Coluna do Novo Jornal – 086 – Algumas verdades sobre Alex Nascimento – 21.04.2012

Algumas verdades sobre Alex Nascimento

2012_05_22 Jovens Escribas Sinhá Casa da Ribeira Noite-162

Alex é o do centro ou, para facilitar a identificação, o mais bonito dos 3.

Em 2005, o fotógrafo Giovanni Sérgio, um dos homens mais cultos de sua geração, perguntou-me de chofre: “Você já leu Alex Nascimento?” Diante de minha negativa, arrebatou rápido e preciso, como se empunhasse uma objetiva e a apontasse para mim: “Ali sim é um escritor.” Jovem e petulante que era, ainda acometido da arrogância natural dos que pouco conhecem, interpretei a preciosa dica literária de Giovanni como mais uma de suas mordazes pilhérias, tão comuns a este pícaro e pictórico profissional das lentes, mago das imagens estáticas, príncipe da Rua Chile. Entretanto, anos mais tarde, tive a oportunidade de conhecer o texto de Alex Nascimento. Depois, assisti à peça do coletivo “Atores à deriva” baseada no livro “Recomendações a todos”. Por fim, li a lendária obra que originou a peça em que Alex discorre com especial sarcasmo e a dose certa de ironia a Natal de 1982, sua sociedade, seus hábitos, costumes e peculiaridades. Obviamente, encantei-me pelo texto e a sagacidade do autor.

Desde que me deparei com tal obra, com tamanha qualidade e estilo inigualável, decidi que quero escrever o mais parecido possível com o meu novo ídolo das letras. Sei que é impossível, mas, diante das circunstâncias, contento-me em ser uma imitação barata e oportunista. A partir desta formidável descoberta compreendi que o bom Giovanni Sérgio nunca quis desmerecer por oposição minhas surradas frases. Na verdade, sua intenção, como a de um tutor, era me orientar no sentido de uma das melhores leituras que a cena contemporânea de autores natalenses viu surgir.

Passado mais algum tempo, conheci também o autor. Gente finíssima, que carrega consigo um permanente e contagiante bom humor cultivado por seu inabalável espírito jovial. Do pouco que convivi com ele até agora (para minha sorte, segundo me confidenciaram alguns dos amigos da mais íntima seara), pude reunir alguns episódios da mais autêntica veracidade que tenho a honra de compartilhar com vocês:

– Existem dois grupos de mulheres em Natal: as apaixonadas por Alex Nascimento e as que não o conhecem.

– Um dia Alex Nascimento foi convidado a ser padrinho de casamento de um amigo. Pediu para fazer um discurso saudando os noivos e declarou: “Todo mundo tem direito a ser feliz. Casa porque quer.”

–  Costuma pegar no pau dos amigos, mas sem viadagem. Trata-se apenas de uma inspeção rotineira, pura conferência preventiva, para averiguar se o seu continua sendo o maior membro da cidade. Após a constatação de que continua tudo como antes e a bandeira do seu mastro segue tremulando mais alto que as outras, respira aliviado e sorri satisfeito.

– Ele esteve internado na enfermaria de um manicômio e lembra de tudo com a nitidez de um Cartier-Bresson.

– Se Alex Nascimento pudesse encontrar-se frente a frente com Freud dizer-lhe-ia umas verdades, pois o ‘pai da psicanálise’ deu ao mundo “muito cabimento e poucas condições”.

– É um homem acima da média e, como tal, incapaz de fazer média com ninguém, pois média, até mesmo em matemática, sempre lhe cheirou a “acordo de partes”.

– Trata-se de um iconoclasta atrevido, um quebrador de paradigmas incorrigível. Para ele, é uma idiotice aquela história de que um homem tem que plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho.

– Aliás, Alex sempre considerou que a melhor parte da fabricação de um filho é o contato do operário com a fábrica.

– Na enfermaria do manicômio onde esteve internado, Alex conheceu um homem que se imaginava presidente da república. Seu maior medo era ser derrubado do cargo enquanto fosse ao banheiro. Por isso, costumava se cagar e mijar todo. Conclusão do autor: “O medo de perder o poder leva o poder leva o homem às mais descabidas sujeiras”.

– As pretensões acadêmicas do genial escritor residem em entrar lentamente para a Academia de Letras para que de lá seja expulso rapidamente.

– Alex Nascimento, ainda bebê, quis saber dos filmes de Visconti, das obras de Michelângelo, do disco novo de Oscar Peterson, dos rumos políticos de sua terra, dos pensamentos de Millôr e de outras coisas que as boutiques não vendiam. Obviamente, não obteve êxito. Nasceu em Natal o pobrezinho.

– Uma madame olhou para o bebê Alex e, com afetação de analista formada na escola mundana de maledicência diagnosticou: “o menino tinha cara de chato, pretensioso, arrogante e intelectual”. O infante autor respondeu de bate e pronto: “Chato é camelo de deserto pubiano, pretensioso é economista que trabalha pro governo, arrogante é irmão de gente famosa, e intelectual é a puta que a pariu!”

– Alex Nascimento acha que Natal está cheia de ricos se fazendo de bestas e bestas se fazendo de ricos.

– É possível, e até provável, que o escritor esteja fungando no seu cangote neste exato momento em que você lê este texto.

– Se você olhar pra trás, ele vai perguntar: “Foi bom pra você, querido?”

Essa, e apenas essa, é A VERDADE SOBRE ALEX NASCIMENTO! Quem quiser que invente outra. Seguirei buscando me aprofundar (com o devido respeito) mais na obra do autor. Certamente, depois do sucesso da nova edição de “Recomendação…” haverá outros lançamentos. E o que não sair de novo, buscarei nos sebos. Recomendo que façam o mesmo. Recomendo a todos.

 

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