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UMA HISTÓRIA DA JOVENS ESCRIBAS – Parte 03 – É Tudo Mentira e os 40 leiautes!

abril 12, 2018

 

6 Capa É Tudo Mentira FECHADA

Quando finalmente chegou a hora de publicar o segundo livro da coleção de 4 obras lançadas via lei de incentivo, eu já havia terminado de escrever um segundo volume de crônicas.

Só relembrando um pouco: a ideia original era que os livros de estreia de Patrício, Daniel Minchoni, Thiago de Góes e meu fossem lançados dentro de uma mesma coleção. Porém, devido à demora natural do processo de inscrição, aprovação, captação e execução do projeto, acabei bancando meu primeiro livro (“Verão Veraneio”) com investimento próprio e a coleção já saiu com meu segundo livro fazendo parte.

A coleção, então ficaria:

– Lítio – Patrício | – É Tudo Mentira – Carlos Fialho | – Contos Bregas – Thiago de Góes (falarei sobre no próximo texto) | – Escolha o título – Daniel Minchoni (falarei sobre em texto posterior)

O nome escolhido para o livro foi “É Tudo Mentira! – Histórias Inverídicas de um Autor Falso e Fingido”. Coloquei este título porque muita gente não havia entendido que as histórias narradas em “Verão Veraneio” eram ficção, acreditando tratar-se não só de causos reais como ainda por cima ocorridos comigo. Então, as pessoas chegavam pra mim perguntando com quem tinha ocorrido determinada história, qual amigo ou conhecido havia protagonizado tal episódio ou como eu reagi quando aconteceu dado infortúnio narrado nas crônicas. Em face disto, acreditei que nomeando o livro como “É Tudo Mentira!” já estaria resolvendo um problema na fonte.

Os textos que compunham o livro eram frutos da empolgação resultante do lançamento de “Verão Veraneio”. No período compreendido entre os dois lançamentos, de fevereiro de 2004 a fevereiro de 2006, mergulhei de cabeça na leitura e na descoberta de novas referências literárias, acabando por me sentir muitíssimo estimulado a escrever novas crônicas e contos. Para se ter uma ideia, no ano de 2005, li exatos 50 livros.

A leitura incessante é, sem sombra de dúvidas, o melhor combustível para um escritor. Se forem assimilados os conteúdos de bons livros, processados de acordo com a compreensão de cada um, os autores destas obras se tornam as maiores fontes de inspiração para um jovem autor produzir ele próprio suas narrativas curtas e longas. A boa leitura funciona como uma torneira aberta, enchendo fartamente nossas mentes de possibilidades de escrita. Se mantivermos o fluxo da água, em algum momento é inevitável que transborde, derramando sobre uma tela ou folha em branco tudo o que estava esperando para vir ao mundo.

Essa compulsão pela leitura de bons livros foi decisiva na melhoria da qualidade dos meus textos com relação ao livro de estreia. Podia até não transparecer, mas bebi muito em textos de escritores que conheci naquele intervalo de 2 anos. De Douglas Adams, passando por João Ubaldo Ribeiro, Monty Python e Rubem Fonseca, tudo o que eu absorvia acabava compondo os textos que produzia.

O resultado foi um livro que me dava orgulho de ter escrito: era divertido, sagaz, inventivo e repleto de personagens muito bem acabados. Não que eu já não gostasse de “Verão Veraneio”, mas eu me sentia feliz por perceber um avanço tão nítido. O primeiro era um bom livro de fundação da carreira e o segundo reunia o que de melhor eu era capaz de escrever à época.

Terminada a escrita, era preciso cuidar da capa. A ideia era representar o máximo de situações presentes nas crônicas em estilo cartoon como nos livros da série “Onde está Wally?”. O ilustrador escolhido foi um jovem publicitário e artista promissor que depois acabaria virando médico ortopedista: José Gercino Cabral. O trabalho ficou perfeito, primoroso até, exatamente como havia sido imaginado.

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Ilustração Original de Dr. José Gercino Cabral

A direção de arte do livro marcaria o início de uma parceria duradoura, ficando a cargo do designer Danilo Medeiros. E a revisão foi feita pela jornalista Mariana do Vale que acabaria se consagrando como fotógrafa. Enquanto Danilo e Mariana trabalhavam no livro, fui cuidar da campanha de divulgação. Eu havia pensando numa ação bastante ousada (e trabalhosa) que precisava ser colocada em prática imediatamente para ser executada.

Naquele tempo, eu havia me convertido em um dedicado profissional da área de criação publicitária. Trabalhava na Art&C e acumulava prêmios de criatividade, além do apreço dos meus colegas de profissão em função de uma série de competências essenciais que iam de trabalhar bem em equipe até conceber campanhas eficazes e entregues no prazo. A reputação gerou sondagens de outras empresas e até propostas para me tornar diretor de algumas delas, todas recusadas, uma vez que eu estava feliz no emprego que tinha. Trabalhava até tarde costumeiramente e fazia serão nos fins de semana sem reclamar. Fazia questão de participar de reuniões com clientes para ajudar na aprovação das campanhas, também ia pros sets de filmagem ver a produção dos comerciais ou nas produtoras de áudio para orientar as gravações de spots.

Eu gostava daquilo, respirava trabalho e queria fazer bem feito. A recompensa vinha não só através da remuneração, mas na oportunidade que a profissão de publicitário me deu para conhecer toda uma infinidade de pessoas multi-talentosas. Dentro de uma agência, você conhece pessoas que têm habilidade para se expressar (executivos de conta), conhecimento de números (departamento financeiro), estatísticas e dados (mídia), resolvedores de problemas (produção), artistas visuais (diretores de arte) e gente que sabe escrever bem (redatores). Sem falar nos terceirizados: músicos, diretores de filmes, atores, toda uma infinidade de pessoas interessantíssimas que lhe trazem novos aprendizados e tornam esta profissão em algo muitíssimo compensador.

E, no meu caso, trazia também muitas amizades e rede de contatos que seria imprescindível para que os lançamentos de livros bombassem. Como eu era solteiro, também costumava frequentar muitos eventos do mercado, aniversários de colegas, confraternizações de fornecedores, forjando laços mais fortes de amizades lubrificados com cerveja e reforçados com demonstrações de admiração mútua.

Aliás, posso dizer que tudo na minha rotina profissional influenciava a nova realidade de escritor. A atividade diária de redator tornava o ato de escrever muito natural e eu acabava por produzir textos em boa quantidade; o reconhecimento profissional por parte de colegas e chefes me davam autoconfiança que me levavam a perder o medo de expor minha obra, publicar livros, etc; e as muitas amizades adquiridas também seriam importantes para que houvesse leitores.

A tal da ideia ousada que tive para a campanha de lançamento de “É Tudo Mentira!” se prevalecia desta boa rede de relacionamentos estabelecida. Consistia basicamente em pedir favores a 40 amigos diretores de arte. Cada um deles receberia o trecho de uma crônica do livro e faria um leiaute que tivesse a informação: “É Tudo Mentira! – crônicas de Carlos Fialho – Lançamento em 10 de fevereiro de 2006”.

E assim foi feito. Todos os profissionais convidados aceitaram o pedido. Fiz um cronograma de envio das artes por e-mail para minha lista de contatos, além de postar nas embrionárias redes sociais de então. Para aproveitar todas as artes, tive que começar a divulgação uns 2 meses antes do lançamento. O buzz causado, sobretudo no mercado publicitário natalense foi ótimo para deixar o livro, o evento e o autor em evidência. Como se tratavam de artes assinadas por profissionais reconhecidos, as pessoas ficavam curiosas para saber quem seria o artista do dia seguinte. Vários destinatários colecionavam as artes e salvavam em pastas de seus discos rígidos. Era um dos assuntos mais legais das rodas de conversa, atraindo interessados pelo livro que seria lançado dali a algumas semanas.

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Arte de Daniel Duarte

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Arte de George Rodrigo

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Arte de Joca Soares

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Arte de Renato Quaresma

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Arte de Sílvio Augusto

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Arte de Simone Lagares

A meta era vender mais que os 163 exemplares comercializados na estreia, quando “Verão veraneio” atingiu tal índice. Com a repercussão da campanha, eu acreditava piamente na superação desta marca.

Deu certo.

Houve um pequeno aumento, mas suficiente para me deixar feliz: 170 livros vendidos.

autor 03 reduzido

Mais um sucesso construído a muitas mãos, impulsionado pelas dezenas de diretores de arte que contribuíram e realizado pelos profissionais que tornaram o livro possível, além da Art&C e da Lei Djalma Maranhão que bancaram a brincadeira.

O “É Tudo Mentira!” abriu muitas portas para este autor. Foi lançado em Mossoró, São Paulo, Belo Horizonte e João Pessoa, além de responsável por convites para eventos literários como o Encontro Natalense de Escritores (RN), Fliporto (PE) e Balada Literária (SP).

O livro também foi muito bem aceito pelo público, aumentando minha base de leitores para além dos limites da amizade e parentesco, mudança que eu sentiria nitidamente no lançamento do meu livro posterior, 3 anos depois. Muitos jovens e adultos adoraram os textos.

Porém, a despeito do nome, o que mais aconteceu foi gente que chegou pra mim dizendo: “entendi sua jogada. O nome do livro, “É Tudo Mentira!”, é uma ironia porque o conteúdo que está lá é todo verdade, né?”

Eu não dizia nada. Respirava fundo e sorria. Fazer o quê?

NO PRÓXIMO TEXTO: CONTOS BREGAS – A MPB DE THIAGO DE GÓES

UMA HISTÓRIA DA JOVENS ESCRIBAS – Parte 01 – Verão Veraneio – O livro da estação.

janeiro 16, 2018

1 Capa Verão Veraneio FECHADA

Enquanto as conversas com os outros 3 autores caminhavam para o surgimento do selo Jovens Escribas, eu continuei escrevendo crônicas de humor para compor o meu primeiro livro. Já havia decidido qual nome dar à iminente publicação: “Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada”.

Fui reunindo textos e fazendo, empiricamente, o trabalho de auto-edição que, mal sabia eu, marcaria bastante minha vida dali pra frente. Quando Modrack Freire, diretor de arte que já havia concluído o logotipo do selo, se ofereceu para fazer o livro, começamos a imaginar como poderia ser a capa. Logo criamos uma imagem em nossa tempestade cerebral: a foto de um baldinho de criança à beira mar sendo utilizado para gelar cerveja, unindo a inocência presente na leveza das crônicas com a irreverência do humor também bastante característico nos textos. Na quarta capa, haveria outra foto: uma trave de “mirim” deixada de lado com o chão impecável em torno dela. Como se os jogadores tivessem algo melhor para fazer naquele dia (beber, paquerar, curtir) do que jogar futebol. O fotógrafo convidado a fazer os cliques foi Giovanni Sérgio, mago das lentes, ídolo de longa data.

Giovanni e eu

O fotógrafo Giovanni Sérgio – lindo e competente.

Com a direção de arte, diagramação e fotos garantidas, precisava batalhar agora um nome relevante que topasse assinar as orelhas da obra. Tinha que ser alguém reconhecido na literatura, de forma que o livro chegasse às pessoas com algum respaldo importante. Meu pai, em conversa com François Silvestre, chegou à conclusão que eu poderia procurar Nei Leandro de Castro, uma vez que eram muito amigos desde os tempos em que foram perseguidos e presos pela Ditadura Militar algumas décadas antes. Procuramos Nei que, num primeiro contato por e-mail, disse-me com sinceridade que só escreveria se gostasse do que lesse. Fiquei muito animado com a possibilidade e lhe entreguei o material impresso e encadernado em mãos, numa de suas vindas a Natal, naquele ano de 2003.

Teaser 10 anos - Nei Leandro

Nei Leandro de Castro

Menos de uma semana depois, Nei Leandro me escreveu. Sua mensagem veio repleta de elogios e terminava com sua concordância em escrever a orelha. Em mais alguns dias, o texto estava em minha caixa de entrada de e-mail. Em alguns trechos mais lisonjeiros, Nei dizia o seguinte:

Carlos Fialho me surpreende. Primeiro, por sua precocidade. Segundo, porque as suas crônicas são bem escritas, docemente sacanas, inteligentes, e nos dá a certeza de um escritor, que não há de ficar nos limites da crônica.

Os textos deste livro têm a idade e a linguagem  de um garotão bem resolvido com ele mesmo. Os temas  – gírias regionais, porres, rock, vídeo-game, paqueras, Natal, cinema, carnatais, carnavais, etc. – são tratados com graça e ironia, leveza e fino senso de humor.

Carlos Fialho, cronista, precoce, publicitário, devorador de livros, autor das crônicas deliciosas deste Verão veraneio, vai chegar lá. Esse garoto vai longe.

Além de Nei, procurei um autor adequado para o prefácio. Não precisava ser famoso, mas que tivesse um estilo mordaz e bom humor, de forma a combinar com o conteúdo do livro. Escolhi meu ex-colega de faculdade, George Wilde, que fez um texto preciso, de acordo com o que eu pretendia. Destaco uma pequena parte:

Fialho e George

George Wilde – o homem do prefácio

Ao ler o livro, descobri que dentro de Fialho existe algo grandioso: a sua percepção em relação ao nosso dia a dia. Afinal, poucas pessoas conseguem sair do círculo da rotina para perceber o verdadeiro circo em que vivemos.”

A campanha publicitária foi elaborada com alguns títulos bem humorados, bem ao estilo do livro. A assessoria de imprensa contou com indicações de colegas do curso de Jornalismo da UFRN.

anuncio verissimo

2004 - VV - Anúncio Art&C

Anúncio que a Art&C, agência onde eu trabalhava, fez no dia do lançamento.

Minha primeira entrevista foi concedida a Marcílio Amorim (Jornal de Hoje) e a segunda a Hayssa Pachêco do Diário de Natal. Mas a maior responsável pela divulgação do meu primeiro lançamento não era a imprensa nem a publicidade. Quem promoveu o evento a ponto de transformá-lo em sucesso foi minha mãe, Lurdete.

2004 - VV - JH1 2004 - VV - DN

Quando percebeu que era sério mesmo “essa história de livro”, arregaçou as mangas e telefonou pra cada parente, cada amiga, cada conhecido, reforçando bastante a frequência de presentes na noite de Verão Veraneio. O local escolhido foi a AS Livros do Praia Shopping, uma livraria acolhedora que tinha como gerente Cícero, um cara que dava bastante espaço a autores locais. O saldo da noite foi um estrondoso sucesso (163 livros vendidos) num ambiente preenchido de amigos, parentes e colegas de trabalho. Só a partir do segundo livro, essa frequência seria reforçada por leitores.

foto 27

Minha mãe, Lurdete, a maior promotora de lançamentos de livro que este autor já conheceu.

A noite foi tão agradável que Patrício Jr., que escrevia um blog, publicou uma postagem falando de como fora legal o evento (a qual reproduzo no fim desta publicação). Foi um belo cartão de visitas, indicativo do que estaria por vir num futuro não tão distante e também das possibilidades de crescimento e expansão que o então selo editorial acabaria por aproveitar com o passar dos anos.

2004 - VV

Quanta gente veio ver!

“Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada” trazia 5 capítulos. No primeiro, “Galado e outras palavras”, havia temáticas mais gerais. Entre elas, alguns textos merecem destaque como “Galado” que me notabilizou em muitos rincões da Internet e “A Loja de Inconveniência” que até hoje se mantém como um dos meus preferidos. No segundo capítulo, “Cruvinel – o bom de bola”, apresento um personagem que me acompanhou com o passar dos anos e que ganhou livro próprio em 2014 (“o nome disso é spin-off”). No terceiro, “Mano Celo”, nascia o protagonista de outro dos meus livros, este de 2009. Em seguida, vinha “Vi e gostei” com crônicas sobre cinema. Para fechar, o capítulo mais legal do livro: “Aconteceu no verão” com as histórias pertinentes ao tal “Verão Veraneio” que dá título ao livro.

E assim foi dado o pontapé inicial para a, hoje decana, editora JOVENS ESCRIBAS.

NO PRÓXIMO TEXTO: LÍTIO – CRU, POLÊMICO E INDIGESTO

***

BÔNUS: POST DE PATRÍCIO NO SEU BLOG PESSOAL – O PLOG

06/02/2004
há vida inteligente
no mercado publicitário

Quem trabalha com publicidade sabe: de tempos em tempos, tem uma “festa do mercado”. Tais eventos, sempre patrocinados por veículos, fornecedores, clientes ou ambos, têm por maior finalidade embebedar todo mundo, calar a boca de quem está perscrutando que o ano foi ruim e, por residual, reunir profissionais para um bate-papo informal. Pois é, parece um paraíso, mas tais “festas do mercado” haviam se tornado um verdadeiro transtorno. Passo o dia todo numa sala falando/fazendo/refazendo/desfazendo/tentando fazer publicidade. A última coisa de que preciso é estender esta missão ao meu happy-hour. Como prova de que nem tudo está perdido, houve esta semana o lançamento do livro de Fialho, “Verão Veraneio”, que não pretendia ser uma “festa de mercado”, mas acabou sendo por reunir exatamente as mesmas carinhas de sempre. O que me surpreendeu foram os temas das conversas. Ninguém, por exemplo, me perguntou “Como é que está la’?”. Ok, tudo bem, uma pessoas me perguntou isto, mas o assunto morreu quando eu respondi “Lá onde?”. Uma pessoa a noite inteira. Nada mal. Em outras “festas de mercado”, a famigerada pergunta “Como é que está lá?” é dita antes mesmo do “Tudo bem, broder?”. Já é, praticamente, sinônimo de oi. No lançamento de “Verão Veraneio”, porém, tudo foi diferente. Fialho conseguiu a façanha de reunir as mesmas pessoas de sempre fazendo, no entanto, com que todas soassem inéditas. Não sei se foi o fato de estarmos todos na AS Livros, rodeados de Dickens e Saramago e Proust e Pessoa e Machado e Camus. Birita? Claro que teve. Buffet? Sim, impecável. Bêbados chatos? Uh, nossa, e como! Mas estava tudo agradabilíssimo, tudo soando como um lançamento deve soar. Os temas conversados iam de autores consagrados a bandas de rock obscuras, sempre com tiradas inteligentes, observações pertinentes, risos na medida certa. Um éden para amantes do bom e velho papo construtivo como eu. Nunca gostei tanto das “pessoas do mercado”. O livro, graças aos céus, vendeu bem. Fialho, coitado, deve estar cheio de bolhas nos dedos de tantas dedicatórias escritas. E eu, exemplar autografado na mão, cheio de riso a caminho do estacionamento, concluí que a melhor das “festas do mercado” que eu já fui na minha vida foi o lançamento do livro do meu bróder. Mesmo que não tenha sido uma “festa de mercado”.

Patrício Jr.

Oi, sumidos!

dezembro 24, 2017

Tá bom, tá bom, eu sei. Não dei o “C do cabimento” a vocês. Andei ocupado, espero que entendam. Trabalhei em uns livros aí, tive uma empresa de publicidade que acabou sendo adquirida por outra, escrevi colunas semanais para um jornal da cidade, e as finanças não ajudaram muito. Por isso, precisei me dedicar à correria de viabilizar projetos que gerassem alguma grana.

OI sumido

Mas agora, em 2018, decidi enveredar pela criação de conteúdo para Internet, tão poluída que anda pelo fluxo ininterrupto de bobagens que assolam as redes sociais. Uma das iniciativas é atualizar este espaço virtual com frequência, outra é iniciar a colaboração com o site de jornalismo SAIBA MAIS e a terceira é gravar vídeos sobre cultura, literatura e atualidades num canal de Youtube que está em gestação.

Vou atualizando vocês por aqui e cada nova peripécia concretizada será anunciada pelo Twitter @cfialho ou pelo Facebook.

Espero que gostem.

E para celebrar de vez, a nossa volta e amizade eterna, tenho a alegria de postar o clipe da música “Companheiro” do Dominó. Porque a boa MPB nunca envelhece!

 

Viagem ao RJ – Março de 2010 – Parte 1

março 30, 2010

Tudo começou em 2006. Devido à boa projeção dos livros dos Jovens Escribas, os escritores Xico Sá e Marcelino Freire nos convidaram a lançar todos em São Paulo. Marcelino também estendeu o convite para a sua nascente “Balada Literária”. Neste evento, fomos apresentados ao Claudiney Ferreira, responsável pela área de literatura da fundação Itaú Cultural.

Passou o tempo e, um ano depois, recebo um telefonema do escritor Marcelino, revelando que eu seria convidado para participar do evento “Encontros de Interrogações”, quando escritores de todo o país se reúnem para se conhecerem e discutirem caminhos que promovam a literatura Brasil afora, além de armarem interações e eventos conjuntos entre agentes literários de diferentes regiões do Brasil. Nesta edição de 2007, estavam presentes 72 autores do país.

Graças a minha presença lá, pude conhecer muitos colegas, como o mineiro Sérgio Fantini, o paraibano Lau Siqueira e o carioca Henrique Rodrigues. Ainda naquele ano lancei meu segundo livro, “É Tudo Mentira!” em Belo Horizonte, graças à boa vontade e o empenho do Fantini e de outros amigos mineiros que me receberam, agendaram o lançamento pra uma livraria bem legal, fizeram uma assessoria de imprensa profissional, me botaram pra dar palestra na UFMG e entrevista pras TVs e jornais. Enfim, um grande êxito.

Em 2009, numa tarde de trabalho, o Henrique Rodrigues me fez uma pergunta no MSN: “Você gostava da Legião Urbana?” Diante da minha resposta positiva, ele me disse: “Então você pode participar de um projeto que estou desenvolvendo.”

O projeto era a publicação de um livro de contos baseados nas letras das canções da Legião. A intenção de Henrique era incluir escritores de todo o Brasil e não apenas de Rio, Sampa e Porto Alegre, como costuma acontecer nas coletâneas literárias das grandes editoras. Daí, seu interesse em convidar este escriba natalense que vive tão longe das capitais.

Eu topei. Escrevi o conto baseado na música “Faroeste Caboclo”, prestei uma homenagem a Nícolas Behr através de várias citações e, meses depois, após ter minha história aprovada pelo organizador e pelos editores da Record, eu estava assinando meu primeiro contrato. O nome do livro seria “Como se não houvesse amanhã”, reuniria autores de Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Jaraguá do Sul, Salvador, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba. O lançamento nacional seria no dia 27 de março de 2010 no Rio de Janeiro, data em que o Renato Russo completaria 50 anos.

Henrique Rodrigues, o organizador do livro.

Comprei passagem, arrumei as malas e rumei para o Rio. Aproveitei para passar 4 dias na cidade, rever um monte de amigos e ainda resolver umas coisas importantes. Que amigos foram esses e que coisas importantes eu fiz, conto na sequência.

CONTINUA

Daniel Sour

julho 1, 2009

Como nesta quinta, lanço o Mano Celo em Mossoró, gostaria de homenagear um autor da cidade que gosto muito. O nome dele é Daniel Liberalino, garoto ainda, mestre em filosofia pela Unicamp e conhecido como Daniel Sour. É um autor inédito em livro, mas acho que a hora do rapaz está chegando.

O texto que segue é “O Gabinete do Dr. Beiesdorf” que aparece como bônus na primeira edição de “É Tudo Mentira!” Divirtam-se com o humor absurdo do jovem Sour e, quem gostar, pode dar uma passada no blogue dele: http://www.disfuntorerectil.blogspot.com/

 

O Gabinete do doutor Beiesdorf

Ser médico exige muita responsabilidade, especialmente para um neurocirurgião como eu. E responsável era precisamente o que eu estava sendo aquele dia no consultório, enquanto lia um rótulo de Nescafé. Na verdade, estamos sendo responsáveis o tempo inteiro. No fim de semana, nós ligamos para os nossos amigos neurocirurgiões e dizemos:

   – E aí, rapaz, tá afim de sair hoje?

  – O que vai ter?

  – Não sei, vamos sair por aí, procurar umas boas responsabilidades pra cumprir e arrebentar!

  – Não sei, cara… estou com algumas responsabilidades pra cumprir, acho que não vou…

    Por exemplo, você não deve fazer coisas como espirrar durante uma neurocirurgia – em particular, seu muco não deve cair no cérebro do paciente; você não pode sair durante uma cirurgia para ver um jogo – ou não sair e ainda assim ver o jogo; ao final de uma neurocirurgia, não se deve dar tapinhas amigáveis no cérebro do paciente etc. Mas como eu ia dizendo, aquele rótulo de café é uma leitura interessantíssima. Conta toda a história do café, desde o descobrimento. Aquele dia no consultório eu já estava aos soluços lendo essa comovente história e ia responsavelmente virando mais um copo de uísque quando o primeiro paciente chegou. Me recompus, usando um curioso aparelho de sucção (que encontrei ali ao meu lado) para sugar minhas lágrimas e o conteúdo do meu nariz.

    – Entre, por favor – disse, sobriamente.

     O paciente usava um espantoso penteado que me fez derrubar o abajur com o susto.

    – Oi – cumprimentei, com um aperto de mãos.

   – Olá, doutor.

   – Bonito cabelo – elogiei.

   – Obrigado… é inspirado num quadro de Pollock.

     Mal sabia ele que Pollock inspirava-se no monte de esterco que tinha no quintal de casa. O paciente contou que era um estilista de vanguarda etc., depois disse que vinha sentindo dores no corpo, mas adormeci nessa parte e sonhei que estava correndo num pomar de frutas mágicas com uma bela e sorridente fadinha, sobre cujos seios eu caía sempre, com incontível alegria, após tropeçar acidentalmente. Num desses tombos, seus seios caíram e foram quicando pelo gramado, enquanto eu os perseguia aflito, então acordei e o paciente acabava sua descrição dos sintomas:

    – …e basicamente é isso, doutor. O que o senhor acha que eu tenho?

   – Sem dúvida é algo muito grave – adiantei, assumindo uma expressão preocupada.

   – C-como assim? – perguntou, aparentemente assustado, a julgar pela mudança na cor da pele.

   – Não sei se você tem chances de sobreviver. Talvez mais alguns dias. Ou horas. Ou minutos. Ou segundos… milésimos…

    Fui obrigado a interromper aí, visto que não conhecesse outras unidades de medida menores. Pouco depois, o paciente me abraçava aos prantos, enquanto eu dava tapinhas de consolo nas suas costas. O verdadeiro profissional precisa levar em conta o aspecto psicológico dos seus pacientes.

    – Pode chorar, meu amigo – disse-lhe -, um verdadeiro profissional, continuei, precisa levar em conta o aspecto psicológico dos seus pacientes – carregando na palavra “psicológico”.

   – Vamos, beba um copo de uísque.

    O segundo paciente entrou logo após o anterior, e especulo que dificilmente teria conseguido entrar após o posterior (ou seja, suceder o sucessor), dada a rígida natureza do tempo. Sua chegada súbita me impediu de continuar aquele agradável sonho e por fim devolver à minha boa companheira seus seios desgarrados, embora talvez não no mesmo sonho, já que ela certamente não se incomodaria em ficar sem os dois por mais algum tempo – e, caso insistisse, eu poderia barganhar, devolvendo apenas um deles. Contudo, como dizia, meus planos foram adiados pela entrada deste outro paciente, que ao contrário do anterior, parecia conhecer a avançada tecnologia do pente para cabelo. O indivíduo só chegou e sentou e foi logo entregando uns papéis cheios de números e termos esquisitos. Multipliquei imediatamente todos os números entre si, elevando o resultado à décima potência e subtraindo tudo pela porcentagem de algodão do meu paletó. Depois tirei a raiz quadrada, pra ver se ainda lembrava como se faz. O paciente ficou olhando estático, e não me admira, porque se alguém precisa tirar a raiz de um número de cerca de vinte dígitos para saber se você está doente, então você deve estar muito doente mesmo, prestes a cair morto. De fato, eu me sentiria na obrigação de morrer.

    – É muito grave, doutor? – perguntou.

   – Bem, a julgar pelo percentual hidromagnético do seu hipossenóide, e considerando a voltagem das moléculas, parece haver um pequeno deslocamento no seu centro gravitacional telúrico, mas…

   – Mas? Qual o problema?

   – O seu problema, garoto, é que você está saudável demais. É um caso muito grave e extremamente raro…

   – Mas tem alguma solução?

   – A medicina contemporânea vem tentando descobrir um tratamento adequado para casos delicados como o seu, mas pouco foi alcançado. Posso, de minha parte, sugerir alguns paliativos, resultantes de décadas de pesquisa diária.

       Passei então a seguinte receita para o pobre homem:

    a) 1 copo de uísque, 7 vezes ao dia

   b) Manipular produtos inflamáveis e fumar charutos – concomitantemente, para efeito mais duradouro e eficaz

   c) Mijar em cercas elétricas

   d) Nadar em esgotos

   e) Atirar-se de arranha-céus

   f) Viver

    Depois sugeri que ele tomasse alguns copos de uísque comigo, para ir adiantando o tratamento, o que ele fez. Depois saiu pela porta, após algumas tentativas fracassadas de atravessar a parede. Expliquei-lhe que ele precisará de muito mais copos de uísque para conseguir fazer isso. De minha parte, em ocasiões similares costumo pedir gentilmente para que a parede saia da minha frente, mas nesse caso a parede que precisaria de umas boas doses de uísque.

   O próximo paciente entrou quando eu estava tentando lembrar os procedimentos necessários para segurar o copo de uísque à minha frente. Sugeri com um grunhido monossilábico que o paciente e seus espectros circunvagantes tomassem assento, o que fizeram, iniciando as habituais lamentações antes mesmo que seus fundilhos tivessem tocado a cadeira.

   Este rapaz parecia ter um caso de unha encravada, julgando a partir da análise cuidadosa de sua enigmática asserção “minha unha está encravada, doutor”. Pedi para que subisse na maca e o enviei imediatamente para a sala de neurocirurgia, avisando aos enfermeiros que tratava-se de uma emergência, pois afinal era preciso fazer valer o preço da consulta. O que mais eu poderia fazer? Prescrever um band-aid? Pelo que pagou, ele certamente merecia algo melhor.

   Foi uma das cirurgias mais difíceis que já fiz.

       – Bisturi.

    – Está na sua mão, doutor.

    – Hm, bem observado. Ups, acho que deixei cair entre o lobo frontal e o temporal. Me passem outro, sim?

    – Esse era o único, doutor.

    – Você tem um lápis de cor?

    – Lápis de cor! – gritou o enfermeiro para a enfermeira, que entregou-lhe o lápis.

    – Fórceps.

    – Aqui está doutor.

    – Dinossauro de borracha.

    – Qual deles, doutor Beiersdorf?

    – O tricerátops. Não, pensando melhor, o arqueopterix.

    – Aqui, doutor.

    – Obrigado. Poderia segurar o cérebro do paciente um instante? Toma.

    – Oh! Escorregou!

    – Você devia ser mais cuidadoso, garoto.

    – Você sabe onde foi parar o hemisfério esquerdo? Não estou encontrando…

    – Acho que escorregou para baixo daquele aparelho que parece com o painel da Enterprise.

    – Não estou vendo…

    – Tudo bem, deixa pra lá. Me passa esse hemisfério aí mesmo. Hm. Pronto. Atchim!

    – Saúde, doutor.

    No fim, tudo acabou bem com alguns tapinhas amigáveis no cérebro do paciente. Para compensar esses momentos difíceis, paguei uma rodada de uísque para todos.

   Sim, é dura a vida de um cirurgião.

   Muitas responsabilidades.

  

Daniel Sour

Mano Celo entre os mais vendidos! Deu no New York Times.

junho 24, 2009

Mano Celo entra na lista dos mais vendidos em Nova Iorque!

O publicitário Rogério Arruda Câmara esteve em Nova Iorque no início deste mês e, ao passear por uma famosa livraria local, se deparou com um fato dos mais animadores para este autor. Ele encontrou o meu mais recente livro, “Mano Celo – O Rapper Natalense” na prateleira dos mais vendidos.

 As imagens abaixo confirmam a notícia.

 

Mano Celo entre os "beste sellers" da Hudson Bookstore. Desde 2001 não ocorria nada tão impactante na cidade.

Mano Celo entre os "beste sellers" da Hudson Bookstore. Desde 2001 não ocorria nada tão impactante na cidade.

 

Rogério Arruda não se conteve e arrematou seu exemplar.

Rogério Arruda não se conteve e arrematou seu exemplar.

 

Olha só o jovem publicitário todo pimpão com o Mano Celo na mão. "Nunca me diverti tanto!", declarou à revista New Yorker.

Olha só o jovem publicitário todo pimpão com o Mano Celo na mão. "Nunca me diverti tanto!", declarou à revista New Yorker.

Aproveito a oportunidade para lançar o desafio: quem encontrar algum livro meu na prateleira dos mais vendidos das livrarias do mundo, envie as imagens comprobatórias para carlosfialho@digi.com.br . As fotos serão publicadas aqui no blogue e no meu Orkut.

 Enviem suas imagens. Ficarei no aguardo.

Mano Celo – Imagens – E

junho 4, 2009
Ewerton e Rodrigo Rosas

Ewerton e Rodrigo Rosas

Mano Celo – Diário de um Lançamento 10 – Guia da Sociedade

abril 28, 2009

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Diário de um Lançamento 8 – Quarto Anúncio

abril 23, 2009

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Mano Celo – Diário de um lançamento – 7

abril 22, 2009

Na Estrada

O livro já está a caminho. A gráfica Lidador do Rio de Janeiro enviou pela Rapidão Cometa e deverá entregar a encomenda no próximo dia 29 (é essa a previsão que tem no sítio da empresa). Nunca recebi um livro tão perto da data de lançamento. Por isso, fica a ansiedade. Torçam pra que tudo dê certo.

 

 

Na Imprensa

Saiu uma nota sobre o lançamento na coluna de Daniela Pacheco no Jornal de Hoje. Ela divulga a data, hora e local e convida as pessoas a comparecerem. Muito legal.

 

 

Imagens do Lançamento

Ainda não sei quem vai fotografar o evento, mas vou ver se contrato algum profissional dessa vez. As fotos tiradas por amigos são massas, mas sempre deixam um ou mais convidados sem curtir a festa, por ter a obrigação de registrar tudo. Enquanto isso, fiquem com mais algumas fotos do lançamento de “É Tudo Mentira!” em 2006.

 

Andrei e Odyle

Andrei e Odyle

Letícia em primeiro plano. Ao fundo: Fabão, Japa e Fêfo.

Letícia em primeiro plano. Ao fundo: Fabão, Japa e Fêfo.

Carla Cristina, Professor Rosemberg e Professor Henrique Lucena

Carla Cristina, Professor Rosemberg e Professor Henrique Lucena

Maria Nunes e Vicente Vitoriano

Maria Nunes e Vicente Vitoriano

Gustavo Lamartine

Gustavo Lamartine

Gabi e Wilder já treinando para serem pais.

Gabi e Wilder já treinando para serem pais.

Rodrigo e Racine Santos

Rodrigo e Racine Santos

Mano Celo – Diário de um Lançamento 6 – Terceiro Anúncio

abril 20, 2009

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Aquecimento Mano Celo 1 – A Ilustra da Capa

fevereiro 12, 2009

 

Essa é a ilustração que figurará na capa do meu novo livro: “Mano Celo – O rapper natalense”. Trabalho do artista plástico paraibano Shiko. Nilinho, o diretor de arte que está lapidando o livro, vai dar um trato nela e mandamos pra gráfica na segunda. Em breve, novas notícias a respeito.

manocelocapa

BBB – 09

janeiro 9, 2009

barulhinho

Começa nessa sexta-feira o Baile Barulhinho Bom no Sancho Pub em Ponta Negra. Toda sexta de janeiro vai ter bandas legais tocando músicas da hora pra todo mundo curtir , encontrar os amigos e tomar umas cervas. E tem também sempre o DJ Magão mandando ver nas picapes (ficou meio gay essa última frase, né?). A promoção é do empresário e agitador cultural da cena musical natalense Ânderson Foca, um homem que ao lado de Alex Padang, Marina Elali e Bob Marlon trabalha sem cessar pela música da nossa gente.

Nessa primeira edição teremos a Orquestra Boca Seca tocando Jorge Ben e Tim Maia. Custa R$ 10 pros marmanjos e as gatations até meia noite não pagam nada (um esquema que nem o Sambão lá de Pitangui)! HÔMI, EU VOU NA HORA!

Foca acredita que o eveno será um sucesso.

Foca acredita que o eveno será um sucesso.