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Coluna do Novo Jornal – 114 – 10.11.2012 – Foca, Ana e o Festival Dosol

julho 23, 2014

Esta é uma “crônica exaltação”, uma espécie de elogio em forma de texto que sempre faço a pessoas que realizam trabalhos edificantes e valiosos, ilhas de empreendedorismo cultural e humano em meio a todo um oceano de mediocridade que insiste em nos rodear e pilhar quaisquer indícios civilizatórios com um tsunami de chorume e burrice endêmica.

Ana e Foca não são assim.

ainda bem.

***

Foca, Ana e o Festival Dosol

Ana e Foca

Foca e Ana na frente do Centro Cultural Dosol – foto Tribuna do Norte.

Hoje é um dia muito importante no meu calendário pessoal, cultural e de lazer. Terá início em Natal mais uma edição do Festival Dosol, celebração musical que vai além do mero entretenimento vazio de outros eventos anuais que recebem vultosos investimentos públicos sem oferecer à cidade seque ruma mísera fração do que o Dosol nos devolve em contrapartida a sua realização. Em dois dias de apresentações, dezenas de bandas, muitas delas locais, passarão pelos 2 palcos da Rua Chile.

Vários dos rapazes e moças munidos de guitarras, baquetas ou simplesmente de suas vozes foram doutrinados e tiveram suas bandas “incubadas” a partir da estrutura e estratégia montada pelo casal à frente do Dosol, Ana Morena Tavares e Ânderson Foca. A combinação selo musical, estúdio para ensaio e gravação, Centro Cultural para apresentações e um longevo e respeitado festival anual, promovendo intercâmbio com bandas de outros lugares, além da oportunidade de tocarem para uma plateia ampla, faz com que surjam novos grupos, gente tocando e compondo música autoral, dando vazão a todo um potencial criativo represado e que encontra no Dosol uma maneira de extravasar seus dotes artísticos de uma forma mais construtiva do que simplesmente pegando uma latinha e batendo uma na outra: tchá, tchá!

 

ATENÇÃO: INTERROMPEMOS ESTA COLUNA PARA UMA BREVE REFLEXÃO!

Aqui cabe uma reflexão que não me canso de propor. O trabalho colaborativo do Dosol tem beneficiado a cultura local ao promover a formação de público para a música autoral, dar a oportunidade de artistas amadurecerem e desenvolverem suas habilidades. Tudo isso numa região da cidade que permite não infernizar a vida de nenhum dos seus habitantes. Em resumo: os benefícios gerados são divididos entre muitos. Em contraponto, o que foi que o Carnatal gerou além do enriquecimento de alguns empresários como Paulinho Freire e os donos da Destaque? Alguém conhece uma banda local surgida a partir do evento festivo puxado por trios elétricos? E nem me venham com a história de que ele gera trabalho e renda, pois as migalhas que acabam caindo nas mãos do povo são pouco menos que uma mísera esmola diante dos milhões em dinheiro público embolsados pelas empresas promotoras. Isso num evento que cobra centenas de reais por cada dia de folia, altamente rentável e, certamente, autossustentável. Na boa, o maior legado dos 4 dias de folia é o cheiro de mijo que impregna nossos narizes na segunda pós-evento.

AGORA VOLTAMOS A NOSSA COLUNA NORMAL.

 

O grande mérito do festival ribeirinho é não sucumbir à armadilha fácil que captura 9 entre 10 natalenses, o lugar-comum do “se dar bem sozinho”, do “farinha pouca meu pirão primeiro” e do egoísmo de ocasião (qualquer ocasião) que impera na cidade. O voluntarismo da trupe roqueira não é exclusiva deles. Podemos perceber também em iniciativas admiráveis como a Casa da Ribeira, o Clowns de Shakespeare e diversas outras. É esse perfil generoso e colaborativo que está por trás do crescimento do evento e da expansão para Mossoró, Caicó e São Paulo de Piratininga. Obviamente, tudo é fruto de muito trabalho e de uma persistência quase obsessiva que percorreu os anos. Posso afirmar com conhecimento de causa, uma vez que fui testemunha ocular da história de Foca desde que ele era apenas um esforçado pegador de ondas vindo do Pará.

Conheci Ânderson através de dois amigos em comum, Caio Vitoriano e Leonardo Medeiros, em um dezembro qualquer dos anos 1990. Naquela estranha e derradeira década do milênio passado, ele era um dos caras que proporcionaram com que se pudesse sair por aí para ouvir algo além do ritmo preferido dos natalenses, o forró-pagode-axé. Eram anos estranhos e algumas válvulas de escape pop respondiam por “Banda Officina” e “Inácio Toca Trumpete” (de Karol Polsadski), além dos ótimos “Mad Dogs” dos ídolos supremos de várias gerações: Paulo Sarkis e Fernando Suassuna.

Quem também fazia parte da “Officina” era Ana Morena. Em meio a uma cidade monocultora por convicção, o casal e seus colegas de banda conseguiam viver de Pop-Rock com bons vencimentos a cada mês. Isso mostrava um lado empreendedor bastante apurado e uma firmeza de propósitos de quem realmente queria atingir seus objetivos. Em que pese eu acompanhar os shows como amigo dos vocalistas, o que me converteu em fã de ambos foi o trabalho árduo à frente do Dosol, iniciado anos depois. Foi ali que eles me convenceram da importância do que faziam, ganhando pontos e estrelas no boletim hipotético no qual emitimos notas mentais e julgamos todas as pessoas que conhecemos em nosso inconsciente.

Com a abnegação, sacrifícios e conquistas obtidas, Ana e Foca evoluíram na classificação de amigos para essas pessoas que a gente tem orgulho em conhecer. Subiram o elevador no meu conceito em virtude de um trabalho notável, colocando Natal entre as cidades onde acontecem coisas boas, que recebem bons concertos de cultura alternativa, por onde passam bandas legais que gostaríamos de ver ao vivo.

Todo mundo deve ter alguém com história semelhante. Um cara que se conhece há tempos e que prospera, vence, se destaca, faz e acontece, nos deixando felizes, como se também fizéssemos parte, de alguma forma, das façanhas empreendidas. Em mim, gera uma sensação boa, pois gosto de verdade de acompanhar o êxito dos amigos. Como fiquei em 2007, quando o festival perdeu o patrocínio devido às jogadas do Governo do Estado e da Fundação José Augusto e mesmo assim ele realizou o festival com mais de 50 bandas, muitas tocando de graça, na brodagem, pra ajudar diante da situação difícil. Vários grupos hospedados em casas de amigos.

E agora chegamos a 2012. Mais uma edição do Festival Dosol tem início. É hora de celebrar o fato de um trabalho persistente, bem feito, prospere e faça tão bem à cidade e sua cena cultural. Todas as iniciativas do Dosol representam uma vitória contra o marasmo, a mesmice, a mediocridade e a estagnação. O sucesso da dupla organizadora e de suas invenções é também uma prova que boas coisas nascem, crescem e prosperam nesta acéfala e ensolarada capital potiguar.

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Coluna do Novo Jornal – 102– 18.08.2012 – Cansada de guerra

fevereiro 27, 2014

Em 18 de agosto de 2012, resolvi escrever e publicar no Novo Jornal uma nano-série de apenas duas colunas sobre os maus tratos sofridos por dois dos meus bairros preferidos. Eram breves retratos localizados de como nossa cidade andava pessimamente administrada por nossa então  gestora e seus incompetentes aspones. Comecei pela Ribeira, pois nesta mesma data ocorreria o evento Circuito Ribeira. Enfim, o texto tem mais de um ano, mas ainda vale a reflexão, uma vez que, mesmo a sombria era verde tendo passado, recuperar o bairro nunca foi prioridade também do atual gestor que já esteve no poder por 6 anos anteriormente. O texto ainda trata um tanto da moral baixa dos natalenses naqueles tempos, sem perspectiva, esperança nenhuma e pura resignação, sentimentos que explorei na ficção no ainda inédito conto que fechará a trilogia dos zumbis do livro “Uns Contos de Natal”.

Boa leitura!

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Cansada de guerra

circuito

É triste ver o ânimo dos meus conterrâneos nestes dias sombrios que vivemos. A autoestima natalense anda submersa na lama da desesperança, soterrada pelo lixo da incompetência, aprisionada no mais profundo buraco de desfaçatez e loucura. Nunca se viu nossa gente tão prostrada diante daqueles que, de tanto tentarem, conseguiram nos humilhar plenamente, reduzindo-nos a uma massa disforme, não-reativa, que aceita passivamente tudo o que nos impõem. Somos um agrupamento heterogêneo e inerte que, ao ser exposto às mais dolorosas e inclementes situações de submissão, decide resignar-se ante a completa falta de perspectiva. Fomos amordaçados e sofremos a extrema violência da incessante privação. Inferiorizados, abandonados, esquecidos, derrotados.

Mas sabem qual o mais incrível? Nossos algozes, sedutores e astutos que foram, nos venceram pelo charme, pelo carisma, prometendo um futuro de realizações nunca antes almejadas. Teríamos oportunidades, acesso aos maiores sonhos pueris, que fariam de nós seres humanos mais completos, numa espécie de compensação divina antecipada, após uma trajetória de terríveis agruras. Seria nossa época de bonança que, passada a tempestade, anunciaria a chegada de novos tempos, repletos de irrefreável alegria e satisfação. Eles nos venderam o sonho, mas nos entregaram uma tenebrosa realidade em seu lugar, e ainda cobram com juros, previstos nas letrinhas miúdas do contrato, pagos com a alma, os bens e, acima de tudo, a cidade. Aquela que um dia foi nossa e prometeram que seria “da gente”, agora é de usufruto exclusivo deles. O jeito foi baixar a cabeça, reconhecer a derrota e deixar que chafurdem no brejo onde jaz a capital que costumávamos chamar de nossa.

Analisando o comportamento da população, pode-se perceber a reação típica de quem foi vítima de uma ardilosa traição. Foram pegos de surpresa por alguém em quem depositavam confiança e suas últimas esperanças. Covardia sem tamanho, humanidade zero. O semblante sério, a expressão sofrida e o olhar perdido denunciam o fim da linha para essa gente. E não é difícil de entender o porquê. Basta olhar o cenário em que estão inseridos. Dois de nossos mais aprazíveis bairros se metamorfosearam em locações pós-apocalípticas de filme americano: Ribeira e Ponta Negra. Deixemos nosso cartão postal prioritário para a próxima semana. Hoje, falaremos do bairro histórico e boêmio às margens do Potengi.

A Ribeira roqueira de minha adolescência, da alternativa digna à monocultura reinante, das baladas no Bimbos, Casarão, Blackout e diversos outros, deu lugar a um depósito de entulhos abandonado pelo poder público, uma zona proibida aonde as autoridades não chegam, a lei não alcança. Já faz muito tempo que isso ocorre, é bom que se diga. Nas duas gestões municipais que antecederam a atual, o abandono já existia. O bairro nunca foi dotado de infraestrutura básica para se tornar um polo de atração de público. Os poucos empresários que insistiram na ideia, como Paulo Ubarana e companhia, sempre tiveram que lidar com falta d’água, quedas de energia e ausência de policiamento, só pra citar alguns dos problemas cotidianos encarados com determinação por eles. Os prefeitos, dos anos 1990 pra cá, não perceberam o potencial do bairro em se tornar um local valorizado e atraente, desprezando (e até sufocando) as diversas iniciativas, nunca havendo proposto nenhum projeto de incentivo ou revitalização.

Porém, o contínuo descaso agravou-se com a implacável ação do tempo. O bairro atingiu o mais baixo nível na escala de degradação. O lugar que resistia graças à atuação de poucos abnegados dá mostras de estar prestes a entregar os pontos. No último dia 28 de julho, quando da realização do show da banda carioca Jason no Centro Cultural Dosol, a escuridão, sujeira e fedentina davam bem a dimensão da realidade atual. A situação chegou a tal ponto que, até mesmo os flanelinhas habituais foram afugentados de lá, dando vez a outros mais agressivos e, digamos assim, convincentes.

Semana passada, um alento. O Circuito Ribeira voltou a ocorrer, graças à luta de pessoas como Ânderson Foca, Henrique Fontes e de uma numerosa trupe de amigos e parceiros, encadeando uma corrente de colaborações para não deixar que a área sucumba à ruína imposta pelo poder público.

O Circuito Ribeira é uma celebração feita por quem mantém de pé as esperanças de que um dia o local terá seu valor, por fim, reconhecido. É um movimento articulado pelos que trabalham o ano inteiro contra a destruição completa de um dos mais importantes bairros de nossa cidade. O evento, iniciado em 2011, havia deixado de acontecer por falta de apoio. Retornou em grande estilo. Milhares de pessoas desceram a ladeira de Marpas para confraternizar, ouvir música, encontrar-se, curtir a festa e apoiar a iniciativa dos jovens empreendedores.

Espero que o Circuito Ribeira represente um foco crescente de resistência, marco inicial de uma reação que tomará Natal de assalto, transformando o bairro ribeirinho numa poderosa trincheira, símbolo dos que teimam em não se submeter aos desígnios e caprichos dos indiferentes e cruéis comandantes executivos. Será um movimento político (não partidário) que cobrará ação e retificação dos que têm instrumentos para tal. Os de minha geração, que cresceram ouvindo rock nas ruas do bairro, não se entregarão sem luta. Não deixaremos que sapateiem serelepes nos destroços do local que um dia foi refúgio, válvula de escape de uma cidade que se fez província e da província que se fez metrópole. Estamos prontos para comprar a briga e adianto: sairemos vencedores dessa disputa. Chega de desânimo e de baixar a cabeça pra vocês. Até porque o bairro não suporta mais. A velha Ribeira anda cansada de guerra. 

Coluna do Novo Jornal – 084 – Esporro – A cultura do underground – 31.03.2012

abril 26, 2013

Esporro – A cultura do underground

18 Capa Esporro FECHADA

Em 1998, num show de rock na Ribeira, conheci uma banda carioca de hardcore chamada Jason. Seus integrantes, Flávio Flock, Vital e Leonardo Panço viajavam pelo Brasil em longas turnês e o nordeste era uma das regiões mais frequentadas pelos músicos. As músicas do grupo, que misturavam bom humor e ferinas críticas sociais logo conquistaram a mim e um grupo de amigos próximos, convertendo-nos em fãs e levando-nos a voltar à Ribeira sempre que a banda vinha dar com os costados em Natal.

Anos depois, em 2004, por citar a banda em meu primeiro livro, “Verão Veraneio”, o guitarrista Leonardo Panço, que também é jornalista e escritor, quis me conhecer pessoalmente no recém-inaugurado Centro Cultural Dosol, na Rua Chile. Trocamos livros. Dei-lhe um exemplar do “Verão” e ele me deu o “2001: uma odisseia na Europa” com os relatos de uma turnê de 60 shows que o Jason fizera pelo velho continente. Papo vai, papo vem, a confluência de trabalhos e as correspondências trocadas nos anos seguintes nos levaram a cogitar que seu próximo livro fosse lançado pela Jovens Escribas, editora que mantenho desde 2004 com outros autores amigos.

Em 2008, Panço publicou o livro de crônicas “Caras dessa idade já não leem manuais.” Infelizmente, sem a participação da nossa editora, pois passávamos por um ano de poucos lançamentos e não tivemos capital para bancar a publicação, ainda que em parte. Quando li o livro depois de pronto, o arrependimento bateu forte. “Caras dessa idade…” é um excelente livro de crônicas, escrito por um autor fora do esquema de grandes editoras, dono de um pensamento claro e articulado, propondo reflexões e ideias sobre a vida, o cotidiano e as escolhas que fazemos. Ainda tive a oportunidade de escrever a orelha do livro e assumi o compromisso com o Panço de ajudá-lo no seu próximo livro, o “Esporro”, um relato sobre o underground carioca do início dos anos 90.

O livro saiu há alguns meses, no final de 2011, e a Jovens Escribas ajudou a pagar a edição, além de contribuir com alguns trechos da turnê de lançamentos do livro, ocorridos em 26 cidades de todo o Brasil. Afirmo com segurança que esta foi uma das publicações mais importantes dos 7 anos da nossa editora. A obra promove um registro histórico de uma época em que a cultura alternativa fervia no Rio de Janeiro, mas longe dos holofotes, criando as condições ideais para o surgimento de uma nova cena roqueira brasileira, cujos maiores expoentes, “O Rappa” e “Planet Hemp”, ganharam fama e fortuna.

“Esporro” conta a histórias de bandas como o “Gangrena Gasosa”, “Poindexter”, “Soutien Xiita”, “Piu piu e sua banda”, “Funk Fuckers”, “Zumbi do mato” e várias outras que viveram intensamente aquela primeira metade de década, lutando com todas as armas contra as intempéries da vida de artista no Brasil, ainda mais para músicos underground, deixando um enorme rosário de histórias não contadas e que precisavam de um narrador à altura que as reunisse e trouxesse ao conhecimento público.

Graças ao livro, todos podem agora conhecer a trajetória da banda “Gangrena Gasosa” formada por metaleiros que concluíram que muito melhor do que falar do Diabo em suas letras, poderiam citar nomes da cultura afro-brasileira como exu-caveira, pomba gira e diversos elementos do Candoblé, Umbanda e outras crenças. A banda tinha o hábito de roubar despachos de macumba e jogar no público durante os shows. Algumas de suas canções como “Saravá Metal”, “Welcome to terreiro” e “Se Deus é 10, Satanás é 666” já chamam a atenção a partir do título. Sátiras a fortes referências roqueiras como “Toops of Olodum” (o “Sepultura” tem a música “Troops of doom”), “Benzer até morrer” (“Beber até morrer” do “Ratos de porão”) e “Smells like a tenda espírita” (nome de um CD que fazia alusão à canção “Smells like teen spirit” do Nirvana).

A banda não obteve a projeção que muitos esperavam. B Negão e Marcelo D2 afirmam no livro que a ficha caiu de que eles estavam ficando famosos num dia em que foram citados pelo vocalista do Gangrena, Ronaldo Chorão, num show no Circo Voador. Porém, a carreira de músicos bem sucedidos não se tornou uma realidade para aquele grupo. Como se sabe, além de competência e talento, para alcançar a fama é preciso uma boa dose de sorte. E sorte é tudo o que não se deve esperar quando se rouba despachos de macumba para jogar nas pessoas.

Outro intrépido conjunto que aprontou muito naqueles primórdios de década foi “Piu Piu e sua banda” que, além de tocar um rock doidão que explorava os limites da irreverência, aliava o som a performances memoráveis em que nada era excessivo e tudo, absolutamente tudo era permitido. Os integrantes sempre se fantasiavam de forma esdrúxula. Certa vez, Piu Piu se vestiu de baiana e distribuiu “docinhos” envolvidos em papel laminado para o público. Ao abrirem o mimo, os enojados fãs perceberam que os quitutes eram, na verdade, cocô de cachorro.

Em outra oportunidade, o grupo levou um bode e um ganso para o palco. O bode fez xixi e o ganso saiu atacando as pessoas. Aliás, por falar em xixi, havia uma música em que o vocalista mijava num copo e bebia o produto de tal ação ali mesmo, na frente de todos. Também era normal que ele tirasse toda a roupa e promovesse espetáculos pirotécnicos nos quais ateava fogo numa guitarra e até no próprio corpo. Piu Piu nunca alcançou qualquer projeção que fosse muito além da zona sul do Rio, mas suas peripécias inacreditáveis estão agora registradas pelo contemporâneo de palcos, Leonardo Panço.

As muitas viagens de bandas como o “Beach Lizards” e o advento da “Família Hemp”, espécie de irmandade que abrangia “Funk Fuckers”, “O Rappa”, “Planet Hemp”, entre outras, além do início da carreira artística de Marcelo D2 em tempos de vacas muito magras também constam no livro. Entre os palcos nos quais os jovens se apresentavam, o “Canecão” e o “Circo Voador” figuram em alguns trechos, mas o grande cenário que serviu de incubadora para as bandas foi o lendário “Garage”, citado em boa parte do livro como o grande trampolim de toda aquela turma para as suas pequenas (ou grandes) conquistas. Para se ter uma ideia, D2 chegou mesmo a morar no lugar, dormindo no palco e trabalhando como vendedor de camisetas.

A publicação de “Esporro” pela editora inaugurou um ciclo feliz de publicações roqueiras. Em 2012, deveremos publicar a história do coletivo “Dosol” contada pelo produtor Ânderson Foca. As histórias contadas por Leonardo Panço mostraram o quão é importante para a memória cultural do país que tais episódios sejam escritos. Fico muito feliz em ter ajudado a tornar este livro uma realidade e espero que muitos outros tão divertidos quanto ele possam surgir. É o velho e bom Rock and Roll nos brindando com os melhores causos do show business, mesmo que nem sempre role tanto business assim.

Coluna do Novo Jornal – 053 – Um Dia Verde – 27.08.2011

janeiro 23, 2012

Crônica nostálgica. Viagem no tempo comigo, jovens.

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Um Dia Verde

Eu gosto do verde. Da cor verde. E não se trata de consciência ecológica ou simpatia gratuita. Minha predileção por essa cor tem duas razões bastante simples: sou consumidor e fã da cerveja holandesa Heineken e quando eu tinha 15 anos ouvi um certo som que fez muito bem aos meus ouvidos em meio à confusa e cheia de sobressaltos adolescência. Era um som, digamos assim, “verde”, que tomava conta de tudo como uma trepadeira cobre muros e, como não poderia deixar de ser, era um som punk. Naquele já longínquo 94 do século passado, ano de muita efervescência musical, tive a consciência que só o Punk salva. Amém!

O ano do tetra foi marcado por trabalhos e acontecimentos que me causaram profunda impressão: teve o “Da Lama ao Caos” de Chico Sciensce e Nação Zumbi, o acústico do Nirvana (e o tiro na cabeça do Kurt Cobain), o primeiro disco dos Raimundos, a explosão do Oasis (“Wonderwall”, “Don’t look back in anger”), o surpreendente “Usuário” do Planet e o “Smash” do Offspring, só pra citar alguns de memória. Gosto de todos, mas para mim talvez o CD mais divertido a ser prensado naquele ano tenha sido um com encarte bonito em que havia uma ilustração bem bacana de uma cidade e uma explosão, o “Dookie” do Green Day.

Som vibrante, alegre, moleque, urgente e pegajoso, que invadiu meu toca-CDs e segue tocando alto nos fones de ouvido até hoje. Faixa por faixa era um disco quase todo composto por hits e meio que me salvou de um caminho muito perigoso. Entre os 13 e 17 anos o adolescente vive aquele período de tomada de decisão, busca de uma identidade, formação de um caráter e de uma personalidade. As escolhas que a gente faz nessa fase da vida podem marcar para sempre nossa passagem por este mundo. Por isso eu me encontrava em um terreno bastante perigoso, pois o Colégio das Neves onde estudava era uma verdadeira incubadora de idiotas. O nível educaional era muito bom. Tínhamos bons professores e o conteúdo, tirando os dogmas medievais que nos eram repetidos como mantras, produziu alguns dos melhores e mais bem sucedidos adultos de minha geração. O problema era a mentalidade reinante entre os meus colegas, uma gente muito simpática, mas careta, preconceituosa e adepta de uma estupidez corrosiva e mais contagiante que a gripe espanhola.

Num ambiente como esse, se você não reza segundo a cartilha reinante da coletividade, o que para um jovem aluno Neves significava ir a shows de Axé, saber dançar forró e frequentar os pagodes de fim de semana, pode estar condenado a uma rápida morte social ou, muito pior, ganhar reputação de excêntrico o que, aliás, dá no mesmo. Eu gostava de rock. Até me esforçava (não muito) para ser igual aos outros, mas não dava. Paguei um preço por minhas opções. Meus amigos achavam exótico, as meninas da GRD nem olhavam pra mim e os que não me conheciam tinham a sensação de que era melhor continuarem assim. Até que descobri em outras salas e séries, alguns como eu.  Minha solidão terminou quando percebi que havia um pequeno nicho roqueiro na escola. Fiz amigos como Fernando Filho, Thales Lago, Caio Vitoriano, Leonardo Medeiros, Diogo Salim, Vítor Duarte e juntos criamos nosso próprio gueto, protegido da intolerância e hostilidade dos demais.

O Green Day, Offspring e muitos outros conjuntos roqueiros gringos e também brasileiros proporcionaram minha catequese, pavimentando um caminho para que eu conhecesse outros sons, bandas mais pesadas, ritmos mais frenéticos. Estava salvo. Só havia um problema: possivelmente eu nunca teria a oportunidade de ver meus grupos preferidos em apresentações ao vivo. Numa cidade em que Durval é rei e todos os puxadores de bloco ganham títulos de cidadãos locais, deveria haver alguma lei que mantinha os shows internacionais a milhares de quilômetros. Felizmente, os anos mostraram que eu estava errado.

Em 2004, o Offspring tocou em Recife. Em 2009 e 2011, foi a vez do Iron Maiden fazer o mesmo. Vez por outra também rola um concerto imperdível em São Paulo ou Rio e, com um pouco de economia e planejamento, dá pra marcar presença. Mas ainda faltava o Green Day. Faltava, pois por uma dessas jogadas do destino, acabei vindo passar um período de estudos fora de Natal e haveria um show dos californianos na cidade onde eu morava.

Quando chegamos à fila do evento, gigantesca, dando voltas no quarteirão, a primeira coisa que vi foi a multidão de camisetas pretas que passavam uma mensagem clara: eu estava em casa. Depois percebi que a maioria era de adolescentes ou adultos bem mais jovens que eu. Senti-me o tiozão do Rock. Aquela gurizada conheceu o grupo certamente através do “American Idiot”. Ao percorrer a extensão da fila, comecei a perceber representantes de minha época, facilmente identificáveis pelas rugas pioneiras, grisalhos precoces ou calvícies proeminentes. Fiquei imaginando se a banda foi tão importante para eles, na formação de seus gostos musicais, quanto foi pra mim. Durante a espera, muitos senhores e senhoras que passavam, paravam um pouco para nos perguntar o propósito de uma multidão de jovens como aquela, disciplinadamente alinhada, ordenadamente a espera de algo certamente grande. “Vamos a um concerto de Rock”, eu respodia todo simpático.

Até que, finalmente, teve início o espetáculo: público insano, devotado e de alma lavada. Inclusive eu, pois finalmente podia ver Billy Joe, Tré Cool e Mike Dirnt numa performance memorável. Quase 3 horas de clássicos (“Basket Case”, “She”, “When I come arround”), canções históricas (“Minority”, “American Idiot”, “Boulevard of broken dreams”) e baladas (“Good riddance”), além das mais recentes do “21st Century  Breakdown”. Tudo bem orquestrado com uma produção impecável, muita energia na plateia e ótima presença de palco.

A data de 29 de setembro de 2009 entrou para a história, pelo menos para a minha história. Foi um bom dia, colorido com contornos verdes, regado ao sabor amargo de muita cerveja e cada vez que lembro do concerto se anuncia um largo e satisfeito sorriso em meu rosto. O que aconteceu naquela terça-feira foi uma celebração aos 15 anos que se passaram desde que eu ouvi o Green Day pela primeira vez.  A alegria que eu exibia no show não era apenas de um fã que via ao vivo a performance de seus ídolos, mas de um adulto que se descobria muito feliz pelas escolhas que fez.

Mônica e Eduardo – Do tempo dos fanzines

junho 9, 2011

Talvez muitos aqui não tenham vivido esta época, mas no fim dos anos 90, quando eu era estudante de comunicação, havia os fanzines, publicações em papel que evoluíram para plataformas mais dinâmicas como sites e blogues. Entre 1997 e 1999, alguns amigos editavam a AZ Revista, publicação da qual participei com muito orgulho ao lado de Caio Vitoriano, Paulo Celestino, George Rodrigo e Cristiano Medeiros. Hoje, tirando o Lado Erre, não há mais fanzines por aí, mas naquela época os fanzineiros se correspondiam e enviavam suas publicações uns para os outros pelo correio. Uma vez recebi de alguém um zine chamado “Os reis da gambiarra”, divertidíssimo que trazia um texto chamado “Mônica e Eduardo” supostamente escrito por um tal Adolar Gangorra, um senhor de 71 anos de idade. Era uma crítica analítica à música “Eduardo e Mônica” da Legião Urbana.

Essa semana, com o (muito bom) vídeo da VIVO em homenagem à canção da Legião, procurei aqui em meus arquivos o texto do zine e aproveito para publicar aqui pra vocês.

Antes, vejam o vídeo da VIVO:

E agora, divirtam-se com o texto resgatado do fundo falso do baú.

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Mônica e Eduardo
Por Adolar Gangorra
18/05/01

Esse texto é uma análise comportamental crítica sobre Eduardo e Mônica (aquela música que todo mundo tem obrigação de tocar em churrascos, ao lado de Wish You Were Here, Stairway to Heaven, etc ….) A música Eduardo e Monica da banda Legião Urbana esconderia uma implicância com o sexo masculino? É o que garante Adolar Gangorra. Leia e confira.


O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista.  Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava.  E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso.

Como no caso da música Eduardo e Monica, do álbum Dois da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente enquanto a feminina (Monica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos.

Analisemos o que diz a letra. Logo na segunda estrofe, o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente (“Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram”) ao mesmo tempo que tentar dar uma imagem forte e charmosa à Monica (“enquanto Monica tomava um conhaque noutro canto da cidade como eles disseram”). Ora, se esta cena tiver se passado de manhã, como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Mônica revelaria-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.

Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura (“Festa estranha, com gente esquisita…”). Bom, “Festa Estranha” significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poder fugir da realidade com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. “Gente esquisita” é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa. Também são as garotas mais horrorosas da Via-Láctea. Enfim, esta era a tal “festa legal” em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como veremos a seguir.

Assim temos (“- Eu não estou legal. Não agüento mais birita”). Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios. Bem ao contrário de Monica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground. Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram (“E a Monica riu e quis saber um pouco mais Sobre o boyzinho que tentava impressionar”). Vamos por partes: em “E a Monica riu” nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Monica para com Eduardo. Ela, bêbada inveterada, ri de um bêbado inexperiente!

Mais à frente, é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se “quis saber um pouco mais” leia-se “quis dar para”!  É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Monica. A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo “boyzinho que tentava impressionar”!  É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como “boyzinho”… Não é verdade. Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Monica de bicicleta, como consta na quarta estrofe (“Se encontraram então no parque da cidade A Monica de moto e o Eduardo de camelo”). A não ser que o Eduardo fosse um beduíno, e estivesse realmente de camelo, mas ainda nesse caso não seria um “boyzinho”. Se alguém aí age como boy, esta seria Monica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (“Ela era de Leão e ele tinha dezesseis”) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Monica.

E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos na frente de todo mundo, valeu? Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Monica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo (“O Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Monica queria ver um filme do Godard”). Atitude esta nada democrática para quem se julga uma liberal. Na verdade, Monica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto, em geral), que acham que todo filme americano é ruim e o que é bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado pra caralho e com muitas cenas de baitolagem.

Em seguida Russo utiliza o eufemismo “menina” para se referir suavemente à Monica (“O Eduardo achou estranho e melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo”). Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. À pouco vimos Monica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Note que Russo informa a idade de Eduardo, mas propositadamente omite a de Monica. Além disto, se Monica pinta o cabelo é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril ou porque é uma baranga escrota mesmo.

O autor insiste em retratar Monica como uma gênia sem par. (“Ela fazia Medicina e falava alemão”) e Eduardo como um idiota retardado (“E ele ainda nas aulinhas de inglês”). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar “iéis”, “nou” e “mai neime is Eduardo”! Incomoda como são usadas as palavras “ainda” e “aulinhas”, para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor, respectivamente. Coitado do Eduardo, é um jumento mesmo…

Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois (“Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud”). Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.As, muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. Por exemplo, é tamanha uma pretensa intimidade com o poeta Manuel de Souza Carneiro Bandeira Filho, que usou-se a expressão “do Bandeira”. Francamente, “Bandeira” é aquele juiz que fica apitando impedimento na lateral do campo. O sujeito mais normal dessa moçada aí, cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba aí que tem coragem de rimar “Êta” com “Tiêta” e neguinho ainda diz que ele é gênio!

Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo (“E o Eduardo gostava de novela”) e crianção (“E jogava futebol de botão com seu avô”). A bem da verdade, Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não. Preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões!  É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, o homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.

Continuando, temos (“Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação”). Falava merda, isso sim! Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por que? Porque não se pode provar absolutamente nada … Vale tudo! É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Monica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto (“E o Eduardo ainda estava no esquema “escola – cinema – clube – televisão”). O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse “bar da esquina – terreiro de macumba – sauna gay – delegacia”?? E qual é o problema de se ir a escola, caramba?!?

Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Monica (“Eduardo e Monica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar”). Por ordem: 1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto. 2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo. 3) Quer saber? Teatro e artesanato é coisa de viado!!!

Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra (“A Monica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar”). Mais uma vez, aquela lengalenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Monica trabalha na previsão do tempo? Não. Monica é geóloga? Não. Monica é professora de química? Não. Mônica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada pode ensinar sobre céu, terra, água e ar que uma muriçoca não saiba? Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo caô mais furado do mundo. Santa inocência …

Ainda em “Ele aprendeu a beber”, não precisa ser muito esperto pra sacar com quem… é claro, com Monica, a campeã do alambique! Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis como o código morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Monica! Grande contribuição!

Depois, temos “deixou o cabelo crescer”. Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Monica na cabeça do iludido Eduardo. Sempre à frente em tudo, Monica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade (“E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular”). Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Monica deverá estar ganhando o seu prêmio Nobel. Outra prova da parcialidade do autor está em (“porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação”). É interessante notar que é o filho do Eduardo e não de Monica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta.

O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. Bem típico de algum recalque homossexual do autor, talvez magoado com a natureza masculina. É sabido que em todas culturas e povos existentes, o homem sempre oprimiu amulher. Porém, isso não significa, em hipótese alguma, que estas sejam melhores que os homens. São apenas diferentes. Se desde o começo dos tempos o sexo feminino fosse o dominador e o masculino o subjugado, os mesmos erros teriam sido cometidos de uma maneira ou de outra.

Por quê? Ora, porque tanto homens, mulheres e colunistas sociais fazem parte da famigerada raça humana. E é aí que sempre morou o perigo. Não importa que seja Eduardo, Mônica ou até… Renato!

Adolar Gangorra tem 71 anos, é editor do periódico humorístico Os Reis da Gambiarra e não perde um show sequer dos The Fevers.

Já vi pior: o outro Marlos Apyus

maio 12, 2011

Quando me mostraram esse vídeo na net, logo pensei que devem existir outros caras como Marlos Apyus (@apyus) e Ticiano Damore (@damoreticiano) espalhados por todo o Brasil. Confesso que me diverti muito com esse clipe artisticamente tosco produzido pelo figura gêmeo de sequela do hobbit natalense foragido em São Paulo.

Divirtam-se! E quem quiser seguir o cara no Twitter, o endereço é @javipior. Se no microblog ele for tão divertido quanto neste vídeo, valerá à pena.

Vídeos Legais.

fevereiro 22, 2011

Marlos Apyus é um jovem jornalista que trabalha com webdesigner. Inquieto que é, o rapaz sempre apronta algumas gaiatices por aí. tudo isso, além do trabalho musical à frente da banda experimental Experiência Apyus.

Pois bem, não é que o bom moço, editou um vídeo bem legal com aquela versão que o Radiohead fez para “Beber, cair, levantar”? O que? Vocês não conhecem essa versão? Pois vejam abaixo:

Outro garoto de grande sagacidade e bom humor é o infante Ticiano Damore, criado do já lendário Wílame. Pois bem, Ticiano é o criador da versão para Bossa Nova instrumental de “Minha mulher não deixa não”. Confiram:

Aliás, para seguir os dois meninos no Twitter, corram atrás de @apyus e @damoreticiano .

Festival Dosol 2010 – Vídeo Cobertura Lado R e O Inimigo.

fevereiro 7, 2011

Vídeo muito legal produzido pela galera do “Lado R” e “O Inimigo” com a cobertura do Festival Dosol 2010. Curtie demais. Curtam aí também!

Coluna da Digi # 79 – Realizadores: Ânderson Foca.

dezembro 13, 2010

Mais uma crônica da série Realizadores (Leonardo Panço, Fábio de Silva, Revista Catorze e Válerio Augusto). Dessa vez, o personagem foi Ânderson Foca, o homem que entre uma bola e outra que equilibra no nariz, ainda movimenta a cena rock de Natal, formando um público roqueiro que certamente vai tirar a cidade da monocultura em que se encontra há décadas. Esta coluna foi publicada na Digi em 03 de novembro de 2009. Releiam e, se gostarem, divulguem.

***

Realizadores: Ânderson Foca.

Ana Morena e Ânderson Foca - o casal Dosol

Conheci Ânderson Foca há muito tempo, através de dois amigos em comum, Caio Vitoriano e Leonardo Medeiros. Na época, estávamos numa mesa de lanchonete e descobrimos que torcíamos pelo mesmo time. Fanáticos por futebol que éramos, e somos até hoje, desenvolvemos uma animada conversação sobre as possibilidades de nossa equipe no ano que se anunciava (era um dezembro qualquer da década de 90). Aquele diálogo foi a centelha de uma amizade duradoura que revelou diversas afinidades, interesses comuns e nos enriqueceu com outros novos amigos apresentados de parte a parte.

Porém, deixando um pouco a amizade de lado, houve um momento em que eu passei da condição de simples amigo para fã confesso e entusiasmado admirador do trabalho de Foca. Na segunda metade dos anos 90, ele era um dos caras que proporcionaram com que se pudesse sair na cidade e ouvir algo além do ritmo preferido dos natalenses, o forró-pagode-axé. Naqueles anos, algumas válvulas de escape pops respondiam por “Banda Officina”, “Inácio Toca Trumpete” (de Karol Polsadski), a “Boca de Sino”, além dos ótimos “Mad Dogs” do ídolo Paulo Sarkis que, como vinho, ficam ainda melhores com o tempo. Em meio a uma cidade monocultora por convicção, Foca e seus colegas de banda conseguiam viver de Pop-Rock com bons vencimentos a cada mês. Isso mostrava um lado empreendedor bastante apurado e uma firmeza de propósitos de quem realmente quer atingir seus objetivos. Entretando, apesar de gostar do trabalho, não foi aí que virei fã do Foca.

Foi com a iniciativa e o trabalho árduo à frente do Dosol (selo musical, estúdio de gravação, rock-bar, centro cultural e festival) que ele me convenceu, ganhando pontos e estrelas no boletim hipotético no qual emitimos notas mentais e julgamos todas as pessoas que conhecemos em nosso inconsciente.  Com a abnegação, sacrifícios e conquistas obtidas, Foca deixou de ser simplesmente um amigo e passou a ser uma pessoa daquelas que a gente tem orgulho de conhecer. Ele subiu o elevador no meu conceito e agora era alguém que fazia algo relevante para a coletividade, que tentava realizar um trabalho notável, colocando Natal entre as cidades onde acontecem coisas boas, que recebem bons concertos de cultura alternativa, por onde passam bandas legais que gostaríamos de ver ao vivo. E não só isso, mas também promovendo um fluxo de mão dupla, oferecendo aos jovens roqueiros potiguares a chance de levarem o seu trabalho pra fora, gravarem suas músicas, mostrarem suas performances para gente do meio que viesse para a cidade.

Todo mundo deve ter alguém com história semelhante. Um cara que se conhece há tempos e que prospera, vence, se destaca, faz e acontece, nos deixando orgulhosos, como se também fizéssemos parte, de alguma forma, das façanhas empreendidas. Em mim, dá uma sensação boa, pois fico feliz, de verdade, com o êxito dos amigos. Como fiquei em 2005, quando vi a última noite do Festival Dosol lotada por um público empolgado. Também em 2007, quando o festival perdeu o patrocínio devido às jogadas do Governo do Estado e da Fundação José Augusto para financiar projetos do próprio Governo através da Lei Câmara Cascudo para depois anunciar que a “verba tinha acabado”, e mesmo assim ele realizou o maior festival de Rock já ocorrido no RN até então com mais de 50 bandas, muitas tocando de graça, na brodagem, pra ajudar diante da situação difícil.

E agora chegamos a 2009. Mais uma edição do Festival Dosol se avizinha, a programação oficial saiu com 23 bandas potiguares, 17 do resto do Brasil e mais 3 gringas de expressão e relevância. Fico com um sorriso estampado no rosto ao saber dessas coisas. Em saber que um trabalho persistente, bem feito, mesmo diante das muitas adversidades que se impõem na província, alguém consiga colher frutos, dividi-los conosco e promover um bem maior para a cidade e sua cena cultural. O trabalho de Foca nem sempre encontra reconhecimento e o valor que merece, o que ele faz não repercute na Afonso Pena nem nas boates da Salgado Filho, mas é de boas ideias e disposição de colocá-las em prática como as dele que surgem grandes resultados. Todas as iniciativas do Dosol representam uma vitória contra o marasmo, a mesmice, a mediocridade e a estagnação. Por isso, confesso aos meus leitores que hoje, talvez mais do que amigo, sou fã do cara. O sucesso dele e de suas invenções é também um pouco meu.

Vídeos Legais

dezembro 9, 2010

Indico aqui alguns vídeos legais que vi ultimamente. Aqui no Comitê Criativo nós rimos muito com a “Gaiola das Cabeçudas”, aulas 1 e 2, do gênio Marcelo Adnet. Também do Adnet, publico aqui o vídeo de um típico eleitor tucano. E a música “Um lugar do caralho” do Júpiter Maçã, uma das preferidas aqui da galera do Comitê porque é uma espécie de hino quase oficial da agência.

Vejam, riam e curtam.

Gaiola das Cabeçudas – Aula 1

Gaiola das Cabeçudas – Aula 2

Eleitor de Elite



Um lugar do caralho – Júpiter Maçã

My Way – Yeah! Yeah!

novembro 11, 2010

Tá foda de atualizar. Muito trabalho, muitas tarefas e pouco tempo para navegar. Em todo caso, consegui dar uma escapadinha e aproveito para postar dois vídeos. O primeiro é uma antológica interpretação de My Way pelos Sex Pistols. O segundo é um demonstrativo do “Exercício do Yeah! Yeah!” que todo mundo pode fazer em casa. Amanhã, sexta, prometo atualizar duas vezes. Será que eu cumpro? Aguardemos. Valeu!

MY WAY – SEX PISTOLS

EXERCÍCIO DO YEAH! YEAH!

Coluna da Digi # 76 – Um Dia Verde

novembro 1, 2010

Textinho bem legal que escrevi ano passado. Curto muitíssimo. Boa leitura.

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Um Dia Verde

Eu gosto do verde. Da cor verde. E não se trata de consciência ecológica ou simpatia gratuita. Minha predileção por essa cor tem duas razões bastante simples: sou consumidor e fã da cerveja holandesa Heineken e quando eu tinha 15 anos ouvi um certo som que fez muito bem aos meus ouvidos em meio à confusa e cheia de sobressaltos adolescência na medíocre classe média (e por que não dizer mediana?) natalense. Era um som, digamos assim, “verde”, contagiante e, como não poderia deixar de ser, punk. Naquele já longínquo 94 do século passado, ano de muita efervescência musical, tive a consciência que só o Punk salva. Amém!

O ano do tetra foi relembrado outro dia aqui mesmo na Digi na ótima crônica de Hugo Morais a respeito dos 15 anos do CD “Da Lama ao Caos” de Chico Sciensce e Nação Zumbi. O texto me fez voltar no tempo para aquele ano e foi como se eu vivesse tudo de novo. Além do CD da Nação, teve o acústico do Nirvana (e do tiro na cabeça do Kurt Cobain), o primeiro disco dos Raimundos, a explosão do Oasis (“Wonderwall”, “Don’t look back in anger”), o surpreendente “Usuário” do Planet e o “Smash” do Offspring, só pra citar alguns de memória. Gosto de todos, mas para mim talvez o mais divertido que foi prensado naquele ano tenha sido um com encarte bonito em que havia uma ilustração bem bacana de uma cidade e uma explosão, o “Dookie” do Green Day.

Som vibrante, alegre, moleque, urgente e pegajoso até que invadiu meu toca-CDs e segue tocando alto nos fones de ouvido até hoje. Faixa por faixa era um disco quase todo composto por hits e meio que me salvou de um caminho muito perigoso. Entre os 13 e 17 anos o adolescente vive aquele período de tomada de decisão, busca de uma identidade, formação de um caráter e de uma personalidade. As escolhas que a gente faz nessa fase da vida podem marcar para sempre nossa passagem por este mundo. Por isso eu me encontrava em um terreno bastante perigoso, pois o Colégio das Neves onde estudava era uma verdadeira incubadora de idiotas. O nível educaional era muito bom. Tínhamos bons professores e o conteúdo, tirando os dogmas medievais que nos eram repetidos como mantras, produziu alguns dos melhores e mais bem sucedidos adultos de minha geração. O problema era a mentalidade reinante entre os meus colegas, uma gente muito simpática, mas careta, preconceituosa e adepta de uma estupidez corrosiva e mais contagiante que vírus da gripe.

Num ambiente como esse, se você não reza segundo a cartilha reinante da coletividade, o que para um jovem aluno Neves significava ir a shows de Axé, saber dançar forró e frequentar os pagodes de fim de semana, pode estar condenado à uma rápida morte social ou, muito pior, ganhar reputação de excêntrico o que, aliás, dá no mesmo. Eu gostava de rock. Até me esforçava (não muito) para ser igual aos outros, mas não dava. Paguei um preço por minhas opções. Meus amigos achavam exótico, as meninas da GRD nem olhavam pra mim e os que não me conheciam tinham a sensação de que era melhor continuarem assim. Até que descobri em outras salas e séries, alguns como eu.  Minha solidão terminou quando percebi que havia um pequeno nicho roqueiro na escola. Fiz amigos como Fernando Filho, Thales Lago, Caio Vitoriano, Leonardo Medeiros, Diogo Salim, Vítor Duarte e juntos criamos nosso próprio gueto, protegido da intolerância e hostilidade dos demais.

O Green Day, Offspring e muitos outros conjuntos roqueiros gringos e também brasileiros proporcionaram minha catequese, pavimentano um caminho para que eu conhecesse outros sons, bandas mais pesadas, ritmos mais frenéticos. Estava salvo. Só havia um problema: possivelmente eu nunca teria a oportunidade de ver meus dois grupos californianos ao vivo. Numa cidade em que Durval é rei e todos os puxadores de bloco ganham títulos de cidadãos locais, deveria haver alguma lei que mantinha os shows internacionais a milhares de quilômetros. Felizmente, os anos mostraram que eu estava errado.

Em 2004, o Offspring tocou em Recife. Em 2009, foi a vez do Iron Maiden fazer o mesmo. Vez por outra também rola um concerto imperdível em São Paulo ou Rio e, com um pouco de economia e planejamento, dá pra marcar presença. Mas ainda faltava o Green Day. Faltava, pois por uma dessas jogadas do destino, acabei vindo passar um período de estudos fora de Natal e haveria um show dos californianos aqui onde estou morando.

Quando chegamos à fila do evento, gigantesca, dando voltas no quarteirão, a primeira coisa que vi foi a multidão de camisetas pretas que passavam uma mensagem clara: eu estava em casa. Depois percebi que a maioria era de adolescentes, ou pelo menos adultos bem jovens que eu. Senti-me o tiozão do Rock. Aquela gurizada conheceu o grupo certamente através do American Idiot. Ao percorrer a extensão da fila, comecei a perceber representantes de minha época, facilmente identificáveis pelas primeiras rugas, precoces pelos grisalhos ou proeminentes calvícies. Fiquei imaginando se a banda foi tão importante para eles, na formação de seus gostos musicais, quanto foi pra mim. durante a espera, muitos senhores e senhoras que passavam, paravam um pouco para nos perguntar o propósito de uma multidão de jovens como aquela disciplinadamente alinhados, ordenadamente a espera de algo certamente grande. “Vamos a um concerto de Rock”, eu respodia todo sorrisos.

Até que, finalmente, teve início o espetáculo: público ensandecido, devotado e de alma lavada. Inclusive eu, pois finalmente podia ver Billy Joe, Tré Cool e Mike Dirnt numa performance memorável. Quase 3 horas de clássicos (“Basket Case”, “She”, “When I come arround”), canções históricas (“Minority”, “American Idiot”, “Boulevard of broken dreams”) e baladas (“Good riddance”), além das novas do “21st Century  Breakdown”. Tudo bem orquestrado com uma produção alucinante, muita energia na plateia e ótima presença de palco.

A data de 29 de setembro de 2009 entrou para a história, pelo menos para a minha história. Foi um bom dia, colorido com contornos verdes, regado ao sabor amargo de muita cerveja e cada vez que lembro do concerto se anuncia um largo sorriso em meu rosto. O que aconteceu naquela terça-feira foi uma celebração aos 15 anos que se passaram desde que eu ouvi o Green Day pela primeira vez.  A alegria que eu exibia no show não era apenas de um fã que via ao vivo a performance de seus ídolos, mas de um adulto que se descobria muito feliz pelas escolhas que fez.

Festivais 2010

outubro 31, 2010

* Fontes do conteúdo: http://www.dosol.com.br/ e http://flipipa2010.blogspot.com/

Novembro se inicia cheio de expectativa. Os 2 melhores eventos culturais realizados atualmente no Estado preencherão os dias com uma rica programação.

No fim desta semana, Ândersons Foca dará início à realização de mais um Festival Dosol, na Rua Chile, Ribeira. Começa na Sexta (05) com o baile de abertura e agitará o bairro boêmio sábado e domingo (06 e 07).

Ândersons Foca e Ana Morena

A programação deste ano está uma das melhores que já vi, rivalizando com a célebre edição de 2007, na qual Foca e Ana Morena, sua sócia e esposa, trouxeram na raça, uma escalação de grupos inacreditável para quem acabara de perder o patrocínio da Lei Câmara Cascudo por uma destas humilhações que o governo que se acaba costuma impor a produtores culturais nestes 8 anos.

Mas voltando a falar da edição deste ano, quem for à Rua Chile conferir vai se deparar com atrações fodásticas como a Orquestra Contemporânea de Olinda, Móveis Coloniais de Acaju, Camarones Orquestra Guitarrística e o último Ramone vivo: Marky Ramone Blietzkrieg.

Os ingressos, senhas, bilhetes e casadinhas estão à venda na loja Levis do Midway Mall. Custam R$ 20,00 por dia e R$ 30,00 (sábado + domingo). Ah, só mais duas coisinhas: camarote e de cu é rola e frontstage é meu ovo, beleza?

Confira a ordem das bandas com as mãos levantadas fazendo chifrinhos:

FESTA DE ABERTURA (5/11)
CENTRO CULTURAL DOSOL
DISCOTECAGEM – FABRÍCIO NOBRE (GO)
24H – AMP (PE)
01H – LOVE BAZUKAS (GO/SP)

SÁBADO (6) – RUA CHILE, RIBEIRA
15h30 – HOSSEGOR (RN)
16H – DECRETO FINAL (RN)
16H30 – NEVILTON (PR)
17H – HUMANA (CHILE)
17H30 – MECHANICS (GO)
18H – SWEET FANNY ADAMS (PE)
18H30 – SEX ON THE BEACH (PB)
19H – SUPERGUIDIS (RS)
19H30 – VENICE UNDER WATER (RN)
20H – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
20H30 – AUTORAMAS (RJ)
21H – THE TORMENTOS (ARG)
21H30 – CALISTOGA (RN)
22H – BLACK DRAWING CHALKS (GO)
22H30 – VESPAS MANDARINAS + FÁBIO CASCADURA (SP/BA)
23H – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
24H – CABRUERA (PB)
0H30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)

DOMINGO (7) – RUA CHILE, RIBEIRA
15H30 – TODOS CONTRA UM (RN)
16H – BURN MY HEART AT SUNSET (RN)
16H30 – PUMPING ENGINES (RN)
17H – MAHATMA GANGUE (RN)
17H30 – KATAPHERO (RN)
18h – CONJUNTO MERDA (ES)
18H30 – AK-47 (RN)
19H – GARAGE FUZZ (SP)
19H40 – DESALMA (PE)
20H10 – CLAUSTROFOBIA (SP)
20H50 – FACADA (CE)
21H20 – MARKY RAMONES BLITZKRIEG (EUA)

FESTIVAL DOSOL – MÚSICA
CONTEMPORÂNEA 2010
CASA DA RIBEIRA

QUARTA, 10 DE NOVEMBRO
19h – ESSO ALENCAR (RN)
19h40 – CLARA E A NOITE (RN)
20h20 – MC PRIGUISSA (RN)

QUINTA, 11 DE NOVEMBRO
19h – JÚLIO LIMA (RN)
19h40 – PEDOBREU (RN)
20h20 – ANTÔNIO DE PÁDUA (RN)

SEXTA, 12 DE NOVEMBRO
19h – TRILOBIT (PR)
19H40 – DONA ZEFINHA (CE)
20H20 – WADO (AL)

SÁBADO, 13 DE NOVEMBRO
18h – AUTOMATICS (RN)
18h40 – PLANANT (RN)
19h20 – VIOLINS (GO)

DOMINGO, 14 DE NOVEMBRO
18h – TESLA ORQUESTRA (RN)
18h40 – FALSOS CONEJOS (ARGENTINA)
19h20 – FÓSSIL (CE)
20h – GIGANTE ANIMAL (SP)

FESTIVAL DOSOL 2010 (ETAPA PIUM)
CIRCO DA LUZ, PIUM/RN

DOMINGO, DIA 14 DE NOVEMBRO
17h – JULIO LIMA (RN)
17h40 – ORQUESTRA BOCA SECA (RN)
18h20 – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
19h – THE TORMENTOS (ARG)
19h40 – DONA ZEFINHA (CE)
20h20 – PEDOBREU (RN)
21h – CALISTOGA (RN)

SEGUNDA, DIA 15 DE NOVEMBRO
17h – TESLA ORQUESTRA (RN)
17h40 – FLUIDO NATURAL (RN)
18h20 – PLANANT (RN)
19h – FALSOS CONEJOS (ARGENTINA)
19h40 – A BANDA DE JOSEPH TOURTON (PE)
20h20 – PROJETO TRINCA (RN)
21h – VIOLINS (GO)
21h40 – VENICE UNDER WATER (RN)

Logo em seguida ao Festival Dosol, Ândersons e Ana Morena saem de cena para planejar 2011 e dão lugar a outro competente produtor, Dácio Galvão, o idealizador do saudoso ENE (Encontro Natalense de Escritores) que, após a sucessão municipal de 2008, teve que realizar um evento de igual importância a uns 100 Km da capital, na praia da Pipa.

A Flipipa começou em 2009 e acabei perdendo a primeira edição, pois estava morando fora. Mas não sei se eu iria, uma vez que as mesas estavam repletas de Danuzas Leões e Lobões, enfim, palestras com gente que eu não poderia deixar de perder.

 

No entanto, esta segunda edição, em 2010, está excelente! Marçal Aquino, João Gilberto Noll, João Ubaldo Ribeiro, Tarcísio Gurgel, Mia Couto, Rafael Coutinho e Daniel Galera vão transformar a Pipa no paraíso dos leitores potiguares (todos os 6). O festival só peca pelas mesmas razões de todos os encontros literários realizados em terras potiguares: algumas palestras ocorrem no meio da tarde e em dias úteis. Ou seja, quem trabalha fica impedido de conferir seus autores preferidos. Esse mesmo erro foi cometido no recente Encontro Potiguar de Escritores e também no Encontro Lusófono da Prefeitura de Natal. Mas a escalação de nomes está digna de uma folguinha no trabalho pra conferir de perto as mesas.

Abaixo a programação:

18/NOV (5ª feira)

18h — Tenda Literária 

Mesa 1: Novela Gráfica: A construção linguística e visual

COM: Daniel Galera (SP) e Rafael Coutinho (SP)

MEDIADOR: Alex de Souza (RN) 

19h30 — Tenda Literária

Solenidade de Abertura

20h — Tenda Literária
Mesa 2: O Brasil que existe em nós

COM: Mia Couto (Beira, Moçambique)

DEBATEDORA: Conceição Flores (Portugal/RN)

21h30 — Tenda Literária
 Mesa 3: 1822: Uma nova perspectiva da criação do Brasil
COM: Laurentino Gomes (PR)   DEBATEDOR: Raimundo Pereira Arrais (PE/RN)
 

19/NOV (6ª  feira)

17h30 – Tenda Literária

Mesa 4: O Sisudo e a Melindrosa: tradição e modernidade em Gizinha, de Polycarpo Feitosa

COM: Tarcísio Gurgel (RN)

MEDIADORA: Nivaldete Ferreira (PB/RN)

 

19h30 — Tenda Literária
Mesa 5: Do roteiro ao romance

COM: Marçal Aquino



21h — Tenda Literária

Mesa 6: Estrelas de Couro: A Estética do Cangaço

COM: Frederico Pernambucano de Mello (PE) e Sérgio Augusto Dantas (RN)

MEDIADORA: Clotilde Tavares (PB)

 20/NOV (Sábado)

17h30 — Tenda Literária

Mesa 7: Jornalismo e cultura nas redes sociais: experiências  

Com: Dirceu Simabucuru, Laurita Arruda, Yuno Silva e Carlos Cavalcante

 18h30 — Tenda Literária

Mesa 8: Luis da Câmara Cascudo: por uma fortuna crítica preservada
COM: Durval Muniz (PE),  Moacy Cirne (RN) e Vânia Gicco (RN)
Mediador: Carlos Magno Araújo

20h00 — Tenda Literária

Mesa 9 :A literatura de Noll em tempos de pós-modernidade

COM: João Gilberto Noll (RS) e Ilza Matias Sousa (RN)

MEDIADOR: Carlor Peixoto (RN)

21h30 — Tenda Literária

Mesa 10 : “Vida de escritor”
COM: João Ubaldo Ribeiro (BA) e Geraldo Carneiro (MG)

DEBATEDOR: Woden Madruga (RN)

Por fim, logo após a Flipipa, o lendário Gringo’s Bar abrirá excepcionalmente na segunda-feira, 22 de novembro, para o lançamento em Natal de “Cachalote”, o mais aclamado quadrinho lançado no Brasil em 2010. Sob o céu de Ponta Negra, esta praia habitada por putas e gringos, estaremos tomando umas cervejas com os autores Daniel Galera e Rafael Coutinho, recebendo amigos e vendendo exemplares de “Cachalote” e de livros anteriores do Galera.

Patrício Jr., Gregor Samsa e Daniel Galera.

Mas sobre isso, falarei mais ainda esta semana.

É isso aí: como já diziam os “Guns and roses” : “November’s rain (tradução: “Novembro é foda!”) 

Coluna da Digi # 67 – Leonardo Panço, o bluesman do Rock.

setembro 27, 2010

Dando sequência à série de crônicas exaltando o trabalho de pessoas que adimiro em razão do excelente trabalho realizado em diversas áreas, publiquei na Digi uma coluna no dia 03 de agosto de 2009, homenageando o músico e escritor Leonardo Panço, líder do Jason e autor do livro “Caras dessa idade já não lêem manuais”. Fiquei feliz em direcionar mais esse elogio a um alvo mais que merecedor.

***

Leonardo Panço, o bluesman do Rock.

Essa é mais uma crônica da série Realizadores. Dessa vez, o personagem é o carioca Leonardo Panço, guitarrista, líder da banda Jason, escritor e um homem de atitudes corretas e muitíssima iniciativa. No fim dos anos 90 e início dos 2000, eu já era muito fã da banda do Panço ( e continuo até hoje, diga-se). Eles vinham todos os anos tocar no Nordeste, passavam por Natal e alguns amigos em comum me arrastaram para uma dessas visitas. Na ocasião tocariam Ravengar, Memória Rom e Jason. Naquele primeiro show fiquei impactado com o hard-core bem humorado dos rapazes do Rio, a presença de palco e ótima voz do vocalista Vital e as letras sagazes do Flávio Flock, misturando deboche com a medida certa de agressividade, soando sempre como um divertido desabafo. Não me restava alternativas a não ser me tornar imediatamente um admirador da banda e comparecer a todas as apresentações dos caras por Natal dali até o fim da vida, do grupo ou do mundo.

Anos depois, quando saiu meu primeiro livro, o “Verão Veraneio”, que fazia diversas referências ao Jason e suas letras em contos e crônicas e incluía seu nome nos agradecimentos, eles vieram a Natal mais uma vez. Compareci ao concerto no “Centro Cultural Dosol” junto com algumas dezenas de espectadores que cantavam junto todas as músicas, como o hino dos solteiros convictos “Que bom que eu não amo ninguém”: “Que bom poder ficar sozinho todo dia/ Que bom comprar só um ingresso na bilheteria/ Que bom não dizer onde, como nem porque/ Que bom ver um jogão de futebol e torcer/ Que bom que eu não amo ninguém, NINGUÉM! / Quem bom que eu não amo ninguém.” A certa altura do espetáculo, Ânderson Foca, diretor do Centro, me disse que quando terminasse o show, Panço queria falar comigo. Ele recebera de Foca um exemplar de “Verão Veraneio” e ficara curioso com aquele fã que registrou em livro sua preferência.

No camarim do Dosol, uma conversa rápida, troca de e-mails, MSNs e ganhei o primeiro livro do autor: “2001 – uma odisséia na Europa”, do tempo em que odisseia ainda levava acento. A obra contava a viagem de 80 dias e 60 shows que a banda fez no velho continente no início do milênio. Dali pra frente a amizade prosseguiu e tomamos uma cerveja nos Rios, Grande do Norte ou De Janeiro. O Panço se tornou leitor de vários outros autores potiguares: Daniel Minchoni, Thiago de Góes, Pablo Capistrano e Patrício Jr.

O tempo foi passando quando em 2008 ele decidiu lançar o seu segundo livro: “Caras dessa idade já não lêem manuais”, uma seleção de crônicas e alguns contos curtos repletos de diálogos inspiradíssimos. Para minha surpresa e enorme alegria, fui convidado para escrever a orelha do novo rebento. Recebi o arquivo PDF e tinha uma semana para ler, redigir e remeter o texto de pouco menos de uma página de A4. Em meio a uma correria danada de trabalho, cumpri a missão, sentindo-me culpado, pois sabia que poderia tê-lo feito melhor. 

Menos de 2 meses depois, chega a minha casa alguns exemplares para que eu pudesse guardar o meu e distribuir os demais para alguns leitores privilegiados da terrinha. Na ocasião, aproveitei para reler o livro com mais calma e atenção. Foi aí que a ficha caiu. Fiz uma orelha muito aquém do alcance e da relevância da obra. “Caras dessa idade já não lêem manuais” é um dos melhores livros de crônicas que li nos últimos anos. Sua importância passa despercebida em meio à simplicidade com que foi escrito, editado e lançado. Discretamente, sem grandes publicidades ou chamarizes. Entenda-se que simplicidade é diferente de simploriedade e a edição é bela e caprichada.

Porém, tanta discrição é marca registrada do nobre Leonardo Panço, um homem que há muito tempo decidiu fazer em vez de falar e sair por aí tocando sua guitarra, fazendo o seu som, divulgando seu trabalho. Foi assim, meio na surdina, que o Jason já fez mais de 200 shows na Europa, uns 300 pelo Nordeste do Brasil, lançou 5 CDs no Brasil e 2 na Alemanha, o Panço publicou 2 livros, foi produtor da turnê dos Replicantes no velho continente.

Voltando ao livro, Panço fala de viagens, lugares, descreve sensações e propõe reflexões diversas. Reflexões que são suas, mas que poderiam ser de qualquer um de nós. Por meio de questionamentos, aparentemente simples, ele lança de uma forma introspectiva e intimista, perguntas profundas sobre até que ponto vale a pena fazermos certas coisas, se não seria bom ficarmos sozinhos vez em quando, quem são nossos verdadeiros amigos ou o que faz um lugar ser “um lugar do caralho!”

Permeando os textos, engendrados com talento e estilo próprios, existem termos familiares, referências mil do universo pop e acabamos nos sentindo cúmplices do autor ao reconhecermos algumas citações em comum que fizeram parte da vida dele tanto quanto da nossa. Partes como “E como todo mundo sabe Jacarepaguá é longe pra caramba” ou “Na festa estranha com gente esquisita havia uma mesa de sinuca no canto da sala.” fazem com que nós sáibamos exatamente do que ele está falando.

Maneiras peculiares de tratar de assuntos comuns dão uma certa leveza às crônicas, nos deixando com um sorriso permanente no rosto enquanto vamos (rapidamente) avançando na leitura:  “Ele ainda estava com aquela sensação incômoda de não estar muito certo sobre ter feito a coisa certa. Uns dizem ser coisa do signo. Uma certa dificuldade em tomar decisões. Escolher entre isso e aquilo.”, e “Às vezes pensava que a chance de conhecer pessoas legais nos lugares novos seria maior se eu fosse sozinho. Afinal, teria que puxar assunto com alguém ou estaria sozinho o tempo todo. O que talvez não fosse má ideia.”, e ainda  “Uma canção deve ser respeitada como uma pessoa que você gosta muito, mesmo que elas não existam em grande quantidade.”

Em certa altura, Panço fala sobre um conceito que ele elaborou a partir da capa de um livro do Robert Crumb. Tratava-se do que viria a ser um “bluesman” pra ele. Para ele, desde que aquela capa do Crumb penetrou em sua memória e nela fez morada, um bluesman passou a ser um cara que cai na estrada tocando sua música, viajando na direção que o vento levar. “Só aceitando que o vento te sopre ou soprando o vento para outra direção. Bob Dylan falou algo assim?”, pergunta na crônica em que propõe o tema.

Conforme escrevi na orelha do livro, “Sensações. O livro do Leonardo Panço nos levam a ter muitas delas. Ele nos descreve sentimentos, lugares, pessoas e situações, mas está longe de ser uma obra descritiva, entenda-se chata. Panço delineia lugares, apresenta personagens, expressa seus sentimentos, faz suas descrições, enfim, sem nunca interromper a ação. É como se nos convidasse: “Vem comigo. No caminho, eu te conto tudo.” E nós seguimos com ele, sentindo suas sensações e vivendo suas histórias.”

Frio, sono, fome. Sonhos ruins. Sensações de distância, angústia, deslocamento. Com naturalidade e de forma bem coloquial, o cronista cria uma intimidade com o leitor. Ler “Caras dessa idade já não lêem manuais”, vai fazer de você também um amigo do Panço, um autêntico bluesman do Rock que sai por aí conhecendo pessoas, tocando sua guitarra e voltando sempre para nos contar em suas excelentes crônicas.

“Como se não houvesse amanhã” recebe Prêmio Biblioteca do Professor

agosto 19, 2010

Atenção, interrompemos esse conto de zumbis para abunciar que o livro “Como se não houvesse amanhã – 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana” (do qual participei com muito orgulho) ficou em primeiro lugar no Prêmio Biblioteca do Professor, concedido pela secretaria de educação do Rio de Janeiro e será adquirido para que os 16 mil professores das escolas cariocas trabalhem seus textos em sala de aula.

Ou seja, de uma tacada só, o Henrique Rodrigues e os outros 19 autores do livro (eu já disse que sou um deles?) conseguiram agradar à crítica e vender pra caramba. O Prêmio Biblioteca do Professor é concedido após uma votação dos próprios professores das escolas públicas do Rio.

Muito massa. Estou muito feliz com isso. Tenho pensado inclusive em, talvez, promover um novo lançamento em Natal lá pra novembro, pois no evento que fizemos com o pessoal do Uskaravelho, tivemos poucos livros à disposição. Quem sabe?

Henrique Rodrigues - Organizador do livro

Queria agradecer aos outros autores por terem me dado a oportunidade de participar de um projeto coletivo de tanto alcance quanto este. Principalmente ao Henrique Rodrigues, grande organizador da publicação.

E agora continuem acompanhando essa fantástica história de zumbis qua assolaram Natal em 2009.