Macanudo é muito bacana mesmo.

Dezembro 3, 2009 por Carlos Fialho

Em 2008, um amigo me mostrou o primeiro número do “Macanudo” os quadrinhos do Liniers, ilustrador argentino. Engraçadíssimos, flertando com o non-sense e com um toque de surrealismo que funciona como marca registrada, as tirinhas me provocaram ótima impressão e imediatamente quis saber onde encontrar mais.

Os personagens alternam entre o surreal e o cotidiano que nos faz rir. A criatividade em cunhar personagens como “a vaca cinéfila”, “o homem que traduz os nomes dos filmes” e “o robô sensível” cativam e divertem. Outros protagonistas que aprontam novas e surpreendentes estripulias a cada aparição, também estão entre os favoritos, como “os duendes”, “os pinguins” ou a “gente que anda por aí”.

O mais curioso de Liniers é que ele surgiu para o grande público argentino em 2002, em plena crise econômica que nossos vizinhos atravessavam. Foi naquele momento delicado, em que seus compatriotas não tinham lá muitos motivos para se alegrarem que o ilustrador passou a publicar no “La Nacion” sua tirinha “Macanudo” que, na gíria do país significa algo como “Bacana”.

No Brasil, as tirinhas do Macanudo já podem ser encontradas, publicadas pela editora Zarabatana. Recomendo.

Visitem também os endereços do ilustrador na internet:

http://www.porliniers.com/

http://macanudoliniers.blogspot.com/

E fiquem com algumas tirinhas como exemplo:

Coluna da Digi # 10 – Copa de 2014. A roubalheira vai começar.

Dezembro 3, 2009 por Carlos Fialho

Em 29 de outubro de 2007, escrevi a primeira crônica sobre a Copa 2014. Falava da farra de dinheiro público que seria fácil de supor a partir da escolha do Brasil como sede. Hoje, mais de 2 anos depois, infelizmente ficou provado que eu estava correto. Como se vê, no futebol, nem tudo é uma caixinha de surpresas. Algumas vezes é uma caixinha registradora mesmo.

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Copa 2014. A roubalheira vai começar!

Bem, amigos da Diginet! Estamos aqui para curtir ao vivo todas as emoções da Copa do Mundo do Brasil! Uma competição inédita! Cheia de jogadas inesquecíveis protagonizadas pelos nossos cartolas, chapéus inenarráveis dados nos torcedores (e contribuintes) brasileiros e dribles espetaculares nas leis de responsabilidade fiscal e na probidade administrativa.

Afinal de contas, antes de ser o país do futebol e a pátria de chuteiras, somos a nação da roubalheira. Os torcedores gostam de ver e de jogar bola, mas os dirigentes querem mesmo é levar umas boladas e não poupam esforços em armar suas jogadas nos bastidores. O futebol é mais um retrato fiel do brasileiro. Uma contradição ambulante e uniformizada. Somos o país do “Pelé eterno”, mas também do “Pelé de terno”. O jogador que encantou o mundo com seus lances geniais é o mesmo homem que se envolve em negociatas escusas, dando, na vida, as pisadas na bola que não deu em campo.

Como explicar que uma entidade como a CBF, que cobra até US$ 1 milhão por um amistoso da seleção, fatura alto em direitos de transmissão, fechou um contrato milionário com uma empresa suíça e vende produtos em todo o mundo, feche o balanço todos os anos com enormes prejuízos? E como essas contas absurdas e hediondas são aprovadas por unanimidade por todos os presidentes de federações? Como é que o presidente da entidade, o senhor Ricardo Texeira, a despeito de todos esses sucessivos prejuízos, multiplicou seu patrimônio desde que assumiu o cargo?

E, vejam vocês, não é que o senhor presidente quer construir estádios em quase todas as cidades sedes da Copa? Ora, ora, ora. Construir estádios? Voltemos no tempo, amigos. Sei que o brasileiro médio não tem memória, mas este colunista aqui se lembra muito bem do longínquo ano de 2007 depois de Cristo. Naquele ano, foi realizado um evento esportivo muito importante no Brasil e construído um estádio de futebol. Essa praça de esportes construída no Rio de Janeiro e que acabou custando muito mais do que o previsto. Aliás, o evento todo, que deveria sair por cerca de R$ 300 milhões, acabou custando a você e a mim, nada menos que R$ 3 bilhões! Sério, ainda estou pagando as prestações. Você não?

Imaginem vocês como vai ser se construírem estádios em todas as capitais que recebam jogos? Como não vai ser a farra com o dinheiro público, senhores? Serão bilhões embolsados em todo território nacional, sob o pretexto de terem sido investidos em concreto e com a justificativa da arte. Por isso que todo mundo quer jogos em suas cidades. Tem até um garboso deputado conterrâneo que recebeu o mandato de presente do papai levantando essa bandeira em prol do RN. Bem, no caso dele pode ser tanto uma saída pela total falta de discurso ou vontade de ficar com uma fatia do bolo também.

Natal sede de Copa do Mundo? É pra rir ou é pra chorar? Se os dirigentes papa-jerimuns não conseguem organizar nem uma fila de jogo de série A (perguntem a qualquer um que foi ver América x Flamengo), eles vão se sair bem num jogo de Copa? Fala sério! Aliás, por falar em cartolas potiguares, alguém aí sabe dizer se a federação local já explicou as acusações de corrupção feitas pelo Ministério Público e divulgadas nacionalmente pela ESPN? E a renda do jogo entre Vasco x Baraúnas? Apareceu?  

Outro péssimo indício desta Copa de 2014 é a presença de políticos. Alguém aí consegue imaginar o José Serra ou o Aécio Neves numa arquibancada de estádio com interesse sincero em acompanhar seus times? Que paixão avassaladora foi essa que despertou nos corações de ambos pelo centenário esporte bretão? O Aécio a gente até sabe que gosta de umas peladas, mas ali é diferente. E o governador do Amazonas?! Teve a cara de pau de dizer que será bom para a preservação das florestas se Manaus for uma das sedes. Quase que eu saio correndo comprar um nariz de palhaço quando ouvi isso.

Ah, e tem o Paulo Coelho também. O bruxo, clone do Peter Gabriel, que foi ensinar a todos a mágica do desaparecimento das rendas. Aliás, será que foi isso? Pois desconfio que nossos cartolas já saibam essa mágica faz tempo.

Pois é isso, meus amigos! A confirmação de mais uma Copa do Mundo no Brasil foi feita. E com esse anúncio caiu por terra uma das máximas recentes do esporte: “Não tem mais bobo no futebol.” Na verdade, tem sim: o torcedor.

Laranja Mecânica – Trechos

Dezembro 1, 2009 por Carlos Fialho

Semana passada expiei mais um pecado literário. Li o romance “Laranja Mecânica” do inglês Anthony Burgess e meu cérebro deu voltas em torno do seu eixo. Fui arrebatado não só pelo maravilhoso livro, mas também pela magistral tradução. Hoje devo escrever uma crônica abordando a obra, o autor, o tradutor (Professor Fábio Fernandes, Doutor pela USP) e a impressão que essa leitura me deixou. Já adianto que na lista dos 5 melhores livros lidos este ano, entra fácil, assim como “O Homem do Castelo Alto” de Philip K. Dick, coincidentemente publicado no Brasil pela mesma editora de “Laranja Mecânica”, Editora Aleph.

Por hoje, divido aqui alguns trechos do romance com vocês.

Aproveitem:

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“Irmãos, esse negócio de ficar roendo as unhas dos pés sobre qual é a causa da maldade é que me torna um rapaz risonho. Eles não procuram saber qual é a causa da bondade, então por que ir à outra loja? Se os plebeus são bons é porque eles gostam, e eu jamais iria interferir em seus prazeres, e o mesmo vale para a outra loja. E eu frequento a outra loja. E mais: a maldade vem de dentro, do eu, de mim ou de você totalmente sozinhos, e esse eu é criado pelo velho Deus, e é seu grande orgulho. Mas o “não-eu” não pode ter o mau, quer dizer, eles lá do governo e os juízes e as escolas não conseguem permitir o mau porque não conseguem permitir o eu. E não é a nossa história moderna, meus irmãos, a história de alguns bravos eus combatendo essas grandes máquinas? Estou falando sério sobre isso com vocês, irmãos. Mas eu faço o que faço porque gosto.”

“O dia era muito diferente da noite. A noite pertencia a mim e aos meus amigos e a todo o resto dos jovens, e os burgueses velhos espreitavam dentro de suas casas, bebendo das transmissões mundiais idiotas, mas o dia era dos velhos e sempre parecia ter mais policiais durante o dia também.”

“A questão é se uma técnica dessas pode realmente fazer um homem bom. A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.”

“Você está passando agora para uma região que está além do alcance do poder da oração. Uma coisa terrível, terrível de se pensar. E mesmo assim, sob um certo ponto de vista, ao ser privado de fazer uma escolha ética, você, de certa forma, escolheu o bem. Eu gostaria de crer nisso.”

“É gozado como as cores do mundo real só parecem reais de verdade quando você as vê na tela.”

“ –Isso foi há dois anos. Já fui castigado desde então. Aprendi minha lição.

– Castigo? Gente da sua laia devia ser exterminada, assim como muitas pragas incômodas.”

“Você pecou, suponho, mas o seu castigo foi além de qualquer proporção. Eles transformaram você em alguma coisa que não é um ser humano. Você está comprometido com atos socialmente aceitáveis, uma maquininha capaz de fazer somente o bem. Música, sexo, literatura e arte, tudo agora dever ser fonte não de prazer, mas de dor.”

“Alguns de nós têm que lutar. Existem grandes tradições de liberdade a defender. Não sou homem de partidos políticos. Onde vejo a infâmia, busco erradicá-la. Os partidos políticos não significam nada. A tradição da liberdade significa tudo. As pessoas comuns deixarão isso passar. Elas venderão a liberdade por uma vida mais tranquila.”

Coluna da Digi # 9 – Troféus

Dezembro 1, 2009 por Carlos Fialho

 No dia 15 de outubro de 2007, publiquei minha 9ª coluna na Diginet. Uma crônica simplezinha que falava do carinho que tenho pelos livros que leio.

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Troféus

Tenho uma relação muito especial com os livros para sair emprestando por aí. Quando compro um novo exemplar, entrego-me à leitura com voracidade. Cada livro é um novo desafio que o leitor e bibliófilo supera a cada página e, ao concluir a leitura, merecem ser expostos em local de destaque, como um troféu de competição esportiva ou um marlin azul pescado à unha, um leão abatido a tiros num safári por um fã de Hemmingway. Assim que eu leio um novo livro, ele ganha um lugar na estante e não gosto que saia de lá a não ser para reler ou consultar.

Dói no coração de qualquer amante das letras e dos códices que reúnem todas elas nas melhores combinações possíveis ver alguém que não tem o mesmo nível de envolvimento amassar, dobrar, maltratar um volume, qualquer que seja. Mesmo que de auto-ajuda, mesmo que de um acéfalo escritor de best-sellers. Livro é livro e merece respeito, consideração e carinho.

Um amigo rebateu certa vez essa posição. “Mas se você já leu o livro por que não emprestar? Por que não dar a outra pessoa a oportunidade de ler uma boa obra?” Ora, ora, ora… Porque um livro é um objeto quase místico. O que ele transmite vai além das letras e um bom livro gera afeição, cria elos, merece registro. E, como em tudo que envolve o amor e outros sentimentos nobres, sobre as obras literárias paira a sombra do ciúme. É uma relação de exclusividade, de monogamia, de nenhuma promiscuidade. Emprestar só em casos extremos. Para alguém que ame os livros tanto quanto você ou em situação de total má intenção, quando a beneficiária ou beneficiário do empréstimo for alguém muito especial.

Isso sem falar do caminho sem volta que as obras costumam trilhar. Se um livro vai, dificilmente retorna às suas mãos em pouco tempo. Isso quando retorna. E muitas vezes, até que volta, mas com marcas irreparáveis em suas maltratadas páginas. Emprestar livros é sempre um calvário e uma lição de que não se deve fazê-lo.

Por tudo isso: um pouco de capricho, um tanto de egoísmo e muito cuidado, não empresto mesmo. Nem adianta insistir. Prefiro acrescentar mais troféus a minha sala e celebrar cada vitória, cada triunfo que a leitura de mais um livro me deu.

Carlão de Souza e o prazer de ler

Novembro 30, 2009 por Carlos Fialho

Jovens, navegando outro dia pelo Substantivo Plural do Tácito Costa, cliquei na coluna de Carlos de Souza, conhecido pelos amigos como Carlão. Lendo algumas de suas postagens me deparei com um belíssimo texto sobre o prazer e, sobretudo, a importância da leitura. Fiquei tão encantado que pedi permissão a Tácito e ao próprio Carlão para reproduzi-lo na íntegra aqui nO Fiasco, citando obviamente a fonte e dando-lhes todo o crédito. Permissão concedida, divido o texto com vocês.

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Por Carlos de Souza

20 de outubro de 2009

Depois que li o texto de Vargas LLosa, enviado por Tácito, sobre a importância do romance, fiquei pensando. Outro dia fui convidado a sentar numa mesa de jovens recém-contratados por uma grande empresa. Eles festejavam a vitória recente e queriam que eu compartilhasse com eles. Ocorre que, passados mais ou menos uns trinta minutos, eles continuavam falando no ambiente de trabalho e apenas nisso. Deixei o tempo passar e esperei que o assunto descambasse para algum filme recentemente assistido, algum romance recentemente lido, alguma obra de arte recentemente apreciada. Mas nada. Ficaram ali se deliciando com os acontecimentos do cotidiano corporativo como se extraíssem daquilo um grande prazer. Pedi licença e fui para outra mesa.

Depois disso tenho notado que somente nas mesas em que convivem pessoas que gostam de ler é possível se estabelecer uma boa conversa com rico repertório. Fora disso, é uma aridez acabrunhante. Pessoas que não lêem são incapazes de sustentar uma boa conversa. Quando chegam às raias do desespero, lançam mão de uma enxurrada de piadas que mais constrangem que diverte quem é obrigado a ouvir e polidamente sorrir. Vargas LLosa tem razão ao dizer que o mundo sem o romance cai direto na barbárie. Não tenho a menor dúvida disso.

Arrisco até a dizer que quem fica viciado em leitura dificilmente a substitui por alguma droga fuleira como a cocaína ou o crack. Acho que os problemas das drogas poderiam ser resolvidos com um simples livro. Quem lê muito não abre mão deste prazer por paraísos artificiais por muito tempo. Ler é sempre melhor. O melhor ópio que existe. Melhor que religião. Melhor que álcool. Um pouco menos que sexo. Um pouco menos que música.

No dia em que fui convidado para falar de literatura no programa Grandes Temas, da TV Universitária, eu disse que escrever era inútil, mas ler não. Meus parceiros arregalaram os olhos e disseram, mas como? Eu queria dizer que não é necessário escrever mais nada. Basta ler os clássicos. Mas era só uma provocação.  Claro que uma estória sempre pode ser recontada de outra maneira, ad infinitum. Não, o romance não morreu. A cada dia descubro novos e novos autores que justificam o fato de eu continuar vivendo e gostando muito dessa loucura toda.

Então, já que gosto tanto de ler, eu mesmo me arrisco a escrever livros irrelevantes que ninguém quer ler. Mas continuo fazendo deste ofício o motivo de minha existência. Porque escrever é como amar e “ninguém pode viver sem amar”, como diz aquele mexicano no filme À Sombra do Vulcão, de John Huston, baseado no livro de Malcom Lowry. Livro que foi reescrito até a exaustão, porque Lowry não suportava a idéia de estar plagiando alguém. Como se fosse possível ser original depois dos gregos.

Li na coluna de Ailton Medeiros o texto de uma pessoa que não encontrava mais prazer em ler. Fiquei triste por ela. Queria que essa pessoa redescobrisse o prazer de ler alguns clássicos da literatura, Cervantes, Kafka, Dostoievski… Shakespeare. Talvez assim ela redescobrisse o caminho dos novos autores que estão fazendo releituras magníficas destes mesmos clássicos. Moacy Scliar recontando a estória de Tamar ou Saramago recontando a estória de Caim. Essa pessoa pode até mesmo ler a Bíblia, não para procurar conforto espiritual, mas para buscar textos literário de altíssima qualidade como esses citados acima.

Para finalizar, gostaria de recomendar o filme O Leitor, de Stepehn Daldry. A cena em que ela pede ao menino, “leia Guerra e Paz, kid” é a síntese de tudo que eu queria dizer aqui.

Ler é a grande aventura da humanidade.

Coluna da Digi # 8 – Romances Gráficos

Novembro 29, 2009 por Carlos Fialho

No dia 08 de outubro de 2007 publiquei minha 8ª coluna na Diginet. Era um texto falando de histórias em quadrinhos e de o quanto essa modalidade de leitura (chamada pelos aficcionados de 9ª arte) vem ganhando em importância nos últimos anos. Pode ser que alguns dados do texto estejam desatualizados, uma vez que ele foi escrito há mais de 2 anos, porém, vale como registro.

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Romances gráficos – A vingança dos nerds.

Sou de uma geração que aprendeu a ler com os quadrinhos. Não que sejamos todos uma turma de superdotados, autodidatas das letras que aprendemos sozinhos o bê-a-bá. A ler mesmo (e escrever) aprendemos na escola. Quando digo que aprendemos com os quadrinhos, me refiro ao ato de ler por prazer, de pegar uma história e não largar mais até que encontremos o lamentável nomezinho FIM no canto da página. Essa relação com a leitura nos veio primeiro com as HQs e, naquela altura da vida, nenhum Machado de Assis seria capaz de nos provocar tamanho impacto, envolvimento, sedução.

Gostávamos mesmo de ler os belos quadradinhos, coloridos ou não, que comprávamos avidamente nas bancas da cidade ou nos sebos do Alecrim. Acreditávamos que nossa realidade estava mais próxima de um homem com poderes de aranha ou de um pato que se vestia de marinheiro do que de qualquer Simão Bacamarte ou Brás Cubas que nos aborreceriam com suas loucuras e obsessões se nos fossem apresentados antes do tempo.

Eu e os meus contemporâneos temos uma visão das histórias em quadrinhos mais evoluída do que os nossos pais. Para eles (os pais) aquelas revistinhas não passam disso: revistinhas. São, portanto, coisas de criança. Já nós, temos pelos quadrinhos o respeito que os eleva à categoria de literatura séria, uma arte digna de ser apreciada também na maturidade. É uma visão mais próxima da americana do que da brasileira tradicional. Nos Estados Unidos, para se ter uma idéia de o quanto eles são valorizados por lá, as HQs são chamadas de romances gráficos, definindo claramente já na nomenclatura que quadrinhos por lá é coisa de gente grande também.

Na França, todas as livrarias têm espaços enormes para as revistas, pois para os franceses, as HQs são uma vertente respeitadíssima da literatura. Nessas seções pode-se encontrar os gauleses Asterix e Obelix, o belga Tintin, os mangas japoneses, adaptações do cinema para os quadrinhos, os tradicionais Garfield e Snoopy, os imortais Alan Moore e Frank Miller, além de uma infinidade de histórias de todos os tipos, para todas as idades, inclusive clássicos da literatura como “O Médico e o monstro” ou “A metamorfose” desenhadas em edições de luxo.

Em julho passado, em São Paulo, houve um evento que acena para uma mudança de mentalidade dos brasileiros ou para um claro sinal de vitória cultural de nossa geração. O Fest Comix reuniu milhares de pessoas no Colégio São Luís, na avenida Paulista. Eram mais de 290 mil títulos em oferta de todas as editoras, de todos os tipos, nacionais e importados. Durante os 3 dias, palestras e debates sobre o tema ocorriam em auditórios lotados de adultos. Marmanjos de várias idades desfilavam com camisas temáticas que traziam emblemas de super-heróis ou personagens como o Cebolinha ou o Tio Patinhas. Fui conhecer o evento na companhia do jornalista potiguar Roberto Sadovsky, o maior fanático por HQs que conheço, que por sua vez trajava uma camisa do Quarteto Fantástico.

Mal adentramos no local e Sadovsky fez uma compra de uma coleção inteira dos X-Men. “Essa coleção é raridade.”, falou para justificar as centenas de Reais que desembolsara pelas revistas. “Minha mãe ficava louca com a quantidade de revistas que eu tinha em casa, mas eu nunca me desfiz delas. Quando mudei de Natal pra São Paulo foi o que deu mais trabalho de trazer, mas está tudo aqui comigo.”

Sadovsky, ou Boinha como é conhecido pelos amigos natalenses, é há mais de 10 anos Editor-chefe da Revista Set, uma das mais respeitadas publicações de cinema do mundo inteiro. Ele disse que só chegou aonde chegou graças às HQs que consome com avidez de um fanático desde a infância. “Uma vez eu disse: tá vendo, mãe? Se não fossem os quadrinhos, não teria acontecido nada disso.” Boinha também comemora o fato de as principais produções recentes do cinema mundial serem adaptações de romances gráficos. Cinema e HQs juntos são com certeza a melhor mistura sobre a qual ele gosta de escrever.

Como eu não sou bobo nem nada, também aproveitei os preços mais em conta para fazer algumas compras, itens essenciais em qualquer cesta básica (Aliás, era exatamente isso que recebíamos à entrada: uma cesta para fazer compras.) de um amante de HQs. Comprei Homem-aranha e Elektra de Frank Miller, toda a série Watchmen de Alan Moore, o clássico Crise nas infinitas Terras e uma outra que não me lembro qual foi, mas que Boinha disse: “Compre isso. Não me pergunte nada. Confie em mim!” Achei melhor não duvidar.

Recentemente na Bienal de Natal, foi dado um espaço para os quadrinhos, inclusive com uma oficina de produção. Iniciativas como essas devem ocorrer cada vez mais em eventos literários. Na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), ocorrida semana passada, falava-se que na edição de 2008, os romances gráficos terão seu espaço. Nas livrarias de Natal já é possível encontrar grandes obras da literatura convencional como “O Chalaça” e até “O Alienista” de Machado de Assis, aquele que só pudemos ler com propriedade e plena compreensão após termos passado pelo necessário estágio da literatura em quadrinhos. Ou seja, se até Machado aderiu, é porque os quadrinhos venceram a batalha, superaram barreiras, derrubaram preconceitos.

E todos nós, nerds, nascidos nos anos 70 e 80, estamos deliciosamente vingados. Longa vida aos romances gráficos porque imagem também pode ser literatura. 

BBN 2010 – Thaísa Galvão

Novembro 29, 2009 por Carlos Fialho

A jornalista e blogueira Thaísa Galvão

Agora já são 6 os participantes confirmados no BIG BRÓDER NATAL 2010. Durante essa semana continuaremos as votações. Obrigado a todos que vêm participando.

Coluna da Digi # 7 – Turismo Sexual

Novembro 26, 2009 por Carlos Fialho

Minha sétima coluna da Digi foi publicada no dia 1º de outubro de 2007. Tratava de um tema muito discutido pelos natalenses e que as autoridades locais, sabe-se lá porque, não têm o menor interesse em coibir. Propus em meu texto, de forma escrachada mesmo, uma nova visão do tema que tanto nos revolta. Quantas vezes eu não ouvi meninas dizendo que não frequentam o meu bairro, Ponta Negra, porque têm receio de serem confundidas com putas pelos gringos? É triste, é degradante, mas essa é a Natal de Dona Vilma e Micarla.

A foto abaixo foi tirada por mim mesmo. Mostra um gringo no aeroporto Augusto Severo vendo uma pornografiazinha despreocupado. Nada contra a pornografia na internet, afinal essa é uma das funções desta rede mundial. O que incomoda na imagem é o fato de o visitante estar em pose tão relaxada, mostrando segurança de quem está fazendo a coisa certa e no lugar adequado. Algo como “estou em Natal, então viva a putaria!” Bem que o slogan turístico de Natal poderia ser algo como “Estrangeiro, te esperamos de pernas abertas.”

A imagem foi registrada por este blogueiro. Considero um símbolo da situação turística de Natal. Uma cidade de putaria.

 

Turismo Sexual – Uma nova proposta.

Vamos tentar abordar esse assunto sem hipocrisia, tá bom? Nem vou me referir a ele como um problema, mas sim como algo que acontece por essas bandas bem debaixo dos nossos narizes. Muita gente tenta negar a situação ainda mais depois dos mais recentes acontecimentos lá pelas bandas de Ponta Negra: a inauguração de um verdadeiro aquário da libidinagem travestido de bar e o fato de terem encontrado mais resíduos de esperma de gringos em nosso litoral do que coliformes fecais na última análise.

Bem, o turismo sexual existe e fica cada vez mais difícil de coibir. Virou indústria, atração turística e comenta-se que na Europa já conhecem o Morro do Careca ou as Dunas de Genipabu como atrativos localizados nos arredores dos motéis da cidade. Nossa frágil sociedade não resistiu a um punhado de Euros despejados para comprar apartamentos, terrenos, restaurantes, hotéis e o que restava de nossa dignidade. Abriram as pernas e fecharam os olhos, inclusive literalmente em muitos casos. Italianos e espanhóis comandam a pouca-vergonha, a safadeza. Até aí, nada contra. Mas sacanagem mesmo foi não ter convidado a gente pra festa!

É claro que outros aspectos me incomodam, como por exemplo, alguns desses senhores terem sérios distúrbios a ponto de preferirem meninas de 13 anos a mulheres adultas. Mas o problema é maior e bem mais sério do que se pensa. Não adianta só combater com rigor esses pedófilos do além-mar, mas é preciso distribuir renda para, a longo prazo, essas garotas não precisem recorrer a tais expedientes para ganhar a vida.

Então, já que não dá pra acabar com essa realidade, vamos fazer com que renda dividendos para nossa sociedade, inovando para desenvolver ainda mais o turismo do RN. Que tal promovermos o turismo sexual feminino? Por que as mulheres européias não podem desfrutar de toda a sensualidade do homem natalense? Seria uma maravilha. Chega desse machismo sem sentido. Os Giuseppes e Juans juntam uma graninha no velho continente desentupindo pias e vem dar aqui (com duplo sentido, faz favor) para desentupir outros encanamentos, mas as pobres alemoas e bélgicas não podem vir e usufruir de serviços semelhantes? E o que dizer das suecas que já nos brindaram com tantos filmes oscarizados em nossas imaginações, assistidos em noites de solidão e introspecção, com admiração sincera e muito papel higiênico do lado? É claro que elas merecem vir a Natal nem que seja receber nossos agradecimentos por tantas madrugadas emocionantes que deixaram nossos olhos úmidos e nossas cuecas viscosas.

Então, está proposta a instituição do Turismo Sexual Feminino na cidade do Natal! Que comecem a organizar excursões de belas européias e também grupos de solícitos anfitriões para dar cabo das senhoritas do outro lado do aquário. Podemos até propor um benefício para implantar o projeto de maneira mais eficaz. Seria algo como uma “isenção de taxa de serviço”. No caso, não cobraríamos pelo nosso trabalho nos primeiros anos até que essa boa idéia estivesse consolidada, firme e, acima de tudo, ereta. Na minha humilde opinião, isso não seria muito difícil, pois com a ajuda da clientela, o negócio vai crescer rapidamente.

Muitas vezes já ouvi falar dos catálogos de mulheres a que os europeus têm acesso antes de virem para Natal. Dizem que eles escolhem a dedo suas companheiras antes mesmo de embarcarem no avião. É claro que podemos oferecer a mesma facilidade para as galegas. Sem problema. Só que, em vez de escolherem a dedo, terão que escolher a palmo. Normal. Trata-se de uma adequação ao público.

E quando disse ali em cima que “não cobraríamos pelo NOSSO trabalho” quero afirmar convictamente que eu também serei um voluntário dessa campanha pelo bem da cidade. Amo Natal e para desenvolvê-la cada vez mais vou varar noites e outras coisas em benefício desta bela capital. É um sacrifício, eu sei, mas farei isso por cada um de vocês. E que venham as européicas!

BBN 2010 – FF e nova disputa.

Novembro 26, 2009 por Carlos Fialho

Antes de mais nada, anuncio a vitória do Deputado micareteiro e baladeiro, Fábio Faria, namorador de celebridades que jura ter trazido a copa do mundo para o Brasil. Sua assessoria não repercutiu ainda o fato de o político ter sido vencedor de mais essa disputa, pois deve andar ocupada demais tentando vender o camarote da Athletica ou desmentindo algum suposto o boato de que o FF esteja tendo um caso amoroso com a, digamos, “artista” Preta Gil.

"Fábio, a coisa tá Preta pra vc, meu filho."

Parabéns ao Deputado e vamos pra frente.

Muito bem, leitores. As 3 candidatas de hoje fazem parte da nossa “society”. É uma gente chique e bem vestida que desfila pela Afonso Pena e o jet set com elegância e desenvoltura.

Talvez alguma delas tenha envolvimento com políticos e receba uma graninha por um que outro trabalhinho. Talvez não.

Talvez uma delas seja uma baranga bem arrumada. Talvez não.

Talvez uma delas seja embaixadora do luxo e bom gosto na capital potiguar. Talvez não. 

Pela primeira vez, desde que comecei essa brincadeira aqui com vocês, vou tomar partido. Minha favorita aqui é a empresária Tereza Tinôco. Afinal, é preciso entrar um pouco de classe naquela casa e é uma bela mulher de nossa cidade. As outras duas, er, huuuum, tipo assim, não são.

 Está aberto o pleito.

 BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 6 de 12:

Tereza Tinoco x Thaysa Galvão x Nathalia Faria

BBN 2010 – Jota Oliveira e Votação pra bombar

Novembro 25, 2009 por Carlos Fialho

Jota Oliveira e Chrystian de Saboya protagonizaram o primeiro empate desta escolha prévia do BBN 2010. Por isso, eu tive que dar o voto de minerva e ele foi para o simpático e sorridente Jota, pois é um colunista conhecido por seus constantes barracos e escândalos públicos. Como a casa vai precisar de um tempero bem apimentado, nada melhor do que o festeiro e extravagante Oliveira, o 4º participante escolhido para a casa. 

Jota Oliveira

E agora vamos à 5ª votação.

Uma votação Bombástica é o que nos espera dessa vez. Já temos músicos para animar a festa, artista plástico pra fazer os discursos e colunista social pra deixar todo mundo bem informado. Dessa vez chegou a hora da eleição mais fácil até agora. Vamos escolher entre o Deputado celebridade por excelência Fábio Faria, o homem que quer fazer todo mundo acreditar que trouxe a Copa pra Natal, o DJ Shato, o mais conhecido e elogiado das pistas natalenses, e o jogador do América, Souza.

Tá fácil decidir dessa vez, hein, gente. Vamo-que-vamo!

Vocês já sabem em quem votar.

 

BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 5 de 12:

Fábio Faria x DJ Shato x Souza

Cantos das Cidades 10 – Aquela Mulher (PB)

Novembro 25, 2009 por Carlos Fialho

João Pessoa

João Pessoa é a capital mais próxima de Natal, não só na geografia, mas também na maneira de ser das pessoas e em suas características gerais. Por isso queria escrever um conto especial para a cidade. Quando decidia se o melhor seria homenagear Zé Ramalho ou a banda “Pau de dá em doido” (in memorian), me deparei com um problema bom de resolver: O “Raimundos”, um grupo de Rock moleque que marcou minha adolescência estava prestes a ficar de fora da coletânea e isso não poderia acontecer.

Esse fato imperdoável ocorreria porque os contos passados em Brasília, cidade de origem da banda, já haviam sido escritos baseados em canções do “Bois de Gerião”, “Legião Urbana” e “Móveis Coloniais de Acaju”. Brasília e Natal serão as únicas cidades do livro que serão homenageadas com 3 contos cada, mas isso eu explico outro dia.

Bem, voltando a JP, eu decidi escolher uma música dos “Raimundos”, aproveitando-me de sua ascendência paraibana e situar em João Pessoa. A eleita foi “Cintura Fina”, canção, digamos assim, romântica do primeiro trabalho da banda (na época se chamava CD) e que narra a história de uma cara que se apaixona por uma mulher muito feia, mas que é uma especialista na arte do amor (boa de cama pra c******). Os versos “Aquela mulher/ que tem a cintura fina/ quero me casar com ela” estarão sempre na memória de qualquer roqueiro brazuca que tenha vivido bem os anos 90.

Raimundos, feios de cara, bons sujeitos no fundo.

O conto fala de Rodolfo (Ooooh!) um paraibano de nascimento que é jornalista em Brasília e vai passar o período junino na terra natal. Lá, ele conhece Genoveva e o resto do conto (epistolar internético) só vocês lendo.

Já posto um trechinho aqui pra sentirem o clima:

“…Como pode num mesmo mundo existir a Aline Morais e a Genoveva? Ah, esqueci de dizer, o nome dela é Genoveva. Mas disse que eu posso chamá-la simplesmente de Gê. Ainda bem!

Marcamos de nos encontrar no Jacaré uma hora antes do pôr do sol e, quando ela chegou, percebi que não poderia ter escolhido melhor o horário, pois logo iria escurecer e ela não ficava nada bem à luz do dia. Decidi que, naquela noite subiria de patamar: nada de cerveja, tinha que beber alguma cachaça artesanal de Areia.

Felizmente ela tentou disfarçar sua feiúra por meio de artifícios aplicados com a desenvoltura que só anos e anos de escassa formosura e uma longa experiência como catrevagem profissional poderiam conferir-lhe. Seu vestido, por exemplo, estava mais para uma aberração da baixa costura, de tal forma chamativo que só se levei o primeiro susto ante o vislumbre de seu rosto uns bons 5 minutos depois de sua chegada. Seu rosto, aliás, estava coberto por uns bons 10 centímetros de pesada maquiagem, uma massa de blush que muito me fez lembrar os palhaços do Circo Garcia. Ah, mas pra compensar, ela tinha um belo sorriso do ponto de vista odontológico residual. Quero dizer: os 4 dentes que heroicamente resistem em sua boca parecem estar em perfeita ordem e livres de caríes ou demais enfermidades bucais…”

Pôr do sol em JP, foto do blogueiro Fred Matos

 

Quem me ajudou a dar ao conto uma autenticidade paraibana foi meu amigo de longa data natalense honorário, pois morou aqui muitos anos, Jeder Morais, que hoje trabalha como assessor de imprensa num escitório que eu não sei o nome. Vou ficar devendo uma foto do meu amigo, mas acho que pro bem de vocês, queridos leitores. É que o Jeder é mais feio que a doidinha do conto.

“Aquela Mulher” é o 9º conto concluído para o livro “Cantos das Cidades”. Minha peregrinação continua, dessa vez rumo a Maceió e, em seguida, Fortaleza. Vem mais histórias divertidas por aí.

Espanha Deslumbrada

Novembro 24, 2009 por Carlos Fialho

Torcida espanhola: convicção do título iminente.

Eu já vi esse filme. Um time começa a jogar bem, muito bem, por música como dizem os comentaristas, ou de memória como dizem os espanhóis. É o famoso “Jogo Bonito” inventado pelos brasileiros, mas usado em todo o mundo, assim mesmo, em português: “Jogo Bonito”. A um ano da Copa do Mundo, um país deponta como grande favorito. É elogiado pelos adversérios, exaltado pela imprensa conterrânea, seus jogadores são elevados ao patamar de grandes estrelas e se tornam figurinhas fáceis na publicidade, e os torcedores, a quem não é permitido exibir o menor traço de raciocínio lógico, têm certeza irrevogável que a sua seleção levantará o caneco da FIFA.

Em 2006 isso ocorreu com uma certa “equipe” (que depois de sescobriu ser um bando de jogadores) que vestia uma camisa amarela combinando com suas ações dentro de campo e falta de atitude.  Um time que contava com um certo quadrado mágico de craques que se sentiam deuses, celebridades instantâneas, mimados por clubes, jornalistas e empresários e que, de tanto viverem o glamour fácil e efêmero dos holofotes, esqueceram de um pequeno detalhe: jogar bola. Aquele time, que era a imagem do seu comandante, um blefe chamado Carlos Alberto Parreira que teve uma grande sorte na vida e até hoje vive sentado sobre ela, acreditava piamente que seria possível vencer a maior competição do futebol mundial só com o nome, com as realizações passadas, sem precisar necessariamente demonstrar que eram melhor que os outros, sem levar a sério a disputa. Eles acreditavam que poderiam vencer mesmo acima do peso, mesmo exibindo seus dotes de malabaristas em vez de buscar o gol, mesmo sem treinar.

O final dessa história todos nós já conhecemos. O time que encantou o mundo na Copa das Confederações de 2005 e nas eliminatórias para a Copa, chegou como favoritíssimo e… deu no que deu. Muitos favoritos também decepcionaram em outras ocasiões. A história das Copas do Mundo é pródiga em exemplos assim. Seja o Brasil de 50, 66 e 98, a Hungria de 54 e a Holanda de 74 que sucumbiram ao pragmatismo alemão ou a França e Argentina de 2002 que não chegaram à segunda fase da competição.

Hoje eu percebo esse sentimento de vitória iminente em uma outra seleção, a espanhola, “la roja”. Os torcedores da terra das touradas, sua imprensa e o ambiente criado levam a crer que a conquista da Copa da África do Sul está tão certa que os 7 jogos que a conduzirão à taça não passarão de uma mera formalidade protocolar. “É preciso cumprir tabela, né? Fazer o que?” E olhe que estamos falando de uma equipe que nunca chegou sequer a uma final da competição e a melhor colocação foi um 4º lugar na já longínqua edição de 50.

Eles vivem um deslumbrameno de novos ricos que pela primeira vez pegam numa montanha de dinheiro. Comportam-se tal qual os membros recém admitidos em um clube exclusivo, desfrutam do respeito de seus, agora iguais, campeões do mundo, encantam o planeta bola, mas sobretudo a si mesmos, com as exibições incontestáveis, a arte de seus jogadores pátrios, ao talento no atacado ostentado pelo elenco que formaram. A Espanha joga por música, de fato, salta aos olhos dos fãs do futebol bem jogado, é verdade, mas… ainda falta um ano pra Copa acontecer, as equipes tradicionais estarão todas lá e, se tem uma coisa que a história do futebol nos ensina (apesar de nossas cabeças tolas de torcedores, inebriadas pela paixão irracional que nos deforma as ideias e a sensatez) é que não existe lógica no nobre esporte bretão. O melhor pode não vencer, um dia ruim pode ser fatal, um leve período de turbulência pode desmanchar um trabalho de anos e, no caso das Copas do mundo, o favorito quase nunca vencem. Entretanto, nem a derrota para os Estados Unidos na Copa das Confederações parece servir de alerta. “O time estava cansado, em fim de temporada”. De boas desculpas o mundo do futebol e o inferno estão cheios.

A Espanha de 2010 poderá ser o Brasil de 2006. Eu vejo isso muito claro. Já eles, acreditam que vencerão e que a nossa seleção não tem a menor chance. “Ao Brasil lhes falta estrelas.”, dizem alguns, ignorando o fato de que justamente este seja o nosso maior trunfo. Uma equipe concentrada, motivada, cheia de ambições e poucos mimos.

Prevejo um tombo feio da Espanha. Despencarão do alto de sua soberba futebolística recém adquirida e, depois de caírem, vão se perguntar se tudo não passou de um sonho. Talvez essa queda sirva para que eles amadureçam um pouco e aprendam a lição que o futebol tenta nos ensinar sempre. Aquela que diz que ninguém ganha de véspera, que futebol se joga de chuteira e pés no chão e não de salto alto. Daí, ressurgirão mais fortes e calejados, experientes e alertas, para vencerem uma Copa do Mundo. Tá dado o aviso. Em todo caso, espero que eles não me leiam.

BBN 2010 – Jota x Chrystian x Toinho

Novembro 23, 2009 por Carlos Fialho

Mais uma rodada de votação para escolher um participante do BIG BRÓDER NATAL 2010.

Dessa vez o eleito será um colunista social, representante dessa turma festeira que escreve metade dos conteúdos (?) de nossos jornais impressos.

 Entre os 36 finalistas concorrendo a uma vaga na casa, estão 3 colunistas sociais: Jota Oliveira, Chrystian de Saboya e Toinho Silveira. Cada qual com seus encantos, cada qual com sua virtudes.

 Votem comentando nesta postagem ou por e-mail ou no twitter ou no Orkut e quarta de manhã já divulgo o resultado com mais 3 candidatos postulantes a entrar nas crônicas.

 BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 4 de 12:

Jota Oliveira x Chrystian de Saboya x Toinho Silveira

A Arte de Caio Vitoriano

Novembro 23, 2009 por Carlos Fialho

Tenho a sorte, o privilégio e a felicidade de ser amigo de Caio Vitoriano, um cara do bem, especial, sempre feliz que irradia boas energias por onde passa. Além disso é um cara supertalentoso que tem estampado sua arte (travestida de cartazes de divulgação) nas paredes natalenses e em webleases de eventos culturais. Esta postagem serve para divulgar aqui um pouco do seu trabalho, mas já adianto que vocês podem ver muito mais de suas criações no seu Flirck —> http://www.flickr.com/photos/caiovitoriano/  <—-

O artista Caio, filho do também artista Vicente Vitoriano.

 

Marcelus Bob no BBN

Novembro 20, 2009 por Carlos Fialho

Marcelus Bob é a terceira celebridade natalense escolhida para entrar nas crônicas do BIG BRÓDER NATAL. Acredito que ele não saiba ainda, mas tudo indica que ao tomar conhecimento do seu ingresso, ele prepare um discurso de agradecimento nesse naipe:

Os fãs do artista plástico devem estar felizes. Semana que vem, logo na segunda-feira, abriremos mais uma votação. Já temos Luiz Almir, Ânderson Foca e Marcelus Bob. A 4ª escolha deverá contemplar um colunista social natalense para emprestar um pouco de glamour à casa mais vigiada da Diginet.

Valeu Marcelus Bob! Oh yeah!

"Quem é bonito é bonito. Quem é feio que Zidane!"