Posts Tagged ‘Pessoal’

Lançamento da JOVENS ESCRIBAS no Rio de Janeiro – 25.03.2014

março 24, 2014

Lanç RJ - Fialho

Amanhã (terça – 25 de março de 2014), a Editora Jovens Escribas vai lançar os livros de 3 autores no Rio de Janeiro. São Eles, Leonardo Panço, Nei Leandro de Castro e Carlos Fialho. O evento faz parte da nossa turnê pelo sudeste em comemoração aos 10 anos de atividades empreendidas por nossa editora e pelo coletivo de autores que arregimentamos em torno dela.

Após um bem sucedido evento em BH no sábado, agora é a vez dos leitores cariocas receberem nossa visita.

Serão levados ao Rio, os livros “Esporro” e “Caras dessa idade já não leem manuais” de Leonardo Panço; “As Dunas Vermelhas”, “Pássaro sem sono”, “O Dia das Moscas” e “50 anos de poesia” de Nei Leandro de Castro; “As maiores mentiras do verão” e “Não basta ser Playboy. Tem que ser DJ!” de Carlos Fialho.

Quem estiver no Rio nesta terça, dá uma passada lá no bar e restaurante DESACATO, no Leblon. Vários escritores e amigos da editora residentes na cidade estarão lá pra prestigiar.

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E quem quiser aproveitar, poderá adquirir os vários livros lançados e vendidos na noite por preços promocionais.

Lanç RJ - Panco Lanç RJ - Nei

 

10 anos de JOVENS ESCRIBAS – Parte 01 – Verão Veraneio – O livro da estação.

março 18, 2014

1 Capa Verão Veraneio FECHADA

Verão Veraneio – O livro da estação.

Enquanto as conversas com os outros 3 autores caminhavam para o surgimento do selo Jovens Escribas, eu continuei escrevendo crônicas de humor para compor o meu primeiro livro. Já havia decidido qual nome dar à iminente publicação: “Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada”.

Fui reunindo textos e fazendo, empiricamente, o trabalho de auto-edição que, mal sabia eu, marcaria bastante minha vida dali pra frente. Quando Modrack Freire, diretor de arte que já havia concluído o logotipo do selo, se ofereceu para fazer o livro, começamos a imaginar como poderia ser a capa. Logo criamos uma imagem em nossa tempestade cerebral: a foto de um baldinho de criança à beira mar sendo utilizado para gelar cerveja, unindo a inocência presente na leveza das crônicas com a irreverência do humor também bastante característico nos textos. Na quarta capa, haveria outra foto: uma trave de “mirim” deixada de lado com o chão impecável em torno dela. Como se os jogadores não tivessem algo melhor para fazer naquele dia (beber, paquerar, curtir) do que jogar futebol. O fotógrafo convidado a fazer os cliques foi Giovanni Sérgio, mago das lentes, ídolo de longa data.

O fotógrafo Giovanni Sérgio - lindo e competente.

O fotógrafo Giovanni Sérgio – lindo e competente.

Com a direção de arte, diagramação e fotos garantidas, precisava batalhar agora um nome relevante que topasse assinar as orelhas da obra. Tinha que ser alguém reconhecido na literatura, de forma que o livro chegasse às pessoas com algum respaldo importante. Meu pai, em conversa com François Silvestre, chegou à conclusão que eu poderia procurar Nei Leandro de Castro, uma vez que eram muito amigos desde os tempos em que a Ditadura Militar os perseguira e prendera algumas décadas antes. Procuramos Nei que, num primeiro contato por e-mail, disse-me com sinceridade que só escreveria se gostasse do que lesse. Fiquei muito animado com a possibilidade e lhe entreguei o material impresso e encadernado em mãos, numa de suas vindas a Natal, naquele ano de 2003.

Nei Leandro de Castro

Nei Leandro de Castro

Menos de uma semana depois, Nei Leandro me escreveu. Sua mensagem veio repleta de elogios e terminava com sua concordância em escrever a orelha. Em mais alguns dias, o texto estava em minha caixa de entrada de e-mail. Em alguns trechos mais lisonjeiros, Nei dizia o seguinte:

Carlos Fialho me surpreende. Primeiro, por sua precocidade. Segundo, porque as suas crônicas são bem escritas, docemente sacanas, inteligentes, e nos dá a certeza de um escritor, que não há de ficar nos limites da crônica.

Os textos deste livro têm a idade e a linguagem  de um garotão bem resolvido com ele mesmo. Os temas  – gírias regionais, porres, rock, vídeo-game, paqueras, Natal, cinema, carnatais, carnavais, etc. – são tratados com graça e ironia, leveza e fino senso de humor.

Carlos Fialho, cronista, precoce, publicitário, devorador de livros, autor das crônicas deliciosas deste Verão veraneio, vai chegar lá. Esse garoto vai longe.

Além de Nei, procurei um autor adequado para o prefácio. Não precisava ser famoso, mas que tivesse um estilo mordaz e bom humor, de forma a combinar com o conteúdo do livro. Escolhi meu ex-colega de faculdade, George Wilde, que fez um texto preciso, de acordo com o que eu pretendia. Destaco uma pequena parte:

Ao ler o livro, descobri que dentro de Fialho existe algo grandioso: a sua percepção em relação ao nosso dia-a-dia. Afinal, poucas pessoas conseguem sair do círculo da rotina para perceber o verdadeiro circo em que vivemos.”

George Wilde - o homem do prefácio

George Wilde – o homem do prefácio

A campanha publicitária foi elaborada com alguns títulos bem humorados, bem ao estilo do livro.

anuncio verissimo

Anúncio que a Art&C, agência onde eu trabalhava, fez no dia do lançamento.

Anúncio que a Art&C, agência onde eu trabalhava, fez no dia do lançamento.

 

A assessoria de imprensa contou com indicações de colegas do curso de Jornalismo da UFRN. Minha primeira entrevista foi concedida a Marcílio Amorim (Jornal de Hoje) e a segunda a Hayssa Pachêco do Diário de Natal.

2004 - VV - JH1

Mas a maior responsável pela divulgação do meu primeiro lançamento não era a imprensa nem a publicidade. Quem promoveu o evento a ponto de transformá-lo em sucesso foi minha mãe, Lurdete. Quando percebeu que era sério mesmo “essa história de livro”, arregaçou as mangas e telefonou pra cada parente, cada amiga, cada conhecido, reforçando bastante a frequência de presentes na noite de Verão Veraneio. O local escolhido foi a AS Livros do Praia Shopping, uma livraria acolhedora que tinha como gerente Cícero, um cara que dava bastante espaço a autores locais. O saldo da noite foi um estrondoso sucesso (163 livros vendidos) num ambiente preenchido de amigos, parentes e colegas de trabalho. Só a partir do segundo livro, essa frequência seria reforçada por leitores.

Quanta gente veio ver!

Quanta gente veio ver!

A noite foi tão agradável que Patrício Jr., que escrevia um blog, publicou uma postagem falando de como fora legal o evento (a qual reproduzo no fim desta publicação). Foi um belo cartão de visitas, indicativo do que estaria por vir num futuro não tão distante e também das possibilidades de crescimento e expansão que o então selo editorial acabaria por aproveitar com o passar dos anos.

“Verão Veraneio – Crônicas de uma cidade ensolarada” trazia 5 capítulos. No primeiro, “Galado e outras palavras”, havia temáticas mais gerais. Entre elas, alguns textos merecem destaque como “Galado” que me notabilizou em muitos rincões da Internet e “A Loja de Inconveniência” que até hoje se mantém como um dos meus preferidos. No segundo capítulo, “Cruvinel – o bom de bola”, apresento um personagem que me acompanhou com o passar dos anos e que, mês que vem, ganhará livro próprio. No terceiro, “Mano Celo”, nascia o protagonista do meu livro mais vendido até hoje e que, ano que vem, ganhará mais uma publicação caprichada com todas as suas histórias reescritas. Em seguida, vinha “Vi e gostei” com crônicas sobre cinema. Para fechar, o capítulo mais legal do livro: “Aconteceu no verão” com as histórias pertinentes ao tal “Verão Veraneio” que dá título ao livro.

E assim foi dado o pontapé inicial para a, hoje decana, editora JOVENS ESCRIBAS. Continuem acompanhando aqui nossa história. Detalhe: o livro esgotou sua primeira tiragem em apenas 4 meses. 

NO PRÓXIMO TEXTO: LÍTIO – PATRÍCIO À FLOR DA PELE

***

BÔNUS: POST DE PATRÍCIO NO SEU BLOG PESSOAL – O PLOG

06/02/2004 

há vida inteligente
no mercado publicitário

Quem trabalha com publicidade sabe: de tempos em tempos, tem uma “festa do mercado”. Tais eventos, sempre patrocinados por veículos, fornecedores, clientes ou ambos, têm por maior finalidade embebedar todo mundo, calar a boca de quem está perscrutando que o ano foi ruim e, por residual, reunir profissionais para um bate-papo informal. Pois é, parece um paraíso, mas tais “festas do mercado” haviam se tornado um verdadeiro transtorno. Passo o dia todo numa sala falando/fazendo/refazendo/desfazendo/tentando fazer publicidade. A última coisa de que preciso é estender esta missão ao meu happy-hour. Como prova de que nem tudo está perdido, houve esta semana o lançamento do livro de Fialho, “Verão Veraneio”, que não pretendia ser uma “festa de mercado”, mas acabou sendo por reunir exatamente as mesmas carinhas de sempre. O que me surpreendeu foram os temas das conversas. Ninguém, por exemplo, me perguntou “Como é que está la’?”. Ok, tudo bem, uma pessoas me perguntou isto, mas o assunto morreu quando eu respondi “Lá onde?”. Uma pessoa a noite inteira. Nada mal. Em outras “festas de mercado”, a famigerada pergunta “Como é que está lá?” é dita antes mesmo do “Tudo bem, broder?”. Já é, praticamente, sinônimo de oi. No lançamento de “Verão Veraneio”, porém, tudo foi diferente. Fialho conseguiu a façanha de reunir as mesmas pessoas de sempre fazendo, no entanto, com que todas soassem inéditas. Não sei se foi o fato de estarmos todos na AS Livros, rodeados de Dickens e Saramago e Proust e Pessoa e Machado e Camus. Birita? Claro que teve. Buffet? Sim, impecável. Bêbados chatos? Uh, nossa, e como! Mas estava tudo agradabilíssimo, tudo soando como um lançamento deve soar. Os temas conversados iam de autores consagrados a bandas de rock obscuras, sempre com tiradas inteligentes, observações pertinentes, risos na medida certa. Um éden para amantes do bom e velho papo construtivo como eu. Nunca gostei tanto das “pessoas do mercado”. O livro, graças aos céus, vendeu bem. Fialho, coitado, deve estar cheio de bolhas nos dedos de tantas dedicatórias escritas. E eu, exemplar autografado na mão, cheio de riso a caminho do estacionamento, concluí que a melhor das “festas do mercado” que eu já fui na minha vida foi o lançamento do livro do meu bróder. Mesmo que não tenha sido uma “festa de mercado”.

 

Visita ao IFRN – São Gonçalo do Amarante

fevereiro 18, 2014
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Ótimo papo com os alunos do IFRN de São Gonçalo.

Fui convidado pelo professor Milson dos Santos para uma visita ao IFRN de São Gonçalo do Amarante. O professor havia trabalhado o gênero crônica em sala de aula. Entre grandes autores como Paulo Mendes Campos e Luís Fernando Veríssimo, acabei sendo um dos autores trabalhados. Aceitei na hora e no último dia 12 de fevereiro, estive no instituto conversando com os estudantes.

Crônicas minhas foram trabalhadas em sala de aula.

O professor trabalhou crônicas minhas com a turma

A experiência foi encantadora. O trabalho do professor Milson e seus alunos são um exemplo de como um bom professor, estimulado e dedicado pode transformar a vida de jovens através do incentivo à leitura. Além de lerem os autores e relatarem suas impressões, os estudantes foram exigidos a produzirem crônicas que seguissem os estilos dos autores trabalhados em sala de aula. O grupo que ficou com minhas crônicas desenvolveu diversos textos a respeito do cotidiano do campus onde estudam. O resultado é impressionante e, no meu caso, emocionante. Aqueles jovens conseguiram reproduzir textos que em muito se parecem com minhas crônicas.

A turma também produziu textos simulando o meu estilo de escrever crônicas.

A turma também produziu textos simulando o meu estilo de escrever crônicas.

A cada leitura em voz alta dos textos, a sala explodia em gargalhada. A qualidade do que foi escrito é de cair o queixo. Espero que tenha sido tão divertido para eles escreverem quanto foi para todos que leram. Se isso tiver ocorrido, acredito que tenham sido despertadas algumas vocações literárias, ou de novos autores ou, pelo menos, bons leitores. Estão de parabéns os estudantes e o professor Milson. Pedi permissão a todos e publicarei aqui os textos do grupo que mimetizou meus escritos para que vocês possam ter uma boa ideia do que a boa educação é capaz de fazer.

 

O grupo que produziu textos inspirados nos meus.

O grupo que produziu textos inspirados nos meus.

Professor Milson dos Santos, que me deixou muito feliz e honrado com o trabalho realizado com os estudantes.

Professor Milson dos Santos, que me deixou muito feliz e honrado com o trabalho realizado.

Turma do 2º ano do Ensino Médio do IFRN de São Gonçalo. Valeu mesmo!

Turma do 2º ano do Ensino Médio do IFRN de São Gonçalo. Valeu mesmo!

Obrigado a todos o IFRN – São Gonçalo pela excelente recepção e, mais uma vez, parabéns pelo trabalho de vocês.

 

A volta

fevereiro 17, 2014

A volta

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“A vida é feita de escolhas.” Quem me conhece sabe que este é um dos meus lugares comuns preferidos, ao qual sempre retorno e repito constantemente para expressar, de maneira simples e direta, os muitos dilemas que sempre surgem em nossos caminhos, como um eterno jardim borgiano de veredas que se bifurcam permanentemente.

Pois bem, nos últimos 2 anos, a vida me propôs alguns desafios bem desconcertantes. Intensifiquei as atividades da editora Jovens Escribas, lançando um número bem maior de publicações do que estava habituado. Comecei a prestar serviços para o SESC-RN na área de literatura, contribuindo com um projeto revolucionário realizado por eles chamado AÇÃO LEITURA. Foi aí que, no último dia de junho de 2012, minha mãe morreu, desencadeando toda uma série de sentimentos e obrigações inesperadas. Já em 2013, a agência de propaganda que mantinha com Arnaldo Araújo havia 5 anos, o Comitê Criativo fundiu-se com a Bora Comunicação numa negociação boa para todos que resultou numa das maiores agências da cidade. Resolvemos, então, criar uma empresa de interação. Nascia assim a Social, empresa que está sendo tocada por Andrei Gurgel. Lancei ainda 2 livros novos. Também foi em 2013 que construí uma casa para morar e que Nina e eu tivemos nossa primeira filha, Isabela.

Bem, com tantas coisas acontecendo freneticamente em minha vida, não deve ser surpreendente que eu tenha escolhido deixar de lado o blog. Aliás, precisei abandonar também as crônicas e, consequentemente, a coluna do Novo Jornal.

Entretanto, com muito trabalho, as coisas foram se acertando. A fusão das agências foi bem sucedida, as metas da Bora para 2013 foram alcançadas e 2014 promete ser o melhor ano da história da agência. A Social engrenou e deverá crescer exponencialmente nos próximos 12 meses. A AÇÃO LEITURA deverá entrar definitivamente para o calendário cultural de Natal. Meus livros foram lançados e estão distribuídos. As publicações da Jovens Escribas se manterão num ritmo acelerado pelo 4º ano consecutivo. A casa ficou pronta, a bebê está linda e saudável, Nina feliz, tudo em cima, agora que meu mundo está por fim organizado, faltavam ainda duas coisas: voltar a escrever crônicas e … atualizar este blog.

Agora, não falta mais. Estou voltando à escrita regular de textos literários e, a partir de hoje, voltarei mais uma vez a atualizar este espaço. Falarei de literatura, divulgarei lançamentos e eventos culturais, seguirei republicando cronologicamente todas as colunas do Novo Jornal, iniciarei uma série de postagens contando os 10 anos da Jovens Escribas a partir de cada livro publicado e outra contando “A verdadeira história dos Jovens Escribas”. Falarei das atividades literárias e das novidades sobre os livros em processo de elaboração. Também falarei de assuntos pessoais e, como não poderia deixar de ser, publicarei aqui minhas crônicas inéditas, uma vez que não estou mais ligado a nenhum jornal ou portal.

É isso, amigos. Sejam todos muito bem-vindos de volta. Desculpem a prolongada ausência. Temos agora, um encontro marcado aqui nesta página pessoal. Apareçam sempre.

Obrigado.

Carlos Fialho

Coluna do Novo Jornal – 097 – Um adeus – 07.07.2012

julho 11, 2013

Um adeus

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Não sei quem é o autor da frase: “Não tenho medo da morte, terei sim, saudade da vida.” Seja lá quem for o feliz responsável por havê-la proferido, não consigo imaginar forma melhor para definir o sentimento que a minha mãe tinha com relação a essa passagem, por vezes venturosa, outras torturante, que chamamos de existência. Mainha não tinha medo de quase nada. O destino sempre lhe infligiu sofrimentos monumentais. Ela acusava o golpe, mas logo se recompunha, imbuída de uma força descomunal e seguia adiante sem perder a alegria de viver. Nem mesmo a possibilidade de morrer lhe causava receio, pois já havia enfrentado em sua vida cargas bem mais pesadas, como a partida precoce de dois filhos.

Minha mãe era uma seridoense forte, de personalidade talhada nos serrotes de Caicó. Era expansiva, falava muito, falava alto, falava sempre. Uma dessas pessoas totalmente abertas ao monólogo para quem a indiferença não fazia parte do repertório. Tomava partido em tudo. Reagia com intensidade e muita emoção a todas as intempéries e dádivas que lhes surgissem no caminho. Era solidária e abnegada na mesma medida em que se deixava levar pela mágoa momentânea de algum parente ou amiga próxima, fazendo verdadeiras tempestades em minúsculos copos d’água. Algumas vezes, ela descontava em mim alguma raiva que tivera. Lembro de uma vez que, oprimida pelo meu silêncio diante de algum desabafo que me fazia, interpelou-me: “Vai ficar aí calado? Você nunca fala nada?” Respondi: “Não é que eu nunca fale nada, Mainha. É que eu não gosto de interromper.” Minha gaiatice a desarmava. Aliás, o humor era um dos seus pontos fracos, pois ela própria era muito bem humorada.

Apoiou-me em tudo que fiz na vida. Criou-me com liberdade e orientou-me a ser a melhor pessoa que eu puder, moldando minha personalidade segundo valores morais tradicionais, mas deixando-se também influenciar por minha personalidade amena e liberal. Sem dúvida, o homem que vim a ser é produto do empenho de uma mulher que lutou e protegeu seu filho como pôde.

Quando conheceu Nina, principalmente depois que casamos, adotou-a como se fosse uma filha. Neste ano de 2012, realizou um velho sonho e mudou-se para a praia de Pirangi. Sempre adorou o mar. Íamos visitá-la todos os fins de semana para conferir de perto sua felicidade e aproveitar o melhor de dois mundos: hospedagem sertaneja de frente pro Atlântico. Em nossas idas ao litoral próximo, fazíamos planos. O mais recente era construir duas casas vizinhas para que ela pudesse envelhecer perto da gente. Não deu. Infelizmente, quis o destino que sua trajetória fosse interrompida no último fim de semana.

É angustiante perceber que, em nossas vidas, temos controle sobre muitas coisas, mas não sobre a morte. Minha mãe nos deixou inesperadamente, sem qualquer aviso ou chance de defesa. Sentiu-se mal para nunca mais sentir-se bem. Sofreu o golpe implacável da navalha da morte que, de uma só vez, tirou-lhe a vida e uma considerável porção de alegria de nosso mundo. De minha parte, sempre cultivei a expectativa que minha mãe teria um fim mais tranquilo, após toda uma vida de sofrimentos extremos. Nunca imaginei vê-la chorando de dor por mais de 24 horas enquanto vários médicos se revezavam nos cuidados e na tentativa de descobrir um diagnóstico.

Mainha deu entrada no hospital na sexta. Sentia fortes dores abdominais e estava com o lado esquerdo do corpo paralisado. Com o passar das horas, recuperou todos os movimentos e um quadro neurológico foi descartado. Após exames, constataram inflamação na vesícula e marcaram uma cirurgia de remoção para o sábado. “Coisa simples. No domingo, ela estará em casa”.  Enquanto aguardava a hora, seria tratada com antibióticos que combateriam a infecção.

Na madrugada, porém, sua situação só piorou. Ela pedia algo que aliviasse sua dor e eu dizia: “O médico já colocou analgésico no soro, mãe. Deve estar fazendo efeito daqui a pouquinho.” Esgotadas as instâncias, pedia que eu segurasse sua mão. Assim eu fazia enquanto as lágrimas corriam soltas. Uma provação que não desejo pra ninguém. Atordoada pelo sofrimento, já não articulava frases nem concatenava as ideias, mas percebeu que eu não poderia ajudá-la. Apelou então para uma instância superior. Repetiu por horas a fio: “Me ajuda, Pai! Tira essa dor de mim!”

Como eu xinguei Deus nesse dia! Como tive raiva e me arrependi de cada momento devotado a qualquer tipo de fé. Revoltei-me com aquela situação toda e por vê-la prostrada, humilhada, suplicando por alívio, por uma ajuda que não vinha. Ao meio-dia de sábado, já na UTI, enquanto minha mulher e eu segurávamos suas mãos, teve uma convulsão e o médico veio às pressas induzir o coma do qual ela não tornaria a despertar.

Essa semana foi difícil. Velório, missa, enterro. A necessidade de ir a sua casa, recolher documentos e, em meio à busca, encontrar ainda intactos cartões de Dia das Mães que um certo eu escrevi ainda criança. Também me deparei com todos os meus livros publicados, dedicados a ela e guardados junto a recortes de jornais em que eu aparecia. Reportagens de Sérgio Vilar e Marcílio Amorim sobre meus lançamentos e fotos pessoais, várias fotos, minhas, dela, dos meus irmãos falecidos.

A gente nunca fica inteiro após atravessar dias como estes. Tentei fugir do assunto e redigir algo mais espirituoso, mas não estaria sendo honesto comigo nem com vocês que me leem. Tenho torcido para que Deus exista e que tenha, de alguma forma, atendido seu pedido de ajuda. Se a única maneira de fazê-la sentir-se melhor era levando-a de nós, espero que ela esteja bem agora. Perdi Mainha, mas acho que ganhei um anjo da guarda. Lurdete Dias, minha mãe, era um porto seguro para minha família. Sua partida nos deixa desolados e esse texto desajeitado traz em si a tentativa de um adeus.

 

Um pedido de desculpas aos médicos

julho 4, 2013

Bandeira Branca

Estimados médicos do RN, antes que se recusem a ler o que vem a seguir, tenho a satisfação de lhes informar que, sim: trata-se de um pedido de desculpas de alguém que sabe reconhecer os seus erros, seus excessos e a eventual utilização desastrada da linguagem em meio a um tema muito mais complexo do que se imaginava inicialmente.

Tampouco, gostaria de sair desta polêmica como vítima. Não sou vítima. Sei o que escrevi. Sou senhor de minhas palavras e arco com as consequências que elas possam ter. Escrevi, não nego, vocês leram e estou aqui para me retratar com os senhores, senhoras e senhoritas.

Na quarta-feira, 03 de julho de 2013, escrevi em meu Twitter 4 postagens ironizando a manifestação dos médicos. Peço desculpas pelas brincadeiras de mau gosto, uma vez que muitos tomaram como ofensa direcionada ao trabalho deles como um todo, à luta pela melhoria das condições de trabalho, à reivindicação de mais recursos para a saúde, todas lutas legítimas e que têm sim o apoio deste escriba como da absoluta maioria, para não dizer totalidade, da população.

Em seguida, para expor com clareza minha opinião, escrevi tweets sérios e ponderados tentando elucidar a questão. Um deles dizia: “…o fato novo que motivou o protesto foi a possibilidade da vinda de médicos de fora, pois os demais itens da pauta não são novidades.”

Mas aí já era tarde demais para entabular qualquer discussão de nível e os tweets sérios se perderam no turbilhão de ódio sectário que surgiu em minha TimeLine.

Aproveito esta postagem para esclarecer que sou favorável a todas as melhorias no Sistema Único de Saúde e nas condições de trabalho dos profissionais de medicina.

Tenho profundo respeito e admiração por cada um dos meus amigos e parentes, queridos e abnegados que abraçaram esta profissão repleta de sacrifícios e renúncias. Amigos, aliás, que entraram em contato comigo durante os dias de ontem e hoje, para chamar minha atenção, apontar os meus erros, indicar que me excedi e cumprir com o verdadeiro papel dos que me querem bem: dizer a verdade, mesmo que não seja a mais conveniente para o momento.

A estes amigos, assim como a todos os médicos desconhecidos que se sentiram atingidos ou ofendidos pelo que postei, peço profundas e sinceras desculpas. Porque as mesmas mãos que ontem digitaram zombarias imprecisas e equivocadas, hoje têm a humildade de reconhecer que errou e fazê-lo de público, para que todos possam ler, compartilhar e divulgar.

Por fim, todos devem reconhecer que junto com as minhas palavras, por mais desastradas que elas possam ter saído, emergiu do submundo onde se ocultava, sob o disfarce de cidadãos de bem, toda uma milícia de branco de índole agressiva, perfil intolerante e caráter violento. Se o resultado deste episódio foi o de revelar esses homens e mulheres prepotentes, que do alto da sua arrogância chegaram a ameaçar minha integridade física, rasgando o juramento de Hipócrates, e tentar prejudicar pessoas ligadas a mim, tenho a impressão que cumpri, mesmo que involuntariamente, o papel de desmascarar alguns indivíduos que precisavam mostrar quem eles verdadeiramente eram.

Não espero dessas pessoas que tenham a mesma atitude que estou tendo agora, a de pedir desculpas pelos excessos. Até porque, pelo nível das mensagens e o perfil demonstrado, não parece ser algo do feitio delas. Em todo caso, gostaria de dizer-lhes que este texto se dirige a toda a comunidade médica, menos a vocês, pois as demonstrações explícitas de ódio que vocês deram são muito piores do que qualquer piada, por pior que seja, vinda deste que faz essa postagem.

Vivemos tempos extremos, neste grande jardim de veredas que se bifurcam eternamente e nos conduzem por caminhos sinuosos e cheios de perigosas armadilhas. Uma delas é a intolerância à palavra livre, manifestada através da truculência dos que se incomodam com o que alguns escrevem.

Peço desculpas, não em resposta ao ódio de alguns, mas em reação à afeição e amizade de muitos: colegas da área de comunicação, minha esposa, amigos em geral, médicos inclusive, vários deles. Todos que me escreveram ou ligaram para me mostrar com doçura e argumentação racional que eu estava errado. Porque os que me agrediram e xingaram, estes só fizeram me dar razão. Felizmente, eles são poucos.

Coluna do Novo Jornal – 082 – Meu padrinho Rubro-negro – 17.03.2012

abril 3, 2013

Meu padrinho rubro-negro

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Meu padrinho se foi na manhã de sábado. Derrapou numa curva de Pium para não mais figurar no mundo dos vivos. 77 anos, acho que era essa a idade. Morreu um ano após minha madrinha que sofreu uma queda em casa ano passado. A velocidade com que as coisas se deram no dia de sua morte é estarrecedora. Recebi o telefonema com a notícia às 9h da manhã. O velório começou às 15h, missa às 16h, de forma que às 18h ele já estava enterrado. Muito rápido. Não valemos nada. Podemos estar aqui vivendo nossas vidas pueris e, de uma hora para outra, não estarmos mais. Lembrei-me de uma frase dita por um personagem do livro “O caso Morel” de Rubem Fonseca: “A morte do meu pai me ensinou duas coisas: eu estou vivo; e isso não vai durar muito tempo.”

No dia de sua morte, minha mãe, que é irmã dele, me disse que a crônica de dois sábados atrás, “Foi observando os meus grisalhos das têmporas”, era como uma homenagem a ele. Achei curiosa a coincidência. Sincronicidade Junguinana? Será? Desde criança, meu padrinho era foi minha referência de cabelos brancos. Ele tinha aquela cabeleira incolor desde sempre. Não foi pra ele que escrevi a crônica, mas gosto de pensar que poderia ter sido uma última homenagem.

Nascido de uma família humilde de Caicó, junto com outros 5 irmãos e 3 irmãs, prosperou como muitos daquela cidade. Com a ascendência judaico-cristã nas veias e uma tradição forte na educação de qualidade, os caicoenses nasceram para dominar o mundo. São inteligentes, envolventes, exímios negociantes, expansionistas e trabalhadores. Meu padrinho, que se chamava José Augusto Dias, é um bom exemplo. Mudou-se para o Rio de Janeiro, enriqueceu, constituiu família composta de numerosa prole de filhos e netos. Depois voltou a Natal e a Caicó. Vivia entre as duas cidades, entre o sítio no interior e uma casa de praia em Barra de Tabatinga.

Para mim, o meu tio recém-falecido será sempre lembrado como alguém que deixou marcas indeléveis na formação de minha personalidade. Foi ele o grande responsável pela paixão que tenho pelo futebol e, mais especificamente, o Clube de Regatas do Flamengo. Lá no Rio, ele frequentava o clube, era amigo de conselheiros importantes e, no início dos anos 80, em meio a uma comemoração de título ligou para minha  casa para falar com meu irmão. Quando Marquinhos atendeu, ele disse: “Peraí que tem um cara aqui que quer falar com você.” Era Zico. Dizendo ao meu irmão que ele deveria torcer pro Flamengo. Não havia nada que meu pobre e vascaíno pai pudesse fazer para reverter a situação.

Meu irmão fez a escolha certa e assegurou-se que eu trilhasse o mesmo caminho de sucessos e celebrações. Recordo-me bem que, em 1986 houve um pênalti decisivo contra algum dos liliputianos rivais cariocas do Mengão. Zico bateu e fez o gol. Naquele mesmo ano, tinha ocorrido aquela eliminação escrota na Copa do México e meu irmão me ensinou: “Aprenda uma coisa. Brasil é o caralho! O importante é o Flamengo, entendeu?” Entendi. Senti-me culpado diversas vezes por gostar muito mais do Flamengo do que da Seleção. Culpa cristã. Depois descobri que a paixão clubística superar o apreço pelo selecionado é normal. No livro “A dança dos deuses – Futebol, Sociedade, Cultura”, que me foi presenteado por Adriano de Sousa, o autor Hilário Franco Júnior explica que o amor que sentimos pelos clubes decorre de uma identificação profunda e duradoura, uma vez que vivemos o seu dia-a-dia, nos habituamos aos jogadores, nos afeiçoamos a todos os aspectos referentes a eles, enquanto os escretes nacionais só se reúnem muito de vez em quando.

Tio Zé Augusto sabia das coisas. Um bem material se acaba, mas um sentimento de amor verdadeiro, como o sentido por um clube de futebol, não. Até hoje, não sei se foi ele também o responsável, mas toda a minha geração de primos, filhos dos seus irmãos: Rafael Dias, Adauto Neto, José Dias Neto, entre outros, também são Flamengo.

Depois da infância, afastei-me das famílias. Tanto os tios maternos quanto os paternos passaram a ser apenas nomes citados em casa por mainha. Eu andava ocupado. Lia livros, via filmes, jogava bola (ou pelo menos tentava), aprendia a beber, paquerava as meninas, ia à praia, frequentava as faculdades de comunicação, ouvia Rock na Ribeira. Não havia tempo nem maturidade suficiente para conviver com tios e toda aquela legião de primos.

Nos últimos anos, porém, houve uma reaproximação. Meu padrinho ficou sabendo que andei publicando uns livros. Ficou orgulhoso. Saímos para jantar ou almoçar algumas vezes e, quando andei viajando, ele guardava os jornais com as notícias de títulos do Mengão. Costumávamos nos falar com certa frequência por telefone, sempre marcando de almoçar ou jantar “qualquer dia desses”.

Não deu. Uma curva privou o mundo do meu padrinho rubro-negro. Ele não viu a vitória do Fla-Flu de domingo passado. Quando, antes da partida, anunciaram 1 minuto de silêncio, fiquei imaginando que era por causa dele.

Sábado passado foi ele. Um dia seremos nós. O que a gente faz no intervalo de tempo entre o agora e o momento derradeiro é o que vai fazer a diferença. Que até lá, sobrevivamos. Vai em paz, Zé Augusto. Você vai deixar saudades.

Escritos em 2011

dezembro 29, 2011

Este ano, entre uma publicidade e outra, consegui produzir alguns textos. Foram todos em formato de crônica. 50 ao todo. A grande maioria publicada no Novo Jornal, mas alguns também na Revista do versailles, no livro “Mano Celo de bolso” ou na Preá que sairá em 2012. Outros, porém, mantém-se inéditos para serem publicados em breve. Logo abaixo, segue a relação completa:

Escritos em 2011

50 Crônicas

1 – A última reunião de Dona Noilde

2 – Os imbecis (Henrique Castriciano)

3 – Fefeu

4 – Outrover

5 – Pinto & Rêgo Advogados Associados

6 – O Maconheiro Militante 3

7 – A Patricinha Cultural 3

8 – Somos todos filhos de Gogol

9 – Moleskine

10 – Miguel Nicolelis

11 – Ai, como eu sou intolerante!

12 – Eu era feio. Agora eu tenho carro.

13 – O Professor de Matemática

14 – Egito ê (Joca Reiners Terron)

15 – Os meninos e meninas do Clowns

16 – Combustível mais barato já

17 – É Fantástico

18 – Pais playboys geram filhos órfãos

19 – A cultura do Nada.

20 – Rei, rei, rei! É o casamento gay!

21 – Pra frente é que se marcha.

22 – Rios Grandes

23 – A Prefeita mais bonita da cidade (Micarla.com)

24 – A blogueira tuiteira picareta

25 – Meu barbeiro de direita

26 – Datas

27 – Dúvidas da infância

28 – Protestos. Tudo demais é muito.

29– Fora Mikarlopoulus

30 – O filósofo do Crato

31 – Ânderson Miguel – O nosso Brás Cubas

32 – Gente Fina Beer Fest

33 – Media noche en Madrid

34 – O Impostor da província

35 – O Empresário modelo

36 – O Publicitário conterrâneo

37 – A defesa do cronista

38 – Exemplos grandiosos

39 – Secretário Mano Celo

40 – Mano Celo e o #CombustívelMaisBaratoJá!

41 – Mano Celo no #ForaMicarla

42 – Mano Celo e Cruvinel

43 – Ação Potiguar de incentivo à Leitura

44 – Versailles 2 –  Manual para padrinhos

45 – O livro que fui escrever em Madrid – Preá

46 – O quadro a quadro da demolição

47 – O cidadão natalense

48 – Blogues com a bola toda

49 – Futebol em estado puro

50 – A cidade da piada pronta

 

 

Lançamento de “Uns contos de Natal”

dezembro 7, 2011

3 Fialhos incomodam muito mais.

 

 

 

Olá, eu por aqui?

novembro 27, 2011

Faz tempo que não atualizo o blogue, né? Desculpem por isso. É que esse fim de ano tem sido bem corrido pra mim. Em outubro, realizamos a Ação Potiguar de Incentivo à Leitura e a coisa foi tão sensacional e intensa que, ao final, eu estava exausto e num nível de realização tão grande que precisava de um tempo para respirar e retomar as atividades blogueiras. Mas aí, veio a maratona de fim de ano do Comitê Criativo. Mil campanhas para ir ao ar e um volume imenso de trabalho na agência me mantiveram beeeeem ocupado nesses últimos 40 dias que, aliás, passaram voando.

Por isso, já retorno aqui com mais uma novidade: LANÇO LIVROS NOVOS NO DIA 08 DE DEZEMBRO E QUEM NÃO FOR PRO LANÇAMENTO É MULHER DO PADRE!

Serão os livros “Uns contos de Natal” e “Mano Celo de Bolso” (com histórias inéditas). Ambos serão vendidos juntos por apenas R$ 30. Super em conta, hein? 2 LIVROS POR 30 PILAS. Feitos especialmente para serem presenteados nas festinhas de fim de ano e nos amigos secretos mil.

As capas dos danados são essas aí embaixo:

 

A reunião de amigos será no Solar Bela Vista e todos os livros dos Jovens Escribas estarão em promoção especial. Todos por R$ 20. E ainda haverá descontos ainda maiores para quem comprar vários.

A partir desta segunda-feira, voltarei aqui constantemente para falar do lançamento dos livros.

***

Também recomeça essa semana a publicação das crônicas do Novo Jornal. Nesta segunda, publico a coluna de número 34, “#GasolinaMaisBarataJá #Será?”

Depois, de terça até sexta tem mais. E será assim até o fim deste ano. De segunda a sexta haverá uma nova crônica publicada no Novo Jornal para a leitura de vocês, seus lindos!

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Aliás, preciso muito agradecer todos vocês, pois enquanto estive ausente, o Blogue alcançou a marca de 100.000 acessos. Muito bom! Mas isso merece uma postagem de agradecimento exclusiva. Ou seja, voltarei ao assunto.

FUI!

FUIALHO!

 

Apontamentos Desconexos # 7 – Reunião dos Jovens Escribas, coluna de sábado e mais fotinhas.

julho 7, 2011

# Reunião Jovens Escribas – julho de 2011

No último domingo, me encontrei com Patrício Jr e Daniel Minchoni, meus sócios na Editora Jovens Escribas para tratar das ações de dominação mundial que empreenderemos neste segundo semestre. Planos que envolvem grandes nomes como Clotilde Tavares, Pablo Capistrano, Cláudia Magalhães e vários outros e que não vou contar hoje. Mas fiquem com o registro fotográfico de nosso encontro.

Minchoni, Patrício e eu no último domingo.

 

# Neste sábado do Novo Jornal

No próximo sábado, minha coluna do Novo Jornal vai se chamar “Ânderson Miguel – o nosso Brás Cubas”. Quem tiver curiosidade, procure seu exemplar na banca mais próxima.

 

# Férias

Passei metade do mês de junho de férias com Nina. Abaixo, umas fotinhas pra ilustrar.

Na Grécia, participamos dos protestos. Na verdade, minha participação se resumiu a esta foto de apoio com cara de galado. Mas tá valendo, né não?

 

Do alto da montanha, se vê ao longe.

Tivemos que nos adaptar à culinária local. Mas vencemos o desafio.

Também provamos as exóticas bebidas locais.

Mas pelo menos ajudamos a economizar água.

Tivemos que descansar onde dava pra nos encostar.

O sol demorava muito a se pôr. O jeito era esperar.

Chuuuupa, Marina Badauê!

Bem, por hora é isso. Depois subo aqui mais fotos da Grécia e algumas da Espanha.

 

Apontamentos Desconexos # 6 e Fotinhas bacaninhas

julho 5, 2011

Mês passado, o Comitê Analytics, braço digital do Comitê comandado por @thiagolajus , participou da XV Convenção da FCDL. De quebra, ainda me escalaram para mediar uma das melhores mesas do evento com o Fred Alecrim (Ponto de Referência), Fábio Seixas (Camiseteria) e Júlio Vasconcelos (Peixe Urbano). Acabo de postar umas fotinhas logo abaixo. Cousa fina.

Olha eu aí, apresentando os palestrantes. Só fera!

 

Fábio Seixas e Fred Alecrim se preparam para falar.

Com Marcelo Rosado e grande elenco. Turma boa.

Com a diretora executiva do evento, Diana Petta, única personalidade para quem pedi que tirasse uma foto comigo.

Thiago Lajus, diretor do Comitê Analytics.

Mas vale salientar que este evento ocorreu há mais de 20 dias, antes de eu ter saído de férias. Fui à Grécia e a Madrid. Depois, postarei fotos aqui. Andei comprando uns livros e quadrinhos legais dos quais falarei também em momento oportuno. Um deles é a biografia dos escritores Beats (Kerouac, Ginsberg e Bourghous) feita pelo Harvey Pekar. Também comprei um livro-catálogo do Banksy, a série The Walking dead (a HQ) e, para presentear, “Zombie Evolution – O livro dos mortos-vivos no cinema”, uma espécie de enciclopédia do gênero. O livro do Banksy foi de presente pro Caio Vitoriano, o dos Beats será emprestado ao Pablo Capistrano e o dos zumbis darei para o professor Gustavo Bitencourt.

Aliás, já que estou postando aqui algumas fotinhas, encontrei, por acaso na net, umas imagens de eventos de anos passados em que estive ao lado deste jovem, compondo mesas literárias. Foram na Feira do Livro de Mossoró de 2005 e no Encontro Potiguar de Escritores de 2007. Publico também para registrar aqui.

Eu, o professor da UERN Tobias e Pablo na Feira do Livro de Mossoró.

Pablo, Sheyla Azevedo e eu no Encontro Potiguar de Escritores.

Fora Mikarlopoulus!

junho 17, 2011
ATENCAO: Esta postagem esta de acordo com a reforma ortografica de 2029, que abolira completamente os acentos da lingua portuguesa. Isto posto, boa leitura.  

E os pos-socraticos gritam a plenos pulmoes: “1, 2, 3, so sei que nada sei!”

Nao sei que dia da semana e hoje, ou mesmo qual o numero correspondente no calendario. Isso e bom. Significa que as ferias estao surtindo o efeito desejado. A vida dupla de publicitario e editor me conduz por caminhos repletos de prazos apertados, rigidos cronogramas e tarefas de emergencia que surgem a todo momento, demandando imediata e pronta atencao. Quando percebo que estou, mesmo que momentaneamente, desconectado desta realidade, sinto-me deveras aliviado, certo de que terei minhas baterias recarregadas quando retornar a sisudez do cotidiano, a rotina das agendas de compromissos, nas quais, nao so os dias, mas tambem as horas saltam aos olhos como neon no escuro, como que nos dizendo que devemos atuar com agilidade e, O horror! O horror!, proatividade.

Quando  viajo, seja la por qual razao, procuro olhar o mundo com olhos de vizinho bisbilhoteiro. Quero saber tudo o que se passa. Aprender e apreender o maximo possivel para, quem sabe, converter tais conhecimentos em textos futuros, ou trechos de cronicas, ou simples citacoes uteis que edifiquem algum argumento pueril. Divirto-me tracando paralelos entre mundos distantes, universos diversos, paises remotos como, por exemplo, Mossoro, e a minha cidade, que me gerou em suas ensolaradas entranhas e cuspiu para o mundo que, ate o presente momento, tem me acolhido muito bem, sem maiores queixas que eu possa expressar-vos.

Do Augusto Severo, fiz uma conexao no aeroporto de Lisboa. Beatriz e eu passariamos algumas horas circulando pela area de embarque e isso, no meu caso, significa preencher o tempo e algumas paginas do Moleskine com reflexoes a esmo. Antes de sentar-me diante de um espresso, passei pela livraria. Havia livros de Bolanos, Silviano Santiago e outros autores do momento. Porem, num grande mural na parede, um titulo se destacava. No ranking dos mais vendidos, o primeiro lugar e bem conhecido dos brasileiros. Ninguem menos que o amigo do Ricardo Texeira, Paulo Coelho. Mais uma vez me pus a pensar como este nosso conterraneo e fenomenal. E recordista de vendas no Brasil, Portugal, Vladvostok, Aral, Omsk, Dudinka e em mais 24 territorios a sua escolha.

Foi ai que algo me chamou a atencao. Se ele vende o que vende no Brasil, se e tao lido, como e que eu nao conheco tantos leitores do Mr. Rabbit assim? Quero dizer, ate conheco pessoas que leram um ou outro livro, mas nada perto da histeria que se criou em torno de seu nome. Nao sei de ninguem que leu muitos de seus títulos ou de muitas pessoas que leram pelo menos um deles.

A conclusao possivel e que os leitores de Paulo Coelho sao como os eleitores de Micarla. Voce ate conhece alguns, mas os numeros simplesmente nao batem. Como ela ganhou no primeiro turno se quase ninguem que conheco admite ter votado na criatura? E o outro? Como ele pode ter se convertido num impressionante éxito de vendas se nao conhecemos muitas pessoas que hajam lido suas obras? Será que existe algum fetiche ai? “Vou ler, mas nao contarei a ninguem.” Ou ainda: “Vou comprar uns 20 exemplares de cada livro, depois esconder e  nao direi nada.” Algo como uma seita de compradores de livros de Paulo Coelho. Eles nao admitem em publico, digressionam quando tocamos no assunto, disfarcam se indagados a respeito, fazem-se de doidos, como se diz no interior, mas estao la, com seus livros armazenados em lugares inacessiveis aos nossos olhos. Ou pode ser vergonha mesmo. No caso do mago carioca eu nao sei, mas quanto a prefeita natalense, fica facil compreender tal sentimento. Eu mesmo, sinto muita vergonha alheia dessa gente.

Entretanto, essa nao foi a unica ligacao entre o campeao de vendas e a vitoriosa nas urnas de 2008. Acredito, piamente que Micarla, tenha utilizado a mais famosa citacao do autor para chegar ao Palacio Felipe Camarao (“Quando voce quer muito uma coisa, o universo conspira a seu favor”.). Ela conseguiu. Fato. O problema e que um livro nao escrito pelo senhor Coelho nem por nenhum autor menos celebre, chamado senso comum, diz que “se voce fizer muita merda, o universo vai ficar puto da vida!” Dai pra surgir o movimento “Fora Micarla” foi um pulo.

Em meio a devaneios, envolvendo os supracitados personagens, cheguei a Atenas, na Grecia. A cidade estava um burburinho so. Protestos da populacao contra os arrochos que se seguirao ao acordo com a Uniao Europeia em troca de ajuda financeira. Uma greve paralisou a cidade e cheguamos a apressar o passo em dado momento quando pegamos uma rua errada e sentimos os primeiros efeitos do gas lacrimogenio no organismo. Pela TV, vi aquelas milhares de pessoas reunidas, com suas faixas e cartazes e pensando em sugerir algo como “Por que voces nao acampam no parlamento?” Mas preferi nao me envolver. Fui fazer o programa de turista regular e visitar alguns pontos turisticos.

Mas mesmo ai, o distanciamento nao foi total. As escavacoes arqueologicas logo me remeteram a Natal. Afinal, todos aqueles buracos no chao pareciam mais a Prudente de Morais, Romualdo Galvao ou Alexandrino de Alencar, com suas crateras lunares a cada trecho de avenida. Os monumentos milenares tambem me fizeram recordade imediatamente de nossa suntuosa arvore de Mirassol. Aquilo sim e grandioso.

No dia seguinte, a caminho da praia, fiquei sabendo que o primeiro ministro do pais renunciou. Andei conversando com os locais para saber o que eles acham dessa situacao, das possiveis consequencias e, talvez, reproduzir pra voces em alguns dias. Afinal, ja que estou na Grecia, tenho por obrigacao e dever moral, filosofar um bocadinho.

De qualquer forma, acredito que os lideres do movimento “Fora Micarla” vao gostar de saber que aqui na Grecia o “Fora Micarlopoulus” deu certo. So espero, para o bem dos gregos, que o vice primeiro-ministro nao seja o Paulinho Freire. Na boa.  Do fundo do coracao.

Agora, voces vao me dar licenca, que estou quase concluindo o primeiro ato da peca que os meninos e meninas do Clowns pretendem encenar no segundo semestre e preciso ir ao escritorio que consegui aqui. Logo abaixo, segue uma foto dele.

Nao se preocupem, jovens. Quando eu cansar disso aqui, volto rapidinho.

4 Imagens

maio 10, 2011

IMAGEM 1

Amigos, esta é a mais nova blusa dos Jovens Escribas, a última da coleção Primavera Verão. Custa R$ 35,00 e quem comprar duas, ganhará o livro de Pablo Capistrano que sairá dentro em pouco pela Jovens Escribas.

IMAGEM 2

Abaixo podemos ver eu e o professor Caio Vitoriano em momento de grande tensão no aniversário de nossa amiga em comum, Carolina Carvalho. Ninguém se machucou durante a produção desta foto.

IMAGEM 3

Time do Comitê / Rits em formação. Craques do futsal.

IMAGEM 4

Aqui podemos ver os 3 melhores jogadores do Comitê / Rits em ação. Thiago e Fialho super ligados no jogo e Pedro Victor cantando o hino nacional com 2 horas de delay.

AZ Revista 99

abril 12, 2011

Entre 1997 e 1999, 5 intrépidos jovens, eu incluso, produziam um simpático e audacioso fanzine chamado AZ Revista. O slogan era “Informação de A a Z”, ideal para ilustrar que aqueles rapazes não eram especialistas em porra nenhuma, apesar de gostar  de dar pitacos em tudo. Outro dia, arrumando minhas cousas pessoais, achei uma matéria do Diário de Natal sobre o zine e seus realizadores. Hilária, desde a foto que estampa a página até o título “Dois anos de muita curtição”. Aproveito para dividir com vocês este belo achado.

O tempo faz bem.