Posts Tagged ‘Dicas de blogues’

Pablo Capistrano – A longa marcha da maconha

agosto 7, 2010

Segunda passada publiquei uma crônica chamada “A marcha da maconha” na Diginet. Muita gente boa compereceu à seção de comentários e deixou suas impressões: Alex de Souza, Ronaldo Aoqui, Gabi do Gato, Bia Madruga, Flávio Rezende e Pablo Capistrano, para citar alguns.

Pablo inclusive, disse que a coluna o incentivou a escrever também sobre o assunto. Foi então que ele escreveu o texto abaixo. Fico muito feliz que isso tenha ocorrido, pois posso até interpretar, com algum humor e uma boa dose de pretensão, que sou uma influência literária para o jovem filósofo.

Boa leitura e acessem o sítio de Pablo sempre que possível  —->  www.pablocapistrano.com.br

***

A longa marcha da maconha.

Por Pablo Capistrano

Sempre achei que algumas questões são muito difíceis de levar à discussão pública devido a crosta de ignorância e hipocrisia que enevoa o entendimento de parte da opinião pública brasileira. Falar sobre drogas, prostituição, sexualidade, aborto ou eutanásia, no Brasil é uma tarefa difícil.

Sempre achei a idéia de que a maconha é proibida porque faz mal uma incoerência. Se tudo que “fizesse mal” fosse proibido não haveria redes de fast foods espalhadas em cada esquina e metade dos produtos que descansam nas prateleiras de nossos supermercados seriam proscritos.

Além do mais, em uma democracia não se pode criminalizar condutas com base na ideia de que elas “fazem mal”. John Stuart Mill no século XIX desenvolveu com muito cuidado o famoso “argumento do crime sem vítima”. Segundo essa leitura só existe uma justificativa para se criminalizar uma conduta: que haja um agente ofensor e uma vítima legítima ofendida em seu direito. Para Mill não se poderia criminalizar a prostituição, o jogo ou o homossexualismo (na época dele relacionamentos homossexuais eram punidos com prisão na Inglaterra), porque, nos casos citados, o próprio agente seria vítima do seu próprio ato. Mill não estendeu esse argumento ao uso da maconha simplesmente pelo fato de que na sua época não havia crime em vender, transportar ou consumir a planta. Apesar disso se pode usar o argumento de Mill para o caso da descriminalização da erva, afinal, nesse caso, a vítima é o próprio agente do ato ofensivo.

Mill mostra que não se pode punir alguém por prejudicar a si mesmo. Se você quer se prostituir (e for maior de idade), fumar maconha, tomar cachaça, se entupir de gordura até estourar as veias, comprar bolsas Gucci ou assistir o programa do Ratinho, o problema é seu. Não haveria justificativa para o Estado proibir, nesse caso, suas escolhas. A mera condenação moral de um ato não seria justificativa suficiente para se criminalizar uma conduta.

Para se justificar a proibição da Maconha em função de seu potencial dano, teria-se que demonstrar que o consumo de maconha produz dano à ordem pública causando prejuízo a terceiros, produzindo reações violentas ou desestabilizando a convivência social.

Ora, esse tipo de descrição pode se aplicar muito bem ao crack (que desestabiliza a percepção moral de seus usuários e produz uma dependência tão feroz que leva seus dependentes muitas vezes a cometer delitos bárbaros). Se pensarmos nas estatísticas da violência e dos acidentes de trânsito, teríamos que banir o álcool e não a maconha. Não se justifica permitir que o país seja movido a álcool e proibir o uso da maconha sob o argumento de que prejudica a “ordem pública”.

O argumento de que a maconha é a “porta de entrada para drogas mais pesadas”, também não é uma boa justificativa porque na maioria das vezes, um argumento desse tipo leva em conta apenas as drogas ilícitas. Se colocarmos o álcool e a nicotina na jogada a tal “porta de entrada” fica mais larga. Ora, se for assim, porque proibimos a maconha, vendida nas farmácias até a década de trinta?

Existem algumas teorias que falam sobre a indústria do petróleo, que precisava vender derivados químicos para o tratamento do eucalipto (planta que substituiria a Canabis Sativa na produção de papel) e por isso pressionou o governo norte americano a fazer uma campanha contra a planta construindo um sem número de mitologias e estereótipos sobre seu uso. Eu não sei se essa tese se sustenta.

Prefiro pensar que cada cultura tem sua droga particular.

Para os cristãos, essa droga é o álcool, sangue do cristo crucificado, presente do deus renascido dos antigos gregos, parte inerente da cultura européia. O vinho e a cerveja, a despeito de toda desgraça que produzem, são nossos entorpecentes particulares, nosso combustível social, nosso pacote privado de loucura. O fumo, essa prática indígena, sarracena, oriental, não parece coadunar-se com os valores culturais e sociais de nosso “estrato civilizatório”. A marcha da maconha é longa. Ela está entre nós a milhares de anos e eu particularmente acredito que vai continuar por muitos séculos. Discutir seu uso, medicinal ou recreativo, não pode ser um exercício de hipocrisia moral, ou de fantasias ideológicas e religiosas por isso é preciso pensar na maconha e seu lugar no mundo dos homens longe da fumaça tóxica da ignorância e do preconceito.

Arte dos garotos

julho 18, 2010

 

As artes de Fabrício Cavalcante e Caio Vitoriano continuam excelentes!

http://www.camaleaoart.com/ e http://www.flickr.com/photos/caiovitoriano/

Curtam!

Nos Blogues dos Caras – Bortolotto e Sérgio Vilar

janeiro 21, 2010

Esta semana quero fazer a indicação de 2 blogues que tiveram postagens muito legais esta semana. O primeiro deles foi o “Atire no Dramaturgo” do Mário Bortolotto. Na postagem “O Jornalismo Mauricinho“, de 16 de janeiro, ele conta como a Folha de São Paulo tenta manchar sua imagem por ele não ter concedido uma entrevista exclusiva. O texto é sensacional e carregado de emoção, de raiva, de sentimento de injustiça do artista ante o poder do veículo que tenta demoralizá-lo. Vale conferir.

Antes que alguém pense que o título do blogue é alguma brincadeira autodepreciativa de humor negro, apresso em dizer que o espaço sempre teve este nome. Numa postagem anterior, “Esclarecendo“, publicada em 5 de janeiro, Bortolotto explica a casualidade.

A outra dica que dou aos senhores é “O Diário do Tempo“, ótimo blogue de jornalismo cultural mantido por Sérgio Vilar. Na postagem de ontem, o talentoso repórter publicou um texto primoroso e bastante tocante sobre o rabequeiro Zé André que faleceu no último sábado.

Os atalhos de acesso seguem logo abaixo:

Atire no Dramaturgo – Mário Bortolotto

Diário do Tempo – Sérgio Vilar

E a partir de agora, estes dois blogues estarão entre os indicados ali do lado direito.

Mano Celo – Diário de um Lançamento 9 – Shiko – O homem da capa

abril 24, 2009

Conheci o trabalho de Shiko em 2007 quando os donos da Limbo, Márcio Nazianzeno, Daniel Duarte e Gabriel Novaes me apresentaram suas ilustrações insanas e arrebatadoras. “O cara é um extraterrestre!”, pensei na hora. Esperei ansiosamente pelo dia em que eu pudesse trabalhar com ele. A oportunidade veio em 2008, quando o selo Jovens Escribas republicou o romance “O Dia das Moscas” de Nei Leandro de Castro e Shiko ilustrou a capa.

 

Agora, em 2009, tive a honra de ter a capa do meu novo livro ilustrada por ele. Foda! Um privilégio para mim e para o selo JE.

 

Hoje, eu gostaria de dividir com vocês um vídeo que serve de portfólio parao artista. Vale a pena também visitar a página http://www.flickr.com/photos/derbyblue/ e conferir muitas de suas obras por lá.

 

Assistam o vídeo abaixo:

Nos blogues dos caras 1

dezembro 18, 2008

Coluna Bazar – Alex de Souza – Nominuto.com.br

 

Morreu essa semana Seu Pedrinho Catombo, dono do bar do Pedrinho, no beco da Lama. O jornalista Alex de Souza postou em sua coluna no Nominuto, um belíssimo texto sobre o local. Posto aqui um trecho e o linque da coluna para que vocês leiam o restante. Vale a pena. Alex botou pra fuder!

 

http://www.nominuto.com/colunas/bazar/pedrinho_catombo/31619/

 

 

 

Entrerios – Blogue do Modrack

 

Outro post de blogue interessante saiu no Entrerrios de Modrack. Ele lançou uma campanha de libertação de livros que é uma ótima iniciativa para este fim de ano. Eu vou deixar um de presente pro meu amigo secreto verdadeiramente secreto.

 

http://entrerios.wordpress.com/

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TOP 5_Blogues de Intelectuais_RN

dezembro 9, 2008

Atenção para o top de 5 blogues de intelectuais locais (ou radicados no RN).

 

Como eu disse ontem, estou aprendendo a mexer nas cousas por aqui. Assim como terei que apreender a disciplina da atualização diária.

 

Coloquei o blogue no ar com algumas indicações de outros blogues e sítios de gente que tem espaços virtuais. Foram poucos, mas aos poucos, vou crescer a lista de endereços ali do lado para que os leitores deste espaço possam conhecer outras pradarias virtuais para lá de batutas e ótimas de navegar.

 

Mas vamos ao top 5 de hoje.

 

5

Como é o nome?

A margem Subjetiva da Verdade.

Onde fica?

http://amargemsubjetivadaverdade.blogspot.com/

Quem é?

Lucílio Barbosa, poeta.

Como é que é mesmo?

Lucílio é biólogo marinho com mestrado nas letras de música do cantor Belchior. Acho que em algum lugar da juventude ele leu que no futuro a versatilidade seria valorizada e acabou estudando assuntos bastante díspares. Como o futuro nunca chegou para ele, Lucílio se viu obrigado a viver eternamente no presente e acabou sendo condenado a trabalhos forçados numa agência de propaganda como redator publicitário. Entre um trabalho e outro, escreve pedidos de resgate codificados que afirma serem poemas. O departamento de Lingüística da UFRN tem estudado exaustivamente as poesias de Lucílio e já anunciaram a revelação do que vem sendo chamado de “Código Lucílio” para o futuro próximo. Ao saber dessa notícia, nosso biólogo-mestreembelchior-redator-poeta-modelo-e-atriz respirou aliviado. Uma vez que ele sempre vive no presente, jamais verá revelado o seu código poêmico. Sugiro que vocês tentem revelar as poesias de LuB acessando o seu blogue.

O que você não vai encontrar por lá:

Louvores ao novo CD de Marcelo Camelo.

biólogo marinho com mestrado em Belchior.

Lucílio Barbosa: biólogo marinho com mestrado em Belchior.

 

 

 

4

Como é o nome?

Substantivo Plural

Onde fica?

www.substantivoplural.com.br

Quem é?

Tácito Costa, jornalista.

Como é que é mesmo?

Tácito Costa acredita na ética, na democratização da cultura e no debate amplo e aberto em torno de temas edificantes para Natal e o Rio Grande do Norte. Tácito também é entusiasta na Internet e trabalha por um alto índice de audiência. Por isso abriu espaço em seu blogue para quem quiser se manifestar sobre qualquer assunto relacionado à cultura. Com seu jeito de boa gente e vocação para diplomata cativou muitos intelectuais a frequentarem sua página. O que Tácito não contava era que os escritores, artistas, professores, jornalistas culturais e bibliófilos natalenses fossem mais barraqueiros que colunistas sociais e ex-mulheres de políticos juntos. Com isso o Substantivo Plural, que deveria ser uma espécie de Café São Luís das ondas internéticas, acabou se tornando uma versão tupiniquim e internética daquele antigo programa da MTV estadosunidense “Celebrity Death Match” em que artistas se degladiavam e distribuíam sopapos uns contra os outros. O fato é que o sítio do Tácito, em vez de servir de cenário para bons papos, é utilizado como um ringue para brigas de artistas e escritores com o córtex cerebral mais desenvolvido que a média da população. Os constantes embates, provocações, desaforos e declarações de indignação têm elevado a audiência do SP a níveis estratosféricos. Isso só mostra a sagacidade do grande Tácito que nos prova na prática que a sua fé na internet está mais do que certa.

O que você não vai encontrar por lá:

A ordem dos shows do Circo da Folia para o Veraneio de Pirangi.

 

3

Como é o nome?

Aílton Medeiros, jornalista.

Onde fica?

www.ailtonmedeiros.com.br

Quem é?

Aílton Medeiros, jornalista.

Como é que é mesmo?

Jornalista, fanático por informação, torcedor do Botafogo, metralhadora giratória, garimpeiro da internet, Aílton se apraz em destinar gentilezas às mais diversas personalidades da mídia e da política natalense. Tem mais desafetos que o Daniel Dantas, o Edmundo e George W. Bush somados e é famoso por dizer coisas que ninguém tem coragem de dizer. É fã de Paulo Francis e vive detonando gente como Gilmar Mendes, Reinaldo Azevedo, Thaísa Galvão, Marco Aurélio Sá, José Agripino, Cassiano Arruda, Woden Madruga, Vicente Serejo, Robinson e Fábio Faria, Carlos Alberto Parreira, etc, etc,etc… A cobertura das eleições deste ano feita por ele esteve entre as mais divertidas do pleito.

O que você não vai encontrar por lá:

Um soneto em homenagem a Felipe Maia.

 

2

Como é o nome?

Balaio Vermelho

Onde fica?

http://balaiovermelho.blogspot.com/

Quem é?

Moacy Cirne, escritor.

Como é que é mesmo?

Moacy Cirne é cinéfilo, especialista em quadrinhos, poeta, escritor de uma ruma de livros e blogueiro de primeira hora. O seu Balaio Vermelho migrou da versão impressa (o velho e bom fanzine) para o e-mail e posteriormente para o blogue. Quem quiser aproveitar boas dicas de leitura e filmes clássicos, além de saber um pouco mais sobre as histórias em quadrinhos, sugiro que acessem.

O que você não vai encontrar por lá:

Dicas para assistirem Transformers, Anaconda 2 e American Pie 3.

 

O titular deste blogue posa com o escritor Moacy Cirne ao lado dos amigos Daniel Guanabara e Caio Vitoriano.

O titular deste blogue posa com o escritor Moacy Cirne ao lado dos amigos Daniel Guanabara e Caio Vitoriano.

 

1

Como é o nome?

Pablo Capistrano

Onde fica?

www.pablocapistrano.com.br

Quem é?

Pablo Capistrano, escritor e filósofo.

Como é que é mesmo?

Uma das mentes mais brilhantes da cidade atualiza constantemente sua página onde publica suas crônicas semanais sobre cotidiano, música, literatura, cultura pop e filosofia. No terreiro de Pablo você também pode ler uma entrevista com o autor e saber mais sobre os livros publicados por ele. O professor é a favor de uma suruba planetária como solução para os problemas raciais e explica que começou a escrever por duas razões básicas: não sabe desenhar e é perna de pau no futebol.

O que você não vai encontrar lá:

Rapaz, o pior é que Pablo é capaz de falar de tudo com a mesma desenvoltura: desde iogurte achocolatados à irracionalidade por trás do amor clubístico no futebol.

Pablo Capistrano, a Márcia Tiburi brasileiro.

Pablo Capistrano, a Márcia Tiburi brasileiro.

 

 

 

6 – Faixa bônus

Blogue da Kriterion

Como é o nome?

Jairo Lima, escritor, publicitário e livreiro.

Onde fica?

www.kriterion.zlg.br e também no Mercado de Petrópolis.

Como é que é mesmo?

Jairo Lima é pernambucano, mas reside em Natal há vários anos, o que faz dele um potiguar honorário. Por essa razão ele entrou na faixa bônus desse top 5. A Kriterion está sempre abastecida de bons livros e Jairo está sempre aberto ao monólogo. Na verdade, ele é uma espécie de Forest Gump do Capibaribe que já viu e viveu de tudo, além de ter topado com muita gente boa e talentosa. Portanto, quem quiser ouvir boas histórias, comprar alguns belos tomos da boa literatura e ainda encher o bucho com os deliciosos almoços de sábado, passa no Mercado de Petrópolis. O blogue é um compêndio de citações, referências, textos ilustres e interessantíssimos, além das ótimas entrevistas Hai-kais, invenção de Jairo ao melhor estilo bate-e-pronto.

O que você não vai encontrar lá:

A bibliografia completa de Maitê Proença.