Coluna do Novo Jornal – 109 – 06.10.2012– O assessor xeleléu

Continuando a sequência de republicações de colunas do Novo Jornal, esta é a de número 109. Tratou de um personagem que atuava nos bastidores da gestão municipal, um sujeito oculto, em elipse na gestão, que teve sua importância, seu valor, deu sua contribuição e quase sai de cena sem ter seus méritos devidamente reconhecidos. Ainda bem que pude reparar este erro e no dia 6 de outubro de 2012, prestei-lhe esta singela e sincera homenagem.

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O assessor Xeleléu

Charge de Ivan Cabral só pra ilustrar a postagem.

Charge de Ivan Cabral só pra ilustrar a postagem.

Com o fim de mais um mandato para prefeito e a despedida precoce (ou abandono puro e simples) daqueles que nunca atenderam ao chamado do povo em gerir a cidade, é chegado o momento de renovar a esperança em mais um pleito, oportunidade que bate à nossa porta a cada 4 anos. Porém, percebo que um personagem em especial corria o risco de ver o seu trabalho interrompido sem receber uma homenagem sequer. Refiro-me a alguém que, desde o período eleitoral de 2008, já atuava decisivamente para o “sucesso” das ações verdes. A coluna de hoje serve para reparar essa injustiça cometida por uma omissão imperdoável da imprensa. Aliás, só posso atribuir tal indiferença à inveja que os jornalistas devem sentir deste profissional abnegado e bem sucedido, que alcançou a enorme projeção tão sonhada por tantos deles.

Há quem afirme, do alto de sua arrogância repleta de preconceitos, que muitos dos acontecimentos de Natal em tempos recentes vão entrar para os anais de nossa história como episódios de uma tragicomédia que não serviria nem para passar no folhetim das 6. Comporiam um enredo mais tosco que aquela novela que misturava androides e dinossauros no interior do Brasil. Tais declarações, certamente fazem alusão a alguns assuntos que tratei aqui como “A secretaria da gambiarra”, ou mesmo a personagens cotidianos como a “Incrível mulher que asfaltou vidas” e o “Assessor segura-bolsa”. Porém, faltava ainda falarmos de um protagonista desprezado, um ser oculto em toda essa algazarra, que vive de sussurros e cochichos em meio à histeria e barulheira dos assistentes mais histriônicos e ridículos vereadores da base de apoio, que tenta manter a discrição e simular alguma dignidade ante a balbúrdia geral que se tornou a administração pública municipal em Natal.

Este personagem de si mesmo, até porque opta por um expediente típico dos humildes: o anonimato (os maldosos dizem tratar-se de covardia), demonstra especial predileção pelo jogo de bastidores, os negócios que não vêm a público, mas que acabam caindo no conhecimento de um e de outro e, com algum esforço e curiosidade, vindo falar aos ouvidos deste colunista verborrágico que clama pela vossa companhia todos os sábados.

Sua trajetória de êxitos começou quando ele criou uma página política que se pautava pelo humor (na falta de uma definição melhor). Segundo um leitor do veículo, “o blogueiro fazia uso de piadas infames, de péssimo gosto e completamente desprovidas de graça, tentando ridicularizar figuras da política estadual”. O internauta, cuja identidade será preservada, avaliou que o titular do endereço eletrônico pecava pela falta de habilidade cômica e também pela redundância, uma vez que os políticos que ele tentava expor ao ridículo já cumpriam esse papel sozinhos. O curioso do sítio era que os aliados de Micarla de Sousa, além dela própria, costumavam ser poupados das pilhérias do aloprado blogueiro desconhecido. O endereço eletrônico que se perdeu no tempo era conhecido como Blogue do Xeleléu e, nas eleições de 2008, foi a principal fonte de informação de muitos eleitores da classe mediana e da elite natalense.

Descobri que o “Xeleléu News” foi retirado do ar depois de ter sido denunciado e investigado pela Polícia Federal. Vejam vocês, mesmo os personagens inanimados têm medo, uma vez que a punição cairia sobre os criadores e não sobre a criatura. Procurei saber algo sobre o blogueiro misterioso para, quem sabe, desvendar sua verdadeira identidade. Consegui diversos relatos de gente que jura de pés juntos saber quem se escondia por trás da URL do Xeleléu. Como não possuo provas de que elas estejam corretas, descrevo algumas atitudes do suspeito para, quem sabe, vocês poderem saber de quem se trata e prestarem homenagens vocês também.

Um jornalista me disse que Xeleléu é um dos assessores mais fieis da atual prefeita, havendo resistido à constante evasão de secretários e assessores, contrariando a tese de que os ratos fogem do navio diante das primeiras dificuldades. Alguns afundam com a embarcação desde que tenham assegurado uma boa reserva de queijo. Um ex-fornecedor da Prefeitura me disse que chegou a trocar correspondências eletrônicas com ele. “Escreve tudo em caixa alta e com muitos erros de português. Não sei onde ele comprou aquele diploma de jornalismo. Só não é pior que a fixação que a própria prefeita tem pelo gerundismo!”, disse-me o rapaz, bastante exaltado.

Outro que me fez relatos sobre o blogueiro, um publicitário conhecido meu, afirmou que, nas reuniões, ele gosta de botar os pés sobre a mesa e que proibia o uso da palavra “problema” no material publicitário da prefeitura. “Não existe problema pra gente, só solução!” Pedi para este comunicólogo dar uma definição sucinta do assessor. Respondeu que o sujeito parece um “cafajeste de novela”. Também ouvi de um profissional de rádio que trabalhou para o assessor que ele não gosta de ser cobrado. “Uma vez, pedi para me pagarem um serviço que eu havia executado havia mais de 2 anos e ele mandou não me pagar pelo atrevimento de eu ter ido cobrar.”

Uma fonte ilustre a que tive acesso, contou-me que uma das maiores frustrações do Xeleléu foi quando uma política famosa recusou-se a cumprimentá-lo por ter sido informado que ele era o autor da página polêmica. Esta mesma pessoa disse também que ele é um dos poucos natalenses que acredita no sucesso da Copa do Mundo por aqui. Até porque, ele tem ótimo$ motivo$ para acreditar. Também soube que, entre várias manias estranhas, estão a confiança cega em juízes de futebol baianos (Eu, hein? Cada louco com sua mania.) e a compra de bens como imóveis e automóveis com valores muito superiores ao seu ordenado.

Amanhã, no dia 7 de outubro, será selado o fim de uma era. O Assessor Xeleléu deixará de existir. Seguirá seu caminho, atuando no mercado privado ou prestando vantajosas “consultorias”. Talvez aceite, inclusive, começar tudo de novo, criando uma página anônima com o fim de esculhambar conterrâneos e, mais uma vez, ascender na carreira da forma como melhor sabe fazer: rastejando.

Aqui, fica meu registro de sua partida e minha sincera homenagem.

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