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Arthur Dapieve – O Estrangeiro

junho 5, 2009

Arthur Dapieve é um escritor que admiro demais. Sou fã de primeira hora do cara. Sua erudição e diálogos com o POP. Por isso, hoje eu gostaria de dividir com vocês algum texto dele. Procurei alguns aqui nos arquivos e achei esse do qual gosto bastante. É a orelha do livro “O Estrangeiro” de Albert Camus, publicado pela editora Record. Divirtam-se:

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O Estrangeiro, escrito em 1957, é o mais pop(ular) dos livros do francês nascido na Argélia Albert Camus. Tão pop que rendeu até música do grupo de rock inglês The Cure (“Killing na arab”). Tão popular porque, à parte ser a seca narrativa das desventuras de Mersault, condenado à morte por matar um árabe a troco de nada, é também a narrativa das desventuras de um homem do século XX. Uma espécie de autobiografia de todo mundo.

 Mersault leva uma vida banal; recebe indiferente a morte da mãe no primeiro parágrafo do romance (primeiro parágrafo antológico, diga-se de passagem); comete o crime; é preso; julgado; tudo gratuito, sem sentido, apenas mais um homem arrastado pela correnteza da vida e da história.

 Seu drama pode ser lido como drama de qualquer homem do seu século, o homem que se depara com o Absurdo, ponto central do pensamento camusiano.

 Este homem, chamemo-lo, como o autor, de Mersault, ao contrário de seus antepassados, não encontra mais nem consolo para o que acontece na sua vida. Tudo acontece à sua revelia e nada faz o menor sentido. Sua vida não é explicada por nenhuma fé, nenhuma religião, nenhuma ideologia, nem mesmo pela fé na ciência. Este homem não tem nada em que se amparar. O que pode ser visto como uma vantagem: este homem é livre, pode se fazer a si mesmo, sua vida está em aberto. Ele se depara e se angustia diante de sua própria Liberdade, outro ponto central não só do pensamento camusiano como de toda a filosofia existencialista, na qual Jean Paul Sartre é outro expoente, um comunista à direita do anarquista metafísico Camus.

 Compreende-se, portanto, que Absurdo e Liberdade são faces da mesma moeda. Quando Mersault descobre que um implica na outra, afinal encontra a paz. É a história dessa compreensão, desse encontro, que Camus nos propõe. Uma espécie um tanto perversa de livro de auto-ajuda.

 Arthur Dapieve

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