Apontamentos Desconexos # 4

Novembro 9, 2009 por Carlos Fialho

CLOTILDE TAVARES É NO “UMAS E OUTRAS”

Na lista que fiz semana passada com Blogues que trazem boas referâncias e leituras, faltaral alguns bem interessantes. O primeiro deles da escritora injustiçada pela Capitania das Artes, Clotilde Tavares, que sempre nos brinda com belas crônicas no seu blogue pessoal, o “Umas&Outras”: http://clotildetavares.wordpress.com

 

PAULO COSTA E SUAS PERNAMBUCANIDADES

E por falar em Clotilde Tavares, permitam-me apresentar o escritor, publicitário e amigo pernambucano Paulo Costa que já trabalhou com o filho de Clotilde, o genial Rômulo Tavares, e mantém alguns sítios internéticos muito legais.

Na loja virtual www.quitandacultura.com.br  é possível encontrar produtos de excelente culturais a venda. Uma bela iniciativa.
No blogue Comunicausos (www.comunicausos.blogspot.com) ele fala de boas ideias e novidades da comunicação, especialmente da publicidade.

Já no endereço www.baladaserpente.blogspot.com, vocês podem encontrar a versão virtual do seu livro “Balada para uma serpente”, policial noir ambientado na cena mangue pernambucana, publicado pela editora Bagaço, em 2001.

 

CÉSAR REVORÊDO

Deixa ver se eu entendi: César Revorêdo foi exonerado por ser honesto demais? É isso? Tô quase pedindo asilo político a Tibau do Sul. Minha Nossa Senhora da Terra Arrasada!

 

HISTÓRIAS DE UMA NATAL ASSOMBRADA

Atualizei a coluna da Digi com uma crônica da qual gostei muito. Quem quiser conferir e comentar, está convidado: http://colunas.digi.com.br/carlos/historias-de-uma-natal-assombrada/

 

LADO R – O CAMINHO ESTÁ EM INICIATIVAS INDEPENDENTES

Os zines impressos “Errado”, produzidos pela turma do “Lado R” estão irretocáveis. Parabéns pela turma comandada por Leandro e Dimétrius. O Texto sobre o trabalho de Buca Dandas está primoroso e o texto “É todo um processo.”, é copa do mundo!

 

FESTIVAL DOSOL

E se acabou mais uma edição do Festival Dosol. Infelizmente, não pude estar presente desta vez, mas fiz uma crônica da Digi falando bem do Foca e os comentários dos leitores renderam um bom, er, digamos, “diálogo” com os

http://colunas.digi.com.br/carlos/realizadores-anderson-foca/

 

40 CRÔNICAS E 5 CONTOS

Concluídos 45 textos no exílio. Esta semana termino 2 contos bem divertidos ambientados em Natal.

 

LIVRO DE CONTOS

O livro “Cantos das Cidades” chega essa semana na metade do caminho. Dos 36 textos previstos, 18 estarão concluídos. Com o texto “Falta de Sol”, passado em Olinda e escrito em parceria com o escritor pernambucano Paulo Costa.

 

ALGUÉM DE MACEIÓ?

E estou trabalhando em um conto novo para esse mesmo livro que se passa em Maceió. Alguém conhece algum escritor ou jornalista ou qualquer pessoa que goste de escrever e queira participar de uma parceria criativa comigo? Fico no aguardo.

 

Shows para Recordar

Novembro 6, 2009 por Carlos Fialho

Inspirado pela recente crônica sobre o show do Green Day e em homenagem ao Festival Dosol que acontece neste fim de semana, resolvi fazer um esforço para relembrar os 10 concertos mais marcantes que eu assisti e o contexto em que eles se passaram. Utilizei critérios meramente pessoais, deixando a boa execução, precisão musical e qualidade técnica para os críticos realmente aptos a avaliar tais requesitos. Eu fico só com o velho e bom “gostei por causa disso.”

 

Legião Urbana (1992)

Por mais que muita gente hoje em dia torça o nariz, falar do rock brasileiro sem reconhecer a importância da Legião Urbana na formação de um público roqueiro e na aproximação de uma massa diversa ao universo dos acordes frenéticos das guitarras seria uma tentativa inegável de tapar o sol com uma peneira.

Num Brasil turbulento politicamente (era o governo Collor), Renato Russo e sua trupe vieram tocar em Natal no dia 7 de setembro. Paguei 25 dinheiros para ver o concerto no Espaço de Natal (sim, isso mesmo, o papódromo). A censura na época era de 14 anos e, como eu só tinha 13, tive que ir munido de autorização dos pais e acompanhado de amigos maiores de idade. Ambiente lotado e um show instigado com versões deliciosamente intermináveis. O concerto foi marcante também para o grupo, pois interrompeu a turnê do álbum “V”.

No livro “Renato Russo – o trovador solitário” (editora Ediouro), o jornalista Arthur Dapieve revela que após a apresentação, o vocalista ficou várias horas bebendo no bar do hotel, havendo ido dormir bem tarde. Quando acordou, soube que o resto da banda e toda a equipe saíra para dar um passeio de buggy pelo litoral potiguar e explodiu de raiva, quebrando todo o quarto de hotel. Segundo, Dapieve, Renato costumava confundir horas de lazer com falta de responsabilidade, uma vez que era, ele próprio, um incorrigível e perfeccionista viciado em trabalho (e em outras coisas também).

Esse show entra na lista por dois motivos. Faz parte da história do Rock nacional e a LB foi a primeira banda que gostei, abrindo caminho para muitos outros grupos roqueiros que sigo descobrindo e curtindo até hoje.

 

Titãs e Rita Lee (1998)

Em tempos de acústico MTV do Titãs, resgatando a carreira da banda e reapresentando-a ao grande público, um cenário favorável estava criado. Toda uma multidão deixou temporariamente as praias de veraneio e acorreu ao estacionamento do Imirá para cantar todo o CD faixa a faixa, junto com a banda. Como cereja no bolo, Rita Lee, que também havia gravado acústico MTV naquele ano, com participação dos Titãs, faria o show de encerramento da noite. A coincidência era que, no CD dos Titãs, a participação especial era também de Rita Lee e o bis oi bastante animado, com as duas bandas voltando ao palco e cantando as músicas.

Porém, apesar de que goste de Titãs e também de Rita Lee, esse show só entrou na lista porque naquele dia havia saído o resultado do vestibular e eu havia passado em jornalismo na UFRN. Iniciaria uma belíssima carreira cheia de oportunidades, dinheiro, estabilidade e fama… 1… 2… 3… NOOOOT!

Mas, enfim, estava careca, bêbado e feliz!

 

Jason (1998)

Já estudante de jornalismo, acumulava também publicidade na UnP, e trabalhava na AZ Revista, publicação independente (um fanzine, na verdade) que contava com os editores Caio Vitoriano (editoria de arte) e Paulo Celestino (chefe de redação), além dos colaboradores George Rodrigo, Cristiano Medeiros e eu.

Em um dia qualquer do segundo semestre de 98, iríamos distribuir o número 8 da AZ numa festa estranha com gente esquisita no Casarão da Ribeira. Naquela noite tocariam Ravengar, Memória Rom e aquela que se tornaria uma das minhas bandas preferidas para todo o sempre: Jason. Banda carioca de hardcore que sabia dosa humor, irreverência e agressividade. Gosto desse show por isso, por estar rodeado de amigos, pela distribuição da AZ e por me remeter a uma Ribeira de fins dos anos 90 que representava um bolsão de resistência a tudo que nos rodeava nessa cidade de sol e poucas alternativas. Diante da presente situação, a Ribeira não só era uma alternativa, como era símbolo de tudo que era alternativo. A música interpretada pelo Ravengar, “Ribeira velha de guerra”, é meio que um símbolo dessa época.

A AZ Revista durou 11 números de 1997 a 1999.

 

Raimundos (1999)

Em 1999 o Raimundos era minha banda favorita. Eu já era fã desde o abençoado ano de 1994, em que descobri também Nação Zumbi, Offspring, Green Day… O show foi no Centro de Convenções, lugar terrível, mas apesar disso, foi memorável. Eles também haviam gravado um “Ao vivo MTV”, CD duplo com 40 músicas incríveias. Uma retrospectiva da carreira que as gravadoras (lembra delas?) costumavam lançar para ganhar mais dinheiro naqueles tempos. O grupo não decepcionou.

O show foi uma lapada. Eu tinha cursado (e sobrevivido) os dois primeiros anos de faculdade. Também vivia aquela fase entre os 19 e 20 anos em que somos acometidos pelo “vírus da boa vida”, resumindo a vida em beber, viajar, se divertir, curtir com os amigos, tentar comer ou namorar alguma gata, e, claro, estudar um pouco (mas só um pouco, por favor. Lembrem-se que eu cursava jornalismo.) em meio disso tudo. Por essa razão, muitas músicas dos Raimundos, que abordavam de maneira divertida temas tipicamente adolescentes como sexo, drogas, bebedeiras e atitudes irresponsáveis, me tocavam fundo o coração.

 

Jason 2007 Panço e Barba 3_reduzida

Panço (Jason) e Barba (Los Hermanos): encontro de dois dos membros desta lista no Festival Dosol 2007.

Los Hermanos (2004)

Em 2001, eu havia morado no Rio, cursando uma pós em redação publicitária. Através de amigos cariocas, acabei conhecendo algumas bandas que faziam sucesso por lá. Uma delas era o Matanza, sobre a qual, falo daqui a pouco. A outra era o Los Hermanos que eu só conhecia por causa da superhipermegaexecutada nas rádios Anna Júlia de anos antes. Naquela ocasião pude ouvir o restante do primeiro CD e também o recém lançado “Bloco do Eu Sozinho”. Gostei. 

Em 31 de janeiro de 2004, chovia muito em Natal e o show seria no Blackout. Eles haviam lançado o terceiro CD, “Ventura” e eu achava que não dari tanta gente no show, já que eles não eram tão populare spor aqui. Felizmente para mim e para esta lista, eu estava enganado.

O show ocorreu no meu primeiro dia de férias da agência de propaganda em que eu trabalhava na época e 5 dias antes do lançamento de meu primeiro livro, “Verão Veraneio”. Por isso, para simbolizar a ocasião, gosto de lembrar do trecho da música “Além do que se vê: “moça, olha só o que eu te escrevi…”. Na verdade, não tinha moça nenhuma, mas o verbo escrever se encaixa com a ocasião e acho que aquele show (ou talvez tenha sido o Blackout, hoje Galpão 29) emanou boas vibrações e acabou me dando sorte.

 

Show do Offspring 6

No show do Offspring em 2004

Offspring (2004)

No segundo semestre de 2004 eu já era em grande parte o adulto que almejava ser. Tinha um bom emprego, bons amigos, vida estável, uma carreira em construção e ainda uma atividade paralela estimulante de escritor e aprendiz de editor literário. Foi então que, próximo do fim do ano, surgiu um episódio que testaria a firmeza deste adulto e o nível de seu compromisso com os assuntos profissionais.

Em um dado fim de semana eu tinha um importante dever a cumprir no interior do RN. Deveria acompanhar a gravação de um comercial importante para o principal cliente da agência. Porém, o diabinho que habita meu ombro esquerdo ou o adolescente mal resolvido em meu  subconsciente resolveu encher minha cabeça de dúvidas. Naquele mesmo fim de semana o Offspring tocaria em Recife, pertinho de Natal. Eu tinha amigos na capital pernambucana que poderiam me hospedar e a banda havia sido determinante na minha formação musical nos anos 90, me ajudando a decidir que era esse o tipo de som que eu iria curtir dali em diante. Estava, portanto, diante de um dilema: ser responsável e acompanhar a gravação do comercial ou largar tudo e partir pra Recife, aproveitando a oportunidade única (ou pelo menos raríssima) de ver o grupo californiano ao vivo bem perto do RN?

Bem, conforme vocês já deve ter adivinhado, o adolescente foi mais forte e a escoha não poderia ter sido mais feliz. Peguei a estrada com meu amigo de infância, Marcelo de Cristo e vimos um concerto incrível. Digo sem medo de errar: valeria a pena ser demitido por aquele show. Porém, não foi necessário porque o comercial foi muito bem gravado pelo diretor Waltinho. Em homenagem a toda minha atitude inconsequente e imatura (da qual, repito enfaticamente, não me arrependo!) gosto de pensar no refrão da música de mesmo nome: “So live like there is no tomorrow” (“Então viva como se não houvesse amanhã”).

 

Planet Hemp (2005)

Adoro fazer amigos, novos amigos, além de cativar ou reencontrar os velhos. Aliás, reconstruir uma amizade ou retomar contato com um velho amigo apartado, seja por caminhos profissionais distintos ou pelo fato de ele ter ido viver longe por um período, tem o valor de conquistar um novo parceiro, como um filho pródigo bíblico. Contudo, em se tratando de novos amigos, eles nem sempre são uma boa. Alguns podem ser falsos e interesseiros. Em 2005 eu estava envolvido com alguns dessa estirpe.

No último show do Planet Hemp, que teve Natal como palco, o grupo demonstrou um entrosamento impecável de dois caras que outrora haviam sido amigos, mas não se suportavam mais. Foi excelente, capaz de lavar a alma e de vários fãs da banda. Uma catarse, com gosto de despedida que deixou uma sensação dúbia de felicidade e saudade. Alguns amigos (verdadeiros e duradouros) pularam comigo: Clodoaldo Damasceno, Arnaldo Araújo, Marcão Pinta e novamente Marcelo de Cristo. Este concerto é bastante emblemático dessa época, em que conheci gente que julgava serem amigos e depois se revelaram egoístas, mesquinhos e capazes de qualquer coisa para prosperarem na vida profissional. Hoje, não vejo mais essas pessoas que sumiram como fumaça no ar.

 

Ana, Rômulo e Fialho

Com Ana Morena e Rômulo Tavares no Festival Dosol 2006

Matanza (2005)

Meses depois, era a vez de uma outra banda carioca promover mais uma celebração. O Festival Dosol 2005, o primeiro com esse formato atual, houve um concerto para relembrar sempre. O ambiente, o público, os músicos, tudo conspirava a favor para que se realizasse o show perfeito. Sobre aquela noite, o Recife Rock escreveu: “O MATANZA FEZ APENAS E TÃO SOMENTE HISTÓRIA EM NATAL. O show deles foi irretocável, incontestável e perfeito. Divertido, matador e engraçado”. Teve pegada, energia, molecada animada, ferveram a rua Chile, supriram uma orfandade de rock bem humorado (Ultraje nunca vem ao Nordeste e os Raimundos haviam acabado). É claro que teve gente que até hoje não entendeu a piada.

Aquele ano de 2005 marcou um pouco de amadurecimento. Além de amigos incertos também andei me envolvendo com mulheres equivocadas. O Matanza se foi e deixou saudades aplacadas sempre que retornam (em 2007, por exemplo, no mesmo Festival Dosol, repetiram a dose de um show marcante que lembrou muito o de dois anos antes). O ano de 2005, por sua vez, a mim não fez falta nenhuma. Nada como um ano após o outro.

 

Abril 2007 Glauco e Frizo_reduzida

Com Glauco Gobato e o jornalista cearense George Frizo no Abril Pro Rock 2007

Tequila Baby (2007)

Uma história de viagem. Cheguei no Gringo’s Bar numa noite de sexta-feira e os amigos Gringo, Glauco e Fábio propuseram: “vamos pra Recife ver o show do Sepultura? Falta um no carro”. “Por que não?”, respondi. Fomos. Acesso aos bastidores (o Gringo é amigos dos caras), cerva de graça, bate-papo sobre futebol com o baixista, foto com Marky Ramone.

Para mim, aquela viagem valeu pela aventura, o inesperado, imprevisível e também pela chance de ver o que restava do Ramones ao vivo. Não é pouca merda não. Eu não era (e não sou até hoje) fã do Sepultura. Por isso, enquanto meus amigos oram curtir um show, eu aproveitei o outro. A liberdade daquela viagem remete à liberdade que vivo desde aquela época. Sem amarras, a vida fica bem melhor.

 

Eddie (2008)

Esse show do Eddie do dia 26 de dezembro último teve o clima de uma reunião de amigos. O ambiente favorecia. O Galpão 29 favoreceu. Particularmente é um lugar onde me sinto bem, tem uma energia boa, traz muitas lembranças bacanas. Tinha umas 200 pessoas no ambiente. Muitos amigos chegados estavam lá. O ambiente era de paz, de boa conversa, de confraternização. As ótimas músicas do Eddie serviram como trilha sonora perfeita para uma noite que emanava, quem sabe, um pouco do espírito de fim de ano que costuma nos tornar pessoas mais humanas e gentis nestes tempos natalinos. Esse concerto é o ideal para fechar a lista dos Top 10. Boas vibrações, amigos reunidos, como numa festa para velhos conhecidos. Nada melhor.

E agora, acabou? Que nada! Começo a contar de novo. O primeiro do próximo Top 10 é o do Green Day que vi mês passado. Mas sobre ele não vou escrever mais nada agora. Até porque sobre ele já disse tudo o que podia na coluna da Diginet.

10 noites, 10 shows, 10 lembranças. Bom Festival Dosol pra todo mundo. É O ROCK!

Tio Marx e a turma da revolução – por Pablo Capistrano

Novembro 4, 2009 por Carlos Fialho

 

Hoje, para lembrar que sábado tem lançamento do novo livro de Pablo Capistrano no Midway, publico um dos textos que deve estar entre os 47 de “Simples Filosofia”. Proveitem o aperitivo e apareçam na livraria sábado.

***

www.pablocapistrano.com.br

Não sei porque mas toda vez que eu olho para o meu contracheque eu lembro de Karl Marx, o sujeito que escreveu a maior obra sobre o Dinheiro (Das Kapital) sem um puto furado no bolso. Marx foi o espectro que rondou o mundo ocidental por cento e cinqüenta anos e junto com a turma da revolução fez um grande estardalhaço no século XX. Guerras, massacres, torturas, guerrilhas, discussões acaloradas em mesas de bar, rupturas, divórcios, títulos acadêmicos, honras militares, filmes de aventura. Tudo isso feito em nome do Karl Marx quer seja contra ou a favor.

Lembro que quando me aproximei do movimento estudantil (no começo dos anos noventa) eu era existencialista. Lia Sartre, acreditava em revolução estética e pensava que o mundo era uma imensa rota 66 na qual os verdadeiros revolucionários eram Jack Kerouack, Allen Ginsberg e Bill Burroughs (a santíssima trindade beat). Lembro que tinha verdadeiras pelejas teóricas com a turma da TPOR, da Convergência Socialista, do Correio dos Trabalhadores ou qualquer uma das facções revolucionarias marxistas que assombravam o pátio da Escola Técnica Federal ou a cantina do DCE no setor I do campus da UFRN. Naquela época, Marx estava por fora. O muro havia caído e meu pai havia, depois de trinta anos de militância no PCB abandonado a cartilha marxista e pulado nos braços da Igreja Católica. Como eu nunca decorei o Credo só tinha uma saída: virar existencialista. Então, nada melhor para fazer do quer malhar o velho Marx e a turma da revolução.

Quinze anos depois aqui estou eu, olhando para meu contracheque de proletário da educação e pensando comigo mesmo: até que esse tal de Marx não era lá tão idiota assim. Na verdade, a despeito desse período de rebeldia pós-adolescente, o marxismo sempre esteve na pauta das conversas em família. Boa parte dos filhos de Seu Benjamim Capistrano (meu avô paterno) eram comunistas. Os sobrinhos também. Teve gente da família indo para Cuba trabalhar com Fidel, gente tendo aula de Marxismo com Luis Maranhão, gente envolvida com todo tipo de atuação política. Até meu tio Lula (que ganhou esse apelido no começo dos oitenta pela barba farta em homenagem ao líder sindical homônimo) chegou a ser preso por pichar os muros do Palácio do governo em Natal com o clássico “Abaixo a Ditadura!”.

Marx realmente entrou na pauta do mundo no século XX e poucos foram os filósofos que conseguiram, em tão pouco tempo, produzir um impacto tão significativo na vida cotidiana de bilhões de seres humanos. Com Marx a filosofia deixa de seu um curioso “inutensilho” de sujeitos esquisitos e passa a ser um instrumento de transformação social. Mas há uma sombra filosófica que paira sobre Marx. Um espectro que nunca se afasta muito dele. Um encosto intelectual, para usar um termo mais “igreja universal”. Por mais que esse marrano Alemão (filhos de Judeus assimilados) tenha produzido um pensamento próprio e significativo no campo da teoria política e na economia; em filosofia ele sempre vai ser visto como alguém que fez alguns pequenos ajustes no pensamento de Hegel e ajudou a limpar o resto de metafísica que ainda lhe poluía o pensamento. Marx usa uma base materialista clássica, dos velhos atomistas da Grécia antiga (Demócrito e Epicuro) para entender o mundo moderno. Isso não teria sido possível se Hegel, antes dele não tivesse subvertido o cânone católico e ido “resgatar” os pensadores originais, “pré-socraticos”. Marx põe a história em um ponto privilegiado de seu raciocínio e toma emprestadas as ferramentas dialéticas de Hegel para postular uma tese de Vico de que nós só conhecemos e dominamos aquilo que produzimos. Somos aquilo que fazemos. O trabalho de nossas mãos constrói o mundo em que nós vivemos e é com o trabalho de nossas mãos e com o esforço dos trabalhadores, que um dia foram servos, que um dia foram escravos e que um dia foram livres, que a civilização se edifica.

A grande intuição política de Marx é a de inverter para corrigir a lógica hegeliana de produção da história. Não são os heróis que constroem os mundos. As civilizações humanas, todo seu drama e toda sua tragicomédia é produto da massa amorfa de mãos anônimas que erguem as grandes construções do homem.  Como bem observou Walter Benjamim, Marx nunca deixou de ser um profeta judeu. Ele nunca abandonou a base do profetismo bíblico que, no período posterior a destruição do primeiro templo, lembrava ao povo de Israel qual era a verdadeira justiça do Eterno. Marx acabou se tornando o profeta político desse novo mundo, competindo com Nietzsche pela hegemonia da alma das massas no século XX. Mas, a despeito desse impacto no universo político, talvez, a maior contribuição intelectual de Marx tenha mesmo sido o diagnostico preciso e certeiro do modo de pensar que gira o moedor de carne humana do sistema capitalista. Ninguém entendeu a alma de um burguês como Marx. Provavelmente só o poeta francês Charles Baudelaire tenha penetrado de forma tão radical no abismo recôndito e profundo da náusea burguesa. Marx chafurdou na ferida da modernidade. Ele enfiou o dedo na chaga burguesa e conseguiu desmantelar a falcatrua ideológica do capitalismo como ninguém havia feito.

Liberdade, igualdade e fraternidade foram os lemas da revolução que encantou Hegel. Marx seguiu o mestre e o corrigiu. Mostrou que entre os lemas da revolução francesa e a realidade de um sistema que destroça os limites morais da humanidade e transforma Deus em uma nota de cem euros havia uma grande e nauseabunda contradição. Como todo bom profeta judeu, o tio Marx desceu da montanha para quebrar o bezerro de ouro da mentalidade burguesa que o próprio capital financeiro, judaico e protestante, ajudou a construir. Deu, para entender, porque é que eu lembro de Marx toda vez que olho meu contracheque? Pois é meu velho, a luta continua!

 

Guia de Navegação – Nos Blogues dos Caras ESPECIAL

Novembro 3, 2009 por Carlos Fialho

A internet com todo esse espírito democrático acaba se tornando um pouco terra de ninguém, não é mesmo? É como aquela canção dos Tribalistas: “não sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me tem”. Uma coisa meio “cu de bêbado não tem dono”, concordam? Mas, para colocar ordem na bagunça, resolvi escrever este post. São dicas da hora pra você só navegar com segurança, por sítios e blogues com selo de qualidade aferido pelos leitores e atestado pelos autores dos mesmos. Gente do gabarito de Tácito Costa, Pablo Capistrano, Caio Vitoriano, Moacy Cirne e por aí vai. A lista é longa. Então, sejam prudentes a partir de agora ao manejar o timão nas traiçoeiras marés vituais. Utilizem esta carta náutica, boas viagens e ótimos acessos!

1 – Querido Bunker – http://queridobunker.wordpress.com/

Tenho repetido sempre pra vocês que Márcio Nazianzeno é uma das minhas maiores influências literárias. Não só por gostar do que o jovem escreve, mas também por que sua fértil imaginação sempre me dá novas ideias para contos e crônicas em conversas despretensiosas em mesas de bares ou de cafés. Márcio também é afeito a leituras exóticas, estranhas e alternativas e, em razão disso, vez por outra indica um livro qualquer, de um autor novo, pouco conhecido no Brasil, e quando me ponho a ler, TOME A SIPUADA! Cousa boua! Da melhor qualidade. Conheci muitos autores incríveis assim nos últimos 5 anos: por indicação de Márcio. Por isso, recomendo o seu blogue, para que vocês possam também travar conhecimento com as dicas essenciais deste garoto de vasta cultura e glândulas sudoríparas proeminentes nas palmas das mãos.

 

2 – Caio Vitoriano – www.flickr.com/photos/caiovitoriano/

Um dos melhores (senão o melhor) artistas gráficos do RN. Caio Vitoriano é o talento herdado no DNA. Filho do artista plástico Vicente Vitoriano, Caio trabalha como diretor de arte numa agência de propaganda. Nas horas vagas, produz cartazes para clientes como o Centro Cultural Dosol, Galpão 29, e-sessions e Sgt Peppers. Também faz encartes para CDs, direção de arte de revistas e muito mais. O seu trabalho encantador pode ser visuzlizado nesta página/portfólio. Confiram e segurem o queixo!

 

3 – Chico Guedes – http://hungaromania.wordpress.com/

Numa tarde de sábado da Limbo, antiga/moderna livraria de Petrópolis, conheci o professor de línguas Chico Guedes. Naquela semana, havia falecido o jogador húngaro Puskas e Guedes era apaixonado pela Hungria, havia morado lá vários anos e se tornara tradutor de húngaro. Inclusive, iniciava uma pesquisa a respeito de jovens escritores magiares para poder traduzi-los ao português. Daí a uma possível publicação da ideia maluca de Chico pelos Jovens Escribas foi um pulo. Hoje, algum tempo depois, a coisa começa a virar realidade. Chico finaliza as últimas traduções, o livro vai para revisão de português muito em breve e, em seguida, receberá uma direção de arte caprichada. Ano que vem (a previsão inicial é abril) sai a obra organizada por ele dentro do projeto JE 2010. Aqui neste endereço vocês podem saciar um pouco a curiosidade sobre as literaturas húngaras pesquisadas por Chico.

 

 4 – Patrício Jr – www.pariciojr.com.br

 O portal de Patrício Jr. tem um pouco de tudo. Crônicas, podcasts, textos de colaboradores, novidades culturais, agendas. Vale a pena passar por lá de vez em quando e confererir seu conteúdo.

 

 5 – Internetcidade – http://internetcidade.wordpress.com

 Paulo Celestino é um dos jornalistas mais atuantes que já passou pelos corredores do setor V da UFRN. Um dos criadores do histórico fanzine “AZ Revista”, vive há muitos anos em São Paulo onde ensina comunicação numa faculdade paulista e trabalha numa empresa de assessoria de imprensa. Quando lhe sobra tempo, realiza entrevistas para o seu blogue, com atualizações mensais. Nas postagens, faz uma relação dos seus entrevistados com as suas cidades, os lugares onde vivem. Entre os já consultados por Paulo estão o carioca Marcelo Moutinho e os potiguares Nei Leandro de Castro, Emanuelle Albuquerque e Pablo Capistrano.

 

 6 – RevistaCatorze – www.revistacatorze.com.br

 Tudo o que eu poderia dizer sobre a revista Catorze já o fiz em formato de crônica da série “Realizadores”. É uma revista virtual que põe em prática jornalismo cultural de qualidade, como a gente pena pra ver nos jornais locais. Com imaginação e criatividade, os garotos e garotas vão produzindo entrevistas, matérias, resenhas, coberturas de eventos (MADA, Flipipa, Feira do Livro do Seridó) e as ótimas reportagens em quadrinhos que muito lembram os livros do Joe Sacco. Vale a pena passar por lá sempre!

 

7 – Fabrício Cavalcante – http://fabriciocavalcante.blogspot.com/

 Um manipulador de imagens para a publicidade. A qualidade do trabalho de Fabrício é impressionante. Tanto que apenas agências em Natal que realmente prezam pela qualidade como Comitê Criativo e Art&C recorrem aos seus préstimos. A maioria dos clientes do profissional está fora do território potiguar como em Recife, Rio de Janeiro e até fora do Brasil.

 

 8 – Antonio Prata – http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/

 Um dos melhores cronistas do Brasil na atualidade. Seus textos são divertidíssimos, hilários, de morrer de rir. Para espairecer, não há nada melhor que acessar sua página. Mas cuidao para não ficarem viciados.

 

 9 – Dosol – www.dosol.com.br

 O coronel ânderson Foca comanda com rigor militar as ações do complexo Dosol. É um centro cultural, estúdio de gravação, selo/gravadora, rock bar, festival de rock, portal de internet e muito mais. No endereço acima, vocês poderão conhecer novidades do cenário rock, ouvir e conhecer novas bandas do Brasil e do mundo. Tem a TV Dosol com vídeos, entrevistas, conteúdo. O portal conta ainda com a colaboração de vários jornalistas dos 4 cantos do país. É O ROCK!

 

10 – Substantivo Plural – www.substantivoplural.com.br

Um fórum de discussão permanente sobre a cultura e intelectualidade potiguar, sempre aberto a novas contribuições. Quer saber o que as cabeças pensantes da terrinha opinam? Passa no Substantivo do Tácito. Todo dia tem muitas novidades. Atualização constante a todos os momentos.

 

11 – Moacy Cirne – http://balaiovermelho.blogspot.com/

Moacy Cirne é escritor, dramaturgo, poeta, zineiro, especialista em cinema, especialista em quadrinhos, professor universitário, respeitado em todo o Brasil, autoridade em vários assuntos. Deste blogueiro, conta com respeito e admiração. Um dos pioneiros na internet, quando migrou seu Balaio Porreta do impresso para os e-mails e depois para o blogspot, Moacy sempre se mostrou a frente do seu tempo. Mas como dizia Campos de Carvalho: “Não sou eu que ando fora de tempo. É o tempo.”

 

12 – Kripterion – http://www.kriterion.zlg.br/

No blogue do Jairo Lima não tem papo furado. A regra é bem simples: acesse e esteja pronto para boas leituras!

 

13 – Pablo Capistrano – www.pablocapistrano.com.br ou http://colunas.digi.com.br/author/pablo/

No post anterior eu já defini Pablo como uma das mentes mais brilhantes que atuam no cenário intelectual natalense. Esses dois endereços acima servem para que o internauta possa ler suas crônicas. O primeiro é de sua página pessoal onde há informações completas sobre os livros do autor, muitas crônicas armazenadas e dados diversos. A segunda é da sua coluna na Diginet, com textos atualizados semanalmente (ou quase) a respeito de temas que misturam erudição com cultura pop, filosofia com cotidiano, alta literatura com o nosso dia-a-dia. Aproveitem!

 

14 – Lívio Oliveira – http://oteoremadafeira.blogspot.com/

Um blogue com as impressões sobre cultura do grande entusiasta e poeta Lívio Oliveira.

 

15 – Lado R – http://ladorsemcolchetes.blogspot.com/

Ao lado dos garotos da “Revista Catorze” e do blogue “O Inimigo”, o coletivo “Lado R” manda ver na cobertura cultural, divulgando o que de melhor se produz no rock, no cinema, e na contracultura de uma forma geral. Eles mantém o blogue acima e o zine impresso “ERRADO” que será distribuído nas duas noites do Festival Dosol 2009.

 

16 – Cleyciany – http://cleycianne.blogspot.com/

Henrique Neto deu a dica e eu fiquei estupefacto. Trata-se do melhor blogue sobre religião que já acessei. Talvez seja a coisa mais linda que li na internet desde a crônica emocionada que Crístian de Saboia escreveu quando sua poodle Maria do Socorro perdeu a virgindade. Acessem e digam amém!

 

17 – Minus Garfield – http://garfieldminusgarfield.net/

Um dos blogues mais geniais da internet mundial nasceu de uma ideia simples. “E se tirássemos Garfield das tirinhas do Garfield?” O resultado são situações inusitadas, aborrecidas e engraçadíssimas em que o dono do gato, John convive com a solidão, a depressão e um vazio existencial insuportável. Sensacional!

 

18 – Malvados – www.malvados.com.br

Sou fã entusiasmado do trabalho de André Dahmer. A mente criativa, diabólica e maravilhosa deste sequelado cartunista já me fez rir muitas vezes. Que sua mente continue fértil e nos trazendo tirinhas insanas e axiomas subversivos. Afinal, somos todos malvados!

 

19 – Daniel Sour – http://www.disfuntorerectil.blogspot.com/

O escritor, desenhista, músico e filósofo mossoroense Daniel Sour é um dos autores que (um dia) vamos lançar pela editora Jovens Escribas. Um pouco do seu trabalho, escritos, ilustrações e humor non-sense podem ser vistos neste blogue pessoal cheio de boas referências.

 

20 – O Inimigo – http://www.oinimigo.com/blog/

Com a indicação do sítio de “O INIMIGO”, página cultural dos jornalistas Hugo Morais e Alexis Peixoto fecho a lista da santíssima trindade de cultura jovem natalense. São eles: “Revista Catorze”, “Lado R” e “O Inimigo”.

 

Aproveito para fechar também a lista e espero que essa lista seja útil para que você navegue com segurança, bom conteúdo, informação de qualidade e, claro, diversão garantida.

Divulgação amiga – Livros de Pablo Capistrano e Arthur Muhlemberg

Novembro 2, 2009 por Carlos Fialho

manual-do-rubro-negrimo-redux

Essa semana começo anunciando dois lançamenos de livros de escritores amigos. Amanhã, terça, no Rio de Janeiro, será lançado pela editora 7Letras o “Manual do Rubro-negrismo racional”, obra essencial na estante de cada um dos 40 milhões de torcedores que costumam frequentar o lado certo das arquibancadas. Este livro foi escrito por Arthur Muhlemberg, um dos melhores textos de humor do Brasil na atualidade.

arthur muhlemberg ibest

Arthur exibindo o prêmio Ibest de melhor blog de esportes de 2008.

Por isso, meus amigos cariocas ou radicados no Rio de Janeiro, se amanhã estiverem a fim de adquirir um ótimo (e certamente divertidíssimo) livro, basta passar no bar Belmonte a partir das 19h ou em qualquer dia, numa boa livraria ou nos sítios de venda de livro na internet.

manual do rubro-negrismo racional - convite

Convite para o lançamento com detalhes de local e horário.

 

E para os amigos do RN, mais precisamente de Natal, no próximo sábado, dia 07 de novembro, é a vez de Pablo Capistrano dividir conosco sua Simples Filosofia em 47 crônicas antológicas em que nos conta a história da filosofia e ainda torna o erudito algo fácil de compreender, dominar, propondo reflexões cotidianas baseadas nos grandes ícones intelectuais e maiores pensadores da humanidade.

ic_pablo_1

Pablo Capistrano

Simples Filosofia é um livro imperdível que chega para fechar com chave de ouro um ano cheio de ótimos lançamentos em terras potiguares. É uma excelente compra para quem quer ter uma boa leitura nesse fim de ano ou presentear os amigos mais privilegiados em festas, confraternizações, natais, ano-novo e afins.

capa simples filosofia

Capa do livro "Simples Filosofia" publicado pela da Editora Rocco

É também mais um episódio na obra deste que é um dos mais brilhantes escritores potiguares da atualidade. Eu já encomendei o meu. Seja esperto e faça o mesmo. Prestigie Pablo no sábado próximo no Midway. Será uma sábia atitude. Ele merece. E você tem muito a ganhar.

Convite Simples Filosofia

Convite do lançamento com detalhes

Big Brother Natal – Resumo da primeira semana

Outubro 30, 2009 por Carlos Fialho

BBB-n

Mais indicados a entrar na crônica do Big Brother Natal graças às sugestões recebidas via Twitter, Orkut e comentários neste blogue:

Miguel Weber

Nei Leandro de Castro

Kokinho

 Eliana Lima – a abelhinha

Júlio Protásio

Roberto Sadovski

Moacir de Góes

Sílvio Bezerra

Kristhal

Lane Cardoso

Alan Severiano

Pablo Capistrano

Caio Vitoriano

Paulo Araújo

Nélio Júnior

Tereza Tinoco

Eugênio Bezerra

 

Sinto dizer que alguns nomes sugeridos foram recusados. Roberta Sá, por exemplo, é carioca, na minha opinião. Já Moacir de Góes, apesar de gozar da mesma condição, pode ser um personagem mais divertido dentro da crônica. Aqui no blogue é assim: dois pesos e duas medidas. Vocês sugerem, mas quem decide sou eu.

Com isso, a lista de candidatos até agora é a seguinte:

Clênio do Uskaravelho, Monsenhor Lucas, Nathalia Faria, Luiz Almir, Priscila de Sousa, Tom do Cajueiro, as meninas do Tricor, os meninos do Batendo perna, Paulo Wagner, Diogo das Virgens, Alex Padang, Michele Rincón, Fred Alecrim, Ânderson Foca, Toinho Silveira, Larissa Costa, O jogador Souza, DJ Shato, Cristyan de Saboya, A assustadora família Elali, Cláudio Porpino, Diogo Guanabara, Thaysa Galvão, Fábio Faria, Paulo Macedo, Oscar Schimidt, Júlia Arruda, Solón Silvestre, Marcelus Bob, Jota Oliveira, Paulinho Freire, Fernanda Tavares, Virna, Professor Alexandre Pinto, Salatiel de Souza, Danuza De Salles, Fátima Bezerra, O modelo Fábio Lima, Miguel Weber, Kokinho, Eliana Lima – a abelhinha, Júlio Protásio, Roberto Sadovski, Moacir de Góes, Sílvio Bezerra, Kristhal, Lane Cardoso, Alan Severiano, Pablo Capistrano, Caio Vitoriano, Paulo Araújo, Nélio Júnior, Tereza Tinoco, …

Cantos das Cidades 8 – Boa Noite, Cinderela. (RN)

Outubro 30, 2009 por Carlos Fialho
ETM - Gustavo Lamarine

Gustavo Lamartine, o artista, o homem, o parceiro na idealização do conto.

Eu estava bebendo uma noite perdida com o músico maloqueiro e high society Gustavo Lamartine quando o assunto partiu para, sabe-se lá porque, o golpe “Boa noite, Cinderela” que mulheres gatas e desconhecidas costumam aplicar em homens desavisados. Segundos os relatos dos e-mails mais sensacionalistas, elas botam alguma substância entorpecente na bebida do cara, arrastam para um lugar específico e extraem alguns órgãos internos. A pobre vítima acorda horas depois numa banheira de gelo e um bilhete de alerta escrito pela golpista.

Gustavo perguntou:”e se uma dessas mulheres roubasse o coração do cara? Ele teria que sair atrás dela, né?” De golpe, numa arrojada associação de ideias provocada, certamente, pela lubrificação etílica em curso, cantei um trecho da canção “A conta” do Mad Dogs: “Perambulei de bar em bar e procurei sem encontrar a vagabunda que roubou meu coração.” Pronto. Eu já tinha cenário e uma ideia para o próximo conto que escreveria para o livro Cantos das Cidades.

E resultou que o “Boa noite, Cinderela!” é um dos melhores contos que escrevi até agora. Natal merece mesmo contar com uma das mais divertidas narrativas da reunião de histórias.

Confiram um trecho:

“… Nos jornais, ofertas de córneas que custavam os olhos da cara, rins que até que não estavam caros, uma casa de frente pro mar com muitos metros de área e Shirley, universitária, recém chegada do sul, loira, 1,75m, namoradinha, anal-e-oral-inclusos-no-pacote. Quando já estava para fechar o jornal, um susto! Mas era só um apartamento de dois quartos mais dependência em Três Corações. Pensei em ir até lá, para negociar pessoalmente com o prefeito se a cidade não poderia ceder-me um dos corações. Talvez o governante ficasse comovido com minha história trágica. Talvez. Fiquei de fazer isso mais tarde. Por hora ia só anotar o telefone da Shirley mesmo.

Espalhei cartazes pelas cidades, como nesses que ficam pregados em lugares públicos e pet-shops, sempre em busca de um poodle chamado Rambo. O meu dizia “Procura-se órgão muscular oco interessado em compromisso duradouro de cerca de uma vida humana. É necessário residir em meu peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Precisa ter tamanho aproximado de um punho fechado e pesar cerca de 400 gramas. Contatos no…” Bem, não houve resposta ao meu apelo, mas soube de fonte segura que Rambo foi encontrado são e salvo acompanhado de vira-latas no centro da cidade e passa bem. Se eu tivesse coração, ficaria feliz pelo pequeno peludo.

As pessoas ficavam perguntando como o meu organismo fazia para bombear o sangue sem coração. O caso é que a corrente sanguínea se reuniu e decidiu que iria continuar indo para onde bem entendesse, pois de tanto ir sem parar, acabar aprendendo o caminho e que se ficasse parado ia ser chato todos aqueles glóbulos brancos e vermelhos e plaquetas ali parados, sem fazer nada, se dedicando ao ócio, ou quem sabem à marginalidade, o que seria terrível, e era melhor continuar fazendo o que estavam fazendo até que se realizasse outra assembléia posteriormente ou que chegasse um coração novo para colocar ordem no corpo. E assim foi, e assim é, e assim vai sendo…”

Sarkis e Nalva

Paulo Sarkis (na foto, conversando com Nalva) - baixista do Mad Dogs e ídolo deste blogueiro autor.

Com um co-autor como Gustavo Lamartine e inspiração na letra dos Mad Dogs fica fácil escrever uma boa história. Essa é a verdade.

Nota de Repúdio à forma descortês om que trataram Clotilde.

Outubro 30, 2009 por Carlos Fialho
Clotilde

Encontro com Clotilde na capital vizinha, João Pessoa, em 2007.

Recebi e-mail do senhor Eduardo Gosson, presidente da UBE (União Brasileira dos Escritores) Seccional RN e faço coro com o conteúdo da nota. Se ainda puderem incluir mais um nome na lista, que seja o meu. Abaixo segue a íntegra da nota.

***

NOTA DE REPÚDIO

Nós, filiados à União Brasileira de Escritores – UBE/RN, reunidos no II Encontro Potiguar de Escritores – II EPE, vimos por meio desta Nota, repudiar a forma descortês com que a Fundação Cultural Capitania das Artes – FUNCARTE tratou a escritora Clotilde Tavares, convidada para escrever o texto Auto de Natal 2009. Ao substituí-la sem prévio aviso, demonstrou falta de preparo e respeito no trato com a classe de intelectuais.

Natal, 30 de outubro de 2009

ASSINAM: A DIRETORIA E VÁRIOS ESCRITORES

O aniversário do Senhor Bira

Outubro 29, 2009 por Carlos Fialho

FM, Sr. Bira, Boy Bruce e eu, na única apresentação da nossa ex-banda "Americano Talibã", no MADA 2004.

Quando éramos pré-adolescentes o que havia de mais moderno eram as festas americanas. Levávamos comida e refrigerante e tentávamos vencer a timidez de meninos buchudos e beradeiros com as meninas mais bonitas da escola (aliás, vocês já notaram como as meninas mais bonitas da escola são maltratadas pelo tempo? Viram cada baranga!).

Depois, na juventude e vida adulta, os churrascos, festas e reuniões de amigos ganharam um novo componente entorpecente, uma vez que passaram a ser regadas com álcool. Mas uma coisa não mudava. No dia 25 de outubro, o motivo do encontro era o mesmo: celebrar o aniversário do Senhor Bira.

Teve até uma época em que ele fazia muitos churrascos e para ter argumentos fortes o bastante para convencer todos os amigos a comparecerem, dizia sempre que era seu aniversário.

 – Mas, Seu Bira, estamos em abril. Seu aniversário é só lá pro fim do ano.

– E daí? A Destaque não organiza um carnaval em dezembro e todo mundo acha o máximo?

E foi assim que o Sr. Bira passou a ser o único natalense com 4 datas de aniversário por ano. Mas eu, ortodoxo que sou, só dava parabéns no dia 25/10.

Eu era implacável. Sempre fui bom nisso. Um Dirty Harry da lembrança. Todo dia 25 de outubro, era um dos primeiros a contactá-lo para transmitir meus votos de felicidade. Era minha obrigação, certamente. Afinal, o Sr. Bira é um dos meus melhores e mais antigos amigos. Estudamos na mesma escola, veraneamos na mesma praia, cutíamos rock num mesmo ambiente hostil e adepto da monocultura natalense, jogávamos futebol e basquete, demos força um para o outro em momentos difíceis (mortes de entes queridos, mulheres que nos deixaram) e também estivemos presentes nas melhores horas (aprovação no vestibular, sucessos na carreira profissional, casamento – o dele, que fique claro.). Até hoje temos os mesmos amigos, a mesma turma. Por tudo isso, eu não poderia esquecer seu natalício nunca nesta vida.

Sendo assim, a pergunta é uma só: por que diabos eu esqueci de, no dia 25/10 passado transmitir-lhe meus parabéns? Será a idade? Um lapso? Tive uma dia atípico?

Bem, a verdade é que eu até lembrei. Passei o dia inteiro repetindo como um mantra: “Tenho que ligar pro Seu Bira. Tenho que ligar pro Seu Bira…”, mas acabei deixando pra mais tarde e… vocês já sabem. Acontece com quase todo mundo. Findei esquecendo.

Então, Sr. Bira, este finzinho vai pra você. Foi mal ter esquecido de dar os parabéns no seu dia. Ato falho (ou seria ato Fialho?) que tento corrigir por meio deste texto.

Feliz aniversário.

…atrasado.

Carlos Fialho

Big Brother Natal 2010 – Novos candidatos.

Outubro 29, 2009 por Carlos Fialho

10 logo-bbb-333-globo-070808

E-mails, comentários e mensagens chegaram com indicações de novos candidatos a conviverem na crônica em 12 capítulos “BIG BROTHER NATAL”. Por isso, já exibo aqui a atualização da lista.

Os novos candidatos que se somam aos que já foram citados no post de ontem são os que seguem:

O modelo Fábio Lima

Oscar Schimidt

Virna

Júlia Arruda

Paulo Macedo

Marcelus Bob

Não esqueçam de deixar um comentário dizendo em quais dessas celebridades você vota para dividir uma crônica minha. Também vale indicar novos nomes para compor a lista. O prazo é até o fim do ano

Big Brother Natal – Celebridades Natalenses

Outubro 28, 2009 por Carlos Fialho

10 bb-africa-logo12

Iniciei uma série no Twitter. Quero identificar quem são as pessoas célebres de Natal. O mérito não se discute. O importante é descobrir quem é famoso. Na lista preliminar que compus tem algumas pessoas que desenvolvem um trabalho positivo por Natal, como os músicos Diogo Guanabara e Ânderson Foca, o administrador Frederico Alecrim e por aí vai. Mesclado a pessoas como essas, tem também gente que ficou, para os padrões potiguares, famosa por razões das mais variadas.

 

Após começar esse divertido exercício de catalogar nossas CELEBRIDADES NATALENSES, tive uma ideia que pode resultar em algo muito bom ou numa cagada virtual sem maiores efeitos ou repercussões. Trata-se de uma série de crônicas chamadas BIG BROTHER NATAL. Mas não é só isso. Para que a iniciativa seja realmente interessante, precisa ser algo mais do que simples textos curtos de humor. Então pensei em fazer algo interativo.

 

Explico: até o fim do ano, vou postar no meu blogue, Orkut e Twitter, as atualizações na lista de celebridades, aceitando a partir de agora, contribuições dos amigos e leitores via mensagens, e-mails (carlosfialho@digi.com.br), scraps, twits, comentários no blogue e na coluna da Digi.

 

Daí, no início de 2010, será aberta uma votação através dos mesmos canais de contato que explicitei acima para escolher 12 celebridades para co-habitar uma mesma crônica em 12 capítulos. A publicação do primeiro capítulo será feita em minha coluna semanal na Diginet, no mesmo dia que for ao ar o primeiro episódio do Big Brother Brasil.

 

A cada nova crônica publicada, os leitores vão votando em uma celebridade para ser eliminada e, ao final das 12 semanas (no mesmo dia da final do BBB), Natal vai parar diante da tela do computador para acompanhar a grande final do BBN na coluna da Diginet.

 

Com isso teremos uma série de crônicas de humor escrita a muitas mãos, com a contribuição de quantos leitores quiserem participar com votos e até ideias para o desenvolvimento das situações pretensamente cômicas.

 

A escolha dos famosos que irão conviver no texto e disputar o título de CELEBRIDADE NATALENSE MOR no BIG BROTHER NATAL começa agora. A lista preliminar que elaborei, ainda sem as contribuições de vocês segue abaixo: 

10 big_brother-8x6

O Grande Irmão está de olho em você.

 

 

Clênio do Uskaravelho,

Monsenhor Lucas,

Nathalia Faria,

Luiz Almir

Priscila de Sousa,

Tom do Cajueiro,

as meninas do Tricor,

os meninos do Batendo perna

Paulo Wagner,

Diogo das Virgens,

Alex Padang…

Michele Rincón,

Fred Alecrim,

Ânderson Foca,

Toinho Silveira

Larissa Costa

O jogador Souza

DJ Shato

Cristyan de Saboya

A assustadora família Elali

Cláudio Porpino,

Diogo Guanabara,

Thaysa Galvão,

Fábio Faria…

Jota Oliveira

Paulinho Freire

Solón Silvestre

Salatiel de Souza

Fátima Bezerra

Danuza de Salles

Fernanda Tavares

Cantos das Cidades 7 – O Genius do Rock (RJ)

Outubro 28, 2009 por Carlos Fialho

Fialho no Arpoador

No Arpoador

O Rio de Janeiro é uma cidade especial para mim. Vivi um ano por lá, fazendo pós-graduação, ano no qual pude estreitar laços com minha família por parte de pai que há muito partiu para o sudeste e vi de perto o Pet meter aquela bola no ângulo esquerdo, garantindo mais um tri para o Mengão. Aliás, o Flamengo é outro elo de ligação inquebrantável que me associa eternamente à nossa ex-capital federal. Os amigos que fiz no Rio são pra valer, de verdade, parceiros (como eles costumam dizer por lá) e é por eles que sempre retorno a cidade, para matar saudades e reforçar laços.

 

Outra peculiaridade da cidade é que é a terra natal do Jason, uma das bandas de rock que mais gosto há muito anos. Por isso, nunca tive dúvidas no momento de escolher os intérpretes da música que inspiraria um dos contos do livro “Cantos das Cidades”. O Jason foi o eleito, com a frase “Eu queria ter um ferrorama que não andasse em círculos”, citada em meio à faixa “Rosebud” do disco “Sou quase fã de mim mesmo”.

jason_flyer_004

Divulgação do último CD do Jason.

 

A partir dessa frase, escrevi uma história sobre um roqueiro dos anos 80, época de bastante efervescência no cenário carioca que, aliás, foi essencial para o desenvolvimento e popularização do ritmo musical em terras tupiniquins. O protagonista da história acaba montando uma banda que faz muito sucesso e o instrumento que ele toca é um brinquedo/jogo Genius (lembram dele?).

 

Para me ajudar a escrever a história, contei com a valiosíssima contribuição do amigo jornalista Adílson Pereira. Aliás, em homenagem a ele, batizei o herói da narrativa com seu nome.

 

Um trechinho da história maluca:

 

 

“…Não saber manejar nenhum instrumento musical não poderia ser empecilho para que Adílson adotasse a causa do rock’n’roll. Certa noite, assistindo ao filme “Contatos imediatos de terceiro grau” na casa de um tio que acabara de adquirir um videocassete de último tipo da National, recebeu uma iluminação cósmica, universal, interplanetária. Inspirado nas seqüências musicais cheias de luzes dos discos voadores mostrados na tela compreendeu que sua missão neste planeta era maior do que poderia imaginar. Era portador de uma mensagem musical muito mais sublime e profunda do que se pode imaginar. Adílson seria um pioneiro, um visionário, um desbravador: o primeiro roqueiro brasileiro a tocar Genius numa banda. Isso mesmo. Operaria a divertida maquininha de botões musicais, coloridos e luminosos, parecida com as espaçonaves do filme.

 

Ensaiava todos os dias e se tornou o maior craque nas seqüências desafiadoras da moderna geringonça. Mas ainda faltava uma banda que fosse tão ousada quanto ele, que aceitasse numa boa sua idéia inovadora, que incorporasse um gênio em sua formação. Aliás, um gênio e um Genius.

 

Arrumou um estágio na rádio Fluminense, a maldita, que tocava as fitas demo dos recém surgidos grupos roqueiros e procurou se entrosar no meio

Fialho e Adílson na Pérola

Esse de camiseta banca é o Adílson. Na foto, estamos tomando um chope no Adega Pérola em Botafogo.

 

O Adílson tem um blogue bem legal sobre música, uma vez que é um ótimo jornalista musical. Porém, perdi o endereço em meio a essa vida corrida e publicarei aqui mais na frente.

Por trás daquele beijo

Outubro 26, 2009 por Carlos Fialho

Esta crônica estará na minha coluna da Digi dentro de algumas semanas. Por enquanto, publico aqui em primeira mão.

***

Sinal aberto. Eu, pedestre. Esperava o câmbio de cores que permitiria minha passagem para o outro extremo. Nada mais usual, nada mais corriqueiro, até que uma visão ousou desafiar a normalidade da urbe. Uma imagem terna, do outro lado da rua, quebrava a urgência da rotina, destoava dos passos apressados, dos olhares determinados ou perdidos, apontando o vazio.

Era um beijo. Intenso, demorado, com direito a um abraço apertado. Ele, sujeito jovem, mas formal. Terno cinza, gravata, sapatos italianos, óculos de grau, a pasta executiva no chão, aos seus pés, sustentada entre os calcanhares. Nada nele poderia revelar que fosse capaz de tamanho arrojo, de ir na contramão do senso comum, de declarar o seu amor, de sucumbir a espontaneidade de um gesto tão significativo, assim, em público, na frente de quem quisesse ver, nesses dias tão impessoais, de discrições e limites, de boa conduta e vida em sociedade, de etiqueta e autocontrole.

Ela, também vestida para o trabalho, menos formal, mas bem arrumada, de calças e salto alto, maquiada, cabelos lisos, se entregava completamente. Era cedo da manhã. O expediente ainda não começara, mas a metrópole já despertara, por suas artérias corriam carros e pessoas, pulsando, bebendo café, com pressa de chegar. Porém, aquele casal desafiava a paisagem, quebrava o ritmo frenético, promovia uma intervenção, quase uma licença romântica inesperada, surpreendente, longa, demorada.

O sinal abriu. Atravessei a larga avenida, passei pelo casal, andei mais de 100 metros além deles, minutos se passaram, olhei pra trás. Nenhuma mudança. Ambos permaneciam completamente envoltos um no outro, alheios ao mundo que os cercava. Os cidadãos iam e vinham, fingindo sórdida indiferença. Mas eles viam, ah viam. Teriam inveja? Satisfação? Esboçariam um sorriso em pensamento? Censurariam aquela depravação? Sentiriam vergonha alheia?

Fiquei imaginando o que esconderia aquela demonstração explícita e afetuosa. Seria um reencontro? Ou talvez um primeiro encontro? Seriam colegas de empresa, apaixonados um pelo outro, e que finalmente resolveram se declarar? O que haveria por trás daquele ilimitado catálogo de possibilidades?  Cheguei ao meu destino. Pensei em olhar pra trás, comtemplá-los mais uma vez, saber se ainda estavam se beijando com a mesma intensidade depois de tanto tempo. Não o fiz. Preferi crer que sim, prosseguiam absortos pela mesmíssima paixão que testemunhei. E continuo acreditando nisso. Penso que eles ainda estão se beijando naquela esquina neste preciso momento. E vou além: vão continuar se beijando amanhã, depois de amanhã e para sempre, mostrando aos impassíveis transeuntes, que um beijo como aquele é uma dessas coisas que fazem a vida valer a pena.

Cantos das Cidades 6 – Comentaristas Improváveis (MG)

Outubro 24, 2009 por Carlos Fialho

Precisava escrever uma das histórias do “Cantos das Cidades que se passasse em Belo Horizonte. Escolhi então uma banda que gosto desde muito tempo e um tema sobre o qual estou bastante habituado: futebol. A frase “Que emocionante é uma partida de futebol!” retirada da música “Uma partida de futebol” do Skank (escrita pelo Nando Reis, vale o registro.) foi a eleita com justiça.

Criei um mote para o conto, os comentaristas, usei BH como cenário e Minas como referência. Daí só precisava de uma contribuição local para dar mais autenticidade. Para minha felicidade, o escritor Sérgio Fantini topou a parceria e finalizamos o texto a 4 mãos. Ficou divertido, acho. Já mostrei para alguns amigos (leitores e boleiros) e eles gostaram.

Um trechinho para degustação:

“…Imaginem, por exemplo, como seria a atuação do comentarista de gramado.

- Boa noite, povo de Minas. Seja bem-vindo ao estádio Governador Magalhães Pinto, o nosso Mineirão. Para saber das condições do campo, vamos ouvir o nosso comentarista de gramado.

- Boa noite. O gramado até que está razoável com um comprimento de regulares 10 centímetros a partir da raiz. Por se tratar de verão, quando predomina o tempo quente, a espécie escolhida é a gramus desérticus, que apresenta uma maior resistência às condições climáticas da estação. Uma peculiaridade do campo é um morrinho artilheiro encontrado na área à esquerda da cabine. Foi contando com a ajuda deste morrinho que Dada Maravilha voou feito beija-flor para liquidar o campeonato de 71.

- Essas condições favorecem alguma das equipes?

- O Democrata acaba levando vantagem, pois historicamente costuma jogar com chuteiras de trava baixa, mais adequadas às condições do solo, principalmente para os atacantes mais pesados, que muito se adaptam à espécie gramus desérticus.

Outra categoria de comunicador que também faria bastante sucesso seria o comentarista de guloseimas. Neste caso em particular, sua presença só funcionaria no rádio, pois o público interessado em seus comentários é o que freqüenta estádios.

- … e vamos aproveitar que o jogo está parado para ouvir o nosso comentarista de guloseimas, direto das arquibancadas do Independência!…

E uma dica da hora. Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do Sérgio Fantini, leia o livro “A Ponto de explodir”.

05 a ponto de explodir

Vocês podem adquirir um exemplar com o próprio autor no e-mail sergiofantini@gmail.com.

Apontamentos Desconexos #3

Outubro 24, 2009 por Carlos Fialho

Diário Estelar 1 – 20 de outubro – terça-feira

Assisti ao espetáculo musical “Spamalot” em homenagem aos 40 anos do Monty Python.

A peça ganhou um monte de prêmios mundo afora.

A peça ganhou um monte de prêmios mundo afora.

Primeira peça que vejo no exílio. É qualquer coisa de espetacular. Superprodução com casa cheia já faz mais de um mês. Risos do início ao fim com a compilação de alguns dos melhores momentos do filme “Em busca do Cálice Sagrado” com canções hilárias. O texto é do próprio Eric Idle e a tradução pro espanhol ficou a cargo de um coletivo catalão chamado Tricicle.

 

"Alguém da plateia viu um cálice sagrado?"

"Alguém da plateia viu um cálice sagrado?"

 

Dentro do castelo

Dentro do castelo

Diário Estelar 2 – 21 de outubro – quarta-feira

Real Madrid x Milan no Santiago Bernabeu. Dei sorte. 5 gols, alternâncias no placar e show de Pato. Bem que o Kaká disse que não comemoraria gols contra o Milan nessa partida. Quem não faz, não festeja.

 

"Stephanny, vou te pegar no seu Cross Fox"

"Stephanny, vou te pegar no seu Cross Fox"

 

Desde América x Bahia que eu não ia a um jogo oficial.

Desde América x Bahia que eu não ia a um jogo oficial.

Painel com alguns heróis históricos do Real

Painel com alguns heróis históricos do Real

Rafinha, meu companheiro de apartamento, esteve comigo.

Rafinha, meu companheiro de apartamento, esteve comigo.

Bernabeu

 

A Prefeita do Gerundismo acabou com o ENE

Nossa Prefeita deve ter declarado algo assim: “Nós vamos estar acabando com o ENE há um mês do evento e vamos estar criando o ELE, em março. Todo o trabalho realizado pela Funcarte nos últimos meses não vai servir de nada e vamos estar entrando em contato com os escritores que já haviam aceitado o convite para dizer um sincero: “foi mal aê”.

 

30 crônicas escritas e 5 contos.

Finalizadas 30 crônicas e 5 contos aqui no exílio. O livro “Cantos das Cidades” já está quase 50% concluído e os dois argumentos para histórias mais longas (possíveis embriões de romances) vão receber minha atenção muitíssimo em breve.

 

Série de crônicas de zumbis.

Estou escrevendo uma série de crônicas sobre zumbis. Devo publicá-las nos próximos meses na coluna da Diginet. Inclusive, tive também ideias para dois contos sobre o assunto. Vamo-que-vamo! A produção está intensa.

 

Um clássico revisitado

"Orgulho e preconceito e zumbis"

"Orgulho e preconceito e zumbis"

Aliás, por falar em mortos revividos e famintos, está sendo publicado em todo mundo o romance “Orgulho e preconceito e zumbis” em que mortos vivos aparecem na clássica história literária. Sinto-me, no mínimo, curioso para conferir a obra.

 

Adoráveis Bastardos 2

Texto de Arnaldo Branco sobre Tarantino e crítica “especializada” e recalcada. Recomendo! Para lerem, cliquem AQUI.

 

Haloween do gringos

Griiiiingo, you bastard!!!

Griiiiingo, you bastard!!!

Lembro a todos em Natal que no próximo dia 31 tem o Halloween do Gringos, o melhor bar da cidade. Mas, atenção, se você não for uma pessoa legal, inteligente, interessante, nem vá! Fico puto com gente sem dignidade frequentando o meu bar.