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Coluna do Novo Jornal – 114 – 10.11.2012 – Foca, Ana e o Festival Dosol

julho 23, 2014

Esta é uma “crônica exaltação”, uma espécie de elogio em forma de texto que sempre faço a pessoas que realizam trabalhos edificantes e valiosos, ilhas de empreendedorismo cultural e humano em meio a todo um oceano de mediocridade que insiste em nos rodear e pilhar quaisquer indícios civilizatórios com um tsunami de chorume e burrice endêmica.

Ana e Foca não são assim.

ainda bem.

***

Foca, Ana e o Festival Dosol

Ana e Foca

Foca e Ana na frente do Centro Cultural Dosol – foto Tribuna do Norte.

Hoje é um dia muito importante no meu calendário pessoal, cultural e de lazer. Terá início em Natal mais uma edição do Festival Dosol, celebração musical que vai além do mero entretenimento vazio de outros eventos anuais que recebem vultosos investimentos públicos sem oferecer à cidade seque ruma mísera fração do que o Dosol nos devolve em contrapartida a sua realização. Em dois dias de apresentações, dezenas de bandas, muitas delas locais, passarão pelos 2 palcos da Rua Chile.

Vários dos rapazes e moças munidos de guitarras, baquetas ou simplesmente de suas vozes foram doutrinados e tiveram suas bandas “incubadas” a partir da estrutura e estratégia montada pelo casal à frente do Dosol, Ana Morena Tavares e Ânderson Foca. A combinação selo musical, estúdio para ensaio e gravação, Centro Cultural para apresentações e um longevo e respeitado festival anual, promovendo intercâmbio com bandas de outros lugares, além da oportunidade de tocarem para uma plateia ampla, faz com que surjam novos grupos, gente tocando e compondo música autoral, dando vazão a todo um potencial criativo represado e que encontra no Dosol uma maneira de extravasar seus dotes artísticos de uma forma mais construtiva do que simplesmente pegando uma latinha e batendo uma na outra: tchá, tchá!

 

ATENÇÃO: INTERROMPEMOS ESTA COLUNA PARA UMA BREVE REFLEXÃO!

Aqui cabe uma reflexão que não me canso de propor. O trabalho colaborativo do Dosol tem beneficiado a cultura local ao promover a formação de público para a música autoral, dar a oportunidade de artistas amadurecerem e desenvolverem suas habilidades. Tudo isso numa região da cidade que permite não infernizar a vida de nenhum dos seus habitantes. Em resumo: os benefícios gerados são divididos entre muitos. Em contraponto, o que foi que o Carnatal gerou além do enriquecimento de alguns empresários como Paulinho Freire e os donos da Destaque? Alguém conhece uma banda local surgida a partir do evento festivo puxado por trios elétricos? E nem me venham com a história de que ele gera trabalho e renda, pois as migalhas que acabam caindo nas mãos do povo são pouco menos que uma mísera esmola diante dos milhões em dinheiro público embolsados pelas empresas promotoras. Isso num evento que cobra centenas de reais por cada dia de folia, altamente rentável e, certamente, autossustentável. Na boa, o maior legado dos 4 dias de folia é o cheiro de mijo que impregna nossos narizes na segunda pós-evento.

AGORA VOLTAMOS A NOSSA COLUNA NORMAL.

 

O grande mérito do festival ribeirinho é não sucumbir à armadilha fácil que captura 9 entre 10 natalenses, o lugar-comum do “se dar bem sozinho”, do “farinha pouca meu pirão primeiro” e do egoísmo de ocasião (qualquer ocasião) que impera na cidade. O voluntarismo da trupe roqueira não é exclusiva deles. Podemos perceber também em iniciativas admiráveis como a Casa da Ribeira, o Clowns de Shakespeare e diversas outras. É esse perfil generoso e colaborativo que está por trás do crescimento do evento e da expansão para Mossoró, Caicó e São Paulo de Piratininga. Obviamente, tudo é fruto de muito trabalho e de uma persistência quase obsessiva que percorreu os anos. Posso afirmar com conhecimento de causa, uma vez que fui testemunha ocular da história de Foca desde que ele era apenas um esforçado pegador de ondas vindo do Pará.

Conheci Ânderson através de dois amigos em comum, Caio Vitoriano e Leonardo Medeiros, em um dezembro qualquer dos anos 1990. Naquela estranha e derradeira década do milênio passado, ele era um dos caras que proporcionaram com que se pudesse sair por aí para ouvir algo além do ritmo preferido dos natalenses, o forró-pagode-axé. Eram anos estranhos e algumas válvulas de escape pop respondiam por “Banda Officina” e “Inácio Toca Trumpete” (de Karol Polsadski), além dos ótimos “Mad Dogs” dos ídolos supremos de várias gerações: Paulo Sarkis e Fernando Suassuna.

Quem também fazia parte da “Officina” era Ana Morena. Em meio a uma cidade monocultora por convicção, o casal e seus colegas de banda conseguiam viver de Pop-Rock com bons vencimentos a cada mês. Isso mostrava um lado empreendedor bastante apurado e uma firmeza de propósitos de quem realmente queria atingir seus objetivos. Em que pese eu acompanhar os shows como amigo dos vocalistas, o que me converteu em fã de ambos foi o trabalho árduo à frente do Dosol, iniciado anos depois. Foi ali que eles me convenceram da importância do que faziam, ganhando pontos e estrelas no boletim hipotético no qual emitimos notas mentais e julgamos todas as pessoas que conhecemos em nosso inconsciente.

Com a abnegação, sacrifícios e conquistas obtidas, Ana e Foca evoluíram na classificação de amigos para essas pessoas que a gente tem orgulho em conhecer. Subiram o elevador no meu conceito em virtude de um trabalho notável, colocando Natal entre as cidades onde acontecem coisas boas, que recebem bons concertos de cultura alternativa, por onde passam bandas legais que gostaríamos de ver ao vivo.

Todo mundo deve ter alguém com história semelhante. Um cara que se conhece há tempos e que prospera, vence, se destaca, faz e acontece, nos deixando felizes, como se também fizéssemos parte, de alguma forma, das façanhas empreendidas. Em mim, gera uma sensação boa, pois gosto de verdade de acompanhar o êxito dos amigos. Como fiquei em 2007, quando o festival perdeu o patrocínio devido às jogadas do Governo do Estado e da Fundação José Augusto e mesmo assim ele realizou o festival com mais de 50 bandas, muitas tocando de graça, na brodagem, pra ajudar diante da situação difícil. Vários grupos hospedados em casas de amigos.

E agora chegamos a 2012. Mais uma edição do Festival Dosol tem início. É hora de celebrar o fato de um trabalho persistente, bem feito, prospere e faça tão bem à cidade e sua cena cultural. Todas as iniciativas do Dosol representam uma vitória contra o marasmo, a mesmice, a mediocridade e a estagnação. O sucesso da dupla organizadora e de suas invenções é também uma prova que boas coisas nascem, crescem e prosperam nesta acéfala e ensolarada capital potiguar.

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A Arte de Pedro Victor

maio 6, 2011

Ânderson Foca e Ana Morena estão juntos faz um tempo, mas nunca tiveram filhos. Ou, pelo menos, era isso que pensavam as pessoas que não conhecem a verdade. Foca e Ana são pais de milhares de jovens roqueiros que cresceram admirando os reis do rock potiguar como a ídolos num altar. Essa geração de meninos e meninas do mal perambula pela Ribeira e um deles, Pedro Victor (o chupacabra), deu pra diretor de arte.

Outro dia, o pequeno herdeiro da família camisetas pretas criou uma série de cartazes minimalistas em homenagem ao cinema brasileiro. Confiram:

Chupacabra feliz da vida com sua camisa dos Jovens Escribas entre Patrício Jr e eu. Aliás, esses 3 modelos ainda estão à venda.

Festival Dosol 2010 – Vídeo Cobertura Lado R e O Inimigo.

fevereiro 7, 2011

Vídeo muito legal produzido pela galera do “Lado R” e “O Inimigo” com a cobertura do Festival Dosol 2010. Curtie demais. Curtam aí também!

Coluna da Digi # 79 – Realizadores: Ânderson Foca.

dezembro 13, 2010

Mais uma crônica da série Realizadores (Leonardo Panço, Fábio de Silva, Revista Catorze e Válerio Augusto). Dessa vez, o personagem foi Ânderson Foca, o homem que entre uma bola e outra que equilibra no nariz, ainda movimenta a cena rock de Natal, formando um público roqueiro que certamente vai tirar a cidade da monocultura em que se encontra há décadas. Esta coluna foi publicada na Digi em 03 de novembro de 2009. Releiam e, se gostarem, divulguem.

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Realizadores: Ânderson Foca.

Ana Morena e Ânderson Foca - o casal Dosol

Conheci Ânderson Foca há muito tempo, através de dois amigos em comum, Caio Vitoriano e Leonardo Medeiros. Na época, estávamos numa mesa de lanchonete e descobrimos que torcíamos pelo mesmo time. Fanáticos por futebol que éramos, e somos até hoje, desenvolvemos uma animada conversação sobre as possibilidades de nossa equipe no ano que se anunciava (era um dezembro qualquer da década de 90). Aquele diálogo foi a centelha de uma amizade duradoura que revelou diversas afinidades, interesses comuns e nos enriqueceu com outros novos amigos apresentados de parte a parte.

Porém, deixando um pouco a amizade de lado, houve um momento em que eu passei da condição de simples amigo para fã confesso e entusiasmado admirador do trabalho de Foca. Na segunda metade dos anos 90, ele era um dos caras que proporcionaram com que se pudesse sair na cidade e ouvir algo além do ritmo preferido dos natalenses, o forró-pagode-axé. Naqueles anos, algumas válvulas de escape pops respondiam por “Banda Officina”, “Inácio Toca Trumpete” (de Karol Polsadski), a “Boca de Sino”, além dos ótimos “Mad Dogs” do ídolo Paulo Sarkis que, como vinho, ficam ainda melhores com o tempo. Em meio a uma cidade monocultora por convicção, Foca e seus colegas de banda conseguiam viver de Pop-Rock com bons vencimentos a cada mês. Isso mostrava um lado empreendedor bastante apurado e uma firmeza de propósitos de quem realmente quer atingir seus objetivos. Entretando, apesar de gostar do trabalho, não foi aí que virei fã do Foca.

Foi com a iniciativa e o trabalho árduo à frente do Dosol (selo musical, estúdio de gravação, rock-bar, centro cultural e festival) que ele me convenceu, ganhando pontos e estrelas no boletim hipotético no qual emitimos notas mentais e julgamos todas as pessoas que conhecemos em nosso inconsciente.  Com a abnegação, sacrifícios e conquistas obtidas, Foca deixou de ser simplesmente um amigo e passou a ser uma pessoa daquelas que a gente tem orgulho de conhecer. Ele subiu o elevador no meu conceito e agora era alguém que fazia algo relevante para a coletividade, que tentava realizar um trabalho notável, colocando Natal entre as cidades onde acontecem coisas boas, que recebem bons concertos de cultura alternativa, por onde passam bandas legais que gostaríamos de ver ao vivo. E não só isso, mas também promovendo um fluxo de mão dupla, oferecendo aos jovens roqueiros potiguares a chance de levarem o seu trabalho pra fora, gravarem suas músicas, mostrarem suas performances para gente do meio que viesse para a cidade.

Todo mundo deve ter alguém com história semelhante. Um cara que se conhece há tempos e que prospera, vence, se destaca, faz e acontece, nos deixando orgulhosos, como se também fizéssemos parte, de alguma forma, das façanhas empreendidas. Em mim, dá uma sensação boa, pois fico feliz, de verdade, com o êxito dos amigos. Como fiquei em 2005, quando vi a última noite do Festival Dosol lotada por um público empolgado. Também em 2007, quando o festival perdeu o patrocínio devido às jogadas do Governo do Estado e da Fundação José Augusto para financiar projetos do próprio Governo através da Lei Câmara Cascudo para depois anunciar que a “verba tinha acabado”, e mesmo assim ele realizou o maior festival de Rock já ocorrido no RN até então com mais de 50 bandas, muitas tocando de graça, na brodagem, pra ajudar diante da situação difícil.

E agora chegamos a 2009. Mais uma edição do Festival Dosol se avizinha, a programação oficial saiu com 23 bandas potiguares, 17 do resto do Brasil e mais 3 gringas de expressão e relevância. Fico com um sorriso estampado no rosto ao saber dessas coisas. Em saber que um trabalho persistente, bem feito, mesmo diante das muitas adversidades que se impõem na província, alguém consiga colher frutos, dividi-los conosco e promover um bem maior para a cidade e sua cena cultural. O trabalho de Foca nem sempre encontra reconhecimento e o valor que merece, o que ele faz não repercute na Afonso Pena nem nas boates da Salgado Filho, mas é de boas ideias e disposição de colocá-las em prática como as dele que surgem grandes resultados. Todas as iniciativas do Dosol representam uma vitória contra o marasmo, a mesmice, a mediocridade e a estagnação. Por isso, confesso aos meus leitores que hoje, talvez mais do que amigo, sou fã do cara. O sucesso dele e de suas invenções é também um pouco meu.

Festivais 2010

outubro 31, 2010

* Fontes do conteúdo: http://www.dosol.com.br/ e http://flipipa2010.blogspot.com/

Novembro se inicia cheio de expectativa. Os 2 melhores eventos culturais realizados atualmente no Estado preencherão os dias com uma rica programação.

No fim desta semana, Ândersons Foca dará início à realização de mais um Festival Dosol, na Rua Chile, Ribeira. Começa na Sexta (05) com o baile de abertura e agitará o bairro boêmio sábado e domingo (06 e 07).

Ândersons Foca e Ana Morena

A programação deste ano está uma das melhores que já vi, rivalizando com a célebre edição de 2007, na qual Foca e Ana Morena, sua sócia e esposa, trouxeram na raça, uma escalação de grupos inacreditável para quem acabara de perder o patrocínio da Lei Câmara Cascudo por uma destas humilhações que o governo que se acaba costuma impor a produtores culturais nestes 8 anos.

Mas voltando a falar da edição deste ano, quem for à Rua Chile conferir vai se deparar com atrações fodásticas como a Orquestra Contemporânea de Olinda, Móveis Coloniais de Acaju, Camarones Orquestra Guitarrística e o último Ramone vivo: Marky Ramone Blietzkrieg.

Os ingressos, senhas, bilhetes e casadinhas estão à venda na loja Levis do Midway Mall. Custam R$ 20,00 por dia e R$ 30,00 (sábado + domingo). Ah, só mais duas coisinhas: camarote e de cu é rola e frontstage é meu ovo, beleza?

Confira a ordem das bandas com as mãos levantadas fazendo chifrinhos:

FESTA DE ABERTURA (5/11)
CENTRO CULTURAL DOSOL
DISCOTECAGEM – FABRÍCIO NOBRE (GO)
24H – AMP (PE)
01H – LOVE BAZUKAS (GO/SP)

SÁBADO (6) – RUA CHILE, RIBEIRA
15h30 – HOSSEGOR (RN)
16H – DECRETO FINAL (RN)
16H30 – NEVILTON (PR)
17H – HUMANA (CHILE)
17H30 – MECHANICS (GO)
18H – SWEET FANNY ADAMS (PE)
18H30 – SEX ON THE BEACH (PB)
19H – SUPERGUIDIS (RS)
19H30 – VENICE UNDER WATER (RN)
20H – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
20H30 – AUTORAMAS (RJ)
21H – THE TORMENTOS (ARG)
21H30 – CALISTOGA (RN)
22H – BLACK DRAWING CHALKS (GO)
22H30 – VESPAS MANDARINAS + FÁBIO CASCADURA (SP/BA)
23H – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
24H – CABRUERA (PB)
0H30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)

DOMINGO (7) – RUA CHILE, RIBEIRA
15H30 – TODOS CONTRA UM (RN)
16H – BURN MY HEART AT SUNSET (RN)
16H30 – PUMPING ENGINES (RN)
17H – MAHATMA GANGUE (RN)
17H30 – KATAPHERO (RN)
18h – CONJUNTO MERDA (ES)
18H30 – AK-47 (RN)
19H – GARAGE FUZZ (SP)
19H40 – DESALMA (PE)
20H10 – CLAUSTROFOBIA (SP)
20H50 – FACADA (CE)
21H20 – MARKY RAMONES BLITZKRIEG (EUA)

FESTIVAL DOSOL – MÚSICA
CONTEMPORÂNEA 2010
CASA DA RIBEIRA

QUARTA, 10 DE NOVEMBRO
19h – ESSO ALENCAR (RN)
19h40 – CLARA E A NOITE (RN)
20h20 – MC PRIGUISSA (RN)

QUINTA, 11 DE NOVEMBRO
19h – JÚLIO LIMA (RN)
19h40 – PEDOBREU (RN)
20h20 – ANTÔNIO DE PÁDUA (RN)

SEXTA, 12 DE NOVEMBRO
19h – TRILOBIT (PR)
19H40 – DONA ZEFINHA (CE)
20H20 – WADO (AL)

SÁBADO, 13 DE NOVEMBRO
18h – AUTOMATICS (RN)
18h40 – PLANANT (RN)
19h20 – VIOLINS (GO)

DOMINGO, 14 DE NOVEMBRO
18h – TESLA ORQUESTRA (RN)
18h40 – FALSOS CONEJOS (ARGENTINA)
19h20 – FÓSSIL (CE)
20h – GIGANTE ANIMAL (SP)

FESTIVAL DOSOL 2010 (ETAPA PIUM)
CIRCO DA LUZ, PIUM/RN

DOMINGO, DIA 14 DE NOVEMBRO
17h – JULIO LIMA (RN)
17h40 – ORQUESTRA BOCA SECA (RN)
18h20 – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
19h – THE TORMENTOS (ARG)
19h40 – DONA ZEFINHA (CE)
20h20 – PEDOBREU (RN)
21h – CALISTOGA (RN)

SEGUNDA, DIA 15 DE NOVEMBRO
17h – TESLA ORQUESTRA (RN)
17h40 – FLUIDO NATURAL (RN)
18h20 – PLANANT (RN)
19h – FALSOS CONEJOS (ARGENTINA)
19h40 – A BANDA DE JOSEPH TOURTON (PE)
20h20 – PROJETO TRINCA (RN)
21h – VIOLINS (GO)
21h40 – VENICE UNDER WATER (RN)

Logo em seguida ao Festival Dosol, Ândersons e Ana Morena saem de cena para planejar 2011 e dão lugar a outro competente produtor, Dácio Galvão, o idealizador do saudoso ENE (Encontro Natalense de Escritores) que, após a sucessão municipal de 2008, teve que realizar um evento de igual importância a uns 100 Km da capital, na praia da Pipa.

A Flipipa começou em 2009 e acabei perdendo a primeira edição, pois estava morando fora. Mas não sei se eu iria, uma vez que as mesas estavam repletas de Danuzas Leões e Lobões, enfim, palestras com gente que eu não poderia deixar de perder.

 

No entanto, esta segunda edição, em 2010, está excelente! Marçal Aquino, João Gilberto Noll, João Ubaldo Ribeiro, Tarcísio Gurgel, Mia Couto, Rafael Coutinho e Daniel Galera vão transformar a Pipa no paraíso dos leitores potiguares (todos os 6). O festival só peca pelas mesmas razões de todos os encontros literários realizados em terras potiguares: algumas palestras ocorrem no meio da tarde e em dias úteis. Ou seja, quem trabalha fica impedido de conferir seus autores preferidos. Esse mesmo erro foi cometido no recente Encontro Potiguar de Escritores e também no Encontro Lusófono da Prefeitura de Natal. Mas a escalação de nomes está digna de uma folguinha no trabalho pra conferir de perto as mesas.

Abaixo a programação:

18/NOV (5ª feira)

18h — Tenda Literária 

Mesa 1: Novela Gráfica: A construção linguística e visual

COM: Daniel Galera (SP) e Rafael Coutinho (SP)

MEDIADOR: Alex de Souza (RN) 

19h30 — Tenda Literária

Solenidade de Abertura

20h — Tenda Literária
Mesa 2: O Brasil que existe em nós

COM: Mia Couto (Beira, Moçambique)

DEBATEDORA: Conceição Flores (Portugal/RN)

21h30 — Tenda Literária
 Mesa 3: 1822: Uma nova perspectiva da criação do Brasil
COM: Laurentino Gomes (PR)   DEBATEDOR: Raimundo Pereira Arrais (PE/RN)
 

19/NOV (6ª  feira)

17h30 – Tenda Literária

Mesa 4: O Sisudo e a Melindrosa: tradição e modernidade em Gizinha, de Polycarpo Feitosa

COM: Tarcísio Gurgel (RN)

MEDIADORA: Nivaldete Ferreira (PB/RN)

 

19h30 — Tenda Literária
Mesa 5: Do roteiro ao romance

COM: Marçal Aquino



21h — Tenda Literária

Mesa 6: Estrelas de Couro: A Estética do Cangaço

COM: Frederico Pernambucano de Mello (PE) e Sérgio Augusto Dantas (RN)

MEDIADORA: Clotilde Tavares (PB)

 20/NOV (Sábado)

17h30 — Tenda Literária

Mesa 7: Jornalismo e cultura nas redes sociais: experiências  

Com: Dirceu Simabucuru, Laurita Arruda, Yuno Silva e Carlos Cavalcante

 18h30 — Tenda Literária

Mesa 8: Luis da Câmara Cascudo: por uma fortuna crítica preservada
COM: Durval Muniz (PE),  Moacy Cirne (RN) e Vânia Gicco (RN)
Mediador: Carlos Magno Araújo

20h00 — Tenda Literária

Mesa 9 :A literatura de Noll em tempos de pós-modernidade

COM: João Gilberto Noll (RS) e Ilza Matias Sousa (RN)

MEDIADOR: Carlor Peixoto (RN)

21h30 — Tenda Literária

Mesa 10 : “Vida de escritor”
COM: João Ubaldo Ribeiro (BA) e Geraldo Carneiro (MG)

DEBATEDOR: Woden Madruga (RN)

Por fim, logo após a Flipipa, o lendário Gringo’s Bar abrirá excepcionalmente na segunda-feira, 22 de novembro, para o lançamento em Natal de “Cachalote”, o mais aclamado quadrinho lançado no Brasil em 2010. Sob o céu de Ponta Negra, esta praia habitada por putas e gringos, estaremos tomando umas cervejas com os autores Daniel Galera e Rafael Coutinho, recebendo amigos e vendendo exemplares de “Cachalote” e de livros anteriores do Galera.

Patrício Jr., Gregor Samsa e Daniel Galera.

Mas sobre isso, falarei mais ainda esta semana.

É isso aí: como já diziam os “Guns and roses” : “November’s rain (tradução: “Novembro é foda!”) 

Meu Natal em Natal por Ânderson Foca.

julho 28, 2010

Ânderson Foca

O MEU NATAL EM NATAL.

Por Anderson Foca

Ontem estive presente numa mesa redonda dentro da programação do SBPC. Por lá estavam outros produtores culturais da cidade além de uma platéia atenta para discutir os rumos da cultura independente em Natal.. No meio do debate iniciei uma reflexão sobre aquele que pode ser o maior período cultural e festivo da cidade: o Natal em Natal.

Eu digo que pode ser, porque de fato ainda estamos longe de ter um evento que faça parte dos planos turísticos das pessoas de outras cidades. Comparando com ações culturais que participei tocando ou cobrindo esse ano, caso da Virada Cultural de São Paulo, Festival de Inverno de Garanhuns ou o Carnaval de Recife e Olinda chega a ser pífia intenção da prefeitura em tornar o mês de dezembro atrativo em termos culturais.

Isso só acontece porque a prefeitura age como se fosse dona do evento, produtora das ações e responsável direta pelo resultado dela. Alô gestores, vamos acordar. Eventos grandiosos são aqueles em que a comunidade abraça como dela, que a iniciativa privada enxerga possibilidade de lucrar, que o cidadão se sinta participando e opinando. Resumindo o papo: o Natal em Natal precisa ser das pessoas e não dos governos.

O Carnatal, um dos maiores eventos populares da cidade, só é popular como é porque as pessoas não vêem seus organizadores como donos absolutos do projeto, não tenho a conta mas acredito que nem 10% da população sabe que quem promove o evento é a Destaque Produções. Cada bloco tem suas responsabilidades, cada camarote tem sua meta própria, a prefeitura e o  governo  preparam a rua e incentivam no que é necessário, os hotéis fazem divulgação adicional e a população vai brincar ao som do que a maioria gosta. Pagando ou de graça! Um exemplo de sucesso em que a população abraçou o projeto como dela (sem fazer juízo de valor ou de gosto pessoal). Lógico que o Carnatal tem suas distorções, atrapalha a vida de um monte de gente ao redor da festa e poderia evoluir também.

Dito isso, acabei me pegando fazendo uma análise como seria o meu Natal em Natal e que modelo utilizaria para realizá-lo. Segue passo-a-passo as ações:

1) Pediria aos orgãos de turismo, saúde, educação e cultura envolvimento no projeto com verba direta direcionada ao evento. Estipularia com antecedência qual o montante de dinheiro público teria para o investimento nas ações do mês inteiro. Somaria todas as esferas, municipal, estadual e federal numa coisa só, custurando politicamente a ação;

2) Com a verba estipulada pediria um estudo de todos os centro culturais, teatros, casas de show, eventos, festas populares e festas religiosas que ficam abertas em dezembro e financiaria parte da programação economizando estrutura física de som e luz. Espalharia ações em toda a cidade;

3) Contactaria a classe de produtores culturais da cidade através de edital (ou coisa parecida) para que fossem propostos palcos, ações, espetáculos de ocupação da cidade durante o  Natal em Natal. Passaria a responsabilidade de cada ação para os projetos aprovados e fiscalizaria a realização de todos eles. Deixaria também que esses projetos tivessem autonomia para captação de recursos diretos;

4) Realizaria o Auto de Natal em forma de oficina fixa de teatro, agregada ao Departamento de Artes da UFRN e do NAC;

5) Procuraria Sescs, Sebrae, Fiern, entre outras siglas para propor programação adicional, oficinas, palestras, workshops e ações do tipo;

Acredito que essa descentralizaçã o de ações, divisão de responsabilidades, ecletismo de propostas e envolvimento maior da comunidade traria para Natal uma movimentação que despertaria interesse nos turistas e nas pessoas da própria cidade e faria com que o nosso tão sonhado evento de fim de ano se tornasse realmente relevante como a cidade merece. Sem contar que  a roda da economia da cultura municipal giraria de maneira positiva e responsável.

Do jeito que está o Natal em Natal ninguém ganha. A prefeitura é criticada sempre pelo lineup ou condução das ações, a cidade não recebe o evento como deveria receber e a economia não se beneficia como poderia. Tem gente ligada a parte cultural da cidade até propondo um boicote aos festejos do fim de ano (como se a responsabilidade de propor uma mudança não fosse nossa já que o dinheiro público financia o evento). Porque não dividir as responsabilidades e os resultados?

PS: Se quiserem replicar esse texto em blogs, jornais, portais ao afins sintam-se a vontade.

Coluna da Digi # 15 – O Matanza

dezembro 23, 2009

Esta crônica sobre a banda carioca “Matanza” foi publicada no dia 10 de dezembro de 2007 na Diginet.

***

Este blogueiro com amigos num show da banda no Centro Cultural Dosol

Em 2001 eu morava no Rio de Janeiro e criei o hábito de ler todas as sextas-feiras o Rio Fanzine, suplemento sobre cultura alternativa do jornal O Globo, que trazia sempre novidades sobre música, bandas novas, quadrinhos, arte-marginal e filmes B. Foi lá que tomei conhecimento, por exemplo, de uma mostra de animação que ocorreu em Botafogo, onde adquiri em VHS os raríssimos desenhos baseados no filme “O Balconista”, nunca lançados no Brasil.

 

“Primeiro dia fora da cadeia estadual

É ela que eu encontro bem na porta a me esperar

Num conversível com motor ligado que acabara de roubar.”

 

Um dia, lendo o Rio Fanzine, me deparei com o seguinte título: “Xerife, o Matanza está na cidade!” Redator publicitário que sou, sempre atento a bons títulos, prossegui a leitura, pois se um xerife precisava ser alertado, o que dirá eu, que gostei da banda já a partir do nome. O sub-título dizia: “Banda fora-da-lei lança explosivo disco unindo country e hardcore”. O texto falava das músicas do disco, das temáticas etílicas e bem-humoradas, das letras machistas ambientadas no velho oeste americano, em meio a assaltos a bancos, tiroteios e vampiros ao melhor estilo “Um drink no inferno”.

 

“O último bar, quando fecha de manhã,

só me lembra que eu não tenho aonde ir.

Bourbon, tenho demais, mas que diferença faz

se você não está aqui pra dividir?”

 

Para um órfão da recém falecida “Raimundos” era um alento e tanto. Uma banda que misturava hardcore com outros ritmos e que tinha no humor um dos seus mais sólidos alicerces soava deliciosamente familiar. Semanas depois, soube de um show que o grupo faria no Ballroom, casa que abrigava bandas independentes cariocas e de outras plagas no início destes anos 2000. O Ballroom era um dos lugares mais legais do Rio, ainda mais pra um natalense foragido como eu, saudoso do Blackout que deixara por essas bandas. O espaço no bairro do Humaitá guardava diversas semelhanças com o atual Galpão 29.

 

“Bom de noite é ir pra rua,

mesmo quando está chovendo.

Eu que nunca me arrependo,

tá errado, eu tô fazendo.”

 

Cerveja na mão, olhos no palco, abrem-se as cortinas. Surge um enorme viking ou, como dizem os humoristas do Rock&Gol, um gigante lenhador ruivo, bradando para o público: “A pior coisa que uma mulher pode roubar de um homem não é o seu dinheiro, não é a sua comida: é o seu caminhão!” Uma guitarra toca a melodiosa e agitada “Ela roubou meu caminhão”, as rodas de pogo tomam conta do lugar, a cerveja gelada sobe à cabeça e, de súbito, fui arrebatado pelo Matanza.

 

“Rápido, garçom, me traga o seu melhor uísque.

Esse seu amigo aqui só tem mais meia hora.

Até que o diabo descubra que eu morri

E venha me levar embora.”

 

Depois daquele primeiro CD (“Santa Madre Cassino”), vieram outros dois de músicas próprias (“Músicas para beber e brigar” e “A arte do insulto”) e um duplo que homenageia um dos ídolos da banda (“To hell with Johnny Cash!”). O hardcore tornou-se mais presente nas melodias e as letras cada vez mais incisivas, violentas e irreverentes. Arrisco dizer, com ironia, por favor, que as letras do Matanza são as mais belas poesias que se produz na música brasileira atualmente e a banda sabe como ninguém passar sinceridade na hora de falar em sentimentos sem cair no choro como é a moda entre os roqueiros desses novos tempos. E esse é mais um motivo para gostarmos do grupo: talvez o Matanza seja o último reduto macho do Rock brasileiro nesse novo milênio.

 

“Não me lembro de nada.

Não me conte o que eu fiz.

Acordei de ressaca,

Muito mais feliz.”

 

E cada vez que a banda vem a Natal ela ganha mais pontos no meu ranking de predileção. Os dois shows realizados nos Festivais Dosol de 2005 e 2007 foram antológicos, marcantes e históricos. Apresentações que valem por uma porrada, com direito a roda de pogo gigante, um viking no microfone e muitas camisetas pretas na platéia. Nessas ocasiões, gosto de repetir com um indisfarçável sorriso a manchete do Rio Fanzine lá no início do século: “Xerife, o Matanza está na cidade!”

 

Carlos Fialho é escritor e fã do Matanza.

Este texto foi escrito com a máxima parcialidade possível.

Construindo o rock

novembro 16, 2009

Investimento no dia-a-dia resulta numa cena que não tem saída senão crescer. Pode até demorar, mas um dia ela aparece, grande, diversificada e forte. Natal que o diga.

Por Marcos Bragatto
Fonte: Rock em Geral
 
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Centro Cultural Dosol durante o festival deste ano. Foto de Nícolas Gomes.

Meus amigos, o que é o fuso horário. Já andei tanto por aí, mas nunca pensei que fosse encontrar horários diferentes em vôos domésticos, aqui mesmo, dentro deste Brasil varonil. Pois eis que, para chegar até Natal, gastei duas horas. E, para voltar, levei quatro. Não é lindo isso? Agora entendo quando os apresentadores de TV anunciam atrações e dizem, depois da hora, a expressão “no horário de Brasília”. Sim, há mais de um fuso horário no Brasil, sobretudo no horário brasileiro de verão, e eu, aqui, atolado no rock, não tinha atinado pra isso.

Foi pelo rock, aliás, que cheguei a essa conclusão, indo e vindo de um lado a outro para cobrir o Festival Dosol, lá mesmo, na capital do Rio Grande do Norte. Já estive outras vezes na cidade, mas jamais em datas em que esse tipo de coisa acontecesse. Coincidência ou não, fazia cerca de quatro anos que eu não fazia o percurso, e outros quatro da primeira vez em que estive lá, para cobrir o então emergente Mada – Música Alimento da Alma. Arredondando, oito anos em que pude ver Natal mais de perto. Natal uma ova. O rock de Natal, ora bolas.

Pois eu digo que muita coisa mudou. O que vi lá dessa vez foi um festival criado a partir de uma cena própria, o rock evoluindo em torno de si mesmo, como numa fábula vivida a cada dia há mais de 50 anos. Explico. Na primeira vez em que estive em Natal, vi algo feito a partir do esforço de produtores locais, mas com uma excepcional carência de bons artistas. Me recordo que, em uma das noites, encontrei com Paulo André, o produtor do Abril Pro Rock (festival independente mais antigo do Brasil) que sempre circula em tudo o que é evento para ver como as coisas acontecem – não por acaso é um dos fundadores da Abrafin (Associação Brasileiras de Festivais Independentes). Comentava com ele como eram ruins as bandas de Natal, no que obtive a resposta: – No começo é assim mesmo, tem que tirar leite de pedra.

Captei a mensagem já naquela noite, mas agora compreendo muito melhor. Vejam que só este ano, no Dosol, se apresentaram um total de 31 artistas, sendo 15 da própria cidade, ou seja, Natal compareceu com metade das bandas escaladas. E o leitor, afoito, conclui: – Que azar! No que eu retruco: – Na-na-ni-na-não! Isso porque os tempos de se tirar leite de pedra ficaram para trás e hoje Natal pode se orgulhar de ter uma cena rock tão forte quanto outras cidades mais próximas do sul maravilha, a ponto de se sustentar por si própria. Não é o caso, aqui, de sair separando subgêneros e derivativos, mas podemos citar, de leve, o punk do Dr. Carnage; o hardcore bacana do I.T.E.P.; o rock psicodélico do Bugs, já conhecido de outros carnavais, mas sempre em movimento; a mistura de grunge com metal (pra ser bem sucinto) do barulhento Rejects; o bubblegum do Fliperama; o inventivo Distro; e (ufa!) o descendente da origem do emo Calistoga. Mas atenção: isso aqui não é uma resenha. A cobertura foi feita pelo Homem Baile e está aqui (primeiro dia) e aqui (segundo dia).

Falando assim até parece que é fácil. Se perguntarmos para Anderson Foca, Ana Morena e o batalhão de figuraças que faz isso tudo acontecer, não só em dois dias, mas o ano todo, eles seguramente vão dizer que tiram leite de pedra, sim senhor, e todos os dias. Dão um duro danado, mas, no fim, ficam felizes e têm orgulho do que fazem. Por isso podemos concluir que o Centro Cultural Dosol, um dos palcos onde funciona o festival, é uma espécie de versão reduzida do próprio evento, que leva bandas para Natal todo final de semana e – claro – revela novos grupos. Aí aparece gente boa, gente ruim, gente que cresce, gente que desiste, e assim se forma aquilo que – na falta de um nome melhor – chamamos de “cena”. O Centro Cultural DoSol seria o Garage, se fosse no Rio. Ou o Hangar 110, se fosse em São Paulo.

Falei de 2001 e pulei pra 2009, mas vou voltar para explicar que, uma coisa é o Mada, e, outra, é o Dosol. O Mada bem que começou, naquela época, a tentar fazer um agito na cena local, mas aos poucos a idéia foi se esvaziando, e, embora eu não vá ao festival desde 2004, posso dizer que ele se distanciou dessas origens – até pelo formato “grandioso” – e hoje está mais próximo daqueles eventos de pop rock que reúnem bandas grandes, bombadas na mídia, quase sempre os mesmos nomes a cada ano. E o DoSol, que começou querendo ser maior do que era, parece ter encontrado um formato que lhe calça bem os pés. Em vez de ocupar o Largo da Ribeira inteirinho, onde o Mada teve sua gênese, melhor usar a frente do Centro Cultural e do Armazém Hall, que ajunta o público e ainda lhe fornece área de circulação e ar puro, em meio a tanto rock. Digo tanto rock porque, com dois palcos, o rock não pára. É de três e meia da tarde, no real time personal horário de inverno, com o sol rachando na moleira, que tudo começa, e depois invade a noite e até a madrugada, no caso do sabadão.

Sim, meus amigos, o tempo é o senhor da razão, com fuso ou sem fuso. E a lição que fica é que, se queres fazer um festival, queres ter bandas pra exportar, é preciso fazer acontecer não de forma bissexta, mas dia após dia, todos os dias. De repente, quando se menos espera, tá tudo ali. Porque, não me canso de dizer, o rock está aí, de bobeira, se oferecendo a meio mundo. É só pegar, trabalhar pra dedéu que ele germina, cresce, se prolifera e dá frutos, muito frutos. De Londres a Nova York, do Oiapoque ao Chuí, do Rio a Natal. Confuso ou sem fuso.

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

Shows para Recordar

novembro 6, 2009

Inspirado pela recente crônica sobre o show do Green Day e em homenagem ao Festival Dosol que acontece neste fim de semana, resolvi fazer um esforço para relembrar os 10 concertos mais marcantes que eu assisti e o contexto em que eles se passaram. Utilizei critérios meramente pessoais, deixando a boa execução, precisão musical e qualidade técnica para os críticos realmente aptos a avaliar tais requesitos. Eu fico só com o velho e bom “gostei por causa disso.”

 

Legião Urbana (1992)

Por mais que muita gente hoje em dia torça o nariz, falar do rock brasileiro sem reconhecer a importância da Legião Urbana na formação de um público roqueiro e na aproximação de uma massa diversa ao universo dos acordes frenéticos das guitarras seria uma tentativa inegável de tapar o sol com uma peneira.

Num Brasil turbulento politicamente (era o governo Collor), Renato Russo e sua trupe vieram tocar em Natal no dia 7 de setembro. Paguei 25 dinheiros para ver o concerto no Espaço de Natal (sim, isso mesmo, o papódromo). A censura na época era de 14 anos e, como eu só tinha 13, tive que ir munido de autorização dos pais e acompanhado de amigos maiores de idade. Ambiente lotado e um show instigado com versões deliciosamente intermináveis. O concerto foi marcante também para o grupo, pois interrompeu a turnê do álbum “V”.

No livro “Renato Russo – o trovador solitário” (editora Ediouro), o jornalista Arthur Dapieve revela que após a apresentação, o vocalista ficou várias horas bebendo no bar do hotel, havendo ido dormir bem tarde. Quando acordou, soube que o resto da banda e toda a equipe saíra para dar um passeio de buggy pelo litoral potiguar e explodiu de raiva, quebrando todo o quarto de hotel. Segundo, Dapieve, Renato costumava confundir horas de lazer com falta de responsabilidade, uma vez que era, ele próprio, um incorrigível e perfeccionista viciado em trabalho (e em outras coisas também).

Esse show entra na lista por dois motivos. Faz parte da história do Rock nacional e a LB foi a primeira banda que gostei, abrindo caminho para muitos outros grupos roqueiros que sigo descobrindo e curtindo até hoje.

 

Titãs e Rita Lee (1998)

Em tempos de acústico MTV do Titãs, resgatando a carreira da banda e reapresentando-a ao grande público, um cenário favorável estava criado. Toda uma multidão deixou temporariamente as praias de veraneio e acorreu ao estacionamento do Imirá para cantar todo o CD faixa a faixa, junto com a banda. Como cereja no bolo, Rita Lee, que também havia gravado acústico MTV naquele ano, com participação dos Titãs, faria o show de encerramento da noite. A coincidência era que, no CD dos Titãs, a participação especial era também de Rita Lee e o bis oi bastante animado, com as duas bandas voltando ao palco e cantando as músicas.

Porém, apesar de que goste de Titãs e também de Rita Lee, esse show só entrou na lista porque naquele dia havia saído o resultado do vestibular e eu havia passado em jornalismo na UFRN. Iniciaria uma belíssima carreira cheia de oportunidades, dinheiro, estabilidade e fama… 1… 2… 3… NOOOOT!

Mas, enfim, estava careca, bêbado e feliz!

 

Jason (1998)

Já estudante de jornalismo, acumulava também publicidade na UnP, e trabalhava na AZ Revista, publicação independente (um fanzine, na verdade) que contava com os editores Caio Vitoriano (editoria de arte) e Paulo Celestino (chefe de redação), além dos colaboradores George Rodrigo, Cristiano Medeiros e eu.

Em um dia qualquer do segundo semestre de 98, iríamos distribuir o número 8 da AZ numa festa estranha com gente esquisita no Casarão da Ribeira. Naquela noite tocariam Ravengar, Memória Rom e aquela que se tornaria uma das minhas bandas preferidas para todo o sempre: Jason. Banda carioca de hardcore que sabia dosa humor, irreverência e agressividade. Gosto desse show por isso, por estar rodeado de amigos, pela distribuição da AZ e por me remeter a uma Ribeira de fins dos anos 90 que representava um bolsão de resistência a tudo que nos rodeava nessa cidade de sol e poucas alternativas. Diante da presente situação, a Ribeira não só era uma alternativa, como era símbolo de tudo que era alternativo. A música interpretada pelo Ravengar, “Ribeira velha de guerra”, é meio que um símbolo dessa época.

A AZ Revista durou 11 números de 1997 a 1999.

 

Raimundos (1999)

Em 1999 o Raimundos era minha banda favorita. Eu já era fã desde o abençoado ano de 1994, em que descobri também Nação Zumbi, Offspring, Green Day… O show foi no Centro de Convenções, lugar terrível, mas apesar disso, foi memorável. Eles também haviam gravado um “Ao vivo MTV”, CD duplo com 40 músicas incríveias. Uma retrospectiva da carreira que as gravadoras (lembra delas?) costumavam lançar para ganhar mais dinheiro naqueles tempos. O grupo não decepcionou.

O show foi uma lapada. Eu tinha cursado (e sobrevivido) os dois primeiros anos de faculdade. Também vivia aquela fase entre os 19 e 20 anos em que somos acometidos pelo “vírus da boa vida”, resumindo a vida em beber, viajar, se divertir, curtir com os amigos, tentar comer ou namorar alguma gata, e, claro, estudar um pouco (mas só um pouco, por favor. Lembrem-se que eu cursava jornalismo.) em meio disso tudo. Por essa razão, muitas músicas dos Raimundos, que abordavam de maneira divertida temas tipicamente adolescentes como sexo, drogas, bebedeiras e atitudes irresponsáveis, me tocavam fundo o coração.

 

Jason 2007 Panço e Barba 3_reduzida

Panço (Jason) e Barba (Los Hermanos): encontro de dois dos membros desta lista no Festival Dosol 2007.

Los Hermanos (2004)

Em 2001, eu havia morado no Rio, cursando uma pós em redação publicitária. Através de amigos cariocas, acabei conhecendo algumas bandas que faziam sucesso por lá. Uma delas era o Matanza, sobre a qual, falo daqui a pouco. A outra era o Los Hermanos que eu só conhecia por causa da superhipermegaexecutada nas rádios Anna Júlia de anos antes. Naquela ocasião pude ouvir o restante do primeiro CD e também o recém lançado “Bloco do Eu Sozinho”. Gostei. 

Em 31 de janeiro de 2004, chovia muito em Natal e o show seria no Blackout. Eles haviam lançado o terceiro CD, “Ventura” e eu achava que não dari tanta gente no show, já que eles não eram tão populare spor aqui. Felizmente para mim e para esta lista, eu estava enganado.

O show ocorreu no meu primeiro dia de férias da agência de propaganda em que eu trabalhava na época e 5 dias antes do lançamento de meu primeiro livro, “Verão Veraneio”. Por isso, para simbolizar a ocasião, gosto de lembrar do trecho da música “Além do que se vê: “moça, olha só o que eu te escrevi…”. Na verdade, não tinha moça nenhuma, mas o verbo escrever se encaixa com a ocasião e acho que aquele show (ou talvez tenha sido o Blackout, hoje Galpão 29) emanou boas vibrações e acabou me dando sorte.

 

Show do Offspring 6

No show do Offspring em 2004

Offspring (2004)

No segundo semestre de 2004 eu já era em grande parte o adulto que almejava ser. Tinha um bom emprego, bons amigos, vida estável, uma carreira em construção e ainda uma atividade paralela estimulante de escritor e aprendiz de editor literário. Foi então que, próximo do fim do ano, surgiu um episódio que testaria a firmeza deste adulto e o nível de seu compromisso com os assuntos profissionais.

Em um dado fim de semana eu tinha um importante dever a cumprir no interior do RN. Deveria acompanhar a gravação de um comercial importante para o principal cliente da agência. Porém, o diabinho que habita meu ombro esquerdo ou o adolescente mal resolvido em meu  subconsciente resolveu encher minha cabeça de dúvidas. Naquele mesmo fim de semana o Offspring tocaria em Recife, pertinho de Natal. Eu tinha amigos na capital pernambucana que poderiam me hospedar e a banda havia sido determinante na minha formação musical nos anos 90, me ajudando a decidir que era esse o tipo de som que eu iria curtir dali em diante. Estava, portanto, diante de um dilema: ser responsável e acompanhar a gravação do comercial ou largar tudo e partir pra Recife, aproveitando a oportunidade única (ou pelo menos raríssima) de ver o grupo californiano ao vivo bem perto do RN?

Bem, conforme vocês já deve ter adivinhado, o adolescente foi mais forte e a escoha não poderia ter sido mais feliz. Peguei a estrada com meu amigo de infância, Marcelo de Cristo e vimos um concerto incrível. Digo sem medo de errar: valeria a pena ser demitido por aquele show. Porém, não foi necessário porque o comercial foi muito bem gravado pelo diretor Waltinho. Em homenagem a toda minha atitude inconsequente e imatura (da qual, repito enfaticamente, não me arrependo!) gosto de pensar no refrão da música de mesmo nome: “So live like there is no tomorrow” (“Então viva como se não houvesse amanhã”).

 

Planet Hemp (2005)

Adoro fazer amigos, novos amigos, além de cativar ou reencontrar os velhos. Aliás, reconstruir uma amizade ou retomar contato com um velho amigo apartado, seja por caminhos profissionais distintos ou pelo fato de ele ter ido viver longe por um período, tem o valor de conquistar um novo parceiro, como um filho pródigo bíblico. Contudo, em se tratando de novos amigos, eles nem sempre são uma boa. Alguns podem ser falsos e interesseiros. Em 2005 eu estava envolvido com alguns dessa estirpe.

No último show do Planet Hemp, que teve Natal como palco, o grupo demonstrou um entrosamento impecável de dois caras que outrora haviam sido amigos, mas não se suportavam mais. Foi excelente, capaz de lavar a alma e de vários fãs da banda. Uma catarse, com gosto de despedida que deixou uma sensação dúbia de felicidade e saudade. Alguns amigos (verdadeiros e duradouros) pularam comigo: Clodoaldo Damasceno, Arnaldo Araújo, Marcão Pinta e novamente Marcelo de Cristo. Este concerto é bastante emblemático dessa época, em que conheci gente que julgava serem amigos e depois se revelaram egoístas, mesquinhos e capazes de qualquer coisa para prosperarem na vida profissional. Hoje, não vejo mais essas pessoas que sumiram como fumaça no ar.

 

Ana, Rômulo e Fialho

Com Ana Morena e Rômulo Tavares no Festival Dosol 2006

Matanza (2005)

Meses depois, era a vez de uma outra banda carioca promover mais uma celebração. O Festival Dosol 2005, o primeiro com esse formato atual, houve um concerto para relembrar sempre. O ambiente, o público, os músicos, tudo conspirava a favor para que se realizasse o show perfeito. Sobre aquela noite, o Recife Rock escreveu: “O MATANZA FEZ APENAS E TÃO SOMENTE HISTÓRIA EM NATAL. O show deles foi irretocável, incontestável e perfeito. Divertido, matador e engraçado”. Teve pegada, energia, molecada animada, ferveram a rua Chile, supriram uma orfandade de rock bem humorado (Ultraje nunca vem ao Nordeste e os Raimundos haviam acabado). É claro que teve gente que até hoje não entendeu a piada.

Aquele ano de 2005 marcou um pouco de amadurecimento. Além de amigos incertos também andei me envolvendo com mulheres equivocadas. O Matanza se foi e deixou saudades aplacadas sempre que retornam (em 2007, por exemplo, no mesmo Festival Dosol, repetiram a dose de um show marcante que lembrou muito o de dois anos antes). O ano de 2005, por sua vez, a mim não fez falta nenhuma. Nada como um ano após o outro.

 

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Com Glauco Gobato e o jornalista cearense George Frizo no Abril Pro Rock 2007

Tequila Baby (2007)

Uma história de viagem. Cheguei no Gringo’s Bar numa noite de sexta-feira e os amigos Gringo, Glauco e Fábio propuseram: “vamos pra Recife ver o show do Sepultura? Falta um no carro”. “Por que não?”, respondi. Fomos. Acesso aos bastidores (o Gringo é amigos dos caras), cerva de graça, bate-papo sobre futebol com o baixista, foto com Marky Ramone.

Para mim, aquela viagem valeu pela aventura, o inesperado, imprevisível e também pela chance de ver o que restava do Ramones ao vivo. Não é pouca merda não. Eu não era (e não sou até hoje) fã do Sepultura. Por isso, enquanto meus amigos oram curtir um show, eu aproveitei o outro. A liberdade daquela viagem remete à liberdade que vivo desde aquela época. Sem amarras, a vida fica bem melhor.

 

Eddie (2008)

Esse show do Eddie do dia 26 de dezembro último teve o clima de uma reunião de amigos. O ambiente favorecia. O Galpão 29 favoreceu. Particularmente é um lugar onde me sinto bem, tem uma energia boa, traz muitas lembranças bacanas. Tinha umas 200 pessoas no ambiente. Muitos amigos chegados estavam lá. O ambiente era de paz, de boa conversa, de confraternização. As ótimas músicas do Eddie serviram como trilha sonora perfeita para uma noite que emanava, quem sabe, um pouco do espírito de fim de ano que costuma nos tornar pessoas mais humanas e gentis nestes tempos natalinos. Esse concerto é o ideal para fechar a lista dos Top 10. Boas vibrações, amigos reunidos, como numa festa para velhos conhecidos. Nada melhor.

E agora, acabou? Que nada! Começo a contar de novo. O primeiro do próximo Top 10 é o do Green Day que vi mês passado. Mas sobre ele não vou escrever mais nada agora. Até porque sobre ele já disse tudo o que podia na coluna da Diginet.

10 noites, 10 shows, 10 lembranças. Bom Festival Dosol pra todo mundo. É O ROCK!

Rejects – Nova banda – Muito boa!

agosto 17, 2009

Jovens, hoje vou divulgar a nova banda do amigo Foca. Trata-se do Rejects, sua nova empreitada musical. E vocês podem baixar o som dos caras de grátis. Basta acessar o link aqui do lado: http://www.dosol.com.br/cds-virtuais/rejects-rn-green/

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E também tem uns vídeos no Youtube pra ver, ouvir e curtir. Como o próprio video-release dos rapazes, esse aqui, ó: