Coluna do Novo Jornal – 099 – 21.07.2012 – O assessor segura bolsa

A gestão Micarla de Sousa foi um período pra lá de fértil para os cronistas da cidade. Tantos e tamanhos eram os absurdos cometidos dia após dia que nunca faltou assunto para os articulistas locais. Everton Dantas, Rafael Duarte, Patrício Jr. e Pablo Capistrano produziram textos muito bons sobre a “Era Micarla” que tiveram em Ivan Cabral o seu chargista oficial.

“O assessor segura bolsa” foi mais um texto inspirado nestes dias sombrios que tanto afligiram Natal e seus habitantes.

Riam. Para não chorarem!

***

O assessor segura bolsa

Gucci-verde-oliva1

Muito me entristece ver o que alguns colegas da imprensa costumam escrever sobre o assessor segura-bolsa. É de uma vileza, um sarcasmo desmedido que, ao mesmo tempo, me chocam e fazem refletir. Por que essa sanha cruel, essa vontade de expor e humilhar um ser humano tão bom, amável e generoso para com seus pares? Um rapaz lutador e que, por vezes é mal interpretado, pois seu excesso de voluntarismo, que nada mais é além de fruto de sua paixão pelos ideais românticos que abraçou e essa mania de viver intensamente, é constantemente confundido com truculência ou agressividade. Outro dia, vejam vocês, ele foi acusado de agredir uma mulher, só porque ela é casada com um desafeto de sua assessorada. Tive acessos de raiva quando li a notícia. Não pela atitude do jovem que, certamente, foi uma reação compreensivel de um ser humano sob pressão, provocada pelas circunstâncias extremas que vivia naquele dado momento. Minha indignação era direcionada aos repórteres que, munidos de uma boa dose de má vontade e do espírito de perseguição que os reveste e contamina, escreviam toda sorte de absurdos contra o inocente personagem, vítima de uma conspiração sem precedentes na história desta cidade habitada por invejosos.

Os maiores algozes de gente boa como o pobre assessor são os vis e impiedosos jornalistas deste veículo para o qual colaboro. Só posso dizer que gente da laia de Carlos Magno, Viktor Vidal, Rafael Duarte, Everton Dantas e seus comparsas, além de outros como os desprezíveis Alex de Souza e Dinarte Assunção, já sujaram essas páginas mais do que a tinta das rotativas. Como podem essas pessoas denegrirem a imagem de seus conterrâneos com tantas insinuações e as mais venais afirmações? Não sei vocês, mas eu fico pra morrer de tanta contrariedade.

Certamente, meus companheiros de veículo sofrem do mal da ignorância em relação ao assessor segura-bolsa, um dos mais fieis escudeiros da terra de Cascudo ao lado de um certo assessor-xeleléu que terá que ficar pra outra coluna. Pois farei um favor a estas criaturas do breu para que, nessa escala a caminho do Inferno que eles chamam de vida, possam inteirar-se a tempo sobre a trajetória de muito esforço e conquistas do injustiçado segurador de bolsas. Muita coisa aconteceu nessa escalada de glórias antes de atingir o Zênite. Nosso herói teve que carregar muita bolsa vagabunda antes de chegar às Guccis e Louis Vittons originais que ostenta hoje a tiracolo. Prestem bem atenção, coleguinhas, pois só vou escrever uma vez.

Conheci o assessor segura-bolsa ainda na fase embrionária de sua carreira, quando ele segurava com avidez de aprendiz e ambição de jovem as pastas de trabalho de chefes de redação ou diretoras de repartições. A maneira como ele se entregava à função, agarrava-se aos porta-moedas com a dedicação de quem carrega consigo o futuro da empresa (ou o seu futuro na empresa) sempre me comoveu a ponto de tornar-me secretamente seu admirador.  Sempre de semblante sério, passava aos demais a falsa sensação de que era antipático. Logo que foi promovido a carregador de artigos de couro legítimo, nacionais, mas de boas marcas, além de ganhar o cargo de “consultor” o que lhe conferia o direito de soprar os mais apaixonados elogios nos ouvidos da chefia. Quando alcançou este patamar na carreira passou a levar fama de arrogante, mais uma vez de forma descabida, só porque seu profissionalismo irrefreável o levava a tomar decisões firmes que desagradavam sobremaneira os subalternos, essa gente regida pelo signo da indisciplina com ascendente na indolência e a lua na preguiça desavergonhada. 

Ainda que avançando a passos largos para uma carreira promissora e cada vez mais próspera, o assessor tinha que se virar. Nas horas vagas, tocava um trompete aqui, cantava “Sweet Child of mine” em falsete acolá e perseguia o sucesso como um dos grandes intérpretes que esta cidade já viu surgir, superado apenas pelo grande Marlos Apyus na habilidade vocal e carisma natural sobre o palco.

Porém, seus dias de tenor pop frustrado pareciam estar acabando. O astuto profissional da bajulação ganhou notoriedade e foi alçado à condição de “assessor especial” de uma famosa empresária e jornalista, filha de pai político, que muito se identificava com os maneirismos do rapaz e com o seu talento em puxar o saco de seus assessorados, dizendo sempre o que queriam ouvir, além de defender a honra e os interesses deles ante os demais como um verdadeiro pitbull, enfrentando qualquer pessoa, encarando todos os obstáculos. Logo, graças a seu espírito guerreiro e muita força de vontade, desenvolveu a aptidão de utilizar as bolsas que manejava tão bem como armas letais. Em suas mãos, uma Tommy Hilfiger virava um verdadeiro nunchaku ninja, perigosas para quem atravessasse os tortuosos caminhos de sua patroa. Dizem que a sorte da mulher do vereador foi que ele não segurava nenhuma bolsa no momento da discussão.

Felizmente, após anos de abnegada entrega, a sorte grande lhe sorriu. Sua chefinha foi escolhida para um importante cargo político e levou consigo seu melhor funcionário que tanto a alegrou nos anos anteriores. Hoje, ele está lá: evitando que ela seja fotografada comendo bolo, partindo pra cima de mulheres, crianças e quem mais for louco de dizer um tantinho assim de ruim a respeito de sua contratante. Não admite nem mesmo que olhem torto pra ela. Costuma ameaçar as pessoas dizendo: “Cuidado! Se você olhar, você vai ver só!” Ele nasceu pra isso. Impressionante!

A verdade é que o assessor segura-bolsa subiu na vida. É mais um exemplo de brasileiro que viu, veio e venceu, e ainda sambou na cara de quem não acreditava nele. Arrasou! Dizem até que está sendo sondado para fazer propaganda da Nextel. Tornou-se poderoso, absoluto, vitaminado, lindo e, claro, invejado. Como por esses desqualificados do Novo Jornal que se aproveitam da visibilidade que alguém que brilha e acontece como ele é capaz de conferir aos seus inexplicáveis petardos. Felizmente, há pessoas de bom senso (  >>> EU <<<  ) escrevendo por aqui. Por isso, gostaria de dar um recado do bem ao nobre assessor: segura a onda, amigão. Mas sem largar a bolsa.

 

Tags: , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: