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Coluna do Novo Jornal – 105– 08.09.2012 – Mano Celo – Ele protesta

março 7, 2014

No dia 1º de setembro de 2012, publiquei no Novo Jornal, uma coluna chamada “Eu protesto” na qual exaltava a parcela da juventude que havia saído às ruas em Natal para protestar contra a gestão de Micarla de Sousa. A razão do elogio foi pela negação do fato de que nossos estudantes e jovens eram completamente alheios a tudo, analfabetos políticos e comodistas incorrigíveis. Isso já não se sustentava como verdade, pelo menos não no que dizia respeito aos que saíram às ruas para protestar.

Como considero aquele texto “Eu protesto” um tanto datado, pulo para a próxima coluna, a de número 105, na qual eu conto sobre o desempenho do Mano Celo no movimento e quais teriam sido suas consequências.

Divirtam-se!

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Mano Celo: ele protesta.

Ilustração de Rafael Coutinho

Ilustração de Rafael Coutinho

Nos protestos contrários à majoração das passagens de ônibus, senti falta de um personagem comum nesse tipo de manifestação em Natal, um tipo tão peculiar quanto improvável a participar de tais eventos com toda a sua vitalidade, sempre sensível a injustiças diversas e disposto a lutar contra o padecimento coletivo de comunidades mais vulneráveis às impiedosas espoliações impostas por nossos políticos e classes dominantes. Este jovem, a que me refiro (batizado Marcelo, mas conhecido pela alcunha de Mano Celo) saiu de cena no fim do ano passado e desempenhou importante papel em várias lutas recentes, sendo protagonista, inclusive do movimento #ForaMicarla que redundou com a renúncia da prefeita de Natal no segundo semestre de 2011. Pelo menos, foi alguns imaginaram. Aos que desconhecem o ocorrido, contarei com prazer como se deu tão pitoresco e deleitoso episódio.

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Natal, 2011 D.C.

Marcelo Maurício Rodrigo De Paula Faria Dutton é um rapaz de classe alta, mas que tenta estreitar suas ações com os mais necessitados, pregando justiça social numa cidade tão marcada pela desigualdade como esta capital dos Magos comissionados. Todas as suas tentativas de espalhar a mensagem de igualdade entre classes foram, desafortunadamente, frustradas pelos mais elementares equívocos, pela dificuldade da plateia em compreender as letras do seu rap politizado e pela interpretação errônea do público que sempre confundiu sua arte com escracho e humor.

As duas tentativas mais recentes de participar dos protestos organizados na cidade, a marcha da maconha de 2010 e o #CombustívelMaisBaratoJá de 2011, caíram no ridículo e no descrédito. O Mano Celo, como era conhecido artisticamente, sofria com isso. Ele achava que tinha uma missão, um papel muito importante a desempenhar na mudança social em curso na cidade. Sentia-se o porta-voz da retirada do poder das mãos das elites e sua entrega ao legítimo dono da cidade, o povo.

Sua frustração era grandiosa e a vontade de ser levado a sério parecia vislumbrar mais uma oportunidade. A insatisfação da população de Natal com a prefeita Micarla de Sousa gerou mais um movimento de protesto: o #ForaMicarla! Mano Celo, desta vez, não esperou ser convidado. Procurou os organizadores disposto a contribuir com os trabalhos organizados pelos líderes. Sabedores que eles eram da trajetória recente do rapaz, fizeram uma exigência. Ele poderia participar, mas estava proibido de rimar qualquer palavra que fosse ou mesmo de se aproximar de um microfone. Injuriado, puto da vida, extremamente contrariado, o Mano topou colaborar mesmo assim. Tudo em nome de uma boa causa.

Nosso herói participou da grande movimentação no cruzamento da Bernardo Vieira com a Salgado Filho. Agiu discretamente. Ficou quietinho o tempo todo, no máximo engrossando o coro e entoando palavras de ordem puxadas por outros manifestantes e que, para o bem geral dos presentes, não eram de sua autoria. Na passeata organizada na semana seguinte para a Avenida Roberto Freire, foi ainda mais radical, entrando mudo e saindo calado. Resistiu bravamente. Aí veio a ocupação da Câmara dos Vereadores. Era preciso arregimentar voluntários que aceitassem acampar no pátio. Como o Mano Celo é um rapaz bravo e destemido, entrou de cabeça no movimento. Comprou uma barraca toda invocada na Centauro. A barraca tinha ar-condicionado, sala, dois quartos, varanda ampla e um pequeno gerador de energia.

Logo, as assembleias do movimento passaram a ser realizadas dentro da barraca do Mano. Até vereadores simpatizantes da causa dos jovens foram conferir a suntuosa estrutura da barraca. Os jornais, os blogues, as redes sociais só falavam da mansão armada no pátio da câmara dos vereadores. Não demorou para começarem as especulações a respeito da origem do dinheiro que financiou aquela estrutura. Uns disseram que se tratava de financiamento de políticos oposicionistas e o movimento passou a ser seriamente questionado, especialmente por uma conhecida blogueira tuiteira picareta cujo blogue contava com patrocínio da Prefeitura e um certo jornalista decano das colunas impressas e porta-voz dos reaças de província. A descoberta da origem abastada e tradicional do Mano também forneceu toda a munição necessária para que a “imprensa oficial” chafurdasse na lama das falsas acusações.

Com a repercussão negativa, a agressividade com que o #ForaMicarla vinha sendo tratado pelos meios de comunicação, fazia-se necessário que a barraca do Mano fosse retirada do local. Os organizadores marcaram então uma entrevista coletiva para anunciar a retirada da barraca da discórdia e explicar que ela havia sido comprada com a mesada do Marcelo Dutton. Na coletiva, o Mano tomou a palavra e começou:

Eu sou Mano Celo,

o dono da barraca.

Um jovem muito sério,

sempre do lado da massa.

 

Comprei esse acessório

Com a grana do meu pai

Por um preço muito jóia

É mole ou quer mais?

 

Não sejamos caretas

De crer nessas mentiras

De blogueiras picaretas

Que adoram intrigas.

As centenas de pessoas presentes no pátio da Câmara explodiram em vibração incontida. As rimas, ainda que péssimas, do Mano Celo tiveram seu momento de redenção, havendo se revelado muitíssimo importantes para que o movimento #ForaMicarla ganhasse força e importância até que a prefeita, pobrezinha, fosse defenestrada do cargo. Muitos atribuem sua queda às declamações públicas do Mano Celo que começaram naquele episódio da barraca e se seguiram semanalmente pelos meses seguintes.

Alguns especularam que o Mano seria candidato a vereador no atual pleito. Propostas não faltaram, mas ele negou. Disse para quem quisesse ouvir que sua missão já fora cumprida.

Mano Celo, ele protesta.

Coluna do Novo Jornal – 083 – Secretário Mano Celo – 24.03.2012

abril 22, 2013

Secretário Mano Celo

MANO_CELO_3

Mano Celo por Rafael Coutinho

 

Quando a nova prefeita assumiu, decidiu dar uma sacudida geral na administração municipal. Fazia-se necessário preparar o terreno para uma nova era de eficiência na gestão e maior identificação da população com o poder público municipal. A ordem era criar um conceito mais leve de governo, capaz de cativar as pessoas, assim como havia feito a então candidata nos meses anteriores.

Para por em prática tal estratégia, era preciso também apagar o passado recente das memórias dos natalenses. Todas as realizações dos últimos 6 anos deveriam ser encobertas. Os projetos iniciados seriam descontinuados ou rebatizados, ganhando novas embalagens e logomarcas muito bem boladas pelo marketing da prefeitura e relançados com o status de novos e revolucionários programas elaborados para melhorar a qualidade de vida da população.

Uma das iniciativas em pauta era a reformulação das secretarias do município. Seria preciso extinguir algumas, criar outras, fundir várias e, as que permanecessem, mudariam de nome. Os meses foram se passando, depois 1 ano, 2 anos e nada da tão falada eficiência ou modelo de gestão. Para tentar corrigir o rumo da administração, cabeças voaram nas secretarias, nomes eram trocados todos os meses. Os secretários eram demitidos e outros eram chamados para ocupar seus lugares. A prefeita já se aproximava do seu último ano de gestão quando veio a ideia, sempre oportuna, de algum aspone de plantão, de criar a “Secretaria da Juventude”, que funcionaria como uma ponte entre a prefeita e os jovens natalenses, além de servir como instrumento de marketing, uma vez que a novidade deveria atrair a atenção da imprensa, da população e gerar ótimas chamadas publicitárias para rádio e TV. Uma prefeita que se preocupa com os habitantes de menos idade, na verdade, está pensando no futuro do município.

A questão era: qual o melhor nome para ocupar tal cargo? Quem reuniria os requisitos necessários para ocupar o posto? Que jovem teria coragem, talento, desenvoltura, articulação e popularidade para desempenhar o papel? Tal pessoa deveria também, importantíssimo!, atender a uma conveniência política e econômica.

Foi então que alguém lembrou do filho do empresário Maurício Dutton, um dos maiores financiadores da campanha da Prefeita. A indicação do filho para secretário da juventude acalmaria um pouco os ânimos do homem de negócios que, segundo se comentava, não andava muito satisfeito com o retorno obtido dos investimentos realizados na campanha eleitoral. Para ele, a prefeita e sua equipe não haviam se mostrado agradecidos com sua valiosa ajuda durante o pleito passado. Ou seja, aquela seria uma solução para vários problemas de uma vez. Uma oportunidade de matar dois coelhos com uma caixa d’água só. Que chamassem o filho do Sr. Maurício.

Marcelo Maurício Rodrigo De Paula Faria Dutton parecia ser o nome perfeito para o cargo. Não só pela ascendência nobre, mas também por sua militância social e artística local. Após decidido o nome a ocupar a cadeira de secretário, era preciso elaborar as atribuições institucionais da nova pasta. E também um nome que chamasse a atenção das pessoas para a seriedade da empreitada. Afinal, só porque se tratava de uma ação identificada com o público jovem, não precisava chamar-se pura e simplesmente “Secretaria da Juventude”. Um nome mais composto, formado por uma sigla nova, daria o equilíbrio necessário entre o despojamento juvenil da secretaria e o profissionalismo exigido por uma administração que se dá ao respeito. Com isso, o nome da Secretaria da Juventude seria: “Secretaria Especial Futuro Unificado Da Educação Urbana”. A sigla seria SEFUDEU.

No dia seguinte, pela manhã, já estavam lá na sede da prefeitura, para uma reunião com o secretário chefe da casa civil. Definiu-se que o discurso a ser ensaiado e comunicado à imprensa e população era que o secretário Mano Celo seria responsável pela realização de programas voltados para a inserção dos jovens no mercado de trabalho por meio da arte, do esporte e da capacitação laboral. O Mano, que havia resistido até o último momento, em participar daquele encontro, começou a gostar muito daquela história toda de ajudar os outros e dar aos jovens a oportunidade de vencer na vida.

No seu primeiro dia de expediente à frente da SEFUDEU, procurou reunir sua equipe a fim de conhecer seus colegas de trabalho, expor ideias e traçar os planos de atuação. Qual não foi sua surpresa ao descobrir que, dos 134 servidores lotados na secretaria, nomeados pelo Diário Oficial do Município, apenas 2 trabalhavam efetivamente no prédio: a secretária que atendia aos telefonemas e a copeira que trazia café e água para as visitas. O Mano pegou a lista de funcionários que, supostamente, estariam a sua disposição e logo estranhou vários sobrenomes conhecidos. Eram parentes de vereadores, deputados estaduais e empresários que, assim como o seu pai, ajudaram a prefeita a se eleger.

O Mano não desanimou. Imaginou que, assim como ele, a maioria daqueles nomes havia sido nomeada por politicagem, mas que sentiriam autêntica satisfação em trabalhar pelo bem das pessoas que mais precisam, realizando um grande trabalho em prol da sua cidade. De posse da lista, pediu à secretária que ligasse para todos, convocando para uma reunião de trabalho, na qual seriam divididas as funções de cada um e elaboradas as metas da secretaria. Era preciso deixar claro a todos que o trabalho realizado por eles seria muito importante para o bem da juventude natalense e essencial para a população mais.

Na manhã seguinte, o Mano Celo já estava na sala de reuniões, aguardando os servidores para que pudessem iniciar os trabalhos da Secretaria da Juventude (SEFUDEU). No entanto, ninguém apareceu. Em vez dos funcionários, quem entrou na sala foi a secretária com um documento que ordenava a exoneração do secretário. A chamada que ele deu nos filhos de políticos e empresários para que eles efetivamente trabalhassem, exercendo os empregos concedidos a eles, foi tomada como um insulto, uma afronta, ofensa das mais graves e indesculpáveis. Todos eles reclamaram aos seus padrinhos políticos que transmitiram suas insatisfações à prefeita. O resultado foi a demissão do Secretário Mano Celo, mais uma vítima da permanente reforma do secretariado da prefeitura. Em seu lugar, entraria uma garota que havia ganho notoriedade na cidade como “rainha do Twitter” e cuja trajetória se resumia ao mais autêntico puxa-saquismo virtual nas redes sociais.

O trabalho do Mano Celo como secretário da prefeitura durou exatas 24 horas e, mesmo assim, foi considerado como um dos melhores daquela desastrada gestão.

 

Ação Potiguar de Incentivo à Leitura – Programação

outubro 6, 2011

Amigas e amigos, é com muita satisfação que anunciamos a todos vocês a realização de um antigo desejo dos Jovens Escribas. Neste mês de outubro, com a ajuda de alguns parceiros e patrocinadores, realizaremos a AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA, evento que levará escritores a escolas, encontrar com estudantes universitários e o público em geral.

 

# ABERTURA OFICIAL – QUARTA-FEIRA – 19.10.2011 – 19h – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – ABERTO AO PÚBLICO 

No dia 19 de outubro, uma quarta-feira, os escritores Nei Leandro de Castro (RN) e Mario Prata (SC) estarão no Auditório Robinson Faria da Assembleia Legislativa falando sobre o prazer da leitura, seus livros, suas carreiras e fazendo o que sabem melhor: contando boas histórias. O evento é GRATUITO e ABERTO AO PÚBLICO.

 

# QUINTA-FEIRA – 20.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO

Na quinta-feira, 20 de outubro, duas animadas mesas de bate-papo falam de narrativas contemporâneas brasileiras. Pablo Capistrano (RN), Patrício Jr.(RN) e Sérgio Fantini (MG), depois Joca Reinners Terron (MT) e Rafael Coutinho (SP) recebem leitores, conversam com o público, assinam seus livros em debates sobre leitura e literatura.

 

# SEXTA-FEIRA – 21.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO

Na sexta-feira, 21 de outubro, às 18h30, Clotilde Tavares, Cláudia Magalhães e Ana Célia Cavalcanti conversam sobre seus livros lançados em 2011. Em seguida, será lançado o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães.

 

# ENCONTROS COM ESTUDANTES

De segunda à sexta (17 a 21 de outubro), nos períodos da tarde e da manhã, os autores visitarão as escolas estaduais Anísio Texeira e Castro Alves, a Escola Municipal 4º Centenário e o colégio CEI Romualdo Galvão. Também haverá palestras com Nei Leandro no curso de Letras da UnP e de Pablo Capistrano para funcionários da ALE Combustíveis.

# LANÇAMENTOS

Durante o evento, serão lançadas duas publicações de nossa editora. Na quinta-feira à tarde, Nei Leandro de Castro e Mario Prata estarão na Siciliano do Midway, assinando seus livros para leitores. Na sexta-feira, 21, o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães será lançado na mesma Siciliano do Midway Mall a partir das 18h30. Já no sábado, 22, às 16h, Leonardo Panço (RJ) conta a história do movimento underground carioca dos anos 1990 com o seu “Esporro”.

 

# OFICINA COM O ESCRITOR SÉRGIO FANTINI (MG)

De quarta a sexta-feira, (19 a 21 de outubro) será realizada uma oficina de leitura com o autor mineiro Sérgio Fantini. Com 40 vagas para estudantes universitários. A atividade também é GRATUITA e será realizada na UnP da Floriano Peixoto sempre das 15 às 17h. Os alunos receberão certificados e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail jovensescribas@gmail.com . Basta enviarem o nome completo, celular para contato, e-mail pessoal, instituição onde estuda, curso e período.

 

# FESTA DE ENCERRAMENTO

No dia 22 de outubro, sábado, a partir das 16h, no Centro Cultural Dosol, Ribeira, será realizada a festa de encerramento da AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA com o lançamento de Leonardo Panço e muita música.

 

# LIVRO PARA VOAR

Na noite de abertura na Assembleia Legislativa, bem como nos encontros com estudantes e na festa de encerramento no Dosol, a ALE levará suas estantes do projeto Livro para Voar, transformando estes locais em pontos de libertação e recolhimento de livros. Para saber mais sobre o projeto, acesse www.livroparavoar.com.br

 

# REDES SOCIAIS

As redes sociais serão uma grande plataforma de divulgação do evento, bem como de distribuição de brindes e promoções especiais. Sigam o perfil @jovens_escribas no Twitter e curtam a fanpage /jovensescribas no Facebook. Também sigam os perfis de nossos patrocinadores. A Cabo Telecom, ALE Combustíveis, CEI Romualdo Galvão e Assembleia Legislativa estarão cheias de novidades bacanas relacionadas ao evento.

 

# PÚBLICO

Nos 6 dias de evento, a AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA deverá atingir um público de mais de 3.000 pessoas, na sua grande maioria estudantes, mas também qualquer pessoa interessada em leitura e em ter um contato mais próximo com alguns dos melhores autores atuais.

Ação Potiguar de Incentivo à Leitura – uma inciativa dos Jovens Escribas

setembro 22, 2011