Archive for maio \13\+00:00 2013

Ação Leitura 2013 – Abertura e Comerciais

maio 13, 2013

Começa hoje mais uma edição da AÇÃO LEITURA. Esta noite, teremos Clotilde Tavares e Pablo Capistrano em um bate-papo bem legal na abertura que ocorre na UnP da Floriano Peixoto.

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Para quem ainda não viu na TV, aproveito para dividir com vocês os 3 comerciais de divulgação do evento criados pelo Comitê Criativo r produzidos pela ZAM House e Janilson Lima.

 

 

AÇÃO LEITURA 2013 – Mais que aprender, leitura é lazer!

maio 10, 2013

AÇÃO LEITURA 2013: SESC e Jovens Escribas realizam terceira edição do evento.

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Em outubro de 2011, foi realizada a primeira edição da AÇÃO LEITURA por iniciativa da editora Jovens Escribas. A ideia era promover um evento destinado ao incentivo à leitura, tendo como público preferencial os estudantes (mas aberto ao público em geral). O evento trazia uma mensagem simples: “Ler pode ser muito divertido.” No primeiro ano, foram contempladas diversas escolas públicas e particulares, além de algumas instituições de ensino superior, que receberam autores contemporâneos para transmitir aos alunos o prazer na leitura.

Em maio de 2012, desta vez com realização do SESC, ocorreu a segunda edição. O número de escolas foi ampliado, bem como o de parceiros que proporcionaram um maior número de atividades. Além dos bate-papos com os autores, foram realizadas duas oficinas literárias gratuitas e bastante disputadas com os autores mineiros Sérgio Fantini e Ana Elisa Ribeiro. Estiveram presentes durante os 5 dias de evento mais de 2.000 pessoas.

Em 2013, o evento vem ainda melhor. Ocorrerá no período 13 a 17 de maio e teve o número de instituições atendidas ampliado em relação a 2012. Autores como Clotilde Tavares, Pablo Capistrano e Daniel Galera irão a escolas e universidades para conversar com estudantes sobre suas trajetórias como leitores e, consequentemente, escritores. Todos levarão consigo a mensagem do evento deste ano, trabalhada nas peças de divulgação: “Mais que aprender, leitura é lazer.”

Método de trabalho

A AÇÃO LEITURA traz consigo um método utilizado em outros eventos literários Brasil afora que se mostraram bastante exitosos em longo prazo, como a Jornada Literária de Passo Fundo (RS). As ações promovidas seguem a seguinte sequência: primeiro, são enviados textos dos autores que visitarão cada escola para serem trabalhados em sala de aula pelos professores; segundo, os autores visitam as escolas e conversam com os estudantes; terceiro, livros dos autores são deixados nas bibliotecas das escolas para serem lidos pelos alunos. Esta metodologia foi responsável por fazer da cidade de Passo Fundo a primeira colocada nos índices de leitura do Brasil, elevando consideravelmente o nível educacional do município.

Autores

Este ano, a AÇÃO LEITURA terá os seguintes convidados: Clotilde Tavares, Pablo Capistrano, Patrício Jr., Daniel Minchoni, Carlos Fialho, Sinhá, Ruy Rocha, Márcio Benjamin, Carito, Thiago de Góes, Milena Azevedo, Daniel Galera (RS), Ana Elisa Ribeiro (MG), Sérgio Fantini (MG) e Carlos Henrique Schroeder (SC).

Programação

De segunda (13/05) a sexta (17/05) os autores vão falar para estudantes de ensino fundamental, médio e superior. Haverá diversos eventos noturnos e abertos ao público, dando oportunidade para que leitores possam ter um contato mais próximo com os convidados. Parcerias com grupos e produtores culturais da cidade, como Clowns de Shakespeare, o Dosol e a Casa da Ribeira permitem oferecer uma maior variedade de atrações, associando a leitura a atividades lúdicas e divertidas.

Os eventos dentro da AÇÃO LEITURA:

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Abertura oficial – segunda-feira – 13/05 – 19h

Bate-papo com Clotilde Tavares e Pablo Capistrano

UnP – Floriano Peixoto – Auditório grande

 

Menor Slam do Mundo – O maior menor torneio de poetas do mundo, agora em Natal.

Casa da Ribeira – 14/05 – 19h – Acesso gratuito

 

Clowns Escribas – Leituras dramáticas

Autores e escritores (quase) em cena.

Barracão do Clowns – 15/05 – 19h – Acesso gratuito

 

Poesia Esporte Clube – A volta, a revolta, a reviravolta.

Casa da Ribeira – 16/05 – 19h – Acesso gratuito

 

IapoisPoesia Especial.

Parque das Dunas – Bosque dos Namorados – 17/05 – 14h – Acesso gratuito

 

Lançamento do livro “Barba Ensopada de Sangue” de Daniel Galera.

Livraria Nobel da Salgado Filho – 17/05 – 19h – Acesso gratuito

 

A programação completa está no site: (www.jovensescribas.com.br/acaoleitura).

 

Oficinas

Este ano, as oficinas já realizadas pelos autores Sérgio Fantini e Ana Elisa Ribeiro serão reeditadas, mas também estão sendo oferecidas outras 3 alternativas para os interessados.

Oficina de produção de cordel com Clotilde Tavares – 25 vagas – Inscrições gratuitas

Dias 15 e 16 de maio – das 14h às 17h.

Oficina de produção de contos com Daniel Galera – 15 vagas – Inscrições gratuitas

Dias 15 e 16 de maio – das 19h às 21h.

Oficina de criação para quadrinhos com Carlos Henrique Schroeder – 15 vagas – Inscrições gratuitas

Dia 16 de maio – das 14h30 às 17h30 e das 19h às 21h.

Oficina de produção de crônicas com Ana Elisa Ribeiro – 25 vagas – Inscrições gratuitas

Dias 15 e 16 de maio – das 19h às 21h.

Oficina de leitura de contos com Sérgio Fantini – 25 vagas – Inscrições gratuitas

Dias 15 e 16 de maio – das 19h às 21h.

Todas as inscrições deverão ser feitas pelos formulários contidos no site:

www.jovensescribas.com.br/acaoleitura

Escolas

Serão contempladas nesta edição: Escola SESC, Escola Estadual Castro Alves, Escola Municipal 4º Centenário, Escola Municipal Celestino Pimentel, Escola Municipal Francisco Varela, Escola Municipal Ulisses de Góis, Colégio das Neves, CEI Romualdo Galvão, Contemporâneo, Marista, Escola Doméstica, Henrique Castriciano, IFRN Zona Norte e instituições superiores como UnP e UNI-RN.

Abertura Oficial – Autor homenageado

Na abertura oficial do evento, que ocorrerá na UnP da Floriano Peixoto, às 19h da segunda-feira (13/05), haverá um bate-papo com os autores Clotilde Tavares e Pablo Capistrano. Na ocasião, será entregue um prêmio em homenagem ao escritor Nei Leandro de Castro, grande homenageado do evento deste ano. Nei, que estará em Natal devido ao lançamento do seu novo livro, receberá a primeira edição do PRÊMIO PARÁGRAFO, oferecido pelo SESC e pelos Jovens Escribas.

Encerramento Festivo  – Lançamento de Daniel Galera – Show com Simona Talma

Na sexta-feira (17/05) haverá o encerramento festivo. Todos os autores do evento se reunirão para confraternizar na livraria Nobel da Salgado Filho a partir das 19h. Será lançado o livro “Barba ensopada de sangue de Daniel Galera” ao som da cantora Simona Talma.

AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA:

Realização: SESC e Jovens Escribas.

Patrocínio: Assembleia Legislativa, Cabo Telecom e Comitê Criativo.

Apoios e parceiros: InterTV Cabugi, Restaurantes Camarões, Dosol, Clowns de Shakespeare, Casa da Ribeira, IDE, Garagem Hermética, Ribeira Território Criativo.

 

Porta-voz do evento:

Patrício Jr.

e-mail:

pittjr7@gmail.com

 

É HOJE! Lançamento de “Pássaro sem sono”.

maio 9, 2013

Vamos todos? Quem é lindo vai!

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Coluna do Novo Jornal – 087 – Manicaca Fashion Week – 28.04.2012

maio 8, 2013

Crônica bem legal que fiz sobre, er, tipo, moda. 🙂 Divirtam-se!

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Manicaca Fashion Week

Manicaca Fashion Week

Escolher roupa nunca havia sido um problema. Bastava pegar uma calça que servisse, uma camiseta bonitona e calçar os tênis. Pronto. Agora era só partir pra guerra. Eu pensava cá com minha teimosia de jovem cabeça dura, burro como uma porta e preconceituoso até a última célula, enfim, um natalense como qualquer outro, que essa história de moda não passava da boa e velha frescura disfarçada de sofisticação e estilo. Até que um dia Ela me mostrou toda a verdade, abrindo minha cabecinha limitada para o significado que está por trás das meras tendências.

Eu imaginava a mim mesmo como um autêntico herói da resistência pacífica, recusando submeter-me às convenções sociais mais fúteis e pueris. Uma espécie de Gandhi insurgindo-se contra o consumismo exacerbado das marcas que dominam nosso imaginário de província pobre e sem cultura perdida nos recônditos deste país capitalista emergente. Não gostava de marcas caras. Pra mim, uma bolsa era uma bolsa. Uma calça era uma calça. E uma simples camisa não poderia conferir um título de nobreza simplesmente por conter um emblema de um jacaré, um homem a cavalo ou um número ridiculamente grande. Era meu dever cívico de rapaz politizado nadar contra a correnteza, conscientizar a massa ignara, pregando valores positivos como a justiça, a parcimônia e tudo aquilo que não está a venda nos centros de compras do meio do caminho. O caráter, senhoras e senhores, não estará em oferta na “Liquida Natal”.

Mas Ela sabia como desconstruir todos os meus argumentos, fazendo cair por terra as mais arraigadas convicções e incontestáveis certezas. Apontou minhas mais que evidentes contradições. Mostrou que, ao seguir símbolos da contracultura, ao frequentar a Ribeira em detrimento dos camarotes VIP, ao optar pelo Dusouto em vez de Bel, eu estava apenas cultuando outros ídolos em meu sagrado altar de consumo particular. Ela escancarou que eu, assim como todos a minha volta, fazia tipo, seguia um padrão de comportamento que poderia diferir na aparência, mas não no essencial. A imagem que eu fazia de mim mesmo estava longe de ser uma forma de apaziguar minha consciência, de fazer-me sentir bem. Eu queria, na verdade, que os outros percebessem minha “atitude” e (podem rir) “autenticidade”.

No fundo, eu estava tentando ser percebido pelos outros de uma maneira idealizada. Eu, assim como Ela, o Padre Fábio de Melo, a Amy Winehouse e vocês, sou um personagem de mim mesmo. Eu me inventei de acordo com o que gostaria de ser. Represento o papel que eu mesmo escrevi. E já que era pra ser melhor percebido, por que não me comportar de maneira mais elegante de acordo com a ocasião? Que mania era essa de querer causar? Eu tinha que respeitar certos grupos que eu frequentasse eventualmente, precisava sim usar terno em casamentos e saber que a roupa de ir ao shopping não deveria ser a mesma de uma reunião de trabalho.

Ela me mostrou que eu não tinha o mais remoto senso estético, que o meu ideal de beleza no que se referia ao vestir era o mesmo de um letrista de axé com relação à métrica. Eu não sabia combinar camisa com calça. Camisa, calça e tênis então, jamais. E, grave, muitas vezes eu errava até na seleção do par de meias. Fui sumariamente proibido de comparecer a eventos públicos (qualquer aglomeração maior que 3 pessoas) sem que ela escolhesse minha indumentária. Tentei me esquivar, mas sucumbi aos primeiros elogios. Logo, cansada de exercitar a criatividade diante de um guarda-roupa quase tão parco em opções quanto o do Cebolinha, Ela me levou para fazer compras.

Apresentou-me às lojas legais, às marcas que importam, conheci as tão alardeadas “últimas tendências” e soube que as novas coleções trazem consigo todo um passado de minuciosas pesquisas, trabalho hercúleo e evolução constante. A Primavera Verão 2012, por exemplo, não difere tanto das escolas literárias que se baseavam na negação da geração anterior. A única diferença é que com as roupas acontece de 6 em 6 meses. Hoje, sou um homem mudado. Tenho um estilo novo, o Manicaca Style, que não posso definir como próprio por razões mais que evidentes. Sempre que vou a uma festa, um jantar, uma balada, Ela pergunta: “vai vestir o que?”, para depois zombar de minha resposta e determinar como eu realmente devo ir. Alguns podem achar essa situação meio embaraçosa, mas acredito que seja mais comum do que se pensa. Quando existe amor, respeito e consideração pelo outro, nos preocupamos com todos os aspectos relativos a ele. Daí os fraternos e sinceros cuidados das mulheres em nos vestir quase na mesma medida em que tentamos despi-las.  É a vida. É bom e, nesses tempos mudernos, ser manicaca tá na última moda. E, convenhamos, mesmo que você não tenha tendência, não tem nada demais em seguir algumas.

Lançamento de Pássaro sem sono – Nei Leandro de Castro – Orelha

maio 7, 2013

Sobre “Pássaro sem sono” – Nei Leandro de Castro

Conforme já anunciei ontem, teremos o lançamento do novo livro de Nei Leandro de Castro nesta quinta-feira. Para aquecer um pouco e despertar a curiosidade de alguns, publico a orelha do livro e um breve perfil do autor com sua bibliografia de ficção.

Cartaz

 

Orelha de Pássaro sem sono:

O conto é um dos mais fascinantes estilos literários. Segundo Julio Cotazar, o que difere um romance de um conto é que no primeiro se vence por pontos, enquanto num conto, a vitória é por nocaute. Inapelável. Talvez tenha sido a sede de tornar-se vitorioso em outra seara que incentivou Nei Leandro de Castro, autor de tantos e memoráveis romances, a arriscar-se no terreno das narrativas breves e nos brindar com os contos deste “Pássaro sem sono”.

Nas histórias aqui reunidas, um ponto em comum: o erotismo. É a sensualidade utilizada como importante recurso a estabelecer tensão entre os personagens. O termo “erótico” vem do grego (Erotikós) e significa “relativo ao amor ou inspirado por ele”. O erotismo expressa, portanto, a naturalidade do desejo sexual, conforme pode-se notar nas histórias aqui reunidas. Nelas, o desejo, a vontade, os impulsos incontidos de cada um não são gratuitos, mas partes de um enredo que transmite valor literário às histórias magistralmente contadas pelo autor.

A publicação de “Pássaro sem sono”, aliás, vem em muito boa hora. Num momento em que a literatura comercial explora o erotismo de forma tão penosa e vulgar, este livro vem cumprir a nobre missão de redimir um estilo tão desvalorizado e vítima dos mais vis preconceitos. Os contos deste livro se diferem de algumas publicações recentes por não sofrerem de uma nefasta fixação pelo secundário. Pelo contrário, eles se valem primeiramente de histórias bem contadas, narrativas bem escritas, personagens interessantes.

Cabe agora a você, amigo leitor, apreciar a leitura dos contos a seguir e testemunhar de perto a vitória por nocaute de Nei Leandro de Castro.

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Nei Leandro de Castro

20.10.2011 - Mais Siciliano Midway (13)

Nei Leandro ao centro, entre Pablo Capistrano e eu.

Nei Leandro de Castro nasceu em Caicó (RN), em 1940. Viveu em Natal e no Rio de Janeiro, onde reside atualmente. Trabalhou como redator e diretor de criação em algumas das principais agências de propaganda do país. Foi colaborador do semanário “O Pasquim” e escreveu resenhas literárias para “O Globo” e “Jornal do Brasil”.

Publicou os romances “O dia das moscas” (1983, com reedição em 2008), “As pelejas de Ojuara” (1986, com reedições em 1991, 2002 e 2006, adaptado para o cinema no filme “O home que desafiou o diabo”), “As dunas vermelhas” (2003, com reedição em 2013) e “A fortaleza dos vencidos” (2009).

Na poesia, lançou os livros “O pastor e a flauta” (1961), “Voz Geral” (1964), “Romance da cidade de Natal” (1975, com reedição em 2004), “Feira livre” (1975), “Canto contra canto” (1981), “Zona erógena” (1981), “50 sonetos de forno e fogão” (1982, em parceria com Celso Japiassu), “Musa de verão” (1984), “Era uma vez Eros” (1993), “Diário íntimo da palavra” (2000) e “Autobiografia” (2008).

Também publicou o livro de ensaio “João Guimarães Rosa – Universo e vocabulário do Grande Sertão” (1970, com reedição em 1982, vencedor do prêmio de melhor ensaio concedido pelo Instituto Nacional do Livro) e a coletânea de crônicas “Rua da estrela” (2010).

Lançamento de Pássaro sem sono de Nei Leandro de Castro – Nesta quinta – 09.05.2013

maio 6, 2013

Nesta quinta-feira, a Editora Jovens Escribas, que dirijo com muita honra, articulando um bom número de autores e amigos, vai lançar no Solar Bela Vista, com toda pompa e circunstância, o novo livro de Nei Leandro de Castro, “Pássaro sem sono”, contos. Para que todos possam estar bem informados e animados, atualizo o blogue hoje com o release para a imprensa deste lançamento. Um abraço. Fialho.

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Lançamento de Pássaro sem sono

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A parceria entre a Editora Jovens Escribas e o Solar Bela Vista (SESI) renderá mais um evento de lançamento de um importante livro da nossa literatura. Desta vez, teremos simplesmente a estreia de Nei Leandro de Castro na seara das narrativas curtas. Isso mesmo. Será publicado o primeiro livro de contos de um dos maiores romancistas potiguares. Os contos do livro foram escritos pelo autor ao longo das últimas décadas. Vários deles lhes renderam prêmios nacionais e publicações em importantes revistas. A festa de lançamento será no dia 09 de maio de 2013 (quinta-feira), a partir das 18h, no Solar Bela Vista (em frente à Capitania das Artes), ocasião na qual o autor e os editores reunirão amigos e leitores.

PÁSSARO SEM SONO

Nas histórias reunidas em “Pássaro sem sono”, um tema permeia várias delas: o erotismo. É a sensualidade utilizada como importante recurso a estabelecer tensão entre os personagens. O erotismo de Nei Leandro expressa a naturalidade do desejo sexual. Nelas, o desejo, a vontade, os impulsos incontidos de cada um não são gratuitos, mas partes de um enredo que transmite valor literário às histórias magistralmente contadas pelo autor.

40 Capa Pássaro Sem Sono FECHADA

A publicação de “Pássaro sem sono”, aliás, vem em muito boa hora. Num momento em que a literatura comercial explora o erotismo de forma tão penosa e vulgar, este livro vem cumprir a nobre missão de redimir um estilo tão desvalorizado e vítima dos mais vis preconceitos. Os contos do livro se diferem de algumas publicações recentes por não sofrerem de uma nefasta fixação pelo secundário. Pelo contrário, eles se valem primeiramente de histórias bem contadas, narrativas bem escritas, personagens magistralmente construídos.

 

NEI LEANDRO DE CASTRO

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Nei Leandro de Castro nasceu em Caicó (RN), em 1940. Viveu em Natal e no Rio de Janeiro, onde reside atualmente. Publicou os romances “O dia das moscas” (1983, com reedição em 2008), “As pelejas de Ojuara” (1986, com reedições em 1991, 2002 e 2006, adaptado para o cinema no filme “O home que desafiou o diabo”), “As dunas vermelhas” (2003, com reedição em 2013) e “A fortaleza dos vencidos” (2009), além de vasta obra poética.

EDITORA JOVENS ESCRIBAS

Este é o 4º lançamento do ano realizado pela Jovens Escribas no Solar Bela Vista, que vem se consolidando como um ponto de encontro dos fãs da boa literatura sempre na primeira quinta-feira do mês. E é o último lançamento antes da realização da AÇÃO LEITURA 2013, realizado pelo SESC em parceria com a editora que terá início no dia 13 de maio e levará diversos autores para um contato direto com estudantes e leitores.

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Serviço:

Lançamento do livro “Pássaro sem sono” de Nei Leandro de Castro.

Local: Solar Bela Vista. | Data: 09 de maio de 2013 (Quinta-feira) | Hora: A partir das 18h | Preço dos livros: R$ 30

Coluna do Novo Jornal – 086 – Algumas verdades sobre Alex Nascimento – 21.04.2012

maio 5, 2013

Algumas verdades sobre Alex Nascimento

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Alex é o do centro ou, para facilitar a identificação, o mais bonito dos 3.

Em 2005, o fotógrafo Giovanni Sérgio, um dos homens mais cultos de sua geração, perguntou-me de chofre: “Você já leu Alex Nascimento?” Diante de minha negativa, arrebatou rápido e preciso, como se empunhasse uma objetiva e a apontasse para mim: “Ali sim é um escritor.” Jovem e petulante que era, ainda acometido da arrogância natural dos que pouco conhecem, interpretei a preciosa dica literária de Giovanni como mais uma de suas mordazes pilhérias, tão comuns a este pícaro e pictórico profissional das lentes, mago das imagens estáticas, príncipe da Rua Chile. Entretanto, anos mais tarde, tive a oportunidade de conhecer o texto de Alex Nascimento. Depois, assisti à peça do coletivo “Atores à deriva” baseada no livro “Recomendações a todos”. Por fim, li a lendária obra que originou a peça em que Alex discorre com especial sarcasmo e a dose certa de ironia a Natal de 1982, sua sociedade, seus hábitos, costumes e peculiaridades. Obviamente, encantei-me pelo texto e a sagacidade do autor.

Desde que me deparei com tal obra, com tamanha qualidade e estilo inigualável, decidi que quero escrever o mais parecido possível com o meu novo ídolo das letras. Sei que é impossível, mas, diante das circunstâncias, contento-me em ser uma imitação barata e oportunista. A partir desta formidável descoberta compreendi que o bom Giovanni Sérgio nunca quis desmerecer por oposição minhas surradas frases. Na verdade, sua intenção, como a de um tutor, era me orientar no sentido de uma das melhores leituras que a cena contemporânea de autores natalenses viu surgir.

Passado mais algum tempo, conheci também o autor. Gente finíssima, que carrega consigo um permanente e contagiante bom humor cultivado por seu inabalável espírito jovial. Do pouco que convivi com ele até agora (para minha sorte, segundo me confidenciaram alguns dos amigos da mais íntima seara), pude reunir alguns episódios da mais autêntica veracidade que tenho a honra de compartilhar com vocês:

– Existem dois grupos de mulheres em Natal: as apaixonadas por Alex Nascimento e as que não o conhecem.

– Um dia Alex Nascimento foi convidado a ser padrinho de casamento de um amigo. Pediu para fazer um discurso saudando os noivos e declarou: “Todo mundo tem direito a ser feliz. Casa porque quer.”

–  Costuma pegar no pau dos amigos, mas sem viadagem. Trata-se apenas de uma inspeção rotineira, pura conferência preventiva, para averiguar se o seu continua sendo o maior membro da cidade. Após a constatação de que continua tudo como antes e a bandeira do seu mastro segue tremulando mais alto que as outras, respira aliviado e sorri satisfeito.

– Ele esteve internado na enfermaria de um manicômio e lembra de tudo com a nitidez de um Cartier-Bresson.

– Se Alex Nascimento pudesse encontrar-se frente a frente com Freud dizer-lhe-ia umas verdades, pois o ‘pai da psicanálise’ deu ao mundo “muito cabimento e poucas condições”.

– É um homem acima da média e, como tal, incapaz de fazer média com ninguém, pois média, até mesmo em matemática, sempre lhe cheirou a “acordo de partes”.

– Trata-se de um iconoclasta atrevido, um quebrador de paradigmas incorrigível. Para ele, é uma idiotice aquela história de que um homem tem que plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho.

– Aliás, Alex sempre considerou que a melhor parte da fabricação de um filho é o contato do operário com a fábrica.

– Na enfermaria do manicômio onde esteve internado, Alex conheceu um homem que se imaginava presidente da república. Seu maior medo era ser derrubado do cargo enquanto fosse ao banheiro. Por isso, costumava se cagar e mijar todo. Conclusão do autor: “O medo de perder o poder leva o poder leva o homem às mais descabidas sujeiras”.

– As pretensões acadêmicas do genial escritor residem em entrar lentamente para a Academia de Letras para que de lá seja expulso rapidamente.

– Alex Nascimento, ainda bebê, quis saber dos filmes de Visconti, das obras de Michelângelo, do disco novo de Oscar Peterson, dos rumos políticos de sua terra, dos pensamentos de Millôr e de outras coisas que as boutiques não vendiam. Obviamente, não obteve êxito. Nasceu em Natal o pobrezinho.

– Uma madame olhou para o bebê Alex e, com afetação de analista formada na escola mundana de maledicência diagnosticou: “o menino tinha cara de chato, pretensioso, arrogante e intelectual”. O infante autor respondeu de bate e pronto: “Chato é camelo de deserto pubiano, pretensioso é economista que trabalha pro governo, arrogante é irmão de gente famosa, e intelectual é a puta que a pariu!”

– Alex Nascimento acha que Natal está cheia de ricos se fazendo de bestas e bestas se fazendo de ricos.

– É possível, e até provável, que o escritor esteja fungando no seu cangote neste exato momento em que você lê este texto.

– Se você olhar pra trás, ele vai perguntar: “Foi bom pra você, querido?”

Essa, e apenas essa, é A VERDADE SOBRE ALEX NASCIMENTO! Quem quiser que invente outra. Seguirei buscando me aprofundar (com o devido respeito) mais na obra do autor. Certamente, depois do sucesso da nova edição de “Recomendação…” haverá outros lançamentos. E o que não sair de novo, buscarei nos sebos. Recomendo que façam o mesmo. Recomendo a todos.

 

Coluna do Novo Jornal – 085 – As desventuras de uma ex-gostosa – Quero ser vice. – 14.04.2012

maio 2, 2013

As desventuras de uma ex-gostosa

Carla Ubarana

Sempre tive especial predileção pela leitura. Se não fosse por ela, não estaria aqui, com fotinha no topo da página, nomezinho impresso e a oportunidade de grafar umas besteiras pra vocês num jornal de respeito e boa circulação. Nos tempos antigos da minha adolescência, só havia 3 carreiras possíveis: medicina, direito e engenharia. Havia poucas concessões para odontologia e arquitetura. Na provinciana Natal daquela época (ainda mais do que hoje) quem não se enquadrasse nessa cartilha, era precocemente taxado de “sem-futuro” ou fracassado. Eram tempos de poucas alternativas e parcas perspectivas.

Era de se esperar, portanto, que um rapaz tão dedicado a leituras como eu, seguisse o caminho do Direito. Quando manifestei publicamente o interesse em cursar comunicação, o choque foi grande. Alguns parentes chegavam para minha mãe, afirmando que eu passaria fome. Na escola, professores não entendiam como “um menino tão bom” desperdiçaria a chance de optar por alguma profissão digna.

Segui em frente, cursei comunicação na UFRN (Jornalismo) e UnP (Publicidade), depois fiz especialização, comecei a trabalhar, tive o trabalho reconhecido, ganhei algum dinheiro e, hoje, tenho uma vida estável. Como tudo ocorreu de forma natural até agora e as conquistas se deram de forma gradual e crescente, nunca compreendi bem porque as pessoas diziam que a única escolha possível para um estudante com o meu perfil seria cursar Direito, frequentar tribunais, conviver com todos aqueles artigos, leis, liminares, linguagem jurídica. Aí, esse caso dos precatórios do TJ me abriu os olhos.

Quando as pessoas falavam em uma carreira bem sucedida no Direito, era isso que eles queriam dizer! Percebi que as possibilidades da profissão não se limitavam a advogados, promotores, juízes e escrivães. Havia também os grandes empreendedores como a Carla Ubarana, a personagem da semana na cidade. Os escritos jurídicos também não se limitavam às peças que exercitam a arte de falar, falar e não dizer praticamente nada. Tem também os livros contábeis que distribuem riquezas entre desembargadores e operadores de esquemas como o dos precatórios. E eu aqui, descascando batatas no porão de uma empresa de comunicação.

Soube que a Carla Ubarana era uma bela e voluptuosa jovem. Estudou no mesmo colégio que eu, mas em outra época. Era craque no vôlei e muitos rapazes eram apaixonados por ela. Pus-me a pensar em como a vida foi cruel com a moça. Acredito que o desfalque que ela deu no dinheiro dos precatórios possa ter sido uma tentativa de vingar-se dos muitos revezes que o destino aprontou para si. Foi uma reação desesperada e tardia às brincadeiras de mau gosto do tempo, esse carrasco que é capaz de transformar a garota mais bonita da escola numa notória baranga cantada e decantada em prosa e verso nas capas dos jornais.

Só posso crer que seja essa a razão para que ela aprontasse o que aprontou. Seria justo por parte da Providência Divina que lhe pudesse agraciar com um pouco de generosidade ante tudo que lhe foi tirado. E agora que ela foi pega com a mão na cumbuca, talvez tenha percebido que tudo o que vem fácil, vai fácil. Perdeu toda a fortuna que nos roubou, assim como perdeu a formosura de outrora e hoje é apenas uma ex-gostosa falida e mal falada. A vida dá voltas e nem sempre é de Mercedes.

***

Quero ser vice.

Deixando um pouco de lado esse caso do TJ, tenho outra sugestão de carreira que esse ano está em forte evidência. Trata-se de um emprego que paga bem, traz certo status e, o melhor de tudo, não lhe faz correr riscos, pois é inteiramente lícito. Eu mesmo já penso em postular uma vaga para mim. Estou falando da profissão de “VICE”. Em outubro tem eleição eu descobri que é isso que quero da vida: eu quero ser vice! Eu nasci pra isso. Eu sempre fui vice! Sou o melhor nome para este cargo.

Sigam o meu raciocínio, mas não com muito interesse, já que nós, vices, não nascemos pra liderar. No máximo, para vice-liderar. E olhe lá! O que eu quero dizer é que sempre fui um aluno nota 7, nunca fui o melhor nos esportes, tinha um desempenho médio nas conquistas amorosas escolares(nem a garota mais desejada da sala nem a canhão da Jussara que nos dava balas Sete Belo, senão a gente nem cumprimentava). Eu ficava mais na minha, quieto, sem ser notado.

Fui crescendo, mas não muito, para não ficar mais alto que a média, e mantive a regularidade. Pois é isso que nós vices natos temos que ser: regulares. Se fôssemos bons ou ótimos, não serviríamos para o cargo. Nós vices não somos dignos de destaque. Aliás, nós geralmente somos lembrados pelo que não somos e nunca pelo que fomos ou somos. A única coisa que podemos dizer que somos é vice-isso, vice-aquilo.

Os vices não são nem altos, nem baixos, nem gordos, nem magros, nem fortes, nem fracos, nem disputa pelo título nem zona do rebaixamento. Um pobre não consegue ser vice, assim como um vice não fica milionário. Vice é tudo classe média.

Uma coisa boa sobre os vices é que você nunca vai encontrar um vice contando vantagem que fez isso, que fez aquilo, que faz e acontece. Um vice não faz e se orgulha por não ter feito. O vice é desleixado, relaxado, descansado e relapso. O vice adora uma rede e, de tão preguiçoso, faz o mais indolente dos veranistas natalenses parecer um novaiorquino yuppie da Bolsa.

Imaginem como seria um debate na televisão entre vices. Obviamente jamais poderia passar numa TV líder em audiência. Em vez de dizermos o que iríamos fazer como os candidatos principais, diríamos tudo o que não faríamos quando fôssemos eleitos. Quem mostrasse maior vocação para a vagabundagem levaria o cargo. Ou melhor: vice-cargo.

Eu poderia dizer algo como: “Eu prometo não trabalhar por vocês nem um diazinho sequer nos próximos quatro anos! É um compromisso que assumo de público. Comigo é assim: quando eu prometo, não cumpro mesmo!” E a platéia iria ao delírio, certa de que eu seria o seu vice-candidato.

Em todas as eleições eu fico fascinado com os vices. A inutilidade charmosa, a falta de função orgulhosa, a condição de simples acessório carregada de simbologia, o adorno eleitoral que anda (sem rumo definido) e fala (nunca coisa com coisa). Tanta admiração me despertou este sentimento sincero e obstinado de querer meu lugar à sombra, no cantinho das atenções. Tenho certeza que, se eu não fizer nada, como estou disposto a não fazer, chegarei a lugar nenhum, que é onde um vice almeja permanecer. Conto com o seu voto e só não prometo que serei o melhor dos vices porque se eu for inventar de ser melhor em alguma coisa, estaria sendo um péssimo vice.