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UMA HISTÓRIA DA JOVENS ESCRIBAS – Parte 02 – Lítio – Cru, polêmico e indigesto.

janeiro 17, 2018

3 Capa Lítio FECHADA

Conheci Patrício Jr. por intermédio de Modrack Freire, o diretor de arte que criou o logotipo da Jovens Escribas. Eles haviam sido dupla de criação em agência de propaganda e agora trabalhavam em empresas distintas. Naquele tempo, tínhamos 23 anos, eu andava pesquisando escritores jovens para tentar formar um coletivo e viabilizar publicações de nossos livros de estreia. Patrício, segundo me havia dito Modrack, tinha escrito um romance. Nos encontramos em um bar muito popular à época segundo o critério do nosso poder aquisitivo: o “Filé Miau”. Era um bar de espetinhos anterior à era da “Gourmetização”.

O livro que Patrício escrevera era um romance. Pelo que descrevia, era uma história bastante instigante, de jovens que passavam tempos difíceis, às voltas com angústias próprias do seu tempo, inseguranças mil e clara tendência à autodestruição. Havia também um envolvimento afetivo entre um casal de protagonistas, além de ter o suicídio como tema constante em toda a narrativa. O título da obra seria “Lítio”, medicamento utilizado por quem apresenta flutuações de humor típicas de transtorno bipolar.

Nos dias seguintes, passei a acessar o blog recém-publicado de Patrício (PLOG) e percebi que, de fato, o autor escrevia muito bem. Se juntássemos o estilo do texto ao enredo que ele havia exposto na mesa do bar, percebi que o tal “Lítio” seria um livraço, perfeito para compor a coleção que se iniciaria com o volume de crônicas “Verão Veraneio”, de minha autoria.

Inscrevi um projeto na Lei Municipal Djalma Maranhão de incentivo à Cultura. A ideia era conseguir financiamento, via renúncia fiscal, para publicar livros de 4 autores, de estilos literários diferentes: crônicas, romance, contos e poesia.

No entanto, percebi que uma das maiores virtudes de quem trabalha com publicação de livros é a paciência. O dinheiro proveniente da lei de incentivo, cujo patrocinador foi a agência Art&C, caía mensalmente, mas demoraria muitos meses para que tivéssemos capital suficiente para produzir algum livro. Nesse meio tempo, acabei publicando meu “verão veraneio” com dinheiro próprio e o de Patrício, que seria o segundo da fila de publicações patrocinadas, veio para a dianteira.

Com o patrocínio caindo em conta-gotas na conta do projeto, o escritor teve que exercitar sua temperança. Para que se tenha uma ideia, “Verão Veraneio” foi publicado com recursos próprios e, por isso, foi lançado em fevereiro de 2004. Já “Lítio”, tendo que esperar a grana da lei, veio ao mundo em dezembro de 2005, quase dois anos depois. Só a captação de verba levou 18 meses para ser concluída. Numa das conversas que tive com Patrício, diante de minha sugestão de que poderia ser uma boa adiar o lançamento para depois do carnaval, argumentando que diminuiria a concorrência com eventos de fim de ano e lançando mão da boa e velha cartada “já esperou até agora, espera um pouco mais”, ele respondeu: “se eu esperar mais, vou acabar botando um ovo”.

O livro saiu em dezembro. O ovo, felizmente, não.

2009 – Imagem 14 – Lançamento Lítio Patrício

Patrício clicado por Drika Silveira.

O tempo de espera, no entanto, acabou sendo positivo por outro motivo. Graças a ele, pudemos elaborar melhor outra iniciativa: a Jovens Escribas. Patrício trouxe bastante energia e empolgação, agregando novos nomes ao nosso grupo em formação. Logo, ele, eu, Minchoni e Thiago de Góes estávamos conhecendo nomes como Márcio Benjamin, Daniel Liberalino, Lucílio Barbosa, Ruy Rocha, Pablo Capistrano e Clotilde Tavares, entre muitos outros nomes que compuseram um coletivo de autores a compartilhar seus assuntos em comum por e-mail. Além das mensagens trocadas num grupo de mensagens (o que hoje seria equivalente a um grupo de WhatsApp), começamos a nos encontrar e nos conhecer pessoalmente. Foi um tempo de muita alegria, descoberta e a sensação de que estávamos iniciando algo importante no cenário cultural local. Muitas tertúlias regadas a cerveja e planos de sucesso, animadas por trocas de referências culturais e literárias. Um tempo feliz em cuja principal motivação daqueles jovens promissores, ainda na primeira metade dos 20 e poucos anos, se baseava na possibilidade de acumular o máximo de leituras possível.

3MegaCam

Uma das primeiras reuniões dos Jovens Escribas originais.

O “Plog”, página mantida por Patrício, revelou-se o ponto de aglutinação da turma, como um veículo oficial a impulsionar e transmitir tudo o que conversávamos na lista de discussão. Tudo foi tentado: um romance coletivo em que cada autor convidado escrevia um capítulo, um diário em que Patrício falava sua opinião sobre cada um de nós, colaborações semanais de outros escritores para o conteúdo do Plog. Lembro que Pilar Fazito, autora mineira que morava em Natal naquele ano era mais uma habituê de nossos encontros e vivia conosco aquele clima de efervescência. Outro forasteiro, Luiz Benevides, do Rio de Janeiro, também acompanhava tudo à distância. E todos nós estávamos absolutamente encantados por Patrício e sua personalidade magnética e agregadora. Eu enxergava nele, assim como em Minchoni, dois potenciais líderes que dividiriam comigo a responsabilidade e os louros da Jovens Escribas comigo.

Voltando ao livro, o diretor de arte que trabalharia nele seria o mesmo de “Verão Veraneio” e do próprio logo da editora, Modrack. A capa (mostrando um personagem sem face) seria clicada novamente por Giovanni Sérgio com tratamento de imagem e montagem realizadas por Fabrício Cavalcante, que no futuro seria a mente por trás da “Camaleão Imagem”.

Com o trabalho do livro em andamento, era hora de elaborar uma campanha de divulgação. O próprio autor se encarregou de criar uma campanha com títulos sagazes fazendo referência à trama do romance, cheios de ironia e bastante adequados à história. O conceito dado por Patrício chamou a atenção. Ele dizia que seu livro era “cru, polêmico e indigesto”, anunciando que ele incomodaria muitos leitores, que veio para mexer com os sentimentos e revirar estômagos mais sensíveis. Em postagens no seu Plog, Patrício complementava os anúncios, descrevendo o quanto dele mesmo estava no texto transformado em obra de estreia. Relatava que trechos inteiros foram escritos com o teclado banhado em lágrimas, ou que muitas de suas angústias, inseguranças e mistérios pessoais embalaram os capítulos da história. Para completar, ele ainda escolhia a dedo os parágrafos que publicava na divulgação, partes que contivessem palavrões ou desabafos verborrágicos e ofensivos do autoconfiante protagonista em momentos de extrema excitação.

Essa atmosfera criada pelo autor atraiu bastante atenção para o livro. Foi algo meio “A Bruxa de Blair”. Muita gente dizendo que não iria querer ler o livro, pois devia conter um conteúdo pesado demais. Outros afirmavam que, apesar de ser um livro “pra chocar”, tinham bastante curiosidade em saber do que se tratava e iriam comprar a obra. Enfim, a campanha estava sendo muito eficaz em mostrar às pessoas que o conteúdo era “cru, polêmico e indigesto”.

As peças foram amplamente divulgadas pela rede mundial de computadores e Patrício usou sua extensa relação de amigos, colegas e conhecidos para potencializar a promoção. Contamos ainda com matérias bem bacanas nos principais veículos da época.

Lítio Capitalismo e Suicídio

Lítio Chacina

Lítio Cinema

Lítio Cicuta

Repetimos algumas estratégias do primeiro lançamento da editora para facilitar a assimilação do público e fidelizar leitores que já haviam ido ao lançamento do meu primeiro livro (“Verão Veraneio”), no ano anterior. Lançamos novamente na AS Livros, no Praia Shopping e contamos com a ajuda dos mesmos formadores de opinião que nos deram força no outro lançamento.

Lítio Cultura

Lítio Herói

Lítio Poço

O lançamento de Patrício contou ainda com um trunfo adicional: como ocorreu numa época em que os Jovens Escribas já estavam mais consolidados como um grupo, tanto eu, como Minchoni e Thiago de Góes divulgamos como pudemos o lançamento de Patrício, convidando nossos amigos a comparecerem com o argumento de que aquele não era apenas o lançamento do livro de um escritor amigo nosso, mas o resultado de um trabalho do qual nós também fazíamos parte. Era como se o livro de Patrício fosse também um pouco nosso.

E deu certo!

Apareceram muitos amigos, não só de Patrício, mas dos outros autores. Patrício ficou lá assinando os livros, enquanto Minchoni e eu fizemos as vezes de anfitriões, recebendo e distraindo os convidados. No fim da noite, um sucesso de vendas. Patrício até que estava feliz, mas se mostrava muito mais nervoso. Sorria amarelo, respondia aos parabéns com um obrigado tímido, não parecia nada à vontade.

Lítio Vilão

Lítio Liminar

Lítio Prozac

Lítio Hoje

Foram vendidos cerca de 70 exemplares da tiragem de 300 que havíamos impresso. Depois do lançamento, fomos tomar umas cervas no Gringo’s Bar. Não esticamos muito, uma vez que trabalhávamos no outro dia. Cheguei em casa e decidi ler o livro com mais atenção, uma vez que na fase de preparação, li apenas alguns trechos principais.

2005 – Imagem 04 – Lançamento Lítio Patrício

Surpresa: o texto polêmico, pesado ou mesmo difícil. Pelo contrário, era fluído, divertido, envolvente, empolgante, trazia elementos metalinguísticos que convertiam o leitor em cúmplice, inseria lembranças e “flashbacks” que nos transportavam até as vidas pregressas dos narradores, nos fazendo embarcar em seus pontos de vista, compreendendo a posição de cada lado da conversa telefônica que conduz a narrativa, trazia ainda um ritmo ficcional quase audiovisual de tão frenético. Era, conforme eu já havia concluído, um livraço.

Cheguei ao trabalho na manhã seguinte e mandei uma mensagem pra Minchoni: “Li 60 páginas do livro de Patrício antes do café-da-manhã”, ao que ele respondeu: “Li 160!”.

O livro não era cru, não era polêmico. E, acima de tudo, não era nada indigesto!

NO PRÓXIMO TEXTO: É TUDO MENTIRA E OS 40 LEIAUTES!

 

UMA HISTÓRIA DA JOVENS ESCRIBAS – Parte 01 – Verão Veraneio – O livro da estação.

janeiro 16, 2018

1 Capa Verão Veraneio FECHADA

Enquanto as conversas com os outros 3 autores caminhavam para o surgimento do selo Jovens Escribas, eu continuei escrevendo crônicas de humor para compor o meu primeiro livro. Já havia decidido qual nome dar à iminente publicação: “Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada”.

Fui reunindo textos e fazendo, empiricamente, o trabalho de auto-edição que, mal sabia eu, marcaria bastante minha vida dali pra frente. Quando Modrack Freire, diretor de arte que já havia concluído o logotipo do selo, se ofereceu para fazer o livro, começamos a imaginar como poderia ser a capa. Logo criamos uma imagem em nossa tempestade cerebral: a foto de um baldinho de criança à beira mar sendo utilizado para gelar cerveja, unindo a inocência presente na leveza das crônicas com a irreverência do humor também bastante característico nos textos. Na quarta capa, haveria outra foto: uma trave de “mirim” deixada de lado com o chão impecável em torno dela. Como se os jogadores tivessem algo melhor para fazer naquele dia (beber, paquerar, curtir) do que jogar futebol. O fotógrafo convidado a fazer os cliques foi Giovanni Sérgio, mago das lentes, ídolo de longa data.

Giovanni e eu

O fotógrafo Giovanni Sérgio – lindo e competente.

Com a direção de arte, diagramação e fotos garantidas, precisava batalhar agora um nome relevante que topasse assinar as orelhas da obra. Tinha que ser alguém reconhecido na literatura, de forma que o livro chegasse às pessoas com algum respaldo importante. Meu pai, em conversa com François Silvestre, chegou à conclusão que eu poderia procurar Nei Leandro de Castro, uma vez que eram muito amigos desde os tempos em que foram perseguidos e presos pela Ditadura Militar algumas décadas antes. Procuramos Nei que, num primeiro contato por e-mail, disse-me com sinceridade que só escreveria se gostasse do que lesse. Fiquei muito animado com a possibilidade e lhe entreguei o material impresso e encadernado em mãos, numa de suas vindas a Natal, naquele ano de 2003.

Teaser 10 anos - Nei Leandro

Nei Leandro de Castro

Menos de uma semana depois, Nei Leandro me escreveu. Sua mensagem veio repleta de elogios e terminava com sua concordância em escrever a orelha. Em mais alguns dias, o texto estava em minha caixa de entrada de e-mail. Em alguns trechos mais lisonjeiros, Nei dizia o seguinte:

Carlos Fialho me surpreende. Primeiro, por sua precocidade. Segundo, porque as suas crônicas são bem escritas, docemente sacanas, inteligentes, e nos dá a certeza de um escritor, que não há de ficar nos limites da crônica.

Os textos deste livro têm a idade e a linguagem  de um garotão bem resolvido com ele mesmo. Os temas  – gírias regionais, porres, rock, vídeo-game, paqueras, Natal, cinema, carnatais, carnavais, etc. – são tratados com graça e ironia, leveza e fino senso de humor.

Carlos Fialho, cronista, precoce, publicitário, devorador de livros, autor das crônicas deliciosas deste Verão veraneio, vai chegar lá. Esse garoto vai longe.

Além de Nei, procurei um autor adequado para o prefácio. Não precisava ser famoso, mas que tivesse um estilo mordaz e bom humor, de forma a combinar com o conteúdo do livro. Escolhi meu ex-colega de faculdade, George Wilde, que fez um texto preciso, de acordo com o que eu pretendia. Destaco uma pequena parte:

Fialho e George

George Wilde – o homem do prefácio

Ao ler o livro, descobri que dentro de Fialho existe algo grandioso: a sua percepção em relação ao nosso dia a dia. Afinal, poucas pessoas conseguem sair do círculo da rotina para perceber o verdadeiro circo em que vivemos.”

A campanha publicitária foi elaborada com alguns títulos bem humorados, bem ao estilo do livro. A assessoria de imprensa contou com indicações de colegas do curso de Jornalismo da UFRN.

anuncio verissimo

2004 - VV - Anúncio Art&C

Anúncio que a Art&C, agência onde eu trabalhava, fez no dia do lançamento.

Minha primeira entrevista foi concedida a Marcílio Amorim (Jornal de Hoje) e a segunda a Hayssa Pachêco do Diário de Natal. Mas a maior responsável pela divulgação do meu primeiro lançamento não era a imprensa nem a publicidade. Quem promoveu o evento a ponto de transformá-lo em sucesso foi minha mãe, Lurdete.

2004 - VV - JH1 2004 - VV - DN

Quando percebeu que era sério mesmo “essa história de livro”, arregaçou as mangas e telefonou pra cada parente, cada amiga, cada conhecido, reforçando bastante a frequência de presentes na noite de Verão Veraneio. O local escolhido foi a AS Livros do Praia Shopping, uma livraria acolhedora que tinha como gerente Cícero, um cara que dava bastante espaço a autores locais. O saldo da noite foi um estrondoso sucesso (163 livros vendidos) num ambiente preenchido de amigos, parentes e colegas de trabalho. Só a partir do segundo livro, essa frequência seria reforçada por leitores.

foto 27

Minha mãe, Lurdete, a maior promotora de lançamentos de livro que este autor já conheceu.

A noite foi tão agradável que Patrício Jr., que escrevia um blog, publicou uma postagem falando de como fora legal o evento (a qual reproduzo no fim desta publicação). Foi um belo cartão de visitas, indicativo do que estaria por vir num futuro não tão distante e também das possibilidades de crescimento e expansão que o então selo editorial acabaria por aproveitar com o passar dos anos.

2004 - VV

Quanta gente veio ver!

“Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada” trazia 5 capítulos. No primeiro, “Galado e outras palavras”, havia temáticas mais gerais. Entre elas, alguns textos merecem destaque como “Galado” que me notabilizou em muitos rincões da Internet e “A Loja de Inconveniência” que até hoje se mantém como um dos meus preferidos. No segundo capítulo, “Cruvinel – o bom de bola”, apresento um personagem que me acompanhou com o passar dos anos e que ganhou livro próprio em 2014 (“o nome disso é spin-off”). No terceiro, “Mano Celo”, nascia o protagonista de outro dos meus livros, este de 2009. Em seguida, vinha “Vi e gostei” com crônicas sobre cinema. Para fechar, o capítulo mais legal do livro: “Aconteceu no verão” com as histórias pertinentes ao tal “Verão Veraneio” que dá título ao livro.

E assim foi dado o pontapé inicial para a, hoje decana, editora JOVENS ESCRIBAS.

NO PRÓXIMO TEXTO: LÍTIO – CRU, POLÊMICO E INDIGESTO

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BÔNUS: POST DE PATRÍCIO NO SEU BLOG PESSOAL – O PLOG

06/02/2004
há vida inteligente
no mercado publicitário

Quem trabalha com publicidade sabe: de tempos em tempos, tem uma “festa do mercado”. Tais eventos, sempre patrocinados por veículos, fornecedores, clientes ou ambos, têm por maior finalidade embebedar todo mundo, calar a boca de quem está perscrutando que o ano foi ruim e, por residual, reunir profissionais para um bate-papo informal. Pois é, parece um paraíso, mas tais “festas do mercado” haviam se tornado um verdadeiro transtorno. Passo o dia todo numa sala falando/fazendo/refazendo/desfazendo/tentando fazer publicidade. A última coisa de que preciso é estender esta missão ao meu happy-hour. Como prova de que nem tudo está perdido, houve esta semana o lançamento do livro de Fialho, “Verão Veraneio”, que não pretendia ser uma “festa de mercado”, mas acabou sendo por reunir exatamente as mesmas carinhas de sempre. O que me surpreendeu foram os temas das conversas. Ninguém, por exemplo, me perguntou “Como é que está la’?”. Ok, tudo bem, uma pessoas me perguntou isto, mas o assunto morreu quando eu respondi “Lá onde?”. Uma pessoa a noite inteira. Nada mal. Em outras “festas de mercado”, a famigerada pergunta “Como é que está lá?” é dita antes mesmo do “Tudo bem, broder?”. Já é, praticamente, sinônimo de oi. No lançamento de “Verão Veraneio”, porém, tudo foi diferente. Fialho conseguiu a façanha de reunir as mesmas pessoas de sempre fazendo, no entanto, com que todas soassem inéditas. Não sei se foi o fato de estarmos todos na AS Livros, rodeados de Dickens e Saramago e Proust e Pessoa e Machado e Camus. Birita? Claro que teve. Buffet? Sim, impecável. Bêbados chatos? Uh, nossa, e como! Mas estava tudo agradabilíssimo, tudo soando como um lançamento deve soar. Os temas conversados iam de autores consagrados a bandas de rock obscuras, sempre com tiradas inteligentes, observações pertinentes, risos na medida certa. Um éden para amantes do bom e velho papo construtivo como eu. Nunca gostei tanto das “pessoas do mercado”. O livro, graças aos céus, vendeu bem. Fialho, coitado, deve estar cheio de bolhas nos dedos de tantas dedicatórias escritas. E eu, exemplar autografado na mão, cheio de riso a caminho do estacionamento, concluí que a melhor das “festas do mercado” que eu já fui na minha vida foi o lançamento do livro do meu bróder. Mesmo que não tenha sido uma “festa de mercado”.

Patrício Jr.