Ana Elisa Ribeiro arrebenta em seu espaço quinzenal no portal de literatura Digestivo Cultural. Abaixo, seguem alguns links para crônicas dela. A partir deles, vocês poderão encontrar muitas outras. Afinal, são mais de 10 anos de colaboração periódica com o sítio cultural paulistano.

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2631&titulo=O_menino_mais_bonito_do_mundo

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3701&titulo=Se_ele_nao_me_le

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2155&titulo=Dar_titulos_aos_textos,_dar_nome_aos_bois

 

DANIEL GALERA (RS)

daniel_galera

Daniel Galera é o escritor preferido da cena contemporânea, escolhido por grande parte dos leitores e críticos que acompanham a cena atual. Posso falar bastante à vontade sobre seu trabalho, pois li todos os seus livros, exceto o mais recente que lerei em maio quando o autor virá a Natal para lançá-lo. Fiquei muito feliz quando saiu a notícia de que o gaúcho assinaria uma coluna no jornal O Globo. Abaixo seguem dois links que catei, mas se vocês perserverarem, poderão encontrar tudo que saiu até o momento, pois a coluna estreou há pouco.

http://oglobo.globo.com/cultura/o-reader-a-direcao-oposta-7934350

http://oglobo.globo.com/cultura/superando-autoficcao-7410285

 

ANDRÉ LAURENTINO (PE)

gr_andre_laurentino_maior

André publicou um romance muito do batuta chamado “A paixão de Amâncio Amaro”. Sua colaboração com o Guia do Estadão é bem antiga e rende a atualização periódica do blog “CADERNO DE VIDRO”, cujo link podemos ver logo abaixo. Lá vocês poderão encontrar muitas preciosidades na forma de textos cotidianos, genialidades travestidas de recortes do dia a dia. Enfim, se eu for ficar elogiando o cara… tem pano pra manga pra escrever uns 10 parágrafos seguidos.

http://andrelaurentino.blogspot.com.br/

 

ANTONIO PRATA (SP)

Prata

“Puta que pariu! É o melhor cronista do Brasil!” gritam os leitores que lotam auditórios, livrarias e feiras literárias, ávidos pelas palavras do ídolo que começou na revista Capricho, passou pelo Guia do Estadão e hoje, escreve na Folha de São Paulo. Eu só posso fazer coro com os leitores. Antonio Prata é, para mim, o melhor texto curto de humor desse país. Ele é foda! O resto é rascunho.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/

 

ARTHUR DAPIEVE (RJ)

z arthur dapieve

Sou leitor do Dapieve desde a adolescência. Comecei com o seu livro BROCK, que contava a história do Rock Brasileiro dos anos 80. Depois disso, li tudo dele que saiu em livro. E tornei-me também leitor de sua coluna no jornal O Globo. Por razões que não sei explicar, abandonei sua leitura nos últimos anos, mas semana passada me deparei com uma crônica sua (sobre o programa de humor Porta dos Fundos) e me bateu um alerta: como pude deixar de acompanhar o que o cara escreveu nos últimos 5 ou 6 anos? Imagina a quantidade de referências que não perdi. A verdade é que o Dapieve deveria publicar mais um livro de crônicas, a exemplo de “Miúdos Metafísicos”, livro estupendo que pode ser achado na Estante Virtual.

http://oglobo.globo.com/cultura/humor-terapeutico-7908568

http://oglobo.globo.com/cultura/chico-country-4453532

http://oglobo.globo.com/cultura/epifania-roqueira-7456551

 

PABLO CAPISTRANO (RN)

Reduzida-Pablo-por-Giovanna-e-Geórgia-27Foto: Giovanna Rêgo

Pablo é um mestre da crônica. Filósofo de formação, passou a escrever crônicas periódicas em jornais de Natal. Publicou um romance chamado “Pequenas Catástrofes”, um livro de contos: “É preciso ter sorte quando se está em guerra” e um genial livro de crônicas, no qual conta a história da filosofia através de textos curtos e leves: “Simples Filosofia”. Todas as crônicas que escreve são postadas em seu site pessoal, cujo endereço segue abaixo:

http://www.pablocapistrano.com.br

 

JOCA REINNERS TERRON (MS/SP)

Joca Terron

O Joca é um dos caras mais cultos e inteligentes que eu conheço. Seu domínio sobre a literatura, seja como autor ou como conhecedor de grandes escritores e obras, é de impressionar. No blogue da Editora Companhia das Letras, Joca divide conosco parte de seus conhecimentos. Quinzenalmente, ele atualiza sua coluna, sempre a nos contar algo inteiramente novo para nós a respeito de escritores, livros e afins. Recomendo.

http://www.blogdacompanhia.com.br/category/colunistas/joca-reiners-terron/

 

 

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Coluna do Novo Jornal – 081 – Barcelona FC – O anjo vingador – 10.03.2012

março 26, 2013

Barcelona FC – O anjo vingador

Barça

Queridos amigos e leitores, passei mais de um ano sem atualizar este espaço. Retomo agora de onde parei, dando sequência na publicação das colunas do Novo Jornal.

Espero que gostem.

***

Em 1982, a cidade de Barcelona na Espanha, foi palco de um dos mais tristes episódios da história do futebol. A derrota da seleção brasileira para a pragmática Itália de Paolo Rossi na Copa do Mundo daquele ano deixou profundas feridas no orgulho nacional, além de graves sequelas que nos conduziram por caminhos tortuosos, guiados por filhotes bastardos daquela esquadra azul de triste lembrança, como Lazaroni, Parreira e, mais recentemente, Dunga. Aquela catástrofe de proporções universais que fizeram muitos torcedores perderem a fé também fez muito mal à “evolução” do futebol mundial na medida em que alimentou a sanha de alguns seres desprezíveis que Nelson Rodrigues definia como “idiotas da objetividade”. Tais criaturas diabólicas vivem à espreita, escondidos na escuridão, aguardando o momento propício para se manifestar com um sombrio “isso não vai dar certo” ou um fatídico “bem que eu avisei”.

Estes antagonistas foram seduzidos pelo pessimismo e costumam utilizar aquele único jogo como prova irrefutável de que só é possível vencer jogando feio. Nos últimos 30 anos, por todo o planeta, mas tristemente também no Brasil varonil, esta república federativa autoproclamada de país do futebol, sofremos com a ditadura da mediocridade erigida por tais imbecis. A tirania imposta por eles foi, em grande parte, encorajada e disseminada pelos grandes meios de comunicação e, com isso, assimilada pela massa sem educação nem senso crítico. Os repórteres e comentaristas vêm repetindo desde então o perigoso mantra do “quem joga bonito perde/quem joga pra frente é irresponsável” e assim por diante, ou melhor: é daí pra trás.

Os pragmáticos repetiam que, para vencer, era preciso ser mais eficientes, começar a montagem de um time a partir da defesa, o que significa, eufemisticamente falando, priorizar a defesa e abdicar quase que totalmente do ataque. Sempre que aparecia alguma equipe jogando o fino da bola, como se diz, surgiam as vozes dos espíritos de porco praguejando que aquela agremiação, por cultivar valores anacrônicos como a ofensividade e beleza plástica do futebol bem jogado, estava fadada ao mais absoluto insucesso e inevitável derrota. E de nada adiantava contra-argumentar, baseando-se nas evidências de que as equipes com maior chance de triunfar são as que jogam melhor, pois logo apelavam para a covardia retórica, evocando a derrota de 82 como o álibi perfeito, sabedores que são que, na tragédia do Sarriá, todos nós morremos um pouco, mesmo os que nem eram nascidos ainda. A derrota de 82 servia para justificar os mais clamorosos absurdos e nós tínhamos que engolir em seco.

Era como se recordassem um crime hediondo, um episódio traumático do nosso passado, alguma falta grave que carregamos como um pesado fardo, inscrita na nossa pele como uma tatuagem delatora. Um artifício torpe, digno dos ímpios que exaltam a defesa como forma de sobrepor-se aos demais, a superioridade da marcha à ré sobre o “pra frente é que se joga”, a vitória por pontos do medo sobre a coragem, o predomínio dos fracos ante o destemor dos que partem pra cima e utilizam como arma principal o talento puro e simples.

Na guerra da informação, além de desfraldar a bandeira da estupidez cujo brasão bem poderia ser uma bola quadrada, ignoravam solenemente qualquer campeão que jogasse bonito e, justamente por isso, vencia. Sua frase preferida era “é melhor jogar feio e vencer do que jogar bonito e perder” como se só houvesse estas duas possibilidades no mundinho maniqueísta e triste onde habitam. Também silenciavam de forma constrangedora a respeito dos incontáveis times que jogavam feio e… PERDIAM. Manipuladores!

Não vivi conscientemente a Copa de 82. Tinha 3 anos de idade e, por isso, não engrossei o coro de lamentos ou o justo choro na ocasião. Mas lamentei muitas vezes nos últimos anos por aquele time não ter vencido e mudado o caminho pelo qual o esporte mais popular da Terra percorreu até hoje, evitando sobressaltos e prolongados períodos de monotonia.

Porém, como os deuses do futebol são caprichosos e, vá lá, bem-humorados na mesma proporção em que são sádicos, as lágrimas derramadas no campo do Sarriá serviram para regar a sagrada relva catalã, fazendo brotar a alguns quilômetros dali, no estádio Camp Nou, as flores e frutos que desinfetaram o mau cheiro do futebol força e aplacaram a fome dos que sentiam falta de um jogo bonito que ganhava contornos de arte nos pés daquele meio campo (Cerezo – Falcão – Sócrates – Zico).

O Barcelona FC de hoje é o nosso anjo vingador. Veio ao mundo para nos saciar e desmoralizar os defensivistas de carteirinha. É um time a prova de qualquer tese desabonadora inventada por algum desses teóricos falaciosos e incoerentes. Joga pra frente e vence. Joga bonito e massacra. É ofensivo e desmonta defesas, por mais arrumadas que estejam.  Ponto. Simples assim. Alguém já declarou dia desses que, o que ele faz com os adversários não é futebol: é bullying. Pode ser. Mas é maravilhoso de assistir.

O time de Messi, Guardiola e companhia é uma espécie de compensação tardia, uma mostra da existência divina para todos nós que sofremos como um Jó diante das provocações disfarçadas de jornalismo e comentários “racionais” dos nossos arqui-inimigos. O elenco azul e grená foi convocado em outro plano que não o nosso e a eles foi dada a missão sagrada de fazer justiça em meio a este vale de pecadores que passaram 3 décadas cultuando o bezerro de ouro do jogo feio, acendendo velas para volantes cabeças de bagre ou adorando zagueiros rebatedores.  O time catalão vem cumprindo com redobrado êxito o papel que lhes foi dado. Aniquilaram todas as teorias que tentam burocratizar o jogo, derrubaram as mais caretas convenções e desarmaram os discursos prontos e decorados dos idiotas da objetividade.

E a cada novo triunfo, a cada adversário enredado em sua rede justiceira, nós, os admiradores do futebol bonito, nos sentimos vingados e ansiosos por mais. Ainda não sabemos se valeu à pena esperar por tanto tempo, mas posso afirmar que as lágrimas do Sarriá, envolvidas pela atmosfera mística e artística de Barcelona, ainda vão nos fazer sorrir muito no futuro. E até chorar, mas dessa vez, de alegria.