Posts Tagged ‘Pablo Capistrano’

Ação Potiguar de Incentivo à Leitura – Programação

outubro 6, 2011

Amigas e amigos, é com muita satisfação que anunciamos a todos vocês a realização de um antigo desejo dos Jovens Escribas. Neste mês de outubro, com a ajuda de alguns parceiros e patrocinadores, realizaremos a AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA, evento que levará escritores a escolas, encontrar com estudantes universitários e o público em geral.

 

# ABERTURA OFICIAL – QUARTA-FEIRA – 19.10.2011 – 19h – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – ABERTO AO PÚBLICO 

No dia 19 de outubro, uma quarta-feira, os escritores Nei Leandro de Castro (RN) e Mario Prata (SC) estarão no Auditório Robinson Faria da Assembleia Legislativa falando sobre o prazer da leitura, seus livros, suas carreiras e fazendo o que sabem melhor: contando boas histórias. O evento é GRATUITO e ABERTO AO PÚBLICO.

 

# QUINTA-FEIRA – 20.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO

Na quinta-feira, 20 de outubro, duas animadas mesas de bate-papo falam de narrativas contemporâneas brasileiras. Pablo Capistrano (RN), Patrício Jr.(RN) e Sérgio Fantini (MG), depois Joca Reinners Terron (MT) e Rafael Coutinho (SP) recebem leitores, conversam com o público, assinam seus livros em debates sobre leitura e literatura.

 

# SEXTA-FEIRA – 21.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO

Na sexta-feira, 21 de outubro, às 18h30, Clotilde Tavares, Cláudia Magalhães e Ana Célia Cavalcanti conversam sobre seus livros lançados em 2011. Em seguida, será lançado o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães.

 

# ENCONTROS COM ESTUDANTES

De segunda à sexta (17 a 21 de outubro), nos períodos da tarde e da manhã, os autores visitarão as escolas estaduais Anísio Texeira e Castro Alves, a Escola Municipal 4º Centenário e o colégio CEI Romualdo Galvão. Também haverá palestras com Nei Leandro no curso de Letras da UnP e de Pablo Capistrano para funcionários da ALE Combustíveis.

# LANÇAMENTOS

Durante o evento, serão lançadas duas publicações de nossa editora. Na quinta-feira à tarde, Nei Leandro de Castro e Mario Prata estarão na Siciliano do Midway, assinando seus livros para leitores. Na sexta-feira, 21, o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães será lançado na mesma Siciliano do Midway Mall a partir das 18h30. Já no sábado, 22, às 16h, Leonardo Panço (RJ) conta a história do movimento underground carioca dos anos 1990 com o seu “Esporro”.

 

# OFICINA COM O ESCRITOR SÉRGIO FANTINI (MG)

De quarta a sexta-feira, (19 a 21 de outubro) será realizada uma oficina de leitura com o autor mineiro Sérgio Fantini. Com 40 vagas para estudantes universitários. A atividade também é GRATUITA e será realizada na UnP da Floriano Peixoto sempre das 15 às 17h. Os alunos receberão certificados e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail jovensescribas@gmail.com . Basta enviarem o nome completo, celular para contato, e-mail pessoal, instituição onde estuda, curso e período.

 

# FESTA DE ENCERRAMENTO

No dia 22 de outubro, sábado, a partir das 16h, no Centro Cultural Dosol, Ribeira, será realizada a festa de encerramento da AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA com o lançamento de Leonardo Panço e muita música.

 

# LIVRO PARA VOAR

Na noite de abertura na Assembleia Legislativa, bem como nos encontros com estudantes e na festa de encerramento no Dosol, a ALE levará suas estantes do projeto Livro para Voar, transformando estes locais em pontos de libertação e recolhimento de livros. Para saber mais sobre o projeto, acesse www.livroparavoar.com.br

 

# REDES SOCIAIS

As redes sociais serão uma grande plataforma de divulgação do evento, bem como de distribuição de brindes e promoções especiais. Sigam o perfil @jovens_escribas no Twitter e curtam a fanpage /jovensescribas no Facebook. Também sigam os perfis de nossos patrocinadores. A Cabo Telecom, ALE Combustíveis, CEI Romualdo Galvão e Assembleia Legislativa estarão cheias de novidades bacanas relacionadas ao evento.

 

# PÚBLICO

Nos 6 dias de evento, a AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA deverá atingir um público de mais de 3.000 pessoas, na sua grande maioria estudantes, mas também qualquer pessoa interessada em leitura e em ter um contato mais próximo com alguns dos melhores autores atuais.

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Ação Potiguar de Incentivo à Leitura – uma inciativa dos Jovens Escribas

setembro 22, 2011

Lançamento “É preciso ter sorte quando se está em guerra.” – Imagens

setembro 16, 2011

Ontem, 15 de setembro de 2011, foi lançado o mais novo livro do autor Pablo Capistrano, o 15º lançado pelos Jovens Escribas. A obra, chamada “É preciso ter sorte quando se está em guerra.” atraiu muitos amigos e leitores de Pablo à livraria Siciliano do Natal Shopping. Logo abaixo, vocês poderão ver alguns momentos do evento.

Pablo Capistrano e o vereador George Câmara

Professor Daladier da Cunha Lima - Reitor da FARN

Pessoal do Natocatem.com.br entrevistam Pablo.

O diretor de cena Anselmo Duarte Jr.

Tirzah Petta e Thiago Lajus. Ele, vestindo Jovens Escribas "Caça-palavras"

Família Capistrano: Antônio, Pablo, Dr. Franklin e Vladimir

Diógenes da Cunha Lima - Presidente da Academia Norte-riograndense de letras

Carol Carvalho veste Jovens Escribas "Caça-palavras"

 

Adriano de Sousa da Editora "Flor do sal"

Henrique Fontes, Pablo, Simona Talma, Quitéria Kelly e Charlote. Henrique veste Jovens Escribas "Sopa de letrinhas".

Carol Carvalho, Nina Barbalho, eu e Luciana Lima. Todos vestindo Jovens Escribas.

Carito Cavalcanti

Yuno Silva

Andrei Gurgel e Danilo Medeiros. Na foto, modelos de camisas Jovens Escribas "Teclas" e "Sopa de letrinhas".

Quitéria Kelly, Simona Talma, Patrício Jr., Márcio Benjamin e Hélber Volpini

 

Fernando Liberato e eu

Deputado Fernando Mineiro recebe seu exemplar autografado...

... e posa para fotografia com o autor.

 

Pablo, Ana Cláudia e a caçula, após a cansativa noite de autógrafos. Semblantes cansados, mas sensação de dever cumprido.

“É preciso ter sorte quando se está em guerra” – Lançamento Hoje

setembro 15, 2011

Jovens Escribas – Eu visto essa camisa!

setembro 12, 2011

Nos últimos meses, os Jovens Escribas promoveram uma ação para arrecadar recursos para custear o novo livro de Pablo Capistrano, “É preciso ter sorte quando se está em guerra”. Abaixo, segue uma breve galeria de fotos com algumas das pessoas que nos ajudaram com esta iniciativa.

Thiago Lajus, Carlos Fialho, Vicente Vitoriano e Dimetrius Ferreira

Patrício Jr.

Caio Vitoriano

Joca Reinners Terron

Sérgio Fantini

Nina

Ana Morena

Fernando Liberato

Henrique Fontes

Ramon, Fábio e Beto.

Leandro Menezes

Sávio

Pablo Capistrano

Muito obrigado a todos que nos ajudaram e quem quiser adquirir a sua camisa, ainda restam camisas amarelas masculinas e femininas (babylook) e também verdes e pretas em tamanhos P e M femininas (babylook). Custam R$ 35 cada, duas por R$ 60 ou três por R$ 75.

 

Apontamentos Desconexos # 6 e Fotinhas bacaninhas

julho 5, 2011

Mês passado, o Comitê Analytics, braço digital do Comitê comandado por @thiagolajus , participou da XV Convenção da FCDL. De quebra, ainda me escalaram para mediar uma das melhores mesas do evento com o Fred Alecrim (Ponto de Referência), Fábio Seixas (Camiseteria) e Júlio Vasconcelos (Peixe Urbano). Acabo de postar umas fotinhas logo abaixo. Cousa fina.

Olha eu aí, apresentando os palestrantes. Só fera!

 

Fábio Seixas e Fred Alecrim se preparam para falar.

Com Marcelo Rosado e grande elenco. Turma boa.

Com a diretora executiva do evento, Diana Petta, única personalidade para quem pedi que tirasse uma foto comigo.

Thiago Lajus, diretor do Comitê Analytics.

Mas vale salientar que este evento ocorreu há mais de 20 dias, antes de eu ter saído de férias. Fui à Grécia e a Madrid. Depois, postarei fotos aqui. Andei comprando uns livros e quadrinhos legais dos quais falarei também em momento oportuno. Um deles é a biografia dos escritores Beats (Kerouac, Ginsberg e Bourghous) feita pelo Harvey Pekar. Também comprei um livro-catálogo do Banksy, a série The Walking dead (a HQ) e, para presentear, “Zombie Evolution – O livro dos mortos-vivos no cinema”, uma espécie de enciclopédia do gênero. O livro do Banksy foi de presente pro Caio Vitoriano, o dos Beats será emprestado ao Pablo Capistrano e o dos zumbis darei para o professor Gustavo Bitencourt.

Aliás, já que estou postando aqui algumas fotinhas, encontrei, por acaso na net, umas imagens de eventos de anos passados em que estive ao lado deste jovem, compondo mesas literárias. Foram na Feira do Livro de Mossoró de 2005 e no Encontro Potiguar de Escritores de 2007. Publico também para registrar aqui.

Eu, o professor da UERN Tobias e Pablo na Feira do Livro de Mossoró.

Pablo, Sheyla Azevedo e eu no Encontro Potiguar de Escritores.

Coluna do Novo Jornal – 005 – Simples e profundo – 28.09.2010

junho 24, 2011

Minha quinta publicacao no Novo Jornal foi a respeito de um livro que havia lindo e me encantado por ele. Era tambem uma homenagem a Pablo Capistrano, o escritor potiguar que tem tido enorme exito em levar a filosofia ao alcance das pessoas. Republico aqui esta coluna que muito me apraz.

Divirtam-se!

***

SIMPLES E PROFUNDO

 

A chamada alta cultura, arte erudita e quetais sofrem nos dias de hoje uma concorrência desleal de manifestações populares de fácil assimilação. Vivemos a era das muitas imagens, pouco vocabulário e uma pressa angustiada e irracional por conhecer novidades, muitas vezes é preciso dar uma nova roupagem ao que causa resistência à maioria. Se a cultura perde para os modismos, se ela padece com a preferência pela forma em detrimento do conteúdo, que demos à cultura uma embalagem mais agradável, pois.

Foi exatamente isso que ocorreu, por exemplo, com o maracatu, o coco, a ciranda e outras manifestações nordestinas que vieram à tona com o trabalho de “Chico Sciensce & Nação Zumbi” e outras bandas de sua geração, conseguindo em pouco tempo o que muitos intelectuais e acadêmicos já tentavam havia décadas, sem êxito: chamar a atenção de um público amplo para a cultura popular, as tradições regionais e a riqueza desconhecida do nosso interior. As músicas da Nação e seus contemporâneos mostraram aos jovens de todo o Brasil que havia muita coisa boa em nossas raízes culturais. A reboque da mistura de ritmos promovida por eles, os rapazes e moças de Pernambuco e imediações, foram ao encontro dos artistas que deram origem à série, promovendo o maracatu, os caboclinhos, os bois de Nazaré da Mata e muito mais. Quando os Armoriais se deram conta, o Abril Pro-Rock já estava dançando a ciranda, independente de seus despeitados protestos.

Iniciei o texto, evocando Chico porque consigo enxergar certa semelhança entre o que ele fez nos anos 1990 e o que tem feito o potiguar Pablo Capistrano no final destes anos 00 (lembro que a década de 10 só começa em 2011). Em seu livro “Simples Filosofia” (Editora Rocco, 2009), Pablo, que é filósofo, professor e escritor, reúne 47 crônicas que contam a história da Filosofia, contextualizando historicamente e nos apresentando os grandes vultos do pensamento ocidental.

Seu maior mérito é partir de temas tidos como complexos pelo senso comum e discorrer a respeito com a mesma naturalidade que falaria sobre o último filme do Tarantino, o movimento punk inglês ou a situação cataclísmica do América no campeonato brasileiro. Dessa forma, como já explicita o título, ele simplifica a filosofia, mas sem torná-la superficial. O próprio Pablo já afirmou em entrevistas na época do lançamento que é possível ser simples sem ser raso e que nem sempre o que é complexo é profundo.  

Na primeira crônica do livro, “Desconhecida Íntima”, ele fala o porquê, quando e onde resolveu escrever “na superfície da linguagem, sobre um tema profundo”. Em seguida, enfileira uma sequência de personagens de quem já ouvimos falar, mas nem sempre (ou quase nunca) sabemos direito o que fez ou representou. Em “Mamãe Literatura”, nos apresenta a Friedrich Nietzsche, o homem que trouxe subjetividade ao pensamento filosófico, levando-o para mais próximo da literatura que de uma ciência exata.

E a “dialética”? Quantas vezes não escutamos alguém falar da danada da dialética. Após nos explicar como o termo surgiu a partir dos fragmentos que restaram da obra de Heráclito, ele nos conta que a dialética nos ensina que nada permanece o mesmo todo o tempo. Que as coisas mudam, tudo é transitório e tudo carrega em si o seu contrário.”

De acordo com o tema, são citados exemplos elucidativos, capazes de nos levar a aprender por associação. Isso revela uma faceta muito evidente da persona do autor: o professor. Em nenhum momento quando escrevia o livro ele saiu da sala de aula, nos adotando como seus alunos, na esperança de que, após aquela experiência lítero-filosófica, aprendamos um pouco que seja. Sua reputação de professor depende disso, depende de nós, seus leitores, seus alunos.

Um dos textos mais divertidos para mim é o “Filosófos e juízes”. Aliás, é bom que se diga, uma das características mais marcantes do livro é o humor, que lhe confere a leveza necessária na difícil missão de fazer deste assunto, ora complexo, algo agradável. Nesta crônica, aprendemos que filósofo significa “amante da sabedoria”. Mas quem seria o marido?, pergunta o jovem Capistrano. Segundo ele, são os juristas, que casam com o saber de “papel passado” e tem “direito a separação parcial de bens e solidariedade em caso de divórcio.”

Outro ótimo exemplo é “O rei filósofo” em que nos é mostrado que nem sempre o mais preparado intelectualmente é o melhor governante, provocando muitas vezes em nós, decepções com a política. Como o exemplo que Pablo nos relata de como Platão se decepcionou com o príncipe de Siracusa, seu pupilo, porque o garoto começou a matar as aulas de metafísica para assistir às corridas de cavalos, tomar vinho e curtir belas mulheres, numa versão clássica do trinômio agroboy: cachaça, vaquejada e mulher.” Mais ilustrativo, impossível.

Além do tom professoral (no melhor dos sentidos), também é palpável em “Simples Filosofia” que a veia literária do autor o faz conceber premissas e questionamentos diversos que servem como fio condutor de suas crônicas. Em certo momento, ele questiona: “O que é uma vaca?” E a partir daí concluir que “A verdade não está no que a gente vê, mas sim naquilo que a nossa mente pode compreender.” Mais à frente, ele quer saber “O homem é bom?” E utiliza a pergunta para falar do pensamento aristotélico e a teoria de que a nossa humanidade reside em “saber a medida certa das coisas”.

O rosário é extenso. Cada texto de SF discorre sobre assuntos cotidianos, utilizando a filosofia como pano de fundo. Virada a página derradeira, fiquei feliz por ter concluído a leitura de um ótimo livro, mas tive vontade de começar de novo do início. “Simples Filosofia” nos ensina bastante sobre um assunto interessantíssimo. Não é só filosofia. É literatura. E das boas. Serve para alguma coisa? Bem, isso é o que menos importa. Pois, como diz o próprio Pablo: “Filosofia é como sexo oral. Não serve pra nada, mas é legal pra caramba.”

Lançamento de “Do Fundo do poço se vê a lua” – Mais Imagens

abril 11, 2011

Hoje postarei mais algumas imagens da passagem de Joca Reiners Terron por Natal, especialmente seu lançamento no Gringo’s.

Pablo folheia o recém adquirido exemplar autografado pelo autor.

Com o jornalista Yuri Borges do Diário de Natal

Patrício Jr com dores na lombar e Márcio Nazianzeno com dor no braço direito, mas com Lucílio está tudo bem.

Joca autografa um exemplar do lendário "Hotel Hell' para os meninos da Revista Catorze.

Aliás, por falar nos caras da Catorze, eles fizeram uma matéria bem legal sobre o autor.

Confiram:

http://revistacatorze.com.br/2011/a-literatura-que-absorve 

Duas das maiores autoridades literárias da Praia de Pipa

Samuca e Márcio Wilhelm

Nina e eu, cicerones do escriba ilustre.

Márcios

P&B

E vejam também um comercial dos documentários “Amores Expressos” que registrou as aventuras de 16 autores pelo mundo a fim de escrever histórias de amor. Entre os autores, está Joca Terron, pois foi este projeto que resultou no livro “Do fundo do poço se vê a lua”.  Cliquem abaixo para assistirem:

Ainda esta semana, registraremos no blogue dos Jovens Escribas, que fica lá na nossa loja virtual (www.jovensescribas.com.br), alguns momentos do lançamento do livro “Pés no Caminho, Campo de Estrelas”. Divulgarei.

Lançamento de “Do Fundo do poço se vê a lua” – Imagens

abril 1, 2011

Pablo explica: "Naqueles tempos coloniais, eram os nativos potiguares, canibais sem enfado ou pudor, que comiam os europeus que aportavam aqui. Hoje, a história meio que mudou."

 

"E foi precisamente nesta igreja, na gloriosa data de 18 de dezembro de 2010 que o fidalgo Carlos Fialho se casou. Depois disso, ela entrou pra história da cidade."

No último dia 21 de março, esteve em Natal o escritor Joca Reiners Terron, para lançar a convite dos Jovens Escribas, seu mais recente livro, o romance “Do fundo do poço se vê a lua”. Na ocasião, ele também deu seu depoimento para um vídeo que estamos produzindo com os caras do @ladoerre sobre os JEs, proferiu palestras para estudantes da escola estadual Anísio Texeira e para os alunos do curso de Letras da UnP, teve uma aula de campo sobre a história de Natal com Pablo Capistrano, lançou o livro no Gringo’s Bar, em Ponta Negra, e se foi.

Abaixo, seguem imagens que registram a passagem do autor na terrinha:

"Tenho aqui ao meu lado, uma das maiores nulidades..., opa, quero dizer: uma das maiores sumidades dos Jovens Escribas."

 

"Muito obrigado, Joca. E tenha a certeza: muito em breve, estarei igual a você." "Como assim? Consagrado?" "Não. Careca."

 

Professora Célia Barbosa, coordenadora do curso de Letras da UnP.

Professora Conceição Flores, entusiasta do projeto "Jovens Escribas Convidam".

 

Professoras do Curso de Letras prestigiam o bate-papo.

 

Alunos do Anísio Texeira lotam o auditório para ouvir o autor falar sobre o prazer da leitura.

 

Os jovens ficaram felizes com o papo, satisfeitos com as ótimas histórias de Joca e impressionados com sua barba tão vistosa.

 

A turma do Cais da Leitura com atenção total na dupla de feiosos testudos lá na frente.

 

Na segunda palestra, o público era de alunos de Letras e público em geral.

 

Na plateia, gente ilustre como o Dr. Elmano que bateu um papo com o autor.

 

Mais uma palestra com casa cheia.

 

"E aí, galera? Quem se anima a ir no Gringo's logo mais?"

"Olá, Joca. Sou o Wesley, sócio do Gringo's." "Beleza. Então converte o valor deste exemplar em Heinekens. Pode ser?"

Esta foto, vocês devem ter percebido, é só pra mostrar as camisetas mesmo.

Clima descontraído para o autor e os leitores se sentirem mais à vontade.

Os eventos no Gringo's são sempre cheios de gente bacana.

 

Os ilustríssimos Mário Ivo, Flávia Assaf e Adriano de Sousa.

 

Liane e Nina e o Papai Noel Psicopata

Carol Carvalho e Diana Petta, gatations.

Pablo Capistrano e Joca Reiners Terron. Uma foto para a posteridade.

"Literatura é massa pra encher a cabeça de ideias, jovens!" Caio Vitoriano

 

"Um brinde e voltem sempre a este blogue, pois o Fialho me disse que vai atualizar com mais fotos daqui a alguns dias."

Informativo JEs – Janeiro de 2011 – Lembram daqueles Jovens Escribas?

janeiro 14, 2011

 

# UM 2011 CHEIO DE REALIZAÇÕES

Pra começar, um feliz ano novo pra todo mundo. E antes que você argumente que o ano já não é tão novo assim, afirmamos que não faz a menor diferença. Afinal, nós também já não somos tão jovens assim e nos autodenominamos Jovens Escribas. Não é verdade? Então, feliz 2011 pra todos vocês.

 # JOVENS ESCRIBAS

 

Para começar, vamos voltar a publicar ficção. E em altíssimo estilo. Logo depois do carnaval o escritor Pablo Capistrano estreia pela editora com o livro “É preciso ter sorte quando se está em guerra.” Uma honra para nós e um belíssimo cartão de visitas para começar bem os trabalhos.

 

Por falar no livro de Pablo, estamos vendendo camisas dos Jovens Escribas para cobrir as despesas gráficas. O primeiro modelo (o branco) foi um sucesso de vendas. Restam apenas 3 unidades nos tamanhos P (Feminino) M (Feminino) e M (masculino).

 

E já está a venda também o novo modelo (verde) nos modelos feminino e masculino e em todos os tamanhos pela pechincha de R$ 35.

 

Comprando nossas camisetas vocês estarão ajudando este escritor a lançar seu novo livro.

Pablo Capistrano

 

# BONS COSTUMES

 

 Junto ao livro de Pablo Capistrano também publicaremos “Pés no caminho, campo de estrelas – O caminho de Santiago pela Galícia”.  Esta obra da professora Ana Célia Cavalcanti resultou num relato leve, divertido e muito útil a todos aqueles que pretendem percorrer o tradicional Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Será o segundo lançamento do nosso selo de não-ficção, o “Bons Costumes” e devido à abrangência do assunto ganhará distribuição inclusive em outros Estados.

 

 # DISTRIBUIDORA DAGOTA

 

Este ano também estamos resolvendo um problema histórico que aflige as editoras independentes há vários anos: a (falta) de distribuição. Para isso nasce a Distribuidora Dagota que levará os livros dos Jovens Escribas, Bons Costumes, Flor do Sal, Sebo Vermelho e Não Editora (RS) para os Estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Também iniciamos as vendas dos livros em bancas de revistas e no decorrer do ano, diversificaremos mais ainda os pontos de venda para chegarmos a um público mais amplo.

 

 # ESCRIBAS DE BOLSO

 

Também serão lançados até maio as primeiras edições de bolso dos Jovens Escribas. É a coleção Escribas de Bolso que vai oferecer ótimos livros a preços mais acessíveis.

 

# EM BREVE MAIS NOVIDADES.

Estas são as notícias que temos para começar o ano. Mês que vem voltaremos com mais. Um feliz ano não tão novo assim. São os votos dos já não tão Jovens Escribas.

A arte de Caio Vitoriano 4 – Especial Jovens Escribas

outubro 6, 2010

Veja mais obras de Caio Vitoriano no www.flickr.com/caiovitoriano

Estas são algumas estampas de camisetas que serão lançadas em breve pela Editora Jovens Escribas a fim de arrecadar dinheiro para bancar o livro “É preciso sorte quando se está em guerra” de Pablo Capistrano. As camisas começarão a ser vendidas no início de 2011, mas já adianto aqui as artes criadas pelo artista Caio Vitoriano.

Além dos 3 modelos criados por Caio, também existem esse outros 2 mais antigos, leiautados pelo Diretor de Arte e fundador da confecção Podecrê, Marcão.

Em breve, as camisas estarão disponíveis para venda. Quem quiser, pode ir reservando as suas ou fazer suas encomendas.

Pablo Capistrano – A longa marcha da maconha

agosto 7, 2010

Segunda passada publiquei uma crônica chamada “A marcha da maconha” na Diginet. Muita gente boa compereceu à seção de comentários e deixou suas impressões: Alex de Souza, Ronaldo Aoqui, Gabi do Gato, Bia Madruga, Flávio Rezende e Pablo Capistrano, para citar alguns.

Pablo inclusive, disse que a coluna o incentivou a escrever também sobre o assunto. Foi então que ele escreveu o texto abaixo. Fico muito feliz que isso tenha ocorrido, pois posso até interpretar, com algum humor e uma boa dose de pretensão, que sou uma influência literária para o jovem filósofo.

Boa leitura e acessem o sítio de Pablo sempre que possível  —->  www.pablocapistrano.com.br

***

A longa marcha da maconha.

Por Pablo Capistrano

Sempre achei que algumas questões são muito difíceis de levar à discussão pública devido a crosta de ignorância e hipocrisia que enevoa o entendimento de parte da opinião pública brasileira. Falar sobre drogas, prostituição, sexualidade, aborto ou eutanásia, no Brasil é uma tarefa difícil.

Sempre achei a idéia de que a maconha é proibida porque faz mal uma incoerência. Se tudo que “fizesse mal” fosse proibido não haveria redes de fast foods espalhadas em cada esquina e metade dos produtos que descansam nas prateleiras de nossos supermercados seriam proscritos.

Além do mais, em uma democracia não se pode criminalizar condutas com base na ideia de que elas “fazem mal”. John Stuart Mill no século XIX desenvolveu com muito cuidado o famoso “argumento do crime sem vítima”. Segundo essa leitura só existe uma justificativa para se criminalizar uma conduta: que haja um agente ofensor e uma vítima legítima ofendida em seu direito. Para Mill não se poderia criminalizar a prostituição, o jogo ou o homossexualismo (na época dele relacionamentos homossexuais eram punidos com prisão na Inglaterra), porque, nos casos citados, o próprio agente seria vítima do seu próprio ato. Mill não estendeu esse argumento ao uso da maconha simplesmente pelo fato de que na sua época não havia crime em vender, transportar ou consumir a planta. Apesar disso se pode usar o argumento de Mill para o caso da descriminalização da erva, afinal, nesse caso, a vítima é o próprio agente do ato ofensivo.

Mill mostra que não se pode punir alguém por prejudicar a si mesmo. Se você quer se prostituir (e for maior de idade), fumar maconha, tomar cachaça, se entupir de gordura até estourar as veias, comprar bolsas Gucci ou assistir o programa do Ratinho, o problema é seu. Não haveria justificativa para o Estado proibir, nesse caso, suas escolhas. A mera condenação moral de um ato não seria justificativa suficiente para se criminalizar uma conduta.

Para se justificar a proibição da Maconha em função de seu potencial dano, teria-se que demonstrar que o consumo de maconha produz dano à ordem pública causando prejuízo a terceiros, produzindo reações violentas ou desestabilizando a convivência social.

Ora, esse tipo de descrição pode se aplicar muito bem ao crack (que desestabiliza a percepção moral de seus usuários e produz uma dependência tão feroz que leva seus dependentes muitas vezes a cometer delitos bárbaros). Se pensarmos nas estatísticas da violência e dos acidentes de trânsito, teríamos que banir o álcool e não a maconha. Não se justifica permitir que o país seja movido a álcool e proibir o uso da maconha sob o argumento de que prejudica a “ordem pública”.

O argumento de que a maconha é a “porta de entrada para drogas mais pesadas”, também não é uma boa justificativa porque na maioria das vezes, um argumento desse tipo leva em conta apenas as drogas ilícitas. Se colocarmos o álcool e a nicotina na jogada a tal “porta de entrada” fica mais larga. Ora, se for assim, porque proibimos a maconha, vendida nas farmácias até a década de trinta?

Existem algumas teorias que falam sobre a indústria do petróleo, que precisava vender derivados químicos para o tratamento do eucalipto (planta que substituiria a Canabis Sativa na produção de papel) e por isso pressionou o governo norte americano a fazer uma campanha contra a planta construindo um sem número de mitologias e estereótipos sobre seu uso. Eu não sei se essa tese se sustenta.

Prefiro pensar que cada cultura tem sua droga particular.

Para os cristãos, essa droga é o álcool, sangue do cristo crucificado, presente do deus renascido dos antigos gregos, parte inerente da cultura européia. O vinho e a cerveja, a despeito de toda desgraça que produzem, são nossos entorpecentes particulares, nosso combustível social, nosso pacote privado de loucura. O fumo, essa prática indígena, sarracena, oriental, não parece coadunar-se com os valores culturais e sociais de nosso “estrato civilizatório”. A marcha da maconha é longa. Ela está entre nós a milhares de anos e eu particularmente acredito que vai continuar por muitos séculos. Discutir seu uso, medicinal ou recreativo, não pode ser um exercício de hipocrisia moral, ou de fantasias ideológicas e religiosas por isso é preciso pensar na maconha e seu lugar no mundo dos homens longe da fumaça tóxica da ignorância e do preconceito.

Simples Filosofia – Trechos

abril 7, 2010

Enquanto eu não escrevo a crônica sobre o livro “Simples Filosofia” de Pablo Capistrano, separei aqui alguns trechos da obra para dividir com vocês. Separei por crônicas e publico aqui na ordem em que saíram na obra.

***

Mamãe Literatura

“A idéia é que os filósofos seriam então inimigos dos poetas, e que buscavam produzir uma espécie de “matemática com palavras”, um mecanismo de argumentação e investigação da natureza que pudesse oferecer um conhecimento livre de devaneios imaginativos, baseado numa estrutura lógica de argumentação.”

“Friedrich Nietzsche, no século XIX, desconsiderou a interpretação matematizante e cientificista dos positivistas, levando a idéia de que a filosofia era, na verdade, uma forma de literatura, um tipo de escritura, de mitologia branca.”

Tudo passa.

“O que a dialética nos ensina é que nada permanece o mesmo todo o tempo. Que as coisas mudam, tudo é transitório e tudo carrega em si o seu contrário. A vida já é o começo da morte. O frio traz em si as marcas do calor, assim como o calor traz em si as possibilidades de frio. Os pedaços da obra de Heráclito fizeram Hegel pensar que tudo está contido no fluxo do tempo e que, mediante esse fluxo, tudo se transforma no seu oposto.

Um corpo vigoroso e firme, um dia, será seu cadáver. O calor da fogueira será, brevemente, substituído pelo frio de suas cinzas. Tudo passa, tudo flui. Panta re, panta corei.”

 Filósofos e juízes

 “Falar de filosofia na linguagem de gente normal é uma tarefa difícil. Às vezes mais difícil que falar de filosofia na linguagem técnica de um filósofo. É como pedir a um neorocirurgião que explique para a dona de casa e o estudante de nível médio brasileiro, no jornal de meio-dia na TV, a diferença entre aneurisma cerebral e derrame.

No fim das contas é necessário algum poder de síntese, alguma falta de pudor em falar as coisas de modo impreciso, certo descompromisso saudável com o rigor dos conceitos, uma boa dose de humor e uma leve e distante vontade de que as pessoas entendam o que você está dizendo.

Ou seja, tudo aquilo que um filósofo acadêmico despreza. Mas a filosofia é assim mesmo. Ela ama se esconder. Quanto mais você corre atrás dela, mais parece que ela foge de você. Por isso, na origem, o termo “filósofo” ganhou essa conotação: “amante do saber”.”

O que é uma vaca?

“A verdade não está no que a gente vê, mas sim naquilo que a nossa mente pode compreender.”

O rei filósofo

“ – Professor, o senhor é um homem tão inteligente! Vai votar num analfabeto?  – Naquele momento o meu produtor automático de respostas rápidas funcionou. Ele é ótimo quando alguém diz alguma coisa revoltante ou que nós consideramos descabida e que exige uma resposta rápida.

– Minha filha – eu disse –, depois de oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso, desconfio de qualquer um que tenha terminado a 4ª série.”

“Por isso, eu e Platão partilhamos de tipos diferentes de desânimo. Ele, um desânimo com a política real (depois que o filho do rei de Siracusa começou a matar as aulas de metafísica para assistir às corridas de cavalos, tomar vinho e curtir belas mulheres, numa versão clássica do trinômio agroboy: cachaça, vaquejada e mulher). Eu, que acreditei em 1994 que o Brasil poderia ter seu rei filósofo, aprendi a desconfiar dos intelectuais, especialmente quando eles se candidatam a presidente.”

O homem é bom?

“Aristóteles nos mostra que nós apenas somos humanos quando somos justos e que perdemos a nossa humanidade quando não conseguimos saber a medida justa das coisas.

A abstinência completa de álcool é tão equivocada quanto a embriaguez contumaz. A felicidade está em saber o justo meio termo para cada situação.”

A arte de cultivar jardins

“Filho da ausência, o desejo é um tipo de prazer diante daquilo que não se tem. Desejar é sofrer diante da ausência. Quando eu quero aquela moto, aquele apartamento com vista para o mar, ou aquela bolsa chique, ou aquela modelo gostosa da propaganda de cerveja, eu quero o que não tenho e isso me leva a um estado de ansiedade e intranqüilidade que me tira do eixo.

Por isso é importante para o consumo num grande shopping que o desejo das pessoas seja ativado mediante um conjunto de mecanismos artificiais de produção de necessidades. Diante da ansiedade do desejo, seu comportamento se transforma e você usa mais, fala mais, olha mais, bebe mais, corre mais, come mais, gasta mais e pensa menos.”

“Para  Epicuro, feliz é o homem que busca os prazeres naturais e necessários à vida. Aquele que, ao invés de estar escravo das próprias compulsões e do consumo idiota, busca a stisfação naquilo que tem e não a ansiedade por aquilo que não possui.”

“A quem não basta pouco, nada basta.”

A senhora fortuna

“Pensar sobre isso (um acidente de avião, por exemplo) incomoda porque nos lança sobre a evidência de nossa própria fragilidade. Somos muito pequenos diante das circunstâncias e o mundo, com seus ritmos e seu amontoado de acasos, pode, num segundo, nos oferecer muito ou nos tirar tudo.”

Um bicho esquisito

“É possível mesmo admitir que a Idade Média começou definitivamente a declinar quando a filosofia iniciou sutilmente a mudar seu objeto.

Se antes o núcleo do problema era Deus e sua revelação que precisava ser compreendida e explicada, agora o nó da questão era sua criatura mais bizarra: o homem, esse bicho esquisito.”

“Pico, o humanista mais importante do Renascimento, era, segundo fontes históricas, um sujeito rico, belo e sábio. Um “partidon” na linguagem das colunas sociais.”

 A arte de não se odiar

“Nossa neurose é a mesma do século XVI. Precisamos nos sentir adequados, enquadrados, encaixados, embalados para presente. Nosso corpo tem que estar no manequim, nosso quadril encaixar na calça. Nossas nádegas precisam estar rígidas e empinadas, nosso abdômen duro, nossas coxas torneadas, nossa silhueta esguia, ou então estaremos condenados à mais miserável infelicidade.”

“Mesmo no mais elevado trono do mundo, continuamos sentados sobre nossos cus.”

Saudades do amor

 “Somos uma civilização analfabeta na cartilha do amor.”

 “Os sábios gregos falavam de vários amores: o amor sexual do eros, o amor divino do ágape, o amor da intimidade e da afinidade no termo filia e o amor doença do pathos.”

 “Afinal, a paixão não se sustenta. Ela é fogo que arde sem se ver e é infinita só enquanto dura.”

 “Se Schopenhauer fosse vivo hoje, talvez não fosse um conselheiro sentimental muito popular.”

 “Saber transformar a paixão em amor é a chave da arte da convivência. O segredo dessa arte é nunca esquecer (como diz o poeta) que os opostos sempre se distraem, e que apenas os dispostos verdadeiramente se atraem.”

 Assim falava Friedrich Nietzsche

 “Você não vai entender Nietzsche”, foi o que ouvi do meu padrinho, dono da maior biblioteca que conheço, quando tentei ler “Assim falava Zaratustra” aos 16 anos de idade.

Realmente. Eu não entendi nada.

Mas, apesar de não ter entendido nada, senti que aquele era um texto que não poderia deixar de ser lido e relido várias vezes durante a vida.”

“O bezerro de ouro ganhou a disputa com o Deus de Abraão e a civilização da técnica, o mundo brilhante do entretenimento de massas, a sociedade do consumo e da banalidade absoluta matou o espírito do ocidente e arrancou do homem sua vontade de viver. Os mortos-vivos que passam pelas vitrines dos shoppings não têm mais como escutar os profetas, nem os poetas, nem os sábios.”

E o Brasil? Onde é que fica?

“Saber por que o Brasil exporta jogadores de futebol para todo o mundo, mas até hoje não conseguiu emplacar nenhum Prêmio Nobel não é tarefa difícil. Basta pensar em quantos jovens brasileiros dedicam suas tardes a jogar bola em campos de terra batida e quantos se dedicam a a ler Flaubert nas tardes de sábado. Veja as estatísticas e você terá a resposta.”

“O Brasil criou um curioso modelo de integração sexual que gerou criaturas híbridas e uma divisão social bastante evidente. De um lado uma massa etnicamente caótica a quem foi dado o catimbó, o samba, a capoeira e o futebol. De outro, uma elite assustada, esbranquiçada e neurastênica, que manteve em seu condomínio aristocrático o domínio do latim, o controle da religião geral (o catolicismo), do Estado (o bacharelismo jurídico) e da cultura oficial (o acesso a níveis mais altos de educação e letramento).”

Da inutilidade de tudo isso.

“Filosofia é como sexo oral. Não serve pra nada, mas é legal pra caramba.”

Atualizações

janeiro 7, 2010

Como passei muitos dias sem atualizar, vou descontar esta semana e postar mais 3 colunas da Digi na sequência. Aproveito esta breve atualização para indicar um sítio de internet muito bom, chamado “Rio Grande Melhor em Tudo”  (http://riograndemelhoremtudo.com/) no qual um gaúcho muito bem humorado fala com ironia da tendência ao ufanismo de seus conterrâneos. Vale a pena acessar. Outros endereços que trazem novidade nesta volta de feriado são os espaços virtuais de Pablo Capistrano, com duas excelentes crônicas: www.pablocapistrano.com.br e http://colunas.digi.com.br/pablo/a-invencao-da-africa/.

Recomendo fortemente!

Tio Marx e a turma da revolução – por Pablo Capistrano

novembro 4, 2009

 

Hoje, para lembrar que sábado tem lançamento do novo livro de Pablo Capistrano no Midway, publico um dos textos que deve estar entre os 47 de “Simples Filosofia”. Proveitem o aperitivo e apareçam na livraria sábado.

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www.pablocapistrano.com.br

Não sei porque mas toda vez que eu olho para o meu contracheque eu lembro de Karl Marx, o sujeito que escreveu a maior obra sobre o Dinheiro (Das Kapital) sem um puto furado no bolso. Marx foi o espectro que rondou o mundo ocidental por cento e cinqüenta anos e junto com a turma da revolução fez um grande estardalhaço no século XX. Guerras, massacres, torturas, guerrilhas, discussões acaloradas em mesas de bar, rupturas, divórcios, títulos acadêmicos, honras militares, filmes de aventura. Tudo isso feito em nome do Karl Marx quer seja contra ou a favor.

Lembro que quando me aproximei do movimento estudantil (no começo dos anos noventa) eu era existencialista. Lia Sartre, acreditava em revolução estética e pensava que o mundo era uma imensa rota 66 na qual os verdadeiros revolucionários eram Jack Kerouack, Allen Ginsberg e Bill Burroughs (a santíssima trindade beat). Lembro que tinha verdadeiras pelejas teóricas com a turma da TPOR, da Convergência Socialista, do Correio dos Trabalhadores ou qualquer uma das facções revolucionarias marxistas que assombravam o pátio da Escola Técnica Federal ou a cantina do DCE no setor I do campus da UFRN. Naquela época, Marx estava por fora. O muro havia caído e meu pai havia, depois de trinta anos de militância no PCB abandonado a cartilha marxista e pulado nos braços da Igreja Católica. Como eu nunca decorei o Credo só tinha uma saída: virar existencialista. Então, nada melhor para fazer do quer malhar o velho Marx e a turma da revolução.

Quinze anos depois aqui estou eu, olhando para meu contracheque de proletário da educação e pensando comigo mesmo: até que esse tal de Marx não era lá tão idiota assim. Na verdade, a despeito desse período de rebeldia pós-adolescente, o marxismo sempre esteve na pauta das conversas em família. Boa parte dos filhos de Seu Benjamim Capistrano (meu avô paterno) eram comunistas. Os sobrinhos também. Teve gente da família indo para Cuba trabalhar com Fidel, gente tendo aula de Marxismo com Luis Maranhão, gente envolvida com todo tipo de atuação política. Até meu tio Lula (que ganhou esse apelido no começo dos oitenta pela barba farta em homenagem ao líder sindical homônimo) chegou a ser preso por pichar os muros do Palácio do governo em Natal com o clássico “Abaixo a Ditadura!”.

Marx realmente entrou na pauta do mundo no século XX e poucos foram os filósofos que conseguiram, em tão pouco tempo, produzir um impacto tão significativo na vida cotidiana de bilhões de seres humanos. Com Marx a filosofia deixa de seu um curioso “inutensilho” de sujeitos esquisitos e passa a ser um instrumento de transformação social. Mas há uma sombra filosófica que paira sobre Marx. Um espectro que nunca se afasta muito dele. Um encosto intelectual, para usar um termo mais “igreja universal”. Por mais que esse marrano Alemão (filhos de Judeus assimilados) tenha produzido um pensamento próprio e significativo no campo da teoria política e na economia; em filosofia ele sempre vai ser visto como alguém que fez alguns pequenos ajustes no pensamento de Hegel e ajudou a limpar o resto de metafísica que ainda lhe poluía o pensamento. Marx usa uma base materialista clássica, dos velhos atomistas da Grécia antiga (Demócrito e Epicuro) para entender o mundo moderno. Isso não teria sido possível se Hegel, antes dele não tivesse subvertido o cânone católico e ido “resgatar” os pensadores originais, “pré-socraticos”. Marx põe a história em um ponto privilegiado de seu raciocínio e toma emprestadas as ferramentas dialéticas de Hegel para postular uma tese de Vico de que nós só conhecemos e dominamos aquilo que produzimos. Somos aquilo que fazemos. O trabalho de nossas mãos constrói o mundo em que nós vivemos e é com o trabalho de nossas mãos e com o esforço dos trabalhadores, que um dia foram servos, que um dia foram escravos e que um dia foram livres, que a civilização se edifica.

A grande intuição política de Marx é a de inverter para corrigir a lógica hegeliana de produção da história. Não são os heróis que constroem os mundos. As civilizações humanas, todo seu drama e toda sua tragicomédia é produto da massa amorfa de mãos anônimas que erguem as grandes construções do homem.  Como bem observou Walter Benjamim, Marx nunca deixou de ser um profeta judeu. Ele nunca abandonou a base do profetismo bíblico que, no período posterior a destruição do primeiro templo, lembrava ao povo de Israel qual era a verdadeira justiça do Eterno. Marx acabou se tornando o profeta político desse novo mundo, competindo com Nietzsche pela hegemonia da alma das massas no século XX. Mas, a despeito desse impacto no universo político, talvez, a maior contribuição intelectual de Marx tenha mesmo sido o diagnostico preciso e certeiro do modo de pensar que gira o moedor de carne humana do sistema capitalista. Ninguém entendeu a alma de um burguês como Marx. Provavelmente só o poeta francês Charles Baudelaire tenha penetrado de forma tão radical no abismo recôndito e profundo da náusea burguesa. Marx chafurdou na ferida da modernidade. Ele enfiou o dedo na chaga burguesa e conseguiu desmantelar a falcatrua ideológica do capitalismo como ninguém havia feito.

Liberdade, igualdade e fraternidade foram os lemas da revolução que encantou Hegel. Marx seguiu o mestre e o corrigiu. Mostrou que entre os lemas da revolução francesa e a realidade de um sistema que destroça os limites morais da humanidade e transforma Deus em uma nota de cem euros havia uma grande e nauseabunda contradição. Como todo bom profeta judeu, o tio Marx desceu da montanha para quebrar o bezerro de ouro da mentalidade burguesa que o próprio capital financeiro, judaico e protestante, ajudou a construir. Deu, para entender, porque é que eu lembro de Marx toda vez que olho meu contracheque? Pois é meu velho, a luta continua!