A Arte de Caio Vitoriano

Novembro 23, 2009 por Carlos Fialho

Tenho a sorte, o privilégio e a felicidade de ser amigo de Caio Vitoriano, um cara do bem, especial, sempre feliz que irradia boas energias por onde passa. Além disso é um cara supertalentoso que tem estampado sua arte (travestida de cartazes de divulgação) nas paredes natalenses e em webleases de eventos culturais. Esta postagem serve para divulgar aqui um pouco do seu trabalho, mas já adianto que vocês podem ver muito mais de suas criações no seu Flirck —> http://www.flickr.com/photos/caiovitoriano/  <—-

O artista Caio, filho do também artista Vicente Vitoriano.

 

Marcelus Bob no BBN

Novembro 20, 2009 por Carlos Fialho

Marcelus Bob é a terceira celebridade natalense escolhida para entrar nas crônicas do BIG BRÓDER NATAL. Acredito que ele não saiba ainda, mas tudo indica que ao tomar conhecimento do seu ingresso, ele prepare um discurso de agradecimento nesse naipe:

Os fãs do artista plástico devem estar felizes. Semana que vem, logo na segunda-feira, abriremos mais uma votação. Já temos Luiz Almir, Ânderson Foca e Marcelus Bob. A 4ª escolha deverá contemplar um colunista social natalense para emprestar um pouco de glamour à casa mais vigiada da Diginet.

Valeu Marcelus Bob! Oh yeah!

"Quem é bonito é bonito. Quem é feio que Zidane!"

 

Cus de Judas – Trechos

Novembro 19, 2009 por Carlos Fialho

Esta semana concluí a leitura de um excelente romance, “Os cus de Judas”  do português Antonio Lobo Antunes, um excelente relato sobre a guerra de independência de Angola. Fiquei encantado com o livro, a sensibilidade do autor, e o estilo com que usa a linguagem figurada. Pude desfrutar desta leitura graças ao amigo Paulo Araújo, alma boa e generosa que passou um período de trabalho por plagas africanas e me presenteou com a publicação.

A obra é repleta de trechos primorosos e, grifador compulsivo que sou, separei alguns para postar aqui no blogue e, quem sabe, aguçar a curiosidade de um que outro leitor.

Fiquem agora com os trechos que extraí:

“Quem me enfiou sem aviso nesse cu de judas de pó vermelho e areia, a jogar as damas com um capitão idoso, quem me decifra o absurdo disto, as cartas que recebo e falam de um mundo que a lonjura tornou estranjeiro e irreal, os calendários que risco de cruzes a contar os dias que me separam do regresso e apenas achando à minha frente um túnel infindável de meses onde me precipito mugindo…”

“Configurava-se um cenário triste como a chuva num recreio de colégio.”

“Jantaram na messe ao lado do comandante reluzente de orgulho, cuja timidez se embrulhava nos sorrisos de um adolescente em falta.”

“Os batuques dos luchazes eram concertos de corações pânicos, taquicárdicos, retidos pelas trevas de galoparem sem controlo na direção da própria angústia.”

“Transformar a minha vida numa sucessão sem nexo de cambalhotas desastrosas. Planos grandiloquentes em que Freud, Goeth e São Francisco convergiam e se combinavam, começaram a grelar-me na cabeça arrependida, milagres de algibeira para Lavosiers mongolóides… Jurava eu a mim mesmo num fervor de peregrino de Compostela, afadigar-me-ia a construir, a partir do meu nada confuso, a digna estátua de bronze do marido e do filho ideais, …”

“Descobri-me personagem de Becket aguardando a granada de morteiro de um Godot redentor.”

“A minha filha acaba de nascer. Acaba de nascer e a essa hora as senhoas do Movimento Nacional Feminino devem estar pensando em nós sob os capacetes marcianos dos secadores dos cabeleireiros, os patriotas da União Nacional pensam em nós comprando roupa interior preta, transparente, para as secretárias, a mocidade portuguesa pensa em nós preparando carinhosamente heróis que nos substituam, os homens de negócios pensam em nós, fabricando material de guerra a preço módico, o Governo pensa em nós atribuindo pensões de misérias às mulheres dos soldados, e nós, mal agradecidos, alvos de tanto amor, saímos do arame em que apodrecemos para morrer por perversidade de mina ou emboscada, ou deixamos negligentemente filhos sem pais a quem ensima a apontar com o dedo o nosso retrato ao lado da televisão, em salas de estar onde tão pouco estivemos.”

“Um sol alegre como o riso de um polícia toca xilofone nas persianas.”

“Há onze meses que só vejo morte e angústia e sofrimento e coragem e medo, há onze me masturbo todas as noites, há onze meses que não sei o que é um corpo ao pé do meu corpo,  e o sossego de poder dormir sem ansiedade, tenho uma filha que não conheço, uma mulher que é grito de amor sufocando em um aerograma, amigos cujas feições começo inevitavelmente a esquecer, uma casa mobiliada sem dinheiro que não visitei nunca, tenho vinte e tal anos, estou a meio da minha vida e tudo me parece suspenso à minha volta como as criaturas de gestos congelados que posavam para os retratos antigos.”

“O meu pai costumava contar que o Rei Felipe exclamara certa vez para o arquiteto do Escurial: “Façamos qualquer coisa que o mundo diga de nós que somos loucos.” Pois bem, nesse caso a ordem recebida pelo gorducho de capacete: “Façamos qualquer coisa que o mundo diga de nós que somos mongolóides”.”

“Os generais no ar-condicionado de Luanda inventavam a guerra de que nós morríamos e eles viviam.”

“Um labirinto de angústia que o uísque ilumina de viés da sua claridade turva, segurando os copos vazios na mão como os peregrinos de Fátima as suas velas apagadas.”

“Viu por acaso como nos assustamos Se alguém, genuinamente, sem segundos pensamentos, se nos entrega, como não suportamos um afeto sincero, incondicional, sem exigências de troca? A esses, os Camilos Torres, os Guevaras, os Allendes, apressamo-nos a matá-los porque o seu combativo amor nos incomoda, procuranmo-los, de bazuca ao ombro, raivosos, nas florestas da Bolívia, bombardeamos-lhes os palácios, colocamos no seu lugar sujeitos cruéis e viscosos, mais parecidos conosco.”

“Ah, as refeições frente a frente, em silêncio, cheias de um rancor que se palpa no ar como a água de colônia das viúvas.”

“Estou mudado. Afasto-me dos retratos do ano passado como um barco do cais.”

Colunas da Digi #5 e #6 – Quem você quer ser?

Novembro 19, 2009 por Carlos Fialho

A minha 5ª coluna na Diginet, publicada em 17 de setembro de 2007, foi uma crônica chamada 4 elementos e falava das manobras em torno da votação do plano diretor da cidade que os vereadores queriam aprovar segundo os interesses das construtoras em troca de suborno que recebiam dos empresários. A Polícia Federal depois desbaratou o esquema através da “Operação Impacto”. Como essa crônica se relaciona estritamente com fatos da época, não a republicarei aqui. Publicarei então o texto “Quem você quer ser?”, uma história leve e sobre crianças jogando futebol que foi a sexta coluna publicada no dia 24 de setembro de 2007.

***

Quem você quer ser?

Uma pelada no campinho do bairro. Tava todo mundo lá. O Lero-lero, o Brasilgás, o Múcio e todos os outros que não vou dizer o nome, pois a única função deles nessa história é fazer figuração e deixar claro que tínhamos dois times formados, incluindo dois bons goleiros.

A gente só tem 9 anos. Quer dizer, menos o Lero-lero que é um ano mais velho e já está na quarta série. Como ele tem mais experiência que a gente, joga melhor. Já não corre tanto quanto nós, mas por ter muito mais idade, conhece os atalhos do campo e mostra toda a categoria adquirida em não-sei-nem-dizer-quanto-tempo de pelada.

E começamos tirando os times e botando a bola no meio e já íamos começar quando o Brasilgás gritou lá do gol: “Eu sou o Rogério!” Nossa, como é que eu ia esquecendo disso? Antes de cada pelada, a gente tem que deixar bem claro quem quer ser. O Brasilgás é o nosso goleiro oficial. No início, ele foi pro gol porque é gordinho e não tinha disposição pra jogar em outras posições. Mas com o tempo, ele tomou gosto pelo gol e acabou virando muito bom debaixo dos paus. E o ídolo dele era Rogério. Claro que era Rogério, era o goleiro da moda naquele verão.

Eu, que estava com o pé direito em cima da bola pronto para dar a saída, também levantei pro alto meu dedo e disse, antes que outro jogador fizesse, com a pose de dono da bola, conseqüentemente, chefe da pelada: “Eu sou Romário!” E só podia ser Romário mesmo. Sou baixinho, abusado, fico lá na frente esperando a bola e quem achar ruim mando embora da pelada na maior. Tá pensando o quê? Moro nesse bairro desde que nasci!

O Lero-lero também disse logo quem ele queria ser. Era o Zidane, camisa 10. Tem tudo a ver com ele. Um cara experiente, organizador de jogadas e que dá olé nos mais moços. E depois dele, todos os outros começaram a dizer que queriam ser o Kaká, o Ronaldinho Gaúcho, o Cristiano Ronaldo, o Nesta, o Gamarra. Mas faltava um. O Múcio não disse quem ele queria ser. Múcio gostava de jogar no meio, chegando na frente. Se bem que no nosso jogo isso não fazia muita diferença, pois todo mundo vai atrás da bola onde quer que ela vá. Até o seu Damião, pipoqueiro do parque de diversões que há mais de 2 anos, ou seja, mais de uma década, está no bairro é atropelado às vezes. É que ele fica lá na beira do campinho, olhando e quando a bola vai pros lados dele não tem jeito. Sai todo mundo atrás. Quer dizer, todo mundo menos os goleiros e eu, né? Eu sou o Romário. Meu lugar é na área, mesmo que o nosso campinho não tenha área, nem grama, na verdade. Aliás, é difícil dizer quando a bola sai ou não.

Mas como eu ia dizendo, o Múcio não tinha falado nada ainda. Todo mundo olhou pra ele. Uns já meio bravos, pois só faltava ele se identificar pra gente começar a jogar. Eu vi que ele tava ficando nervoso, suando frio, não ia dizer e perguntei: “Como é, Múcio? Diz logo quem você quer ser!” Ele, todo encabulado, disse bem baixinho: “Marzzzzzt…”. “Fala alto, pô!”, gritou alguém. Eu, do alto de minha “otoridade”, respondi: “Cala boca! Quem manda aqui sou eu!” E disse pra ele: “Fala alto, pô!” O Lero-lero também já tava perdendo a paciência: “Quem você quer ser, Múcio?” E o Múcio finalmente falou: “A Marta.”

Silêncio.

Mas como assim, a Marta?! “Que Marta, Múcio?” “Marta! Marta! A jogadora Marta! Da seleção feminina. Eu quero ser a Marta e pronto!”

Impasse. Eu, mesmo sendo a maior “otoridade” presente não sabia o que fazer nessa situação. A gente começava a pelada ou não? Se o Múcio queria ser a Marta, a gente tinha que decidir se podiam jogar juntos meninos e meninas. Porque daí poderiam vir a minha irmã chata pra chuchu e exigir: “Se a Marta pode, eu também posso!” Já pensou como iam ficar nossos joguinhos. Já ia pedir ajuda ao Lero-lero, quando ele falou: “Eu sou a Roseli!” E lá de trás teve um zagueiro que gritou: “E eu sou a Tânia!” E cada um que dissesse um nome de jogadora diferente. Pela primeira vez, eu ia jogar com a Mya Ham, a Cristiane, a Yasmin… Até o Brasilgás escolheu uma: “Eu sou a Milene!” Mas aí todo mundo protestou: “A Milene não, Brasilgás!” “Ela nem pega no gol!” Ele encolheu os ombros e decretou: “É a ex-senhora fenômeno. Alguma coisa ela deve ter aprendido.”

“Pronto, já podemos começar.”, eu disse e já ia rolar a bola. “Ainda não. Tá faltando você.” “Faltando o que?” “Quem você quer ser?” “Eu já falei. Eu sou o Romário!” “Não. Fala a verdade pra gente. Quem VOCÊ QUER ser?” “Tá bom. Eu sou a Pretinha.” E então a pelada finalmente começou. Foi a melhor pelada que já jogamos. Todo mundo estava muito solto. Foi legal. O Múcio não tem jogado mais bola com a gente. Resolveu praticar um esporte na escola. Entrou pro balé, parece. Nem sei se ele ainda quer ser a Marta. Mas eu já decidi. Não quero ser mais a Pretinha, nem o Romário. Quero ser astronauta ou bombeiro. Um dos dois. 

BIG BRÓDER NATAL 2010 – Foca entra na casa e 3ª Votação

Novembro 18, 2009 por Carlos Fialho

Ânderson Foca, o Jomardo Jomas brasileiro, o rei dos baixinhos do rock natalense, homem de visão e gordurinhas a mais, entrou na casa graças à adesão apaixonada dos seus inúmeros “amigos”(?) que prometem inclusive estar presentes com cartazes de apoio, caso nosso Mister Rocker vá para o paredão alguma vez.

 

Foca promete "tocar o terror!" na sua participação no BBN 2010.

O placar foi quase uma nomeação:

Foca —> 10 votos.

Alex Padang —> 01 voto.

Cláudio Porpino —> 01 voto.

Agora já são 2 membros garantidos nas crônicas do BIG BRÓDER NATAL 2010.

E quem quiser, já pode escolher o terceiro participante. As celebridades postulantes à terceira vaga são Tom do Cajueiro, Danusa de Salles e Marcelus Bob.

Escolha já o seu comentando nesta postagem e vamos pra frente!

BIG BRÓDER NATAL VOTAÇÃO 3 de 12:

Tom do Cajueiro X Danusa de Salles X Marcelus Bob

Cantos das Cidades 9 – Falta de sol (PE)

Novembro 17, 2009 por Carlos Fialho

Vista de Olinda

Pernambuco é um dos Estados brasileiros mais férteis no que toca a criatividade. Ainda mais que eu já viajei muitas vezes a turismo ou a trabalho, tendo conhecido lugares e pessoas. Ali, fiz amigos que sempre proporcionam reencontros festivos em almoços lamentavelmente curtos ou noites ébrias e efusivamente longas. Porém, mesmo com tantos conhecidos na capital pernambucana ou recifenses residentes em Natal, tive extrema dificuldade em encontrar alguém disposto a me ajudar a escrever uma história que se passasse naquelas terras. Tentei com os companheiros Rafoso, depois com a redatora publicitária Juliana Lisboa, em seguida com o diretor de criação Cristiano de Souza e, por fim, com o analista de sistemas Gil Limpeza. Todos se dispuseram, num primeiro momento a ajudar-me, para depois ignorarem solenemente meus apelos.

Até que decidi quebrar uma regra que havia me auto-imposto na elaboração dos contos deste livro. Resolvi apelar para um amigo escritor, algo que eu, a princípio preferia não fazer, dando a oportunidade de que outras pessoas participassem da brincadeira. Foi aí que entrou em campo o romancista, publicitário e jornalista Paulo Costa, ou Costner para alguns amigos do tempo em que ele viveu em Natal. Mandei para ele os dois contos que havia escrito, passados em Pernambuco. O primeiro se baseia na música “Falta de Sol” do Eddie e se passa em Olinda. É  a história de Flor, uma mulher que decide se alimentar de luz. O segundo, se passa em Recife, mas não vou falar dele agora. Esta postagem serve para que eu dê a ótima notícia de que Paulo teve palavra e foi rápido na contribuição que fez nos contos, incluiu partes essenciais para as narrativas e melhorou (e muito) as histórias.

 

Paulo Costa, embaixador de Pernambuco no "Cantos das Cidades", co-autor de dois contos do livro.

Afirmo, feliz da vida, que “Falta de Sol” será um dos melhores contos do “Cantos das Cidades”.

 Confiram agora um aperitivo rápido:

 “…Flor queria encarar seu novo momento com seriedade, com profundidade. Passaria a habitar um plano acima dos demais, em paz consigo mesmo, com a vida e com os outros seres humanos que são, tipo assim, criaturas lindas de Deus, sabe?

 Já que ia mesmo se alimentar de luz, Flor deveria tomar cuidado para não exagerar na dose. O verão chegou com força em Olinda naquele ano e Flor não podia sair por aí a toda hora, subindo e descendo ladeira sob o risco de terminar a estação bastante rechonchudinha, vermelha como camarão de praia, aqueles cozidos na água e sal, que passam o fim de semana tomando sol no plástico dos ambulantes. Era preciso seguir uma dieta balanceada de complexos UVA e vitaminas UVB, além de raios de fim de tarde, que são bem menos gordurosos do que as lipídicas radiações a que nos submetemos entre as 10 da manhã e as 14 horas. Se quiser tomar um milk shake de colesterol solar, sugiro que saia da sombra ao meio dia. Seria um almoço nada nutritivo pra você. O mundo poderia ser mais feliz sem fome, com todo mundo irradiando luz, alimentando-se de sol…”

 Obrigado, Paulo, autor do livro “Balada para uma serpente” e responsável pelos seguintes endereços virtuais:

www.blogpaulocosta.blogspot.com
(Meu portfolio: vídeos, projetos de televisão, documentários, campanhas políticas e publicidade)

www.myspace.com/paulocosta62
(Criações para rádio)

www.comunicausos.blogspot.com
(Ideias e novidades da comunicação)

www.baladaserpente.blogspot.com
(Versão virtual do meu livro publicado pela Bagaço, em 2001. Policial noir ambientado na cena mangue)

E obrigado ao Eddie por ter composto essa música que gosto tanto.

Campeonato Brasileiro do Nordeste

Novembro 16, 2009 por Carlos Fialho

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Esta temporada não está sendo nada boa para o futebol do Nordeste em âmbito nacional. Um ano que começou com o Sport fazendo bonito na Libertadores e o Fortaleza avançando longe na Copa do Brasil acaba com um festival de equipes rebaixadas na região. Da série A para a B, caem dois dos três nordestinos que disputam o torneio. Da segundona para a Série C a situação é ainda pior, com possibilidades reais de que os quatro degolados sejam da terrinha.

Mesmo com o ASA de Alagoas e o Icasa do Ceará subindo da C para a B, ou com o Ceará cotadíssimo para voltar à elite em 2010, a diminuição no já inexistente protagonismo nordestino no futebol brasileiro é claríssima e progressiva. Os únicos campeonatos que podem ser vencidos pelas nossas equipes são os deficitários estaduais, cada vez mais esvaziados e deixados de lado pelo público. Esses torneios, inchados e desprestigiados, só dão despesas aos clubes com suas arquibancadas vazias e, a não ser nos clássicos, provocm algum interesse nos torcedores.

É que aquele axioma repetido exaustivamente de que “não existe mais bobo no futebol” pode ser aplicado ao torcedor moderno sem nehum retoque. O povo não é burro, diz a sabedoria popular. Ele sabe que a maioria dos jogos dos torneios domésticos não vale absolutamente nada, que os dirigentes enchem linguiça em disputas irrelevantes e que apenas as partidas entre as equipes mais fortes e tradicionais, salvo exceções, decidem alguma coisa. Daí, acaba se resguardando para as fases decisivas.

O sucesso no Brasil do campeonato dos pontos corridos é uma prova dessa inteligência da massa. Quando percebeu que a coisa era séria, organizada e que havia uma continuidade, o público respondeu, enchendo os estádios. Agora, todos os clubes da série A se mantém ativos até o final do torneio e a disputa se espalhou para várias partes da tábua de classificação. Tem briga lá embaixo para não cair, briga no meio para tentar ir à Sul-Americana e, claro, lá em cima para ver quem leva a taça. As pessoas sabem valorizar a emoção que o campeonato transmite, aprendeu com a continuidade e a criação de uma “cultura dos pontos corridos” que agora todos os jogos valem.

Um outro exemplo singelo é que hoje em dia não existem mais invasões de campo ou objetos jogados com a profusão que havia antes. Pelo simples fato de que, hoje, a torcida que jogar algo em campo é punida com a perda de mando de campo do seu time. Eu já presenciei nas arquibancadas, alguém tentar jogar uma garrafa de plástico no gramado e ser hostilizado por dezenas de torcedores em volta. Isso é o resultado de uma regra clara e sua aplicação prática. E também um exemplo de que a “massa ignara” não é tão desprovida de raciocínio como julgam alguns desinformados.

A verdade é que, na atual conjuntura do futebol brasileiro e diante da evolução gradativa e processo de organização por que passamos, os campeonatos estaduais não servem pra muita coisa a não ser para endividar os clubes e preencher as datas de um calendário que mantém as migalhas de poder nas mãos das federações estaduais, cujos presidentes não passam de meros fantoches da CBF. Os campeonatos dos estados poderiam muito bem ter um mês a menos que não faria nenhuma falta, além de podermos ter mais datas para o brasileirão, libertadores, copa do brasil e sul americana. Enfim, mais racionalidade no calendário.

Então, se a situação está tão ruim na região, por que não mudar? Mas uma mudança profunda, importante, no sentido de desenvolver os clubes, forçá-los a se organizarem, motivar seus torcedores e afirmar o nordeste como uma referência no futebol, pois o nosso povo também gosta de lotar os estádios. Uma alteração de rumo como essas, evidentemente, teria que descontentar alguns e romper com o sistema vigente, mas seria por uma boa causa. A ideia que lanço para discussão é a disputa de um “Campeonato Brasileiro do Nordeste”.

Seria assim: 16 clubes de todos os Estados na série A e mais 16 clubes na série B jogariam em turno e returno no sistema de pontos corridos. Para dar maior dinamismo e emoção, cairiam e subiriam quatro equipes, ou seja, 25% dos disputantes mudaria de série a cada ano. Paralelamente, havera a disputa da “Copa do Nordeste”, nos moldes da Copa do Brasil, com as 32 equipes das duas séries em disputas eliminatórias de ida e volta.

O período de realização poderia se iniciar no início do ano, onde continuaria ocorrendo os estaduais, mas disputados por equipes que não entrassem nas séries A e B. Já a duração poderia ser o ano inteiro, com jogos nos fins de semana pelo Campeonato do Nordeste e nos meios de semana para a Copa do Nordeste, num calendário racional, planejado e formado por jogos que valeriam sempre.

Campeonatos assim seriam emocionantes, com equipes tradicionais como Bahia, Sport, Ceará, América, Vitória, Náutico, Santa Cruz e por aí vai. Teríamos os estádios sempre cheios, os clubes seriam os donos da Liga e negociariam os direitos de televisionamento. Uma nova era de organização, equilíbrio nas finanças e prosperidade se anunciaria.

É claro que todos estariam sujeitos às sanções da CBF, que os clubes do Nordeste cairiam na ilegalidade, que não poderiam ceder jogadores à seleção, que haveria pressão política pesada por parte de Ricardo Texeira e os presidentes de federações desesperados com a perda do poder, que alguns clubes resistiriam a aderir num primeiro momento…, mas qual a mudança profunda que não cause alguns transtornos e muitos incômodos? Qual revolução não se faz com sacrifícios?

 A criação desta Liga do Nordeste e de dois campeonatos como o “Campeonato do Nordeste” e a “Copa do Nordeste” seriam benéficos para todo o país, uma vez que gerariam mais empregos para profissionais do futebol como técnicos e jogadores, por exemplo. É que as vagas deixadas pelos clubes do Nordeste no Campeonato Brasileiro seriam, naturalmente preenchidas por outros times e a organização dos novos torneios terminaria por gerar rceitas como a procura pelos produtos licenciados dos clubes, provocados por uma torcida motivada e feliz com o êxito da competição. Com campeonatos e clubes organizados, empresas se interessariam em patrocinar as equipes e seguramente as TVs cobririam os jogos.

É uma utopia essa ideia? É uma situação quase impossível de acontecer? Sim, talvez. Mas eu acho que seria uma grande (R)evolução para o futebol da região. Uma declaração de independência de nossos clubes. Sustento que a saída para o Nordeste está em si mesmo e não lá fora. Está lançada a discussão. O fato é que precisamos mudar de rumo. Essa queda em massa de nossos times e a ausência de luz no fim do túnel é que não é nem um pouco saudável.

Construindo o rock

Novembro 16, 2009 por Carlos Fialho

Investimento no dia-a-dia resulta numa cena que não tem saída senão crescer. Pode até demorar, mas um dia ela aparece, grande, diversificada e forte. Natal que o diga.

Por Marcos Bragatto
Fonte: Rock em Geral
 
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Centro Cultural Dosol durante o festival deste ano. Foto de Nícolas Gomes.

Meus amigos, o que é o fuso horário. Já andei tanto por aí, mas nunca pensei que fosse encontrar horários diferentes em vôos domésticos, aqui mesmo, dentro deste Brasil varonil. Pois eis que, para chegar até Natal, gastei duas horas. E, para voltar, levei quatro. Não é lindo isso? Agora entendo quando os apresentadores de TV anunciam atrações e dizem, depois da hora, a expressão “no horário de Brasília”. Sim, há mais de um fuso horário no Brasil, sobretudo no horário brasileiro de verão, e eu, aqui, atolado no rock, não tinha atinado pra isso.

Foi pelo rock, aliás, que cheguei a essa conclusão, indo e vindo de um lado a outro para cobrir o Festival Dosol, lá mesmo, na capital do Rio Grande do Norte. Já estive outras vezes na cidade, mas jamais em datas em que esse tipo de coisa acontecesse. Coincidência ou não, fazia cerca de quatro anos que eu não fazia o percurso, e outros quatro da primeira vez em que estive lá, para cobrir o então emergente Mada – Música Alimento da Alma. Arredondando, oito anos em que pude ver Natal mais de perto. Natal uma ova. O rock de Natal, ora bolas.

Pois eu digo que muita coisa mudou. O que vi lá dessa vez foi um festival criado a partir de uma cena própria, o rock evoluindo em torno de si mesmo, como numa fábula vivida a cada dia há mais de 50 anos. Explico. Na primeira vez em que estive em Natal, vi algo feito a partir do esforço de produtores locais, mas com uma excepcional carência de bons artistas. Me recordo que, em uma das noites, encontrei com Paulo André, o produtor do Abril Pro Rock (festival independente mais antigo do Brasil) que sempre circula em tudo o que é evento para ver como as coisas acontecem – não por acaso é um dos fundadores da Abrafin (Associação Brasileiras de Festivais Independentes). Comentava com ele como eram ruins as bandas de Natal, no que obtive a resposta: – No começo é assim mesmo, tem que tirar leite de pedra.

Captei a mensagem já naquela noite, mas agora compreendo muito melhor. Vejam que só este ano, no Dosol, se apresentaram um total de 31 artistas, sendo 15 da própria cidade, ou seja, Natal compareceu com metade das bandas escaladas. E o leitor, afoito, conclui: – Que azar! No que eu retruco: – Na-na-ni-na-não! Isso porque os tempos de se tirar leite de pedra ficaram para trás e hoje Natal pode se orgulhar de ter uma cena rock tão forte quanto outras cidades mais próximas do sul maravilha, a ponto de se sustentar por si própria. Não é o caso, aqui, de sair separando subgêneros e derivativos, mas podemos citar, de leve, o punk do Dr. Carnage; o hardcore bacana do I.T.E.P.; o rock psicodélico do Bugs, já conhecido de outros carnavais, mas sempre em movimento; a mistura de grunge com metal (pra ser bem sucinto) do barulhento Rejects; o bubblegum do Fliperama; o inventivo Distro; e (ufa!) o descendente da origem do emo Calistoga. Mas atenção: isso aqui não é uma resenha. A cobertura foi feita pelo Homem Baile e está aqui (primeiro dia) e aqui (segundo dia).

Falando assim até parece que é fácil. Se perguntarmos para Anderson Foca, Ana Morena e o batalhão de figuraças que faz isso tudo acontecer, não só em dois dias, mas o ano todo, eles seguramente vão dizer que tiram leite de pedra, sim senhor, e todos os dias. Dão um duro danado, mas, no fim, ficam felizes e têm orgulho do que fazem. Por isso podemos concluir que o Centro Cultural Dosol, um dos palcos onde funciona o festival, é uma espécie de versão reduzida do próprio evento, que leva bandas para Natal todo final de semana e – claro – revela novos grupos. Aí aparece gente boa, gente ruim, gente que cresce, gente que desiste, e assim se forma aquilo que – na falta de um nome melhor – chamamos de “cena”. O Centro Cultural DoSol seria o Garage, se fosse no Rio. Ou o Hangar 110, se fosse em São Paulo.

Falei de 2001 e pulei pra 2009, mas vou voltar para explicar que, uma coisa é o Mada, e, outra, é o Dosol. O Mada bem que começou, naquela época, a tentar fazer um agito na cena local, mas aos poucos a idéia foi se esvaziando, e, embora eu não vá ao festival desde 2004, posso dizer que ele se distanciou dessas origens – até pelo formato “grandioso” – e hoje está mais próximo daqueles eventos de pop rock que reúnem bandas grandes, bombadas na mídia, quase sempre os mesmos nomes a cada ano. E o DoSol, que começou querendo ser maior do que era, parece ter encontrado um formato que lhe calça bem os pés. Em vez de ocupar o Largo da Ribeira inteirinho, onde o Mada teve sua gênese, melhor usar a frente do Centro Cultural e do Armazém Hall, que ajunta o público e ainda lhe fornece área de circulação e ar puro, em meio a tanto rock. Digo tanto rock porque, com dois palcos, o rock não pára. É de três e meia da tarde, no real time personal horário de inverno, com o sol rachando na moleira, que tudo começa, e depois invade a noite e até a madrugada, no caso do sabadão.

Sim, meus amigos, o tempo é o senhor da razão, com fuso ou sem fuso. E a lição que fica é que, se queres fazer um festival, queres ter bandas pra exportar, é preciso fazer acontecer não de forma bissexta, mas dia após dia, todos os dias. De repente, quando se menos espera, tá tudo ali. Porque, não me canso de dizer, o rock está aí, de bobeira, se oferecendo a meio mundo. É só pegar, trabalhar pra dedéu que ele germina, cresce, se prolifera e dá frutos, muito frutos. De Londres a Nova York, do Oiapoque ao Chuí, do Rio a Natal. Confuso ou sem fuso.

Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

BIG BRÓDER NATAL – Segunda votação.

Novembro 15, 2009 por Carlos Fialho

Já está definido o primeiro participante do BBN 2010. É o cantor e político Luiz Almir, o deputado do Kintal 2. Agora, é a hora de votarmos em mais uma celebridade natalense.E já que temos um músico na casa, que tal colocarmos um produtor de eventos de competência reconhecida em plagas potiguares?

Seria uma bela ideia, pois poderíamos potencializar ao máximo os dotes artísticos do Deputado cantor.

Com isso em mente, os 3 candidatos a participarem do BIG BRÓDER NATAL 2010 são Alex Padang, Ânderson Foca e Cláudio Porpino.

Padang Foca Cláudio

O primeiro é empresário musical e compositor, autor da célebre refrão “Se réie pra lá!” É o proprietário da banda Cavaleiros do Forró que segue os passos e o sucesso do Aviões do Forró. Um homem de senso artístico apurado e muitíssimo bom gosto.

Ânderson Foca é uma espécie de Ronaldo Fenômeno do rock potiguar. Assim como o jogador do Corínthians começou de baixo (aliás de muito baixo, já que era comissário do Bicho Papão). Depois foi o vocalista da banda Oficinna, tocando em domingueiras do Monjardin (lembram dele?). Após alguns escândalos na mídia, tal qual o futebolista, como a briga com o hobbit Marlos Apyus, decidiu montar um festival de rock, tudo isso às voltas com os constantes problemas de peso (igual ao gorducho alvinegro) que quase mudaram sua alcunha de Ânderson Foca para Ânderson Orca. Hoje, seus esforços deram certo e ele brilha muito no Dosol.

Cláudio Porpino entra na votação porque é um dos criadores do Carnatal, o homem forte do Caju com Sal e promotor de shows de bandas inesquecíveis que eu, confesso, não consigo lembrar agora no momento.  

 

BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 2 de 12:

Alex Padang x Ânderson Foca x Cláudio Porpino

Vote nos comentários!

Luiz Almir vence a disputa!

Novembro 13, 2009 por Carlos Fialho

O blogue tem o prazer de anunciar que o Deputado Estadual e cantor de serestas Luiz Almir está confirmado como o primeiro participante do Big Bróder Natal 2010. Ele vai entar na casa mais vigiada do Estado com fortes possibilidades de ser também o grande vencedor deste “Reality Show” potiguar. A série de 12 crônicas interativas começarão no início do próximo ano, junto com o programa da Rede Globo e as histórias poderão sofrer interferências mediante as sugestões dos leitores.

 

17 - luiz-almir

Luiz Almir - 100% BBN

Para poder participar da brincadeira, um dos políticos mais populares e comunicativos do Estado, homem de fé e hábitos simples, deixou para trás o vereador Paulo Wagner e o radialista e esposo da prefeita de Natal, Miguel Webber.

O vereador Paulo Wagner, antevendo a dianteira assumida pelo oponente, ainda tentou uma manobra desesperada de chamar a atenção do público e agrediu verbalmente o jornalista Ricardo Rosado. A estratégia quase deu certo, pois o apresentador reagiu na votação, mas não o suficiente para tomar a dianteira de Luiz Almir que, segundo analistas políticos renomados, venceu por um nariz.

E, cá pra nós, vencer por um nariz no caso dele, representa uma ótima vantagem. Semana que vem, já na segunda-feira, iniciaremos a segunda votação para saber quem entra na casa.

As assessorias dos 3 candidatos não quiseram se pronunciar sobre o resultado da votação. Talvez isso tenha ocorrido porque nenhuma delas foi procurada.

Coluna da Digi # 4 – Zumbis

Novembro 13, 2009 por Carlos Fialho

Na minha 4ª coluna da Digi, atualizada a 10 de setembro de 2007, falei um pouco, bem superficialmente, aliás, sobre os filmes de zumbis, sub-gênero de filmes de terror com muitos admiradores. É um texto leve e muitíssimo despretensioso. Recentemente, escrevi mais 4 crônicas sobre o tema que serão publicados em breve na coluna. Por hora, vamos relembrar o texto de 2007.

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Zumbis – Mais vivos do que nunca!

Como assim filmes de zumbi? Existe essa categoria? Filmes de zumbi? – perguntou-me um amigo, como se eu tivesse acabado de revelar a condição de hermafrodita escondida por toda uma vida ou recém confessado um grave distúrbio sexual ou comportamental.

- Pois é, meu caro. Somos amigos há muito tempo e já está na hora de você saber. Eu tenho uma vagina. Saudável, limpinha, bem perto do pênis. Na verdade, logo ali. Do lado, sabe? Levo sempre ao ginecologista. Pode ficar tranqüilo.

Mas qual nada! Eu apenas disse que gostava de filmes de zumbi. Essa categoria imortal(em vários sentidos) que é uma das mais divertidas da sétima arte. E qual outro tipo de filme poderia ser chamado de arte com tanta propriedade?

A premissa é simples. Os mortos voltam a viver e atormentam a vida dos vivos. Nada de muita elaboração ou de roteiros rebuscados. Geralmente eles vêm tentar comer ou morder os vivos para também transformá-los em zumbis. Eu realmente não sei o que os motiva tanto a voltarem para este mundo, como mostram tantas produções cinematográficas. Talvez a vida (não pude achar um termo melhor) no além seja de matar (vou abusar dos trocadilhos, se me dão licença). Sem ter muito o que fazer, os mortos vivos acabam juntando suas galeras para vir até o nosso mundo morder algumas pessoas e botarem pra quebrar.

Um dos principais filmes do gênero é “A volta dos mortos vivos” que, vira e mexe, reaparece, ou ressuscita, nas madrugadas da Globo. Para quem não lembra, é aquele em que os mortos saem em busca de miolos para se alimentar. Tem também os filmes de George Romero, uma trilogia: “A noite dos mortos vivos”, “O despertar dos mortos” e “O dia dos mortos”, lançados respectivamente em 1968, 1978 e 1985. Estes são considerados clássicos e ditaram as regras para todas as produções que envolvessem as criaturas comedoras de gente.

Recentemente, Romero lançou um 4º filme para a franquia, “Terra dos Mortos”, 2005, em que o mundo, já dominado pelos zumbis, adaptou-se à nova realidade e aprendeu a conviver com ele, tendo os humanos se refugiado em condomínios fechados ou bases militares. Uma homenagem a Romero também foi feita em 2004 com o filme “Madrugada dos mortos”, a 10ª maior estréia nas bilheterias americanas no mês de março de toda a história do mês de março, ou das bilheterias, ou desde que o cinema americano e o mês de março passaram a existir e a cobrar ingressos juntos nesse mundão dos vivos de meu Deus.

Outras produções que se relacionam aos filmes de zumbis podem ser citadas. Em 2003, o diretor escocês Dany Boyle e o roteirista Alex Garland filmaram “Extermínio”. Um filme que, na verdade, trata de uma epidemia que deixa as pessoas agindo como zumbis, mas com agilidade de animais selvagens. Trata-se de um vírus semelhante à raiva que se espalha rapidamente e, se olharmos para o passado recente da humanidade (Ebola, gripe asiática, Aids), o filme britânico se torna o mais plausível de todos. O filme fez tanto sucesso que uma seqüência acaba de ser lançada e entrar em cartaz em Natal. “Extermínio 2″ é inferior ao primeiro e não traz a dupla Boyle e Garland no comando. Em todo caso, se você gostou do primeiro, vale à pena conferir. Só não vá dizer pra namorada que é uma comédia romântica, beleza?

Os britânicos, aliás, fizeram o primeiro escracho sobre filmes de zumbi. “Todo mundo quase morto” de 2004 faz uma divertida sátira dos filmes, provando que o gênero já ganhou notoriedade suficiente para gerar sub-produtos. A cena em que os protagonistas saem imitando modo de andar e agir dos mortos vivos é impagável.

E é claro, e como não poderia deixar de ser, temos a comédia que nos relembra como a transição dos anos 80 para os 90 foi sofrida, vazia e (muito) brega: “Um morto muito louco” (“Weekend at Bernie’s”). Não vou contar o enredo do filme para não ficar repetindo o que por si só é ridículo o suficiente. Inclusive, alguém deveria ter dado esse conselho aos realizadores da “obra”. Talvez isso tivesse evitado “Um morto muito louco 2”. 

Coluna da Digi #s 2 e 3 – Campos de Carvalho

Novembro 12, 2009 por Carlos Fialho

 A coluna de estreia, “Fabão e Maryeva” rendeu um monte de acessos e 52 comentários. Daí, na semana seguinte, no dia 27 de agosto de 2007, publiquei o texto “Christmas, the city of the sun” a respeito da festa “Independence Day” que ocorreria em Pipa para celebrar a independência do Brasil(!!!). A polêmica gerada pela crônica rendeu 137 comentários e certamente chamou a atenção para a coluna, atraindo novos leitores que talvez tenham sido fidelizados desde então.

No entanto, não vou publicar aqui a segunda coluna por tratar de um tema muito datado. Quem quiser, pode relê-la (ou conhecê-la) aqui. Prefiro publicar a minha terceira crônica publicada na Digi: “Campos de Carvalho, um escritor único“, que foi ao ar em 03 de setembro de 2007, falando um pouco sobre um dos meus autores preferidos.

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Campos de Carvalho, um escritor único

Andando pelas livrarias da paulicéia, me deparo com dois livros que me deixam muito feliz em encontrá-los. “As Pelejas de Ojuara” do Nei Leandro em posição de destaque na prateleira me faz abrir um largo e satisfeito sorriso. E “Campos de Carvalho – Obra completa”, lançado em 1995, já em sua 10ª edição, esgotando-se ano após ano das livrarias e sendo sempre reimpresso para o desfrute de novos conhecedores de sua prosa. Walter Campos de Carvalho é para mim um dos maiores escritores do Brasil de todos os tempos. Quase sempre subestimado, hoje vem recebendo a devida justiça, alcançando boas vendas e até mesmo um certo culto por parte da nova geração de leitores e escritores.

Jorge Amado foi o seu padrinho literário. Impressionado com a imaginação do escritor paulista, dizia a quem quisesse ouvir que ele se tratava de um dos melhores romancistas em atividade no país. Porém, sua obra não foi bem aceita no seu tempo. Era um período conturbado. Publicou seu primeiro livro em 1954, ano do suicídio de Getúlio Vargas, e a última em 1964, quando veio o golpe militar. Sua prosa original e vigorosa não passou impune diante das ditaduras ideológicas que imperavam no Brasil daquele tempo.

A direita o acusava de ser um subversivo, a esquerda de não produzir uma arte engajada. E foi por não se encaixar nos caprichos ideológicos nem destes nem daqueles, que ele acabou sendo desprezado, ignorado, passando ao largo dos grandes escritores da época, sem cativar os numerosos leitores de que era merecedor.

Jorge Amado não entendia como um escritor tão bom, dono de uma fértil (apesar de curta) produção tinha que conviver com o ostracismo e críticas tão injustas. Ele dizia para o autor: “Você só será compreendido daqui a 30 anos.” Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, pouco antes de morrer, Walter declarou amargurado: “Eu não sabia que 30 anos demoravam tanto a passar.”

Mas eis que as palavras do pai de Tieta, Gabriela, Tereza Batista e outras morenas gostosas, foram de fato proféticas. Em 1995, exatos 31 anos após a publicação de seu último livro, “O Púcaro Búlgaro”, a editora José Olympio relançou a obra completa do autor. Nesses 12 anos, o livro alcançou sucesso de público, crítica, vendas. Sua combinação de non-sense, personagens marcantes e um domínio absoluto da linguagem, capaz de produzir deliciosos jogos de palavras, fazem Campos de Carvalho ser inovador e ousado até para os padrões deste início de milênio, imaginem na época em que ele escrevia.

Em seu tempo não havia o conceito de politicamente correto. Por isso, o autor continua a impressionar nesses tempos insípidos de hipocrisia disfarçada de respeito ao próximo. No livro “A Vaca de Nariz Sutil”, é narrada a história de um homem apaixonado por uma garota de 15 anos que se entrega ao protagonista sobre um túmulo do cemitério. Acusado de corrupção de menores, o homem acaba escapando se valendo da condição de herói de guerra. Já em “O Púcaro Búlgaro”, o mais bem-humorado e popular de seus livros, é organizada uma expedição para provar a existência ou inexistência da Bulgária.

Ao escrever esse texto para o JH Primeira Edição, eu já havia lido 3 dos 4 livros contidos no volume da Obra Completa. Além da “Vaca de Nariz Sutil” e do “Púcaro Búlgaro”, li também “A Lua vem da Ásia” que narra as incessantes aventuras e desventuras nunca vividas por um protagonista cheio de imaginação. Numa espécie de “Mil e uma noites” delirante, ele conta sua trajetória pelos 4 cantos do planeta, desafiando a realidade numa viagem deliciosa. Já em sua frase inicial, “A Lua vem da Ásia” dá o seu cartão de visitas, apresentando ao leitor iniciante na obra do autor toda sua sutiliza e genialidade: “Aos 16 anos matei meu professor de lógica, invocando legítima defesa. E que defesa seria mais legítima?” A partir daí a lógica não existe mais, dando lugar à imaginação singular e ilimitada de Campos de Carvalho.

Em Natal não se encontra a obra de Campos de Carvalho com facilidade. Pode-se, no entanto, encomendar junto às livrarias ou comprar via internet. É importante ler o autor. Se ele não foi bem aceito ou compreendido no seu tempo, sejamos nós, no nosso tempo, a fazer justiça. Pois como escreveu o Próprio Walter em “O Púcaro Búlgaro”: “Não sou eu que ando um pouco fora de época: é a época!” 

Big Brother Natal – Primeira Votação

Novembro 11, 2009 por Carlos Fialho

Muito bem, senhoras e senhores.

Após receber as sugestões dos leitores por meio de comentários, e-mails, scraps, twitter e tudo mais, cheguei a 36 finalistas que disputarão as 12 vagas na série de crônicas Big Brother Natal.

Hoje vamos dar início à votação. Até o fim desta quinta-feira (12.11.2009) vocês vão poder votar aqui nos comentários no primeiro astro natalense que povoará a casa em que todos vão estar de olho. Os candidatos postulantes são Paulo Wagner, Luiz Almir e Miguel Weber.

Votem nos comentários aqui do blogue, ou no meu perfil no Orkut, ou no @cfialho do Twitter, e também na Coluna da Digi, onde as crônicas serão publicadas. Mas atenção: s´podem votar em 1 dos 3, hein?

Que comece a disputa!

 

BIG BROTHER NATAL – VOTAÇÃO 1 de 12:

17 - Voto 1

Paulo Wagner x Luiz Almir x Miguel Weber

Coluna da Digi # 1 – Fabão e Maryeva

Novembro 11, 2009 por Carlos Fialho

Estou me aproximando da coluna número 100 da Diginet. Em razão disso, vou fazer aqui uma retrospectiva de todos (ou quase todos, porque alguns são bem ruinzinhos) os textos publicados. Começo pelo princípio. O primeiro, postado a 20 de agosto de 2007, “Fabão e Maryeva” que revelou à cidade essa celebridade instantânea que é o modelo Fábio Lima. Repercutiu bastante entre os leitores e me agradou tanto que acabou entrando no livro “Mano Celo – O Rapper Natalense”.

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Fabão e Maryeva

Ele conseguiu! Meninos e meninas, senhoras e senhores, ele conseguiu! Numa cidade como a nossa, tão carente de ídolos, ele é o nome da vez. Astro de todas as colunas sociais potiguares nas últimas semanas. Todos os flashes são para ele. Um conterrâneo nosso, natalense de coração, corpo e alma, é digno de nossa admiração e merece todas as homenagens. Dêem-lhe a chave da cidade, autoridades! Organizem uma sessão solene na Câmara Municipal em sua honra, assim como já fizeram para o Ricardo Chaves, nobre artista da MPB popular brasileira.

O personagem em questão é o Fabão, que ficou com a Maryeva! Sim, sim, ela mesma. A modelo, ex do Guga, a da gotinha , da propaganda da Brahma, da Playboy. Não, não é o Fabão que você está pensando! É o Fábio Lima, estudante de direito, que nem precisou ser rico ou ser eleito deputado para realizar tal façanha. Chegou chegando, na moral, na lábia, só no sapatinho. Nada de “sabe-com-quem-você-está-falando?”. Fabão nos prestou um grande serviço, elevou a nossa auto-estima, provou por A mais B que SIM NÓS PODEMOS! Acabou com nosso complexo de vira-latas, disse a que viemos ao mundo. Agora já podemos sair por aí e dizer nossa origem para colecionar olhares de admiração Brasil afora.

- Mas de Natal? Natal mesmo? Capital do Rio Grande do Norte?

- Exatamente. Nasci e me criei lá.

- Terra do Fabão?

- Isso.

- É verdade que ele…?

- É. Eu mesmo vi!

- OOOOOH!

Pode parecer que eu estou delirando, que sou um ufanista, exaltado, essas coisas, mas não é nada disso! Sou um revolucionário e conclamo todos os meus conterrâneos que saiamos por aí abordando as gatas do Brasil! É possível, senhores! Elas estão a fim! Fabão acaba de nos mostrar! Os homens desse país não estão tratando as mulheres como elas merecem e Natal se tornou um refúgio, um oásis nacional dos bons machos da espécie, testosterona tipo exportação. Você, meu patrício, é uma preciosidade cobiçada pelas gatas dessa Terra da Vera Cruz. Ela já sabe tudo a seu respeito. E vem aqui te buscar.

Por isso, pense bem. Quem povoa seus mais íntimos sonhos? Aline Morais? Gisele Bünchen? Juliana Paes? Você pode! Você chega lá! Ou ela chega cá. Vai inventar um pretexto, é claro. Convidada de bloco X, vai desfilar pra loja Y, mas, você sabe, eu sei, todo mundo já caiu na real. Ela vem aqui é por sua causa, meu garoto!

Sugiro, por ter sido o desbravador, o pioneiro, o primeiro de nós realizar o sonho da modelo própria, que prestemos a Fabão uma homenagem à altura de seu feito. Seria uma mostra de nossa gratidão. Um registro do ponto de mutação, da reviravolta na história proporcionada por ele. Porque, não tenham dúvidas, Natal é outra depois do advento Fabão e Maryeva. Hoje, somos ciosos de nosso pleno potencial e vamos conquistar todos os Estados do país com nossa ilimitada capacidade sedutora. Estamos por cima da carne seca, com a moral mais elevada que taxa de juros, “tâmu que tâmu”, ao infinito e além!

Por isso, sugiro, mudar o nome da Praça Cívica, no centro de Natal, para Praça Fabão e Maryeva. É pouco, mas já seria um gesto bonito, uma lembrança deste marco na trajetória da cidade. Poderia ter uma estátua dos dois e todo dia 12 de junho, na data em homenagem aos namorados, iremos prestar nossa homenagem e expressar nossa gratidão, certamente acompanhados das Alines, Giseles e Julianas que cada um conquistar. Vai juntar mais gente na praça que o 7 de setembro. Má! Muito mais!

Hoje à noite vou ligar pro Fabão. Vou descobrir o que a cidade inteira quer saber. Na bucha, assim que ele atender, antes de dizer alô, antes de dar boa noite, antes de qualquer coisa, vou perguntar na lata: E aí, comeu?

Apontamentos Desconexos # 4

Novembro 9, 2009 por Carlos Fialho

CLOTILDE TAVARES É NO “UMAS E OUTRAS”

Na lista que fiz semana passada com Blogues que trazem boas referâncias e leituras, faltaral alguns bem interessantes. O primeiro deles da escritora injustiçada pela Capitania das Artes, Clotilde Tavares, que sempre nos brinda com belas crônicas no seu blogue pessoal, o “Umas&Outras”: http://clotildetavares.wordpress.com

 

PAULO COSTA E SUAS PERNAMBUCANIDADES

E por falar em Clotilde Tavares, permitam-me apresentar o escritor, publicitário e amigo pernambucano Paulo Costa que já trabalhou com o filho de Clotilde, o genial Rômulo Tavares, e mantém alguns sítios internéticos muito legais.

Na loja virtual www.quitandacultura.com.br  é possível encontrar produtos de excelente culturais a venda. Uma bela iniciativa.
No blogue Comunicausos (www.comunicausos.blogspot.com) ele fala de boas ideias e novidades da comunicação, especialmente da publicidade.

Já no endereço www.baladaserpente.blogspot.com, vocês podem encontrar a versão virtual do seu livro “Balada para uma serpente”, policial noir ambientado na cena mangue pernambucana, publicado pela editora Bagaço, em 2001.

 

CÉSAR REVORÊDO

Deixa ver se eu entendi: César Revorêdo foi exonerado por ser honesto demais? É isso? Tô quase pedindo asilo político a Tibau do Sul. Minha Nossa Senhora da Terra Arrasada!

 

HISTÓRIAS DE UMA NATAL ASSOMBRADA

Atualizei a coluna da Digi com uma crônica da qual gostei muito. Quem quiser conferir e comentar, está convidado: http://colunas.digi.com.br/carlos/historias-de-uma-natal-assombrada/

 

LADO R – O CAMINHO ESTÁ EM INICIATIVAS INDEPENDENTES

Os zines impressos “Errado”, produzidos pela turma do “Lado R” estão irretocáveis. Parabéns pela turma comandada por Leandro e Dimétrius. O Texto sobre o trabalho de Buca Dandas está primoroso e o texto “É todo um processo.”, é copa do mundo!

 

FESTIVAL DOSOL

E se acabou mais uma edição do Festival Dosol. Infelizmente, não pude estar presente desta vez, mas fiz uma crônica da Digi falando bem do Foca e os comentários dos leitores renderam um bom, er, digamos, “diálogo” com os

http://colunas.digi.com.br/carlos/realizadores-anderson-foca/

 

40 CRÔNICAS E 5 CONTOS

Concluídos 45 textos no exílio. Esta semana termino 2 contos bem divertidos ambientados em Natal.

 

LIVRO DE CONTOS

O livro “Cantos das Cidades” chega essa semana na metade do caminho. Dos 36 textos previstos, 18 estarão concluídos. Com o texto “Falta de Sol”, passado em Olinda e escrito em parceria com o escritor pernambucano Paulo Costa.

 

ALGUÉM DE MACEIÓ?

E estou trabalhando em um conto novo para esse mesmo livro que se passa em Maceió. Alguém conhece algum escritor ou jornalista ou qualquer pessoa que goste de escrever e queira participar de uma parceria criativa comigo? Fico no aguardo.